O nome do pato

Eu queria ter contado esta história há tempos, e só não o fiz antes porque me faltavam alguns dados históricos — que consegui agora graças a uma mãozinha de meu prezado tio Fábio, um colecionador de preciosidades. O assunto é sério — aquela eterna disputa, tão comum em multinacionais, entre os brasileiros com mania de mudar tudo e os globalizadores em geral (ou seja, qualquer executivo instalado acima da linha do Equador), que acreditam que um entendimento é sempre possível, desde que seja em inglês.

Onde está a verdade? Naquela mistura de bom senso e criatividade, duas coisas que vivem se atropelando quando o assunto é “o Brasil contra o mundo ou vice-versa”. Eu vivi uma situação dessas há dez anos, quando estávamos implantando um novo processo no Brasil e trombei de frente com um Boeing lotado de americanos e mexicanos. Eles se bandearam para cá só para ter a certeza de que nenhuma alteração seria feita, por mínima que fosse, e eu estava convencido de que, sem o jeitinho tupiniquim, nada daquilo iria funcionar. Após muitas e muitas horas de árduas e infrutíferas discussões, finalmente consegui encontrar um exemplo que eles entenderam: Walt Disney.


A história que eu contei para eles foi a seguinte: em 1950, quando os personagens de Disney chegaram ao Brasil, havia uma importante decisão a tomar — como eles se chamariam por aqui? Quase ninguém sabia falar inglês direito no país naquela época, especialmente as crianças, que eram o público-alvo das publicações. Num tempo em que nomes de artistas como John Wayne e Jerry Lewis eram pronunciados jon vâine e jérri lévis, seria prudente manter os nomes originais de personagens como Gyro Gearloose e Scrooge McDuck?

Outros países haviam tido essa mesma dificuldade antes do Brasil, e nem sempre as soluções haviam agradado às duas partes. Por isso, era preciso tomar cuidado para evitar o que ocorrera com personagens de outras editoras — como na Argentina, onde pruridos idiomáticos haviam feito com que o marinheiro Popeye fosse rebatizado de “Spaghetti” e Batman se tornasse “El Murciélago”. Podiam até ser nomes sugestivos, mas, como ponderavam os executivos da matriz — e muitos continuam ponderando com todo furor –, não adianta nada ganhar em apelo regional se, com isso, perde-se em algo muito mais importante: a força mundial de uma marca.

Victor Civita, fundador da Editora Abril, com as provas de uma das primeiras edições da revista "O Pato Donald".

Victor Civita, fundador da Editora Abril, com as provas de uma das primeiras edições da revista “O Pato Donald”.

O primeiro time de tradutores e redatores da então recém-criada Editora Abril adotou o que hoje seria chamado de “estratégia global regionalizada”. O passo inicial dos brasileiros foi garantir a benevolência da turma da Disney, e isso foi conseguido com a promessa de manter o nome original dos dois principais personagens. Assim, Mickey ficaria sendo Mickey e Donald ficaria sendo Donald (parece óbvio, mas, na Itália, Mickey já era Topolino e Donald era Paperino — e na Suécia Mickey havia virado Musse Pigg!).

Capa da "O Pato Donald" número 1, lançada em 1950.

Capa da “O Pato Donald” número 1, lançada em 1950.

E aí veio a aplicação prática das três regrinhas elementares da boa globalização:

1. Não mudar o que não precisa ser mudado
Pluto seria Pluto, porque já era um nome bom, pronunciável e sonoro.


2. Mudar o que obviamente precisa ser mudado
Gyro Gearloose se tornaria o Professor Pardal. Uncle Scrooge McDuck viraria Tio Patinhas e The Beagle Boys seriam os Irmãos Metralha. Mais do que caracterizar personagens, nos anos seguintes esses três nomes se tornariam sinônimos populares de gente que inventa o que não é preciso (Professor Pardal), de pão-duro (Tio Patinhas) e de gangues das mais variadas espécies (Irmãos Metralha).


Nacionalizar nomes é algo bem mais complexo do que aparenta ser. Gladstone Gander, o nosso “Gastão”, é Narciso Bello na Espanha, Panfilo Ganso no México e Gontrand Bonheur na França. Ou seja, “Gastão”, mais que uma tradução ou uma adaptação, é uma aula de simplicidade.

O mesmo ocorre com o Tio Patinhas, que na França se chama Oncle Balthazar Picsou, na Alemanha, Onkel Dagobert Duck, na Suécia, Farbror Joakim von Anka, e na Itália, Zio Paperon De Paperoni.

3. Mudar parcialmente o que pode ser sutilmente melhorado
Aí começam as sutilezas. Mickey Mouse não precisaria do “Mouse” no Brasil, onde “rato” é meio pejorativo e “camundongo” é muito longo, e por isso ficou só Mickey. Mas Donald Duck ficava melhor com o “Pato” antes do nome. E sua eterna namorada, Daisy Duck — Pata Margarida, em tradução literal –, soava melhor sem a “pata” e ficou só Margarida. Nada mais que a aplicação do bom senso.


Nas empresas, não é raro que os pioneiros que contribuíram com grandes ideias no passado sejam esquecidos depois de algum tempo. Felizmente, a história do desembarque bem-sucedido dos personagens da Disney no Brasil ficou documentada. Jerônimo Monteiro, o primeiro tradutor e redator da Editora Abril, batizou o Tio Patinhas e os sobrinhos de Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho — no original eles eram Huey, Dewey e Louie (e a filha pré-adolescente de Jerônimo Monteiro, Terezinha, foi quem sugeriu o nome “Irmãos Metralha”).

Depois de Jerônimo, viriam Alberto Maduar, criador dos nomes do Professor Pardal, do Lampadinha, do Gastão e da Maga Patalójika (que era Magica De Spell em inglês), e Álvaro de Moya — desde sempre, a pessoa que mais entende de história em quadrinhos no Brasil.

Lampadinha

Lampadinha

Maga Patalójika

Maga Patalójika

A tradição de acertar nomes de personagens teve seu último grande momento na década de 70, quando chegou ao Brasil o primeiro livro de Calvin & Hobbes, e o nome do tigre foi abrasileirado para “Haroldo”. É só olhar para ver que ele tem mesmo cara de Haroldo, e não de Hobbes. Mas personagens mais recentes — Beavis & Butthead, os Simpsons, a turma sádica de South Park ou Dilbert — mantiveram os nomes originais. Seria interessante saber como aquela gente talentosa, de achados antológicos como “Recruta Zero” e “Brucutu”, encontraria uma definição bem brasileira — e bem marota — para “Butthead”… coisa que jamais saberemos porque, ultimamente, a globalização virou rua de mão única. E isso só leplime a cliatividade, como ponderaria Hortelino Trocaletra. Digo, Elmer Fudd.

 

 

Max Gehringer é autor do livro Máximas e Mínimas da Comédia Corporativa

Correção – há uma informação errada no texto, no último parágrafo, observada pelo jornalista e expert em quadrinhos Marcelo Alencar. As tiras de Calvin & Hobbes começaram a ser publicadas em 1985, e não na década de 70.

 

 

Fotos reveladoras de celebridades… E outras fotos incríveis!

As fotos abaixo, muitas delas nunca divulgadas antes, revelam facetas da personalidade ou momentos importantes de pessoas famosas e capturam a essência de eras passadas. Tenho certeza de que muitas delas irão surpreender você, com flagrantes curiosos, intrigantes e emocionantes. Por isso fotografia é uma arte tão especial: ela ajuda a capturar um momento e gravá-lo para sempre!

Obama no time de basquete do colégio onde estudou, em Honolulu, Havaí.

Schwarza quando chegou a Nova York, em 1968, e ficou besta com os edifícios altíssimos!

Os Beatles instantes antes de tirar sua mais icônica foto, para o álbum “Abbey Road”.

Falando em Beatles, aqui estão eles em Hamburgo, 1961, ainda com Pete Best na bateria, pouco antes do Ringo entrar na banda.

Já que falei dos Beatles, não posso deixar de mencionar os Rolling Stones, nesta foto em 1963.

Já que falei dos Beatles, não posso deixar de mencionar os Rolling Stones, nesta foto em 1963.

Bruce Lee em 1958, dançando cha-cha-cha. Ele foi um tremendo pé-de-valsa, campeão de um concurso desse ritmo em Hong Kong, naquele mesmo ano. Além de campeão de dança e mestre em artes marciais, Lee ainda era excelente boxeador!

Bruce Lee em 1958, dançando cha-cha-cha. Ele foi um tremendo pé-de-valsa, campeão de um concurso desse ritmo em Hong Kong, naquele mesmo ano. Além de campeão de dança e mestre em artes marciais, Lee ainda era excelente boxeador!

Bastidores da famosa cena de Batman e Robin escalando um edifício, da série de TV de 1966.

Bastidores da famosa cena de Batman e Robin escalando um edifício, da série de TV de 1966.

Como a cena ficou na TV.

Como a cena ficou na TV.

Adam West (Batman) e Leonard Nemoy (Spock) na bateria.

Adam West (Batman) e Leonard Nimoy (Spock) na bateria.

John Kennedy em Dallas, 1964, minutos antes de ser baleado.

John Kennedy em Dallas, 1964, minutos antes de ser baleado.

A última foto do Titanic, tirada em 1912, quando zarpava para sua trágica viagem.

Sean Connery e Ian Fleming (à esquerda na foto) no set do primeiro filme de James Bond, “O Satânico Dr. No”, em 1961. Fleming, criador do personagem, não queria Connery no papel. A lista de atores que ele escolhera incluía Cary Grant, David Niven, James Mason, Patrick McGoohan, Rex Harrison e Richard Burton, mas todos eram caros demais. Ele só foi conhecer Connery durante as filmagens…

Os mais antigos desenhos conhecidos do Mickey, feitos por Ub Iwerks entre fins de 1927 e início de 1928, depois de uma reunião com Walt Disney e seu irmão Roy, na qual definiram as características do personagem.

Anúncio numa revista nos Estados Unidos do começo dos anos 1980, falando do lançamento de um supercomputador com 10 Mb, pelo equivalente em dólares a “apenas” R$ 19.000,00…

A foto, de 1905, mostra o primeiro carregamento de bananas (3.000 quilos) a chegar à Noruega. Até então, as pessoas não encontravam muitos produtos, frutas ou verduras que não fossem produzidos ou cultivados localmente. Hoje, a Noruega é o segundo mercado importador de bananas na Europa, depois do Reino Unido.

O primeiro selfie no espaço foi tirado em 1966, pelo astronauta americano Buzz Aldrin durante a missão da Gemini XII. Três anos mais tarde, na missão Apolo XI, ele pisou na Lua.

O então presidente George W. Bush recebendo a notícia de que os aviões sequestrados por terroristas tinham derrubado o World Trade Center em Nova York, no fatídico 11 de setembro de 2001.

Hitler (de costas, o segundo da direita para a esquerda) inspeciona em 1941 a maior arma jamais construída na História, o supercanhão Dora.

O supercanhão pesava espantosas 1350 toneladas, media 47,3 metros de comprimento, 7,1 metros de largura e 11,6 metros de altura. Este colosso, com um cano de 32,48 metros, podia arremessar dois tipos de projétil: uma granada de alto explosivo de 4,8 toneladas que viajava a 820m/s e com um alcance de 48Km, e uma granada anticoncreto de 7 toneladas que podia atingir um alvo a 38Km de distância em menos de um minuto.

A deusa Marilyn Monroe entretendo as tropas americanas estacionadas na Coreia, em fevereiro de 1954.

Casal vitoriano passeando de bicicleta em 1890.

Annette Kellerman foi uma nadadora, atriz de cinema, escritora e defensora da natação profissional australiana. Kellerman ficou famosa por defender os direitos das mulheres usarem maiôs de uma peça, o que era um escândalo na época. No início de 1900, as mulheres usavam pesadas combinações e calças quando nadavam. Em 1907, no auge de sua popularidade, Kellerman criou um maiô de uma peça e foi presa por atentado ao pudor. A popularidade de seus maiôs de uma peça resultou na sua própria linha de roupa de banho para mulheres. 

O Ronald McDonald original, de 1963!

1961. Lanchonete dos funcionários da Disneylândia.

O que sobrou de um incêndio no Museu de Cera de Madame Tussaud em Londres, 1930.

A Walt Disney Company já fez 90 anos!

Em outubro de 1923 foi fundada aquela empresa que se tornou o maior ícone do planeta em termos de diversão para toda a família. E continua sendo um ícone, quase 50 anos depois da morte do fundador, Walt Disney. Hoje, quando se fala em Disney, imediatamente as pessoas se lembram dos parques, dos quadrinhos, dos desenhos animados, dos filmes, dos brinquedos… Mas Disney é muito mais:

Como se viu acima, três marcas muito conhecidas no universo do entretenimento também fazem parte do conglomerado: a Pixar de “Carros” e “Toy Story”, a Marvel do Homem de Ferro, Homem Aranha e Thor, e a Lucasfilm de “Star Wars”, do vilão Darth Vader, de Luke Skywalker e dos simpáticos robozinhos. Essas três marcas se somam ao Pato Donald, Pateta, Capitão Jack Sparrow e as princesas de “Frozen”, oferecendo mais um mundo de quadrinhos, filmes, desenhos animados e brinquedos para nosso deleite e com a inegável qualidade Disney.

Mas a gente quase se esquece de que tudo começou lá atrás, com um ratinho…

Os primeiros desenhos do Mickey.

Acho que mais do ficar escrevendo, a melhor homenagem que se pode fazer aos incontáveis talentos que trabalharam e trabalham na empresa é mostrar um pouco do que foi feito ao longo desse quase centenário. Tenho certeza de que todo mundo vai se lembrar de uma coisa ou de outra, sem contar que, se fosse mostrar tudo o que Disney fez, precisaríamos de centenas e centenas de posts…

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O dia em que Walt Disney se encontrou com Salvador Dalí

Um belo dia, eclode a Segunda Guerra Mundial e, em 1942, Salvador Dali se muda para os Estados Unidos com a esposa Gala, onde ficou até 1948. Ele voltou para a Espanha no ano seguinte, vivendo na Catalunha até sua morte.

Nesse meio tempo, Walt Disney estava preocupado. A Segunda Guerra Mundial estava arrasando a Europa e, junto com ela,  os cofres de seu estúdio. Sem o mercado europeu para seus filmes, e com praticamente toda a economia de seu país voltada para o esforço de guerra, restara-lhe pouco mais a fazer do que os desenhos- animados destinados ao treinamento dos militares ou como propaganda, tudo sob encomenda do governo ou das Forças Armadas. Outra fonte de preocupação para Walt eram os críticos, porque muitos deles diziam que seus filmes sempre sacrificavam o genuíno talento artístico em prol de produções mais comerciais. Segundo eles, Walt favorecia a animação tradicional em prejuízo da inovação e da experimentação.

O lançamento de “Fantasia” em 1940 foi o primeiro passo no sentido de silenciá-los,  e Walt buscava desde então um cala-boca definitivo. Era por esse motivo que o criador do Mickey e do pato Donald ficava atento aos pintores e aos artistas de mais renome. “Assim como aconteceu na sequência do Monte Calvo em ‘Fantasia’, que foi criada por Kay Nielson”, disse Walt numa entrevista da época,  “eu quero dar mais oportunidades aos grandes artistas. Nós precisamos deles, nós temos que estar sempre abrindo novos caminhos”. E foi numa festa na mansão do big-boss da Warner Bros, Jack Warner, que Walt Disney encontrou Salvador Dali

Walt Disney and Salvador Dalí met during an Alfred Hitchcock's filming. Image: 3cat/24.cat

Os bigodes se conhecem pessoalmente.

Era uma festa típica de Hollywood, com a presença de todas as grandes estrelas dos anos 1930 e 1940. E, por mais inusitado que pareça, foi esse o palco em que dois dos maiores visionários da História das artes se conheceram. E desse encontro, saiu um projeto que levou 57 anos para ser completado.

Na ocasião, 1944, Dali estava elaborando uma sequência para o filme “Quando fala o coração” (Spellbound), de Alfred Hitchcock, e que foi lançado um ano mais tarde. Esse foi o primeiro filme hollywoodiano a tratar da psicanálise e trazia no elenco Ingrid Bergman e Gregory Peck. A sequência que Dali criou para o filme foi a cena dos sonhos, cheia de imagens psicoanalíticas.

Salvador Dali já era muito conhecido em todo o mundo como o mais influente artista surrealista do século, e Disney o convenceu a trabalhar no projeto de um curta-metragem chamado “Destino”, que seria incluído numa antologia de curtas na linha de “Música, Maestro”. Esta antologia era composta por dez curtas e marcava a situação dos Estúdios Disney na época, sem recursos para produzir um novo longa de animação, mas tendo que lançar novas produções com regularidade.

O segmento mais conhecido da coletânea “Música, Maestro”, Pedro e o Lobo.

“Destino”, segundo o próprio Walt, “era uma simples história de amor, na qual um rapaz conhece uma moça”. Com o mesmo título de uma canção folclórica mexicana, o desenho planejado seguiria o ritmo da música num cenário de sonhos, sendo a expressão poética dos arroubos causados pelo amor. Dali trabalhou entre 1945 e 1946, produzindo vinte e duas telas e 135 esboços de cenas de animação para o projeto, que resultaram em dezessete segundos de filme.

Dali trabalhando nos Estúdios Disney, em Burbank, Califórnia, EUA.

Abaixo, algumas das telas e esboços produzidos por Dali:

O desenho animado tinha como ponto central a importância do tempo em nossa espera pela ação do destino. E as ilustrações de Dali eram típicas, com objetos se transformando em outros, as imagens duplas… O mais incrível era ver o elitismo de Dali se combinando com a linguagem de massa de Disney.

Dali trabalhou como funcionário dos Estúdios durante oito meses, chegando todos os dias pontualmente às oito e meia da manhã e trabalhando direto até as cinco da tarde.  Disney diria mais tarde que ele “borbulhava com ideias”. Mas, infelizmente, o projeto foi abandonado em 1947 quando os recursos próprios acabaram e os estúdios não conseguiram financiamento. Disney também ficou com medo de que o público não aceitasse “Destino” se fosse lançado sozinho, por ser surreal demais, aumentando ainda mais o rombo do caixa. E assim, “Destino” ficou esquecido nos arquivos dos Estúdios durante quase seis décadas.

Felizmente, o sobrinho de Disney, Roy, se animou em finalizar o curta-metragem (que só tinha dezessete segundos) em 1999, utilizando as novas tecnologias disponíveis para emular a qualidade plástica das imagens multidimensionais de Dali. Uma equipe de 25 animadores trabalhou para decifrar os storyboards desenhados por Dali e realizar o projeto. E assim, 57 anos depois, a ideia concebida por Dali e Disney finalmente nasceu. “Destino” é a perfeita combinação da imaginação desses dois gênios:

A sequência original de 17 segundos é a das tartarugas. O filme conta a história de Cronos e a incapacidade dele de concretizar seu amor por uma mortal.  E enquanto Disney descreveu o filme como uma simples história de amor, Dali o descreveu como sendo “a visualização mágica da vida no labirinto do tempo”.

Mesmo com o fiasco do empreendimento, a amizade entre os dois sobreviveu. A filha de Walt, Diane, relembra como os dois continuaram a se visitar ao longo dos anos, e como Dali adorava andar no trem que seu pai mantinha em casa: ” Mesmo em pleno verão, ele estava vestido com um sobretudo preto, de gravata. Ele se sentava num dos pequenos vagões, com  sua bengala na posição vertical na frente dele. “

Aqui, Walt faz uma visita a Dali na Espanha.

Dali, Walt e as duas esposas, Gala e Lilian Disney.

Dali avaliando um dos primeiros trens que Walt montou no terreno de sua casa. Disney era fissurado por trens desde a infância.

Ideia do post sugerida por Ione Fabiano.