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Restos humanos eram remédio na Europa

Enquanto os europeus teciam coloridos relatos das temíveis tribos antropófagas do Novo Mundo, estavam consumindo restos mortais humanos em casa. Sob a desculpa de ser por razões medicinais… É mole?

Tudo vem do princípio do “igual cura igual”, que é bem mais antigo que a homeopatia que o prega. Hipócrates já tratava doentes mentais com alucinógenos. Se igual cura igual, o melhor remédio viria dos mortos – a morte, afinal, é a pior “doença”.

Assim, por séculos, corpos humanos foram administrados como remédios. Valia tudo: ninguém menos que Paracelso (1493-1541) recomendou sangue humano. Durante execuções, o povo se juntava em torno do condenado para tentar beber seu sangue. “O carrasco era visto como um grande curandeiro em países germânicos”, afirma Richard Sugg, da Universidade de Durham (Reino Unido), em Mummies, Cannibals and Vampires (sem tradução em nosso idioma). “A questão nunca foi: ‘Você deve comer carne humana’, mas ‘Que tipo de carne humana você pode comer?’”

O mais “poderoso” dos remédios de defunto, recomendado também por Paracelso, era a chamada mummia, cujo nome não dá margem para dúvidas. Múmias egípcias eram compradas de comerciantes árabes, moídas e transformadas em poções e pílulas. A mummia foi a droga porta de entrada para o canibalismo europeu. Depois dela, além do sangue dos condenados, também vieram coisas como gordura humana (servia para passar na pele) e caveira em pó (bom para dor de cabeça)…

E tudo começou por um erro de tradução medieval. “Mumiya” em árabe quer dizer betume ou asfalto, um produto natural vindo do solo e usado então para tratar uma enorme lista de aflições. A mesma palavra era usada para as múmias egípcias porque elas eram embalsamadas com betume. Confundindo ingrediente e produto final, os europeus passaram a comprar múmias e consumi-las.

Egípcios preparando uma múmia.

O rei Francisco I da França (1494-1547) sempre carregava uma bolsinha de mummia para consumir como se fosse rapé, ao menor sinal de problemas. Ninguém menos que o criador da química moderna, Robert Boyle (1627-1691), ainda dizia maravilhas sobre o tétrico medicamento.

Obviamente, não havia como o Egito dar conta da demanda europeia por múmias. Vez por outra, governantes tentavam encerrar o comércio, porque canibalismo é proibido pela sharia (que já então os europeus deviam achar excessivamente rígida). A Bíblia, por incrível que pareça, não proíbe explicitamente o canibalismo, apesar de tratá-lo como um escândalo e maldição ocasionalmente imposta por Deus.

Charlatões então saíam em busca de corpos recentes, principalmente de condenados, e os dissecavam em fornos, criando uma falsificação do produto inútil. A mummia continuaria nas prateleiras até, incrivelmente, o começo do século 20, quando a indústria farmacêutica começou a ser, finalmente, fiscalizada.

O canibalismo europeu seria eternizado na arte. Um pigmento renascentista chamado “marrom múmia” ainda adorna grandes clássicos em museus pelo mundo. Como este aqui:

Eugene Delacroix, autor de A Liberdade Liderando o Povo (1830), era um fã do pigmento de múmia.

 

 

Fontes:

The Gruesome History of Eating Corpses as Medicine, Maria Dolan, Smithsonian Magazine
Mummies, Cannibals and Vampires, Richard Sugg, Routledge

Aventuras na História

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Estudo traça mapa da chegada do Homo sapiens à América

Pesquisadores da Austrália, dos EUA e da América Latina conseguiram obter e decodificar o DNA de mais de 90 indígenas que viveram antes da conquista europeia das Américas, entre 9.000 e 500 anos atrás. Os dados ajudam a traçar um novo mapa da chegada do Homo sapiens ao continente americano, um épico que, segundo os cálculos da equipe, começou há 16 mil anos.

A conclusão vem da comparação do DNA antigo com o dos índios modernos, a partir da qual o grupo liderado por Bastien Llamas, da Universidade de Adelaide (Austrália), traçou uma super-árvore genealógica dos primeiros habitantes da América.

Uma das constatações mais claras do levantamento, aliás, é que essa árvore sofreu uma poda assustadora no passado recente: nenhum dos subtipos de DNA encontrados pelos cientistas nos indígenas que morreram antes do contato com os colonizadores possui um equivalente exato nas tribos de hoje.

O resultado corrobora a tese de que a chegada das caravelas ao litoral americano deflagrou o extermínio de até 90% da população nativa original (o grosso da mortandade provavelmente foi causado por doenças infecciosas do Velho Mundo, embora guerras, expedições escravistas e tratamento desumano também tenham contribuído).

A pesquisa está na revista especializada “Science Advances”. Por enquanto, os cientistas não conseguiram “ler” todo o genoma dos antigos indígenas. Concentraram-se na análise do mtDNA (DNA mitocondrial), presente apenas nas mitocôndrias, usinas de energia das células que são transmitidas pelo lado materno.

Trata-se de uma ferramenta útil para decifrar a história populacional de uma região, embora esteja longe de contar toda ela  – além de não levar em consideração o lado paterno, a análise do
mtDNA não inclui a maior parte do material genético, que fica no núcleo das células.

 

GENOMA PRÉ-COLOMBO
Entenda pistas genéticas sobre os primeiros americanos

1 – Esqueleto da cultura Lima, achado na capital peruana, com cerca de 1.500 anos
2 – “La Doncella”, múmia do período inca achada no monte Llullaillaco, na Argentina, morta há 500 anos

O QUE OS CIENTISTAS ESTUDARAM
O “texto” completo do mtDNA, ou DNA mitocondrial, presente nas mitocôndrias, as usinas de energia das células e transmitido da mãe para os filhos
OS RESULTADOS
A diversidade genética dos nativos americanos era muito maior no passado, confirmando que a grande maioria da população foi dizimada quando os europeus chegaram. Os dados também apontam para um cenário de migração pela costa do Pacífico
Há 16 mil anos, com o recuo das geleiras do Pacífico, eles teriam avançado rumo ao sul pelo litoral, dispersando-se mais tarde para o interior do continente
A partir de 25 mil anos atrás, os siberianos ancestrais dos atuais indígenas teriam ficado isolados na Beríngia

TIQUE-TAQUE

Apesar das limitações, o estudo é importante pela grande quantidade de dados genéticos antigos e com datas bem estabelecidas, o que ajudou a estimar com mais precisão as datas de origem e diversificação dos ancestrais das tribos indígenas.

Isso foi possível porque, em grande medida, o DNA sofre mutações seguindo uma espécie de tique-taque constante. Suponha que, em média, uma “letra” de DNA seja trocada a cada mil anos; se os geneticistas identificam três dessas trocas numa linhagem, isso significaria que ela teria divergido (ou seja, se separado) da linhagem ancestral há 3.000 anos, digamos.

Foi com base num raciocínio parecido com esse (e pesadas análises estatísticas) que os cientistas estimaram que os ancestrais dos indígenas se separaram dos habitantes da Sibéria, sua provável região de origem, por volta de 25 mil anos atrás – justamente o momento mais frio da Era do Gelo.

Isso provavelmente não significa, no entanto, que a jornada América adentro começou nessa época.

A análise das variantes de mtDNA indica que houve um pico repentino de diversificação genética a partir de 16 mil anos antes do presente, o que faria sentido se a população dos primeiros americanos começasse a crescer de repente nessa época. Isso levou os cientistas a postular que, no pico da Era do Gelo, os ancestrais dos indígenas ficaram isolados na chamada Beríngia, faixa de terra firme que, nessa época, unia a Sibéria ao Alasca, nos atuais EUA.

Isso faz sentido quando se considera que, nesses milênios, geleiras tremendas barravam a passagem de quem quer que tentasse sair da Beríngia rumo ao continente americano. No entanto, justamente em torno dos “mágicos” 16 mil anos atrás, as geleiras na costa do Pacífico americano recuaram, o que provavelmente permitiu um avanço rápido pelo litoral. Isso explicaria o crescimento populacional. Coincidência ou não, o sítio arqueológico mais antigo das Américas é o de Monte Verde, no Chile, localizado na costa do Pacífico, com 13 mil anos.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA de S. Paulo

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A Senhora do Cao

A Senhora do Cao, ou Dama do Cao, é o nome que se dá à múmia de uma governante da cultura moche que governou o norte do Peru no século IV d. C. Depois da descoberta e das investigações científicas que confirmaram a importância do fato, a notícia foi dada em 15 de maio de 2006 pela equipe de arqueólogos peruanos dirigida por Régulo Franco Jordan, do Instituto Nacional de Cultura peruano. As investigações contaram com o apoio financeiro da Fundação Augusto Wiese.

File:La Señora de Cao.JPG

Antes dessa importante descoberta, pensava-se que apenas os homens exerciam altos cargos no antigo Peru. Acredita-se que a dama tinha o status de governante da sociedade teocrática do vale do Rio Chicama, além de ser considerada uma autoridade quase divina.

A Senhora do Cao teria falecido por complicações no parto aproximadamente no ano 400 d.C., e os restos mumificados da governante, de 1,45 m de altura e entre os 20 e 25 anos, estavam cobertos por 18 colares de ouro, prata, lápis lazuli, quartzo e turquesa, além de 30 adornos de nariz de ouro e prata, diademas e coroas de cobre dourado.

Seu corpo ainda apresenta visíveis nos braços, depois de 1500 anos, tatuagens de serpentes, aranhas, crocodilos, macacos, leopardos, abelhas e mariposas, que representam a fertilidade da terra, e que também indicavam seus dotes como xamã.

 

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Os Meus 10 Melhores Filmes de Monstros

O amigo Lucas Libânio inspirou-me a falar de filmes de monstros.

Os monstros sempre estiveram presentes na imaginação humana, e a eles eram atribuídas as catástrofes e tudo de ruim que acontecia às pessoas. A Mitologia grega é rica desses seres – inclusive servindo de base para inúmeras obras na literatura ou no cinema. Enquanto os heróis mitológicos são seres solares que amam o ar livre, voam, correm nas colinas e caçam nas florestas, os monstros preferem a escuridão ou locais ermos. Como o minotauro, por exemplo, que vivia num labirinto escavado nas profundezas de uma montanha.

Mas o minotauro não era o único monstro dessa galeria. Temos ainda as harpias, a Górgona, Cérbero, os cíclopes e tantos outros.

  

 Os escritores, roteiristas e cineastas beberam nessa fonte para criar suas obras, mas usaram também referências de diversas outras culturas. E o cinema ajudou a popularizar esses seres extraordinários que povoam os nossos pesadelos há gerações.

A minha lista dos Dez Melhores filmes de monstros é:

10. O Enigma de Outro Mundo (1982)

Um parasita do espaço invade um centro de pesquisa perdido no meio do Polo Norte. Esse monstro assimila outros organismos e os imita, e você não sabe dizer qual a verdadeira natureza dessa coisa. Assustador, mesmo, e os efeitos especiais (na época) eram de arrepiar. Assista um trecho a seguir:

9. A Múmia (1932, 1999)
Um icônico filme de monstro, A Múmia é uma clássica história de mistério do Egito antigo. Refilmado 60 anos depois, continuou sendo bastante divertido. Essa refilmagem passa toda hora na TV e vale a pena ver. Mas o original traz Boris Karloff como o monstro, e veja no clipe a seguir como o clima era bastante diferente de seu remake:

8. Cloverfield (2008)

Seguindo a trilha aberta por “A Bruxa de Blair”, o filme no estilo documentário mostra um monstro destruindo Nova York.  Foi um tremendo sucesso e é bastante realista em seus sustos.

7. O Ataque dos Vermes Malditos(1990)

Eh, eh, eh… Umas minhoconas ao estilo “Duna” (de 1984, direção de David Lynch) escavam o solo, só que, ao contrário dos vermes espaciais, não são domesticáveis e querem jantar as pessoas. Para quem ainda não conhece esse filme B muito divertido, essa cidadezinha no deserto começa a sofrer abalos sísmicos, que na verdade eram causados pelos “vermes malditos” abrindo seu caminho debaixo da terra. Abaixo, no trailer oficial, Kevin Bacon enfrenta as criaturas.

6. O Labirinto do Fauno (2006)

Não é um “filme de monstro” no sentido tradicional, digamos assim. Mas esse filme sensacional de Guillermo de Toro é uma fábula sombria (sua obra-prima, na minha opinião) e tem um monstro magrelo e branquelo assustador: os olhos ficam nas palmas das mãos! Se você não assistiu, eu recomendo.

5. A Bolha Assassina (1958)

Chegando na Terra em um meteoro, a Bolha é uma inofensiva e misteriosa gosma. Mas não demora muito até começar a engolir todo ser humano que aparece em sua frente, aumentando seu tamanho quase ilimitadamente. Um dos filmes de monstro mais divertidos de todos os tempos, tem Steve McQueen em seu primeiro papel principal como o jovem que vê a bolha comendo todo mundo, só que ninguém acredita nele! Olha o trailer da época, que máximo!

4. Tubarão (1975)

Desde que Steven Spielberg dirigiu este filme, tem gente que põe os pés na água e já escuta a música-tema… Esse tubarão gigante que devora os banhistas de uma cidadezinha litorânea deve estar na lista dos filmes mais assustadores de todos os tempos.

3. O Monstro da Lagoa Negra (1954)

Um grupo de cientistas encontra no fundo de um lago da Amazônia um assustador humanoide. Quando o monstro persegue a moça por baixo d’água, eu me lembro de ter roído todas as unhas quando assisti o filme, ainda criança. A seguir, um trecho do filme:

2. A Mosca (1958, 1986)

Olha que ideia: um cientista tem seus átomos misturados com os de uma mosca e o resultado é tão nojento e dramático que você nem consegue imaginar. Esse filme de monstro + ficção científica trazia no remake de 1986 Jeff Goldblum como o cientista, até então fazendo mais filmes de TV. “A Mosca” o fez famoso mundialmente, até que despontou ao estrelato em “Jurassic Park”, 8 anos depois.  Veja o trailer do remake de 1986:

1 – King Kong (1933)

O grito de ajuda de Fay Wray nas mãos de um macaco gigante em cima do Empire State é uma das cenas mais inesquecíveis de Hollywood. Esse monstro genial e sua incrível animação stop-motion inspirou toda uma nova geração de criaturas que destruíam cidades, como Godzilla, seu mais famoso descendente. A sequência a seguir está entre as mais conhecidas do cinema e os efeitos especiais são melhores do que toda a série “Crepúsculo”…

0. Alien, o Oitavo Passageiro (1979)

Gosto tanto deste filme que o classifico em todas as categorias que eu posso: filmes de terror, de ficção científica, de monstro… Mas a criatura merece estar em primeiro lugar na minha lista dos Dez Mais, porque esse Alien dá arrepios em qualquer um. Um clássico do cinema em todos os tempos! O trailer original passa toda a tensão desse filme espetacular.

Como você notou, minha lista dos Dez Mais acabou ficando com onze, porque não podia deixar “Alien” de fora. Pensando bem, não podia deixar de fora o Frankenstein, o Lobisomem, todos os filmes do Ray Harryhausen, os insetos das “Tropas Estelares”…