Interpretação de Texto – como você está nessa?

Tenho notado, e a cada dia que passa com mais frequência, a grande dificuldade das pessoas em interpretar textos. E não são apenas os jovens, não – aqueles que, segundo o entendimento comum, não conseguem ler nada mais extenso que um tuíte. Isso ocorre em todas as idades… Por isso, para ajudar com essa dificuldade, trago este post com algumas dicas.

1. Leia mais (eu sei que é clichê, então vou te dar alternativas bacanas)

Algumas pessoas mais espertas do que eu diziam o seguinte sobre leitura:

  • Quem não lê mal ouve, mal fala, mal vê. (Monteiro Lobato)
  • O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler. (Mark Twain)
  • Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como o corpo que não come. (Victor Hugo)

Se você quiser interpretar melhor, você deve ter O QUE INTERPRETAR. Sabe, não adianta ficar querendo tapar o sol com a peneira e pedir para divindades que tudo dê certo. Querer todo mundo quer. Você tem que ter seu algo a mais. Leia.

“Pô, LER MAIS? Odeio ler!”

Não, você não odeia LER. Talvez odeie ler os livros chatos que os professores da escola indicavam quando você era criança. Machado de Assis? Blergh! Olavo Bilac? Parnasiano aguado! Manuel Bandeira? Não, não, não, por favor!

Para fugir disso e melhorar sua interpretação de textos, leia o que você achar delicioso. Vou te mostrar algumas boas opções para fugir do lugar-comum.

Histórias em quadrinhos

Tem muita gente que aprendeu a ler com Turma da Mônica ou com os gibis da Disney. E soube interpretar desde cedo que o Cebolinha falava “elado” porque ele era uma criança ainda aprendendo a falar com mais dificuldades do que as outras crianças.

Sites de fofocas

Exemplo: Papel Pop: os sites de fofocas colocam duplo sentido em um milhão de textos, e isso é fantástico para você. Toda vez que você não entender alguma coisa, pergunte-se: o que será que o autor do texto quis dizer com isso? Você começa entendendo frases simples nesse tipo de site e acaba conseguindo interpretar textos em geral.  Isso é muito legal, né não?

Livros infantojuvenis com personagens maaaais ou menos infantis

Não é por acaso que Stranger Things é uma das séries originais da Netflix mais adoradas. Ela tem um ingrediente fascinante para qualquer pessoa de qualquer idade no mundo inteiro: crianças pré-adolescentes ou adolescentes enfrentando coisas mais fortes do que elas. E esse roteiro não é novo: existe em Harry Potter, Percy Jackson, Jogos Vorazes, Guerra dos Tronos (sim, lá estão o Jon, a Dany, a Arya, a Sansa, o Jofrey, o Bran…) porque todo mundo adora uma creepy child (criança esquisita), e os livros relacionados a elas são do tipo que você começa pela manhã e só termina quando chega à última página.

Letras de músicas

Você está a fim de decorar uma nova música? Pegue a letra dela, não tente decorar somente pela cantoria da pessoa. Além de treinar sua interpretação, você treinará sua memória (é mais fácil decorar uma letra entendendo o sentido dela).

2. Veja se o sentido faz sentido

Eu já ouvi um incontável número de pessoas cantando músicas que não condiziam com a letra original, trocando totalmente o sentido da coisa. Isso acontece por dois motivos simples:

  1. o som da música não permite que as pessoas entendam direito o que se fala; e
  2. ninguém interpreta o que está cantando.

Quer alguns exemplos?

O texto original fala:

Na madrugada a vitrola rolando um blues
Tocando B. B. King sem parar

Não faz sentido, em um contexto comum, rolar um blues na madrugada e trocar de biquíni sem parar ao mesmo tempo!

Outra:

O texto original fala:

Eu perguntava “Do you wanna dance?” (Você quer dançar?)

Faz sentido você estar em uma festinha, conhecer alguém e perguntar as coisas em holandês? Só na Holanda, né?

E há vááários outros exemplos! Amar a pé, amar a pé… (amar até, amar até); Ôh Macaco cidadão, macaco da civilização… (Ôh pacato cidadão); Leste, oeste solidão… (S.O.S. solidão); São tantas avenidas… (São tantas já vividas); e assim vai!

A dica que fica é: o que você interpretou não fez sentido? Então procure ENTENDER o que você ouviu! Fazendo isso, você conseguirá conectar os fatos muito melhor e até memorizar mais rápido.

Em Interpretação, as palavras não são soltas, então não as trate como se estivessem ali sozinhas. Eu vou repetir.

Em Interpretação, as palavras não são soltas, então não as trate como se estivessem ali sozinhas.

Você ouve “trocando” “de” “biquíni” “sem” “parar”. Só que, se você junta tudo isso, o troço não vai fazer sentido algum! Não trate as palavras como se elas fossem solitárias.

3. Pratique com frases de motivação

Frases de motivação são umas lindas.  Elas são ótimas professoras de interpretação. Veja os exemplos (logo abaixo, há os significados das frases, caso você ainda esteja com a interpretação em baixa):

Perfeição é uma palavra capciosa. Ela denota algo positivo, mas leva a resultados negativos. Não busque a perfeição. Busque os resultados. Seja real.

Essa frase é de George Eliot. O sr. Eliot mal saberia que muitos anos após sua morte, muitas pessoas falariam coisas como:

“Eu tenho filhos.”

“Eu tenho pais.”

“Sou muito magro.”

“Sou muito gordo.”

“Não gosto de português.”

“Nunca me dei bem em matemática.”

Todos os dias pessoas têm algum motivo sem noção para desistir (ou para não entrar em ação). A idade é um dos campeões do desculpismo.

A verdade, entretanto, é só uma: ficar na inércia é que não vai trazer resultados a ninguém.

Colonel Sanders chegou a pensar no suicídio aos 65 anos de idade. Quando começou a escrever sua carta de adeus, decidiu falar tudo o que faria diferente para que sua vida tivesse seguido o rumo que ele sempre quis. Ao invés de se matar, Sanders começou a vender sua própria receita de frango frito de porta em porta. Aos 88 anos, o fundador do Kentucky Fried Chicken (KFC), nos Estados Unidos, tornou-se um bilionário.

Basicamente: coloque a mão na massa!

Existem milhares de outras frases de motivação por aí. Faça uma por dia. E, claro, interprete cada uma delas.

4. Interprete as Coisas em sua Vida – E Reflita sobre O Que os Outros Falam

Existe um livro em inglês chamado Happy for No Reason (Feliz sem Ter Motivo), da autora Marci Shimoff. De acordo com Shimoff, existem as pessoas que não são felizes, existem as pessoas que são felizes por algum motivo (geralmente por estarem com outras pessoas) e existem as pessoas que são felizes sem ter motivo.

No primeiro caso, de acordo com a autora, as pessoas estão em um estágio de depressão profunda; no segundo caso, as pessoas estão felizes, mas, como estão felizes por um MOTIVO, esse motivo pode ser retirado delas; e no terceiro caso as pessoas são felizes apenas por ser (entretanto, poucas conseguem chegar lá).

Um dos casos em que as pessoas buscam a felicidade por um motivo (aquela que pode ser tirada delas) é o da má interpretação. A pessoa se martiriza internamente por uma frase que pegou fora de contexto, ou cria algum tipo de raiva por algo que ouviu falar por terceiros, e a infelicidade a encontra.

Por isso, interpretar o que ocorre em sua vida dentro de um contexto lógico te ajudará em muitos aspectos. Em 90% dos casos, você perceberá que não é pessoal, e isso não será problema seu. Nos outros 10% (se for pessoal), o problema também não é seu.

5. Aprenda Gramática Aplicada ao Texto, e Não Gramática Pura

Querendo ou não, interpretar textos também significa aprender a Língua Portuguesa. Saber qual é o sujeito, qual é o advérbio, qual é o objeto indireto poderá te salvar de várias situações ruins.

O lance é que a gramática pura (por si só) não te ajudará em basicamente nada se você não conseguir aplicá-la. E aprender gramática consiste no seguinte:

Certo? Depois de muito treino, você estará com a preparação em nível avançado na interpretação de textos.

Que vai lhe servir em concursos, em provas de recuperação, em vestibulares e… pra não passar vergonha nas redes sociais e na vida em comum!

 

 

 

 

 

Fonte:

esquemaria.com.br  – Carol Alvarenga

Palavras que nossos avós usavam – e não usamos mais

O sacripanta deu um tabefe na sirigaita enquanto o janota armava o maior quiprocó

Não é só uma questão de gírias. Nem de modismos. Algumas palavras da nossa língua simplesmente deixaram de ser usadas com o passar das décadas, e expressões comuns nos tempos dos nossos avós, ou mesmo dos nossos pais, são completamente desconhecidas pelas novas gerações.

Com o tempo, novas palavras vão surgindo, assim como novos significados para palavras antigas, o que acaba deixando nosso idioma com algumas diferenças entre épocas. E palavras, tão coloquiais há alguns anos, foram engavetadas e esquecidas.

Só pra citar alguns exemplos, e os seus significados:

  • Tabefe (tapa, bofetada)
  • Sacripanta (patife, pilantra)
  • Basbaque (pessoa ingênua, simplório, tolo)
  • Chumbrega (de má qualidade, ordinário)
  • Sirigaita (mulher espevitada, pretensiosa)
  • Alcunha (apelido, codinome)
  • Janota (pessoa bem vestida)
  • Petiz (criança)
  • Pachorra (calma excessiva, paciência)
  • Garrucha (espingarda, bacamarte)
  • Quiprocó (confusão, balbúrdia)
  • Balela (mentira, conversa fiada)
  • Fuzarca (bagunça)
  • Supimpa (excelente, muito bom)
  • Alpendre (varanda coberta)
  • Bidu (pessoa que adivinha as coisas)
  • Bulhufas (coisa nenhuma, nada)
  • Radiola (aparelho de som, rádio com vitrola)
  • Vitrola (toca-discos)
  • Gorar (não dar certo)
  • Lorota (mentira)
  • Cacareco (coisa velha, objeto sem valor)

E, como falei de gírias um pouco acima, vou relembrar algumas expressões usadas em décadas passadas, e que – assim como essas palavras – também caíram em desuso, substituídas por outros modismos. Afinal, “crush”, “suave na nave”, “de boa” fazem parte do vocabulário de hoje, e também mudarão com o passar do tempo, ganhando novos significados, ou serão simplesmente esquecidas.

Anos 40

Moça na Praia de Copacabana em 1947 (Foto: Kurt Klagsbrunn)

Balangandans: acessórios como brincos, pulseiras e anéis usados em exagero.
Brotinho: Garota bonita
Coqueluche: Febre do momento
Fuzarca: confusão, alvoroço

Anos 50

Jovens misses no Miss Brasil em 1958 (Foto: Reprodução)

Bafafá/ Fuzuê: Confusão
Barbeiro: mau motorista
Chá de cadeira: espera demorada

Anos 60

Jovens atrizes brasileiras em 1968 na ‘Passeata dos Cem Mil’ (Foto: Reprodução)

Carango: carro
Bicho: cara, amigo
Bulhufas: nada
Calhambeque: carro velho
Duvi-de-o-dó: duvidar de algo.
É uma brasa, mora!: Como se fosse algo do tipo: É muito legal, saca?
Esticada: passar por vários restaurantes e bares noturnos
Lelé da cuca: louco, desequilibrado
Morou?: entendeu?
Pão: homem bonito
Papo firme: sério, real, verdadeiro
Patota: turma de amigos
Prafrentex: avançado, moderno
Sebo nas canelas: apresse-se, vamos rápido

Anos 70

Roberto Carlos nos anos 70 (Foto: Reprodução)

Tutu: dinheiro
Bidu: pessoa esperta
Grilado: desconfiado, em dúvida
Maior barato: legal, sensação boa
Pagar sapão: se dar mal
Pra lá de Marrakech: drogada, chapado, bêbado
Russo: situação ruim, difícil
Pisante: calçado

Anos 80

Visual da banda Ultrage a Rigor nos anos 80 (Foto: Reprodução)

Bode: mau humor, cara amarrada
Caroço: gente chata, enjoada
Maneiro: muito bacana
Numa nice: numa boa
Tá crowd: tá lotado
Tomou doril: sumiu
Viajar na maionese: falar coisas absurdas, entrar em contradição
Zura: pão duro
Pistoleiro/a: pessoa interesseira
Massa: bom, ótimo, legal

Anos 90

Mamonas Assassinas, o grupo que fez muito sucesso nos anos 90 (Foto: Reprodução)

Antenado: informado, ligado em tudo
Azaração: pegação, namorico
Mauricinho: rapaz rico e mimado, que geralmente depende dos pais
Pagar mico: passar vexame
Patricinha: moça rica e mimada, que geralmente depende dos pais.
De lei: é assim
Descolar: arranjar, conseguir
Gato/a: homem/mulher bonito/a
Perua: mulher muito arrumada, com ares de madame
Pintar: aparecer

O engraçado é que acabo de descobrir que uso palavras ou gírias de quase todas as décadas, ahahaha! E você, conhece mais alguma que não entrou? Comente.

ATUALIZAÇÃO

Duas que esqueci, enviadas pela Mara Andrade: “tá ligado”; “cola aqui”.

Fontes:
Veja SP Por Roosevelt Garcia
universoretro.com.br https://universoretro.com.br/veja-algumas-das-girias-mais-utilizadas-nas-decadas-passadas/

Gírias antigas e o que significam

Gírias são palavras criadas para serem usadas como sinônimos mais populares para palavras já existentes. Cada década teve suas gírias mais marcantes e que hoje perderam o sentido. Afinal, com as redes sociais, praticamente a cada dia surge uma gíria nova…

O que eu acho legal, no uso da gíria, é a transgressão – as pessoas transgridem a norma “culta” pra se comunicarem de forma mais eficiente. E, claro, há o fato do modismo, e se a pessoa não usa, não se insere no meio. “Lacrar”, por exemplo.

A nossa língua, aliás, acho que qualquer língua, é viva e é influenciada pelo ambiente, pelos costumes, por aquilo que vem de fora. A norma padrão demora mais para se modificar, mas isto não quer dizer que ficará sempre igual. Só acho difícil ela assimilar os padrões da internet, com suas abreviações tipo “kd”… Duvido que um juiz vá colocar na sua sentença o “vc”…

Quer saber um pouco sobre as gírias antigas, muito antes das redes sociais? Vou replicar aqui o resumo de uma matéria e pesquisa muito legais da Thaís Stein, bacharel em Publicidade e Propaganda, e que foi publicada no http://www.dicionariopopular.com.

Quando alguma coisa é muito boa!

Bafafá

É o mesmo que confusão ou bagunça.

Barbeiro

É um motorista ruim, que não sabe dirigir direito.

Chá de cadeira

Tomar um chá de cadeira é o mesmo que ter que ficar esperando por muito tempo.

De lascar o cano

É o mesmo que dizer que algo é muito ruim.

Quando uma coisa é muito antiga… como esta gíria.

Boa pinta

É o mesmo que dizer que a pessoa é bonita, de boa aparência.

Broto

É o mesmo que garota bonita.

Bulhufas

Significa o mesmo que nada, coisa nenhuma.

Cafona

Uma coisa cafona é algo fora de moda, brega.

Significa que algo ou alguém é de se admirar. Foi popularizada pelo Roberto Carlos nos anos 1960. “Ele era uma brasa, mora!”

Fogo na roupa

É o mesmo que uma situação ou pessoa complicada.

Lelé da cuca

Uma pessoa lelé da cuca é alguém doido, maluco.

Da mesma forma que você diria “porra”

Chacrinha

É o mesmo que conversa fiada, sem objetivo.

Chato de galocha

Significa uma pessoa muito chata, insuportável. (conheço muitas…)

Entrar pelo cano

Significa se dar mal.

Grilado

É o mesmo que estar desconfiado de alguma coisa.

Patota

Uma patota é uma turma de amigos.

Da mesma forma que você diria “foda, isso aí”

Bode

Ficar de bode é o mesmo que estar de mau humor.

Viajar na maionese

É o mesmo que ficar imaginando coisas absurdas.

Pentelho

Significa o mesmo que pessoa muito chata, irritante. (tenho um sobrinho muito pentelho… e quem não tem?)

Antenado

Uma pessoa antenada é alguém que está por dentro das coisas, que entende.

Quando alguma coisa ou ideia sugerida está completamente errada

Azarar

É o mesmo que flertar.

Baranga

Significa “mulher feia”.

Bolado

É o mesmo que estar chateado ou bravo.

Bem, eu sei que tem muito mais, e se você se lembrar de algumas interessantes e divertidas, pode me mandar pelos comentários. Mas, atenção:

PALÍNDROMO

Palíndromos
Um palíndromo é uma palavra ou frase que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, da esquerda para a direita e ao contrário.

Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. Acontece o mesmo nas frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso da  conhecida:

SOCORRAM-ME, SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS.

Diante do interesse pelo assunto (confesse, você leu a frase acima de trás pra frente), vejam alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões… 
 
ANOTARAM A DATA DA MARATONA

ASSIM A AIA IA A MISSA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A DROGA DA GORDA 

A MALA NADA NA LAMA

A TORRE DA DERROTA

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO 

RIR, O BREVE VERBO RIR

A CARA RAJADA DA JARARACA

SAÍRAM O TIO E OITO MARIAS

ZÉ DE LIMA, RUA LAURA MIL E DEZ 

E, é claro, O TRECO CERTO…    


  

Tropeçando na língua portuguesa?

Por que será que a gente nunca tem certeza dos porquês do uso dessa expressão? A língua portuguesa não é fácil (eu já comentei sobre isso neste post), mas também não é o fim do mundo.

Ortografia, cujo significado é escrever direito, é um dos assuntos mais temidos pelos jovens  em virtude do número de regras existentes. É difícil memorizar todas, pois não leem muito nem escrevem sistematicamente, dois dos principais segredos para aprender a escrever as palavras adequadamente.

Quem tem o hábito de realizar boas leituras e de escrever ao menos um texto por semana aprende com mais facilidade a arte de escrever corretamente, se aliar a isso consultas constantes a dicionários de boa qualidade.

Mas concordo que o nosso idioma tem muitas “pegadinhas”. Veja só:

Por que, porque, por quê ou porquê:

Forma Quando usar Exemplo
Por que Nas perguntas ou quando estiverem presentes (mesmo que não explícitas) as palavras “razão” e “motivo”. Por que você não aceitou o convite?

Todos sabem por que motivo ele recusou a proposta. Ela contou por que (motivo, razão) estava magoada.

Por quê Nos finais de frases. Por quê? Você sabe bem por quê.
Porque Quando corresponder a uma explicação ou a uma causa. “Não, Bentinho; digo isto porque é realmente assim, creio…” (M. Assis, Dom Casmurro). Comprei este sapato porque é mais barato.
Porquê Quando é substantivado e substitui “motivo” ou “razão”. Não sabemos o porquê de ela ter agido assim. É uma menina cheia de porquês.
Gerundismo

zumbis-gerundistas

O gerúndio expressa uma ação que está em curso ou que ocorre simultaneamente ou, ainda, que remete a uma ideia de progressão. Sua forma nominal é derivada do radical do verbo acrescida da vogal temática e da desinência -ndo.  Exemplos: comendo; partindo.

Veja, a seguir, o uso do gerúndio na prática:

E a lama desceu pelo morro, destruindo tudo que encontrava pela frente.

Depois de vários dias chuvosos o sol despontou, alegrando o coração de todos.

Rindo, ele se lembrava com saudades dos dias felizes que tivera.

Abrindo o laptop, começou a escrever.

Como vimos nos exemplos, o gerúndio pode ser empregado de diferentes maneiras em nossa língua sem que tenhamos praticado nenhuma heresia.

Já com o gerundismo é outra história. Nesse caso, trata-se do uso inadequado do gerúndio. Um vício de linguagem que se alastrou de modo tão corriqueiro e insistente que até já virou piada.

Então, se você usa expressões como: “Vou estar pesquisando seu caso.” “Vou estar completando sua ligação”, mude imediatamente sua fala para: “Vou pesquisar seu caso.” “Vou completar sua ligação.” Note que, nos dois casos, a ideia temporal a ser transmitida é a de futuro e não de presente em curso.

Quando usar “ç”

“Uma das intenções da casa de detenção é levar os que cometeram graves infrações a alcançar a introspecção, por intermédio da reeducação.”

Nessa frase, há seis palavras escritas com Ç: intenções, detenção, infrações, alcançar, introspecção e reeducação. As regras quanto ao uso do Ç são as seguintes:

1- Usa-se Ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em -TO, -TOR e -TIVO. Por exemplo:

Canto – canção / Ereto – ereção

Infrator – infração / Setor – seção

Relativo – relação / Intuitivo – intuição

*Três palavras da frase apresentada obedecem a essa regra:

Intento – intenção

Infrator – infração

Introspectivo – introspecção

2- Usa-se Ç em substantivos terminados em -TENÇÃO derivados de verbos terminados em -TER:

Conter – contenção

Reter – retenção

Deter – detenção

3- Usa-se Ç em verbos terminados em -ÇAR cujo substantivo equivalente seja terminado em -CE ou em -ÇO:

Lance – lançar

Desenlace – desenlaçar

Abraço – abraçar

Endereço – endereçar

Almoço – almoçar

Uma palavra da frase apresentada obedece a essa regra:

Alcance – alcançar

4- Usa-se Ç em substantivos terminados em -ÇÃO derivados de verbos de que se retirou a letra R:

Exportar – exportação

Abdicar – abdicação

Abreviar – abreviação

*Uma palavra da frase apresentada obedece a essa regra:

Educar – educação.

Crase:

A palavra crase é de origem grega e significa fusão, mistura. Em gramática, basicamente a crase se refere à fusão da preposição a com o artigo feminino a: Vou à escola. O verbo ir rege a preposição a, que se funde com o artigo exigido pelo substantivo feminino escola: Vou à (a+a) escola.

No caso de ir a algum lugar e voltar de algum lugar, usa-se crase quando: “Vou à Bolívia. Volto da Bolívia”. Não se usa crase quando: “Vou a São Paulo. Volto de São Paulo”. Ou seja, se você vai a e volta da, crase há. Se você vai a e volta de, crase pra quê?

É erro colocar acento grave antes de palavras que não admitam o artigo feminino a, como verbos, a maior parte dos pronomes e as palavras masculinas.

A tabela resume os principais casos em que a crase deve (ou não) ser utilizada:

 

É preciso paciência. Só aprende a escrever adequadamente quem treina sistematicamente.

 

 

 

Fonte:

UOL Educação

UOL Vestibular

O Novo dicionário simplificado da língua portuguesa

O significado das palavras muitas vezes nos engana, porque a mesma palavra pode justamente ter vários significados. Esse é o caso dos “homônimos”. São palavras que possuem a mesma pronúncia, mas significados diferentes.

Alguns exemplos:

cela (pequeno quarto) sela (forma do verbo selar; arreio)
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
cético (descrente) séptico (que causa infecção)
cerração (nevoeiro) serração (ato de serrar)
cerrar (fechar) serrar (cortar)
cervo (veado) servo (criado)
chá (bebida) xá (antigo soberano do Irã)

Mas “homônimo” ainda pode ser o Homônimo Perfeito. São palavras com a mesma grafia e o mesmo som. Por exemplo:

Eu cedo este lugar para a professora. (cedo = verbo)

Cheguei cedo para a entrevista. (cedo = advérbio de tempo)

Mas ainda não acabou, meu caro! Temos ainda a subclasse dos “homônimos”, que são as palavras “homógrafas”! São aquelas  que possuem a mesma escrita (grafia), mas a pronúncia e o significado são sempre diferentes. Veja:

almoço (substantivo, nome da refeição)
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

gosto (substantivo)
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

E eu estou só no capítulo das palavras com a mesma grafia…

Mas,, pense bem como tudo seria mais simples se existisse “uma compilação de palavras ou dos termos próprios, ou ainda de vocábulos de uma língua, quase sempre dispostos por ordem alfabética e com a respectiva significação”… Ei, mas isso é a definição de dicionário. Então, vou completar meu raciocínio: como seria bom se existisse um dicionário simplificado da língua portuguesa e que, à primeira olhada, a gente já compreendesse o significado das palavras, e sem nada desse negócio de homônimos, homófonas e sei lá mais o quê!

Bem, minha amiga Clene Salles deu o pontapé inicial e já começamos a pensar nisso. Então, dou por lançado o NOVO DICIONÁRIO SIMPLIFICADO, que vai resolver todos os seus problemas com o querido idioma-pátrio:

ABISMADO – pessoa que caiu no abismo.

ABREVIATURA – ato de se abrir um carro.

AÇUCAREIRO – revendedor de açúcar que vende acima da tabela

ALOPATIA – dar um telefonema à tia.

AMADOR – o mesmo que masoquista.

ARMARINHO – vento proveniente do mar.

BARGANHAR – receber botequim de herança.

BARRACÃO – proibir a entrada de cachorro.

CAIXA – chá que caiu no chão.

CAMINHÃO – estrada muito longa.

CANGURU – líder espiritual dos cães.

CATÁLOGO – ato de pegar coisas rapidamente.

COMBUSTÃO – mulher peituda.

CONVENTO – lugar arejado.

DEMOCRACIA – sistema político do inferno.

DESBOTAR – quando a galinha bota dez ovos.

DESDENTADAS – o mesmo que dez mordidas.

DESTILADO – aquilo que não está do lado de lá.

DETERGENTE – ato de se prender indivíduos.

EDIFÍCIO – contrário de “é fácil”.

EFICIÊNCIA – ciência que estuda a letra “F”.

ESFERA – animal selvagem domesticado.

ESPERTO – o mesmo que distante.

EVENTO – constatação de que é vento e não um furacão.

FLUXOGRAMA – direção em que cresce o capim.

GENITÁLIA – gene de quem nasce na Itália.

HALOGÊNIO – forma de cumprimentar pessoas superinteligentes.

KARMA – expressão usada para evitar o pânico.

LEILÃO – mulher chamada Leila com mais de 2 metros de altura.

MAMADEIRA – lenhador gago anunciando a árvore caindo.

MISSÃO – missa comprida.

OLIMPO – homem com mania de limpeza.

PSICOPATA – veterinário especialista em doenças mentais na fêmea do pato

PRESSUPOR – colocar preço em alguma coisa.

QUARTZO – partze de um apartamentzo.

SIMPATIA – quando se concorda com a tia.

SOLUÇÃO – forte soluço.

TABELA – sinônimo de “estar bonita”.

TALENTO – característica de quem não está rápido.

UNÇÃO – erro de concordância: o certo é “um é”.

VIDENTE – dentista falando sobre o seu trabalho.

VOLÁTIL – avisando ao tio que já vai.

XIITA – a macaca do Tarzan.

ZOOLÓGICO – reunião de animais racionais.

ZUNZUM – na fórmula 1, momento em que o espectador percebe que os 2 líderes da prova acabaram de passar.

 

Caso tenha alguma contribuição, por favor nos envie que atualizaremos. Este é um serviço de utilidade pública, afinal!

Essa língua portuguesa…

“Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.” 

Minha pátria é a língua portuguesa, Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (um dos heterônimos de Fernando Pessoa).

O português é um dos idiomas mais difíceis do mundo, dizem os brasileiros. Com as novas regras de ortografia, ele parece ter se tornado ainda mais complexo. Mas, na verdade, segundo os especialistas, nenhum idioma é difícil de aprender se a pessoa se dedicar a ele e estudá-lo sempre, assumindo o papel de eterno aprendiz. E, para se dedicar com mais afinco, a motivação é fundamental.

Mas, de fato, há alguns detalhes no aprendizado do português (no Brasil) que dificultam as coisas. Por exemplo, os pronomes pessoais tu e vós não ganham destaque nas aulas. São estudados eu, você/ele/a gente, nós e vocês/eles. Outro exemplo – mas que serve para todos os idiomas – são as expressões idiomáticas, que causam confusão: “ter as costas quentes”, “chutar o balde”…

Talvez as maiores armadilhas, porém, estejam em nosso vocabulário traiçoeiro, onde palavras têm significados diferentes. É o caso de “meia”.

                                                                                                                                                                                        Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia?

Na recepção de um salão de convenções, em Fortaleza

– Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
– Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
– Sou de Maputo, Moçambique.
– Da África, né?
– Sim, sim, da África.
– Aqui está cheio de africanos, vindos de toda parte do mundo. O mundo está cheio de africanos.
– É verdade. Mas se pensar bem, veremos que todos somos africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade…
– Certo… Bem, tem uma palestra agora na sala meia oito.
– Desculpe, qual sala?
Meia oito.
– Podes escrever?
– Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68.
– Ah, entendi, meia é seis.
– Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação: a organização do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
– Quanto tenho que pagar?
– Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam meia.
– Hmmm! que bom. Aí está: seis* reais.
– Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
– Pago meia? Só cinco? Meia é cinco?
– Isso, meia é cinco.
– Pois, meia é cinco.
– Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
– Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
– Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia.
– Pensei que fosse às 9:05, pois meia não é cinco? Você pode escrever aqui a hora que começa?
– Nove e meia, assim, veja: 9:30
– Ah, entendi, meia é trinta.
– Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa senhor, tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?
– Sim, já estou na casa de um amigo.
– Em que bairro?
– No Trinta Bocas.
Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
– Isso mesmo, no bairro Meia Boca.
– Não é meia boca, é um bairro nobre.
– Então deve ser cinco bocas.
– Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
– Acabou?
– Não. Senhor, é proibido entrar no evento de sandálias. Coloque uma meia e um sapato…
 
O turista enfartou…