Tabus e crenças que envolveram a menstruação ao longo da história

Regras, “aqueles dias”, fluxo, mênstruo, menorreia, “chico”… São vários os nomes dados à menstruação, assim como também são muitas as crenças e ideias equivocadas a respeito desse assunto que, ainda hoje, é cercado de preconceito e desconhecimento.

Conselheira secreta

Modess, o primeiro absorvente interno descartável, foi lançado nos Estados Unidos na década de 1930 pela Johnson&Johnson e chegou por aqui em 1945. Como menstruação era um assunto pouquíssimo discutido em casa, por pudor e preconceito, a empresa criou uma conselheira feminina fictícia chamada Anita Galvão para responder as cartas das consumidoras em total sigilo. Além de orientações sobre como usar o produto, as mulheres pediam também orientação e dicas sobre questões sexuais.

Medo do frio

Por mais que os costumes tenham evoluído e o acesso à informação ampliado, muitos mitos ainda persistem na cabeça das brasileiras. Segundo um estudo global sobre a menstruação ao redor do mundo feito pela marca Sempre Livre em parceria com a KYRA Pesquisa & Consultoria, 43% das jovens entre 14 e 24 anos não andam descalças quando estão “naqueles dias”. De acordo com crenças populares que não correspondem à realidade, esse hábito pode piorar as cólicas. Além disso, 31% evita lavar os cabelos –ou conhece alguém que evita–, com medo de ficar doente (o que também é um mito).

Fase vergonhosa

Em muitos lugares da África do Sul, a menstruação ainda é motivo de vergonha. Para muita gente, as mulheres ficam “impuras” durante essa fase. Por isso, não podem encostar em imagens religiosas, que são vistas como sagradas, nem entrarem em templos.

Lista de proibições

Considerado o país com uma das culturas mais machistas do mundo, a Índia não é –literalmente– um país bom para menstruar (ou para ser mulher, na verdade). Quando estão menstruadas, as mulheres são consideradas “sujas” e intocáveis. Algumas pessoas, inclusive, acreditam que elas fiquem amaldiçoadas durante esse período, o que as impede de entrar na cozinha (sob o risco de contaminar os alimentos), dormir na própria cama, se sentar à mesa com a família e sair de casa.

Sem banho

Nas Filipinas, uma parcela significativa das mulheres não toma banho nem lava o cabelo durante a menstruação, pois ainda impera o mito de que a água faz o “sangue subir para a cabeça, causando loucura”. Elas também são proibidas de preparar certos alimentos, como maionese e bolo, porque acreditam que não ficam tão bons.

Tampões monstruosos

Durante a Idade Média, época em que a mulher era tida praticamente como pária da sociedade, a Igreja Católica não via com bons olhos a menstruação. Tecidos, principalmente o linho, eram usados como absorventes e depois lavados e reutilizados. Como não havia calcinhas na época, as moças enrolavam os panos e prendiam como podiam quando estavam menstruadas. Só que, com uma certa frequência, esses “absorventes” caíam no chão e causavam grande alvoroço entre as pessoas ao redor. Os homens, em especial, os chamavam de “tampão monstruoso”. As mulheres usavam noz-moscada ou pequenas bolsas de flores secas para esconder o cheiro do tecido encharcado de sangue.

Perigo ao pênis

Alguns homens da época medieval achavam que a menstruação era algo venenoso, que poderia estragar o vinho e as colheitas e até deixar os animais loucos. Menstruar era algo imundo e poluído e alguns médicos acreditavam até que era uma doença mensal que precisava ser tratada. Sexo, nem pensar: o sangue podia queimar a pele do pênis.

Disney audaciosa

Apesar de sua fama de pudica, a Disney criou um curta-metragem sobre menstruação em 1946 em parceria com a empresa Kimberly-Clark. Ele fazia parte de uma série de animações específicas para exibição em escolas americanas. “The Story of Menstruation”, disponível no YouTube, explica a meninas com idades entre 11 e 17 anos o que é a menstruação e como elas devem se portar durante o ciclo menstrual, com dicas curiosas como “você pode e deve tomar banho”. Em 2015, o curta assistido por pelo menos 105 milhões de garotas foi escolhido para fazer parte do National Film Registry, seleção de filmes preservados pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, por conta de seu significado “cultural, histórico e estético”.

Reserve 10 minutos e veja com que delicadeza e criatividade Disney tratou desse assunto, há mais de 70 anos!

Termo ofensivo

Quem é, afinal de contas, o homem citado na expressão “Tá de chico?”. Na verdade, a frase não se refere a nenhum Francisco específico para aludir à menstruação. Em Portugal, “chico” é sinônimo de “porco” –por isso temos em nosso vocabulário a palavra “chiqueiro”. Ou seja, trata-se de uma forma nada lisonjeira de relacionar a menstruação à imundície.

Leite azedo

No século 19, qualquer assunto relativo ao sexo era tabu nas tradicionais famílias brasileiras. Quando menstruavam, as mulheres se isolavam dos demais –crendices de que o sangue podia azedar o leite, entre outras lendas, dominavam o imaginário popular. E os “paninhos” deviam ser lavados e pendurados para secar em locais não alcançáveis à visão dos maridos.

Fontes:

Heloísa Noronha, colaboração com Universa

“Histórias Íntimas – Sexualidade e Erotismo na história do Brasil” (Ed. Planeta), de Mary del Priore

“O guia dos curiosos – Sexo” (Panda Books), de Marcelo Duarte e Jairo Bouer

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“Unicórnio da Sibéria”, o animal pré-histórico que conviveu com humanos


Uma espécie de rinoceronte gigante que pode ter sido a origem do mito do unicórnio viveu na terra a até pelo menos 39 mil anos atrás.

Conhecido como “unicórnio da Sibéria”, o animal tinha um longo chifre na testa e vivia nas pradarias da Eurásia, a massa de terra que engloba os continentes europeu e asiático.

Novas evidências mostram que a espécie acabou extinta pois tinha hábitos de alimentação muito restritos. Cientistas dizem que saber mais sobre a extinção do animal pode ajudar a salvar os rinocerontes que ainda existem no planeta.

Os rinocerontes estão em perigo pois são muito seletivos em relação ao seu habitat, explica Adrian Lister, professor do Museu de História Natural de Londres e um dos autores do estudo.

“Qualquer mudança em seu ambiente natural é um perigo para eles”, disse Lister. “E, é claro, o que também aprendemos com esse registro fóssil é que uma vez que a espécie vai embora, não há como recuperá-la.”

Pesando até quatro toneladas, o “unicórnio da Sibéria” chegou a coexistir com os seres humanos modernos até 39 mil anos atrás.


Esqueleto do mamífero no Museu de Stavropol, na Rússia.

O que sabemos sobre o rinoceronte ancestral?

Antes das novas descobertas, acreditava-se que a espécie, cujo nome científico é Elasmotherium sibericum, tinha sido extinta há cerca de 200 mil anos.

No entanto, uma nova pesquisa com datação de carbono de 23 espécimes fossilizados ajudou os pesquisadores a descobrir que o gigante da Era do Gelo na verdade sobreviveu no leste da Europa e na Ásia Central até mais recentemente.

Os cientistas também isolaram o DNA do animal pela primeira vez, mostrando que a espécie se diferenciou dos atuais rinocerontes há cerca de 40 milhões de anos.

Porque ele foi extinto?

O estudo também analisou os dentes do animal, confirmando que ele pastava em gramas duras e secas. “Ele era como um cortador de grama pré-histórico”, afirmou Lister.

O ancestral do atual rinoceronte se especializou em um tipo de dieta que pode ter causado seu fim. Conforme a Terra esquentou e começou a sair da Era do Gelo, há cerca de 40 mil anos, os campos começaram a diminuir, restringindo a pastagem para a espécie.

Centenas de espécies de grandes mamíferos desapareceram depois do fim da última Era do Gelo, devido às mudanças climáticas, perda de vegetação e pela caça empreendida pelo homem.

O que ele nos diz sobre o destino dos rinocerontes modernos?

Hoje há apenas cinco espécies de rinocerontes restantes. Poucos animais sobrevivem fora de reservas e parques nacionais por causa da caça ilegal e por perder seu habitat natural, por conta da expansão urbana.

Os caçadores matam os rinocerontes ilegalmente, retiram apenas os chifres e em seguida abandonam o corpo do animal abatido. O chifre do rinoceronte é cobiçado porque é utilizado em várias receitas da medicina tradicional oriental. Um grama do pó do chifre custa mais de USD 3.000,00 e é comprado por gente muito rica. 

Quem o compra acredita que o chifre ralado e misturado com água pode curar ressaca, febres, convulsões, impotência e até câncer. O líquido branco é sorvido em pratos, como uma sopa.


De onde vem o mito dos unicórnios?

O Unicórnio é um ser mitológico, normalmente branco-puro quando é adulto, mas dourado em sua fase de potrinho, e prateado durante a adolescência, com um único chifre posicionado em sua cabeça como uma espiral. Ele vive geralmente nas florestas do norte da Europa, segundo as narrativas.

Essas entidades fantásticas são doces, mansas, puras, facilmente seduzidas por mulheres virgens. São, por esse motivo, adotadas pela iconografia do Cristianismo como símbolos da Virgem Maria, quando a religião assume o dogma da virgindade da mãe de Jesus. 

Supostamente seu chifre, o sangue e o pelo têm poderes mágicos. Em um dos episódios de Harry Potter, de J. K. Rowlling, o sangue desse ser puro é consumido por Voldermort, o vilão, para preservar a vida, mas o ato de matar um ente tão inocente o converte em um morto-vivo.

O unicórnio não convive com o Homem, mas se submete sem maiores problemas diante de uma mulher. Criptozoologistas – especialistas que investigam relatos da aparição de animais pertencentes ao universo das lendas e dos mitos – registram o aparecimento de unicórnios pelas várias regiões do Planeta, particularmente na Índia, sua terra natal.

O nascimento do mito é impreciso. Ele é encontrado nas bandeiras dos imperadores da China, na descrição biográfica de Confúcio; no Ocidente, o unicórnio integra as compilações de seres fantásticos coletados na época de Alexandre, e também nas bibliotecas e produções artísticas do Helenismo.

Imagens do unicórnio podem ser vistas em tapeçarias encontradas no norte da Europa e em caixas de madeira ricamente adornadas – os cassoni -, que integravam o enxoval das noivas italianas nos séculos XV e XVI.

Na Astronomia, ele corresponde à constelação conhecida como Monoceros. O unicórnio também é constante encontrado na literatura fantástica, especialmente nos livros de Lewis Carroll, C.S. Lewis e Peter Beagle.

Venerados como seres mágicos, os unicórnios conquistaram o mundo comercial. Hoje estão estampados em camisetas, bordados em almofadas, presentes no cinema e em games. Ou até são usados em chaveiros.

Fontes:

BBC
brazil.skepdic.com
Wikipedia

Coincidências da História

Em nosso cotidiano, ocorrem coincidências quase todos os dias, algumas até inexplicáveis. Outro dia, lendo sobre isso, descobri algumas coincidências históricas que me deixaram boquiaberto.

Fiz uma pequena seleção delas, que apresento agora a você. Leia e se surpreenda também!

A maldição da invasão

No século IV, Tamerlane era um descendente do grande conquistador Genghis Khan, o famoso imperador mongol. Séculos depois, em 20 de junho de 1941, arqueólogos russos abriram sua sepultura e nela encontraram uma inscrição que dizia que o povo que abrisse seu túmulo sofreria uma grande invasão. Eles não acreditaram na inscrição e não revelaram isso a ninguém. Contudo, dois dias depois, Hitler invadiu a Rússia.

Deus Ex Nostradamus

Às vezes, erros técnicos acontecem. No caso do videogame “Deus Ex” (que gerou uma série de games com temas cyberpunk que combinam elementos de RPG de ação, tiro em primeira pessoa e stealth), lançado em 2000, uma das ambientações era justamente a cidade de Nova York, mas certamente para não gastar muito dinheiro na reprodução da cidade e baratear os custos de produção – ou por limitações técnicas da época, ou simplesmente por erro mesmo -, os desenvolvedores acabaram eliminando o World Trade Center. Quando perceberam e foram tentar corrigir a falha, informaram que as torres tinham sido destruídas no jogo num ataque terrorista. Um ano mais tarde, Nova York sofreu o maior ataque terrorista de sua história.

Eleanor Rigby

Esta é uma das canções mais famosas dos Beatles, porém o título esconde algumas coincidências fora do comum. Paul McCartney queria usar o nome de seu pai na letra, mas achou meio estranho e escolheu ao acaso um outro, “Mckenzie”. O nome Eleanor Rigby vem da atriz Eleanor Bron e da loja Rigby & Evans. Anos mais tarde, um túmulo com o nome de “Eleanor Rigby” foi encontrado e, a poucos passos dele, um outro com o nome “Mckenzie”. De acordo com McCartney, que é um cara mais cético, é possível que os nomes tenham ficado gravados inconscientemente, pois ele e John Lennon passavam longas horas naquele cemitério.

Ele previu o naufrágio do Titanic

Futilidade ou o Naufrágio de Titan (título original: Futility, or the Wreck of the Titan) foi um livro de 1898 escrito por Morgan Robertson. A história apresenta o transatlântico Titan, que afunda no Atlântico Norte após se chocar contra um iceberg.

No livro, as pessoas morreram por falta de botes salva-vidas. Quatorze anos mais tarde, 2500 pessoas morreram no naufrágio do Titanic por falta de botes salva-vidas justamente em abril, na mesma data do livro.

Embora o romance tenha sido escrito antes da construção do Titanic, há muitas coincidências entre os dois navios:

SemelhançasTitanTitanic
Nome do CapitãoSmithSmith
Local do NaufrágioAtlântico NorteAtlântico Norte
MêsAbrilAbril
CausaColisão com IcebergColisão com Iceberg
Comprimento240 metros269 metros
Tonelagem do Deslocamento75.00066.000
Velocidade25 nós23 nós
Número de botes2320 (4 botes desmontáveis)
Compartimentos à prova d’água1716
Hélices33
Passageiros e Tripulantes30002223

 Palavras-cruzadas enigmáticas

Que tal publicar segredos muito confidenciais dos Estados Unidos no jornal? E na forma de palavras-cruzadas? Alguns filmes partem dessa premissa, como “Código para o Inferno” (Mercury Rising, 1998), estrelado por Bruce Willis, no papel de um agente do FBI que investiga o desaparecimento de um menino de nove anos com autismo e decifrou, por acaso, um importante código de segurança dos sistemas do governo, e teve seus pais assassinados logo em seguida…

Bem, em 1944 saiu um jornal com um enigma curioso, no mínimo.
Leonard Dawes, um professor aposentado, produzia as palavras cruzadas do jornal britânico Daily Telegraph durante a 2ª Guerra Mundial. Em um intervalo de duas semanas em maio de 1944, seus passatempos incluíram palavras como Utah e Omaha (codinomes de duas operações dos EUA no Dia D), entre outros termos suspeitos. O serviço secreto britânico interrogou Dawes achando que ele era um espião alemão, mas tudo não passava de uma enorme coincidência.

Lennon e Chapman

Em 1980, Mark Chapman assassinou John Lennon, no que se constituiu um dos mais trágicos acontecimentos no mundo da música. Anos mais tarde, foi feito um filme sobre a vida do artista e, obviamente, um ator foi contratado para interpretar o papel de John. Mas o estranho foi que o ator contratado tinha o mesmo nome do assassino, Mark (Lindsay) Chapman. Os produtores, percebendo essa coincidência mórbida, contrataram outro. Anos depois, porém, Chapman, o ator, ganhou vários prêmios por um outro trabalho em que interpretou o falecido Lennon.

Booth e o filho de Lincoln

O assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln ocorreu em Washington, em abril de 1865, pouco depois do fim da Guerra Civil Americana. Dias antes, seu filho sofreu um acidente em uma plataforma de trem, quase perdendo a vida, mas foi ajudado por um homem de sobrenome Booth. Tudo teria sido corriqueiro se não fosse pelo fato desse homem ser irmão do outro que, dias mais tarde, assassinaria o presidente.

Lincoln e Kennedy

Falando em Lincoln, há muitas semelhanças entre ele e John Kennedy, muitas delas surpreendentes e inexplicáveis. Veja abaixo uma lista delas:

  • Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
  • John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
  • Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
  • John Kennedy foi eleito presidente em 1960.
  • Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
  • Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
  • As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
  • Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
  • Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
  • Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
  • A secretária de Lincoln tinha o sobrenome Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
  • A secretária de Kennedy tinha o sobrenome Lincoln e lhe pediu que não fosse a Dallas.
  • Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
  • Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
  • Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
  • Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
  • Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
  • Booth, assassino de Lincoln, saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
  • Oswald, assassino de Kennedy, saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema.
  • Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
  • Lincoln foi morto no Teatro Ford.
  • Kennedy foi morto num carro da marca Lincoln.

 

Fontes:

http://www.paraoscuriosos.com

Wikipedia

Imdb

O primeiro zoo de São Paulo

Imagem histórica de elefantes banhando-se no lago da Aclimação, reproduzida do livro “Jardim da Aclimação e o Zoológico”. Livro conta história do criador do Parque da Aclimação, o médico, agricultor e político Carlos Botelho, que idealizou o local em 1892.  Reprodução. 

O Parque da Aclimação tinha camelos, elefantes e até uma onça-pintada

O bairro da Aclimação, na região mais central da cidade de São Paulo, é de classe média e tem hoje uma presença marcante da cultura sul-coreana. A tradição asiática é vista em restaurantes, lojas, igrejas e comércios tipicamente orientais, promovendo uma grande diversidade cultural e criando um ambiente único na cidade – e fica pertinho da Liberdade, o bairro oriental.

A Aclimação surgiu diretamente ligada ao Parque da Aclimação, uma área verde incrustada em meio a altos edifícios e uns poucos sobrados residenciais, sobreviventes de outros tempos.

Tudo começou em 1892, quando um médico piracicabano, chamado Carlos José Botelho, após comprar terras na região, decidiu criar um imenso jardim, chamado de Jardim D’Acclimatation de Paris, inspirado no parque francês de mesmo nome que ele havia conhecido quando estudou na França.

Dr. Carlos Botelho

No local havia espaço para exposição de gado leiteiro holandês, fato que atraiu o interesse de grandes pecuaristas brasileiros. Dizem os moradores mais antigos que os visitantes podiam até tomar leite de vaca tirado na hora e comprar laticínios naquela que foi a primeira leiteria da cidade!

O acesso ao parque se fazia por dois portões de ferro fundido. Ao entrar pelo portão principal, o visitante logo observava uma larga e bem cuidada alameda sombreada por árvores frondosas, que circundavam o lago em toda sua extensão, por uma distância de dois quilômetros.

Estacionamento dos visitantes do Jardim da Aclimação. Ao fundo, do lado direito, um descampado…
Foi nesse descampado, por onde passavam córregos, é que foi criado um lago.

Esse lago  foi formado a partir do represamento de córregos da região, no qual haviam canoas para passeios.

Alameda que circundava o recém-criado lago, onde se podia passear de canoa.
As colunas que sustentavam os portões de ferro da entrada principal ainda existem, mas perderam as esculturas em relevo. A bilheteria que se vê na foto foi derrubada e a área hoje faz parte do terreno ocupado por uma biblioteca pública.

A alameda dividia o jardim em duas partes: na maior ficavam as diversões (como o salão de baile, o ringue de patinação e as barracas de tiro ao alvo), o bosque com o lago e o estábulo; na outra estava instalado o zoológico.

Esse local, aliás, era uma atração à parte.

O primeiro zoo da cidade contava com estrelas do reino animal, como o camelo Gzar e o urso-polar Maurício – cuja jaula era resfriada com barras de gelo que vinham da fábrica da cervejaria Antárctica, que ficava na Água Branca –  e vários outros animais, como hienas, cobras e até uma onça pintada.

Uma das diversões mais populares no parque era dar uma volta no camelo.

Vale um registro: em 1920, uma sucuri com cerca de 5 metros de comprimento escapou do espaço em que ficava exposta e dez homens participaram da operação de captura do réptil.

Registro do momento da captura da sucuri fugitiva.

As pessoas podiam ainda passear de charrete puxada por uma lhama e as crianças adoravam dar voltas ao redor do lago numa carrocinha puxada por um burrico.

Naquela época, havia só dois parques em toda a cidade, o da Luz e o da Aclimação. O da Aclimação ficava longe do centro, por isso era preciso inovar constantemente para atrair público.

Por isso, quando o zoo foi inaugurado, uma maciça campanha de divulgação anunciou a novidade. Maciça para a época, claro… Com anúncios nos jornais e nos bondes.


Anúncio direcionado à comunidade italiana em São Paulo: peixe elétrico e urso polar faziam sucesso no parque

O zoo  também tinha como objetivo a criação e reprodução de animais de várias espécies. E as atrações foram se sucedendo, com a abertura de um aquário anexo ao zoo. O parque ainda abrigava um posto botânico e era sede da Sociedade Hípica Paulista.

Com o afluxo de pessoas para a região, iniciou-se a urbanização do bairro e por volta de 1916 várias ruas começaram a ser abertas, recebendo cada uma o nome de pedras preciosas, como Turmalina, Topázio, Diamante, Ágata, Safira, Esmeralda, Rubi, e outras receberam nomes dos planetas do sistema solar como Júpiter, Urano, Saturno.

Casarão na rua Turmalina. 

Em 1939, o Jardim da Aclimação, cuja área era de 182 mil metros quadrados, foi comprado pelo então prefeito Prestes Maia, pois os filhos de Botelho passavam por dificuldades financeiras e não conseguiam mais manter o parque. 

Na década de 1950, a área ganhou uma biblioteca, uma Concha Acústica, um playground e um campo de futebol. O bairro foi se desenvolvendo ao redor do parque e se tornando eminentemente residencial.

Vista do lago, com a muralha de prédios no horizonte.

A partir de 1970, a expansão imobiliária fez surgir muitos edifícios, marcando a verticalização do bairro, o aumento da população e o consequente crescimento do comércio.

No decorrer da década de 1980, a associação dos moradores do bairro e dos defensores do parque, juntamente com entidades ecológicas, mobilizaram-se e conseguiram o tombamento do Parque da Aclimação, feito pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico.

Atualmente, o parque recebe cerca de 7.000 visitantes aos finais de semana.

Curiosidades

  • O Parque da Aclimação tem hoje 112 mil m² de área verde, algo como menos de 70% de sua área original;
  • Foram registradas 85 espécies de fauna, 88 espécies de flora das quais copaíba, pau-brasil e pinheiro-do-paraná estão ameaçadas, e 65 espécies de aves;
  • Três esculturas de Arcângelo Ianelli (1922 – 2009) – pintor, escultor, ilustrador e desenhista brasileiro, natural da cidade de São Paulo – estão distribuídas pelo parque em meio ao verde: “Dança Branca”, O Retorno” e “Forma Corrompida”;
  • O criador do parque, o médico e pesquisador Carlos Botelho, foi secretário da Agricultura de São Paulo e, entre suas grandes realizações, foi o responsável pelo início da imigração japonesa no Brasil. O primeiro navio, com 781 japoneses, chegou a Santos em 1908. Vieram trabalhar na agricultura de café e o contrato de imigração entre os dois países foi firmado entre o Sr. Ryu Mizuno, Diretor Presidente da Cia. de Imigração Kôkoku do Japão, e pelo Dr. Carlos Botelho.

Mulheres e Cerveja, uma história que vem de longe

Não pense que só os barbudos com cara de lenhador apreciam a cerveja. Mulheres e cervejas têm uma relação que vem de milênios!

Cerveja é coisa de mulher há mais de 10.000 anos!

Pois foram elas que fizeram as primeiras cervejas, segundo achados arqueológicos importantes. E um dos mais antigos registros encontrados é o chamado Hino à Ninkasi, um poema dedicado à deusa suméria… da cerveja!

Representação moderna de Ninkasi.

Era mais do que um poema, na verdade era uma receita, explicando como fermentar uma espécie de sopa que foi uma das bases da alimentação dos sumérios, usando grãos, frutos, mel e tâmaras. Segundo a crença, era Ninkasi quem preparava esse alimento tão importante, para eles, quanto o pão.

O Código de Hamurabi, conjunto de leis escritas por volta de 1772 a.C. pelos babilônios, indicava que as mulheres eram donas das tavernas e vendiam as cervejas que elas mesmas produziam.

Os babilônios também reconheciam o papel das mulheres no preparo da bebida.   Os hieróglifos dessa época descrevem as mulheres fazendo cerveja e bebendo-as através de uma espécie de canudo. Essas cervejeiras desenvolveram esses objetos para atravessar a camada de “espuma” formada na fermentação, e que flutuava no topo das tinas de barro.

O nome da bebida veio dos gregos

Ceres era a deusa da agricultura e dos grãos e, por conta disso, da cerveja. É de seu nome que surgiu a palavra cerveja, que vem do grego Ceres Visia, ou seja, “Aos olhos de Ceres”.

Para os gregos, a bebida alcoólica era um fenômeno divino, pois não se sabia como ocorria a fermentação. Por isso era usada como uma ponte entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses.

Os egípcios também também reservavam às mulheres o papel de fazer a cerveja.  Mas, com o aumento das “fábricas” no país – talvez por conta do aumento de consumo… – elas foram substituídas pelos homens e colocadas em outras funções.

As cervejeiras no mundo antigo

As mulheres germânicas fabricavam cervejas nas florestas, para escapar dos invasores romanos, assim como o faziam mulheres por toda a Europa antiga.

Não haviam mulheres cervejeiras apenas na Europa, porém. Os povos nativos da África, da América do Norte ou dos Andes da América do Sul também permitiam que as mulheres fossem as fabricantes da bebida, usando o que tivessem à mão: flores, cactos, sementes, o que quer que fermentasse e resultasse em bebida alcoólica.

Até a Revolução Industrial, as mulheres europeias alimentavam seus maridos e crianças com cervejas de baixo teor alcoólico e ricas em nutrientes, como suas ancestrais faziam quando não tinham o pão.

A cerveja e as bruxas

Algumas cervejeiras mais… digamos… empoderadas produziam mais do que suas famílias precisavam e vendiam o excedente. Acontece que, pelas leis de então, isso não era permitido e os homens passaram a tomar conta da produção e venda.

Os homens construíram cervejarias e formaram redes de comércio internacional.  E, na medida em que a Idade das Trevas abriu caminho ao Renascimento, as cervejeiras perderam sua relevância e muitas mulheres foram até processadas como bruxas!

Claro, não se pode provar que exista uma conexão entre as cervejeiras e as ilustrações que se usavam para “promover” a caça às bruxas. Mas as imagens dos caldeirões fumegantes,  vassouras (que eram penduradas fora da porta para indicar que havia cerveja), gatos (para perseguir e afastar ratos dos grãos) e chapéus pontudos (para serem vistos acima da multidão no mercado) permanecem até hoje.

Por volta de 1700, as mulheres já tinham quase que interrompido totalmente a fabricação de suas cervejas, e sua associação à bebida foi sendo gradualmente dissipada.

Foi então que se cristalizou a imagem de que “cerveja é coisa pra homem“.

Desde a metade do século XVIII, não se permitiu mais mulheres produzindo a bebida nas cervejarias e somente em meados dos anos 1960 que elas foram aceitas novamente na produção – embora continuassem a consumir a bebida ou a produzi-la em escala doméstica em diversas regiões do planeta.

Hoje em dia…

As pressões de várias camadas da sociedade estão conseguindo, lentamente, diminuir a objetificação da mulher na propaganda das cervejas. Além disso, mulheres estão ocupando muitas posições de relevância na indústria.

Nada mais natural que elas mostrem aos barbudos e às cervejarias que esse espaço é delas desde o começo…

 

Fontes: G1, Wikipedia, thebeerplanet.com.br

A Segunda Guerra Mundial em fotos poderosas

Foi o conflito  mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. A guerra começou em 1939, com a invasão alemã à Polônia, e durou até 1945, quando duas bombas nucleares lançadas pelos americanos em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, decretaram seu fim. 

A Segunda Guerra Mundial foi um dos eventos de maior importância na história da humanidade, definindo o mundo como hoje o conhecemos.

As fotos a seguir, da Getty Images, contam um pouco dessa história.

Hitler informando da invasão à Polônia, em 1939.
Parada militar alemã, celebrando a vitória na Polônia, em 1939.
Tropas alemãs em missão na Polônia, em 1939.
Jornaleiro londrino anunciando a eclosão da guerra, em 1939.
Manifestação anti-Hitler em Nova York, 1939.
Paris ocupada pelos alemães, em 1940.
A cantora Edith Piaf visitando um campo de prisioneiros de guerra.
Crianças inglesas, sob o bombardeio alemão em Londres.
Civis procuram abrigo no metrô londrino, em 1940.
Manifestação pró-Hitler em Berlim, 1941.
Avião de guerra alemão Heinkel He-111 em ataque às tropas inimigas, em 1941.
Navios americanos em chamas na base de Pearl Harbor, atacados pelo Japão em 1941.
Submarino alemão no círculo polar ártico, em 1942.
Marinha alemã celebra a noite de Natal a bordo de navio de guerra, em 1943
Soldado alemão se rende a soldado americano, em 1943.
Caça americano sofre acidente durante pouso em porta-aviões.
Escritor e correspondente de guerra Ernest Hemingway em meio às tropas americanas, em 1943
Marinha americana chega à baía de Tóquio, em 1945
Batalha de Okinawa, ao sul do Japão. Foi a maior batalha marítimo-terrestre-aérea da história, ocorrendo de abril a junho de 1945.
Famosa foto, que se tornou um símbolo da vitória americana contra o Japão, tirada logo depois da vitória sobre os japoneses na ilha de Iwo Jima.

Por que o Canal da Mancha tem esse nome?

duas versões entre as mais conhecidas.

A mais popular afirma que o nome vem da palavra francesa manche, que significa “manga de camisa”, em referência ao formato estreito e comprido do canal situado entre a França e a Inglaterra. Esse apelido teria sido dado por navegadores do século XVII.

(Foi atravessando esse canal, no Dia D, que os Aliados puderam invadir a França dominada pelos nazistas, na Segunda Guerra Mundial).

Há, porém, quem diga que, em geografia, a mesma palavra sempre serviu para definir um braço de mar espremido entre dois pedaços de terra. O Canal da Mancha se encaixa perfeitamente nessa definição.

Com cerca de 180 quilômetros em sua parte mais larga, ele é chamado pelos ingleses de English Channel (algo que os franceses nunca gostaram muito!).

O Eurotúnel

Há mais de 20 anos, os dois países concluíram a construção de um túnel sob o mar, ligando as duas margens – o Eurotúnel, um túnel submarino considerado a maior obra de engenharia do século XX.

Ele tem 50,5 quilômetros de extensão, e facilita o acesso entre França e Inglaterra. A viagem tem duração de 35 minutos de trem, com velocidade média de 160 quilômetros por hora.

A obra é composta por três túneis localizados entre 40 a 70 metros abaixo do nível do mar. Dois deles são utilizados para o transporte de carros, caminhões e passageiros, que, durante o percurso, ficam acomodados nos vagões do trem Eurostar.

O outro túnel é destinado para ventilação.