Por que os personagens da Disney não têm pais?

Eu trabalhei na Editora Abril durante muitos anos, primeiro escrevendo histórias em quadrinhos com os personagens de Walt Disney, e mais tarde como diretor editorial dos gibis, além de livros e revistas de colorir – não só com os personagens Disney.

Durante todo esse tempo, as pessoas sempre me perguntavam o motivo do Huguinho, Zezinho e Luisinho não terem pais, vivendo sempre com seu tio Donald. Ou, indo mais fundo, qual seriao motivo dos personagens que aparecem nos filmes também não terem mães ou pais?

O que eu respondia segue abaixo, mas aqui de forma mais elaborada e aprofundada, porque na ocasião o tempo sempre se mostrava muito curto para que eu pudesse me alongar.

Em primeiro lugar, não foi Walt Disney quem criou esse conceito de deixar os pais ausentes em suas histórias. Esse é um recurso literário muito utilizado nas obras voltadas às crianças e jovens, e é muito evidente já nos contos dos irmãos Grimm. A ausência dos pais permite que os personagens sejam aventureiros, libertando-os do controle da mãe (ou do pai). Afinal, que pai deixaria que os filhos saíssem pelo mundo correndo riscos?

Além disso, é possível perceber que esses personagens “órfãos” amadurecem mais rapidamente, justamente por não existir uma figura de pai ou mãe que o proteja. O sucesso literário mais recente, e que confirma essa regra, é Harry Potter…

Já nos contos de Grimm os pais e as mães quase não apareciam.

Essa “ferramenta”, digamos assim, dá excelentes oportunidades de roteiros. Porque a ausência de pais não significa, necessariamente, que eles estejam mortos, mas apenas que são irrelevantes naquela história que se pretende contar – e eles podem surgir em novas histórias. Há também o contrário: é justamente a ausência de um pai que pode ser o mote da transformação e amadurecimento do personagem, que citei antes. Por exemplo, em “O Rei Leão” é a morte do pai de Simba que muda tudo, levando o vilão ao trono e obrigando o herói a enfrentar esse trauma e reivindicar sua posição.

Especificamente em Disney, há uma outra boa razão para que pais e mães não apareçam com frequência. A maior parte das animações da Disney são adaptações de histórias antigas muito conhecidas, e que já no original não traziam os pais do herói:

Há ainda casos em que um dos pais aparecia e logo morria, como no já citado “Rei Leão”, ou em “Bambi”, que perde a mãe logo no começo da história.

Já em filmes como “Alice no País das Maravilhas”, não se sabe se os pais estão vivos ou mortos e eles nem são citados em nenhum momento… E isso não faz diferença nenhuma. E um exemplo que destoa de todos os outros é “Peter Pan”, no qual a família de Wendy aparece e ainda tem um papel importante na história.

Tudo bem, eu demonstrei que Disney não tem “nada contra pais e mães”, mas sei que as pessoas querem mesmo saber sobre os sobrinhos do Donald, porque acham estranho eles passarem a vida com o tio. Bem, segundo o que apareceu numa tira de jornal há muitos anos, a irmã (ou prima, essa parte é confusa) de Donald pede que Donald fique com os meninos durante algum tempo, porque o pai deles está no hospital por causa de uma brincadeira dos monstrinhos…

Existe até uma carta dela explicando os motivos desse pedido:

Bem, a irmã do Donald, pelo jeito, resolveu deixar os meninos lá por tempo indefinido… O que deu origem a todo um universo ligado ao Donald, e daí surgiram personagens inesquecíveis: Tio Patinhas, Margarida, Gastão, Prof. Pardal, os Metralhas e etc etc etc.

Mais uma vez, a ideia de um personagem ter sobrinhos não é exclusividade Disney. O Pica-Pau tem, o Scooby-Doo, o Popeye. E o motivo é muito simples e de ordem prática. O personagem deve continuar solteiro, mas precisa de crianças para interagir e darem ideias para novos roteiros. E, se por acaso o sobrinho não agradar, é mais fácil sumir com ele do que com um filho!

Enfim, não existe nenhuma motivação satânica da Disney de querer acabar com a família, como pregam alguns sites malucos por aí. E nem existe verdade naquele mito bastante difundido de que a justificativa para a ausência de pais  – ou, mais especificamente, de mães – nas histórias envolve a própria mãe de Walt, Flora Disney.

É uma história trágica, de fato.

Elias e Flora Disney, pais de Walt

No final dos anos 1930, Walt Disney começava a percorrer seu caminho de sucesso.  Depois da grande bilheteria de “Branca de Neve”, ele e seu irmão Roy decidiram realizar o sonho de todo garoto pobre, dar uma casa aos pais, Flora e Elias.  E compraram uma bela residência perto do Estúdio Disney, em Burbank. Menos de um mês depois de se mudar, Flora queixou-se a Walt e Roy que a fornalha no porão, que aquecia a casa durante o rigoroso inverno, tinha problemas de funcionamento. Walt mandou funcionários do Estúdio para consertar, e tudo aparentemente tinha ficado bem.

Mas, infelizmente, o problema não fora devidamente corrigido. Na manhã do dia 26 de novembro de 1938, quando a governanta chegou para trabalhar, ela passou mal com o cheiro de gás na casa e abriu todas as portas e janelas. Na sequência, procurou os patrões e encontrou os pais de Walt desacordados. Elias havia encontrado a esposa no banheiro e, ao tentar carregá-la para fora, também desmaiou.

O socorro foi chamado. Elias e a governanta, chamada Alma Smith, foram internados com sinais de intoxicação, mas conseguiram sobreviver. Flora Disney, porém, já estava morta quando os paramédicos chegaram à residência.

Claro que Walt se sentiu mal por isso, embora nunca comentasse o assunto. As pessoas é que especulavam que ele se sentia culpado “por ter comprado a casa, por ter mandado seus funcionários consertar e acabaram fazendo um serviço mal feito, e que por tudo isso a ideia de ele ter contribuído para a morte da mãe o deixou com esse trauma e que é por isso que, nos filmes, ou a mãe não aparece ou morre logo no começo”.

Apesar de Walt não ter tido culpa desta inesperada tragédia, ele teria vivido assombrado pela culpa deste incidente e daí nas suas histórias haver sempre a morte do símbolo materno.

 

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Acho essa teoria tão sem sentido (quem a difundiu se esqueceu de todos os contos de fada adaptados por Disney, como citei acima…) quanto a de que Walt  teria pedido que congelassem seu corpo para ser descongelado no futuro. Segundo a própria filha, Diane, disse: “Meu pai nunca nem ouvira falar de criogenia”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Wikipedia

megacurioso.com,br

nytimes.com

huffingtonpost.com

eonline.com

raopo.com.br

hopesandfears.com

thesun.co.uk

disneytheory.com

 

 

 

 

O MÉDICO QUE ODIAVA SUPER-HERÓIS

Era 1954, e os Estados Unidos viviam sob o signo do medo. A guerra fria estava no auge. Por causa da paranoia anticomunista, Charles Chaplin não podia entrar no país e Albert Einstein era investigado pelo FBI. O clima de temor e suspeita era propício a qualquer iniciativa “moralizadora” dos costumes.

A Guerra da Coreia (1950-1953) foi o primeiro conflito moderno a colocar em lados opostos os americanos e os chineses e soviéticos.

A Guerra da Coreia (1950-1953) foi o primeiro conflito a colocar em lados opostos os americanos e os chineses e soviéticos.

Alguns anos depois, os mesmos contendores se enfrentaram na mesma região, com o início da guerra do Vietnã.

Alguns anos depois, os mesmos contendores se enfrentaram na mesma região, com o início da guerra do Vietnã.

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Nos Estados Unidos, por quase uma década, desde o fim dos anos 1940 até meados dos anos 1950, o país viveu um período de intensa patrulha anticomunista, perseguição política e desrespeito aos direitos civis. Foi uma época em que o medo do comunismo e da sua influência em instituições americanas tornou-se exacerbado. Um comitê do Senado, formado pelo senador Joseph McCarthy (de pé na foto), acusou milhares de americanos de serem comunistas ou simpatizantes, tornando-os objeto de investigações agressivas. Muitos perderam seus empregos, tiveram a carreira destruída e alguns foram até mesmo presos e levados ao suicídio. Pessoas da mídia, do cinema, do governo e do exército foram acusadas de espionagem a soldo da URSS.

Naquele ano, o renomado psiquiatra Fredric Wertham publicou seu livro A Sedução dos Inocentes, que descrevia em detalhes os “efeitos nefastos” dos gibis sobre as crianças. A saber: fomentavam a delinquência juvenil, a discórdia entre irmãos, o mau hábito da garotada de não comer legumes e verduras e, se isso não bastasse, de estimular o homossexualismo. O livro incentivou o Congresso a vasculhar a indústria das HQs e a colocar Batman e Super-Homem no banco de réus.

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Credenciais não faltavam ao doutor para convencer a opinião pública da época. Era o psiquiatra-chefe do maior hospital psiquiátrico de Nova York, o Bellevue. Na década de 1920, recém-formado, correspondera-se com ninguém menos que Sigmund Freud, pai da psicanálise.

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 A reputação de Wertham era ilibada, mas algo aparentemente não ia bem com a psique do doutor. Assim como em muitas tramas de gibi, o genial estudioso foi ficando aos poucos obcecado por aquele objeto de repulsa e desejo. Suas pesquisas passaram a associar a leitura de quadrinhos com a violência. O psiquiatra lançou-se então numa violenta campanha, condenando os pobres gibis em dezenas de artigos e entrevistas.

Foi Wertham quem plantou a semente da história da homossexualidade de Batman e Robin. Tudo porque, numa história, Bruce Wayne e Dick Grayson trocavam as roupas civis pelos uniformes de herói, separados apenas por um biombo. Por causa dessas insinuações, a DC Comics teria criado a figura paternal do mordomo Alfred, a fim de frear a fama de gay do homem-morcego. 

O fato é que, com a publicação de A Sedução dos Inocentes, revistinhas foram queimadas em público no estado de Nova York. Um comissário de polícia de Detroit, Harry S. Toy, declarou que os gibis estavam infestados de ensinamentos comunistas. Os distribuidores começaram a devolver os exemplares que recebiam para vender. E a confusão serviu de estopim para que o Congresso instituísse uma subcomissão de investigação dos quadrinhos, nos mesmos moldes daquela criada para investigar as atividades comunistas no país.

As editoras, temendo uma regulamentação do governo, criaram o Comics Code, que nada mais era do que um código de autocensura. Entre 1954 e o início da década de 1970, o código exerceu seu poder de forma implacável na indústria dos quadrinhos. Só em 1971 as editoras passaram a questioná-lo: a Marvel, numa história do Homem-Aranha, mostrou Harry Osborn, amigo de Peter Parker, numa viagem de LSD.

Wertham tentou escrever uma sequência de seu famoso livro, desta vez tratando dos efeitos da TV nas crianças, mas, para sua frustração, nenhum editora se interessou em publicá-lo.

O doutor sempre negou que suas críticas aos quadrinhos tivessem favorecido a censura e dizia que, em princípio, nunca teve nada contra eles, apenas contra as mensagens implícitas em seu conteúdo. Tanto que, no começo dos anos 1970, focou suas pesquisas nos aspectos benignos da cultura dos fanzines. Em seu último livro, publicado em 1974 e chamado The World of Fanzines, ele concluiu que “os fanzines são um exercício saudável e construtivo para motivar a criatividade”.

Essa obra, porém, não serviu para redimi-lo perante os fãs e os editores de quadrinhos, e ele morreu desacreditado por eles em 1981. O ex-menino prodígio da psiquiatria seria para sempre lembrado como o doutor que odiava os quadrinhos.

 

 

(Fontes: Superinteressante, internet, Wikipedia)
 

O nome do pato

Eu queria ter contado esta história há tempos, e só não o fiz antes porque me faltavam alguns dados históricos — que consegui agora graças a uma mãozinha de meu prezado tio Fábio, um colecionador de preciosidades. O assunto é sério — aquela eterna disputa, tão comum em multinacionais, entre os brasileiros com mania de mudar tudo e os globalizadores em geral (ou seja, qualquer executivo instalado acima da linha do Equador), que acreditam que um entendimento é sempre possível, desde que seja em inglês.

Onde está a verdade? Naquela mistura de bom senso e criatividade, duas coisas que vivem se atropelando quando o assunto é “o Brasil contra o mundo ou vice-versa”. Eu vivi uma situação dessas há dez anos, quando estávamos implantando um novo processo no Brasil e trombei de frente com um Boeing lotado de americanos e mexicanos. Eles se bandearam para cá só para ter a certeza de que nenhuma alteração seria feita, por mínima que fosse, e eu estava convencido de que, sem o jeitinho tupiniquim, nada daquilo iria funcionar. Após muitas e muitas horas de árduas e infrutíferas discussões, finalmente consegui encontrar um exemplo que eles entenderam: Walt Disney.


A história que eu contei para eles foi a seguinte: em 1950, quando os personagens de Disney chegaram ao Brasil, havia uma importante decisão a tomar — como eles se chamariam por aqui? Quase ninguém sabia falar inglês direito no país naquela época, especialmente as crianças, que eram o público-alvo das publicações. Num tempo em que nomes de artistas como John Wayne e Jerry Lewis eram pronunciados jon vâine e jérri lévis, seria prudente manter os nomes originais de personagens como Gyro Gearloose e Scrooge McDuck?

Outros países haviam tido essa mesma dificuldade antes do Brasil, e nem sempre as soluções haviam agradado às duas partes. Por isso, era preciso tomar cuidado para evitar o que ocorrera com personagens de outras editoras — como na Argentina, onde pruridos idiomáticos haviam feito com que o marinheiro Popeye fosse rebatizado de “Spaghetti” e Batman se tornasse “El Murciélago”. Podiam até ser nomes sugestivos, mas, como ponderavam os executivos da matriz — e muitos continuam ponderando com todo furor –, não adianta nada ganhar em apelo regional se, com isso, perde-se em algo muito mais importante: a força mundial de uma marca.

Victor Civita, fundador da Editora Abril, com as provas de uma das primeiras edições da revista "O Pato Donald".

Victor Civita, fundador da Editora Abril, com as provas de uma das primeiras edições da revista “O Pato Donald”.

O primeiro time de tradutores e redatores da então recém-criada Editora Abril adotou o que hoje seria chamado de “estratégia global regionalizada”. O passo inicial dos brasileiros foi garantir a benevolência da turma da Disney, e isso foi conseguido com a promessa de manter o nome original dos dois principais personagens. Assim, Mickey ficaria sendo Mickey e Donald ficaria sendo Donald (parece óbvio, mas, na Itália, Mickey já era Topolino e Donald era Paperino — e na Suécia Mickey havia virado Musse Pigg!).

Capa da "O Pato Donald" número 1, lançada em 1950.

Capa da “O Pato Donald” número 1, lançada em 1950.

E aí veio a aplicação prática das três regrinhas elementares da boa globalização:

1. Não mudar o que não precisa ser mudado
Pluto seria Pluto, porque já era um nome bom, pronunciável e sonoro.


2. Mudar o que obviamente precisa ser mudado
Gyro Gearloose se tornaria o Professor Pardal. Uncle Scrooge McDuck viraria Tio Patinhas e The Beagle Boys seriam os Irmãos Metralha. Mais do que caracterizar personagens, nos anos seguintes esses três nomes se tornariam sinônimos populares de gente que inventa o que não é preciso (Professor Pardal), de pão-duro (Tio Patinhas) e de gangues das mais variadas espécies (Irmãos Metralha).


Nacionalizar nomes é algo bem mais complexo do que aparenta ser. Gladstone Gander, o nosso “Gastão”, é Narciso Bello na Espanha, Panfilo Ganso no México e Gontrand Bonheur na França. Ou seja, “Gastão”, mais que uma tradução ou uma adaptação, é uma aula de simplicidade.

O mesmo ocorre com o Tio Patinhas, que na França se chama Oncle Balthazar Picsou, na Alemanha, Onkel Dagobert Duck, na Suécia, Farbror Joakim von Anka, e na Itália, Zio Paperon De Paperoni.

3. Mudar parcialmente o que pode ser sutilmente melhorado
Aí começam as sutilezas. Mickey Mouse não precisaria do “Mouse” no Brasil, onde “rato” é meio pejorativo e “camundongo” é muito longo, e por isso ficou só Mickey. Mas Donald Duck ficava melhor com o “Pato” antes do nome. E sua eterna namorada, Daisy Duck — Pata Margarida, em tradução literal –, soava melhor sem a “pata” e ficou só Margarida. Nada mais que a aplicação do bom senso.


Nas empresas, não é raro que os pioneiros que contribuíram com grandes ideias no passado sejam esquecidos depois de algum tempo. Felizmente, a história do desembarque bem-sucedido dos personagens da Disney no Brasil ficou documentada. Jerônimo Monteiro, o primeiro tradutor e redator da Editora Abril, batizou o Tio Patinhas e os sobrinhos de Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho — no original eles eram Huey, Dewey e Louie (e a filha pré-adolescente de Jerônimo Monteiro, Terezinha, foi quem sugeriu o nome “Irmãos Metralha”).

Depois de Jerônimo, viriam Alberto Maduar, criador dos nomes do Professor Pardal, do Lampadinha, do Gastão e da Maga Patalójika (que era Magica De Spell em inglês), e Álvaro de Moya — desde sempre, a pessoa que mais entende de história em quadrinhos no Brasil.

Lampadinha

Lampadinha

Maga Patalójika

Maga Patalójika

A tradição de acertar nomes de personagens teve seu último grande momento na década de 70, quando chegou ao Brasil o primeiro livro de Calvin & Hobbes, e o nome do tigre foi abrasileirado para “Haroldo”. É só olhar para ver que ele tem mesmo cara de Haroldo, e não de Hobbes. Mas personagens mais recentes — Beavis & Butthead, os Simpsons, a turma sádica de South Park ou Dilbert — mantiveram os nomes originais. Seria interessante saber como aquela gente talentosa, de achados antológicos como “Recruta Zero” e “Brucutu”, encontraria uma definição bem brasileira — e bem marota — para “Butthead”… coisa que jamais saberemos porque, ultimamente, a globalização virou rua de mão única. E isso só leplime a cliatividade, como ponderaria Hortelino Trocaletra. Digo, Elmer Fudd.

 

 

Max Gehringer é autor do livro Máximas e Mínimas da Comédia Corporativa

Correção – há uma informação errada no texto, no último parágrafo, observada pelo jornalista e expert em quadrinhos Marcelo Alencar. As tiras de Calvin & Hobbes começaram a ser publicadas em 1985, e não na década de 70.

 

 

Curta de super-herói criado por brasileiro deve virar filme em Hollywood

A aparição de um homem voando no céu da cidade canadense de Toronto mudou em definitivo a vida do cineasta brasiliense Marcus Alqueres. Dois anos após chamar atenção de fãs de super-heróis e de autoridades da milionária indústria de quadrinhos norte-americana com o curta “The Flying Man” (o homem voador, em tradução livre), o diretor brasileiro conseguiu um novo feito: os direitos de adaptação de seu misterioso personagem foram recentemente comprados pela gigante Sony.

O roteiro final de um longa-metragem inspirado no vídeo de nove minutos lançado em 2013 começou a ser concebido e será assinado pelo escritor e produtor Chris Collins, responsável por vários episódios das aclamadas séries de TV “The Wire” e “Sons of Anarchy”. Se o filme realmente sair do papel, a ideia é que Alqueres assine a direção.

Marcus Alqueres

Marcus Alqueres

O curta, em inglês, narra o aparecimento de um misterioso homem voador em Toronto, no Canadá. Ele causa medo na população local quando começa a fisgar algumas pessoas e soltá-las para a morte em pleno voo. Nos instantes finais da produção, são explicados alguns dos princípios do personagem.

Quando foi lançado na internet, em junho de 2013, “The Flying Man” foi elogiado por Joe Quesada, diretor criativo da Marvel e um dos responsáveis pela concepção do universo cinematográfico estrelado por Homem de Ferro, Capitão América, Thor e os demais Vingadores.

Em seu primeiro mês online em 2013, “Flying Man” teve mais de 500 mil visualizações, sendo o primeiro blockbuster autoral do cineasta, que antes havia trabalhado em efeitos especiais de filmes como “300” (2006) e “As Aventuras de Tintim” (2011).

Caso o longa venha a ser filmado, Alqueres estará trilhando passos já percorridos por diretores como o sul-africano Neill Blomkamp (de “Distrito 9” e “Elysium”) e Feder Alvarez (“A Morte do Demônio”), que dirigiram seus primeiros longas após o sucesso de produções de curta duração disponíveis online.

Blomkamp chamou atenção de Hollywood quando lançou “Alive em Joburg”, ficção científica com sinopse semelhante a “Distrito 9” (2009).

Já o uruguaio Alvarez virou xodó do cineasta Sam Raimi após o impressionante “Ataque de Pânico!” (2009), que mostra Montevidéu sendo destruída por robôs gigantes. Os dois filmes têm menos de seis minutos.

Super-herói exclusivo

O anúncio da compra dos direitos do herói criado por Alqueres acontece poucos meses antes da estreia do Homem-Aranha no universo cinematográfico da Marvel, em “Capitão América 3: Guerra Civil”. Antes com os direitos exclusivos da Sony no cinema, o alter-ego de Peter Parker teve a guarda compartilhada com a editora para que ambas pudessem usufruir ainda mais da rentabilidade do personagem.

Assim, o homem voador passaria a ser o único super-herói exclusivo da empresa. “Todos os estúdios estão sempre à procura de ideias que resultariam em um filme interessante e o ‘Flying Man’, vindo de uma recepção boa do público, com certeza gera um interesse maior nos produtores e executivos”, diz o diretor.

As muitas nuances e contradições do misterioso “Flying Man” também podem ter sido um atrativo. As estratégias violentas do herói para limpar sua cidade de criminosos ecoam alguns debates recentes sobre até onde vai o papel da polícia e da segurança pública na sociedade moderna.

“Nos quadrinhos, os super-heróis sempre foram uma projeção do que uma sociedade considera heroico em determinado momento de sua história. O termo ‘herói’ também sofre bastante distorção dependendo de cada pessoa e do local no qual ele é expresso. A ideia do filme é explorar a reação da sociedade quando um elemento disruptivo, que seria o Flying Man, começa a limpar uma cidade do jeito dele, o que isso realmente causaria. No final, sempre terão os que apoiam e os que condenam. A ideia é apresentar os fatos e deixar a audiência debater a respeito”, instiga Alqueres.

 

 

 

Fonte:

Ramon Vitral
Colaboração para o UOL

Ai-Apaec

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 Ai-Apaec retratado em uma das paredes da Huaca de la Luna

Ai-Apaec era a principal divindade da cultura Moche, no Peru, e era um de seus deuses mais venerados e temidos, também. Ele era adorado como o deus criador, o protetor dos moches, o que dava a água, os alimentos e que possibilitava os triunfos militares.

A representação mais comum e conhecida de Ai Apaec é aquela que é vista nas paredes da Huaca de la Luna, em Trujillo – na costa norte do país – e que apresenta um rosto felino antropomórfico com presas e ondas marinhas que o rodeiam.

Ai-Apaec foi representado de diversas maneiras, variando no tempo, no espaço, e conforme a peça em que ele é representado. Na metalurgia, por exemplo, o deus tem forma de aranha com oito pernas e um rosto antropomórfico com presas de jaguar (a nossa onça-pintada). Na cerâmica ele é mais antropomórfico, com duas cobras que brotam de sua cabeça. Esse recurso também é visto em alguns murais.

Nas esculturas, Ai-Apaec pode ser observado numa forma totalmente humanoide, com uma expressão grave no rosto e as presas de felino de sempre.

Os prisioneiros eram oferecidos em sacrifício ao deus, sendo suas cabeças cortadas. Por isso, ele também era conhecido como O Decapitador.

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A Marvel também criou sua versão de Ai-Apaec nos quadrinhos…

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O Decapitador foi recrutado por Norman Osborn para ser o Homem-Aranha da nova encarnação dos Vingadores Sombrios. Será que a Disney/ Marvel fará um filme onde ele apareça, no futuro?

 

 

Zé Carioca e Júlio de Andrade Filho… Que samba vai dar?

Renato Canini, um dos mais importantes artistas Disney no Brasil, decisivo na trajetória do Zé Carioca, sempre trabalhou ao lado de excelentes roteiristas. Um bom exemplo é a parceria de muitos anos que o desenhista manteve com Júlio De Andrade Filho. Pois bem, o ALMANAQUE DO ZÉ CARIOCA 22, que chega às bancas em 20 de outubro, trará somente HQs da dupla Canini e Júlio De Andrade, celebrando a genialidade destes dois mestres Disney.

A imagem e o texto acima estão sendo divulgados nas redes sociais, avisando dessa edição especial a ser lançada no dia 20 de outubro, e que contém histórias que eu escrevi com o Zé Carioca e que foram desenhadas pelo melhor desenhista de todos, Renato Canini, já falecido.

Comecei a escrever roteiros de histórias em quadrinhos Disney para a Editora Abril no começo de 1972, como roteirista free-lancer. Dois anos depois, fui contratado como redator-trainée e passei por inúmeras funções dentro da empresa, até chegar a ser diretor editorial. Mas minha grande paixão sempre foram os quadrinhos, especialmente os de Walt Disney. E essa paixão está sendo homenageada agora com essa edição especial.

Meu personagem favorito para trabalhar sempre foi o Peninha, como postei aqui. Mas escrevi roteiros com praticamente todos os mais importantes, como Tio Patinhas, Donald, Pateta, Madame Min, Zorro e diversos outros. Depois do Peninha, porém, aquele com quem eu mais me divertia era mesmo o Zé Carioca, para quem criei mais de 60 histórias.

Você pode escrever os roteiros de duas formas: como script – igual ao que se usa no cinema ou na TV – descrevendo as cenas e com as falas de cada personagem:

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Ou, se não tiver paciência para escrever tudo isso, fazendo um rough (pronuncia-se rafe)- um rascunho – colocando os balões e desenhando as cenas para o desenhista – muito semelhante ao story-board do cinema:

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Eu sempre preferi fazer os roughs e, curiosamente, a primeira história Disney que escrevi não foi com nenhum dos personagens preferidos, mas com o Mickey e seu arquirrival Mancha Negra. Ela foi escrita entre 1972 e 1973, mas só foi publicada em 1977, porque era uma aventura com muitas páginas e os editores tiveram que esperar aparecer um espaço nas revistas para publicá-la. A espera valeu a pena, porque foi a história de capa da edição da revista Mickey, em março daquele ano.

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Foi “As Asas de Ícaro” que iniciou a minha carreira nos quadrinhos – e na Editora Abril – mesmo tendo sido publicada muitos anos depois de sua criação.

Como o tema do post é a edição especial do Zé Carioca, a primeira história que tive publicada na Editora Abril foi justamente… do Zé Carioca, e desenhada pelo Renato Canini. Ela saiu na revista Zé Carioca, no. 1.053, de 1972:

ZC Aspirações da Vida, 1a HQ publicada

 

Foi uma longa jornada, mas muito divertida, que compartilhei com talentosos artistas e jornalistas. Meu agradecimento a todos!

 

Os 50 anos do Peninha

Está nas bancas de revistas a edição especial de quadrinhos “Peninha 50 Anos” (Editora Abril), que homenageia um dos personagens mais populares no Brasil. Criado nos Estados Unidos em 1964, ele se tornou bastante conhecido também na Itália, mas não teve lá muito sucesso em seu país de origem.

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Foi no Brasil que ele ganhou suas facetas mais divertidas, a partir do início da década de 1970, quando o recém-criado Estúdio de Quadrinhos Disney da Abril começou a criar suas histórias por aqui, e os artistas brasucas passaram a imprimir sua verve e sua ironia no primo atrapalhado do Donald. Tive a honra de fazer parte desse grupo pioneiro de artistas, escrevendo roteiros de histórias em quadrinhos, e a primeira história brasileira do Peninha publicada no país, em 1972, é criação minha e consta nesse volume.

Abaixo, a capa da revista original. Depois, as páginas como foram publicadas então (na edição comemorativa de agora, as cores foram refeitas, e estão muito melhores…).

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

O autor das matérias que enriquecem a revista, o jornalista Marcelo Alencar, muito gentilmente publicou o meu depoimento sobre o Peninha, meu personagem favorito dos quadrinhos Disney:
depoimento peninha 50 anos

Recomendo essa revista para todos os fãs desse pato que adora espalhar confusão, e deixo meus agradecimentos, além do Marcelo Alencar, ao editor Paulo Maffia, aos pesquisadores José Rivaldo Ribeiro e Edenilson Rodrigues, do Planeta Gibi (http://www.planetagibi.net), e a todos os brilhantes colegas com quem tive a honra de trabalhar na Editora Abril durante tantos anos!