A última vez que Walt Disney apareceu na telinha

Walt Disney faleceu em 15 de dezembro de 1966, mas continuou ativo e trabalhando até o final.

Em outubro daquele ano, Disney gravou uma chamada para o filme que iria estrear em breve, “Follow Me, Boys!” (Nunca é Tarde Para Amar, no Brasil), com Fred MacMurray e um jovem ator de 15 anos que Walt previa que faria muito sucesso no futuro, Kurt Russell.

Russell com Chris Pratt em cena de “Guardiões da Galáxia – Vol. 2”

Nessa chamada, cujo título seria “An Evening with Walt Disney” e que nunca foi ao ar por conta da trágica notícia da morte de Walt, duas semanas depois da estreia nacional do filme, ele explica que não poderia estar presente na première no Radio City Music Hall, em Nova York, porque estava em meio às filmagens de “Blackbeard’s Ghost” (O Fantasma de Barba Negra, no Brasil) e que estrearia apenas dois anos depois.

Ele continua, falando bastante sobre um filme musical que estrearia em julho de 1967, estrelado por seu ator favorito, Fred MacMurray, e destaca uma das canções – que não aparece no segmento que mostro a vocês. Walt devia gostar muito desse “The Happiest Millionaire”, ou Quando o Coração Não Envelhece, porque sorri várias vezes durante sua explicação.

Veja a última vez que Walt apareceu diante de uma câmera.

Como eu disse no início, Walt se manteve em atividade até o final, honrando a fama de workaholic que tinha.  Além dos filmes que ele menciona no vídeo, estava trabalhando na produção de “The Love Bug” ( Se Meu Fusca Falasse) que foi o último longa live-action que ele aprovou.

Ao mesmo tempo, estava envolvido em dois longa-metragens de animação e que foram também suas últimas participações em produções de seu estúdio. “The Jungle Book” (Mogli, o Menino-Lobo), lançado em 1967 e que foi um enorme sucesso de crítica e de bilheteria.

E “The Aristocats” (Os Aristogatas), produzido em 1968 e lançado em 1970, uma mistura de A Dama e o Vagabundo e 101 Dálmatas, só que com gatos em vez de cachorros. Por ocasião de sua morte, Walt estava supervisionando o roteiro e a criação dos personagens.

Mas não era só com o cinema ou a TV que Walt se envolvia. Nos meses que antecederam sua morte, ele fazia contínuas reuniões com sua equipe da Disneylândia, avaliando as novas atrações e colocando suas ideias.

E já estava supervisionando sua mais ambiciosa empreitada, a criação do Walt Disney World, inaugurado só em 1971.

Abrangendo mais de 11.000 hectares, tem hoje quatro parques temáticos, dois parques aquáticos, vinte e sete resorts temáticos, dois spas e centros de ginástica, cinco campos de golfe e outros locais de lazer, esporte, compras e entretenimento. Magic Kingdom foi o primeiro parque do complexo, seguido de EPCOT, Disney’s Hollywood Studios e Disney’s Animal Kingdom, abertos entre as décadas de 1980 e 1990.

Walt queria complementar o parque que ele tinha na Califórnia, inaugurado em 1955. Além de hotéis e um parque temático similar à Disneylândia, os planos originais de Disney incluíam um “Protótipo Experimental da Comunidade do Amanhã”, o EPCOT, uma cidade planejada que serviria como um laboratório de experiências para inovações para a vida nas metrópoles. Mas, no final, o EPCOT não saiu exatamente como ele sonhara.

Lendas e fatos

Walt tinha a reputação de ser um visionário e várias lendas surgiram depois de sua morte, de que teria formulado planos de longo alcance para depois que partisse: como ser congelado para que ele pudesse ser revivido quando a ciência encontrasse a cura para a doença que o matou; ou que teria criado uma lista de filmes que nunca deveriam ser lançados em vídeos caseiros; ou que teria preparado um filme para ser assistido por seus executivos sobre como administrar a empresa em sua ausência…

A realidade, no entanto, é que todas essas lendas não têm a ver com a personalidade de Walt Disney, que deixou os aspectos comerciais da administração da empresa para seu irmão Roy e não deu muita importância ao que aconteceria depois de sua morte.

Legends Plaza, nos estúdios Disney em Burbank.

Embora Walt fosse sempre a força motriz por trás dos esforços criativos da Disney, na época de sua morte ele estava pensando principalmente em dois grandes projetos que iam além das telinhas ou telonas. Além do já mencionado EPCOT, ele ainda reservava um tempo para avaliar a mais nova atração da Disneylândia, “Piratas do Caribe”. E seu mais recente sonho era a criação de um resort de inverno no Mineral King Valley, na Califórnia, perto do Parque Nacional da Sequoia (um projeto que acabou sendo descartado devido à oposição de grupos ambientalistas).

Walt simplesmente não tinha nem o tempo e nem a inclinação para fazer planos para os caminhos que sua empresa deveria seguir depois de sua morte. Não gostava de falar sobre a morte – nem comparecia a funerais! – e muito menos sobre a sua. Tanto que não fez nenhum esforço para selecionar ou preparar um sucessor!

Seu falecimento pegou a empresa de surpresa, porque nem ele nem ninguém fez qualquer preparação para isso, mesmo quando Walt soube que estava com câncer. Nem o irmão de Walt, Roy, sabia o que ele estava fazendo, porque, como escreveu o biógrafo Bob Thomas: “Walt não queria que ninguém, inclusive seu irmão mais velho, xeretasse em seus projetos futuros”.

A realidade é a melhor resposta a essas lendas todas: a Walt Disney Productions afundou por muitos anos após a morte de Walt (a ponto de quase se tornar vítima de uma aquisição hostil no início dos anos 1980) precisamente porque ninguém sabia o que ele teria feito, e simplesmente reciclaram as mesmas ideias em vez de embarcar em novos esforços criativos.

O estúdio produziu uma série de animações ruins, como Oliver e sua Turma ou Robin Hood, e comédias sem graça como O Fusca Enamorado.

Temos que perguntar: se Walt estava de fato orientando seu estúdio do além-túmulo por meio de vídeos gravados antes de sua morte, por que eles passaram tantos anos acumulando fracassos em todos os segmentos? Até mesmo o fantasma dele poderia ter feito melhor do que isso…

Na verdade, foi Roy Disney quem reuniu executivos da companhia uma semana após a morte de seu irmão Walt para discutir o futuro da empresa e que continuou trabalhando bem após a aposentadoria, para ver a primeira fase do Walt Disney World ser inaugurada.

E o filho de Roy, Roy E. Disney – falecido em 2009 – , foi uma das forças orientadoras por trás da revitalização do grupo, que começou com a contratação de Michael Eisner como CEO e Frank Wells como presidente da Walt Disney Productions em 1984.

Foi dessa gestão criativa e inovadora que surgiram A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Pocahontas, O Rei Leão ou Toy Story, e filmes interessantes e divertidos como Rocketeer, Querida, Encolhi as Crianças, George o Rei da Floresta ou Duelo de Titãs.

É deles todo o crédito pelo renascimento da Disney e por plantarem as sementes que germinaram no sucesso contínuo até os dias de hoje.

Roy Disney, sobrinho de Walt
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As dez vezes em que Keith Richards escapou da morte

A velha anedota diz que, após o apocalipse nuclear, tudo o que restará serão as baratas … e o KEITH RICHARDS. Nessa lista que vem logo abaixo, o bom e velho Keef sobrevive a vícios em drogas, fogo, veneno, acidentes no palco, Hell’s Angels, bibliotecas e palmeiras. Há muita lenda sobre a incrível longevidade daquele que é, realmente, o Mr. Rock, mas os incidentes relatados, segundo as fontes, têm todos uma ponta de verdade.

1944 – Bombas sobre Londres

Aposto que você não esperava ver Adolf Hitler nesta lista, eh eh eh… Quase que o lendário guitarrista não chegava a sobreviver à guerra para gravar “Satisfaction”, anos mais tarde. Durante o auge dos ataques das bombas-voadoras alemãs a Londres, Keith e a mãe fugiram para uma região que estava fora da linha de fogo. Quando as coisas se acalmaram, eles retornaram e viram que alguns de seus vizinhos foram mortos e o berço do então bebê Keith fora atingido por uma bomba V-1. Tempos depois, ele relembrou o episódio: “Hitler despejou uma de suas V-1 em minha cama! Ele estava procurando acertar meu traseiro, aquele @#$%&@!!”

1965 – Quase eletrocutado no palco

Nos primeiros anos da carreira, a banda quase perdeu uma de suas forças mais criativas. Enquanto fazia uma apresentação em Sacramento, nos Estados Unidos, o grupo começou a tocar “The Last Time” e Keith aproximou-se do microfone para fazer o backing vocal. Acontece que o microfone estava virado para o lado errado, então ele tentou desvirá-lo com o braço de sua guitarra – o que resultou em um choque quase fatal. Em um clarão azul, ele caiu inconsciente, e as cordas da guitarra ficaram queimadas. Posteriormente, o roqueiro chamou o incidente de o momento “mais espetacular” do show e disse que foi salvo por um novo par de botas com grossas solas de borracha.

1969 – Anarquia em Altamont

Se você assistir “Gimme Shelter”, o fascinante documentário sobre os ROLLING STONES, ficará admirado ao saber que todos saíram vivos de Altamont, na Califórnia. Após chegarem a esse concerto gratuito, apressadamente organizado, Mick Jagger foi esmurrado na cabeça. A violência tomou conta durante a apresentação da banda, forçando-os a parar e recomeçar algumas músicas. Um fã que estava assistindo morreu após apontar uma arma a um membro dos Hell’s Angels, que estavam lá para garantir alguma “segurança” (acredite se quiser). Após o show, os Stones foram embora em um helicóptero, e só depois tomaram conhecimento do assassinato. Houve também mais três mortes acidentais. Na verdade, os Rolling Stones queriam interromper o show logo após a confusão do primeiro incidente, mas o líder dos Angels conseguiu persuadir Keith Richards a continuar tocando. O cara estava ao lado dele, apertando o revólver nas costas e ordenando que não parasse de tocar, senão iria morrer. A banda de “prima-donas bichas, metidas” continuou, embora certamente preferisse dar o fora dali.

1971 – Fogo na Cama em Nellcote

Keith e sua namorada Anita Pallenberg quase tiveram um final prematuro durante as gravações de “Exile on Main St.”. Durante as sessões para o LP duplo, gravado na maior parte na mansão alugada por ele no sul da França, chamada Nellcote, o casal estava mergulhado em pleno vício em heroína. Keith tinha uma propensão a desmaios, algumas vezes com a agulha ainda enterrada no braço ou – como naquela ocasião – com um cigarro aceso na mão. A cama ficou em chamas, e ambos acordaram bem a tempo de escapar antes de serem torrados.

Mas não seria a última vez que Keith brincaria com fogo.

1973 – Fogo em Redlands

Keith estava dopado quando tocou fogo em sua propriedade, chamada Redlands. Muitos afirmam que um dos cigarros acesos foi a causa, mas em sua autobiografia “Vida”, ele diz que o fogo foi causado por um rato que comeu a fiação… Em todo caso, o fogo espalhou-se pelo telhado enquanto Keith, Pallenberg e as crianças correram para se salvarem, e depois ele retornou para arrastar para fora os objetos mais caros. Existem fotos famosas que documentam o rescaldo, incluindo uma onde o vemos sentado no gramado, em cima de um carrinho de bebê ….. fumando, lógico.

Anos 70 – Esctricnina na Suíça

Keith sempre afirmou que, apesar de sua reputação, ele era um viciado relativamente responsável e que as únicas vezes em que se meteu em sérios problemas foram quando se drogou junto com pessoas nas quais não confiava. Um dia, ele contou a NME sobre sua pior experiência com drogas: “Alguém colocou estricnina em minha droga, lá na Suíça,” disse. “Fiquei quase que em coma, mas estava totalmente desperto. Eu podia ouvir tudo, e todos estavam falando ‘ele morreu, ele morreu!’, gesticulando e mexendo em mim, e eu pensava, “não estou morto!”

1973 – Troca de Sangue

Uma das mais conhecidas lendas do rock diz que, lá pelos idos de 1973, o sangue de Keith se tornou tão tóxico que um especialista realizou um procedimento experimental no qual o guitarrista trocou todo o seu sangue por alguns litros de sangue limpo. Apesar de que a troca de sangue seja provavelmente falsa (Keith admitiu que ele mesmo espalhou o rumor), há alguma evidência de que ele teve seu sangue filtrado na Suíça em 1973. De acordo com algumas fontes, o roqueiro se submeteu a hemodiálises, as quais permitiram a remoção de substâncias tóxicas de seu corpo para que não houvesse possíveis danos a seus rins. Supostamente, ele teve que permanecer sedado por uns dias para que o procedimento pudesse ser realizado.

1998 – Queda na Biblioteca

E pensar que, apesar de todos os problemas com drogas e sua vida desregrada, o velho Keef quase se ferrou em virtude de um monte de livros! Ele contou o episódio várias vezes: estava na biblioteca de sua casa, em cima de uma cadeira, para poder alcançar um livro sobre os estudos de anatomia de Leonardo da Vinci quando escorregou. Vários livros começaram a cair em cima dele. O acidente resultou em três costelas quebradas e uma turnê adiada.

2006 – Queda nas Ilhas Fiji

Em 2006, Richards levou um tombo de uma palmeira, quando estava em férias com sua família e a família de Ronnie Wood nas Ilhas Fiji. Apesar de que os primeiros relatos indicavam que ele teria caído de uma altura de mais de 12 metros, Keith revelou depois que caiu de uma altura de cerca de 2 metros.  Na autobiografia “Vida”, ele conta que estava nadando antes de subir na palmeira, e suas mãos molhadas teriam feito com que escapassem do galho, caindo no chão e batendo a cabeça no tronco da árvore. Apesar de ele achar que nada mais sério pudesse ter ocorrido, uma “forte dor de cabeça” dois dias depois forçou-o a procurar por cuidados médicos. Resultado: Richards tinha um coágulo causado pela forte batida e teve que fazer uma cirurgia no crânio para resolver o problema. E lá se foi outra turnê adiada…

2008 – Cheirando o Pai

Esses roqueiros… Olha o John cheirando coca… cola!

Logicamente, estricnina não foi a coisa mais estranha que o doidão do Keef já colocou em seu corpo. Como ele mesmo revelou em uma entrevista à revista NME, e depois confirmou em sua autobiografia, ele uma vez cheirou um pouquinho de seu querido e velho pai. “A verdade é que depois de manter as cinzas de meu pai em uma caixa preta por seis anos, pois eu não concordei em espalhá-las ao vento, eu finalmente plantei um robusto carvalho para que pudesse espalhar essas cinzas ao redor da árvore”, contou. “E no momento em que levantei a tampa da caixa, uma fina camada de cinzas caiu na mesa. Eu não poderia simplesmente varrer meu pai pra fora, então esfreguei meu dedo sobre as cinzas e aspirei…”

Ok, Keith não escapou da morte neste incidente. Ao contrário, ele a “interiorizou”…

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

ultimateclassicrock.com

whiplash

O álbum dos mortos

Morte: (do latim mors), óbito (do latim obitu).

A primeira definição científica de morte, a da ausência de circulação e respiração, não está totalmente errada. Estima-se que em 99% dos casos são as falhas no coração e no pulmão que encerram de vez a vida (só 1% dos casos tem origem na morte cerebral). É como a bateria de um notebook, se ela descarrega, você ainda pode conectar a máquina na tomada. É o que acontece com grávidas que não têm mais sinais cerebrais, mas que são mantidas “vivas” por aparelhos até dar à luz.

A nossa bateria, o coração, funciona com estímulos elétricos que provocam a contração (que joga o sangue para frente) e o relaxamento (que o enche novamente). É muito importante que esses movimentos sejam sincronizados. Se o coração bater rápido demais, não dá tempo de enchê-lo totalmente e a quantidade de sangue bombeada para o corpo diminui. Bater devagar demais também não é bom sinal, pelo mesmo motivo: vai faltar sangue para manter as condições vitais. Isso é especialmente perigoso para os pulmões. Sem sangue por lá, eles não levam mais oxigênio para as células. Sem oxigênio não há metabolismo e sem metabolismo as células morrem.

Na verdade, nosso corpo não foi feito para viver para sempre. Vai chegar uma hora que, assim como uma lâmpada, vai se apagar e a vida acaba. E começam os rituais para homenagear os que se foram, o velório, a choradeira, a saudade de quem se foi…

Muitas pessoas não aceitam bem esse evento e procuram, de alguma forma, manter o ente querido próximo. Uma dessas práticas existia no passado, fotos pós-morte das pessoas que se foram.

Tenso!

Essa “prática” teve origem no século XIX, na Inglaterra, mais precisamente na era vitoriana (1837- 1901), quando a Rainha Vitória pediu que fosse fotografado o cadáver de um parente próximo que acabara de falecer para que ela guardasse a foto de lembrança. Em pouco tempo esse ato se tornou costumeiro, se espalhando por diversas partes do mundo.

Todos queriam prestar uma última homenagem a seus entes queridos e eternizá-los de certa maneira. Para isso, em muitos casos, as fotos tiradas retratavam momentos do defunto com sua família, como se estivesse vivo. Eram feitas armações de madeira que sustentavam os corpos já sem vida, criavam-se poses e os mortos eram maquiados, tendo em muitos casos os olhos pintados sobre as pálpebras para manter o aspecto de vivacidade que já não tinham mais.

Quem está morta é a menina.

Exemplo clássico da foto post-mortem. A que está sentada é quem está viva.

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A filha morta, bem maquiada, foi fotografada entre os pais.

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A esposa morta está abraçada pelo marido.

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Aqui, ambos são defuntos.

Tirar essas fotos era um luxo, devido ao elevado preço para produzi-las e também devido à pouca quantidade de câmeras fotográficas e profissionais disponíveis. A criação dos tais “álbuns dos mortos” funcionava como uma espécie de negação da morte. Muitos acreditavam que, através da foto tirada, a alma de seu ente querido ficaria viva para sempre naquele pedaço de papel.

Com o passar dos anos essa prática foi  sendo esquecida e, hoje em dia, é vista como uma esquisitice por muita gente, embora aparentemente esse hábito ainda seja comum em algumas culturas.

Muito mais bizarro que isso é saber que existem sites de leilões, sim, LEILÕES dessas fotos.

AS PESSOAS PAGAM , E MUITAS VEZES CARO, PRA TER UMA FOTO DESSAS EM CASA. Há gosto pra tudo…

 

 

 

 

(link do post original: http://cademeuwhiskey.wordpress.com/2012/10/28/fotos-post-mortem-o-bizarro-album-dos-mortos/)

Quem matou o papa João Paulo l?

Outro dia, assisti pela enésima vez a obra-prima de Francis Ford Coppola, “O Poderoso Chefão”.

hj9r7   É uma obra densa, brilhante, onde tudo se combina perfeitamente numa química raramente conseguida: atores, roteiro, direção, cenografia, trilha sonora, cenários e locações… Mas o ponto aqui não é falar sobre os filmes, e sim sobre um evento retratado na parte 3 da saga e que mostra o assassinato do Papa. Para quem não se lembra do que aconteceu, farei um breve resumo:

No filme, o cardeal Lamberto é eleito o novo pontífice com o nome de João Paulo I, e imediatamente ordena uma investigação nas atividades do Banco do Vaticano, além de exigir uma reunião com o diretor executivo do Banco. Esse homem e outros envolvidos em corrupção e desvio de dinheiro, como o cardeal Lucchesi, tramam a morte do novo Para, envenenando seu chá.

Raf Vallone como o Cardeal Lamberto em

Raf Vallone como o Cardeal Lamberto em “O Poderoso Chefão III”

A inspiração para essa sequência veio das inúmeras teorias da conspiração que cercaram a morte súbita do verdadeiro Papa João Paulo I, Albino Luciani. Assim como no filme, Luciani foi descoberto morto em sua cama em 1978, apenas 33 dias depois de sua eleição para o pontificado. A mais recorrente dessas teorias era aquela que garantia que ele havia sido morto por planejar investigar e reformar a estrutura do Banco do Vaticano…

Pois bem, isso me voltou à mente por conta das recentes manifestações no Papa Francisco, entre elas a sua intenção de reformar diversas instituições do Vaticano e sua mensagem para a Cúria, acusando os cardeais de sofrerem de “Alzheimer espiritual”, dentre outras “doenças”. Fiquei pensando: “E se o Papa Chico for vítima de uma conspiração? Afinal, ele está mexendo num vespeiro, como fez seu antecessor…”

Fui investigar a teoria conspiratória mais difundida sobre a morte de João Paulo I, a do envenenamento, imaginando que seria mais parecida com um roteiro rocambolesco de “Arquivo X”, mas ela, de fato, parece bem fundamentada. Vejam o que apurei:

João Paulo I

João Paulo I

A “pergunta que não quer calar” desde a morte daquele homem de 65 anos é: que interesses esse Papa teria ameaçado contrariar?

Segundo os adeptos da teoria conspiratória, Albino Luciani teria sido eleito pelos conservadores da Cúria simplesmente para cumprir ordens dos poderosos cardeais. Mas, ao demonstrar carisma, liderança e, principalmente, disposição para reformar os quadros e interferir no comando do Banco do Vaticano, teria despertado o receio desse grupo de prelados.

O diretor executivo do Banco do Vaticano, Paul Marcinkus, seria um dos primeiros prejudicados por João Paulo I. Sua exoneração traria à tona extensas negociatas com a Máfia Italiana e a Maçonaria. Marcinkus era notoriamente próximo do presidente do Banco Ambrosiano de Milão, Roberto Calvi, que por sua vez era amigo do advogado e financista siciliano Michele Sindona. Os três mantinham relações com Lício Gelli, outro financista que controlava a loja maçônica P2, a qual teria se infiltrado no Vaticano.

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Os poderosos chefões que comandavam a grana do Vaticano, da esquerda para a direita em sentido horário: Licio Gelli, Roberto Calvi, Marcinkus e Michele Sindona. “A Igreja não se governa com ave-marias”, afirmou um dia Paul Marcinkus. Envolvido no escândalo do Banco Ambrosiano, que era ligado às finanças do Vaticano, Marcinkus morreu em 2006 de causas naturais, aos 84 anos de idade. O escândalo em que se envolveu causou um prejuízo de 1 bilhão de dólares pela quebra do Banco Ambrosiano de Milão, ocorrida em agosto de 1982, quando o banco foi declarado insolvente pelo governo italiano, após terem descoberto esse rombo gigante. O Vaticano possuía 16% do capital do Ambrosiano. As investigações da falência do banco trouxeram à tona outras operações nebulosas, pagamentos obscuros à loja maçônica P2 e, aparentemente, desvio de fundos para uso particular. Dois outros envolvidos no escândalo foram assassinados: Michele Sindona e Roberto Calvi. Michele Sindona, apelidado de “banqueiro da Máfia”, foi envenenado na prisão, ao tomar o café da manhã e apesar de ter cela individual e vigiada 24 horas. Roberto Calvi apareceu enforcado numa ponte sobre o Tâmisa. Descobriu-se depois que ele já estava morto e o enforcamento era simulação. Quando da quebra fraudulenta do Banco Ambrosiano, Marcinkus só não foi preso pela Justiça italiana pois tinha imunidade eclesiástica (isso não lembra a imunidade de nossos parlamentares?).  Quanto a Licio Gelli – que foi informante da Gestapo na II Guerra Mundial – está com 95 anos e em prisão domiciliar em sua villa na Toscana…

Existem diversas contradições que envolvem a morte do Papa e que até hoje não foram esclarecidas.  A mais intrigante é sobre o horário em que um carro do Vaticano apanhou em suas casas os embalsamadores Renato e Ernesto Signoracci: às 5h da manhã. Acontece que há duas versões oficiais sobre o horário em que o corpo foi encontrado: uma, às 5h30. Outra, às 4h30. A causa oficial da morte também nunca foi esclarecida. Segundo alegou o Vaticano, as leis canônicas impediam que a autópsia fosse realizada.

A versão oficial da Igreja diz que o corpo do Papa teria sido encontrado pela freira Vincenza, que o servia havia 18 anos e que sempre lhe deixava o café todas as manhãs. Naquele fatídico dia, no entanto, ela ficara espantada com o fato de o Papa não ter respondido ao seu “Buongiorno, Santo Padre” (Bom-dia, Santo Pai); desde os tempos de padre em Veneza, ele nunca dormira além do horário. Notando uma luz acesa por trás da porta, ela entrou nos aposentos do Papa e encontrou-o de pijama, morto na cama, com expressão agonizante. Seus pertences pessoais foram de imediato removidos pelo cardeal Jean Villot,  então secretário de Estado do Vaticano e Camerlengo, e que também estaria envolvido nos escândalos do Banco. Entre esses pertences que sumiram, estavam as sandálias, supostamente manchadas com vômito – um sintoma de envenenamento.

O Camerlengo com o Papa. Aquele tirando o solidéu e sorrindo, não sei quem é…

A digitalina (veneno extraído da planta com o mesmo nome) é citada como a droga usada para pôr fim ao pontificado de João Paulo I. Essa toxina demora algumas horas para fazer efeito e uma dose mínima, acrescentada à comida ou à bebida do papa, passaria despercebida e seria suficiente para levar ao óbito. E teria sido muito fácil, para alguém que conhecesse os acessos à cidade do Vaticano, penetrar nos aposentos papais e cometer um crime dessa natureza.

Segundo o Vaticano, a morte do papa estaria “possivelmente associada com infarto do miocárdio”. Para alguns, João Paulo I teria sido vítima das terríveis pressões características de seu cargo, e que não tendo como suportá-las, veio a perecer. De todo modo, o camerlengo é o principal suspeito de ter cometido o envenenamento. Ou, pelo menos, de ter acobertado o suposto crime. Segundo investigações posteriores, os passos do cardeal Jean Villot nas horas que se seguiram à morte de João Paulo I foram altamente suspeitos.

Jean Villot morreu de causas naturais em Roma, em 1979.

Jean Villot morreu de causas naturais em Roma, em 1979.

Como foi dito acima, diversos objetos pessoais do Papa sumiram, levados por Villot. Mais tarde, um Dr. Buzzonati (não o Professor Fontana, chefe do serviço médico do Vaticano) chegou e confirmou a morte, sem fornecer um atestado de óbito. O Dr. Buzzonati atribuiu a morte a um infarto agudo do miocárdio (ataque de coração). Por volta das 6 e meia da manhã, uma hora e meia depois dos embalsamadores chegarem, Villot começou a dar a notícia aos demais cardeais.

Villot fez os acertos para que o embalsamamento se fizesse naquela manhã, e insistiu que nada de sangue fosse drenado do corpo, e nenhum dos órgãos, tampouco, deveria ser removido. Sabe-se que uma pequena quantidade de sangue teria sido mais do que suficiente para que um perito médico estabelecesse a presença de qualquer substância venenosa…

No final daquela manhã, o apartamento do Papa estava limpo e todas as roupas, anotações e cartas foram levados.

Como as alegações e suspeitas de assassinato chamaram a atenção mundial, a Cúria iniciou uma campanha contra essas acusações, e a justificativa era de dar apoio às declarações de Villot, que foram:

O que ocorreu foi um trágico acidente. O Papa inadvertidamente tomou uma overdose de seu medicamento. Se fosse feita uma autópsia, obviamente seria indicada esta fatal overdose. Ninguém acreditou que sua santidade não o havia feito acidentalmente. Alguns alegaram suicídio, por conta das pressões do papado. Concordou-se que não haveria uma autópsia, pelas leis canônicas.”

Assim, o álibi do Cardeal Villot foi que o Papa João Paulo I tomou uma overdose de seu próprio medicamento para pressão arterial (Effortil). Esse álibi intencionalmente deu lugar à especulação de suicídio, tirando a atenção da suposta verdadeira causa da morte de João Paulo I: haver sido envenenado por um membro da Secretaria de Estado (departamento do Cardeal Villot).

O que há por trás dos muros do Vaticano?

vaticano

 

O túnel da morte

túnel de Lefortovo é um túnel inaugurado em 2003 em Moscou com 2,2 km,  o que o transforma no quarto maior túnel urbano da Europa. Mais extensos que ele são o túnel João 23 em Roma (2,9 km), o túnel do porto de Dublin (4,5 km) e o Sdra Inken em Estocolmo (também com 4,5 km).

O Lefortovo corre sob o rio Yauza e a água vaza em alguns pontos. Quando a temperatura cai durante o forte inverno russo, chegando a vários graus abaixo de zero (-38º C em 2005) , a  superfície da rodovia pode congelar, tornando-a bastante escorregadia. Por esse motivo, dá-se a ele o nome de túnel da morte, por causa da alta taxa de acidentes.

O vídeo abaixo é uma compilação de diversos acidentes ocorridos que foram filmados pelas câmeras de segurança e podemos notar que os moscovitas percorrem o túnel em alta velocidade – mesmo sabendo dos riscos!