Barão de Itararé — dois em um, o humorista e o personagem

Em 1926, no dia 13 de maio, o Barão de Itararé lançava A Manha, que era a caricatura dos jornais da época e, por tabela, da própria época. Esse tipo de jornalismo nunca fora feito em lugar nenhum. Só surgiu em grande escala muito mais tarde, nos Estados Unidos, no Mad de Harvey Kurtzman e no National Lampoon.

“Se fosse possível, eu retirava tudo o que disse”, o Barão de Itararé afirmou, em 1965. Pode ser apenas mais uma provocação, mas é bom ver um homem que foi em cana mais de uma vez pelo que disse negar a própria importância, ao setenta anos, quando estava fora de perigo. São atitudes como essa, mais do que a obra, que mantêm o encanto desse nobre que se auto-atribuiu o título em honra pela bravura demonstrada no campo de uma batalha que não houve.

LOCAL DESCONHECIDO, 16-04-1958: O jornalista e escritor Barão de Itararé, durante entrevista ao jornal “Última Hora”. (Foto: Acervo UH/Folhapress)

Fernando Apparício de Brinkerhoff Torelly, nome digno de um barão, nasceu em 29 de janeiro de 1895, numa diligência a caminho da fazenda do avô, no Uruguai. Não se sabe exatamente onde. O que importa é que o futuro jornalista, poeta, matemático, cientista, político e Marechal-almirante e Brigadeiro do Ar Comprimido gostou do mundo: havia sol e cigarras.

Aos dois anos, perdeu a mãe. Foi criado no Uruguai, pelas tias, na fazenda do avô. Aos sete, voltou para Rio Grande, para morar com o pai, João da Silva Torelly, que o botou no mau caminho. Era homem violento, maragato doente. Odiava tanto os chimangos que não permitia ao filho nem cumprimentar um amanuense, para ficarmos no mais baixo dos funcionários do governo. “Meu pai era mais louco que eu”, Apparício Torelly dizia.

A revista MAD, norte-americana de humor satírico, foi fundada pelo empresário William Gaines e pelo editor Harvey Kurtzman em 1952. A revista satiriza todos os aspectos da cultura popular americana, bem na linha do que fazia nosso Barão.

Entre 1905 e 1911, Apparício esteve no internato Nossa Senhora da Conceição, dos jesuítas alemães, em São Leopoldo. Não estudava muito, mas prestava atenção às aulas e tinha boa memória. Em 1909, lançou seu primeiro jornal, O Capim Seco. Era inteiramente escrito à mão. Era clandestino e satírico. Primeiro jornal, primeiro problema com as autoridades: toda a tiragem de um exemplar foi apreendida. É que a matéria de capa era uma gozação com o padre-reitor.

No colégio, Apparício fazia teatro, imitando os alemães da colônia para eles mesmos. Também se dedicou à música: cantou no coro e tocou flauta, trompa e trombone. No esporte, o futebol. Seu time foi campeão no ginásio e chegou a vencer uma formação do Grêmio de Porto Alegre.

Quando deixou o colégio, foi para Porto Alegre. Queria fazer Direito, mas o pai aconselhou Medicina: “Meu filho, para que um advogado tenha boa clientela, é preciso muito talento. A um médico basta assinar receitas e atestados de óbito”.

A National Lampoon, também norte-americana, foi criada em 1970 e circulou até 1988, e seu diferencial quanto à MAD era seu humor negro e propositalmente controverso.

A passagem de Apparício Torelly pela faculdade tem inúmeras histórias de irreverência. Quase todas lendas, algumas espalhadas pelo próprio Torelly. Até 1918, estudou Medicina, ou melhor, leu os livros e confiou na memória. Quase não ia às aulas. Preferia frequentar o Clube dos Caçadores, uma mistura de cabaré e casa de jogo, mesmo andando sempre na pindaíba. Ao pai de uma namorada, que o acusou de não ter futuro, disse que futuro ele tinha, o que não tinha era presente.

Colaborava no jornal Última Hora, de Porto Alegre. Colaborava também em revistas pequenas, como KodakA Máscara. Os poemas escritos nesse tempo foram reunidos no volume Pontas de Cigarro, de 1916. Os “versos diversos” não eram sobre as angústias da adolescência, fase que, mais tarde, o autor definiria como a época em que o garoto pensa que não será tão cretino como o pai. Eram sátiras sobre a falta de grana, doença causada pelo micróbio da pindaíba, o conhecido “ariadocócus promptíferus pindahibensis”.

Em 1917, fundou dois semanários de humor: O Chico e O Maneca. No ano seguinte, abandonou a Medicina. Começava um período que chamou de maragateada: viagens pelo interior, em campanhas pelas suas ideias. Fundava e afundava jornais, além de dar conferências em teatros e cinemas. Digamos conferências, mas o certo é que o homem discursava, cantava e dançava.

O Barão continua famoso, até hoje, pelas suas frases curtas e hilariantes.

Para se ter uma ideia, deixemos o futuro barão lembrar uma performance em Bagé, frente à melhor sociedade, quando se fingiu engasgado: “Depois de dizer que quisera ter o dom da oratória, que quisera ser um Demóstenes, gaguejando, vi que a plateia estava aflita. As mulheres se abanavam, apertadas em espartilhos. E eu dava a impressão de que não podia dizer nada, que não conseguiria dizer absolutamente nada. Eu… eu… quisera, quisera… Quando todos pareciam explodir de nervosos, eu cantei: ‘Eu quisera ser a rola, a rolinha do sertão/ pra poder fazer um ninho, na palma da sua mão”.

Em 1925, por causa de uma crise de hemiplegia, foi aconselhado pelo médico a procurar um clima quente. Assim “tomei um Ita no sul”. Chegou ao Rio de Janeiro com cem contos de réis, que logo tratou de perder no jogo, tendo de ir procurar emprego. Acabou no jornal O Globo, assinando como Apporelly, nome que mais tarde simplificou para A por L.

Ainda nesse ano, escreveu um drama humorístico chamado A facada e trocou O Globo pelo A Manhã, onde tinha uma coluna: “Amanhã tem mais”. Não teve por muito tempo. Foi posto na rua. Em 1926, como vingança, fundou A Manha.

A redação era na rua 13 de Maio. O primeiro exemplar saiu no dia 13 de maio. No expediente se lia: rua 13 do corrente. Lia-se também não ter expediente, porque um jornal sério não vive de expedientes. Era um órgão de ataque… de risos. Saía às quintas-feiras, por isso se chamava um vibrante quinta ferino. Mas às vezes saía às sextas, porque uma grande folha não podia ficar presa à folhinha. No seu primeiro ano, A Manha fechou as contas com um lucro de dez mil contos de réis.

A Manha se especializou em publicar asneiras atribuídas a políticos, apenas parodiando seus nomes. Levou isso tão longe que logo o jornal era o “órgão oficial” do governo, já que o Diário Oficial não elogiava o presidente Washington Luís o suficiente. É pouco? O próprio presidente, assinando-se Vaz Antão Luís, se tornou colunista, ou melhor, era um colunista que acumulava as funções de presidente. A Manha tencionava desempenhar condignamente “sua árdua missão, com a graça de Deus e de outros ilustres colaboradores”.

Em 1929, Assis Chateaubriand o convidou para publicar A Manha como encarte do Diário da Noite, que seria o órgão oficial da Aliança Liberal, partido de Getúlio Vargas. Nas quintas-feiras, quando saía o encarte, a tiragem do Diário da Noite aumentava drasticamente. Chegou a 125 mil, quando Getúlio anunciou o programa da Aliança Liberal, na Esplanada do Castelo.

Em 1930, A Manha se desligou do Diário da Noite. Em outubro, Getúlio tomou o poder. Nessa época de incertezas diárias, Apporelly deu uma das manchetes mais famosas do jornalismo brasileiro: HAJA O QUE HOUVER, ACONTEÇA O QUE ACONTECER, ESTAREMOS COM O VENCEDOR. E com grande senso de oportunidade, o diretor d’A Manha se fez barão poderoso, que gostava de se ver “rodeado de cupinchas e aderentes, ostentando no peito as mais variadas condecorações”, que iam desde “artísticas tampinhas de cervejas nacionais, até fichas lavradas de companhias de ônibus e de cassinos clandestinos”. Esse personagem se tornou tão vivo que suplantou Apporelly, que às vezes se referia ele na terceira pessoa, às vezes na primeira, na mesma fala.

Em 1932, houve o levante armado, em São Paulo, conhecido como Revolução Constitucionalista. O Barão, sem se impressionar, publicava coisas do tipo: O GÁS MORTEIRO TOMOU PARATI E EVACUOU PEDREGULHOS. Falava, claro, do general Góes Monteiro, senhor chegado a uma birita. Por coisas assim, o barão foi em cana e advertido a tomar cuidado com sua “linguinha de prata”. Diz que ficou sensibilizado com a admiração dos tiras por sua figura, admiração tão grande que ele precisou posar de frente e de perfil para o fotógrafo da polícia.

Em 1933, publicou Caldo Berde, assinado por Furnandes Albaralhão. Tratava-se de uma antologia de poemas com sotaque português saídos n’A Manha. Nesse ano, Hitler assanhou a Europa e outros lugares. Aqui, esse assanhamento se chamou integralismo. O Barão, mal de ouvido, entendeu o lema “a Deus, Pátria e Família” como “adeus, Pátria e Família”. Aderiu. Mas, ao se dar conta do engano, “voltou a ocupar um lugar decente na sociedade”.

Em 1935, o barão participou da criação da Aliança Nacional Libertadora. A Intentona acabou mal. O Barão não participou das conspirações, nem tocou em armas, mas na onda de terror que veio em seguida, A Manhadeixou de circular e “eu com ela”. Ficou um ano e meio preso. No navio D. Pedro I deixou crescer uma barba de D. Pedro II.

Em 1936, foi parar no presídio da Frei Caneca, no Rio. Segundo Graciliano Ramos, a chegada do homem foi a mais rumorosa. Era um sucesso mesmo atrás das grades. Ainda segundo Graciliano, para combater o tédio, o barão planejava uma biografia do seu personagem, um volume mais grosso que um tijolo. Não parava de falar nela. Mas jamais a escreveu. Pelo menos no papel, como afirmou o humorista Fortuna: “Porque dia a dia ele não fez outra coisa. Na sucessão das aventuras do nosso querido diretor até chegar a Barão, o Apparício Torelly atinge a verdadeira criação literária. O ponto alto dessa criação deu-se quando ele a transpôs para o plano da realidade, encarnando a sua própria personagem, quando de fato estava distanciado dela, pois era o símbolo e síntese de todos os poderosos que satirizava. E isto não há como compilar. É a criação viva dentro da própria vida”.

Anistia, segundo o dicionário do Barão, é um ato pelo qual o governo resolve perdoar generosamente as injustiças que ele mesmo cometeu. Pela metade de 1937, o Barão se viu na rua por falta de provas. Mal teve tempo de se acostumar: em novembro, o Estado Novo. O Barão foi para uma das ilhas-prisões da Baía da Guanabara. Foi solto três meses depois.

Tentou relançar A Manha, mas, por prudência, preferiu alvos de fora, como Hitler, Mussolini, Franco e Salazar.A Manha só voltou mesmo em 1945, graças à associação com o jornalista Arnon de Melo. Agora o ilustre fidalgo estava na companhia de vários colaboradores: José Lins do Rego, Carlos Lacerda, Rubem Braga, Aurélio Buarque de Holanda, Álvaro Moreyra, Sérgio Milliet e muitos outros.

Em outubro, adeus Estado Novo. Um pouco antes, quando havia apenas rumores, A Manha deu talvez sua melhor manchete: HÁ ALGO NO AR ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA. Essa frase se tornou o anúncio nacional das crises.

Como vereador, defendeu o direito de voto para os analfabetos e denunciou, entre outras coisas, o esbulho sofrido pelos índios, situação não muito diferente hoje. Teve alguns apartes que se tornaram famosos. Numa discussão sobre influência dos capitais norte-americanos na economia brasileira, um vereador resolveu citar o ex-chefe de polícia do Estado Novo e perguntou se os nobres colegas sabiam a posição dele. O Barão, na bucha: “Eu sei! É três dedos abaixo do rabo do cachorro”.

Em 1949, o barão publicou seu Almanhaque. O segundo saiu em 1955 e o terceiro no ano seguinte. Eram antologias do material publicado n’A Manha.

Em 1950, em agosto, surgiu novamente A Manha, que se aguentou até junho de 1958. Mesmo tendo trabalhado uma vida como humorista, o barão considerava a influência do humor “levemente benéfica e bastante entorpecente”.

Longe do jornalismo, vivia de modo franciscano, num apartamento atulhado de livros. Eram tantos livros que, quando um quarto ficava lotado, ele passava a dormir em outro. Todo o dinheiro que tinha vinha de uma pensão dada pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Morreu em 1971, aos 76 anos, com apenas 61, porque descontou quinze anos: o tempo perdido na faculdade de Medicina, o tempo que passou preso e o tempo, uns três anos, em que perseguiu mulheres bonitas sem resultado.

O brasão do Barão.

Fonte:
Ernani Ssó , sul21.com.br

AS MAIORES MENTIRAS ESPALHADAS PELA IMPRENSA

Era primeiro de abril quando uma reportagem na televisão revelou um macarrão que nascia em árvores. Também era primeiro de abril quando uma propaganda anunciava um hambúrguer feito especialmente para ser comido por canhotos.

Mulher colhe macarrão em cena de especial da BBC.

É bom tomar cuidado com as notícias do “Dia da Mentira”, porque às vezes isso ultrapassa as brincadeiras entre amigos e pode atingir a mídia de todo o mundo, se espalhando com muito mais facilidade por maldade de quem cria as falsas notícias ou por ingenuidade de quem as publica. Abaixo, segue uma lista com as maiores mentiras que já foram espalhadas pela imprensa em 1º de abril de anos anteriores. O ranking foi divulgado pela agência de notícias France Presse.
10º – A rede inglesa “BBC” fez uma reportagem em 1957 dizendo que, graças ao clima e ao controle de pragas, os fazendeiros suíços estavam conseguindo uma excelente safra de espaguete. As imagens mostravam fazendeiros colhendo o macarrão direto de árvores. A redação da TV recebeu milhares de ligações pedindo mais detalhes da história.

 – Uma reportagem da revista “Sports Illustrated” dizia que o time de beisebol New York Mets havia contratado um lançador capaz de arremessar a bola a 270 km/h, muito acima das melhores velocidades registradas, em torno dos 160km/h. Em entrevista, o jogador dizia que havia desenvolvido a técnica num monastério tibetano. A história foi desmascarada pouco tempo depois.

8º – Em 1962, quando só havia TVs em preto-e-branco na Suécia, um técnico do único canal do país convenceu os suecos a colocarem uma meia-calça de nylon cobrindo as telas dos aparelhos de televisão. Ele dizia que se tratava de uma nova tecnologia que permitiria que, assim, passassem a ver o sinal da TV em cores. A TV colorida só passou a existir no país em 1970.

Foto: Reprodução

Reportagem do “NY Times” sobre o Taco Liberty Bell…

 – Em 1997, a rede de lanchonetes Taco Bell irritou milhares de cidadãos norte-americanos ao anunciar que havia comprado o Sino da Liberdade da Filadélfia [Liberty Bell, em inglês], um símbolo histórico da independência norte-americana. A lanchonete dizia que ia mudar o nome do sino para “Taco Liberty Bell”. Já estavam acontecendo protestos quando a Taco Bell revelou que era uma pegadinha de 1º de abril.

Mapa de San Serrife, república fictícia do “Guardian”.

 – O “Guardian”, um dos principais jornais ingleses, publicou em 1977 um suplemento especial de sete páginas sobre o aniversário de dez anos de San Serriffe, uma pequena república no Oceano Índico formada por várias ilhas no formato de ponto-e-vírgula. Vários artigos descreviam a geografia e a cultura das duas principais ilhas, chamadas de “Ponto” e “Vírgula”. para quem é versado em tipografia, vai notar que o nome da república é Sem Serifa e que o nome das cidades e outros pontos geográficos são nomes de fontes e outros sinais gráficos.

 – A “National Public Radio” dos Estados Unidos anunciou em 1992 que o ex-presidente Richard Nixon voltaria a ser candidato à Presidência. Seu novo slogan de campanha seria: “Eu não fiz nada de errado e não farei novamente.” A rádio divulgou até mesmo clipes de Nixon anunciando a candidatura. Depois de a notícia se espalhar, a rádio admitiu que a voz de Nixon havia sido gravada por um imitador.

 – Uma newsletter divulgada pela suposta entidade New Mexicans for Science and Reason divulgou em 1998 um artigo em que dizia que o estado norte-americano do Alabama havia decidido mudar o valor de pi de 3,14159… para o “valor bíblico” de 3,0.

 – A rede de fast-food Burger King publicou um anúncio de página inteira no jornal “USA Today” em 1998 anunciando a criação do “Whopper canhoto”, projetado especialmente para os 32 milhões de norte-americanos canhotos. Pela propaganda, o novo sanduíche incluía os mesmo ingredientes do Whopper original, mas os temperos eram colocados em rotação de 180º. Milhares de clientes se dirigiram às lojas pedindo a novidade, enquanto tantos outros pediam a versão original “para destros”.

Foto do hotheaded naked ice borer apresentado na “Discover Magazine”.

2º – A “Discover Magazine” anunciou em 1995 que o altamente respeitado biólogo Aprile Pazzo [nome italiano para primeiro de abril] havia descoberto uma nova espécie na Antártida: o hotheaded naked ice borer [algo como atravessador de gelo pelado de cabeça quente]. A criatura era descrita como tendo uma crista fervente que permitia que os animais atravessassem o gelo em alta velocidade – técnica usada para caçar pinguins. O animal fotografado foi criado por um diretor de arte, e a revista recebeu mais cartas sobre essa notícia, desmentida mais tarde, do que sobre qualquer outro artigo publicado até então. A história foi repetida como sendo verdadeira no livro “The Unofficial X-Files Companion” (page 38–39) de N.E.Genge, [Macmillan 1996].

 – O reconhecido astrônomo inglês Patrick Moore anunciou no rádio, em 1976, que exatamente às 9h47 um evento astronômico inédito iria acontecer: Plutão iria passar por trás de Júpiter e assim causar um alinhamento gravitacional que reduziria a gravidade terrestre. Moore dizia que, se os ouvintes pulassem no momento exato do alinhamento, poderiam experimentar uma sensação de flutuar. Centenas de pessoas relataram ter sentido a sensação…

Acho que, hoje em dia, brincadeiras como essas não seriam mais possíveis, principalmente por causa da internet e da facilidade em se checar fatos. Mas, pensando bem, exatamente por causa da internet acho que elas seriam disseminadas mais rapidamente…

Acho que vou testar, eh eh eh…

 

 

 

Fonte:
 France Presse 

Dez profissões em baixa (parte 1 de 2)

Saiu na revista Exame de junho de 2013. São informações importantes:

Mudanças na economia, excesso de formandos e os avanços tecnológicos são três variáveis citadas pelos especialistas na hora de citar profissões e carreiras com menor número de vagas no mercado de trabalho atual. “Com isso, o ritmo de contratações diminui para algumas carreiras e o mercado não consegue absorver 100% das pessoas formadas”, explica Thiago Sebben, diretor da Hays. Ele lembra que são três os aspectos que tornam uma carreira mais ou menos atrativa. “Ambiente de trabalho, perspectiva de crescimento e salários. São esses os pilares”, diz Sebben. “Não é que a necessidade caiu e, sim, que a relação entre a oferta e a demanda está desequilibrada”, diz Sthaell Ramos, sócia – diretora da People On time.

Ela explica que o fato de as carreiras serem em sua maioria na área de ciências humanas está relacionado à maior facilidade que as instituições de ensino têm na hora de oferecer estes cursos. “É mais fácil criar cursos nestas áreas porque é preciso oferecer apenas professor e bibliotecas”, diz. As áreas menos atraentes atualmente são:

Antropologia

Homem vitruviano

“Nunca foi uma carreira que teve alta demanda dentro das organizações por se tratar de uma profissão mais técnica e com ramo de atuação mais acadêmico”, diz Marcelo Cuellar, da Michael Page.  Para quem não quer ficar restrito ao ambiente educacional, o especialista sugere uma flexibilização da atuação. “O profissional de antropologia pode ser escritor, roteirista de programas de televisão e até trabalhar em recursos humanos”, diz.

Sociologia

Professora Elena Casado dá aula de sociologia embaixo de uma ponte em protesto contra demissões de professores em Madrid, na Espanha, em foto tirada em dezembro de 2012

O formando de um curso de sociologia que quiser apenas atuar como sociólogo vai encontrar poucas oportunidades fora das escolas, universidades e centro de pesquisa. “Se ele quiser só trabalhar com sociologia vai ficar restrito”, diz Cuellar. O conhecimento é importante e necessário, segundo o especialista. “Mas para encontrar mais ofertas de trabalho é preciso abrir o leque de atuação”.

Geografia

google earth

“Também é um profissão mais técnica, dificilmente você vai encontrar posições para geógrafos dentro de uma empresa”, diz Cuellar. Mas, como ele mesmo diz, nem só do mundo corporativo vivem os profissionais. “Agora, se ele quer trabalhar dentro de uma empresa deve ter um ramo de atuação mais abrangente. Pode dar aulas alguns dias por semana, participar de projetos de pesquisa em uma organização, por exemplo”, diz Cuellar. Quem gosta de geografia física, por exemplo, pode investir em uma especialização na área de Geologia, já que para esta última há mais demanda de profissionais, principalmente no setor de petróleo e gás.

Jornalismo

jornalistas trabalhando

Sair da faculdade de jornalismo com o objetivo “romântico” de fazer grandes reportagens para um jornal ou ainda de ser o próximo a ocupar a cadeira de William Bonner na bancada do Jornal Nacional pode levar à frustração muitos jornalistas em início de carreira. “A profissão mudou, se o profissional quiser ser jornalista como se era antigamente vai encontrar dificuldade”, diz. Repórter de jornal impresso, por exemplo, foi considerada a pior profissão nos Estado Unidos, segundo levantamento realizado pelo site Career Cast, também por conta da projeção de queda de 6% nas oportunidades profissionais nos próximos anos.

“É uma das carreiras em baixa, a figura de editor de jornal, por exemplo, tende a desaparecer. As pessoas deixam de ler o jornal impresso para ver notícias postadas nas redes socais”, diz Sthaell. Isso significa que a comunicação perdeu importância? “De jeito nenhum, o jornalista agora tem nova roupagem”, diz Sthaell. Ela cita a área de comunicação interna das empresas como uma área promissora dentro da comunicação. “Há oportunidades nesta área, mas é difícil ver interesse das pessoas”, conta, lembrando ainda que há muito espaço para inovação na comunicação, principalmente no que diz respeito à parte digital.

Direito

Símbolo da Justiça

“Modelo de sair da faculdade e rapidamente arranjar um bom emprego em um escritório de advocacia não existe mais”, diz Cuellar. Com oferta de formandos maior do que a demanda, o profissional deve se destacar para conseguir boas oportunidades. Especializações fazem a diferença aos olhos do mercado. “Essa questão do mercado mais agressivo faz com que os profissionais se qualifiquem mais”, diz Thiago Sebben, diretor da Hays.

“Há áreas como ambiental e TI que têm poucos profissionais qualificados”, diz Sthaell. Interessados em trabalhar em setores jurídicos das empresas devem complementar a formação com cursos que deem visão de negócios. “Visão de dono do negócio é importante”, diz o diretor da Hays. Vale destacar que direito societário voltado para fusões e aquisições é uma das áreas mais promissoras para os advogados, de acordo com a consultoria Salomon Azzi.