365 Sementes de Amor – e-book Kindle

Olha que legal esse e-book! Está lá na Amazon.

Indicado para todos os corações apaixonados… 365 SEMENTES DE AMOR – 365 SEEDS OF LOVE é um e-book bilingue (português / inglês) que está destinado a todas as pessoas que estão abertas e dispostas a cultivar o amor e, além disso, estudar ou aprimorar o seu inglês.

O livro esclarece que o Amor não se limita a um encontro, sua base verdadeira é conexão e seu objetivo é a interconexão.

Sua estrutura real é infinita. Sempre há inúmeras possibilidades. Na verdade, não são apenas 365 dias, o Amor em sua inteireza se abre para uma miríade de afagos, ternura e bem-querer na eternidade do tempo, do seu tempo afetivo.

Aliás, do tempo afetivo do casal. O Amor faz seu próprio tempo. Uma carícia pode durar segundos, mas pode ficar registrada na memória por anos. A demonstração dedicada de carinho pode sustentar uma relação afim de que ela se torne estável e duradoura.

O e-book é fácil e rápido de ler, basta para isso baixar o app do Kindle no seu tablet ou celular… Vai ficar com uma cara parecida com esta:

Ou ler diretamente no seu Kindle, que vai ficar mais ou menos assim:

É baratinho, custa menos que uma Nha Benta da Kopenhagen… O link da Amazon está aqui:

 

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Uma dica de leitura muito interessante

O e-book “Seja Feliz – Be Happy” possui mais de 150 frases e dicas para ajudar a desenvolver a felicidade em nossa vida cotidiana. E, como é um livro bilíngue, português/ inglês, além de motivar a felicidade, você irá também se exercitar no idioma inglês. Desfrute e… Que a felicidade faça parte de sua rotina.

 

Se quiser comprar, está bem baratinho na Amazon. Basta clicar na capa acima, e curtir!

Desejo pelo “herói salvador” não mudou desde Hitler

Movido pelo ódio, incapaz de estabelecer relacionamentos normais, Adolf Hitler parecia um líder improvável, contrário a debates políticos, e que, no entanto, conseguiu um apoio gigantesco. Como foi possível Hitler se tornar uma figura tão atraente para milhões de pessoas? Ele foi, sem sombra de dúvida, um criminoso de guerra sem precedentes na história mundial. Ainda assim, era capaz de exercer uma grande influência nas pessoas que encontrava.

No livro cuja capa exibo acima, e recomendo, o historiador e autor de documentários Laurence Rees analisa a natureza atrativa de Hitler, revelando o papel que seu suposto carisma desempenhou em seu sucesso. É uma análise muito interessante sobre o homem cuja mente esteve no centro do Terceiro Reich, no holocausto dos judeus e da Segunda Guerra Mundial.

O que há de similaridade entre a ascensão do Führer e os tempos em que vivemos hoje? Ora, são os mesmos elementos, aqueles que criam a conjuntura propícia para a ascensão de regimes totalitários. Crise econômica, violência urbana e instabilidade política. Quando isso acontece, as pessoas procuram por um herói salvador, alguém que tenha uma solução, que diga que a culpa é de outra pessoa, classe ou grupo.

Não estou aqui comparando – longe de mim querer igualar as pessoas abaixo com o líder nazista – mas o que o povo busca nos líderes como Trump, por exemplo, não é exatamente isso? Não é querer que eles tenham a solução, que digam que a culpa da crise econômica, da violência urbana e da instabilidade política no país, ou no mundo, é dos outros? Poderia citar tantos outros líderes carismáticos em cujos ombros a população colocou essa mesma responsabilidade: Ronald Reagan, Hugo Chavez, Cristina Kirchner, José Mujica, Berlusconi, etc etc…

Na Alemanha não foi diferente. “O desejo ardente pela salvação e redenção: nada disso mudou no mundo desde a morte de Hitler, em abril de 1945”, escreve o autor. Rees procurou compreender o fascínio que o líder alemão causava nas massas em rolos de filmes de arquivos da época, com discursos e aparições públicas.

As pessoas que ouviam os discursos de Hitler não estavam hipnotizadas. Elas estavam cientes do contexto, entendiam o que ele estava falando e concordavam com suas propostas. Você tinha de estar predisposto a acreditar no que ele dizia para poder vivenciar essa conexão.

Hitler foi o arquétipo do líder carismático. Não era um político “normal” – alguém que promete medidas como impostos menores ou melhor sistema de saúde -, mas quase um líder religioso, e se achava predestinado a algo grandioso. Antes, era um joão-ninguém, incapaz de participar de uma discussão intelectual e cheio de raiva e preconceito.

Mas, quando fazia discursos, suas fraquezas eram percebidas como qualidades. Eram a marca de um “grande homem” que vivia em um mundo à parte. As pessoas tinham a sensação de que lá estava um homem que não pensava em si próprio e em suas vantagens pessoais, mas somente no bem do povo.

Essa história é importante para nós hoje. Não apenas porque nos oferece “lições”, mas porque a História pode conter avisos.

Em uma crise econômica, milhões de pessoas decidiram se voltar para um líder pouco convencional que, na opinião deles, tinha “carisma”. Um líder que se conectava com seus medos, esperanças e desejo latente de culpar os outros pela situação difícil que viviam.

O resultado disso foi desastroso.

Tem gente hoje que parece querer escolher o mesmo caminho.

 

 

“O Senhor dos Anéis”, estrelando os Beatles e com direção de Stanley Kubrick?

Cartaz do filme-que-não-existiu… Mas que poderia ter existido!

Você pode não acreditar, mas houve um tempo em que as pessoas liam livros, muitas pessoas, inclusive os grandes artistas, cantores e até bandas de rock. Esse era o caso dos Beatles, e de John Lennon em especial.

No auge da popularidade, Lennon atuou em “Como eu Ganhei a Guerra”, uma comédia britânica de humor negro, e isso despertou nele a ideia de atuar como Gollum numa adaptação de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, e quase concretizada mais tarde.

Estamos falando de 1967, 1968, quando as turnês da Beatlemania tinham se tornado exaustivas para os quatro Beatles e eles estavam mais interessados em explorar novos limites na música e na arte, em geral.

Os Beatles saindo de um de seus últimos shows em estádios.

Os Beatles saindo de um de seus últimos shows em estádios.

O final de seu última turnê, no Candlestick Park em agosto de 1966, em São Franscisco (EUA) aconteceu apenas um ano após a estreia de seu segundo filme, Help!. E o lançamento de Rubber Soul alguns meses depois marcou efetivamente a guinada do grupo, tanto musical quanto em sua imagem pública.

Ao fim da turnê de 1966, os Beatles se separaram durante três meses para um período de “descompressão”, e foi assim que cada um deles embarcou em uma jornada de descobertas individuais e projetos solo. George Harrison revelou, muitos anos depois, que foi nessa época que ele realmente “saiu” dos Beatles e iniciou seu período de autodescoberta que levou, finalmente, à dissolução da banda. Ele e sua esposa Patti viajaram à Índia para que George tivesse outras aulas de cítara e aprendesse mais sobre o povo e a cultura da antiga colônia britânica. Mal sabia ele que essa viagem seria o início de sua conversão ao hinduísmo.

Paul ficou na Inglaterra, visitando as galerias de arte e assistindo peças de teatro, exposições e happenings. Paul sempre foi workaholic, e aproveitou o tempo de “folga” para compor a trilha de um filme, “The Family Way”, que se tornou o primeiro projeto solo oficial de um dos Beatles.

Ringo, por sua vez, ficou curtindo a vida doméstica com sua esposa e o filho bebezinho Zak. E John foi estrelar a comédia de Richard Lester mencionada mais acima, filmada na Espanha.

Foi lá que John retornou ao seu espírito de nostalgia por Liverpool, que tinha começado um ano antes com “In My Life”, e compôs “Strawberry Fields Forever”, uma viagem à área de Liverpool onde ele brincava quando criança.

A carreira cinematográfica da banda sofreu uma interrupção durante os anos seguintes, enquanto eles se concentravam em seus novos álbuns, mas, por contrato, ainda deviam um terceiro filme à United Artists…

O terceiro filme

Claro que os dois primeiros filmes foram enormes sucessos de bilheteria, mas os Beatles precisavam de um tempo para recarregar as baterias. Não só isso, mas de fato ansiavam por novos desafios, especialmente no cinema,  onde eles poderiam atuar.

Se formos avaliar com critério, Magical Mystery Tour foi um especial de TV caótico;  Yellow Submarine teve quase nenhum envolvimento do grupo, além das canções e uma rápida aparição no final do filme, e Let it Be foi um documentário.

No final de 1967, a coisa estava preta. O empresário Brian Epstein tinha falecido, Magical Mystery Tour tinha sido um fiasco e a banda estava embarcando em sua primeira grande aventura empresarial sem o mínimo conhecimento administrativo, a Apple Corps. No início, a corporação tinha cinco divisões: Apple Records, Apple Electronics, Apple Publishing, Apple Retail e Apple Films.

Em meados de fevereiro de 1968, a banda estava relaxando na Índia e compondo uma quantidade sem precedentes de novas canções que depois apareceriam no White Album. Foi nessa época que o gerente da Apple Films, Denis O’Dell, ouviu dizer que J. R. R. Tolkien estava a fim de negociar os direitos para cinema de sua épica trilogia, “O Senhor dos Anéis”, que já era um fenômeno cultural. Denis foi à Índia e explicou aos patrões a situação, informando que esse filme poderia ser aquele com o qual pagariam seu débito contratual com a United Artists.

John, ainda considerado pelos colegas de banda como seu intrépido líder, e baseado na crença e no ego de que tudo era possível para os Beatles, foi o mais entusiástico apoiador da ideia de se fazer um filme baseado na trilogia de Tolkien. Sua abordagem era bem simples: George, mais espiritualizado, faria Gandalf; Paul, com seu ar inocente e agradável seria Frodo Baggins; o divertido e leal Ringo seria o fiel companheiro de Frodo, Sam; e John faria a desonesta criatura Gollum.

De repente, e sem saber, John talvez já viesse treinando para ser Gollum desde o início da década, quando ele brincava no palco, entre uma canção e outra, com sua versão do “Corcunda de Notre Dame”, só para tirar uma com a cara dos outros Beatles…

As discussões avançaram quanto aos diretores considerados para a aventura: David Lean, Stanly Kubrick e Michaelangelo Antonioni. Lean era conhecido por seu “Lawrence da Arábia”, Antonioni por “Blow Up” e Kubrick por “Spartacus”. Lennon estava pensando alto e imaginava o que cada um deles faria com sua produção.

Kubrick era o preferido, por sua obsessão com perfeição e que o fazia refilmar até 70 vezes uma cena, o que combinava com a própria obsessão de Lennon.

Os Beatles na época em que sonhavam com sua versão de "O Senhor dos Anéis".

Os Beatles na época em que sonhavam com sua versão de “O Senhor dos Anéis”.

Ele e Paul abordaram Kubrick nos estúdios da MGM em maio de 1968, que educadamente recusou. Primeiro, alegando ser impossível então filmar as três partes da trilogia ao mesmo tempo, e em segundo lugar, por estar muito concentrado em seu próximo filme… “2001, Uma Odisseia no Espaço”. David Lean também recusou, ocupado na pré-produção de “A Filha de Ryan”.

Na verdade, porém, a United Artists estava mais interessada na bilheteria que os Beatles poderiam gerar e não em seus dotes como atores. O filme iria precisar de um álbum com a trilha, possivelmente oito novas canções, e isso também iria dar muito lucro. John começou a discutir essas novas músicas com a banda enquanto os Beatles gravavam o “White Album”, e o clima que ele queria, segundo a lenda, era o de canções como “A Day in the Life” e “I am the Walrus”. Fica fácil imaginar como seria a balada dos Hobbits, por exemplo…

Mas… Apesar de todos os esforços dos Beatles, Tolkien recusou-se a vender os direitos de sua obra à Apple Records e, ironicamente, vendeu-os à… United Artists, que lançou a versão de Ralph Bakshi dez anos depois – mas isso é outra história.

JRR Tolkien em 1968.

JRR Tolkien em 1968.

A pergunta que se faz é: por quê Tolkien foi contra os Beatles adaptarem sua trilogia? Talvez a resposta esteja numa carta escrita há mais de 50 anos. Nela, Tolkien reclama “do rádio, da TV, dos cachorros e das scooters, da buzina dos carros e do barulho, que começa desde cedo e vai até as duas da manhã. Além disso, em uma casa vizinha, vive um membro de um grupo de jovens que evidentemente desejam se tornar os novos Beatles. Naqueles dias em que eles decidem ensaiar, o barulho é indescritível”.

A recusa de Tolkien frustrou os planos da banda e da United Artists em ter um terceiro filme com os Beatles. Outras ideias foram discutidas nos escritórios da Apple, até que finalmente todos chegaram a um acordo e Let it Be cumpriu o contrato…

Cá entre nós, seria muito melhor assistir a versão dos Beatles para “O Senhor dos Anéis”, né não?

 

 

 

 

 

 

 

 

Onde as crianças dormem

Mais um livro belíssimo, “Where Children Sleep”, de James Mollison. O livro foi inspirado pelo próprio quarto do autor, e como esse quarto refletia o que ele era quando criança.

Por isso, James fotografou crianças do mundo inteiro, e todas fora de seus quartos, de forma que ficassem bem claros os detalhes que inevitavelmente distinguem as pessoas que vivem cada uma em um canto do planeta. Mas as crianças, sempre fotografadas com um fundo neutro, formam um conjunto de retratos que espelham as nossas semelhanças.

O quarto das crianças, por outro lado, reflete bem as diferenças culturais e socioeconômicas que nos separam.

Veja uma pequena amostra do livro:

Kaya, 4 anos, Tóquio, Japão

Bial, 6 anos, Cisjordânia.

Alyssa, 8 anos, Kentucky, EUA.

 Tutu, 9 anos, Costa do Marfim.

Jaime, 9 anos, Nova Iorque, EUA.

Ryuta, 10 anos, Tóquio, Japão.

Joey, 11 anos, Kentucky, EUA.

Jyoti, 14 anos, Makwanpur, Nepal

Thais, 11 anos, Cidade de Deus, Rio, Brasil

É isso…

Se quiser ver as imagens em tamanho maior, ponha o cursor em cima da foto, clique com o botão direito do mouse e depois selecione “abrir imagem em uma nova guia”. Vai aparecer a imagem grande numa nova aba e você poderá apreciar os detalhes de cada foto.

 

http://www.jamesmollison.com/wherechildrensleep.php

O Trem dos Órfãos

O trem dos orfãos

Foi lançado um livro que minha parceira e amiga Clene Salles (https://www.facebook.com/Clene.Salles?fref=ts) me ajudou a traduzir e que traz uma história incrível, e o mais impressionante, baseada em fatos reais.

“O Trem dos Órfãos” conta a história de Vivian Daly, uma senhora de 91 anos, que decide se livrar de seus pertences antigos e acaba recebendo a ajuda de Molly, uma adolescente órfã e rebelde, que está disposta a prestar serviços para não acabar no reformatório. Revivendo cada momento marcante de sua história, Vivian conta para Molly sobre sua família irlandesa pobre, que foi de navio para Nova York em busca de uma nova vida e acabaram todos mortos em um incêndio. Sendo a única sobrevivente, ela foi levada para o Meio-Oeste americano por um trem com outras centenas de crianças que teriam seu destino decidido pela sorte. Ou seriam adotadas por boas famílias ou teriam uma existência de sofrimento e trabalho pesado.

Esse roteiro já seria suficientemente rico para dar um belo livro se fosse apenas ficção, mas a autora se inspirou no “verdadeiro” trem dos órfãos para criar uma obra dramática e inspiradora.

Você já imaginou um trem cheio de crianças órfãs saindo de Nova York e se dirigindo para os confins do país, para ver se seriam adotadas pelos fazendeiros que ou estavam idosos demais para cuidar de suas terras, ou queriam mão-de-obra barata – e a adoção dessas crianças serviria para isso?

Pois é, eu achava que isso era uma história inventada, mas de fato aconteceu…Entre 1854 e 1929, quando o último Trem dos Órfãos viajou para o Oeste, mais de 250.000 crianças órfãs foram levadas das grandes cidades para viver nas comunidades rurais no interior do país.

Os trens que levavam crianças abandonadas dos grandes centros, como Nova York ou Boston, para as regiões menos povoadas dos Estados Unidos é um acontecimento pouco comentado, mas teve um profundo impacto na cultura americana. Apesar de muitas crianças terem sofrido maus tratos e serem obrigadas a trabalhos forçados, outras encontraram novos lares e novas vidas. Dois desses órfãos chegaram a ser governadores; um serviu como parlamentar no Congresso dos Estados Unidos; e outro chegou a ser juiz na Suprema Corte de Justiça.

Mas, de onde surgiram esses trens, e esses órfãos todos?

Em meados de 1850, um onda de imigrantes chegou à Nova York no tempo em que a cidade era a maior dos Estados Unidos, vindos da Europa em busca de uma vida melhor. Essas famílias chegavam geralmente com filhos pequenos e iam morar no Lower Manhattan (onde hoje se situam a Little Italy e a Chinatown), amontoando-se nos cortiços como o da fotos abaixo.

Esses cômodos abrigavam (“abrigar” é modo de dizer) às vezes 15 pessoas, sem ventilação adequada, sem banheiros e, no inverno, sem aquecimento adequado… Os pais se deparavam com a falta de emprego e com a pobreza. As doenças eram muito comuns e, quando o pai morria, as esposas tinham poucas opções de sustento dos filhos (quando também não morriam). Elas iriam trabalhar como costureiras em regime de semi-escravidão, ou se prostituíam, e o resultado era que os filhos acabavam na ruas, abandonados ou órfãos.

Um jornal de Nova York, em 1875, alertou que haviam mais de 10.000 crianças vivendo nas ruas. Sujas, descalças, sem luvas ou agasalhos no inverno, roubavam, mendigavam, vendiam jornais e não sabiam nem ler ou escrever.

Foi nessa época que o pastor Charles Loring Brace decidiu criar um programa para ajudar essas crianças. Sabendo que o Oeste do país era pouco povoado e acreditando que muitas famílias poderiam querer adotar crianças para ajudar em casa ou nas fazendas, começou a acomodar centenas de órfãos num trem que viajaria para essa região, anunciando, nos lugarejos por onde passasse, que qualquer pessoa poderia adotar uma daquelas crianças durante a sua passagem.

Enquanto as viagens não eram organizadas, as crianças eram recolhidas das ruas e instaladas em orfanatos.

Nos orfanatos, eram alimentadas e vestidas, e tinham uma cama onde dormir. Quando o trem estava para partir, as crianças recebiam uma nova muda de roupa, tomavam banho e eram alimentadas, para que quando chegassem nas estações de trem das cidades – onde se organizava uma “exposição” das crianças às famílias interessadas – elas estivessem apresentáveis.

Se as crianças não fossem escolhidas naquela parada, voltavam ao trem em fila – por tamanho, os maiores por último – e a viagem continuava, até que não restasse mais nenhuma criança para ser adotada. Caso restasse, essa criança voltaria ao orfanato, para aguardar uma nova oportunidade de viajar.

O que mais amedrontava os pequenos passageiros é que eles não sabiam para onde o trem se dirigia, e nem qual o destino que os aguardava. Corriam entre eles histórias de outras crianças que tinham sido adotadas simplesmente para trabalhar no campo de sol a sol, sendo obrigadas a dormir no estábulo com os cavalos e comer batatas – e mais nada.

Essas histórias eram verdadeiras, infelizmente. Apesar das boas intenções do pastor Brace, de salvar as crianças abandonadas, o projeto também acabou trazendo marcas profundas para muitas daquelas pessoas: além de serem levadas para trabalhar em regime escravo ou como empregadas das famílias, outras acabaram devolvidas ou colocadas na rua por falta de recursos dos que as acolheram.

Um estudo da National Orphan Train Complex (Kansas) revela que um em cada 25 americanos descende do Trem dos Órfãos.

Mas não há estimativas sobre o quanto essa iniciativa – apesar de ter conseguido bons lares para muitos meninos e meninas abandonados em Boston ou Nova York- contribuiu para o aumento de crianças de rua em estados como Kansas, Iowa ou Nebraska, três dos que estavam entre os mais visitados pelos trens…

PS- Tenho que fazer um agradecimento especial à Mayara Facchini (https://www.facebook.com/mayarafacchini?fref=ts), que foi a editora que me convidou a traduzir o livro que conta essa história. 

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Ancestral “Little Foot” viveu há 3,7 milhões de anos

Será que o ancestral do homem era um hobbit?

the-hobbit-movie-48-fpsAntes de continuar, vou esclarecer o que é um “hobbit”, para quem não sabe ou nunca ouviu falar: um hobbit é uma das criaturas criadas por J. R. R. Tolkien em suas obras, onde têm um papel principal, apesar de serem um povo secundário entre os que habitam a Terra Média.  Tolkien, por sua vez, foi um professor universitário britânico e escritor que se tornou mundialmente famoso quando escreveu “O Senhor dos Anéis”, obra que, ao ser adaptada para o cinema em uma trilogia, conseguiu uma das maiores bilheterias de todos os tempos.

Fechado os parênteses, o que tem a ver um hobbit com o ancestral do homem mencionado no título do post? É que um hobbit não passa de um metro de altura.

E, segundo uma reportagem que eu li, de Débora Nogueira, um exame cronológico dos bem preservados fósseis do australopiteco mais completo já descoberto, o sul-africano “Little Foot”, determinou que ele viveu há 3,7 milhões de anos. Até então, o fóssil etíope chamado de “Lucy” era o ancestral mais antigo já descoberto, com aproximadamente 3,2 milhões de anos. “Little Foot” (pequeno pé, em tradução livre) tinha aproximadamente um metro de altura e pés pequenos, e foi encontrado nos anos 90. Seria um hobbit?

A descoberta foi publicada na revista científica Nature, deste mês de abril. A comunidade científica, porém, questiona se ele é realmente parte de uma outra espécie, como alegam seus descobridores, ou apenas um fóssil muito bem preservado do Australopithecus africanus, o australopiteco que viveu na África do Sul entre três e dois milhões de anos atrás. Uma análise anatômica detalhada do ‘Little Foot’ deve tirar a prova, mas teremos de esperar pelo menos um ano até termos certeza.

A descoberta do “Little Foot”

O professor Ron Clarke, da Wits University da África do Sul, segura a caveira do "Little Foot", em foto sem data definida.

O professor Ron Clarke, da Wits University da África do Sul, segura a caveira do “Little Foot”, em foto sem data definida.

Ágil no chão e nas árvores, o “Little Foot” sofreu uma queda mortal de cerca de 20 metros de altura e foi encontrado no fundo de uma gruta em Sterkfontein, próximo a Johanesburgo. A região é repleta de grutas e fósseis proto-humanos – pelo menos mil já foram desenterrados – e foi inscrita no Patrimônio Mundial da Unesco como “Berço da Humanidade”.

O australopiteco permaneceu nesse lugar por cerca de três milhões de anos, conservado por uma camada de mineral calcário, imobilizado em sua pose mortuária com um longo polegar ainda dobrado dentro do punho fechado.

Até que, em 1994, o paleontólogo sul-africano Ron Clarke descobriu quatro ossinhos do pé esquerdo, em uma caixa cheia de ossos de animais pré-históricos, que haviam sido desenterrados por mineiros nos escombros. De imediato, o cientista reconheceu o pé de um hominídeo.

Ao término de 13 anos de escavações minuciosas, feitas “com broca de dentista”, consegue-se liberar a totalidade do fóssil de seu sarcófago rochoso. Crânio, dentes com esmalte e ossos da mão: trata-se de um esqueleto “único, quase completo e perfeitamente preservado”.