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Os carros mais bizarros de todos os tempos

A carruagem sem cavalo!

Em 1899, um veículo estranho ganhou as ruas em Michigan, nos EUA. Seu inventor, Uriah Smith, colocou uma cabeça de cavalo de madeira na frente do seu carro, para que os outros cavalos não se assustassem tanto com aquele veículo barulhento. “Quando os outros cavalos perceberem que foram enganados”, disse ele na ocasião, “meu veículo já terá passado”. A cabeça era oca, para poder guardar combustível lá dentro…

1911 Overland OctoAuto

O inventor Milton Reeves achava que um carro com seis ou oito rodas seria melhor. Segundo ele, mais rodas daria mais conforto às pessoas, por isso foi juntando peças, acrescentando mais eixos, e criou o OctoAuto… O monstrengo media 7 metros! Apesar dos esforços, Reeves não recebeu nenhum pedido.

1933 Fuller Dymaxion

Esse eu achei legal, parece as naves dos antigos filmes do Flash Gordon! Projetado por R. Buckminster Fuller, esse… er… carro tinha sido pensado originalmente para ser uma aeronave. O plano era instalar motor a jato e asas infláveis, assim você poderia dirigir o carro na estrada e, quando quisesse, inflar as asas e sair voando. Mas as asas nunca foram adicionadas ao modelo, e sem elas ele ficou parecendo um comprimido rolando pela rua… O primeiro protótipo tinha uma cauda como de avião e saía demais de traseira. O modelo mais novo era maior e mais pesado, e trazia uma aleta estabilizadora no teto, como de tubarão… O “carro” nunca foi aceito pelo público.

1957 King Midget Model III

Na década de 1950, Caud Dry e Dale Orcutt, de Ohio, decidiram que iriam criar carros que todos pudessem pagar. Eles começaram com o modelo I, oferecendo o veículo como um kit estilo “faça-você-mesmo”. O kit vinha com as estruturas do carro, os eixos e chapas de aço que deveriam ser trabalhadas por alguém com alguma habilidade. E qualquer motor de um cilindro (que não vinha no kit) alimentaria o veículo. Não se sabe muito bem como, mas os dois inventores continuaram no negócio até o final da década com sua obra-prima, o modelo III (na foto). Esse era uma caixa de aço dobrada com um motor de 9 cavalos de potência. Felizmente, os padrões de segurança do governo fizeram com que o King Midget se tornasse nada mais do que uma lembrança.

1958 Zundapp Janus

Quem assiste ao segundo filme da série Carros, da Disney/Pixar, vê entre os numerosos automóveis — alguns copiando modelos do mundo real, outros não — um curioso minicarro alemão de formas simétricas, com uma porta frontal e outra traseira. O personagem é o vilão Professor Zündapp, ou apenas Professor Z, que coloca nas telas um modelo de vida curta no mundo real: o Zündapp Janus.

A Zündapp foi fundada em 1917 em Nurembergue, na Baviera, Alemanha, com o nome Zünder und Apparatebau GmbH (detonador e aparatos ltda. em alemão) para fornecer detonadores de explosivos para a Primeira Guerra Mundial. Com a queda da demanda após o fim do conflito, o fundador Fritz Neumeyer passou a de dedicar à produção de motocicletas e lançava a primeira delas, a Z22, em 1921. Na década de 1930 suas motos ganharam sucesso com uma linha diversificada de 200 a 800 cm³, incluindo modelos com carro lateral (sidecar).  Mas, depois da guerra, a Alemanha precisava de automóveis que fossem quase tão baratos e econômicos quanto as motos, mas oferecessem proteção contra o inverno severo. Foi quando surgiu o Janus. O estranho minicarro tinha uma grande porta frontal e outra traseira, abertas para cima e cada uma com dois vidros, e desenho totalmente simétrico nas laterais: à exceção dos faróis, as partes anterior e posterior eram iguais.

O nome Janus, o mesmo do deus romano que tinha rosto nos dois lados da cabeça, era justificado: sua cabine era um trapézio com lados igualmente inclinados correspondentes à frente e à traseira. Com dois bancos inteiriços de dois lugares cada, os passageiros de trás viajavam voltados para a retaguarda. Nas laterais, sem portas, eram usadas janelas de plástico Plexiglas.

Não fosse pelos faróis salientes, pelo retrovisor ou pelos arcos dos para-lamas mais altos sobre as rodas dianteiras, o motorista talvez ficasse em dúvida se deveria entrar pela porta frontal ou pela traseira. Claro que só havia volante em um dos “lados” do carro.

O anúncio do Janus sugeria alegria, mas no filme “Carros 2” ele é o malvado Professor Z

As vendas do Janus alcançaram pouco sucesso: 6.902 carros até outubro do ano seguinte, quando se encerrava o breve ciclo de produção. Diante do fracasso — seria preciso vender 15 mil deles para amortizar o investimento —, a Zündapp voltou a se dedicar às suas motos.

1961 Amphicar

Resultado de mais de uma década de desenvolvimento, o Amphicar foi lançado em 1961, no Salão Automóvel de Nova Iorque. Foi o primeiro e único carro anfíbio a ser comercializado com sucesso. A sua produção estendeu-se durante um período de 15 anos e a transição da terra para a água era feita mediante dois ou três passos relativamente simples, e de uma alavanca acionada. É essa alavanca que transfere a força do motor das rodas para as duas hélices posicionadas na traseira do veículo.

Esse exemplar das fotos é do ano de 1966. O Amphicar não usa leme: as rodas dianteiras desempenham o papel com precisão surpreendente. As portas fecham contra borrachas de vedação e têm um trinco suplementar de pressão, que precisa ser usado antes de se entrar na água. Se, por algum motivo o carro começar a fazer água, é só apertar um botão no painel, que uma bomba elétrica de grande capacidade devolve o líquido para fora.

O maior problema desse carro, e que nunca foi resolvido de forma satisfatória, era o preço.  Foram produzidas apenas 800 unidades…

1966 Peel Trident

Esse carrinho parece algo saído de um filme B de ficção-científica… Projetado com um jeitão de disco-voador, foi construído na Ilha de Man, Reino Unido, nos anos 1960. Ele tinha uma bolha de fibra de vidro como capota, o que lhe dava um ar de carro futurista, mas se mostrou uma péssima ideia.  O sol deixava o interior do carrinho tão quente quanto um forno ligado… O motor barulhento DKW e o fato de ser tão pequeno (é o menor carro para dois passageiros já produzido) contribuiu para seu insucesso.

 

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Breve história do jeans na moda

A história dos jeans começou na França, em Nimes, onde o tecido foi fabricado pela primeira vez em 1792. Logo, passou a ser conhecido por “tecido de Nimes”, expressão que com o tempo foi abreviada para “Denim”. Por ser um tecido robusto e durável, sem necessitar de grandes cuidados, começou a ser utilizado em roupas para trabalhos no campo e pelos marinheiros italianos que trabalhavam no porto de Gênova, na Itália.

Anos depois, o tecido chegou aos Estados Unidos. Era a Corrida do Ouro na Califórnia, 1853, e andava por lá um jovem alemão de nome Levi Strauss, que tinha começado a vender lona para as carroças dos mineiros. Quando percebeu que a roupa dos mineiros sofria muito desgaste, pegou algumas dessas lonas e passou a vender calças feitas com elas. De cor marrom,  essas calças rapidamente se tornaram um sucesso, mas existia uma queixa recorrente: o tecido era pouco flexível.

Levi Strauss resolveu então procurar um tecido que fosse ao mesmo tempo resistente, durável, flexível e confortável de usar. E decidiu procurar esse tecido na Europa, continente que era mais desenvolvido à época, tendo encontrado e passado a usar o tal “tecido de Nimes”, feito de algodão sarjado.

Levi Strauss

O primeiro lote de calças de Levi Strauss tinha como código o número 501, que acabou por se tornar no modelo mais famoso e clássico. Devagarinho, com o passar dos anos, as calças jeans foram sendo melhoradas. Chamadas de “waist overalls” então, tinham um bolso para relógio, botões de suspensórios e apenas um bolso traseiro. Em 1860 foram acrescentados os botões de metal. Em 1886 começou-se a coser a etiqueta de couro no cós das calças, para reforçar sua procedência. Já a cor azul índigo, tão popular nos jeans atuais, só começou a ser utilizada em 1890 e foi, nada mais, nada menos, que uma estratégia (bem concebida) de tornar os jeans mais atraentes.  Levi Strauss decidiu tingir as peças com o corante de uma planta chamada Indigus, dando-lhes a cor pela qual o jeans é hoje conhecido. Os dois bolsos traseiros apareceram apenas em 1910.

A popularidade mundial dos jeans veio por volta da década de 30, através de filmes de sucesso que retratavam os famosos cowboys americanos. A Segunda Guerra Mundial popularizou a imagem de virilidade que o tecido Denim representava, pois era utilizado nas fardas do exército americano.

E entrou na moda, de forma definitiva, nos anos 1950. O blue jeans (modelo básico) foi usado por grandes personagens do cinema, como Marlon Brando em “O Selvagem” (1953), Marilyn Monroe em “O Rio das Almas Perdidas” (1954) e James Dean em “Juventude Transviada” (1955).

Marlon Brando
Marylin Monroe

James Dean

O grande ícone da moda da década de 70 foi a calça boca de sino, que descia ajustada na coxa e se abria abaixo do joelho. O modelo voltou nos anos 2000, só que com a cintura baixa e, de novo, em 2010. Na foto, “As Panteras”, série dos anos 70 que ajudou a popularizar esse modelo.

Ainda nos anos 70, os jeans detonados, rasgados e manchados foram também popularizados. Na capa do disco “Rocket to Russia” (1977) do Ramones, as calças combinadas com jaqueta de couro alinhavavam o visual punk que se estendeu pelos anos 80.

A Calvin Klein lançou sua linha jeans em 1978, tornando-se a primeira marca de luxo no mundo a introduzir o material em suas coleções. O sucesso foi tão grande que, após um ano, já havia faturado 70 milhões de dólares. A partir desse momento, o jeans se tornou uma peça sexy e cobiçada. Em 1980, Brooke Shields estrelou a picante campanha da marca em que diz: “Você quer saber o que há entre mim e minha Calvin? Nada”…

No Brasil, na mesma década, fez muito sucesso o jeans com lycra, e a campanha da empresa que primeiro lançou essa combinação transformou em musa a futura modelo e atriz Luiza Brunet.

Nos anos 90, o jeans também fez parte do visual grunge. O combo de camisa xadrez, tênis sujo e jeans velho (de verdade) era o uniforme dos seguidores de Kurt Cobain, líder da banda Nirvana.

No final dos anos 90 e começo dos anos 2000, as calças de cintura baixa –ou baixíssima, como as usadas por Britney Spears– eram febre! O único problema era conseguir sentar sem mostrar o “cofrinho”…

Na foto, a cantora Christina Aguilera (e rival da Britney!) usa outra grande modinha dos anos 2000: calça capri. O modelo, com comprimento abaixo dos joelhos ou no meio da canela, foi um ícone da moda da época.

Um modelo horroroso do final dos anos 2000, e que perdeu a força após 2012, foi a calça saruel. Apesar do grande sucesso na época, o modelo com cavalo baixo era controverso e não agradava a todos… Feio demais!

A calça skinny apareceu nos anos 50, mas foi em torno de 2010 que ela voltou para ficar e é uma das principais peças do guarda-roupa atual. O modelo justo é versátil e pode ser usado em diversas ocasiões e em diferentes estilos.

Hoje em dia, todo guarda-roupa, masculino ou feminino, tem o jeans como peça obrigatória. Mas… por que essas calças criadas por Levi Strauss se chamam “jeans”? A hipótese mais aceita é a seguinte:

O “tecido de Nimes” – que depois ficou “denim” – era utilizado na roupa dos marinheiros do porto de Gênova. Esses marinheiros genoveses tinham o costume de chamar “genes” às suas calças de trabalho. E quando pronunciavam a palavra “genes”, com o habitual sotaque italiano, a expressão acabou por se transformar, com o tempo, em “jeans” e assim se espalhou pelo mundo.

 

 

Fonte:

estilo.uol

Wikipedia

a origem das coisas

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A “TURMINHA BRAVA” contra o “DETETIVE BARDAHL”

Em 1939, uma pequena empresa americana iniciou a fabricação de um produto conhecido até os dias atuais: o aditivo Bardahl (para combater o atrito entre as peças do motor do carro).
Para divulgá-lo no Brasil (o produto começou a ser importado no início dos anos 50) a empresa criou a “Turminha Brava” (um bando de “malfeitores” que costumava atacar os “desprotegidos” motores dos veículos brasileiros). Esses terríveis meliantes atendiam pelos sugestivos nomes de “CHICO VÁLVULA PRESA”“ZÉ DOS ANÉIS PRESOS”“ANTONIO SUJO” e “CARVÃOZINHO”.
Em inglês, essa gangue se chamava Grimer Gang e seus membros se chamavam Black Carbon, Dirty Sludge, Gummy Rings e Sticky Valves, e quem os combatia era o Detetive Bardahl. A campanha foi criada no início dos anos 1950 por uma agência americana.
E aqui temos os originais: The Grimer Gang x Detective Bardahl
Segundo consta, o detetive Bardahl foi criado com base no personagem Joe Friday [interpretado por Jack Webb], detetive da série Dragnet (termo que indica batida policial) e que era muito popular nos Estados Unidos.
Os comerciais em desenho animado não apenas aumentaram as vendas do Bardahl, como também fizeram os personagens da Grimer Gang caírem no gosto popular. O comercial abaixo, que passou nas TVs americanas em 1959, foi um dos mais conhecidos:

O conceito da campanha era bem simples e objetivo: o Detetive Bardahl protegia o motor do carro contra os terríveis ataques da  Grimer Gang. Era o bem sempre vencendo o mal, como acontecia nos filmes e nas histórias em quadrinhos.

Quando a Bardahl resolveu trazer seus personagens – e essa campanha – para divulgar seus produtos no Brasil, em 1956, começou a veicular apenas em anúncios nos principais jornais do Brasil, como Estadão, Folha, Última Hora ou Diário da Noite.

Alguns dos anúncios que foram veiculados nos jornais de São Paulo foram estes:

Os comerciais de TV só passaram a ser divulgados no Brasil a partir de 1957. Eram os mesmos que passavam nos Estados Unidos, com uma dublagem brasileira. O comercial abaixo é de 1959 e passava muito na TV Tupi, na época uma emissora de muita audiência.

Os comerciais, que tinham inicialmente a assinatura “Com Bardahl tudo anda bem”, e posteriormente “Tudo anda bem com Bardahl”, enfocavam ora a Turminha toda, ora apenas algum de seus componentes, como no filme abaixo, dedicado ao Chico Válvula Presa:

Não demorou muito para surgirem os brindes, que eram ofertados nos postos de gasolina para serem colocados nos retrovisores. A série era disputadíssima pelas crianças, e hoje, quem tem todos os bonecos plásticos em bom estado não os vende por menos de R$ 3.000,00:

A partir de 1963, a Turminha Brava passou a contar com uma aliada: a Clarimunda, criada especialmente para o mercado brasileiro. Clarimunda tinha um corpo curvilíneo, numa tentativa de representação da mulher brasileira. Da mesma forma como acontecera com a Turminha Brava, Clarimunda foi introduzida inicialmente através dos jornais. Este anúncio saiu no jornal Última Hora, em 1963.

Logo a Clarimunda participou dos filmes com o resto dos vilões, em comerciais feitos aqui mesmo no Brasil, como este:

A personagem caiu no gosto popular, assim como os demais. Prova disso é que, nos anos 1960, havia um determinado tipo de mulher que recebeu o apelido de Clarimunda, feia de cara, mas boa de bunda!

Em 1968, a Bardahl começou a patrocinar um jovem piloto que despontava como promessa do automobilismo. Antes de ele ir para a Europa, esse piloto – campeão de Fórmula 3 – gravou um comercial de TV com… a Clarimunda e o resto da gangue!

Recentemente, essa turma toda foi recriada com um novo design e um novo figurino, e a Clarimunda passou a ser chamada de Drag Car, mais sensual.

Mas o que ficou mesmo na lembrança foi a turminha em preto e branco, e seu charme inigualável! Porque… tudo andava bem com Bardahl!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

 

Bardahl

anosdourados.blog.br

baudomaga.com.br

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O primeiro submarino da História a afundar um navio de guerra

O Hunley, submarino dos Estados Confederados da América, foi o primeiro na história a afundar um navio de guerra inimigo, o USS Housatonic, dos Estados Unidos da América, na noite de 17 de fevereiro de 1864. Ou seja, seis anos antes de Júlio Verne descrever seu fenomenal “Nautilus” no livro 20.000 Léguas Submarinas.

Mas, como é mesmo essa história? Vamos lá…

Durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), os estados do norte, que defendiam a união do país, bloquearam as costas do sul confederado, que lutava pela secessão dos estados escravocratas. Para fazer frente ao poderio da marinha da União, os confederados construíram o primeiro submarino que teve de fato um uso prático, o Hunley, pequeno e movido a manivelas acionadas por sete marinheiros.

Outra inovação dos confederados foi produzir um navio encouraçado, o CSS Virgínia, que destruiu dois navios da União, antes de ser contido no dia seguinte pelo revolucionário USS Monitor, também encouraçado e dotado de uma torre de canhões giratória. Os dois navios fizeram o primeiro combate naval da história entre navios couraçados.

Tanto o Hunley como o Monitor afundaram durante a guerra. Foram redescobertos e resgatados depois de mais de um século no fundo do mar. O trabalho de conservação e pesquisa arqueológica das duas embarcações históricas já leva mais de uma década, e ajudou a criar técnicas que estão sendo usadas em vários outros artefatos históricos em todo o mundo.

SUBMARINO HUNLEY

O submarino Hunley, batizado com o nome do seu inventor, Horace Lawson Hunley, foi desenvolvido no auge da Guerra Civil na cidade de Mobile, no estado do Alabama, sendo transportado por via férrea para a cidade de Charleston. Quando da chegada do Hunley a Charleston, seu porto encontrava-se bloqueado por 2 navios da União, o USS Housatonic e o USS Canandaigua, para impedir que navios mercantes abastecessem a cidade. Foi nesse contexto que o Hunley foi construído, para destruir os navios da União, pondo fim ao bloqueio naval.

A bordo dos navios da União, corriam rumores sobre uma “máquina infernal” que tinha sido desenvolvida pelos confederados, mas não se sabia ao certo que máquina era, apenas que podia deslizar silenciosamente pela água e aproximar-se de um navio sem ser notada, e afundá-lo.

Era isso mesmo que os confederados tinham em mente.

Com 12 metros de comprimento, um peso avaliado em 7.5 toneladas, movido à força de braços por meio de uma manivela acionada por 7 homens ligada a uma hélice de ferro forjado, o Hunley mostrou ser um submarino muito capaz, mas ao mesmo tempo muito perigoso também. Antes sequer de largar para o mar para atacar o USS Housatonic, o Hunley afundou por 2 vezes, afogando o seu próprio inventor, e mais outras 12 vitimas.

Com isso, os confederados perderam o interesse no submarino. Um oficial declarou até que: “Ele é mais perigoso para nós que para eles“.

Foi então que se deu uma reviravolta.

O tenente George L. Dixon, e 7 marinheiros, demonstraram interesse em usar o Hunley, mesmo sabendo de sua má fama. O tenente Dixon fez uma série de inspeções no submarino, nas quais identificou o que poderia ter causado os afundamentos, e ordenou alguns reparos. Depois de corrigirem esses problemas, Dixon e sua tripulação começaram a testar a embarcação.  O tenente levou o submarino ao limite, testando-o exaustivamente, calculando em “X” tempo, que distância o submarino percorria, quanto tempo podiam permanecer submersos até que os niveis de oxigênio os obrigassem a regressar à superfície e renovar o ar. Dixon calculou que podiam permanecer submersos cerca de 30 minutos.

No final dos testes, esses homens estavam dispostos a mostrar ao Almirantado que o submarino Hunley, em mãos experientes, poderia ser uma arma mortífera e extremamente eficaz. Afundando o USS Housatonic, que ocupava uma boa posição na baía, daria tempo para que alguns navios de mercadorias passassem pela “entrada desprotegida” providenciada pelo Hunley.

No dia 17 de fevereiro de 1864, às 20:45, Dixon e a sua tripulação entram a bordo do pequeno submarino e começam a sua jornada, a caminho da posição ocupada pelo Housatonic. Segundo o plano de ataque, ele pretendia submergir o Hunley quando estivessem a 1.2 km de distância do navio inimigo. Seu armamento consistia de um torpedo. Na terminologia do conflito, torpedo designava um explosivo instalado na ponta de um arpão, que era direcionado e preso ao casco da embarcação inimiga, e depois detonado por espoleta.

Segundo o relato de um sobrevivente do navio, o ataque foi assim:

Cantávamos o Hino americano, quando de súbito, sem que nada o previsse, ouviu-se o apito do vigia, paramos de cantar e fomos para o lado bombordo do convés. O que eu e os meus amigos marinheiros vimos, deixou-nos sem um pingo de sangue. Acabara de aparecer à superfície um objeto cilíndrico que se encaminhava na nossa direção, não dava para perceber o que era, a luz fraca não permitia que se visse bem, mas então, 2 tubos ergueram-se desse objeto, e percebemos que o que quer que fosse, fora construído pelo homem, e que as intenções dele não eram as melhores.

O capitão Pickering de imediato ordenou que se abrisse fogo sobre esse objeto, que, a cerca de 30 metros de nós, emitia fracos clarões de luz vindos do seu interior. Dada a proximidade a que se encontrava, não nos foi possível abrir fogo com as peças principais, sendo obrigados a abrir fogo com os mosquetes e revólveres. Do meio da confusão dos disparos, o capitão Pickering ordenou que os motores fossem de imediato postos em marcha à ré. Eu estava na amurada, disparando o meu mosquete naquele objeto, que se encontrava a 2 metros do nosso casco, quando de súbito parou. Ouviram-se gritos no interior da máquina atacante, e vi que tinha por cima pequenas vigias, e foi para lá que tentei apontar, na esperança de atingir algum dos homens no seu interior.

Então 2 tripulantes do meu navio gritaram, apontando para baixo, e vimos uma barra de ferro, que ia da máquina atacante até o nosso casco. Enquanto continuávamos a abrir fogo, a máquina começou a recuar lentamente. Não me parecia que as balas estivessem tendo qualquer efeito naquela máquina, mas não havia mais nada que pudéssemos fazer. Então, quando a máquina recuou a cerca de 40 metros, ouviu-se uma explosão debaixo d’água, todo o Housatonic tremeu sob nossos pés, a água lançada ao ar caiu sobre o convés, e nem um minuto após a explosão sentimos o convés inclinar-se, e percebemos de imediato que o navia ia afundar.

O capitão Pickering deu ordem de abandonar navio, e de imediato os botes foram lançados para dentro de água, e muitos lançaram-se ao mar. Eu fui um dos muitos que se lançou à agua, na tentativa de escapar. A água estava gelada, e fui resgatado para dentro de um bote. Nunca mais vi essa máquina que nos atacou. O Housatonic inclinou-se para trás, a proa surgiu nas águas, e nem 4 minutos após a explosão todo o magnífico navio desapareceu nas águas…

Pouco se sabe em relação ao que aconteceu a bordo do Hunley após a explosão. apenas que o submarino fez o sinal combinado, com uma lanterna de magnésio, confirmando o afundamento do Housatonic, e que os navios de abastecimento deviam agora encaminhar-se depressa para o porto de Charleston. Em terra, esperou-se pacientemente o regresso do submarino, mas ele nunca voltou.

O Hunley foi encontrado 136 anos depois, no dia 8 de agosto de 2000, enterrado sob 2 metros e meio de areia e lodo, que o conservou para a posteridade, além das ossadas do tenente Dixon e dos seus 7 tripulantes.

Os restos do Hunley.

Muita especulação há em torno do que aconteceu para o Hunley não ter regressado. Em geral, as teorias aceitas são:

  • A força da explosão da bomba, cravada no casco do Housatonic, pode ter danificado os componentes do submarino, a ponto de deixá-lo fora de operação;
  • Com o esforço realizado pela tripulação no sentido de movimentá-lo, os níveis de dióxido de carbono podem ter aumentado a níveis que fizeram os tripulantes desmaiarem, fato muito provável de ter acontecido, pois, quando do resgate da nave, as ossadas dos tripulantes encontravam-se tombadas sobre a manivela, o que é consistente com a teoria de terem desmaiado;
  • Outra hipótese é a de que, na explosão, o casco tenha ficado danificado a ponto de permitir a entrada de água, mas ainda deu tempo para a tripulação fazer o sinal de confirmação;
  • Uma inundação repentina, pela falha dos tanques de lastro, por exemplo, que fizesse com que o Hunley mergulhasse a pique, afogando os seus tripulantes.
Interior do pequeno submarino.

Quando do resgate da carcaça, não houve dúvida quanto à identificação do comandante, o tenente Dixon. Além de estar na posição esperada perto da escotilha na proa, foi achada uma relíquia especialíssima. Dixon tinha um talismã, uma moeda de ouro de vinte dólares que salvou sua vida durante a batalha de Shiloh ao ser atingida por uma bala inimiga.

Quanto ao USS Monitor, mencionado acima, vale lembrar que os estados americanos da “União”, ao norte do país, tinham maior potencial industrial que os da “Confederação” ao sul; logo puderam rapidamente criar uma brilhante resposta tecnológica ao desafio dos sulistas. O inovador couraçado USS Monitor acabou tendo uma carreira curta como a do pequeno submarino confederado, e um destino parecido. Afundou, demorou a ser achado, e parte dele foi resgatado e passa por um lento e longo processo de conservação e pesquisa.

Ele foi construído em Brooklyn, Nova York, em 1862. O USS Monitor foi o primeiro navio couraçado com ferro da marinha americana. França e Reino Unido construíram couraçados antes. Mas o Monitor, ao atacar o confederado CSS Virgínia na manhã de 9 de março de 1862 em Hampton Roads, iniciou o primeiro combate naval da história entre dois navios encouraçados. Curiosamente, mesmo depois de quatro horas de combate, nenhum navio sofreu danos sérios, mostrando que na época a couraça conseguia derrotar os canhões inimigos.

O CSS Virgínia era um navio de guerra improvisado, mas letal. Os confederados usaram o casco e o motor de um navio nortista abandonado. Fizeram uma casamata de madeira reforçada por ferro, com canhões nos bordos. Já o USS Monitor tinha uma bem mais eficaz torre giratória com dois canhões.

Voltando ao submarino, em 1999 foi lançado um telefilme chamado  The Hunley (Guerra Submarina), que conta a história do CSS Hunley e sua tripulação. Muito bem realizado, é estrelado por Armand Assante no papel do tenente Dixon. Vale muito a pena buscá-lo para assistir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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10 inventos revolucionários para os quais ninguém dá a mínima

Pouca gente nota, mas essas discretas criações mudaram o mundo

10. Sabão – Babilônia, 2800 a.C.

Misturando gordura com soda ou potassa cáustica, surge uma solução que remove a gordura. Mesmo tendo surgido há tanto tempo, os romanos achavam que era frescura de bárbaros e preferiam lavar suas roupas com urina – coletadas de voluntários em baldes pelas ruas. Para o corpo, usavam óleo, depois raspado com espátulas. A ideia de se lavar com sabão só foi colar no fim do Império. Na China, só chegou em tempos modernos.


9. Supermercado – EUA, 1930

Por séculos, as mercearias eram as “lojas que tinham de tudo”, com balconistas anotando os pedidos e pegando os itens um a um. Imagine como isso funcionaria numa cidade grande. Não funcionava e Clarence Saunders inventou o self-service em 1916, criando prateleiras onde todos se serviam e levavam até os caixas. Ideia óbvia, mas que nunca havia ocorrido a ninguém. Mas o primeiro supermercado, com o conceito que hoje está espalhado pelo mundo, foi o King Kullen, inaugurado em 1930 pelo empresário americano Michael Cullen.


8. Pneus – Irlanda do Norte, 1887

Ao perceber que seu filho ficava com dor de cabeça ao andar de bicicleta com rodas de borracha sólida, que se usavam naqueles tempos, John Dunlop criou a câmara de ar, para um passeio muito mais confortável de seu pimpolho. Sem os pneus infláveis, a revolução do automóvel seria inimaginável.


7. Vidro temperado – França, 1874

Incontáveis vidas foram salvas por essa modesta criação. Usado em para-brisas de carros, máscaras de mergulho e vidro à prova de balas, parte-se em milhares de pedacinhos ao quebrar, ao invés de formar lâminas letais. Henry Ford insistiu em usá-lo já nos seus primeiros modelos. Sem ele, qualquer acidente seria um pesadelo.


6. Fósforos de segurança – Suécia, 1844

Dominamos o fogo desde os tempos mais remotos, mas nunca o tivemos, literalmente, às mãos. Fogo dava um trabalho danado para acender, e muitas vezes eram mantidos acesos em fogueiras por conveniência – causando incêndios. Foi um alquimista de Hamburgo, Alemanha, chamado Henning Brandt, que descobriu acidentalmente, em 1669, o elemento químico batizado de fósforo ao tentar obter ouro a partir de urina. A descoberta chegou ao conhecimento do físico inglês Robert Boyle (1627-1691), que criou, 11 anos mais tarde, uma folha de papel áspero com a presença de fósforo, acompanhada de uma varinha com enxofre (elemento que se incendeia com facilidade) em uma das pontas. O calor causado pela fricção do palito com a superfície áspera fazia o fósforo liberar faíscas, incendiando o enxofre.  Foi apenas um século depois, em 1826, que os palitos de fósforos, então com 8 centímetros de comprimento, começaram a se popularizar. O inconveniente era que eles costumavam incendiar-se sozinhos dentro da embalagem. Esse problema seria resolvido somente em 1844 com o surgimento do “fósforo de segurança”, recoberto com um agente isolante para não pegar fogo à toa. No Brasil, o produto só passou a ser fabricado no início do século XX pela Fiat Lux.

5. Rolhas – Inglaterra, século 17

 

As garrafas de antigamente eram fechadas com panos embebidos em azeite de oliva. Isso deixava gosto e não permitia a preservação por muito tempo, de forma que o produto só podia ser exportado em barris – que também mudam o sabor. Usadas primeiro em garrafas de cerveja, as rolhas criaram os primeiros recipientes hermeticamente fechados da história, e também os primeiros pressurizados, permitindo a produção do champanhe. E a apreciação de vinhos finos a milhares de quilômetros da origem.


4. Fuso horário – Inglaterra, 1879

A medição das horas era uma bagunça. Cada país determinava seu horário baseado na capital, o que significava que, numa mesma longitude, podiam haver dezenas de horas diferentes. Isso na melhor das hipóteses: dependendo do lugar, cada cidade podia determinar o próprio horário, causando um pesadelo para os operadores de trens e telégrafos. Idealizados por Sandford Fleming em 1879, os fusos horários foram adotados a partir de 1884, quando foi realizada a Conferência Internacional do Meridiano. Nesse evento, realizado em Washington (EUA), definiu-se um meridiano que seria o ponto zero, servindo de padrão para todas as nações mundiais. Assim, por votação, estabeleceu-se que o Meridiano Zero passaria no Observatório Astronômico de Greenwich, na Inglaterra, próximo a Londres. Isto é, o Meridiano de Greenwich passa a ser a referência da hora oficial mundial, a chamada hora GMT (Greenwich Mean Time).


3. Turbina a vapor – Inglaterra, 1884

Motores a vapor eram lentos. O mais rápido girava a 225 revoluções por minuto (r.p.m). A primeira turbina a vapor elevou isso para a 18 000 r.p.m. E a primeira revolução veio nos navios, que puderam se tornar mais rápidos e gigantescos: os grandes encouraçados da Primeira Guerra e o Titanic eram movidos a turbinas a vapor. Os navios não-nucleares adotaram o diesel, mas esse motor continua a ser fundamental: a turbina a vapor é usada em usinas termoelétricas e nucleares. 90% da energia dos EUA vem dessas máquinas. Sim, energia nuclear usa o mesmo princípio da maria-fumaça: a fissão nuclear simplesmente serve para ferver a água…


2. Concreto armado – França, 1853

A maior revolução na arquitetura desde a criação do arco, pelos romanos antigos, consiste em misturar metal e cimento para sustentação. Praticamente tudo o que foi construído no século 20 usa concreto armado. Sem ele, não existiriam o Empire State Building ou o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Niemeyer seria obrigado a se contentar em fazer os velhos caixotes usando tijolos e pedras, como sempre havia sido feito até então.


1. Fixação de nitrogênio – Alemanha, 1909

A mais importante, e a mais controversa das descobertas. O nitrogênio compõe 80% da atmosfera, mas apenas as bactérias sabiam como tirá-lo do ar. Os humanos tinham de se virar quando queriam plantar alguma coisa, recolhendo esterco – o guano, cocô de passarinho concentrado, fazia fortunas para esses empreendedores. Também era usado o esterco humano, fazendo a alegria das múltiplas espécies de vermes que nos habitam. O processo de fixação de Fritz Harber deu origem à revolução agrícola do século 20, sem a qual, para o bem e para o mal, nunca teríamos chegado aos 7 bilhões de habitantes no planeta…

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Aventuras na História

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Nanotecnologia teria sido descoberta na Roma Antiga

 

A nanotecnologia é muito mais antiga do que se pensava. Evidências recentes sugerem que os artesãos romanos criaram o Cálice de Licurgo com ajuda da nanotecnologia há 1600 anos!

O cálice retrata a história do rei Licurgo, que está preso em um emaranhado de videiras como um castigo pela traição cometida contra Dionísio. O objeto romano é conhecido por ser iluminado pela frente, com uma cor verde. Mas parece vermelho quando iluminado por trás.

O segredo por trás dessa mágica está na nanotecnologia*. Uma análise de pequenos fragmentos quebrados do vidro do cálice revelaram partículas de prata e de ouro tão pequenas que seria preciso mil delas para alcançar o diâmetro de um grão de sal refinado.

Os pesquisadores especulam que os romanos moíam as partículas de metal até que mil delas correspondessem ao tamanho de um único grão de areia. Em seguida, essas partículas de ouro e prata eram misturadas com o vidro. Cada pedaço tinha 50 nanômetros de diâmetro. Isso faz dos antigos romanos os pioneiros da nanotecnologia.

A mudança de cor acontece quando a luz bate no vidro. Isso faz os elétrons dos metais ali contidos vibrarem de tal forma que alteram a cor dependendo da posição do observador. Os pesquisadores também suspeitaram que, quando a taça estava cheia de líquido, isso também alteraria a interação dos elétrons e a cor do vidro.

Como não era possível encher o cálice de líquido, os pesquisadores fizeram pequenos furos em uma plataforma de plástico e espalharam nanopartículas de ouro e prata, assim como os antigos romanos haviam feito no vidro do cálice. Dependendo do líquido, cores diferentes apareciam. Verde claro para água e vermelho para óleo, por exemplo.

Esse protótipo que os cientistas fizeram mostrou-se 100 vezes mais sensível para variações no nível de sal nas soluções testadas do que os sensores comerciais atuais, que utilizam técnicas similares. Atualmente, alguns tipos de testes de gravidez são exemplos de usos de fenômenos de mudança de cor baseados em nanotecnologia.

No futuro, a tecnologia pode ser adaptada para a criação de dispositivos móveis capazes de detectar patógenos em amostras de saliva ou urina, ou ainda para impedir que terroristas entrem em aviões carregando líquidos perigosos, entre outras coisas.

O Cálice de Licurgo original, datado do século 4,  foi adquirido na década de 1950 pelo Museu Britânico, onde permanece em exposição.

 

*Nanotecnologia – 

Nanotecnologia é um termo usado para referir-se ao estudo de manipulação da matéria numa escala atômica e molecular, ou seja, é a ciência e tecnologia que foca nas propriedades especiais dos materiais de tamanho nanométrico. O principal objetivo  é criar novos materiais, novos produtos e processos a partir da capacidade de ver e manipular átomos e moléculas.

O nome foi citado pela primeira vez por Richard Feynman em dezembro de 1959 e definido pela Universidade Científica de Tóquio em 1974. Mas foi somente a partir do ano 2000 que a nanotecnologia começou a ser desenvolvida e testada em laboratórios.

A base do uso da nanotecnologia é o nanômetro, uma unidade de medida assim como o quilômetro, o metro e o centímetro. Ele equivale a um bilionésimo de metro, o que abre espaço para muitas possibilidades, mas também traz grandes desafios para se conseguir trabalhar em uma escala tão minúscula. A maior prova dessa dificuldade está no fato de que apenas laboratórios e indústrias que têm equipamentos de alta precisão conseguem lidar com essa tecnologia.

As possibilidades de aplicação

Com a nanotecnologia será possível, por exemplo, otimizar os efeitos de remédios, levando-os diretamente para onde são necessários dentro do corpo, o que diminuiria a toxidade das drogas, os efeitos colaterais e as dosagens. Também será possível fazer algo parecido em tratamentos como o do câncer, atacando apenas as células defeituosas.

Já existem alguns produtos que são resultado do uso da nanotecnologia. Dentre esses, merecem destaque os microprocessadores. Toda vez que os processadores evoluem, é necessário usar um novo processo de produção com uma escala menor, para poder fabricar as partes internas dele (que atualmente já são fabricados em 45 nanômetros) e assim diminuir seu tamanho e o consumo de eletricidade. É graças às pesquisas e ao desenvolvimento da nanotecnologia que hoje é possível termos equipamentos cada vez menores, e com maior poder computacional.

Imagem de um circuito integrado, ampliada 2400 vezes, cuja evolução se dá graças à nanotecnologia.

Além dos microprocessadores, a nanotecnologia já está presente em alguns tecidos com características especiais, em equipamentos médicos como cateteres, válvulas cardíacas, marca-passo, implantes ortopédicos, além de protetores solares, produtos para limpar materiais tóxicos, sistemas de filtração do ar e da água, vidro autolimpante, coberturas resistente a arranhões, curativos antimicrobianos, limpadores de piscinas, desinfetantes e muitas outras soluções.

O impacto da tecnologia

Além das dificuldades técnicas, o desenvolvimento da nanotecnologia esbarra em aspectos sociais e ambientais que levantam muitas discussões e questionamentos. Existe muito debate sobre as implicações futuras da nanotecnologia, pois os desafios são parecidos aos de desenvolvimentos de novas tecnologias. Dentre as discussões, estão as questões sobre a toxicidade e o impacto ambiental causado pelo uso dos nanomateriais e os potenciais efeitos disso na economia global.

Todas essas questões levantam a necessidade de uma regulação sobre nanotecnologia e outras burocracias. Por causa disso, o desenvolvimento dessa área pode demorar.

 

 

Com a colaboração de Clene Salles.

 

 

 

Fonte:

universocetico.blogspot.com.br

Smithsonian

tecmundo.com.br

 

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Primeiro shopping da América Latina, Iguatemi completa 50 anos

De ponto micado na época da inauguração, em 1966, o centro comercial se tornou o metro quadrado comercial mais caro da América Latina

O Shopping Iguatemi na época da inauguração
O Shopping Iguatemi na época da inauguração

Idealizado pelo construtor Alfredo Mathias, o empreendimento foi erguido no terreno de uma chácara da família Matarazzo. Ficava num trecho da Rua Iguatemi – daí o seu nome – que anos mais tarde foi transformado na Avenida Faria Lima. Mathias vendia cotas aos interessados em churrascos promovidos no próprio canteiro de obras.

Mas os lojistas não levavam fé no empreendimento. Na época da inauguração, em novembro de 1966, os consumidores gostavam mesmo era de flanar pelas butiques chiques da Rua Augusta. Assim, a novidade de apostar num centro comercial não chegou a ser das mais empolgantes para os empresários. O resultado foi uma disputa para ficar nos lotes mais próximos da entrada. Eles acreditavam que a freguesia jamais caminharia até as lojas dos fundos.

Manequim posando no point mais chique dos anos 1960: Paulista com Augusta. Ao fundo, o antigo cine Astor no Conjunto Nacional.
Manequim posando no point mais chique dos anos 1960: Paulista com Augusta. Ao fundo, o antigo cine Astor no Conjunto Nacional.

 

No dia da inauguração, a festa com artistas famosos como Chico Anísio, Chico Buarque, Nara Leão e Eliana Pittman atraiu cerca de 5.000 pessoas, todo mundo curioso para saber do que se tratava aquele novo empreendimento na cidade. Dentre as festas de inauguração, foi organizado um Campeonato de Autorama.

Com o passar dos anos, os consumidores migraram para os centros comerciais, que, depois do sucesso do Iguatemi, se espalharam pela cidade e pelo país; e enquanto as vizinhanças da antiga rua Iguatemi se valorizaram, mudando a paisagem do bairro, as grifes saíram da rua Augusta e ela entrou em decadência como o “point” da elegância.

Hoje, onde havia esse osto de gasolina bem em frente a Shopping Iguatemi, há uma moderno e enorme prédio de escritórios.
Hoje, onde havia esse posto de gasolina bem em frente a Shopping Iguatemi, há uma moderno e enorme prédio de escritórios.

Quem conhece o centro comercial certamente passou pelas rampas na entrada. E há uma explicação para elas. Privilegiar luz e ventilação naturais é um dos objetivos do projeto arquitetônico. Além de esteticamente interessantes, as rampas foram um meio de integrar o térreo ao 1º piso – e, assim, deixar tudo mais arejado. O ambiente nesse espaço, cujo pé-direito no ponto mais alto chega a 18 metros, lembra o de uma rua arborizada. Nos demais andares, construídos depois, reina o ar condicionado, mesmo.

Ontem e hoje

Na inauguração, havia 75 lojas. Cinco anos depois, já operava com 160, com um fluxo de clientes que começava a se aproximar de 1 milhão de pessoas/mês. Hoje, são 314 lojas e mais de 1,5 milhão visitantes/mês.

Algumas curiosidades durante esses 50 anos:

  • Na década de 1990, o shopping sorteava um BMW para os consumidores durante as compras de Natal, algo inédito na época
  • O Empório Armani foi a primeira marca estrangeira a entrar no Iguatemi, em 1998.
  • Em 1994, um incêndio destruiu completamente o Cine Iguatemi. Ninguém se feriu. Depois do incidente, os cinemas passaram a exibir instruções de segurança
  • Em 2001 foi a vez da joalheria Tiffany & Co estrear em solo brasileiro. A Louboutin veio oito anos depois, em março de 2009, com a sua primeira loja na América Latina
  • No fim da década de 1980 e início dos anos 1990, o Iguatemi passou a anunciar ofertas na televisão para aumentar o movimento e as compras às segundas-feiras
  • No Dia das Mães. mais de 15 mil tulipas são espalhadas pelo shopping.
  • Nos últimos anos, o shopping figurou no ranking dos 20 endereços mais caros do varejo mundial, ao lado dos balados 5ª Avenida (Nova York) e Champs-Elysées (França).