Escândalos sexuais envolvendo políticos

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Normalmente, a imprensa faz um estardalhaço quando se sabe de uma baixaria envolvendo políticos e sexo, e há quem pense que a ocorrência de escândalos sexuais causados por infidelidades, fantasias e excentricidades de políticos e outros tipos de pessoas públicas só aconteça nos dias de hoje, quando cada vez mais fotos e filmagens registrados em momentos de intimidade teimam em se tornar públicas através da internet. Mas isso é um engano. Escândalos sexuais ocorrem há milhares de anos.

Por exemplo, na Roma Antiga, o estupro de Lucrécia por Sexto, filho do rei, foi aproveitado pelo Senado, que expulsou Tarquínio e aumentou o próprio poder político, instituindo, assim, o regime republicano. Como se vê, desde então o fato era aproveitado em desdobramentos para além da questão moral. Outras vezes, ele era apenas a ponta de um iceberg de baixarias ainda maiores.

Listei abaixo alguns dos casos mais comentados, tanto no Brasil quanto em outros países:

John Kennedy e a minha musa

A atriz Marilyn Monroe e o presidente John Kennedy

Apesar de ser casado com Jackie, considerada uma das mulheres mais bonitas e elegantes do mundo, o presidente John Kennedy, de vez em quando, dava suas puladas de cerca. E a mais conhecida de todas teria sido com a deusa do cinema Marilyn Monroe. Embora nunca tenha sido comprovado com absoluta certeza, o caso entre os dois aparece em diversos livros, fofocas e filmes. Mas a clássica cena em que a atriz, maior símbolo sexual da época, canta “Happy Birthday, Mr. President” de forma insinuante no aniversário de 45 anos dele, de fato ocorreu, como se pode ver no YouTube.

Charles e Diana

O nobre casal britânico Charles e Diana viveu uma sequência de escândalos durante seu conturbado casamento, com direito a cobertura da imprensa mundial em cada reviravolta. Eles se casaram em 1981 (“o casamento do século”) e tiveram dois filhos, mas ambos mantiveram casos extraconjugais nos anos seguintes. Diana admitiu ter traído o marido com seu professor de equitação, James Hewitt, e sabia que Charles era amante de Camilla Parker-Bowles. O casal se separou em 1992 e, cinco anos depois, quando se noticiava o namoro de Diana com o milionário Dodi al Fayed, a princesa morreu em um acidente de carro. Atualmente, Charles é casado com Camilla, a “rottweiller”, como Diana chamava sua rival…

Bill Clinton e a estagiária

Tudo começou com uma denúncia de assédio sexual. Paula Jones, que era funcionária pública enquanto Bill Clinton era governador de Arkansas, entrou com um processo contra ele. Para provar que ele não era nenhum santinho, o advogado dela trouxe à tona o nome da estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, então uma grande desconhecida para a maioria dos americanos. O presidente negou por meses a acusação. Enquanto isso, detalhes iam surgindo na mídia, como o vestido manchado com sêmen que ela guardou sem lavar. Clinton acabou admitindo em 1998 que, sim, ele havia tido um caso com a estagiária entre 1995 e 1997.

Em seu livro de memórias, o ex-presidente descreve o “asco” que sentiu por sua relação com Lewinsky e por ter que dormir no sofá para ganhar novamente o respeito da mulher, Hillary Clinton, e de sua filha, Chelsea.

Zélia e Bernardo

O próprio Fernando Collor definiu o caso na época como “nitroglicerina pura”. A ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello (a do confisco das poupanças) passou a dividir mais do que reuniões interministeriais com Bernardo Cabral, ministro da Justiça. Zélia era solteira, mas Cabral, não. Na época, o adultério ainda era considerado crime no Brasil, e a amante poderia ser julgada como cúmplice. O caso rolava apenas na intimidade de Brasília quando foram parar nos jornais alguns bilhetes trocados pelo casal (como o que falava sobre a saia curta “deliciosa” que Zélia estava usando) e o relato de uma dança que eles dividiram na festa de aniversário dela. A música era “Besame Mucho”.

Berlusconi e as festinhas

 

As festinhas do então primeiro-ministro da Itália, Silvo Berlusconi (o “Maluf pornô”, segundo o jornalista Zé Simão) eram tão animadas que a promotoria decidiu investigar. E descobriram que ele pagou um bom dinheiro à jovem marroquina Karima El-Mahroug – conhecida como Ruby Rubacuori – e a outras 32 mulheres que frequentavam os encontros em sua mansão em troca de favores sexuais. Ruby é especial não só por ser uma das mais assíduas (foram 13 encontros entre 2009 e 2010) como por ser menor de idade na época, o que é considerado crime na Itália.

Não é o único escândalo em que Berlusconi se envolveu. Em maio de 2009, houve o caso Noemi, uma menor com quem Berlusconi se encontrava e que acabou levando a mulher do chefe de governo a pedir o divórcio, e, em junho de 2009, o caso D’Addario, uma prostituta que tornou pública uma noite tórrida com o político.

Renan Calheiros e a jornalista

Esse caso foi noticiado em 2007. O presidente do Senado, Renan Calheiros, foi acusado de receber recursos de uma empreiteira por meio de um lobista, para pagar “em dinheiro vivo” uma pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem, soube-se então, tem uma filha fora do casamento. Segundo ela, o político “fazia as mais belas declarações de amor, me ligava várias vezes durante a noite para contar seus passos, cantarolava ‘Eu Sei que Vou Te Amar’ ao telefone”.

O senador foi investigado por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado e outras acusações foram se somando, como a de que ele grilava terras em Alagoas e de que usou laranjas para virar sócio de uma empresa de comunicação. Mas escapou de todas graças aos colegas de Senado (em troca de …?). Ela, depois de posar nua e lançar um livro sobre o caso, está em um relacionamento firme com um empresário mineiro.

John Profumo e Christine Keeler

John Profumo e Christine Keeler

Já tratei desse escândalo aqui, mas resumindo: em plena guerra fria, o Secretário da Guerra da Grã-Bretanha, John Profumo, tinha papel estratégico na luta ideológica contra o comunismo. Era casado, mas caiu em tentação ao conhecer Christine Keeler, uma prostituta londrina, numa festa. O relacionamento, porém, era muito mais grave que um caso convencional de adultério – afinal, Christine tinha outro amante influente, um espião russo. Para piorar a situação, Profumo mentiu ao ser questionado sobre o caso numa sessão do Parlamento. Acabou sendo forçado a renunciar. O affair foi tão marcante nos anos 1960 que inspirou filmes, documentários e canções pop.

Fernando Lugo e as fiéis

Durante décadas, Fernando Lugo exerceu funções religiosas em nome da Igreja Católica no Paraguai, até renunciar ao ministério sacerdotal, em 2006, para se lançar candidato à presidência, sendo eleito em 2008. Maaas… Ele é “o” cara, o sacerdote mais mulherengo abaixo da linha do Equador. O então bispo, quase cinquentão e que ganhara fama como “bispo dos pobres”, seduziu a adolescente Viviana Carrillo. Foi só um dos casos de Lugo – quando o escândalo foi revelado, num intervalo de só dez dias apareceram três mulheres com os respectivos “luguinhos”. Os mais exagerados falavam em dezesseis herdeiros… Mas Lugo assumiu apenas a paternidade de Guillermo Armindo; o segundo processo terminou em acordo e o terceiro teve exame de DNA negativo. O presidente paraguaio teria ainda uma segunda filha, de 19 anos de idade…

Será que o poder corrompe e é erótico?

 O poder não corrompe o homem; é o homem que corrompe o poder. O homem é o grande poluidor, da natureza e do próprio homem. Quanto a ser erótico, não sei… Depois que for eleito eu conto.

 

 

 

 

 

 

Fontes:

www,clicqueaprenda.com

folha.uol.com.br

noticias.uol.com.br

O Caso Profumo

O escândalo com um ex-diretor da CIA, acusado de manter uma relação extra-conjugal e que pode ter colocado em risco a segurança dos Estados Unidos (veja aqui), tem semelhanças com outro caso famoso, este nos anos 1960 na Inglaterra.

Escândalos Sexuais

O chamado Caso Profumo envolveu o político britânico John Profumo e a femme fatale Christine Keeler em 1961. Profumo havia sido um dos heróis do Dia D – o desembarque aliado na Normandia na Segunda Guerra Mundial – e tinha um cargo equivalente ao de Ministro da Guerra no governo britânico. Frequentador das festas promovidas por Lorde Astor, foi numa delas que Profumo conheceu a showgirl Keeler.

John Profumo

Christine Keeler

Mas ela não morria de amores apenas por Profumo. Christine era amante também de Yevgeny Eugene Ivanov, oficial da marinha soviética e provavelmente espião, e de um conhecido “cafetão” da nobreza chamado Stephen Ward. O caso amoroso entre Profumo, um homem casado e guardião de importantes segredos de Estado, e Keeler causou arrepios no MI5, o serviço secreto britânico. A preocupação era saber se Christine Keeler era uma espiã enviada pelos soviéticos e se as confissões na alcova feitas por Profumo eram compartilhadas em uma outra cama: a de Ivanov. Ivanov, adido militar na Embaixada Soviética em Londres, portanto com imunidade diplomática, estava sob discreta vigilância do MI5.

Em 1963, uma desavença entre Christine e um antigo amante terminou na polícia e chamou a atenção da imprensa. As investigações levaram à revelação das ligações perigosas de Christine e ao fim da carreira política de Profumo. Como a guerra-fria entre o Leste e o Oeste estava em seu auge, o clamor público quase derrubou todo o governo britânico.

Keller aproveitou-se do burburinho causado pelo escândalo para faturar.

Posou para uma foto que foi publicada em um tabloide sensacionalista e colocou mais lenha na fogueira no já ardente caso debatido em todo o país. Quanto mais se falava dela, mais essa foto era reproduzida.

As consequências do escândalo foram a renúncia de Profumo e de todo o seu gabinete, Stephen Ward foi processado por “viver dos lucros imorais advindos da prostituição” e se suicidou, envergonhado. E  Keeler passou 9 meses na prisão por perjúrio (mentir sob juramento, quando disse que nada tinha com Profumo).

Profumo faleceu em 2006 e Keeler, hoje com 70 anos, tornou-se uma celebridade. Escreveu vários livros sobre o caso e, em 2001, lançou sua autobiografia.