Como a Igreja Católica escolhe seus santos

Uma vida repleta de virtudes heroicas, exemplos de fé e devoção a Deus. Some-se a isso dois milagres comprovados e estão cumpridos basicamente os requisitos mínimos para se criar um santo da Igreja Católica.

O processo, no entanto, depende de uma máquina burocrática complexa em que qualquer desvio de caráter pode custar o título ao candidato – e a certeza de que, invariavelmente, cairá no esquecimento dos fiéis.

Na Igreja Católica, a canonização normalmente leva tempo e depende de inúmeras circunstâncias legais, mas, de tão azeitada, a engrenagem foi apelidada de “fábrica de santos”.

É o que acaba de acontecer a Madre Teresa de Calcutá, a freira católica que ficou famosa por ajudar os pobres na cidade indiana, e que foi canonizada pelo papa Francisco no começo de setembro.

Ela fundou as Missionárias da Caridade, congregação que atualmente tem mais de 3.000 freiras espalhadas pelo mundo, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1979 e morreu aos 87 anos, em 1997.

Cinco anos depois, o papa João Paulo 2º aceitou seu primeiro milagre – a cura de uma mulher de uma tribo de Bangladesh com um tumor abdominal-, o que abriu caminho para sua beatificação em 2003.

O papa Francisco reconheceu em 2015 um segundo milagre, envolvendo um brasileiro que tinha tumores no cérebro e foi declarado curado em 2008.

Cabe à Congregação para as Causas dos Santos a função de “regular o exercício do culto divino e de estudar as causas dos santos”. Por esse “ministério da santidade”, dirigido pelo cardeal italiano Angelo Amato, passam as “fichas” dos candidatos à canonização.

Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos.

No entanto, a palavra final sempre é do papa, o único com poder para decretar, de fato, a santidade de um homem ou mulher. Nas últimas décadas, esse poder vem sendo exercido cada vez com mais assiduidade.

Durante seu papado, João Paulo 2º nomeou mais de 480 santos, mais de quatro vezes o que o restante dos pontífices do século 20, juntos, canonizaram.

Apesar de o ritmo ter sido reduzido por Bento 16, que canonizou 44 santos durante seu curto papado, Francisco dá sinais claros de querer retomá-lo. Só em seu primeiro ano como pontífice, o argentino realizou mais de dez canonizações.

Em uma delas, Francisco canonizou de uma vez só 800 mártires, os chamados “mártires de Otranto”, que, por razões metodológicas, são contabilizados como uma única canonização.

Em 1480, os cidadãos da comuna italiana de Otranto foram atacados por turcos. Durante as batalhas, aproximadamente 14 mil pessoas morreram. Os 800 sobreviventes aos ataques foram decapitados por não abraçarem a fé islâmica.

Segundo especialistas, essa proliferação dos santos se deveu à reforma do processo de canonização nas últimas décadas. O próprio papa João Paulo 2º tratou de simplificá-lo em 1983.

Enquanto alguns criticam a multiplicação e o ritmo acelerado das canonizações, considerando que isso diminui o valor da santidade, a Igreja busca estabelecer “exemplos de vida” mais próximos dos cristãos contemporâneos.

“Qualquer um pode ser canonizado, independentemente de sua origem, condição social ou raça… É preciso apenas que tenha tido uma vida de santidade, que tenha vivido as virtudes cristãs de um modo heroico e que haja ausência de obstáculos insuperáveis”, afirmou o bispo Santiago Blanco, juiz delegado da Congregação para as Causas dos Santos na Argentina.

No entanto, para que o processo de canonização seja iniciado, o nome do candidato deve ser proposto à diocese, geralmente do lugar onde morreu. Este é considerado o primeiro “filtro” rumo à canonização.

“Todo cristão pode propôr o nome de alguém, mas geralmente os nomes são propostos por dioceses, comunidades religiosas de homens ou mulheres ou grupos de leigos”, disse  Gerardo Sanchéz, juiz supremo para as Causas dos Santos do arcebispado da Cidade do México. “Em primeiro lugar, a história do candidato é analisada, incluindo depoimentos de pessoas que conviveram com ele. Em seguida, o bispo pergunta às outras dioceses do país se o caso deve ser aberto. E depois disso a petição segue a Roma onde recebe o nihil obstat, uma espécie de certificado de que não há obstáculos insuperáveis que tornem impossível o início do caso”.

Após esta etapa, a primeira das duas etapas do processo de canonização, começa a “fase diocesana”, que, uma vez concluída, dá lugar à “fase romana”.

Na fase diocesana, o bispo do local que indicou o nome para a canonização forma um tribunal ou comissão de investigação, que estuda em detalhes a história do indivíduo, de sua família e do contexto em que ele viveu.

“Se for um caso atual, de 30 anos para cá, é preciso haver citação de testemunhas. Se for um caso histórico, o processo se baseia em documentos históricos”, diz Gerardo Sánchez. “Por fim, os documentos são transferidos a Roma para o início da fase romana. Um relator é nomeado pela Igreja para estudar a documentação e elaborar uma positio, espécie de tese de doutorado na qual deve expor argumentos que demonstrem que a pessoa viveu heroicamente as virtudes da fé.”

Milagres

Para concluir o processo de canonização, a Igreja pede a comprovação de dois milagres atribuídos ao possível santo. No entanto, o papa pode dispensá-lo desta condição. Isso aconteceu, por exemplo, com João 23, que nomeou São Francisco com apenas um milagre reconhecido.

De acordo com Santiago Blanco, os “mártires” também estão isentos dessa premissa, uma vez que, segundo a Igreja, eles “morreram como resultado de sua fé”.

A verificação de um milagre é talvez um dos problemas mais complexos e controversos para a Igreja. Ela acontece em um processo separado, mas também em duas fases, uma na diocese que indicou o nome do candidato e uma em Roma.

A fase romana inclui a revisão do caso por um tribunal médico e por outro, de peritos teólogos, antes que uma comissão de bispos e cardeais faça sua avaliação. “Se o parecer for favorável, cabe apenas ao Santo Padre assinar o decreto de canonização”, diz Blanco.

O que significa ser santo?

Ao ser canonizada, a pessoa é considerada um modelo para a Igreja em todo o mundo. Enquanto o culto dos beatos é local, o dos santos pode ser exercido em qualquer lugar.

“Teologicamente, (a canonização) significa que podemos garantir sem risco de errar que essa pessoa está nos céus”, disse Fermín Labarga, professor de Direito Canônico na Universidade de Navarra, na Espanha. “Ao canonizar, o papa exerce a sua infalibilidade (dogma da Igreja segundo o qual o papa não se engana em questões de fé e moral). Não resta dúvida de que isto é um fato do ponto de vista da fé”.

 

 

 

Fonte:

BBC

Pão é achado preservado depois de passar 118 anos dentro de órgão em igreja

Faz algum tempo, publiquei um post (aqui) que falava de um hambúrguer que tinha ficado guardado anos no casaco de um sujeito e ainda continuava bonitão… Pois bem, outra notícia inusitada me chamou a atenção, desta vez no Daily Mail…

Pedaços de pão embrulhados em papel foram achados perfeitamente preservados 118 anos depois de serem guardados em um órgão. O caso ocorreu na igreja metodista de Padiham, em Burnley, no Reino Unido. Os pedaços de pão foram descobertos por Kath Yates, organista da igreja, porque o instrumento musical, fabricado em 1896, foi desmontado para ter as partes vendidas.

Eles estavam embrulhados em papel dentro de uma parte do instrumento musical à prova de som, selada com madeira, chamada caixa. Junto com ele, estavam folhas de um jornal local, o “Stockport Advertiser”, datado de 1896.

O marido de Kath, Peter Yates, acredita que um dos trabalhadores que montava o órgão deixou o lanche ali, enquanto fazia uma pausa. “Posso imaginar eles sentados, lendo o jornal com seus sanduíches e talvez um pedaço grande de queijo.” E então, ao retomarem a montagem, esse trabalhador se esqueceu do embulho, que foi então colocado por engano com o restante da estrutura.

Old-time religion: The above picture shows the organ as it would have been during the church's heyday

Ilustração de como era o órgão que está sendo desmontado e será depois montado na Alemanha. Na parte de trás dele, havia esse enorme espaço vazio, chamado de caixa do órgão,  que é totalmente selado por uma espessa camada de madeira para evitar que o som se propague de forma indevida. Acredita-se então que o alimento ficou tão preservado porque ali estava protegido da força dos elementos e de predadores naturais, até mesmo dos pobres ratinhos…

Innards: The remnants were found inside the organ in a part sealed by thick wood to make it soundproof

Isso é que pode se chamar de pão orgânico… Eh, eh, eh!

 

 

 

Nem Adão escapou…

No início da humanidade, Deus chamou Adão e disse:
– Vá até o vale.
– O que é vale, Senhor? – perguntou Adão.
E Deus explicou. Depois, ordenou:
– Suba a montanha.
– O que é montanha, Senhor? – perguntou Adão.
E Deus explicou, depois disse:
– Do outro lado da montanha, há uma caverna.
– O que é caverna, Senhor? – perguntou Adão.
Deus explicou, e depois disse:
 – Na caverna, há uma mulher.
– O que é mulher, Senhor? – perguntou Adão.
Deus explicou, e ordenou em seguida:
– Quero que tu te reproduzas.
– E como faço isso, Senhor? – perguntou Adão.
Deus explicou novamente. Adão foi ao vale, subiu a montanha, encontrou a caverna e a mulher, e cinco minutos depois estava de volta.
Deus, meio irritado, perguntou:
 – E o que foi agora?
– O que é enxaqueca, Senhor?