Atualidades, Curiosidades

POR QUE EXISTE UMA GÁRGULA “ALIEN” NUMA IGREJA DO SÉCULO 13?

A existência da escultura na Abadia de Paisley despertou inúmeras teorias, que só foram derrubadas recentemente

Construída no século 12, precisamente no ano de 1245, a Abadia de Paisley passou por inúmeros processos de destruição e reconstrução durante os diversos episódios ocorridos na Escócia ao longo dos anos, como em situações de crise política e independência no país.

Em uma dessas reconstruções – mais atual e muito menos dramática -, um detalhe interessante foi colocado na abadia, que agora conta com uma gárgula que se parece muito com o antagonista do filme terror sci-fi Alien – O 8º Passageiro.

O detalhe foi apontado pela primeira vez em uma fotografia, após um fã do filme notar a curiosa semelhança entre o ornamento da abadia e o assustador personagem do longa-metragem.

Cena do filme Alien – O 8º Passageiro / Crédito: Divulgação – Brandywine Productions

As gárgulas * foram, inicialmente, construídas para afastar os maus espíritos das igrejas e catedrais, principalmente na Europa. Por isso, eram colocadas nas laterais das igrejas. E foi em um desses locais que um turista percebeu o curioso fato.

Depois disso, teorias tentavam entender como era possível uma estrutura tão antiga abrigar uma referência tão atual e, principalmente, assustadora. Em 2013, quando a foto da década de 90 começou a ganhar popularidade e a história começou a circular pelo mundo todo, muitas teorias foram levantadas.

A emissora britânica BBC fez questão de ir atrás dos fatos, e entender o que um alien fazia na igreja paroquial. Para isso, entrevistaram o reverendo Alan Birss que explicou toda a história, esclarecendo os boatos.

A verdade é que havia 12 gárgulas na igreja, que estava em péssimas condições – nunca foram reparadas e já estavam extremamente desgastadas. Como consequência, em 1991, elas acabaram sendo removidas e um artesão de Edimburgo foi contratado para restaurar as obras.

No entanto, apenas uma das gárgulas havia sobrado no exterior da Abadia, faltando  referência para o escocês, que foi obrigado a usar a própria imaginação. “Pessoalmente, acredito que ele estava se divertindo com as criações”, confessou o reverendo. “Talvez o filme fosse relativamente novo quando estavam esculpindo, e se ele estivesse pensando em um alienígena, a primeira associação seria com o Alien”.

O terceiro filme da saga, Alien 3, foi feito em 1992, então a teoria é bem plausível. A gárgula ajudou a alavancar a popularidade da Abadia de Paisley, tornando-a um dos mais interessantes locais de se conhecer na Escócia.

A Abadia de Paisley, na Escócia / Crédito: Wikimedia Commons

*Gárgula vem do francês gargouille, gargalo ou garganta. Eram estruturas colocadas próximas às calhas de igrejas medievais, com a função principal de esconder os canos que escoavam a água da chuva, que descia por suas “gargantas”.

A ideia parece ter surgido no Egito Antigo. Templos egípcios já tinham gárgulas no formato de cabeça de leões. Isso também foi adotado na arquitetura grega e o costume não se perdeu.

 

 

 

 

Fonte:

aventuranahistoria.uol.com.br

Atualidades, Curiosidades, Family, Humor, Novidades

Relembre fatos marcantes dos 70 anos de TV no Brasil

A televisão surgiu em 1950 no Brasil, importando o que o rádio tinha de melhor. Nos anos 1970, ganhou transmissão em cores. E ao longo de 70 anos de história, lançou manias e paixões nacionais.

“Boa noite. Está no ar a televisão do Brasil!”

Garoto vestido como índio, o símbolo da TV Tupi e Lia de Aguiar e Dionisio Azevedo, em cena de ‘Sua vida me pertence’, primeira telenovela brasileira (1951). Esta produção em 15 capítulos, entretanto, era exibida apenas duas vezes por semana, e não de segunda à sexta-feira, formato usualmente adotado pelo gênero — Foto: Divulgação/Site do artista

Assim, uma logomarca com um pequeno índio anunciava a primeira transmissão brasileira, em 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi.

O empresário e jornalista Assis Chateaubriand, fundador da Tupi, foi também o primeiro difusor dos aparelhos em um país que já tinha a tecnologia, mas carecia de famílias com recursos para comprá-los. E de aparelhos pra serem vendidos… Montes de pessoas se aglomeravam em padarias e outros lugares de São Paulo para assistir ao primeiro programa ao vivo, “TV na Taba”, na noite daquele 18 de setembro. O programa reuniu artistas que vinham do cinema e do rádio, mas se tornariam grandes símbolos da televisão, como Lima Duarte, Hebe Camargo, Lolita Rodrigues e Mazzaropi, e foi comandado por Homero Silva.

Essa primeira transmissão no País foi feita para apenas 200 aparelhos. Hoje, são mais de 100 milhões ligados em uma das maiores indústrias criativas do mundo.

Mas senta que lá vem história…

Um mês antes da inauguração, durante uma reunião, o engenheiro americano Walther Obermüller, responsável técnico, perguntou informalmente quantos aparelhos de TV havia no País. O pai da iniciativa,  Assis Chateaubriand, poderoso empresário, respondeu: nenhum.

Chatô tentou importar os aparelhos, mas pelo trâmite legal eles levariam dois meses para chegar. O empresário pediu a ajuda do então presidente Eurico Gaspar Dutra, mas o prazo para a entrega seria o mesmo. A saída foi contrabandear 200 aparelhos, prometendo o primeiro ao próprio presidente Dutra. Os outros 199 foram espalhados em pontos públicos da cidade de São Paulo…

A linha do tempo da televisão no País teve uma série de marcos históricos.

Em 1953, nascia TV Record; em 1954 foram transmitidas as primeiras partidas de futebol e o País se reuniu na frente da telinha para chorar a morte do presidente Getúlio Vargas. Em 1963, o programa de auditório de Silvio Santos começou a ser exibido nas tardes de domingo pela TV Paulista. Em 1965, entrou no ar a TV Globo. A TV Bandeirantes veio em 1967; dois anos depois, foi a vez da TV Cultura. Com o videotape, a televisão não precisava mais ser 100% ao vivo, e a qualidade dos programas começou a crescer. Surgiram atrações de sucesso como “Rancho Alegre”, humorístico estrelado por Mazzaroppi; o “Grande Teatro Tupi”, com peças televisionadas; o jornalístico Repórter Esso, que se autointitulava “testemunha ocular da história”; “O Céu é o Limite”, show de perguntas e respostas com Aurélio Campos…

Inauguração da primeira TV do Brasil, com transmissão ao vivo, a TV Tupi de São Paulo.

Logo a televisão passou a fazer parte essencial do cotidiano do brasileiro.

Humor e novelas

Nos anos 1960 a TV brasileira foi dominada pelo humor. Foi nessa década em que surgiram nomes como José Vasconcelos e Chico Anysio, prodígio que havia participado aos 16 anos de um concurso na rádio Guanabara, no Rio de Janeiro. O destaque de um de seus quadros, “A Escolinha do Professor Raimundo”, levou Chico a ganhar o seu próprio programa, “Tim Tim por Tantan” e, depois, o “Chico Anysio Show”. A próxima estrela do humor na TV seria o exótico Chacrinha, personagem do apresentador Abelardo Barbosa. Sua fama era tão grande que ele logo ganhou dois programas de auditório semanais: “Discoteca do Chacrinha”, às quartas-feiras, e “Buzina do Chacrinha”, aos domingos. Programas de auditório como o de Chacrinha e Silvio Santos marcaram para sempre a história da TV brasileira. No programa “Noites Cariocas”, na TV Rio, outro comediante conquistava seu espaço: Ronald Golias, dirigido por Carlos Alberto da Nóbrega – que até hoje apresenta o humorístico “A Praça é Nossa”, no SBT.

Chacrinha
Chico Anysio

Novelas

Em 1963 nascia o formato mais brasileiro da TV: a telenovela. com a primeira produção a ser exibida diariamente, 2-5499 Ocupado, produzida e exibida pela Rede Excelsior, estrelada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. Desde então, o público se rendeu aos folhetins exibidos diariamente. Entre as produções de grande audiência, a mais marcante foi “O Direito de Nascer”, exibida em parceria pela TV Tupi e TV Rio. É provável que ela seja até hoje, em números relativos, o maior sucesso de todos os tempos: seu último capítulo teve 99,75% dos televisores ligados.

No dia 26 de abril de 1965 às 10:45, entrava no ar o canal de TV que mudaria o mercado brasileiro: a TV Globo, com a transmissão do programa infantil Uni Duni Tê. Também estavam na programação dos primeiros dias a série infantil Capitão Furacão e o telejornal Tele Globo, embrião do atual Jornal Nacional. Os primeiros oito meses da TV Globo foram um fracasso, o que levou à contratação de Walter Clark, na época com 29 anos, para o cargo de diretor-geral da emissora. Clark foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso da emissora, junto com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Aos poucos, instalava-se na emissora carioca o conceito que viria a ser conhecido como “Padrão Globo de qualidade”, imposição estética e técnica que a levaria a superar as concorrentes e garantiria um crescimento astronômico nas décadas seguintes.

Enquanto a TV Record apostava no Festival da Música Popular Brasileira, que revelaria nomes como Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, a Tupi e a Globo investiam nas novelas. A Tupi emplacou “Beto Rockefeller”; a Globo, “Irmãos Coragem”, de Janete Clair, com um elenco de jovens estrelas como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Cláudio Marzo, Regina Duarte e Cláudio Cavalcanti. Os anos 1970 trouxeram para a Globo novos nomes do humor, como Jô Soares, Agildo Ribeiro e Paulo Silvino, além de Os Trapalhões. É nessa década que ocorreu também uma grande revés para a emissora: apesar de diversas tentativas, a novela “Roque Santeiro”, de Daniel Filho, com Lima Duarte, Francisco Cuoco e Betty Faria, foi proibida pela Ditadura Militar – a história só seria exibida em 1985, em um remake. O prejuízo só não foi maior graças à sequência de novelas de grande audiência, como “Selva de Pedra”, “Pecado Capital” e “Escrava Isaura”.

Nos anos 1980, o mercado estava em ebulição: Silvio Santos comprou o canal TVS, que viraria o SBT; a Bandeirantes investia pesado no esporte, com a contratação do narrador Luciano do Valle; a Rede Manchete contratou Maytê Proença a peso de ouro para lançar a minissérie “Marquesa de Santos”; a TV Record foi comprada pelo Bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus. Novos apresentadores caíam no gosto do público: Xuxa Meneghel, com foco no público infantil e Fausto Silva, na Globo; Gugu Liberato, no SBT.

Nos anos 1990 com a chegada da TV a cabo por assinatura, o mercado renasceu com um número enorme de canais, como a MTV, voltada ao público jovem, e a GloboNews, canal de notícias 24 horas no ar.

Foi uma mudança tão grande que algo semelhante só aconteceria anos depois, com a chegada ao Brasil do mercado de streaming. Mas essas já são cenas dos próximos 70 anos…

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

UOL

Wikipedia

isto é

Curiosidades, Family, Humor, Novidades

Fatos curiosos… e nojentos… sobre os cavaleiros medievais

A gente se acostumou a ver o cavaleiro medieval no cinema, na TV ou nos quadrinhos, como sendo um sujeito galante, corajoso e, muitas vezes, bonitão. Por exemplo, o primeiro papel de destaque do Roger Moore, muito antes de ficar famoso em todo mundo como James Bond, 007, foi o do cavaleiro Ivanhoé – uma série britânica que chegou a passar nas TVs brasileiras na década de 1960.

Roger Moore, ainda mocinho, como Ivanhoé.

Antes dele, porém, já havia um herói medieval de muito sucesso nos quadrinhos, criado por Hal Foster, o Príncipe Valente.

Repare como são fortes, altos, bonitos e limpinhos. Assim como outros heróis medievais cujos filmes a gente assistiu nas telonas…

Sinto desapontá-los, porém, com a verdade nua e crua: embora nos filmes, seriados e contos sobre os incríveis cavaleiros medievais, eles sejam retratados como guerreiros fortes e, principalmente, altos, acredita-se que a média de altura deles não passasse muito de 1,60 metro! Essa afirmação ainda não tem provas científicas, mas o tamanho das armaduras encontradas e apresentadas em museus ao redor do mundo sugere que o número seja preciso e próximo do real…

Mas as novidades bombásticas não param aí!

Talvez você saiba que as condições de higiene no mundo medieval não eram das mais favoráveis para as pessoas, mas para os cavaleiros, eram ainda piores. Não existiam locais de banho acessíveis para os membros da classe guerreira e eles podiam passar um ano inteiro com apenas três banhos! Imagine o cheirim debaixo da armadura…

Falar nisso me fez lembrar de outro… hã… detalhe…

Vestir uma armadura completa poderia levar até uma hora e, em várias ocasiões, só era possível com a ajuda de um servo. Sendo assim, os cavaleiros não viviam tirando e colocando suas armaduras quando queriam. Então, se chegasse a hora de o coitado fazer o número 1 ou – ainda pior  – o número 2, e ele não conseguisse remover partes de sua armadura, teria que fazer tudo vestido mesmo! Por isso, alguns modelos de armaduras possuíam pequenas aberturas que permitiam que os cavaleiros pudessem se aliviar mesmo vestidos.

O que era um risco de levar um golpe por entre essas aberturas…

Agora, pensa como era o interior de uma armadura dessas? Sem banhos e oportunidades de ir ao banheiro, os cavaleiros passavam horas dentro de armaduras imundas. Além das sujeiras do próprio corpo, elas podiam acumular sangue dos próprios guerreiros ou dos adversários e pedaços de comida. Barbas, cabelos e mãos também eram repletos de sujeira…

Daí, meu caro leitor ou cara leitora, se era difícil para os cavaleiros medievais encontrarem condições propícias para o banho, imagine se eles iriam se preocupar com seus dentes? Além da falta de higiene, vários cavaleiros apresentavam dentes irregulares, por terem quebrado alguns deles em batalha. Não era raro encontrar um cavaleiro mais experiente sem todos os dentes antes mesmo dos 30 anos.

Agora… pensa na aparência de um guerreiro desses?

Sujeira por todo o lado, nas unhas, cabelos… pedaços de comida, sangue seco, cheiro de jaula dentro da armadura de metal… Esquece o visual de um príncipe sedutor… Quando tiravam sua armadura, nada de cabelos e barbas aparados e dentes limpinhos, eles se pareciam mais com os bárbaros selvagens contra os quais lutavam.

Aí, nosso herói medieval fedido e sujo tirou a armadura e, depois de tanto tempo preso naquela lata de sardinha gigante, ele quer ter uma noite de rala e rola.

De novo, esqueça a imagem de guerreiros honrados e galãs conquistadores de princesas e mocinhas indefesas. Era comum que os cavaleiros conseguissem sexo, após as vitórias em batalha, violentando mulheres e garotas de vilas ou tribos rivais. Virgens eram os alvos preferidos dos cavaleiros.

Sim, eu sei que tudo isso é uma grande decepção… esses heróis galantes não tinham nada de galantes. Talvez seja melhor mesmo a gente guardar na memória a imagem de nossos heroicos cavaleiros enfrentando dragões e salvando a princesa.

Pelo menos, nesses contos, a gente não precisa lidar com a realidade, né?

Caráter vetor criado por macrovector – br.freepik.com

 

 

 

 

fontes:

wikipedia

fatosdesconhecidos.ig.com.br

 

Curiosidades, Sabedoria

AS BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS QUE ATERRORIZAVAM TROPAS NAZISTAS

Obra de Ritanna Armeni reconstrói a história das soviéticas que lutaram durante a Segunda Guerra

Aviadoras soviéticas, mais conhecidas como “bruxas da noite” – Divulgação

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito de homens e mulheres. Nunca antes em toda a História tantas mulheres, em diferentes países, foram chamadas a contribuir com um esforço de guerra como entre os anos de 1939 e 1945. Elas ocuparam funções que antes eram consideradas masculinas, como engenheiras, supervisoras de produção e motoristas de caminhão, por exemplo, e também se alistaram nas Forças Armadas.

A obra As Bruxas da Noite, da jornalista e escritora italiana Ritanna Armeni, conta a história das aviadoras soviéticas que defenderam seu país durante a Segunda Guerra Mundial e foram responsáveis pelos bombardeios que atingiram e dizimaram tropas alemãs.

Recentemente lançada pela Editora Seoman, a obra reconstrói a trajetória das aviadoras do 588º Regimento de Bombardeio Aéreo Noturno Soviético, que, ao todo, realizaram mais de 23 mil vôos noturnos em 1100 noites de intensos ataques.

Para escrever sua narrativa, Ritanna Armeni entrevistou a última aviadora viva, Irina Rakobolskaja, hoje com 96 anos. A jornalista deixa bem claro em sua obra a importância dessas mulheres durante as batalhas contra o Terceiro Reich.

O apelido de Bruxas da Noite lhes foi atribuído pelos alemães, pois se sentiam ameaçados por essas mulheres. Elas sempre atacavam os nazistas durante a noite e com os motores desligados, com o intuito de não chamarem a atenção.

A função do 588º regimento era o de espalhar o pânico nas tropas alemãs, bombardeando suas linhas de defesa avançadas dentro da URSS, causando pânico e impossibilitando o descanso das tropas.

O bombardeio de assédio é uma tática psicológica, na qual, de modo imprevisto mas constante, fustiga-se o inimigo com bombas de baixa potência, imprimindo às tropas assediadas elevado estresse, baixando o moral e minando sua aptidão para a luta.

Esse regimento aéreo surgiu porque, durante a guerra, ficou evidente a necessidade de ampliar a força aérea soviética para impor alguma defesa contra a poderosa e soberana Luftwaffe (a Força Aérea Alemã), tendo as mulheres também sido incumbidas nessa função.

Grande parte da concepção do regimento aéreo feminino partiu dos esforços da Coronel Marina Raskova, uma aviadora russa com status de celebridade por seus trabalhos em aerodinâmica e na Zhukovsky Air Academy (Academia Aeronáutica Zhukovsky).

Marina Raskova, como tantas outras aviadoras, não sobreviveu à guerra, morrendo em 4 de janeiro de 1943 em um acidente aéreo às margens do rio Volga. Talvez o acidente tivesse sido evitado se o 588º regimento dispusesse de aviões mais modernos. Créditos: autoria desconhecida.

Raskova usou sua influência para persuadir Joseph Stalin, que concordou em criar três regimentos femininos na aviação soviética, emitindo a ordem de criação em 8 de outubro de 1941 e operando efetivamente a partir de 1942.

Cada regimento aéreo possuía cerca de 400 mulheres, todas marcadas pela coragem e voluntariedade de servir às Forças Armadas e tendo a maioria vinte e poucos anos de idade. O corpo militar era completamente formado por mulheres, seja pilotando, consertando, administrando ou comandando.

Devido à pressão exercida pelo exército alemão, o tempo de treinamento de aviadores e aviadoras foi reduzido de 4 anos para poucos meses.

As mulheres do 588º regimento voavam nos antiquados biplanos criados na década de 1920, os Polikarpov’s Po-2. Os Po-2 eram lentos, desconfortáveis, inflamáveis e presas fáceis para qualquer bateria antiaérea que os avistasse. Créditos: autoria desconhecida.

Para realizar suas funções, as aviadoras receberam os obsoletos Polikarpov’s Po-2, aviões criados em meados da década de 1920 e geralmente utilizados para o ensino de navegação aérea ou utilidade agrícola. A velocidade máxima do aparelho aéreo, mesmo embalado, não ultrapassaria os 150 km/h.

Os Polikarpov’s Po-2 eram construídos praticamente com madeira, lona e algum tecido, ficando incrivelmente suscetíveis a incêndios devido à sua composição altamente inflamável, onde apenas o motor era constituído de aço. Muitas vezes bastavam apenas alguns tiros para que os aviões se tornassem verdadeiros cometas desgovernados antes de se chocar contra o solo.

Além de lentíssimos, possuíam pouca capacidade de carga (aproximadamente 300 quilos), obrigando as aviadoras ao cumprimento de várias missões numa mesma noite, muitas vezes chegando a quase 20 incursões.

Em meio às desvantagens de se pilotar aeronaves tão antigas, surgiram algumas vantagens inesperadas. Uma de grande importância residia no fato de que os modernos caças da Luftwaffe possuíam a velocidade mínima bem superior à máxima dos Po-2, o que fazia com que os pilotos alemães, embora experientes, arriscassem a vida em manobras reprováveis por qualquer comando aéreo, sendo praticamente inúteis contra as Bruxas da Noite.

Focke-Wulf, versão Fw 190. Suas melhorias o tornariam, de acordo com especialistas, o melhor caça a pistão da guerra. Contudo, sua velocidade mínima praticamente o incapacitava para atacar os infames Polikarpov’s Po-2. Créditos: autoria desconhecida.

Outra vantagem dos Polikarpov’s Po-2 era a fácil tarefa de encontrar alvos terrestres para atacá-los com maior precisão. Esse fato se devia justamente à baixa velocidade e excelente manobrabilidade.

Ainda, as aviadoras realizavam voos em baixíssima altitude, deixando os alemães ainda mais perdidos sem saber onde se esconder

Mesmo com tamanha dedicação ofertada em prol da sobrevivência do estado soviético, o intransigente conservadorismo e o preconceito, sobretudo de gênero, permeava a sociedade soviética e prevaleceu, encerrando prematuramente a carreira das aviadoras.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, as Bruxas da Noite, assim como tantas outras mulheres, foram sumariamente desligadas das Forças Armadas, entrando a maioria no esquecimento e até sofrendo desprezo por parte da população.

As aviadoras também tiveram dificuldade em publicar suas memórias de guerra devido à forte censura do Estado liderado por Stalin, que retirava qualquer passagem tida como inapropriada à URSS.

Ritanna Armeni busca, então, reconstruir a história das Bruxas da Noite em seu livro, pois segundo a autora, a sociedade nunca deveria ter apagado da memória a luta dessas guerreiras.

 

 

 

Fontes:

aventurasnahistoria.uol.com.br

incrivelhistoria.com.br

 

Curiosidades, Family, Humor

Propagandas antigas curiosas, divertidas ou politicamente incorretas

É muito interessante a gente voltar no tempo e observar como os costumes mudam. É natural, a sociedade evolui (em alguns casos, involui, rsrsrs) e também os costumes e as preferências das pessoas.

Acreditar que a vida era melhor em nossa época de juventude não significa, necessariamente, que isso seja verdade. O que muita gente faz é supervalorizar certos momentos da infância, atribuindo-lhes qualidades que, muitas vezes, existem apenas na lembrança.

Muitos lembram da vida mais simples, jogando bola em campos de terra, subindo em árvores para comer fruta, etc. De fato, coisas boas ficam marcadas. Mas e as dificuldades? E o trabalho de tirar água do poço? E o fato de os banheiros serem cabanas externas sem ligação com as casas? E os ferros de passar roupa, aquecidos a carvão? E se você ficasse doente, qual era o hospital mais próximo?

Deixando essa discussão mais aprofundada para outro momento, a publicidade sempre foi um balizador e termômetro da vida em sociedade, um espelho do que se consumia e do que se acreditava. Veja só alguns exemplos…

  • Imagine como era um milagre, em 1937, você poder ligar para sua mãe no Natal? lembrando que isso era para os poucos que tinham telefone em casa!
  • Propaganda da Shell veiculada em 1942, período da II Guerra Mundial, incentivando a economia de combustível.
“Petróleo é munição – economizemos para a defesa” dizia o slogan da companhia.
  • Neguinho já tacava fogo na babilônia naquela época… Com o nome de ˝cigarros índios˝ a cannabis era vendida livremente na São Paulo do início do século 20.
  • Comentei acima sobre a mudança de costumes e preferências… Veja que em 1926 mulher magra estava em baixa, a preferência era por uma mulher com vários quilos de carne sólida!
  • Não é o que você pode estar pensando… A referência é a um pinto, uma moeda portuguesa, nesse anùncio de 1913. Quem sabe os amigos portugueses possam confirmar essa informação!
  • Apenas mera coincidência eu ter selecionado este anúncio maluco… Dória, o elixir, era um sucesso contra o bafo de bode e problemas do estômago nos idos de 1930. Qualquer semelhança do ser chifrudo sendo engolido com a palavra ´Não Temer´ é mera coincidência, reforço.
  • Agora, vamos avançar algumas décadas para as propagandas coloridas. Esta foi muito veiculada nas revistas de 1957. O Sabonete Cinta Azul garantia a qualidade do produto até o fim: “um sonho de sabonete, conserva todas as suas qualidades até ter atingido a espessura de uma folha de papel”.
  • Em 1944, a Loteria Federal promovia o prêmio de 1 milhão de cruzeiros (hoje, a grosso modo, um valor próximo a R$ 4 milhões). Um anúncio chamativo, em cores fortes, com os dizeres: “O seu dia chegará”.
  • Com foco no restabelecimento do apetite nas crianças, o Emulsão de Scott apresentou este anúncio nas revistas em 1954: “Minha filha já tem apetite / Era criança sem vida”. O fortificante era apresentado como responsável por restabelecer a saúde da criança: “Passou a ter boas cores, a comer bem”. Seu concorrente era o Biotônico Fontoura.
  • O anúncio do Leite Ninho, de 1960, mostra um mãe cuidadosa e atenta na alimentação das crianças.
  • Esta saiu muitas vezes na revista O Cruzeiro, também nos anos 1960.

Daria para fazer um panorama de nossa História apenas analisando as propagandas que eram veiculadas em jornais e revistas e, mais tarde, na televisão – sem esquecer o rádio, claro. E, hoje em dia, incluindo sites e redes sociais. Até que é uma ideia…

ATUALIZAÇÃO

Mário Rubial, “dono” da nossa página PAPO DE BOTECO, de crônicas divertidas e saborosas, comentou aqui sobre uma famosa propaganda que era veiculada nos bondes. Como era o modo de transporte mais utilizado, não demorou muito para que os bondes passassem a ostentar publicidade interna e externamente.

No início, os passageiros não gostaram da novidade, mas acabaram se acostumando com os paineis e talvez a publicidade mais famosa de todas, e que faz parte da memória coletiva do brasileiro, seja a do Rhum Creosotado

Os versos são de Ernesto de Souza (farmacêutico, teatrólogo, músico e compositor) e criador desse remédio, com farta propaganda em jornais, revistas e, principalmente, nos bondes.

O anúncio acima é de 1940, com desenho de J. Carlos, o mais famoso cartunista da época.

O tema seria recorrente na publicidade do produto, como na bem-humorada versão acima, nos bondes dos anos 1950, em que o “tipo faceiro” era uma mulher de maiô.

Para quem nunca conheceu os bondes, fiz um breve resumo de sua história na cidade.

O bonde, por muitas décadas, foi o principal meio de transporte dos moradores de São Paulo. Os primeiros registros desse transporte são datados de 1872, quando São Paulo contava com um serviço de bondes puxados por tração animal, chamado de bonde a burro.

A primeira viagem desse modal foi feita entre a Rua do Carmo e a Estação da Luz, que nada mais era do que um entreposto comercial entre o interior do estado, grande produtor de café, com o Porto de Santos, destino final daquelas sacas e dos barões que embarcavam nos navios para conhecer a Europa.

Quase 30 anos depois, após adaptações e negociações, surgem os bondes elétricos na cidade, graças à Light, empresa que teve intensa participação na formação da cidade. A primeira viagem de bonde elétrico foi feita no dia 7 de maio de 1900. Em três décadas, a demanda foi tão grande que, nos anos 30, a cidade chegou a ter 160 quilômetros de trilhos, quase o dobro dos atuais 96 quilômetros de Metrô que São Paulo tem nos dias de hoje.

Em 1947, após a não renovação do contrato com a Light, a operação dos bondes passou para recém-criada Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC). De todas as capitais que tiveram esse modal, São Paulo foi a que mais tempo teve os bondes circulando pelas suas ruas: em 27 de março de 1968, um bonde que atendia a linha Praça da Sé-Santo Amaro circulou pela última vez pela cidade.

Fontes:
facebook.saopauloantiga/photos; 
internet
sampahistorica.wordpress.com
novomilenio.inf.br
wikipedia

Atualidades, Curiosidades, Sabedoria

500 anos da morte de Leonardo da Vinci

Leonardo da Vinci é considerado um gênio, pois utilizava seu talento nas artes, medicina, engenharia, arquitetura e física.

Desde novembro de 2019, a cidade de São Paulo está recebendo ““Leonardo da Vinci — 500 Anos de um Gênio”, a maior e mais completa exibição já realizada sobre a obra do artista. Sua criação é uma parceria da Grande Exhibitions com o Museo Leonardo da Vinci, de Roma. Uma das atrações é uma animação do afresco ‘A Última Ceia’, que mostra uma projeção da obra em tamanho real (4,6 m x 8,8 m).

Leonardo da Vinci, reconhecido como um dos mais completos artistas de todos os tempos, era um pintor que, além de obras de arte, com pinturas muito famosas e as mais reproduzidas pelo mundo todo, também utilizava sua genialidade e talento nos ramos da medicina, engenharia, arquitetura e física.

Leonardo di Ser Piero “da Vinci” nasceu em 15 de abril de 1452, em Vila de Vinci, na Toscana, Itália. Leonardo era filho da camponesa Caterina Lippi e do tabelião Piero da Vinci. Seus pais não eram casados, e ele acabou sendo educado por parentes próximos, como sua madrasta e avó, já que sua mãe entregou a sua guarda ao pai quando o artista tinha apenas 5 anos de idade.

Leonardo da Vinci passou a juventude na cidade de Florença, num período de grande excitação artística e cultural. Posteriormente, ainda viveu em Milão, Roma e, por último, na França

Apesar de todos acharem que “da Vinci” trata-se de seu sobrenome, isso não é real. Escolheu-se essa denominação devido ao vilarejo onde nasceu. Traduzindo para o português, seria algo como Leonardo da Vila da Vinci, que se resumiu em Leonardo da Vinci

A Última Ceia, afresco que representa a última ceia de Jesus, localizado na parede de uma igreja de Milão.

Como era da Vinci?

Relatos antigos apontam que Leonardo tinha cabelos louros, nariz aquilino e olhos azuis. Na biografia de da Vinci escrita por Walter Isaacson, o autor define o artista com a seguinte frase: “O maior gênio da história era filho ilegítimo, gay, vegetariano, canhoto, muito disperso e, às vezes, herético”. Isaacson também afirma que da Vinci era um grande ativista pelos animais, do tipo que faria inveja aos militantes de hoje.

Quando jovem, Leonardo da Vinci chamava atenção por ser dono de uma beleza física inigualável. É difícil conseguir visualizar todas essas características na imagem que conhecemos de da Vinci, já que a maioria das pinturas que o retratam são dele já mais velho. Na imagem abaixo, uma possível representação do gênio quando jovem…

Leonardo da Vinci morreu aos 67 anos, em 2 de maio de 1519, em Cloux, na França. Foi enterrado na igreja de Saint-Florentin, em Amboise.

Física, Natureza e Anatomia

Para além de suas pinturas, as mais conhecidas em todo o mundo, Leonardo também era inventor e cientista. Entre os rascunhos de seus cadernos, também estavam os seus desenhos. Muitos deles contribuíram para estudos no ramo da Física. Por exemplo, havia anotações que mostravam desenhos de espelhos côncavos que concentrariam raios de luz a partir de diversos ângulos, ajudando a entender mais sobre o funcionamento da Óptica. Teoremas iniciais referentes à inércia, à força e à ação/reação também foram encontrados.

Não há como deixar de destacar a sua curiosidade pela anatomia humana e toda a sua funcionalidade. Relatos apontam que da Vinci chegava a ficar noites inteiras em hospitais a fim de saber como era a funcionalidade do corpo.

Sua famosa obra “O Homem Vitruviano”, de 1492, é uma ilustração que conta com um desenho de uma figura humana com proporções perfeitas, com os braços e as pernas estendidos dentro de um círculo e de um quadrado. Ela foi inspirada em uma célebre passagem do arquiteto romano Vitruvius.

As invenções de da Vinci

O artista foi o responsável por um grande número de invenções à frente de seu tempo, ele parecia antever o futuro. Mas nem tudo que ele pensou teria funcionado direito.

Escafandro

Tudo indica que uma rápida passagem de Leonardo da Vinci por Veneza, no fim do século 15, tenha inspirado a tentativa do mestre de criar um escafandro (ou traje de mergulho). A tese faz bastante sentido: além da localização semiaquática da cidade-estado italiana, com seus famosos canais, havia a motivação militar, que também está por trás de outros vários dos inventos do renascentista.

Naquela época, a república veneziana travava uma guerra duríssima contra o Império Otomano, liderado por turcos muçulmanos. O conflito colocava em risco o poderio comercial de Veneza no Mar Mediterrâneo. Diante desse cenário conflituoso, Da Vinci teria tido um estalo. E se os venezianos conseguissem atacar as embarcações turcas por baixo, com investidas pelo fundo do mar?

A solução, esboçada pelo inventor em seus cadernos, lembra, à primeira vista, uma roupa de aviador do começo do século 20. Feita de couro, ela recobriria o corpo todo do escafandrista, incluindo jaqueta, calças e uma máscara com um par de visores para que o mergulhador conseguisse enxergar o ambiente ao seu redor. Os esboços mostram longos tubos flexíveis que saem da máscara e vão terminar acima da linha da superfície, em flutuadores que seriam feitos de cortiça – e que, por isso, ficariam boiando. Isso permitiria que as pontas desses tubos ficassem permanentemente em contato com o ar, possibilitando a respiração regular do mergulhador.

Aeroplano

Leonardo da Vinci era vidrado no voo das aves. O renascentista queria a todo custo descobrir o segredo dos pássaros, talvez porque sonhasse em voar mais do que qualquer outro homem já tinha ousado sonhar. Como era um gênio e tinha total noção da sua genialidade, achou que seria capaz de criar uma máquina voadora.

O modelo tinha grandes asas inspiradas nas dos morcegos e seria equipado com uma grande argola, dentro da qual ficaria encaixado o corpo do piloto. Teria também suportes para direcionar as asas e estribos que permitiriam batê-las. A estabilidade, na imaginação do inventor, seria proporcionada por uma pequena cauda. Mas… talvez ele soubesse que nenhum ser humano conseguiria bater as asas do aparelho com a força e a rapidez necessárias para mantê-lo no ar. Por isso, o projeto jamais saiu do papel.

Paraquedas

No século XV, da Vinci estudou o voo dos pássaros e tirou conclusões básicas sobre a aerodinâmica. É considerado por muitos o pai do paraquedas, o qual inventou com o intuito de resgatar pessoas presas em prédios em chamas.

Em 1483, ele idealizou um “protetor para quedas”, feito de pano e com o formato de uma pirâmide, que serviu para estudar os princípios da aerodinâmica: ao aumentar a resistência ao ar, o objeto diminui a velocidade de queda de um corpo na atmosfera. Diferentemente do que se vê nos equivalentes modernos, Da Vinci não previu no seu projeto um pequeno furo no topo – hoje, considerado essencial para a estabilidade na descida.

Tanque blindado

Este projeto foi desenhado, aproximadamente, em 1487. O tanque blindado do inventor italiano tinha o formato de um disco voador e canhões em toda a culatra, permitindo um giro de 360º. A cobertura convexa tinha como objetivo desviar dos ataques dos inimigos. Tinha capacidade para até oito pessoas.

A blindagem seria feita de madeira e recoberta com folhas de metal, mais ou menos como certos escudos militares da época, e encimada por uma torre de observação. Como não havia motores movidos a diesel no século 15, o tanque de guerra, se tivesse sido construído, teria de ser impulsionado a muque humano mesmo. Os oito tripulantes precisariam girar um conjunto de manivelas, propelindo as rodas do veículo.

De acordo com as anotações do próprio Leonardo da Vinci, o tanque foi projetado para servir a um objetivo tático bem definido: o de assustar o inimigo e abrir a maior brecha possível em suas fileiras, de modo que os soldados de infantaria aliados conseguissem empreender um ataque fulminante e decisivo. O inventor sabia, entretanto, que nem sempre seria possível empregar essa arma secreta, uma vez que a estrutura da máquina de guerra era extremamente pesada e suas rodas ofereceriam bem pouca ou nenhuma mobilidade em campos de batalha íngremes ou acidentados.

A maioria dos estudiosos acredita que, na verdade, Da Vinci sabia perfeitamente bem que sua invenção tinha muitas outras limitações além dessa. Afinal, ele entendia de mecânica como poucos – ou melhor, como pouquíssimos. Mesmo assim, optou por produzir esquemas confusos. As motivações para essa esquisitice podem ser o notório ciúme que o mestre tinha de suas criações e também seu pacifismo. Apesar de botar banca como engenheiro militar, costumava criticar os absurdos da guerra em seus escritos, bem como todas as demais formas de violência.

Da Vinci era gay?

A especulação sobre a sexualidade de Da Vinci é um passatempo centenário. Escrevendo na década de 1560, o artista Giovanni Paolo Lomazzo inventou um diálogo entre o artista e o escultor grego Phidias, no qual este o questiona sobre a natureza de seu relacionamento com um de seus jovens assistentes: “Você talvez brincou com ele aquele ‘jogo do traseiro’ que os florentinos amam tanto?” Leonardo responde afirmativamente com entusiasmo. Em 1910, Sigmund Freud especulou que, apesar de cercar-se de jovens bonitos, a homossexualidade de Da Vinci era apenas latente e não era colocada em prática.

Um desses jovens foi Gian Giacomo Caprotti, conhecido por Da Vinci como Salaí (“pequeno demônio”), um garoto de família pobre que ingressou na sua oficina aos 10 anos, em 1490, quando o mestre tinha quase 30 anos. Ele imediatamente se notabilizou como um causador de problemas: há referências frequentes de Da Vinci a Salaí por roubos ou por ter comido mais do que o artista considerava respeitável. Ele era um garoto da classe trabalhadora e, evidentemente, muito difícil de lidar, mas acabou ficando com Leonardo por 25 anos.

Relacionamentos homossexuais eram comuns na época

Enquanto Da Vinci era um homem à frente de seu tempo de muitas maneiras, a natureza de sua ligação com Salaí era algo comum na época. Relacionamentos como este, entre homens adultos e adolescentes, eram realmente muito comuns no mundo em que Leonardo viveu. No período em que Leonardo morou em Florença, no início de sua carreira, as relações homossexuais eram tão predominantes que o termo “florenzer” se tornou uma gíria alemã para as relações entre pessoas do mesmo sexo.

No entanto, na tentativa de controlar a prática, o governo da cidade incentivou os cidadãos a denunciá-la. Aos 23 anos, Leonardo estava entre os quatro artistas acusados publicamente de sodomia após uma denúncia anônima. Mas não se sabe se ele foi preso.

Sabemos muito sobre os interesses de Leonardo da Vinci em botânica e anatomia humana, suas explorações na aviação, de máquinas de guerra e do fluxo de água, suas habilidades como pintor e até mesmo sua reputação de deixar projetos inacabados. Mas o que sabemos sobre o homem e suas paixões?

Fontes:

mundoeducacao.bol.com.br
superabril.com.br
sabercultural.com.br
wikipedia
Atualidades, Curiosidades, Family

Um dos uísques mais vendidos do mundo foi criado por um escravo

O Jack Daniel’s é um uísque fabricado pela Jack Daniel Distillery, fundada em 1876 pelo destilador norte-americano Jack Daniel (Jasper Newton Daniel), na cidade de Lynchburg, Tennessee, nos Estados Unidos. Desde 1956, pertence ao grupo Brown-Forman Corporation. E, até recentemente, a versão oficial era de que o criador da receita do uísque da marca era um pastor e fazendeiro da região chamado Dan Call.

A verdade, no entanto, é que a receita foi criada por um escravo de Call chamado Nearis Green. Mas essa história só passou a ser contada pela marca em 2016, 150 anos depois da sua criação.

Famoso e conhecido pelas garrafas quadrangulares de rótulo negro, o Jack Daniel’s é um dos uísques mais vendidos no mundo. Somente em 2014, a marca teve um lucro líquido de 208 milhões de dólares.

Durante anos, a história predominante do uísque americano foi contada como um caso centrado em colonos alemães e escoceses-irlandeses que destilaram seus excedentes de grãos em uísque e os enviaram para mercados distantes, criando uma indústria de 2,9 bilhões de dólares.

Os homens escravizados não só compunham a maior parte da força de trabalho na época, mas muitas vezes desempenhavam papéis cruciais e qualificados no processo de fabricação do uísque. Da mesma forma que os autores de livros de receitas brancos frequentemente se apropriavam de receitas de seus cozinheiros negros, os proprietários de destilarias brancas levavam crédito pelo uísque.

Jack Daniel, de chapéu branco, em uma fotografia do início do século 20 com seu amigo George Green, filho de Nearest Green, ao seu lado.

Mas a história de Jack e seu uísque foi um pouco diferente. Porque Jack e Green eram amigos.

A existência de Green nunca foi um grande segredo, mas, em 2016, a empresa Brown-Forman, dona da Destilaria Jack Daniel, ganhou manchetes pelo mundo com a decisão de finalmente abraçar o legado de Green e mudar significativamente seus roteiros turísticos para enfatizar seu papel.

“Sem dúvida, era perturbador o fato de que uma das marcas mais conhecidas do mundo ter sido criada, em parte, por um escravo”, disse a investidora de bens imobiliários e escritora afro-americana Fawn Weaver, de 40 anos.

Green não apenas ensinou a Daniel o processo de destilação, como trabalhou depois da Guerra Civil americana para ele, tornando-se o primeiro mestre destilador negro dos Estados Unidos.

A decisão da empresa de reconhecer sua dívida com um escravo, relatada pela primeira vez no The New York Times em 2016, é uma mudança decisiva na história da indústria alimentícia do Sul dos Estados Unidos.

De acordo com o que foi apurado, “Green foi alugado pelos seus proprietários, uma empresa chamada Landis & Green, para os agricultores do entorno de Lynchburg, incluindo Dan Call, um rico proprietário e pastor que também empregou um adolescente chamado Jack Daniel para ajudar a fazer uísque. Green, já hábil em destilar, manteve Daniel sob sua asa e, após a Guerra Civil e o fim da escravidão, foi trabalhar para ele na operação da bebida”.

Muitas pessoas entenderam mal a história, assumindo que Daniel era dono de Green e roubou sua receita. Na verdade, Daniel nunca possuiu escravos e sempre falou abertamente sobre o papel de Green como seu mentor.

Fontes:

observatorio3setor.org.br

thetimes.co.uk

gazetadopovo.com.br

Atualidades, Curiosidades, Family, Sabedoria

Tabus e crenças que envolveram a menstruação ao longo da história

Regras, “aqueles dias”, fluxo, mênstruo, menorreia, “chico”… São vários os nomes dados à menstruação, assim como também são muitas as crenças e ideias equivocadas a respeito desse assunto que, ainda hoje, é cercado de preconceito e desconhecimento.

Conselheira secreta

Modess, o primeiro absorvente interno descartável, foi lançado nos Estados Unidos na década de 1930 pela Johnson&Johnson e chegou por aqui em 1945. Como menstruação era um assunto pouquíssimo discutido em casa, por pudor e preconceito, a empresa criou uma conselheira feminina fictícia chamada Anita Galvão para responder as cartas das consumidoras em total sigilo. Além de orientações sobre como usar o produto, as mulheres pediam também orientação e dicas sobre questões sexuais.

Medo do frio

Por mais que os costumes tenham evoluído e o acesso à informação ampliado, muitos mitos ainda persistem na cabeça das brasileiras. Segundo um estudo global sobre a menstruação ao redor do mundo feito pela marca Sempre Livre em parceria com a KYRA Pesquisa & Consultoria, 43% das jovens entre 14 e 24 anos não andam descalças quando estão “naqueles dias”. De acordo com crenças populares que não correspondem à realidade, esse hábito pode piorar as cólicas. Além disso, 31% evita lavar os cabelos –ou conhece alguém que evita–, com medo de ficar doente (o que também é um mito).

Fase vergonhosa

Em muitos lugares da África do Sul, a menstruação ainda é motivo de vergonha. Para muita gente, as mulheres ficam “impuras” durante essa fase. Por isso, não podem encostar em imagens religiosas, que são vistas como sagradas, nem entrarem em templos.

Lista de proibições

Considerado o país com uma das culturas mais machistas do mundo, a Índia não é –literalmente– um país bom para menstruar (ou para ser mulher, na verdade). Quando estão menstruadas, as mulheres são consideradas “sujas” e intocáveis. Algumas pessoas, inclusive, acreditam que elas fiquem amaldiçoadas durante esse período, o que as impede de entrar na cozinha (sob o risco de contaminar os alimentos), dormir na própria cama, se sentar à mesa com a família e sair de casa.

Sem banho

Nas Filipinas, uma parcela significativa das mulheres não toma banho nem lava o cabelo durante a menstruação, pois ainda impera o mito de que a água faz o “sangue subir para a cabeça, causando loucura”. Elas também são proibidas de preparar certos alimentos, como maionese e bolo, porque acreditam que não ficam tão bons.

Tampões monstruosos

Durante a Idade Média, época em que a mulher era tida praticamente como pária da sociedade, a Igreja Católica não via com bons olhos a menstruação. Tecidos, principalmente o linho, eram usados como absorventes e depois lavados e reutilizados. Como não havia calcinhas na época, as moças enrolavam os panos e prendiam como podiam quando estavam menstruadas. Só que, com uma certa frequência, esses “absorventes” caíam no chão e causavam grande alvoroço entre as pessoas ao redor. Os homens, em especial, os chamavam de “tampão monstruoso”. As mulheres usavam noz-moscada ou pequenas bolsas de flores secas para esconder o cheiro do tecido encharcado de sangue.

Perigo ao pênis

Alguns homens da época medieval achavam que a menstruação era algo venenoso, que poderia estragar o vinho e as colheitas e até deixar os animais loucos. Menstruar era algo imundo e poluído e alguns médicos acreditavam até que era uma doença mensal que precisava ser tratada. Sexo, nem pensar: o sangue podia queimar a pele do pênis.

Disney audaciosa

Apesar de sua fama de pudica, a Disney criou um curta-metragem sobre menstruação em 1946 em parceria com a empresa Kimberly-Clark. Ele fazia parte de uma série de animações específicas para exibição em escolas americanas. “The Story of Menstruation”, disponível no YouTube, explica a meninas com idades entre 11 e 17 anos o que é a menstruação e como elas devem se portar durante o ciclo menstrual, com dicas curiosas como “você pode e deve tomar banho”. Em 2015, o curta assistido por pelo menos 105 milhões de garotas foi escolhido para fazer parte do National Film Registry, seleção de filmes preservados pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, por conta de seu significado “cultural, histórico e estético”.

Reserve 10 minutos e veja com que delicadeza e criatividade Disney tratou desse assunto, há mais de 70 anos!

Termo ofensivo

Quem é, afinal de contas, o homem citado na expressão “Tá de chico?”. Na verdade, a frase não se refere a nenhum Francisco específico para aludir à menstruação. Em Portugal, “chico” é sinônimo de “porco” –por isso temos em nosso vocabulário a palavra “chiqueiro”. Ou seja, trata-se de uma forma nada lisonjeira de relacionar a menstruação à imundície.

Leite azedo

No século 19, qualquer assunto relativo ao sexo era tabu nas tradicionais famílias brasileiras. Quando menstruavam, as mulheres se isolavam dos demais –crendices de que o sangue podia azedar o leite, entre outras lendas, dominavam o imaginário popular. E os “paninhos” deviam ser lavados e pendurados para secar em locais não alcançáveis à visão dos maridos.

Fontes:

Heloísa Noronha, colaboração com Universa

“Histórias Íntimas – Sexualidade e Erotismo na história do Brasil” (Ed. Planeta), de Mary del Priore

“O guia dos curiosos – Sexo” (Panda Books), de Marcelo Duarte e Jairo Bouer

Atualidades, Curiosidades, Novidades

“Unicórnio da Sibéria”, o animal pré-histórico que conviveu com humanos


Uma espécie de rinoceronte gigante que pode ter sido a origem do mito do unicórnio viveu na terra a até pelo menos 39 mil anos atrás.

Conhecido como “unicórnio da Sibéria”, o animal tinha um longo chifre na testa e vivia nas pradarias da Eurásia, a massa de terra que engloba os continentes europeu e asiático.

Novas evidências mostram que a espécie acabou extinta pois tinha hábitos de alimentação muito restritos. Cientistas dizem que saber mais sobre a extinção do animal pode ajudar a salvar os rinocerontes que ainda existem no planeta.

Os rinocerontes estão em perigo pois são muito seletivos em relação ao seu habitat, explica Adrian Lister, professor do Museu de História Natural de Londres e um dos autores do estudo.

“Qualquer mudança em seu ambiente natural é um perigo para eles”, disse Lister. “E, é claro, o que também aprendemos com esse registro fóssil é que uma vez que a espécie vai embora, não há como recuperá-la.”

Pesando até quatro toneladas, o “unicórnio da Sibéria” chegou a coexistir com os seres humanos modernos até 39 mil anos atrás.


Esqueleto do mamífero no Museu de Stavropol, na Rússia.

O que sabemos sobre o rinoceronte ancestral?

Antes das novas descobertas, acreditava-se que a espécie, cujo nome científico é Elasmotherium sibericum, tinha sido extinta há cerca de 200 mil anos.

No entanto, uma nova pesquisa com datação de carbono de 23 espécimes fossilizados ajudou os pesquisadores a descobrir que o gigante da Era do Gelo na verdade sobreviveu no leste da Europa e na Ásia Central até mais recentemente.

Os cientistas também isolaram o DNA do animal pela primeira vez, mostrando que a espécie se diferenciou dos atuais rinocerontes há cerca de 40 milhões de anos.

Porque ele foi extinto?

O estudo também analisou os dentes do animal, confirmando que ele pastava em gramas duras e secas. “Ele era como um cortador de grama pré-histórico”, afirmou Lister.

O ancestral do atual rinoceronte se especializou em um tipo de dieta que pode ter causado seu fim. Conforme a Terra esquentou e começou a sair da Era do Gelo, há cerca de 40 mil anos, os campos começaram a diminuir, restringindo a pastagem para a espécie.

Centenas de espécies de grandes mamíferos desapareceram depois do fim da última Era do Gelo, devido às mudanças climáticas, perda de vegetação e pela caça empreendida pelo homem.

O que ele nos diz sobre o destino dos rinocerontes modernos?

Hoje há apenas cinco espécies de rinocerontes restantes. Poucos animais sobrevivem fora de reservas e parques nacionais por causa da caça ilegal e por perder seu habitat natural, por conta da expansão urbana.

Os caçadores matam os rinocerontes ilegalmente, retiram apenas os chifres e em seguida abandonam o corpo do animal abatido. O chifre do rinoceronte é cobiçado porque é utilizado em várias receitas da medicina tradicional oriental. Um grama do pó do chifre custa mais de USD 3.000,00 e é comprado por gente muito rica. 

Quem o compra acredita que o chifre ralado e misturado com água pode curar ressaca, febres, convulsões, impotência e até câncer. O líquido branco é sorvido em pratos, como uma sopa.


De onde vem o mito dos unicórnios?

O Unicórnio é um ser mitológico, normalmente branco-puro quando é adulto, mas dourado em sua fase de potrinho, e prateado durante a adolescência, com um único chifre posicionado em sua cabeça como uma espiral. Ele vive geralmente nas florestas do norte da Europa, segundo as narrativas.

Essas entidades fantásticas são doces, mansas, puras, facilmente seduzidas por mulheres virgens. São, por esse motivo, adotadas pela iconografia do Cristianismo como símbolos da Virgem Maria, quando a religião assume o dogma da virgindade da mãe de Jesus. 

Supostamente seu chifre, o sangue e o pelo têm poderes mágicos. Em um dos episódios de Harry Potter, de J. K. Rowlling, o sangue desse ser puro é consumido por Voldermort, o vilão, para preservar a vida, mas o ato de matar um ente tão inocente o converte em um morto-vivo.

O unicórnio não convive com o Homem, mas se submete sem maiores problemas diante de uma mulher. Criptozoologistas – especialistas que investigam relatos da aparição de animais pertencentes ao universo das lendas e dos mitos – registram o aparecimento de unicórnios pelas várias regiões do Planeta, particularmente na Índia, sua terra natal.

O nascimento do mito é impreciso. Ele é encontrado nas bandeiras dos imperadores da China, na descrição biográfica de Confúcio; no Ocidente, o unicórnio integra as compilações de seres fantásticos coletados na época de Alexandre, e também nas bibliotecas e produções artísticas do Helenismo.

Imagens do unicórnio podem ser vistas em tapeçarias encontradas no norte da Europa e em caixas de madeira ricamente adornadas – os cassoni -, que integravam o enxoval das noivas italianas nos séculos XV e XVI.

Na Astronomia, ele corresponde à constelação conhecida como Monoceros. O unicórnio também é constante encontrado na literatura fantástica, especialmente nos livros de Lewis Carroll, C.S. Lewis e Peter Beagle.

Venerados como seres mágicos, os unicórnios conquistaram o mundo comercial. Hoje estão estampados em camisetas, bordados em almofadas, presentes no cinema e em games. Ou até são usados em chaveiros.

Fontes:

BBC
brazil.skepdic.com
Wikipedia