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A revolta de uma cidade

A revista americana Newsweek já foi a de maior circulação semanal no mundo, quando vendia mais de 4 milhões de exemplares por edição. Em 2013, quando as vendas despencaram, ela passou a ser apenas digital, mas voltou às bancas um ano depois. Hoje, sua edição digital convive com a versão impressa em tiragens mais modestas, em torno de 100 mil exemplares.

Mas continua com muito prestígio e produzindo reportagens de impacto. Como quando publicou uma série de reportagens sobre as cidades americanas que estão “moribundas” por causa da recente recessão no país. Cidades que, segundo a reportagem, pararam de crescer, estão sem oportunidades de emprego e/ou lazer e inclusive sofreram evasão dos residentes. Uma das cidades citadas foi Grand Rapids, no Michigan.

Michigan fica lá em cima, na fronteira com o Canadá, à beira dos Grandes Lagos. Segundo a revista, em 2000 sua população era de mais de 200 mil habitantes, e em dez anos encolheu cerca de 10%. O motivo foi o desemprego em função da crise da indústria automobilística americana, cuja sede fica em Detroit, a maior cidade do estado – e também da crise na indústria de móveis, que é a base da economia local. O ator Taylor Lautner (de Crepúsculo) é de Grand Rapids, assim como o vocalista Anthony Kiedis, da banda de rock Red Hot Chilli Peppers.

Taylor Lautner
Anthony Kiedis

A reportagem, como era de se esperar, despertou a ira da população, que respondeu rápido. Cerca de 5.000 pessoas se mobilizaram para gravar um clipe em resposta, mostrando seu amor pela cidade. O clipe custou mais de 40 mil dólares e foi patrocinado por 20 empresas locais.

A população mostrou a paixão e a energia dos que vivem em Grand Rapids e gravou um Lipdub. LipDub é um tipo de vídeo que combina sincronização labial e dublagem de áudio para produzir um videoclipe musical. É habitualmente produzido filmando grupos de pessoas que fazem sincronização labial ao som de um aparelho móvel de reprodução musical. No caso, a música escolhida foi “American Pie”, do americano Don McLean.

A letra da música, lançada em 1971, fala de eventos sobre música e comportamento que têm muito significado para os americanos, como por exemplo o final do movimento hippie ou a morte de John Kennedy, tida como símbolo da inocência perdida da geração de 1960. A música também foi tema da comédia “American Pie”, que se passa numa cidade com as características de Grand Rapids, onde o roteirista do filme viveu parte de sua vida.


Acho que o ponto principal de tudo isso é a lição de esperança que a população da cidade nos deu. Ninguém negou a recessão, o desemprego, as dificuldades que passam. Mas o vídeo mostra que as pessoas estão dispostas a lutar, a se divertir e a valorizar o local onde vivem e trabalham. Preservando a memória, a natureza e resgatando sua cidadania.
Porque eles sabem que assim serão mais fortes, como comunidade e como indivíduos.

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Fotos de antigas celebridades

Outro dia mesmo estava conversando com minha grande amiga Clene Salles sobre fotos antigas e sobre o que postei aqui há algumas semanas (https://otrecocerto.wordpress.com/2013/08/19/o-museu-da-getty-images-libera-imagens-historicas/). A arte da fotografia é uma das que mais admiro, assim como as pessoas capazes de levarem essa arte a pontos mais altos – e conheço alguns amigos fotógrafos que fazem isso.

Mas a fotografia não é apenas arte, é também uma poderosa ferramenta pela qual podemos registrar a história. Seja a nossa história pessoal e a de nossos familiares e contemporâneos, seja a história da humanidade. Momentos e pessoas são eternizados e mostram, para gerações futuras, que o homem tem um passado, que os eventos têm raízes. E se o passado é imutável, pelo menos podemos aprender com ele, se formos inteligentes.

Gosto muito de poder desfrutar dessa janela para  o passado, como curiosidade, como oportunidade de analisar roupas, costumes, veículos… E, cada vez que olho para trás, percebo mais e mais que nós não mudamos, que o homem é sempre o mesmo. Mudam as modas, mudam os carros e os aviões, mudam alguns costumes, mas o homem, em sua essência, é sempre o mesmo.

Por exemplo, o homem sempre teve curiosidade pelas celebridades.

Segundo artigos sobre psicologia, as celebridades simbolizam os nossos desejos ocultos para a riqueza, fama, a imortalidade,  beleza … De fato, quando acompanhamos suas vidas estamos reforçando o desejo de que um dia as nossas vidas também possam ter o brilho e o destaque que as celebridades alcançaram. Elas podem também se tornar uma opção de fuga, de nós mesmos ou de uma realidade que não nos agrada. E esse culto às pessoas famosas vem desde sempre… Os exemplos abaixo atestam isso, em diferentes épocas:

Alfred Tennyson – famoso poeta inglês da era vitoriana, uma de suas obras mais conhecidas trata do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. A foto abaixo é de 1866.

Alfred, Lord Tennyson

Ulysses S. Grant, político e militar americano, general dos exércitos nortistas durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. Foto dele, sentado e de barba, com a família, em 1870.

Ulysses Grant & his family, 1870.

Bela Lugosi, o ator húngaro que foi o mais famoso Drácula do cinema, aos 18 anos. Foto tirada em 1900.

Bela Lugosi en 1900, a los 18 años

Jesse James foi o mais famoso pistoleiro e ladrão de bancos do Oeste americano e se tornou uma lenda. Na foto, de 1872, ele está com o irmão Frank (à direita), também membro de sua gangue.

File:Jesse and Frank James.gif

John Kennedy aos 25 anos, como tenente da Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial. O barco de patrulha que ele comandava foi atingido por um torpedo e ele ajudou os tripulantes a chegarem a uma ilha, onde foram resgatados. Esse fato lhe rendeu muita popularidade e, depois da guerra, a fama de herói o ajudou a ingressar na política.

Lt. John F. Kennedy, U.S.N., 1942

Carole Lombard numa foto dos anos 1930, no auge de sua popularidade como atriz de cinema em Hollywood. Ela foi uma das maiores estrelas de cinema na primeira metade do século XX.

Carole Lombard, 1930’s

Lauren Bacall e Humphrey Bogart em 1944, nos estúdios da Warner Bros. Eles equivaliam, em popularidade, ao casal Angelina Jolie e Brad Pitt de hoje em dia. Na época, o culto às celebridades já estava estabelecido há mais de duas décadas, e o casal vivia cercado de fotógrafos por onde quer que passassem.

How great is this?! “Miss Bacall” and Humphrey Bogart.

Bonnie Parker em 1933, poucos meses antes de ser morta pela polícia ao lado de seu marido, Clyde Barrow. Na época da foto, Bonnie e Clyde eram cultuados como heróis pela população assolada pela Grande Depressão nos Estados Unidos, porque roubavam bancos e sempre conseguiam escapar da polícia. Ela seria uma espécie de “Robin Hood de saias”, segundo o mito construído em torno dela, embora não se saiba de uma única vez em que ela tenha dado aos pobres o produto de seus roubos.

Bonnie  in a photo found by police at the Joplin, Missouri hideout.

 A foto a seguir é cheia de controvérsias. Datada supostamente de 1849, mostra Edgar Allan Poe, um dos maiores escritores de todos os tempos, ao lado de Abraham Lincoln, que seria eleito anos mais tarde presidente dos Estados Unidos. Embora Lincoln fosse fã dos livros de Poe e ambos tivessem a mesma idade, eles nunca teriam se encontrado – e esta foto seria então uma montagem. Até hoje, porém, não se comprovou nem essa teoria e nem que a foto seja verdadeira.

Edgar Allan Poe poses with Abraham Lincoln in Mathew Brady’s Washington, D.C. studio- February 4th, 1849.  WAT

E, para finalizar, a celebridade que foi talvez a mais fotografada no século XX, Marilyn Monroe. Nesta foto, de 1955, ela está chegando ao Actor’s Studio em Nova York, onde estudou durante um ano, numa tentativa de melhorar suas habilidades de interpretação e calar a boca de seus críticos. Segundo eles, MM era apenas um rostinho bonito, o protótipo da “loura burra” do cinema.

Great shot of Marilyn.. Not the usual boring poses..