Gírias antigas e o que significam

Gírias são palavras criadas para serem usadas como sinônimos mais populares para palavras já existentes. Cada década teve suas gírias mais marcantes e que hoje perderam o sentido. Afinal, com as redes sociais, praticamente a cada dia surge uma gíria nova…

O que eu acho legal, no uso da gíria, é a transgressão – as pessoas transgridem a norma “culta” pra se comunicarem de forma mais eficiente. E, claro, há o fato do modismo, e se a pessoa não usa, não se insere no meio. “Lacrar”, por exemplo.

A nossa língua, aliás, acho que qualquer língua, é viva e é influenciada pelo ambiente, pelos costumes, por aquilo que vem de fora. A norma padrão demora mais para se modificar, mas isto não quer dizer que ficará sempre igual. Só acho difícil ela assimilar os padrões da internet, com suas abreviações tipo “kd”… Duvido que um juiz vá colocar na sua sentença o “vc”…

Quer saber um pouco sobre as gírias antigas, muito antes das redes sociais? Vou replicar aqui o resumo de uma matéria e pesquisa muito legais da Thaís Stein, bacharel em Publicidade e Propaganda, e que foi publicada no http://www.dicionariopopular.com.

Quando alguma coisa é muito boa!

Bafafá

É o mesmo que confusão ou bagunça.

Barbeiro

É um motorista ruim, que não sabe dirigir direito.

Chá de cadeira

Tomar um chá de cadeira é o mesmo que ter que ficar esperando por muito tempo.

De lascar o cano

É o mesmo que dizer que algo é muito ruim.

Quando uma coisa é muito antiga… como esta gíria.

Boa pinta

É o mesmo que dizer que a pessoa é bonita, de boa aparência.

Broto

É o mesmo que garota bonita.

Bulhufas

Significa o mesmo que nada, coisa nenhuma.

Cafona

Uma coisa cafona é algo fora de moda, brega.

Significa que algo ou alguém é de se admirar. Foi popularizada pelo Roberto Carlos nos anos 1960. “Ele era uma brasa, mora!”

Fogo na roupa

É o mesmo que uma situação ou pessoa complicada.

Lelé da cuca

Uma pessoa lelé da cuca é alguém doido, maluco.

Da mesma forma que você diria “porra”

Chacrinha

É o mesmo que conversa fiada, sem objetivo.

Chato de galocha

Significa uma pessoa muito chata, insuportável. (conheço muitas…)

Entrar pelo cano

Significa se dar mal.

Grilado

É o mesmo que estar desconfiado de alguma coisa.

Patota

Uma patota é uma turma de amigos.

Da mesma forma que você diria “foda, isso aí”

Bode

Ficar de bode é o mesmo que estar de mau humor.

Viajar na maionese

É o mesmo que ficar imaginando coisas absurdas.

Pentelho

Significa o mesmo que pessoa muito chata, irritante. (tenho um sobrinho muito pentelho… e quem não tem?)

Antenado

Uma pessoa antenada é alguém que está por dentro das coisas, que entende.

Quando alguma coisa ou ideia sugerida está completamente errada

Azarar

É o mesmo que flertar.

Baranga

Significa “mulher feia”.

Bolado

É o mesmo que estar chateado ou bravo.

Bem, eu sei que tem muito mais, e se você se lembrar de algumas interessantes e divertidas, pode me mandar pelos comentários. Mas, atenção:

PALÍNDROMO

Palíndromos
Um palíndromo é uma palavra ou frase que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, da esquerda para a direita e ao contrário.

Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. Acontece o mesmo nas frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso da  conhecida:

SOCORRAM-ME, SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS.

Diante do interesse pelo assunto (confesse, você leu a frase acima de trás pra frente), vejam alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões… 
 
ANOTARAM A DATA DA MARATONA

ASSIM A AIA IA A MISSA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A DROGA DA GORDA 

A MALA NADA NA LAMA

A TORRE DA DERROTA

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO 

RIR, O BREVE VERBO RIR

A CARA RAJADA DA JARARACA

SAÍRAM O TIO E OITO MARIAS

ZÉ DE LIMA, RUA LAURA MIL E DEZ 

E, é claro, O TRECO CERTO…    


  

Tropeçando na língua portuguesa?

Por que será que a gente nunca tem certeza dos porquês do uso dessa expressão? A língua portuguesa não é fácil (eu já comentei sobre isso neste post), mas também não é o fim do mundo.

Ortografia, cujo significado é escrever direito, é um dos assuntos mais temidos pelos jovens  em virtude do número de regras existentes. É difícil memorizar todas, pois não leem muito nem escrevem sistematicamente, dois dos principais segredos para aprender a escrever as palavras adequadamente.

Quem tem o hábito de realizar boas leituras e de escrever ao menos um texto por semana aprende com mais facilidade a arte de escrever corretamente, se aliar a isso consultas constantes a dicionários de boa qualidade.

Mas concordo que o nosso idioma tem muitas “pegadinhas”. Veja só:

Por que, porque, por quê ou porquê:

Forma Quando usar Exemplo
Por que Nas perguntas ou quando estiverem presentes (mesmo que não explícitas) as palavras “razão” e “motivo”. Por que você não aceitou o convite?

Todos sabem por que motivo ele recusou a proposta. Ela contou por que (motivo, razão) estava magoada.

Por quê Nos finais de frases. Por quê? Você sabe bem por quê.
Porque Quando corresponder a uma explicação ou a uma causa. “Não, Bentinho; digo isto porque é realmente assim, creio…” (M. Assis, Dom Casmurro). Comprei este sapato porque é mais barato.
Porquê Quando é substantivado e substitui “motivo” ou “razão”. Não sabemos o porquê de ela ter agido assim. É uma menina cheia de porquês.
Gerundismo

zumbis-gerundistas

O gerúndio expressa uma ação que está em curso ou que ocorre simultaneamente ou, ainda, que remete a uma ideia de progressão. Sua forma nominal é derivada do radical do verbo acrescida da vogal temática e da desinência -ndo.  Exemplos: comendo; partindo.

Veja, a seguir, o uso do gerúndio na prática:

E a lama desceu pelo morro, destruindo tudo que encontrava pela frente.

Depois de vários dias chuvosos o sol despontou, alegrando o coração de todos.

Rindo, ele se lembrava com saudades dos dias felizes que tivera.

Abrindo o laptop, começou a escrever.

Como vimos nos exemplos, o gerúndio pode ser empregado de diferentes maneiras em nossa língua sem que tenhamos praticado nenhuma heresia.

Já com o gerundismo é outra história. Nesse caso, trata-se do uso inadequado do gerúndio. Um vício de linguagem que se alastrou de modo tão corriqueiro e insistente que até já virou piada.

Então, se você usa expressões como: “Vou estar pesquisando seu caso.” “Vou estar completando sua ligação”, mude imediatamente sua fala para: “Vou pesquisar seu caso.” “Vou completar sua ligação.” Note que, nos dois casos, a ideia temporal a ser transmitida é a de futuro e não de presente em curso.

Quando usar “ç”

“Uma das intenções da casa de detenção é levar os que cometeram graves infrações a alcançar a introspecção, por intermédio da reeducação.”

Nessa frase, há seis palavras escritas com Ç: intenções, detenção, infrações, alcançar, introspecção e reeducação. As regras quanto ao uso do Ç são as seguintes:

1- Usa-se Ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em -TO, -TOR e -TIVO. Por exemplo:

Canto – canção / Ereto – ereção

Infrator – infração / Setor – seção

Relativo – relação / Intuitivo – intuição

*Três palavras da frase apresentada obedecem a essa regra:

Intento – intenção

Infrator – infração

Introspectivo – introspecção

2- Usa-se Ç em substantivos terminados em -TENÇÃO derivados de verbos terminados em -TER:

Conter – contenção

Reter – retenção

Deter – detenção

3- Usa-se Ç em verbos terminados em -ÇAR cujo substantivo equivalente seja terminado em -CE ou em -ÇO:

Lance – lançar

Desenlace – desenlaçar

Abraço – abraçar

Endereço – endereçar

Almoço – almoçar

Uma palavra da frase apresentada obedece a essa regra:

Alcance – alcançar

4- Usa-se Ç em substantivos terminados em -ÇÃO derivados de verbos de que se retirou a letra R:

Exportar – exportação

Abdicar – abdicação

Abreviar – abreviação

*Uma palavra da frase apresentada obedece a essa regra:

Educar – educação.

Crase:

A palavra crase é de origem grega e significa fusão, mistura. Em gramática, basicamente a crase se refere à fusão da preposição a com o artigo feminino a: Vou à escola. O verbo ir rege a preposição a, que se funde com o artigo exigido pelo substantivo feminino escola: Vou à (a+a) escola.

No caso de ir a algum lugar e voltar de algum lugar, usa-se crase quando: “Vou à Bolívia. Volto da Bolívia”. Não se usa crase quando: “Vou a São Paulo. Volto de São Paulo”. Ou seja, se você vai a e volta da, crase há. Se você vai a e volta de, crase pra quê?

É erro colocar acento grave antes de palavras que não admitam o artigo feminino a, como verbos, a maior parte dos pronomes e as palavras masculinas.

A tabela resume os principais casos em que a crase deve (ou não) ser utilizada:

 

É preciso paciência. Só aprende a escrever adequadamente quem treina sistematicamente.

 

 

 

Fonte:

UOL Educação

UOL Vestibular

O Novo dicionário simplificado da língua portuguesa

O significado das palavras muitas vezes nos engana, porque a mesma palavra pode justamente ter vários significados. Esse é o caso dos “homônimos”. São palavras que possuem a mesma pronúncia, mas significados diferentes.

Alguns exemplos:

cela (pequeno quarto) sela (forma do verbo selar; arreio)
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
cético (descrente) séptico (que causa infecção)
cerração (nevoeiro) serração (ato de serrar)
cerrar (fechar) serrar (cortar)
cervo (veado) servo (criado)
chá (bebida) xá (antigo soberano do Irã)

Mas “homônimo” ainda pode ser o Homônimo Perfeito. São palavras com a mesma grafia e o mesmo som. Por exemplo:

Eu cedo este lugar para a professora. (cedo = verbo)

Cheguei cedo para a entrevista. (cedo = advérbio de tempo)

Mas ainda não acabou, meu caro! Temos ainda a subclasse dos “homônimos”, que são as palavras “homógrafas”! São aquelas  que possuem a mesma escrita (grafia), mas a pronúncia e o significado são sempre diferentes. Veja:

almoço (substantivo, nome da refeição)
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

gosto (substantivo)
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

E eu estou só no capítulo das palavras com a mesma grafia…

Mas,, pense bem como tudo seria mais simples se existisse “uma compilação de palavras ou dos termos próprios, ou ainda de vocábulos de uma língua, quase sempre dispostos por ordem alfabética e com a respectiva significação”… Ei, mas isso é a definição de dicionário. Então, vou completar meu raciocínio: como seria bom se existisse um dicionário simplificado da língua portuguesa e que, à primeira olhada, a gente já compreendesse o significado das palavras, e sem nada desse negócio de homônimos, homófonas e sei lá mais o quê!

Bem, minha amiga Clene Salles deu o pontapé inicial e já começamos a pensar nisso. Então, dou por lançado o NOVO DICIONÁRIO SIMPLIFICADO, que vai resolver todos os seus problemas com o querido idioma-pátrio:

ABISMADO – pessoa que caiu no abismo.

ABREVIATURA – ato de se abrir um carro.

AÇUCAREIRO – revendedor de açúcar que vende acima da tabela

ALOPATIA – dar um telefonema à tia.

AMADOR – o mesmo que masoquista.

ARMARINHO – vento proveniente do mar.

BARGANHAR – receber botequim de herança.

BARRACÃO – proibir a entrada de cachorro.

CAIXA – chá que caiu no chão.

CAMINHÃO – estrada muito longa.

CANGURU – líder espiritual dos cães.

CATÁLOGO – ato de pegar coisas rapidamente.

COMBUSTÃO – mulher peituda.

CONVENTO – lugar arejado.

DEMOCRACIA – sistema político do inferno.

DESBOTAR – quando a galinha bota dez ovos.

DESDENTADAS – o mesmo que dez mordidas.

DESTILADO – aquilo que não está do lado de lá.

DETERGENTE – ato de se prender indivíduos.

EDIFÍCIO – contrário de “é fácil”.

EFICIÊNCIA – ciência que estuda a letra “F”.

ESFERA – animal selvagem domesticado.

ESPERTO – o mesmo que distante.

EVENTO – constatação de que é vento e não um furacão.

FLUXOGRAMA – direção em que cresce o capim.

GENITÁLIA – gene de quem nasce na Itália.

HALOGÊNIO – forma de cumprimentar pessoas superinteligentes.

KARMA – expressão usada para evitar o pânico.

LEILÃO – mulher chamada Leila com mais de 2 metros de altura.

MAMADEIRA – lenhador gago anunciando a árvore caindo.

MISSÃO – missa comprida.

OLIMPO – homem com mania de limpeza.

PSICOPATA – veterinário especialista em doenças mentais na fêmea do pato

PRESSUPOR – colocar preço em alguma coisa.

QUARTZO – partze de um apartamentzo.

SIMPATIA – quando se concorda com a tia.

SOLUÇÃO – forte soluço.

TABELA – sinônimo de “estar bonita”.

TALENTO – característica de quem não está rápido.

UNÇÃO – erro de concordância: o certo é “um é”.

VIDENTE – dentista falando sobre o seu trabalho.

VOLÁTIL – avisando ao tio que já vai.

XIITA – a macaca do Tarzan.

ZOOLÓGICO – reunião de animais racionais.

ZUNZUM – na fórmula 1, momento em que o espectador percebe que os 2 líderes da prova acabaram de passar.

 

Caso tenha alguma contribuição, por favor nos envie que atualizaremos. Este é um serviço de utilidade pública, afinal!

Essa língua portuguesa…

“Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.” 

Minha pátria é a língua portuguesa, Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (um dos heterônimos de Fernando Pessoa).

O português é um dos idiomas mais difíceis do mundo, dizem os brasileiros. Com as novas regras de ortografia, ele parece ter se tornado ainda mais complexo. Mas, na verdade, segundo os especialistas, nenhum idioma é difícil de aprender se a pessoa se dedicar a ele e estudá-lo sempre, assumindo o papel de eterno aprendiz. E, para se dedicar com mais afinco, a motivação é fundamental.

Mas, de fato, há alguns detalhes no aprendizado do português (no Brasil) que dificultam as coisas. Por exemplo, os pronomes pessoais tu e vós não ganham destaque nas aulas. São estudados eu, você/ele/a gente, nós e vocês/eles. Outro exemplo – mas que serve para todos os idiomas – são as expressões idiomáticas, que causam confusão: “ter as costas quentes”, “chutar o balde”…

Talvez as maiores armadilhas, porém, estejam em nosso vocabulário traiçoeiro, onde palavras têm significados diferentes. É o caso de “meia”.

                                                                                                                                                                                        Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia?

Na recepção de um salão de convenções, em Fortaleza

– Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
– Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
– Sou de Maputo, Moçambique.
– Da África, né?
– Sim, sim, da África.
– Aqui está cheio de africanos, vindos de toda parte do mundo. O mundo está cheio de africanos.
– É verdade. Mas se pensar bem, veremos que todos somos africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade…
– Certo… Bem, tem uma palestra agora na sala meia oito.
– Desculpe, qual sala?
Meia oito.
– Podes escrever?
– Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68.
– Ah, entendi, meia é seis.
– Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação: a organização do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
– Quanto tenho que pagar?
– Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam meia.
– Hmmm! que bom. Aí está: seis* reais.
– Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
– Pago meia? Só cinco? Meia é cinco?
– Isso, meia é cinco.
– Pois, meia é cinco.
– Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
– Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
– Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia.
– Pensei que fosse às 9:05, pois meia não é cinco? Você pode escrever aqui a hora que começa?
– Nove e meia, assim, veja: 9:30
– Ah, entendi, meia é trinta.
– Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa senhor, tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?
– Sim, já estou na casa de um amigo.
– Em que bairro?
– No Trinta Bocas.
Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
– Isso mesmo, no bairro Meia Boca.
– Não é meia boca, é um bairro nobre.
– Então deve ser cinco bocas.
– Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
– Acabou?
– Não. Senhor, é proibido entrar no evento de sandálias. Coloque uma meia e um sapato…
 
O turista enfartou…

Expressões curiosas da língua portuguesa

Sempre quis descobrir a origem de certas expressões da nossa língua, e ainda bem que diversos estudiosos, dentre eles o prof. Pasquale, fizeram esse trabalho. Veja só:

JURAR DE PÉS JUNTOS:
“Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu”.

A expressão teria surgido por conta das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO:

“Nossa, que cara mais barbeiro!”

No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também tiravam dentes, cortavam calos, etc., e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA:

“Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!”

No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia colocar o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “Pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

DAR COM OS BURROS N’ÁGUA:

A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante, o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, as leis eram criadas apenas “para inglês ver”. Daí surgiu o termo.

NHENHENHÉM:

Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

VAI TOMAR BANHO:
Em “Casa Grande & Senzala”, Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Então, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem “tomar banho”.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registros literários foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a .C.-18 d.C), autor de célebres livros como “A arte de amar “e “Metamorfoses”. Escreveu o poeta: “A água mole cava a pedra dura”. É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, os portugueses e os brasileiros.

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS

 

A expressão “onde Judas perdeu as botas” é usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível. Existe uma história não comprovada que relata que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhara por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem seus sapatos, saíram em busca dos mesmos e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se tais botas foram achadas. Acredita-se que foi assim que surgiu tal expressão.

DOR DE COTOVELO

A expressão “dor-de-cotovelo”, muito usada para se referir a alguém que sofreu uma decepção amorosa, tem sua origem na figura de uma pessoa sentada em um bar e com os cotovelos em cima do balcão, enquanto toma uma bebida e lamenta a má sorte no amor. Tipo “meu mundo caiu…”, “ninguém me ama…”.  De tanto o apaixonado ficar com os cotovelos apoiados sobre balcão, eles deveriam doer. Esta é a ideia por trás da expressão.

ACABAR EM PIZZA

Uma das expressões mais usadas no meio político é “tudo acabou em pizza”, empregada quando algo errado é julgado sem que ninguém seja punido. O termo teria surgido no  futebol. Na década de 1960, alguns cartolas palmeirenses estariam reunidos para resolver alguns problemas e, durante 14 horas seguidas de brigas e discussões, ficaram com muita fome. Assim, todos foram a uma pizzaria, tomaram muito chope e pediram 18 pizzas grandes. Depois disso, simplesmente foram para casa e a paz reinou de forma absoluta. Após esse episódio, o jornalista Milton Peruzzi, que trabalhava  num jornal muito popular na época, A Gazeta Esportiva, deu a seguinte manchete: “Crise do Palmeiras termina em pizza”. Daí em diante o termo pegou.

DE MÃOS ABANANDO

Na época da intensa imigração no Brasil, no começo do século passado, os imigrantes tinham que ter suas próprias ferramentas. As “mãos abanando” eram um sinal de que aquele imigrante não estava disposto a trabalhar. A partir daí o termo passou a ser empregado para designar alguém que não traz nada consigo. Uma aplicação comum da expressão é quando alguém vai a uma festa de aniversário sem levar presente, por exemplo.

LÁGRIMAS DE CROCODILO

Quando dizemos que uma pessoa está chorando “lágrimas de crocodilo”, estamos querendo dizer que ela está fingindo, chorando de uma forma falsa. Tal expressão, utilizada no mundo inteiro, veio do fato de que o crocodilo, quando está devorando suas presas, faz uma pressão muito forte sobre o céu da boca e estimula suas glândulas lacrimais, dando a impressão de que o animal está chorando. Obviamente, o animal não “chora”, por isso surgiu a expressão popular.

DOURAR A PÍLULA

Antigamente, as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar o aspecto do remedinho amargo. A expressão  significa melhorar a aparência de algo.

ESTAR COM A MACACA

A origem da expressão significava que a pessoa estava possuída pelo demo. Em algumas culturas, palavras tipo demônio, capeta ou diabo são sinais de má sorte. Para atenuá-los, esses vocábulos têm sido substituídos por cão e macaca. Atualmente, a expressão caracteriza a pessoa nervosa, estressada, irritada.

ERRO CRASSO

Licínio Crasso foi membro do primeiro triunvirato romano, juntamente com Pompeu e Júlio César. Era um político medíocre, ambicioso e interesseiro (lembra alguém entre os políticos brasileiros?…). Tomou a ofensiva na Síria contra os Partos, mas foi derrotado por um erro grosseiro de estratégia militar, que lhe custou a vida. Confiante na superioridade numérica de seu exército, e disposto a estraçalhar logo o inimigo, decidiu ganhar tempo cortando caminho por um vale estreito. Os sírios então fecharam as duas únicas saídas e o exército romano foi massacrado, incluindo ele próprio. Foi a decisão mais estúpida da história militar. Daí o significado da expressão.

A lógica dos portugueses

Estive algumas vezes em Portugal e, em todas elas, sempre fui muito bem tratado. Adorei o país, as cidades que visitei, o povo… E lá descobri que as piadas que os brasileiros contam, na verdade, retratam uma lógica diferente. De fato, vivi situações nas quais o meu uso do idioma, que de fato não pode ser chamado de língua portuguesa, mas de língua “brasileira”, estava errado se comparado ao uso que o português faz, que é mais literal, cultiva um preciosismo de sintaxe.

Recebi alguns exemplos disso que falo, gentilmente enviados por Clene Salles (https://www.facebook.com/Clene.Salles) e que transcrevo abaixo. Não sei quantos desses exemplos são histórias verídicas, mas a julgar pelo que vivi, podem ser reais:

***

Um brasileiro estava em Lisboa e numa sexta-feira perguntou a um comerciante se ele fechava no sábado. O vendedor respondeu que não. No sábado, o brasileiro voltou e deu com a cara na porta.
Na segunda-feira, cobrou irritado do português:
– O senhor disse que não fechava!
O homem respondeu :
– Mas como vamos fechar se não abrimos?

***

Um jornalista hospedou-se há um mês num hotel em Évora. Na hora de abrir a água da pia se atrapalhou, pois na torneira azul estava escrito ‘F’ e na outra, preta, também ‘F’. Confuso, quis saber da camareira o porquê dos dois ‘efes’. A moça olhou-o com cara de espanto e respondeu, como quem fala com uma criança:

– Ora pois, fria e fervente.

***

Em Lisboa, a passeio, resolveu comprar uma gravata. Entrou numa loja do Chiado e, além da gravata, comprou  ainda um par de meias, duas camisas sociais, uma polo esporte, um par de luvas e um cinto. Chorou um descontinho, e pediu para fechar a conta. Viu então que o vendedor pegou um lápis e papel e se pôs a fazer contas, multiplicando, somando, tirando porcentagem de desconto, e aí intrigado, perguntou:
– O senhor não tem máquina de calcular?
– Infelizmente não trabalhamos com electrónicos, mas o senhor pode encontrar na loja justamente aqui ao lado…

 

***

O brasileiro examina o cardápio em um restaurante de Lisboa e chama o garçon para tirar uma dúvida.
– Amigo, como é que vem este Filé à Moda da Casa?
Ao que o garçon responde sem pestanejar
– Sou eu mesmo que o trago.
***

E a melhor….O casal de brasileiros entra num restaurante na rua do Diário que tem uma vista bonita para o rio e pergunta:
– Podemos sentar naquela mesa que tem a vista para o rio?
No que o garçon responde:
– Acho melhor os senhores sentarem nas cadeiras!

2-Restaurante