Gírias antigas e o que significam

Gírias são palavras criadas para serem usadas como sinônimos mais populares para palavras já existentes. Cada década teve suas gírias mais marcantes e que hoje perderam o sentido. Afinal, com as redes sociais, praticamente a cada dia surge uma gíria nova…

O que eu acho legal, no uso da gíria, é a transgressão – as pessoas transgridem a norma “culta” pra se comunicarem de forma mais eficiente. E, claro, há o fato do modismo, e se a pessoa não usa, não se insere no meio. “Lacrar”, por exemplo.

A nossa língua, aliás, acho que qualquer língua, é viva e é influenciada pelo ambiente, pelos costumes, por aquilo que vem de fora. A norma padrão demora mais para se modificar, mas isto não quer dizer que ficará sempre igual. Só acho difícil ela assimilar os padrões da internet, com suas abreviações tipo “kd”… Duvido que um juiz vá colocar na sua sentença o “vc”…

Quer saber um pouco sobre as gírias antigas, muito antes das redes sociais? Vou replicar aqui o resumo de uma matéria e pesquisa muito legais da Thaís Stein, bacharel em Publicidade e Propaganda, e que foi publicada no http://www.dicionariopopular.com.

Quando alguma coisa é muito boa!

Bafafá

É o mesmo que confusão ou bagunça.

Barbeiro

É um motorista ruim, que não sabe dirigir direito.

Chá de cadeira

Tomar um chá de cadeira é o mesmo que ter que ficar esperando por muito tempo.

De lascar o cano

É o mesmo que dizer que algo é muito ruim.

Quando uma coisa é muito antiga… como esta gíria.

Boa pinta

É o mesmo que dizer que a pessoa é bonita, de boa aparência.

Broto

É o mesmo que garota bonita.

Bulhufas

Significa o mesmo que nada, coisa nenhuma.

Cafona

Uma coisa cafona é algo fora de moda, brega.

Significa que algo ou alguém é de se admirar. Foi popularizada pelo Roberto Carlos nos anos 1960. “Ele era uma brasa, mora!”

Fogo na roupa

É o mesmo que uma situação ou pessoa complicada.

Lelé da cuca

Uma pessoa lelé da cuca é alguém doido, maluco.

Da mesma forma que você diria “porra”

Chacrinha

É o mesmo que conversa fiada, sem objetivo.

Chato de galocha

Significa uma pessoa muito chata, insuportável. (conheço muitas…)

Entrar pelo cano

Significa se dar mal.

Grilado

É o mesmo que estar desconfiado de alguma coisa.

Patota

Uma patota é uma turma de amigos.

Da mesma forma que você diria “foda, isso aí”

Bode

Ficar de bode é o mesmo que estar de mau humor.

Viajar na maionese

É o mesmo que ficar imaginando coisas absurdas.

Pentelho

Significa o mesmo que pessoa muito chata, irritante. (tenho um sobrinho muito pentelho… e quem não tem?)

Antenado

Uma pessoa antenada é alguém que está por dentro das coisas, que entende.

Quando alguma coisa ou ideia sugerida está completamente errada

Azarar

É o mesmo que flertar.

Baranga

Significa “mulher feia”.

Bolado

É o mesmo que estar chateado ou bravo.

Bem, eu sei que tem muito mais, e se você se lembrar de algumas interessantes e divertidas, pode me mandar pelos comentários. Mas, atenção:

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Quanto custa uma bolsa de marca?

Cansei de ver pessoas nas vitrines com olhar melancólico de quem quer mas não pode ter: “É tão caro!”

Outro dia, passando numa loja do bairro oriental de São Paulo, vi várias bolsas “alternativas” que copiavam as bolsas de marca. Você escolhia qual comprar e escolhia também o logotipo com a marca preferida: Gucci, Prada, Chanel… E muita gente comprava, pagando menos de 5% do preço da bolsa verdadeira, segundo a lojista.

Eram lojinhas e lojinhas, uma atrás da outra, oferecendo essa “barganha”. Aí, me perguntei: mas por que as bolsas de marca são tão caras? E quanto custa uma bolsa de marca, afinal?

Uma bolsa de marca custa MUITO caro

E tudo é muito caro no Brasil… Mas já voltamos a isso.

As bolsas de marcas são caras porque o processo de produção é artesanal, com materiais de alta qualidade e mão-de-obra especializada. Sem contar o tempo de produção, onde tudo é feito sem pressa. Uma bolsa Hermès, por exemplo, pode levar de 3 dias a duas semanas para ser feita. É uma produção que não se importa com a velocidade do mercado, e aí entra a questão da exclusividade. Há casos de bolsas de modelos especiais cuja lista de espera chega a 3 anos!

Dá uma olhada neste vídeo e vai entender um pouco como uma dessas bolsas exclusivas são feitas:

Outro fator que entra nessa análise é…

Qual o mercado das bolsas de luxo?

Exatamente esse. O mercado de luxo. Marcas como Dior, Channel, Louis Vuitton, Versace… vendem itens de luxo e estão posicionadas aí. Sejam bolsas, hotéis ou perfumes, se você quiser luxo, tem que pagar caro por isso.

E nessa questão mercadológica, existe um fator que explica muita coisa, ao menos para mim. O anseio em possuir uma bolsa (ou perfume) dessas responde a uma necessidade psicológica do ser humano. O encantamento, o desejo material, a exclusividade, o se destacar. Ser VIP é ser rico.

Tudo bem, já falamos que essas bolsas dos vips custam caro, falamos do motivo das pessoas ansiarem possuir um item desses, mas, afinal…

Quanto custa uma bolsa de marca?

Depois de passear pelo bairro oriental e ver quanto custa uma bolsa de marca “alternativa”, fui pesquisar o preço das verdadeiras bolsas chiques… e caí de costas (bem, isso foi um exagero, não caí porque estava sentado). Espie só:

FENDI

Fendi teve início em 1918 em Roma como uma loja especializada em pele e couro. Apesar de crescer como uma das marcas de luxo mais renomadas do mundo, o negócio manteve seu aspecto familiar, com o foco em detalhes finos, artesanato italiano e apoio aos artesãos locais.

Esta “Runaway Tote” custa hoje mais de R$ 13.600,00.

PRADA

Uma das marcas de luxo mais desejadas do mundo, a Prada cresceu de um fabricante de produtos de couro em 1913 até se tornar uma das maiores maisons de luxo da atualidade. Com Miuccia Prada, neta de um dos fundadores, à frente do negócio de família, a grife se expandiu a partir de uma verdadeira revolução, desde a inovação nos materiais usados nos produtos até lançar sua própria coleção prêt-à-porter na década de 90. A partir de então o renome da Prada só cresce posicionada como um símbolo de status premium.

A “Cahier” de couro está na faixa de R$ 17.000,00.

BALENCIAGA

Com Demna Gvasalia à frente da direção criativa da Balenciaga, a maison parisiense permanece entre as mais influentes marcas do mundo, unindo a tradição inovadora da grife com sua visão vanguardista.

Essa tote de couro é mais baratinha, está na faixa de R$ 15.000,00.

Falando em baratinha, temos ainda…

STELLA MCCARTNEY

Conhecida por seu compromisso ecológico, as bolsas da Stella McCartney apresentam materiais sustentáveis em designs descomplicados que adicionam leveza e elegância ao seu look, como não poderia diferente, sendo filha de Paul McCartney.

É o máximo, custa apenas R$ 8.570,00.

Quer saber quais as bolsas mais caras do mundo?

Eu mostrei algumas bolsas de marca que estão na faixa de preço acima de 8.000,00 reais. Mas isso é “peanuts” quando comparamos aos preços das bolsas realmente caras, megaultra exclusivas, que não sei quem possui mas que acho que vou depois pesquisar e mostrar num outro post.

São bolsas que estão na faixa de preço começando por 150 mil dólares e vão até uma bolsa que custa mais de 3 milhões de dólares! Claro que é uma bolsa fabricada nos Emirados Árabes e é adornada por 4.517 diamantes!

É essa aqui…

O que eu acho

Se você, minha querida ouvinte, tem poder de compra pra uma dessas bolsas – seja uma Stella ou a dos diamantes – seja feliz. Desfrute, já que pode. Geralmente, essas bolsas Gucci ou Channel duram muito e valem o custo-benefício.

E pense no trabalho do designer, do artesão, dom pessoal de marketing que cria campanhas publicitárias tão incríveis, de tanta gente que se empenha para produzir um item de tamanha qualidade, cuidando do seu item com carinho e não apenas como símbolo de status.

Dito isto…

Para encerrar, volto ao que comentei lá em cima…

Tudo é muito caro do Brasil

Ninguém discorda. Falando com pessoas entendidas e lendo, posso dizer que tudo começa porque nosso dinheiro é caro. Nossas taxas de juros são das mais altas do mundo e isso influi no custo de todas as mercadorias.

(pense na taxa de juros do cartão de crédito ou do cheque especial…)

Os banqueiros e o governo são parceiros nessa extorsão. E você não tem escolha. Não gostou do Itaú? Vá ao Bradesco e veja se é diferente. Ou ao BB.

Outro dia vi, de curiosidade, o preço num móvel na Ikea (que ia abrir uma loja no Brasil e desistiu por causa da burocracia e dos altos impostos) e outro, parecido, na Tok Stok. São móveis de baixo custo (em tese), bonitinhos mas ordinários, só que os preços… baixo custo é na Ikea, mesmo.

E as roupas e eletrônicos? Mesmo com o dólar nas alturas, vale muito mais fazer o enxoval do bebê ou comprar roupas se você viajar (para os EUA ou o bom e velho Paraguai…). Quem pode, vira contrabandista amador, porque a diferença dos preços é abissal. Sem contar o imposto de importação, que é tão absurdo que é para impedir a importação, para proteger a indústria nacional!

São vários os motivos que explicam isso. Somos um país que faz tudo para “proteger a indústria nacional”, como eu disse acima. Daí não temos concorrência e protegemos indústrias vagabundas de amigos do governo. Os produtos são vagabundos, quando comparados aos “de fora”, e aí temos a burocracia e os juros e impostos que esfolam o industrial e o consumidor.

Nossa economia é fechada

O fato de nossa economia ser tão fechada faz com que não só nossos preços sejam altos, mas que a qualidade seja baixa e a variedade inexistente. E isso afeta principalmente os mais pobres. Ricos não colocam dinheiro na poupança e nem estouram o cartão de crédito. Ricos não gastam sua renda comprando uma geladeira nova porque a velha queimou. Ou outro colchão porque o de casa rasgou de tão usado. Ricos são os donos das empresas protegidas pelo governo da concorrência. Ricos são os empresários que pegam empréstimos subsidiados no BNDES e pagam a perder de vista… quando pagam. São amigos dos governantes corruptos.

E, muitas vezes, são eles mesmos, os governantes e políticos, os donos das empresas.

São eles e seus amigos os que lucram com esse cenário.

E amedrontam os pobres – e o que restou da classe média – afirmando que o livre comércio causaria desemprego e pobreza.

Tudo é tão caro porque temos o que há de pior no capitalismo (a desigualdade de renda) com o pior do socialismo (ausência de concorrência, burocracia e ineficiência). e uma corrupção endêmica.

Se as coisas não fossem assim, se tivéssemos o livre comércio, haveria tantas vantagens… Graças ao livre comércio, os consumidores iriam gastar menos dinheiro em bens e em vários serviços.  E poderiam agora gastar mais dinheiro em outros bens e serviços, levando a um aumento da demanda e, logo, dos lucros nos setores que fornecem estes bens e serviços.  Consequentemente, haveria mais investimentos.  E essa maior taxa de investimento naturalmente levaria à criação de mais empregos nesses setores, contrabalançando qualquer eventual aumento no desemprego – que é o argumento principal de quem defende o protecionismo.

 

Olha, acho que meu próximo artigo será sobre isso. Aguardem!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Wikipedia

correiodeuberlandia.com.br

e outras que não me lembro mais…

 

 

 

A MODA DO BANHO DE MAR

Quando o Brasil era colônia, tomar banho de mar era uma atividade, digamos, inusitada. Por uma série de fatores, principalmente religiosos, os europeus não eram adeptos da prática. Ninguém considerava costumeiro, nem civilizado, lagartear na areia até 1817.

Mas, naquele ano, o rei dom João VI faria um mergulho na Praia do Caju, hoje um lugar degradado na zona portuária do Rio de Janeiro. O monarca estava com a perna infeccionada por causa de um carrapato e seguia orientações médicas. Sem querer, ele inaugurou o costume que hoje lota as praias de banhistas e vendedores de queijo coalho.

O problema com o banho, acredite, vinha desde a Idade Média. As pessoas daquela época achavam que se banhar era uma prática de vaidade e luxúria, já que era preciso estar com o corpo nu. Em outras palavras, acreditavam que era pecado. Houve até leis que proibiam as pessoas a tomar mais de um banho por ano. O rei Dom João VI, que era católico fervoroso, obviamente era contra os banhos. Porém, ele foi obrigado a ceder por causa da ferida infeccionada.

Os médicos, no final do século XVIII, começaram a recomendar os banhos de mar porque o sal da água ajudava na cicatrização de ferimentos. Na França e na Grã-Bretanha, distintas senhoras já tomavam seus banhos para curar doenças físicas e até psíquicas. As teorias sobre o benefício do banho de mar eram a última palavra na medicina da Europa. A ideia de que a água – sobretudo a água salgada do Canal da Mancha – era um santo remédio veio de uma teoria do médico e religioso inglês John Floyer, nos primeiros anos do século XVIII.

Além de criticar a igreja por modernizar a cerimônia do batismo (que virara um mero espirro de gotas na testa), o doutor Floyer acreditava que o mar tinha poderes milagrosos até para paralíticos. Sua obra a História do Banho Frio, que explicava suas teorias, foi publicada em dois volumes, em 1701 e 1702.

 

A partir de então, veio uma enxurrada de publicações com métodos de tratamento usando a água do mar e o sal marinho. Os médicos de Dom João decidiram tentar, e a receita deu certo: o monarca curou-se, e com o sucesso do tratamento, os banhos atraíram a corte portuguesa que tinha fugido para o Brasil, com medo das tropas de Napoleão.

O traje de banho usado por dom João VI não era nada convencional, nem mesmo para a época. O rei de Portugal tinha medo dos caranguejos e só aceitou entrar na água dentro de um barril. O recipiente que lhe serviu de roupa tinha o fundo tapado. Na lateral havia um pequeno buraco, por onde a água entrava. Conforme as exigências do monarca, apenas suas pernas podiam ser molhadas…

Logo surgiram as primeiras casas de banhos terapêuticos, que ofereciam aos banhistas piscinas com água do mar e locais para se trocar e guardar as roupas, Em um anúncio de 2 de dezembro de 1811, do jornal A Gazeta do Rio de Janeiro, uma casa de banho oferecia seus serviços por 320 réis, o dobro do preço de um ingresso do Circo Olímpico, o principal da cidade.

Casa de Banho de água do Mar, no Rio de Janeiro, por volta de 1890.

O fato é que demorou muito para que o banho de mar não fosse visto como algo impuro, ou que afrontasse a religião. Lentamente, as pessoas sem recursos e que não podiam pagar o ingresso às casas de banho começaram a frequentar a praia. Inicialmente, as senhoras banhavam-se de madrugada, para não serem vistas. Mas não demorou para que as pessoas começassem a ir durante o dia, mesmo.

A preocupação do governo e dos banhistas com a falta de pudor nas praias era enorme.  As regras eram rígidas.

Trajes de banho do começo do século XX

Em 1917, por exemplo, o prefeito carioca Amaro de Brito regulamentou os horários de praia. De 1° de abril a 30 de novembro, podia-se entrar na água das 6h às 9h e das 16h às 19h. No verão, das 5h às 8h e das 17h às 19h. Quem fosse pego em outros horários era punido com multa ou cinco dias de cadeia.

Com essa “flexibilização” do banho de mar, logo o Rio de Janeiro adotou uma nova moda em voga na Europa: as cabines de banho.

Cabines de Banho – Rio, Copacabana, 1916

Eram  pequenas cabines de madeira sobre a areia (na Europa e nos Estados Unidos havia também aquelas sobre rodas, que eram puxadas para o mar – não sei se isso chegou ao Brasil). Essas cabines eram alugadas e as mulheres, na sua privacidade, mudavam suas roupas, colocando algo mais apropriado para banhar-se. Tudo isso para manter o decoro e não serem observadas por outras pessoas, principalmente os homens.

Essas eram as cabines de banho sobre rodas, que eram empurradas para o mar e a senhora tomava seu banho à vontade, longe dos olhares indiscretos. Quando a ocupante queria voltar, sinalizava para a praia e eles viriam buscar a cabine.

Os trajes que as mulheres usavam eram discretíssimos, e a primeira mulher a vestir um maiô de peça inteira, colado ao corpo, foi a campeã de natação Annette Kellerman. Kellerman ficou famosa por defender o direito de as mulheres usarem maiôs de uma peça, o que era um escândalo na época. De acordo com um jornal australiano, “No início de 1900, as mulheres usavam pesadas combinações e calças quando nadavam. Em 1907, no auge de sua popularidade, Kellerman foi presa em  Massachusetts, por atentado ao pudor – ela estava usando um de seus maiôs de uma peça.”

A australiana Annette Kellerman.

A popularidade de seus maiôs de uma peça resultou na sua própria linha de roupas de banho para mulheres. Os maiôs “Kellermans”, como eram conhecidos, foram o primeiro passo para as roupas de banho femininas modernas.

A evolução das roupas de banho femininas seguiu as mudanças de costumes. O banho de mar já não era uma atividade “pecaminosa”, mas uma atividade saudável, e que exigia trajes mais confortáveis e que não abafassem tanto sob o calor do sol.

Tudo ia bem, até que, em 1946, o francês Louis Reard chocou o mundo ao mostrar dançarinas de cabaré com o umbigo à mostra, vestidas apenas com a sua invenção, o biquíni. Foi outro escândalo, como o de Kellerman décadas antes.

Quinze anos depois, a polêmica chegou ao Brasil: o biquíni foi proibido nas praias nacionais pelo pacote moralista do presidente Jânio Quadros, que vetou também corridas de cavalo, rinhas de galo e o lança-perfume. Mas a moda já tinha pego por aqui fazia tempo.

Em 1964, a novidade foi o monoquíni, que foi criticado pela Igreja mas apoiado por Roberto Carlos em “Eu sou fã do monoquíni”. Apesar do lobby do rei, o monoquíni foi uma tentativa de resposta à cultura de repressão ao corpo. Por aqui, chegou a ser vendido em algumas lojas do Rio, mas a peça só fez muita polêmica e nada de sucesso.

Pra quem não conhece (eu não conhecia), o Roberto Carlos assadinho:

Mas a vida continua. O banho de mar, hoje, é uma atividade democrática e que reúne, na areia, adultos, crianças e – em algumas praias – cachorros. Mas nada mais choca os olhos das pessoas, que convivem agradavelmente debaixo do sol.

Er… nada mais choca, só que não… De vez em quando, aparece uma ideia sobre roupa de banho que, pelamor… Nas praias do Hemisfério Norte, no verão passado, o “mankini” (biquíni para homens) deu o que falar. Dois sujeitos usaram esse modelito num fim de semana em Marbella, na Espanha, e a peça foi apontada como a coisa mais bizarra desde o surgimento de “Borat”…

 

 

 

Fontes:

 

odiarioimperial.blogspot.com.br

Wikipedia

magnusmundi.com

Ana Carolina Delgado – Licenciada em Relações Internacionais, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Residente em La Paz, Bolívia.

Breve história do jeans na moda

A história dos jeans começou na França, em Nimes, onde o tecido foi fabricado pela primeira vez em 1792. Logo, passou a ser conhecido por “tecido de Nimes”, expressão que com o tempo foi abreviada para “Denim”. Por ser um tecido robusto e durável, sem necessitar de grandes cuidados, começou a ser utilizado em roupas para trabalhos no campo e pelos marinheiros italianos que trabalhavam no porto de Gênova, na Itália.

Anos depois, o tecido chegou aos Estados Unidos. Era a Corrida do Ouro na Califórnia, 1853, e andava por lá um jovem alemão de nome Levi Strauss, que tinha começado a vender lona para as carroças dos mineiros. Quando percebeu que a roupa dos mineiros sofria muito desgaste, pegou algumas dessas lonas e passou a vender calças feitas com elas. De cor marrom,  essas calças rapidamente se tornaram um sucesso, mas existia uma queixa recorrente: o tecido era pouco flexível.

Levi Strauss resolveu então procurar um tecido que fosse ao mesmo tempo resistente, durável, flexível e confortável de usar. E decidiu procurar esse tecido na Europa, continente que era mais desenvolvido à época, tendo encontrado e passado a usar o tal “tecido de Nimes”, feito de algodão sarjado.

Levi Strauss

O primeiro lote de calças de Levi Strauss tinha como código o número 501, que acabou por se tornar no modelo mais famoso e clássico. Devagarinho, com o passar dos anos, as calças jeans foram sendo melhoradas. Chamadas de “waist overalls” então, tinham um bolso para relógio, botões de suspensórios e apenas um bolso traseiro. Em 1860 foram acrescentados os botões de metal. Em 1886 começou-se a coser a etiqueta de couro no cós das calças, para reforçar sua procedência. Já a cor azul índigo, tão popular nos jeans atuais, só começou a ser utilizada em 1890 e foi, nada mais, nada menos, que uma estratégia (bem concebida) de tornar os jeans mais atraentes.  Levi Strauss decidiu tingir as peças com o corante de uma planta chamada Indigus, dando-lhes a cor pela qual o jeans é hoje conhecido. Os dois bolsos traseiros apareceram apenas em 1910.

A popularidade mundial dos jeans veio por volta da década de 30, através de filmes de sucesso que retratavam os famosos cowboys americanos. A Segunda Guerra Mundial popularizou a imagem de virilidade que o tecido Denim representava, pois era utilizado nas fardas do exército americano.

E entrou na moda, de forma definitiva, nos anos 1950. O blue jeans (modelo básico) foi usado por grandes personagens do cinema, como Marlon Brando em “O Selvagem” (1953), Marilyn Monroe em “O Rio das Almas Perdidas” (1954) e James Dean em “Juventude Transviada” (1955).

Marlon Brando

Marylin Monroe

James Dean

O grande ícone da moda da década de 70 foi a calça boca de sino, que descia ajustada na coxa e se abria abaixo do joelho. O modelo voltou nos anos 2000, só que com a cintura baixa e, de novo, em 2010. Na foto, “As Panteras”, série dos anos 70 que ajudou a popularizar esse modelo.

Ainda nos anos 70, os jeans detonados, rasgados e manchados foram também popularizados. Na capa do disco “Rocket to Russia” (1977) do Ramones, as calças combinadas com jaqueta de couro alinhavavam o visual punk que se estendeu pelos anos 80.

A Calvin Klein lançou sua linha jeans em 1978, tornando-se a primeira marca de luxo no mundo a introduzir o material em suas coleções. O sucesso foi tão grande que, após um ano, já havia faturado 70 milhões de dólares. A partir desse momento, o jeans se tornou uma peça sexy e cobiçada. Em 1980, Brooke Shields estrelou a picante campanha da marca em que diz: “Você quer saber o que há entre mim e minha Calvin? Nada”…

No Brasil, na mesma década, fez muito sucesso o jeans com lycra, e a campanha da empresa que primeiro lançou essa combinação transformou em musa a futura modelo e atriz Luiza Brunet.

Nos anos 90, o jeans também fez parte do visual grunge. O combo de camisa xadrez, tênis sujo e jeans velho (de verdade) era o uniforme dos seguidores de Kurt Cobain, líder da banda Nirvana.

No final dos anos 90 e começo dos anos 2000, as calças de cintura baixa –ou baixíssima, como as usadas por Britney Spears– eram febre! O único problema era conseguir sentar sem mostrar o “cofrinho”…

Na foto, a cantora Christina Aguilera (e rival da Britney!) usa outra grande modinha dos anos 2000: calça capri. O modelo, com comprimento abaixo dos joelhos ou no meio da canela, foi um ícone da moda da época.

Um modelo horroroso do final dos anos 2000, e que perdeu a força após 2012, foi a calça saruel. Apesar do grande sucesso na época, o modelo com cavalo baixo era controverso e não agradava a todos… Feio demais!

A calça skinny apareceu nos anos 50, mas foi em torno de 2010 que ela voltou para ficar e é uma das principais peças do guarda-roupa atual. O modelo justo é versátil e pode ser usado em diversas ocasiões e em diferentes estilos.

Hoje em dia, todo guarda-roupa, masculino ou feminino, tem o jeans como peça obrigatória. Mas… por que essas calças criadas por Levi Strauss se chamam “jeans”? A hipótese mais aceita é a seguinte:

O “tecido de Nimes” – que depois ficou “denim” – era utilizado na roupa dos marinheiros do porto de Gênova. Esses marinheiros genoveses tinham o costume de chamar “genes” às suas calças de trabalho. E quando pronunciavam a palavra “genes”, com o habitual sotaque italiano, a expressão acabou por se transformar, com o tempo, em “jeans” e assim se espalhou pelo mundo.

 

 

Fonte:

estilo.uol

Wikipedia

a origem das coisas

Biquíni, a “bomba atômica” que revolucionou a moda praia, completa 70 anos

Em 1º de julho de 1946, os americanos realizavam o primeiro de uma série de testes nucleares em um atol no Pacífico Sul. Quatro dias depois, um francês, Louis Réard, revelava, em Paris, um maiô “explosivo”. Tão explosivo que foi batizado com o nome da pequena ilha onde os testes atômicos foram realizados: Bikini, ou biquíni, em português.

“O biquíni: uma bomba anatômica” foi o slogan criado para a roupa de banho em duas peças. O modelo era vendido em um pacote do tamanho de uma grande caixa de fósforos. Réard, engenheiro automotivo cuja família possuía uma loja de lingerie, escolheu a piscina Molitor, local de Paris muito popular nos anos 30, para apresentar sua criação ao público, no dia 5 de julho de 1946.

Mas, enquanto hoje em dia o biquíni tem adeptas em todo o mundo, nenhuma modelo profissional quis usá-lo na época. A apresentação foi feita, então, pela dançarina de 19 anos Micheline Bernardini (na foto acima), que fazia shows no Cassino de Paris. Ela entrou para a história, uma vez que a criação francesa ocupou manchetes dos jornais de todo o mundo e causou um grande escândalo.

Sob pressão da Igreja Católica, os governos italiano, espanhol e belga proibiram a venda da ousada peça. Na França, curiosamente, foi permitida nas praias do Mediterrâneo, mas proibida nas do Atlântico. Vai entender…

O biquíni de Brigitte Bardot

No pós-guerra, apesar de o biquíni já existir há algum tempo, a calcinha de cintura alta foi a favorita das mulheres, como mostram as imagens de pin-ups ou fotos de atrizes norte-americanas, com Marilyn Monroe na liderança.

Após o lançamento em 1946, o biquíni entrou em baixa até 1953, quando outra bomba estourou, de novo na França, e desta vez durante o Festival de Cannes: Brigitte Bardot. A atriz francesa causou furor ao posar para os fotógrafos com um biquíni branco com flores na praia do hotel Carlton.

Nos anos 1980 e 1990, foi a vez dos maiôs e biquínis metalizados e fluorescentes. E surgiram os modelos asa delta e fio dental. Diz a lenda que, em certo momento, os biquínis artesanais de crochê foram moda mas, como eles pesavam na água depois de molhados, as brasileiras criaram o hábito de enrolá-los nas laterais –  e isso teria dado origem ao asa delta.
E tudo começou com uma bomba atômica!

A verdade por trás do piso de caquinhos

Quem se lembra desse piso?

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A casa de meus pais tinha o piso do quintal todo feito desses caquinhos de cerâmica. Assim como tantas outras casas de São Paulo, um mosaico vermelho e com algumas manchinhas de cacos pretos e amarelos que cobria a extensão na qual meus irmãos e eu, crianças pequenas, jogávamos bola. Certo dia de calor, resolvemos “nadar” naquele mar vermelho… Misturamos sabão em pó num balde, atiramos essa água ensaboada por cima do piso de caquinhos e fomos fazer “esquibunda”. Como estávamos de shorts, não escorregávamos e alguém teve a brilhante ideia de esquiar sem os shorts!

Como o piso era irregular, com alguns caquinhos salientes… Não é difícil imaginar o motivo pelo qual nenhum de nós sentou-se pra jantar naquela noite.

Anos depois, meu pai trocou aquele piso por outro, com lajotas mais bonitas e de melhor acabamento. Mas sempre fiquei me perguntando o porquê de meu pai usar cacos de cerâmica em vez das lajotas inteiras.

Recebi a indicação de um texto que responde a essa pergunta e conta como surgiu essa tendência, que era meio que uma moda nas casas nas décadas de 1940/ 1950. É um fato muito interessante e que dá margem a muitas reflexões.

O autor é o Engenheiro Civil Manoel Henrique Campos Botelho.

“Foi na década de 40 / 50 do século passado. Voltemos a esse tempo. A cidade de São Paulo era servida por duas indústrias cerâmicas principais. Um dos produtos dessas cerâmicas era um tipo de lajota cerâmica quadrada (algo como 20x20cm) composta por quatro quadrados iguais. Essas lajotas eram produzidas nas cores vermelha (a mais comum e mais barata), amarela e preta. Era usada para piso de residências de classe média ou comércio. 

No processo industrial da época, sem maiores preocupações com qualidade, aconteciam muitas quebras e esse material quebrado sem interesse econômico era juntado e enterrado em grandes buracos.

Nessa época os chamados lotes operários na Grande São Paulo eram de 10x30m ou no mínimo 8 x 25m, ou seja, eram lotes com área para jardim e quintal, jardins e quintais revestidos até então com cimentado, com sua monótona cor cinza. Mas os operários não tinham dinheiro para comprar lajotas cerâmicas que eles mesmo produziam e com isso cimentar era a regra.

Certo dia, um dos empregados de uma das cerâmicas e que estava terminando sua casa não tinha dinheiro para comprar o cimento para cimentar todo o seu terreno e lembrou do refugo da fábrica, caminhões e caminhões por dia que levavam esse refugo para ser enterrado num terreno abandonado perto da fábrica. O empregado pediu que ele pudesse recolher parte do refugo e usar na pavimentação do terreno de sua nova casa. Claro que a cerâmica topou na hora e ainda deu o transporte de graça pois com o uso do refugo deixava de gastar dinheiro com a disposição.

Agora a história começa a mudar por uma coisa linda que se chama arte. A maior parte do refugo recebida pelo empregado era de cacos cerâmicos vermelhos mas havia cacos amarelos e pretos também. O operário ao assentar os cacos cerâmicos fez inserir aqui e ali cacos pretos e amarelos quebrando a monotonia do vermelho contínuo. É, a entrada da casa do simples operário ficou bonitinha e gerou comentários dos vizinhos também trabalhadores da fábrica. Ai o assunto pegou fogo e todos começaram a pedir caquinhos o que a cerâmica adorou pois parte, pequena é verdade, do seu refugo começou a ter uso e sua disposição ser menos onerosa.

Mas o belo é contagiante e a solução começou a virar moda em geral e até jornais noticiavam a nova mania paulistana. A classe média adotou a solução do caquinho cerâmico vermelho com inclusões pretas e amarelas. Como a procura começou a crescer a diretoria comercial de uma das cerâmicas descobriu ali uma fonte de renda e passou a vender, a preços módicos é claro pois refugo é refugo, os cacos cerâmicos. O preço do metro quadrado do caquinho cerâmico era da ordem de 30% do caco integro (caco de boa família).

Até aqui esta historieta é racional e lógica pois refugo é refugo e material principal é material principal. Mas não contaram isso para os paulistanos e a onda do caquinho cerâmico cresceu e cresceu e cresceu e , acreditem quem quiser, começou a faltar caquinho cerâmico que começou a ser tão valioso como a peça integra e impoluta. Ah o mercado com suas leis ilógicas mas implacáveis.

Aconteceu o inacreditável. Na falta de caco as peças inteiras começaram a ser quebradas pela própria cerâmica. E é claro que os caquinhos subiram de preço ou seja o metro quadrado do refugo era mais caro que o metro quadrado da peça inteira… A desculpa para o irracional (!) era o custo industrial da operação de quebra, embora ninguém tenha descontado desse custo a perda industrial que gerara o problema ou melhor que gerara a febre do caquinho cerâmico.

De um produto economicamente negativo passou a um produto sem valor comercial a um produto com algum valor comercial até ao refugo valer mais que o produto original de boa família…

A história termina nos anos sessenta com o surgimento dos prédios em condomínio e a classe média que usava esse caquinho foi para esses prédios e a classe mais simples ou passou a ter lotes menores (4 x15m) ou foram morar em favelas.

São histórias da vida que precisam ser contadas para no mínimo se dizer:
— A arte cria o belo, e o marketing tenta explicar o mistério da peça quebrada valer mais que a peça inteira…”

Manoel Botelho é Engenheiro Civil e autor da coleção CONCRETO ARMADO EU TE AMO

manoelbotelho@terra.com.br

Por que o pão francês se chama… Pão francês?

Publiquei, há algumas semanas, um post que falava sobre um dos mitos mais recorrentes sobre a França e os franceses (aqui). Hoje, vou falar sobre algo que nada tem a ver com os franceses, embora faça referência a eles: o pão francês.

Segundo a Wikipedia, pão francês, pão de sal ou pão careca são alguns nomes dos pães pequenos produzidos no Brasil para serem consumidos em refeições como o café da manhã e o lanche da tarde. Outros nomes pelo qual ele é conhecido são: pão massa grossa (Maranhão), cacetinho (Rio Grande do Sul, Bahia), média (Baixada Santista), filão, pão jacó (Sergipe), pão aguado (Paraíba), ou pão carioquinha (Ceará). Segundo os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o consumo per capita do pão de sal foi de 53 g/dia no país.

O hábito de consumir pães pequenos parece ser relativamente recente.  No Brasil, o pão francês parece ter surgido no início do século XX, quando a elite da Primeira República adotou a cultura francesa da “Belle Époque” como padrão, não apenas na gastronomia, mas também na moda, nas artes e nos hábitos sociais.

Para entender melhor as circunstâncias em que nosso “pão francês” foi criado, seria interessante fazermos uma rápida viagem ao passado…

Na década de 1900, o Brasil vivia profundas transformações após a proclamação da República. Havia grandes extensões de terra com apenas algumas áreas produtivas, os latifúndios, e que estavam nas mãos dos chamados coronéis, nome de uma patente da Guarda Nacional que passou a ser usado para designar os fazendeiros mais ricos e poderosos de uma região.

Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro, na década de 1900.

Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro, na década de 1900.

A população era composta, de um modo geral, por uma elite de forte poder econômico, constituída por coronéis e comerciantes, por uma classe média urbana, formada por profissionais liberais, intelectuais e políticos, e pelos trabalhadores rurais. Até então, o brasileiro consumia, em grandes quantidades, a farinha de mandioca e o biju, apesar de já conhecer o pão de trigo desde a chegada dos colonizadores portugueses. No início do século XX, a atividade de panificação se expandiu, motivada pela vinda dos italianos para o Brasil, e o pão tornou-se essencial na mesa do brasileiro. Mas era completamente diferente do atual pão francês; era escuro, na casca e no miolo. Era mais parecido com o pão italiano.

Com a abertura econômica e financeira para o comércio externo, o Brasil da Primeira República tornava-se um mercado altamente consumidor dos produtos de países estrangeiros que precisavam desovar seu excesso de produção industrial. Juntamente com os produtos estrangeiros, o Brasil passou a importar, também, ideias e costumes, em especial tudo o que estava em voga no movimento cultural da Belle Époque.
Na Europa do início da década de 1910, ainda se vivia o clima de desenvolvimento industrial, prosperidade econômica e otimismo da Belle Époque, iniciado no final do século XIX. Esse clima perdurou até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, quando as  invenções desse período passaram a ser utilizadas como armas de guerra. Essas inovações tecnológicas foram marcantes para o desenvolvimento humano, como o telefone, o telégrafo sem fio, o cinema, a bicicleta, o automóvel e o avião, e inspiraram profundas transformações culturais. Tornaram a vida das pessoas mais fácil em todos os níveis sociais e geraram novos modos de viver o cotidiano.
Paris era o epicentro dessa época, com a proliferação de teatros, cinemas e exposições. Todos queriam estar lá, viver lá ou, no mínimo, passar uma temporada na Cidade Luz.
A moda, para as mulheres, cobria todas as partes do corpo com babados, plissados, bordados, luvas e chapéus. Os espartilhos, que antes definiam a silhueta, nessa época foram substituídos por curvas mais suaves. Para o homem, a moda exigia um estilo mais sóbrio. Mantinha o uso de chapéu, polainas e casaca, mas o paletó começou a aparecer com força crescente, e as calças ficaram cada vez mais estreitas e curtas.
Cafés e confeitarias se transformaram no ponto de encontro de intelectuais e artistas, favorecendo a difusão de novos modos de pensar. O desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte disseminou a arte e a cultura da Belle Époque, aproximando as principais cidades do planeta. Escritores como Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Zola e Balzac passaram a ser lidos avidamente. Pintores como Picasso, Modigliani e Matisse revolucionaram as artes no mundo. As pessoas de maior poder econômico ostentavam elegância e luxo em grandes bailes, festas, jantares. E a gastronomia passou a fazer parte de suas diversões noturnas.

O Café de la Paix por volta de 1900. Este café existe até hoje, na Place de l’Opéra, em frente à Ópera Garnier, teatro de ópera localizado no IX arrondissement de Paris.

Nos restaurantes, jantava-se entre paredes de mogno e cobre, recortadas por vitrais e sob tetos cheios de dourados, afrescos e lustres. O estilo culinário passou a ser definido com o rótulo “Comer com os olhos”.
Os grandes chefs, cujos ancestrais haviam cozinhado para a nobreza, criaram o sistema de servir à la carte. Então, passaram a oferecer opções de pratos predefinidos pela casa e em cardápios ricamente ilustrados, que demonstravam a expertise do chef e o glamour do restaurante. E o pão que lá se consumia era com miolo branco e casca dourada, tornando-se um mito para os brasileiros endinheirados que o provaram!
Esses endinheirados “precisavam” ir a Paris ao menos uma vez ao ano, garantindo assim seu vínculo com o mundo. A República do Brasil, recém-instalada, pretendia inaugurar uma nova era no país, favorecendo as coisas modernas e avançadas e, portanto, incentivando a difusão de usos e costumes de Paris, como as vestimentas à moda francesa e a prática de se tomar café em mesas dispostas pela calçada.

A Confeitaria Colombo, fundada em 1893 no Rio de Janeiro, é o símbolo máximo da Belle Époque no Brasil.

As fotos a seguir, extraídas da revista carioca “Ilustração Brazileira”, de algumas edições de 1909, refletem um pouco todo o alvoroço das nossas moças endinheiradas e seduzidas pelo luxo francês.
No Rio de Janeiro, então capital brasileira, cresceu o número de cafés e confeitarias que reproduziam o costume francês de servir com estilo e elegância. E as padarias, que ainda produziam aquele pão de casca escura, começaram a receber centenas de pedidos para fazer o “pão como aquele dos franceses”.
Baseados então na descrição dos viajantes, foi assim que os nossos padeiros criaram o “pão francês”… Brasileiro!
Fontes:
Wikipedia
Esopave. com.br
portalvilamariana.com