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O ‘Experimento de Aprisionamento de Stanford’, interrompido após sair do controle

Esse é um dos experimentos sociais mais famosos da história, contado tantas vezes que alguns o consideram um mito.


Em 1971, Philip Zimbardo, professor de Psicologia da Universidade de Stanford, desenhou um polêmico experimento. Ele queria entender o que induzia as pessoas a serem seduzidas por atitudes violentas, bem como suas justificativas psicológicas. Zimbardo achava que a linha que todos nós gostamos de traçar entre nós, pessoas boas, e os outros, pessoas malvadas, não era assim tão inflexível e sólida como insistimos em pensar. Mais tarde, ele chamou esse impulso que fortuitamente nos impele a cruzar esse tênue limiar de Efeito Lúcifer.

Talvez você já tenha ouvido falar: um professor universitário de Psicologia recruta um grupo de estudantes e lhes pede que imaginem que estão em uma prisão. Escolhe alguns como guardas e outros como detentos.

Em poucos dias, os “carcereiros” se tornam sádicos e abusam de tal forma dos presos que o experimento precisa ser interrompido.

Isso aconteceu de verdade, em 1971, e não foi em qualquer lugar, mas em uma das melhores universidades dos Estados Unidos – Stanford, na Califórnia…

Essa experiência foi tema inclusive de 3 filmes, um dos quais assisti no Netflix: “Detenção” (The Experiment), de 2010, com Cam Gigandet, Maggie Grace, Adrien Brody e Forrest Whitacker.

A ‘inspiração’

As raízes do experimento estão ligadas a um controverso experimento realizado uma década antes em outra famosa universidade americana, Yale. Conhecido como “Experiência de Milgram”, por ter sido conduzido pelo psicólogo Stanley Milgram, tinha como objetivo analisar o nível de obediência das pessoas à autoridade.


A maioria dos nazistas julgados no Tribunal de Nuremberg afirmava estar apenas “cumprindo ordens”.

Sua inspiração, por sua vez, foram os julgamentos de nazistas acusados de crimes de guerra no Tribunal de Nuremberg. A maioria deles havia baseado sua defesa na alegação de que estavam apenas “cumprindo ordens” de seus superiores.

Milgram queria verificar até que ponto um ser humano “bom” era capaz de fazer o mal a outro por uma questão de obediência.

Seu experimento gerou ainda maior polêmica porque ele mentiu aos participantes, dizendo-lhes que aquele era um estudo sobre memória e aprendizagem. O cientista dividiu 40 voluntários em dois grupos aleatórios: a um disse que seriam professores, e aos outros, que seriam estudantes.

Em seguida, levou os “estudantes” para outra sala e pediu aos “professores” que colocassem à prova a memória de seus “alunos”.

O pesquisador os instruiu a castigar aqueles que errassem com choques elétricos. A máquina que utilizariam emitia descargas que iam de 50 a 450 volts. A potência máxima vinha acompanhada de uma inscrição que dizia “Perigo: choque acentuado”.


65% dos “professores” utilizaram voltagem máxima em algum momento, apesar dos gritos dos “estudantes” na sala vizinha

O aparelho, contudo, não chegava a dar choques, e os gritos que os “professores” escutavam vindos da sala vizinha eram, na verdade, gravações.

A prisão de Stanford

Uma década mais tarde, um professor de Psicologia Social da Universidade de Stanford chamado Philip Zimbardo quis levar o experimento de Milgram a um passo adiante, e analisar o quão tênue é a linha que separa o bem do mal.

Ele se perguntava se uma pessoa “boa” poderia mudar sua forma de ser, dependendo do seu entorno.

Colocou, então, um comunicado nas paredes da universidade oferecendo US$ 15 por dia a voluntários que estivessem dispostos a passar duas semanas em uma falsa prisão. O estudo foi financiado pelo governo, que queria entender as origens dos conflitos no sistema penitenciário americano.

Zimbardo selecionou 24 estudantes, a maioria branca e de classe média, e os separou em dois grupos, dando-lhes aleatoriamente o papel de guardas e de prisioneiros, e pediu que voltassem para casa.

O experimento de fato começou de forma brutal: policiais de verdade, que haviam aceitado participar do projeto, foram à residência dos “prisioneiros” e os detiveram, acusando-os de roubo.

Eles foram algemados e levados à delegacia, onde foram fichados e transportados, de olhos vendados, a um suposto presídio local – mas que na verdade era o sótão do Departamento de Psicologia de Stanford, que havia sido transformado, de forma bastante realista, em uma prisão.


Imagem das gravações do experimento: estudo que deveria se estender por duas semanas durou apenas seis dias…

Os voluntários foram obrigados então a tirar a roupa, foram inspecionados, desinfectados, receberam remédio contra piolhos e tiveram de vestir um uniforme que consistia em uma camiseta larga com um número (e sem qualquer outra peça por baixo), sandálias de borracha e um gorro de náilon feito com meia-calça feminina. Aqueles que tinham o papel de guardas puseram no tornozelo dos “detentos” um cadeado pesado.

O que aconteceria na sequência seria tão chocante que inspiraria três filmes (um alemão, em 2001, e dois em Hollywood, em 2010 e 2015), além de diversos livros e artigos.

Sadismo

Logo no início do experimento, os “guardas” começaram a apresentar condutas abusivas que, em pouco tempo, se tornaram sádicas. Instruídos a não provocar lesões físicas nos presos, os carcereiros fizeram com eles todo tipo de violência psicológica.

Identificavam os detentos pelos números, por exemplo, para evitar chamá-los pelo nome, enviavam alguns constantemente à solitária, faziam com que tirassem a roupa, a fazer flexões, a dormir no chão, colocavam sacos de papel em suas cabeças e obrigavam-nos a fazer suas necessidades em baldes.

“No dia em que chegaram, aquilo era uma pequena prisão instalada em um sótão com celas falsas. No segundo dia, era um presídio de verdade, criado na mente de cada prisioneiro, de cada guarda e das outras pessoas envolvidas”, contou Zimbardo à BBC em 2011, quando o experimento completou 40 anos.

Vários dos presos começaram a apresentar problemas emocionais.

“Uma das práticas mais eficientes (dos guardas, para mexer com os prisioneiros) era interromper o sono, uma técnica de tortura conhecida”, contou Clay Ramsey, um dos prisioneiros. Ainda assim, apenas alguns poucos estudantes pediram para abandonar o estudo antes de ele ser de fato interrompido.

Dave Eshleman, um dos jovens que desempenhava papel de carcereiro, lembra que encarou o experimento como uma espécie de exercício de teatro.

“No primeiro dia não aconteceu quase nada, foi um pouco entediante. Então decidi interpretar o papel de um carcereiro bastante cruel”, contou.


Imagem das gravações do experimento em 1971: um dos participantes disse ter começado a agir com crueldade por estar ‘entediado’ .

O chamado “Experimento de Aprisionamento de Stanford” atingiu níveis tão altos de perversidade que teve de ser suspenso menos de uma semana depois de começar.

Depois, os participantes foram entrevistados:

  • Os presos disseram que, em poucos dias, já não recordavam que eram estudantes; esqueceram que não precisavam se submeter a castigos nem deviam se sentir culpados. Apenas eram um número, nada restava da pessoa que dias antes achou bacana participar do que parecia um inocente role playing game.
  • Os carcereiros assustaram-se ao ver no que tinham se tornado. Nunca acharam que fossem capazes de apresentar comportamentos tão sádicos (despiram os presos, amarraram os pés, deram banho de água gelada, humilharam, insultaram, cobriram suas cabeças com sacos…)
  • O próprio Zimbardo, ao ver as imagens, assustou-se ao se dar conta de que ele mesmo tinha se transformado no diretor da prisão, passeando orgulhosamente com as mãos entrelaçadas às costas, com o mesmo gesto altivo que tantas vezes vimos em personagens que se consideram superiores ao restante.

Apesar da curta duração, foi o tempo suficiente para que Zimbardo concluísse que o entorno tem, sim, influência sobre a conduta humana e que colocar pessoas “boas” em lugares ruins pode fazer com que elas ajam como pessoas ruins, ou que se resignem a ser maltratadas.

A teoria – encarada, em última instância, como a constatação de que todos somos sádicos ou masoquistas em potencial – foi bastante contestada com o passar dos anos, e o principal questionamento foi ao papel do próprio Zimbardo, atuando como “diretor” do presídio e aconselhando os guardas sobre como se comportarem, estimulando as condutas abusivas.

O professor, aqui com alguns dos “detentos”, atuou no experimento como o diretor do presídio.

Apesar da controvérsia, contudo, Zimbardo, que ganhou notoriedade e hoje é considerado um grande nome em sua área de atuação, segue defendendo seu experimento como uma contribuição muito valiosa à Psicologia, que teria servido para que entendêssemos fenômenos como os abusos cometidos na prisão iraquiana de Abu Ghraib.*

“O experimento nos mostra que a natureza humana não está totalmente sujeita ao livre arbítrio, como gostamos de pensar, mas que a maioria de nós pode ser seduzida a se comportar de maneira totalmente atípica em relação ao que acreditamos que somos”, concluiu ele.

*Abu Ghraib foi uma prisão na qual os soldados americanos torturaram os prisioneiros de forma sádica, durante a invasão do Iraque em 2004 e que abalou a imagem dos Estados Unidos.

Fonte: BBC

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Que tal uma voltinha no Inferno?

Quem vive no Brasil – ou mesmo os brasileiros que estão fora do país, mas acompanham a nossa situação – sabe do que estou falando… Há uma crise sem precedentes, uma completa falta de ética e de honestidade de nossos governantes, há uma falência geral do Estado, um desemprego galopante, miséria agravada… Além de baderna generalizada, vandalismo, devastação sem igual e uma ignorância monumental que atinge tanto a “zelite” quanto os mais pobres.

É a mais perfeita descrição do inferno. E me fez lembrar do “Inferno” descrito por Dante Alighieri… Quer comparar? Pois bem, faremos uma viagenzinha pelo lugar que ele descreveu e confira se não tem muito a ver com o Brasil atual!

A Divina Comédia é com certeza um dos maiores poemas já escritos, não só por conter em sua estrutura 100 cantos e 14.233 versos, mas por ter sido fonte de inspiração para grandes nomes da arte, resultando em dezenas de obras baseadas na viagem de Dante Alighieri pelo Inferno, Purgatório e Paraíso.

Uma dessas obras é o chamado “Mapa do Inferno”, de Sandro Botticelli, e retrata os Nove Círculos concêntricos descritos no poema, com todo o sofrimento dos que tiveram esse como seu destino final.

Quem foi Dante?

Dante Alighieri nasceu em Florença, na Itália, em maio de 1265; era escritor, poeta, político, e suas inúmeras obras lhe renderam o título de “Il sommo poeta”. Mas Dante não é lembrado apenas por ter redigido uma das obras-primas da literatura universal. Sua paixão pela jovem Beatriz Portinari deixou grandes marcas na sua história, estando ela presente na “Divina Comédia” como sua guia pelo que equivale à terceira e última parte do poema, o “Paraíso”, além de ter sido uma de suas grandes fontes de inspiração para outros poemas. Dante foi exilado de sua amada Florença e faleceu em Ravena no ano de 1321.

Dante Alighieri

Agora, vamos dar início ao nosso passeio pelos Nove Círculos por onde Dante andou guiado pelo seu mestre, o poeta Virgílio. O Inferno descrito por Dante está em forma de um funil, que segue em direção ao centro da terra, onde Lúcifer está à espera. Em cada círculo, são punidos pecados distintos, de acordo com sua gravidade. Os pecados menos graves são punidos nos primeiros círculos e os mais graves, nos últimos.

E lá vamos nós…. “Deixe toda esperança, ó vós que entrais”.

O primeiro círculo – o Limbo, é destinado aos pagãos virtuosos e aos não batizados, àqueles que morreram antes da vinda de Jesus Cristo, e suas almas vagam pela mais completa escuridão, o que representa a não iluminação daqueles que não conheceram o Evangelho e seus ensinamentos.

No segundo círculo – Vale dos Ventos, encontra-se a sala do julgamento, é lá que o juiz do inferno, chamado Minos, ouve a confissão dos mortos e os destina a um dos nove círculos. Ele faz isso enrolando sua enorme cauda envolta do corpo, cada volta representando um círculo abaixo. Nesse mesmo círculo estão aqueles que cometeram o pecado da luxúria, que são atormentados por furacões e ventanias representando os vícios da carne.

Minos
Minos

No terceiro círculo – Lago da Lama, encontram-se os gulosos, atolados numa lama suja, e são punidos ao ficarem prostrados debaixo de uma forte chuva de granizo, água e neve, sendo arranhados, esfolados e dilacerados por um enorme cão de três cabeças chamado Cérbero, que retrata o apetite sem fim. O lugar ideal para os políticos brasileiros, em sua maioria…

Cérbero
Cérbero

O quarto círculo – Colinas de Rocha, é o destino dos pródigos e avarentos, que possuem como punição rolar grandes pesos, que representam as suas riquezas e estão fadados a trocarem injúrias entre si.

O quinto círculo – Rio Estige, abriga os acusados de ira, que ficam amontoados em um lago formado de água e sangue borbulhante, batendo-se e torturando-se. No fundo do Estige, estão os rancorosos que não demonstraram sua ira e permanecem proibidos de subir à superfície.

Sexto círculo – Cemitério de Fogo, lugar dos que em vida foram hereges, os que não acreditaram na existência de Deus e de Jesus como seu Filho. A punição que eles recebem é o sepultamento em túmulos abertos, de onde sai fogo (o que nos lembra a sentença dada aos condenados por heresia pela Igreja, que eram queimados em fogueiras).

O sétimo círculo – Vale do Flegetonte é o destino dos que praticam violência. Esse círculo é dividido em três vales:

No primeiro vale (Vale do Rio Flegetonte), estão as almas dos que foram violentos contra o próximo, e aqui eles permanecem mergulhados em um rio feito com o sangue dos que eles oprimiram. Na margem do rio ficam o Minotauro de Creta e centauros, que atiram setas nas almas que se erguem do sangue;

No segundo vale (Vale da Floresta dos Suicidas) estão os que praticaram violência contra si mesmo, que se transformam em árvores sombrias e retorcidas;

No terceiro vale (Vale do Deserto Abominável), estão os que praticam violência contra Deus, contra a natureza e contra a arte, e são condenados a permanecer em um deserto de areia quente, onde chovem chamas de fogo, um lugar estéril e sem vida, contrário ao mundo criado por Deus.

Vale do Flegetonte
Vale do Flegetonte

O oitavo círculo – Malebolge, é dividido em dez fossos, onde são punidos diversos pecados:

No primeiro fosso estão os rufiões e sedutores, açoitados continuamente pelos demônios, que os obrigam assim a cumprir os seus desejos;
No segundo, estão os aduladores e lisonjeiros, imersos em fezes e esterco, que representam a sujeira que deixaram no mundo, resultado do proveito que tiravam dos medos e desejos dos outros e das falsas palavras proferidas;
O terceiro é destino dos simoníacos, enterrados de cabeça para baixo e com as pernas sendo queimadas por chamas;
No quarto, encontram-se os adivinhos, que como punição têm suas cabeças voltadas para as costas, impedindo-os de olhar pra frente;
No quinto fosso estão os corruptos, submersos em um lago de piche fervente;
No sexto são punidos os hipócritas, vestidos em pesadas capas de chumbo dourado;
No sétimo estão os ladrões, que são picados por serpentes que os atravessam e os desintegram;
No oitavo são castigados os maus conselheiros, aqui envolvidos por infinitas chamas, e padecem ardendo;
O nono fosso abriga os que semearam a discórdia, e são então esfaqueados e mutilados por demônios que lhes arrancam o que representa a discórdia semeada;
No décimo fosso, os falsários são punidos com úlceras fétidas e diversas enfermidades…

(pensando melhor, é aqui que deveriam ficar os nossos políticos!)

inferno-simony

O nono e último círculo – Lago Cócite, cujo pavimento é formado por gelo, é onde estão presos os traidores. Este círculo é dividido em quatro esferas:

A primeira esfera é a de Caína, onde são punidos os que traem seus parentes, que ficam apenas com o tórax e a cabeça fora do gelo. O nome Caína faz referência a Caim, que matou seu irmão Abel.
Na segunda esfera, a esfera de Antenora, estão os que traíram sua pátria, aqui apenas as cabeças ficam fora do gelo;
A terceira esfera, chamada esfera da Ptoloméia ou Toloméia, é onde os traidores de seus convidados são punidos, ficando apenas com o rosto exposto e, quando choram, suas lágrimas congelam e cobrem os seus olhos;
A última esfera é a esfera Judeca, e seu nome faz referência ao traidor mais conhecido, Judas Iscariotes; e é o destino dos que traíram seus senhores e benfeitores, permanecendo completamente submersos no lago de gelo, conscientes. No meio da esfera está Lucífer que, com suas três cabeças, prende de um lado Judas, e do outro Brutus e Cássio, responsáveis pela morte de Júlio César.

Lúcifer
Lúcifer

Ao passar por todos os círculos, valas, fossos e esferas, Dante e Virgílio chegam ao centro da Terra e é lá que começa a subida em direção à saída, em busca do céu estrelado, da luz no fim do túnel, encerrando assim a viagem pelo temido inferno.

Que tal? Com que se parece essa descrição?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Christine Alencar

laparola.com.br