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Os Banhos da Sereia

Largo São Bento em 1887. No centro a Rua São Bento
Largo São Bento em 1887. No centro, a Rua São Bento.

É difícil imaginar, mas houve uma época em que as casas de São Paulo não tinham banheiro. Não apenas as casas pobres, mas nenhuma casa tinha banheiro. Existiu até um pequeno móvel, uma espécie de cadeira com o assento vazado para melhor acomodar o traseiro e o penico colocado por baixo. Consta que os serviçais de D. João VI sempre levavam uma cadeira dessas nos passeios do rei1, porém nunca encontrei qualquer referência a tal artefato em São Paulo. Não faço ideia do que faria uma visita a uma casa de família em caso de aperto.

Cadeira - sanitário
Cadeira – sanitário

Quanto aos banhos, bem, estes eram de bacia mesmo. Uma memorialista nos conta que, após os trabalhos costumeiros na “sala de costura”, à noitinha, as pretas costureiras levantavam acampamento e “iam preparar os quartos para a noite, colocar velas nos castiçais e arear as bacias para os banhos”. E essa memorialista pertencia a uma das famílias mais abastadas de São Paulo na segunda metade do século XIX2.

Somente no final do século XIX, com o abastecimento de água um pouco melhor, foram desativados os últimos chafarizes públicos. Ao mesmo tempo criava-se uma limitada rede de esgotos, que eram lançados no Rio Tietê sem nenhum tratamento.

Então, algumas casas passaram a contar com banheiros. Mas somente as casas ricas. As mais simples ainda usavam o velho sistema. Zica Bergami (1913-2011), compositora de “Lampião de Gás”, relatando sua infância, conta que “naquela época, só havia toilettes nos grandes palacetes dos bairros ricos. Os menos favorecidos tinham que se arranjar com tinas ou bacias enormes ou, então banhavam-se à noite, nos tanques dos quintais, depois que todos dormiam3.

No século XIX eram comuns, nos grandes centros europeus, as casas de banhos, porém em São Paulo a primeira notícia que se tem de uma casa de banho é de fevereiro de 1857, quando Carlos Pedro Etchecoin anuncia a abertura de sua casa Banhos de Saúde, na Rua do Carmo,3. Oferecia “banhos de lavagem ou de vapor, segundo o gosto ou a necessidade de cada um4. Mas eram banhos de caráter medicinal, com acompanhamento médico. Não deve ter durado muito tempo, pois outro Etchecoin, agora João Luis Etchecoin e Companhia, proprietários do Hotel Quatro Nações, anunciava em 1863 também “banhos de corpo inteiro no dia 15”5.

A primeira casa de banhos de caráter não só higiênico, mas também com função social, somente apareceu em 1865. Chamava-se “A Sereia Paulista”. Foi inaugurada em 28 de setembro de 1865, para grande alegria do jornalista do Correio Paulistano que há algum tempo vinha se queixando da falta que fazia tal tipo de casa na capital. Seu proprietário era Bento Vianna e ficava na Rua São Bento, 1. O imóvel pertencia ao mosteiro de São Bento.

É a casa que vemos à direita da foto que abre a matéria. Era uma casa grande, ia da Rua São Bento até a antiga Rua São José, atual Líbero Badaró, onde era assobradada6. Tinha um poço para abastecimento de água, reservatórios, aquecimento e vários quartos com uma banheira de mármore em cada um. Um dos quartos era adaptado para “banhos de chuva7. Na sala da frente, “refrescos finos e bebidas de espírito”. Na época era propriedade de Henrique Schroeder.

Anúncio publicado no jornal O Correio Paulistano de 29-10-1865
Anúncio publicado no jornal O Correio Paulistano de 29-10-1865

No dia primeiro de janeiro de 1871, um personagem pitoresco adquiriu a Sereia Paulista8. Trata-se de José Fischer, um húngaro alto, barbudo e ranzinza que havia chegado ao Brasil no ano anterior. Fischer reformou a casa e, ao longo do tempo, transformou a sala onde eram servidas as bebidas em restaurante. Ficou famoso pelos bifes à Leipzig, que ficaram popularizados como bifes à cavalo. Por um bom tempo, tornou-se um bom programa paulistano ir tomar banho na Sereia e depois jantar um bife com vinho húngaro, o que era uma novidade para os brasileiros.

Diz antigo cronista que o húngaro levava ao pé da letra a metáfora de não tolerar que na sua casa ninguém falasse mais alto que ele. Sabendo disso, os estudantes, por gozação, entravam em fila e iam cumprimentando em tom cada vez mais alto e Fischer respondendo ainda mais alto. No final da fila, estavam todos aos berros9.

Ele somente recebia clientes masculinos e sua casa era muito frequentada pelos membros da colônia alemã. Quanto à sereia, ficava somente no nome e numa pintura feita por Nicolau Huascar que servia de emblema da casa10. Um viajante, Karl Von Koseritz, que certamente conhecia casas de banho europeias, visitando São Paulo em 1883, foi levado para uma visita à Sereia Paulista e relatou: “Os meus leitores hão de compreender que fui à sereia com as maiores esperanças e com água na boca, mas a desilusão foi completa. A sereia se nos apresentou sob a forma de um corpulento e amplamente barbado senhor Fischer, um húngaro, que é o proprietário dessa taverna, reconhecidamente a melhor de São Paulo”11.

Fischer importava vinhos da Hungria, principalmente dos tipos Tokay, Ménesi e Ruszti, porém espalhou-se o boato de que o vinho servido na Sereia era produzido com água do rio Tietê. Cansado das boatarias, Fischer mandou publicar nos jornais um anúncio oferecendo um conto de réis a quem provasse que seu vinho não era da Hungria, caso contrário ficaria passando por mentiroso12. Esquentado, não?

Anúncio publicado no jornal A Província de S. Paulo de 21-12-1887
Anúncio publicado no jornal A Província de S. Paulo de 21-12-1887

Em 1886, Fischer talvez já estivesse um pouco cansado do negócio, pois colocou a Sereia Paulista à venda13. Não deve ter conseguido nenhuma boa proposta de negócio, porque somente em 1891 é que passou a casa a uma Companhia Sereia Paulista que, apesar de ter planos de construção de um prédio maior, acabou entrando em liquidação dois anos depois14.

José Fischer retirou-se para Dassau, Alemanha, onde faleceu em 189815.

 

 

Notas
1 – GOMES, Laurentino, 1808, Editora Planeta do Brasil, 2007, pág. 302.
2 – BARROS, Maria Paes de, No Tempo de Dantes, São Paulo, Paz e Terra, 1998, pág. 19.
3 – BERGAMI, Zica, Onde estão os Pirilampos?, João Scortecci Editora, São Paulo, 1989, pág. 18.
4 – Jornal Correio Paulistano de 12-02-1857.
5 – Jornal Correio Paulistano de 08-01-1963.
6 – NOGUEIRA, Almeida, A Academia de São Paulo – Tradições e reminiscências, Nona série, 1912.
7 – Jornal Correio Paulistano de 26-09-1865
8 – Diário de São Paulo de 01-01-1871
9 – Ver nota 6.
10 – Correio Paulistano de 01-10-1865.
11 – BARBUY, Heloísa, A Cidade-Exposição, Comércio e Cosmopolitismo em São Paulo, 1860-1914,Editora da Universidade de São Paulo, 2006.
12 – Jornal A Província de S. Paulo de 21-12-1887.
13 – Jornal Correio Paulistano de 05-05-1886.
14 – Jornal O Estado de S. Paulo de 06-08-1893.
15 – Jornal O Estado de S. Paulo de 19-02-1898.

 

Fonte:

Edison Loureiro, saopaulopassado.wordpress.com

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A falta de higiene da Idade Média

Nos filmes com temática medieval de Hollywood, vemos nobres abastados e belas damas maquiadas, penteadas e cheias de jóias, vestindo túnicas branquinhas. Tudo fachada, pois como muito já se falou, no período entre a queda do Império Romano até a descoberta da América, a higiene pessoal não era considerada uma prioridade.

Os médicos achavam que a água, sobretudo quente, debilitava os órgãos, deixando o corpo exposto a insalubridades que, se penetrassem através dos poros, podiam transmitir todo tipo de doenças. Foi quando a ideia de que uma camada de sujeira protegia a pele contra doenças se espalhou, e que, portanto, o asseio pessoal devia ser realizado “a seco”, só com uma toalha limpa para esfregar as partes expostas do corpo.

Os médicos recomendavam que as crianças limpassem o rosto e os olhos com um trapo branco para tirar o sebo, mas não muito para não retirar a cor “natural” (encardida) da tez. Na verdade, os galenos consideravam que a água era prejudicial à vista, que podia provocar dor de dentes e catarros, empalidecia o rosto e deixava o corpo mais sensível ao frio no inverno e a pele ressecada no verão. Ademais, a Igreja condenava o banho por considerá-lo um luxo desnecessário e pecaminoso. Em resumo, as práticas de higiene durante a Idade Média eram fruto dos ainda incipientes conhecimentos médicos e do pensamento predominantemente cristão, que considerava a prática do banho pecaminosa.

A falta de higiene não era restrita aos mais pobres, a rejeição pela água chegava aos estratos mais altos da sociedade. As damas mais entusiastas do asseio tomavam banho, quando muito, duas vezes ao ano, e o próprio rei só o fazia por prescrição médica e com as devidas precauções.

Os banhos, quando aconteciam, eram tomados em uma tina enorme cheia de água quente. O pai da família era o primeiro em tomá-lo, logo os outros homens da casa por ordem de idade e depois as mulheres, também por ordem de idade. Enfim chegava a vez das crianças e bebês, que eram mergulhados naquela água suja. Não é à toa que as crianças tinham grande desgosto em tomar banho.

Existiam as casas de banho públicas, oriundas dos antigos romanos, onde as pessoas se banhavam juntas ao mesmo tempo, homens e mulheres sem distinção. Quando ocorreu a Peste Negra na Europa, entre 1347 e 13503, essas casas de banho acabaram por contribuir para a peste se espalhar, e foi então que as pessoas começaram a abominar os banhos mais frequentes. É bom destacar que isto se refere à Idade Média europeia. Quando os mouros, africanos do norte, levaram a Expansão Islâmica para a Península Ibérica em 711 d.C., levaram para aquele território (Espanha e Portugal) não apenas a fé em Alá, mas também o uso da energia eólica, o uso do astrolábio, as técnicas de navegação, a arquitetura mista árabe/africana bem como a prática do saneamento básico e o costume de tomar banho, até então pouco usual.

Lembremos ainda que a Peste Bubônica – também chamada de Peste Negra -, evento que dizimou 1/3 da população europeia, se deu justamente porque os ratos que vinham nos porões dos navios que saíam do Oriente Médio em direção à Europa, encontravam naquele continente um ambiente propício para sua propagação, em virtude da grande insalubridade existente. Esgotos à céu aberto eram extremamente comuns e os ratos proliferaram rapidamente por conta disso.

Tudo era reciclado. Tinha gente dedicada a recolher os excrementos das fossas para vendê-los como esterco. Os tintureiros guardavam urina em grandes tinas, que depois usavam para lavar peles e branquear telas. Os ossos eram triturados para fazer adubo. O que não se reciclava ficava jogado na rua, porque os serviços públicos de limpeza urbana e saneamento não existiam ou eram insuficientes. As pessoas jogavam seu lixo e dejetos em baldes pelas portas de suas casas ou dos castelos. Imagine a cena: o sujeito acordava pela manhã, pegava o pinico e jogava ali na sua própria janela.

O mau cheiro que as pessoas exalavam por debaixo das roupas era dissipado pelo leque. Mas só os nobres tinham lacaios que faziam este trabalho. Além de dissipar o ar também servia para espantar insetos que se acumulavam ao seu redor. O príncipe dos contos de fadas fedia mais do que seu cavalo. O melhor exemplo dessa afirmação foi o rei Luís XIV da França. Ele morreu com 77 anos, numa época em que a expectativa de vida era cruel para todos, nobres e servos.

O Rei Sol, como ficou conhecido, deixou a imagem de um rei forte, robusto, detentor de um poder extraordinário para governar, uma personalidade inigualável, um rei guerreiro, um rei de paz, um arquiteto, um dançarino quase profissional, um mestre em jardinagem, um músico aplicado, amante de teatro, de poesia, mecenas das artes. Mas… Diz-se que foi um dos mais porcos de toda a história.

Acredita-se que Luis XIV deva ter tomado de 2 a 5 banhos ”inteiros” durante os seus 77 anos. Ele tinha vários métodos para mascarar os odores. Espalhar perfume pelo corpo e roupas – patchouli, almíscar, “fleur d’oranger”;  para o mau hálito, pastilhas de anis. Ele praticava  o famoso banho seco, ou seja, trocar de roupas várias vezes no dia. O monarca tinha conhecimento do mau cheiro que exalava, dificilmente suportável a todos que o acompanhavam.  Ele mesmo abria as janelas para arejar quando entrava em uma sala.

Conforme já disse mais acima, os hábitos dos banhos frequentes foram abandonados especialmente com a Peste, quando surgiu a teoria de que o banho quente dilatava os poros e  facilitava a “entrada dos vírus”. E a igreja deu a sua contribuição, denunciando o banho como sendo imoral. A partir deste momento, o uso da água seria limitado às partes livres do corpo como as mãos e o rosto. Um banho de corpo inteiro passou a ser uma raridade.

Luis XIV lavava as mãos num pequeno filete d’água despejada de uma jarrinha por um cortesão. No rosto e no corpo, muito blush – pigmento branco  à base de chumbo, altamente tóxico, pois o branco era sinônimo de beleza e saúde; na cabeça, uma mistura de talco e farinha para a peruca exageradamente alta e explicitamente gordurosa ao meio-dia, para refletir magnitude e vigor. A peruca era de cabelos falsos misturados com cabelos verdadeiros e crinas de cavalos, local preferido dos piolhos…

Na Idade Média, a maioria dos casamentos era celebrada no mês de junho, bem no começo do verão. A razão era simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio; assim, em junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. De qualquer forma, como algumas pessoas fediam mais do que as outras ou se recusavam a tomar banho, as noivas levavam ramos de flores (gardênias, jasmins e alfazemas, que floresciam no mês de maio), ao lado de seu corpo nas carruagens para disfarçar o mau cheiro. Tornou-se, então, costume celebrar os casamentos em maio, depois do primeiro banho. Por isso maio é considerado o mês das noivas e dali nasceu a tradição do buquê de flores das noivas.

Outro costume cuja origem foi na Idade Média é o do velório.

Os mais ricos tinham pratos e taças de estanho, que não eram lavados. Certos alimentos oxidavam o material, levando muita gente a morrer envenenada e sem saber o porquê. Alguns alimentos muito ácidos, que provocavam esse efeito, passaram a ser considerados tóxicos durante muito tempo. Com as taças ocorria a mesma coisa: o contato com uísque ou cerveja fazia com que as pessoas entrassem em um estado de narcolepsia produzido tanto pela bebida quanto pela intoxicação pelo estanho. Alguém que passasse pela rua e visse a pessoa nesse estado podia pensar que estava morta e logo preparavam o enterro. O corpo era colocado sobre a mesa da cozinha durante alguns dias, enquanto a família comia e bebia esperando que o “morto” voltasse à vida – ou não.

Temos que ter em mente que a Idade Média engloba um período de mais de 1000 anos, em que várias etnias com culturas diversas tiveram o seu apogeu ou declínio, passando ou não seu legado para a posteridade. O banho, como exemplo de higiene, era geralmente relegado a ocasiões especiais pelos francos. Por outro lado, era tido como obrigatório aos sábados no caso dos povos nórdicos (vikings). Lembrando sempre que a popularização do banho só se deu na segunda metade do século passado, quando a revolução tecnológica facilitou a prática.  Após a Segunda Guerra Mundial, o processo de reconstrução das casas permitiu que os chuveiros fossem disseminados por toda a Europa. Isso eliminou a necessidade de se banhar em rios ou regatos gelados, quando no verão, ou carregar baldes cheios do poço, no inverno, para depois ter de cortar lenha para esquentar a água, e ainda esvaziar a tina no dia seguinte, para evitar o choque térmico. Uma trabalheira danada.

E, finalizando, não custa lembrar que o costume de tomar banho diário no Brasil foi herdado dos indígenas. Há relatos de que, quando a Corte portuguesa chegou, D. João VI ficou estarrecido com os índios entrando no mar para se banhar, acreditando que eles teriam alguma doença de pele… Diz-se que ele próprio teria tomado apenas 2 banhos completos em toda sua vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

http://www.mdig.com.br

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Quantas vezes você pode usar a mesma roupa de cama?

Não faz muito tempo, falei sobre um tema que sempre me deixou curioso, quantas vezes a gente pode usar a mesma toalha de banho. Foi aqui.

Bem, continuando a série “tudo aquilo que você sempre quis perguntar, mas nunca teve a quem fazer isso”, hoje vou falar sobre as roupas de cama.

Sabe a cobra, que troca de pele? Pois bem, a gente também faz isso. O tempo todo. As células mortas ficam na roupa de cama. E isso é um banquete para micro-organismos, e também para aqueles seres bem conhecidos do povo que sofre de alergia, os ácaros.

(pensei em colocar aqui uma imagem desses ácaros, mas achei melhor não… Parecem monstros de filme japonês…)

Esses micro-aracnídeos se escondem justamente nos colchões e travesseiros. “O que mais vamos encontrar em nossas roupas de cama são os ácaros”, explica Ralcyon Teixeira, infectologista do Hospital Emílio Ribas. “Eles vão se acumulando dentro do colchão e do travesseiro, que são feitos de fibras naturais ou semi-sintéticas.”

Troca semanal

Os especialistas concordam que não há um tempo máximo ou mínimo ideal para se trocar a roupa de cama, o que vale é o bom senso. “Pensando nos ácaros, o ideal é trocar semanalmente. Quanto menos ácaros, menores serão os problemas com rinite alérgica, asma e alergias de pele”, diz Teixeira. “Um ambiente sempre arejado também é recomendado.”

No caso dos cobertores e edredons, basta lavar no início e ao final da estação de uso, explica a microbiologista Maria Teresa Destro. “Durante o uso, eles devem ser colocados para tomar ar pelo menos uma vez por semana.”

Para limpar os lençóis e fronhas de pessoas saudáveis, basta lavá-los com sabão em pó e secar preferencialmente ao sol, cujos raios ultravioleta matam os ácaros.

Para as crianças pequenas, com até três anos de idade, e que são mais sensíveis por ainda estarem formando os anticorpos naturais, além de lavar e secar ao sol, é recomendável passar a roupa de cama a ferro. E, uma vez por semana, ou a cada quinze dias, passar um aspirador de pó no colchão e no travesseiro dela.

Limpeza mais intensa no calor

Gustavo Johanson, infectologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), lembra que o clima influencia muito. “Vai do bom senso da pessoa e, se o clima está muito quente, suamos mais e o ideal é trocar a cada dois ou três dias. Em clima mais seco e frio, troca-se com menos frequência. O calor, o suor e a pele morta são ambientes ideais para a proliferação de microrganismos”, explica. Dentre eles, podem aparecer os fungos, que às vezes causam doenças.

E há dois insetos que podem habitar as roupas de cama de pessoas saudáveis: as pulgas e os percevejos. “Os percevejos são mais comuns no hemisfério Norte e chegam até a ser encontrados em camas de hotéis de quatro, cinco estrelas. A única forma de eliminá-los é se desfazer do colchão. Já a pulga pode ser eliminada com limpeza do colchão e da roupa de cama”.

Em caso de doença

A coisa muda de figura se uma pessoa tiver doenças como sarna, escabiose (piolho), chato (piolho pubiano), micoses, machucados e escaras (feridas que se formam quando a pessoa fica muito tempo na cama). Nesses casos, os especialistas recomendam lavar a roupa de cama todos os dias, evitar chacoalhar o lençol ao retirá-lo e lavar com água quente acima de 60° C, secar na secadora ou passar a ferro na mesma temperatura.

A microbiologista Maria Teresa também recomenda o uso de um protetor entre a cama e o lençol para crianças e idosos que possam ter problemas para conter a urina à noite.

“O colchão é feito de espuma e absorve a umidade, por isso é preciso limpar com água e deixar secar completamente. Secar é a melhor coisa, pois sem umidade não cresce bactéria”, diz.

Finalmente, para manchas de menstruação, ela recomenda a higienização com água oxigenada volume 10, que quebra as moléculas de sangue. E, para as famílias que têm condições de contratar uma limpeza com vaporização de colchão, ela sugere que seja feita a cada seis meses.

 

 

 

 

Fonte:
Paula Moura, UOL
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A visão de um brasileiro sobre a França

Antonio Souza Neto morou 3 anos na França, ele adorou ter vivido lá e diz que esse não é um post ofensivo, mas apenas uma visão bem humorada sobre as diferenças culturais.

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1. É mentira que franceses não tomam banho, eles tomam sim, mas nunca mais que um por dia, mesmo que seja verão e esteja fazendo um calor enorme.

2. Os franceses não utilizam desodorante e também não se importam com o cheiro de sovaco dos outros. Um bom exemplo é o “cheirinho de soirée” (festas francesas) onde as pessoas transpiram muito e ficam fedendo, mas ninguém se importa.

3. Os franceses não lavam a mão antes de comer, nem depois de ir ao banheiro. Mesmo se ele tem uma classe social ou cargo alto. Na maioria das casas, há uma porta para a privada e outra para o chuveiro, sendo que a pia sempre fica no mesmo espaço que o chuveiro, impossibilitando o uso por alguém que tenha acabado de usar a privada, caso alguém esteja no banho. Ou seja, é para lavar as mãos depois de tomar banho, mas nunca depois de fazer xixi ou cocô.

4. Na França as pessoas não escovam os dentes depois das refeições e fumam muito. Isso justifica porque pessoas com 40 anos já têm os dentes todos estragados.

5. Na França, o transporte em geral funciona muito bem. Essa foi a maior diferença positiva que senti em relação ao Brasil. As estradas são ótimas. Os metrôs funcionam bem. E a rede de trens rápidos que liga as cidades da França é muito boa. É possível que o transporte na França seja o melhor do mundo, ou um dos melhores.

6. O metrô de Paris fede a esgoto. Mas dizem que o esgoto de Paris é turístico, então essa deve ser a razão.

7. A alimentação na França é muito saudável. Todos comem bastante salada e há poucos obesos.

8. A comida da França é muito boa, principalmente os queijos e molhos de diversos tipos.

9. A carne de boi na França, no entanto, é horrível. Eu tenho uma teoria sobre isso: Como a indústria do leite é muito forte na França, acho que todas as vacas servem para fornecer leite, e todos os bois para reproduzir as vacas, para nascerem novas vacas e produzirem mais leite. Assim, o boi ou vaca só vão para a sua mesa quando morrem de velho.

10. Os franceses são muito educados com as palavras, mas não com os gestos. É muito comum ver alguém dizer “Pardon” enquanto te empurra de propósito numa estação de metrô ou qualquer outro lugar cheio.

11. Dizem que a maioria dos brasileiros deixa tudo para a última hora. Fato. Os franceses se dividem em dois grupos: Uma parte é muito disciplinada e organizada e faz as coisas pouco a pouco, evitando estresses no último momento. A outra parte não gosta de trabalhar e vive às custas do Estado, recebendo dinheiro de órgãos como o CAF.

12. É lenda que os franceses não respondem se você pedir informação em inglês. Pelo menos os jovens de grandes cidades se esforçam para te dar informações em inglês e até mesmo em espanhol.

13. O sotaque dos franceses falando inglês é muito feio, eles falam como se estivessem falando em francês mesmo.

14. As filas não são respeitadas na França, vi diversas vezes pessoas furando a fila. No Brasil se alguém fizer isso é linchado, acho que por isso que não fazem.

15. As eleições na França ainda são manuais, e muitas vezes têm contagens duvidosas, principalmente nas pequenas cidades.

16. O sistema bancário é muito ruim. Se você depositar dinheiro na boca do caixa, o dinheiro só entra na sua conta cerca de dois dias depois. Frequentemente você verá taxas de serviços que não pediu no seu extrato também. O banco pela internet tem pouquíssimos serviços, e para pagar seus impostos e muitas outras coisas você é obrigado a ir fisicamente ao banco.

17. As operadores telefônicas conseguem ser piores que no Brasil. Cometem muitas falhas. Te obrigam a aderir a serviços que você não pediu e te deixam horas esperando no telefone para resolver qualquer probleminha simples. As lojas físicas não resolvem problemas.

18. As pessoas se vestem bem na França, mas vestem a mesma roupa mais de 10 vezes sem lavar. Muitas vezes só usam uma roupa todos os dias da semana.

19. Os franceses costumam ser muito fechados e é muito difícil entrar em um grupo de amigos já fechado. A única exceção é quando bebem. Um francês bêbado que você acabou de conhecer vai dizer que você é o melhor amigo dele, mas no outro dia nem vai lembrar quem você é.

20. Quando há sol, os franceses se atiram sobre a grama e podem ficar horas assim. Eu achei isso muito estranho quando cheguei, mas entendi depois que passei por um inverno horrível e então na primavera lá estava eu também, atirado sobre a grama.

21. Os franceses fumam muito, e jogam as bitucas de cigarro no chão.

22. A música francesa antiga é muito boa, mas a atual é muito ruim. No entanto, os franceses não costumam avaliar as músicas pela qualidade, mas sim se ela é nova ou não. Assim, ao ouvir uma música antiga, mesmo que boa, eles vão dizer “Baaahh, isso é velho”.

23. Na França as pessoas costumam sair de casa cedo, quando vão à universidade. Isso é bom por um lado, já que você pode ganhar independência rapidamente, fazer apéros em casa (reunião com amigos para beber algo antes de sair para a balada) etc. Por outro lado, sinto que as famílias são menos ligadas e menos afetivas.

24. A França tem muita igualdade social, e isso é ótimo. As pessoas podem escolher o que vão fazer, e não fazem algo por serem pressionadas pela sociedade porque têm que ganhar dinheiro. É comum ver faxineiras com carros novos e bons.

25. No Brasil, as pessoas acham que nada funciona aqui e tudo é feito da pior maneira. Na França eles acham que o lugar é perfeito, que tudo funciona bem, e que não há lugar melhor. Ambos estão errados: Nem o Brasil é tão ruim quanto os brasileiros dizem, nem a França é tão boa quanto os franceses dizem.

26. É difícil as pessoas se abraçarem na França. Lembro-me que eu abraçava algumas amigas minhas de propósito para fazer gozação, pois era muito engraçado ver como elas não ficavam a vontade.

27. Na França se um homem sai com uma mulher 2 vezes, automaticamente já está namorando, sem precisar de nenhum acordo prévio.

28. Os franceses adulteraram o sentido de algumas palavras de origem latinas. Por exemplo, aprender pode significar ensinar: Eu vou te aprender português, Vir pode significar ir: Eu virei à sua casa hoje.

29. Os empregados ligados a atendimento de qualquer tipo não são nunca amáveis. “C’est pas mon problème” e “Désolé” serão ouvidos com frequência quando eles não querem te ajudar. Isso na verdade quer dizer “Saia logo daqui por que eu tenho que passar o resto da tarde sem fazer nada”. O fato de eles estarem sendo pagos para fazer aquilo bem não é importante.

30. Aos domingos todas as pessoas ficam em casa, as ruas parecem ser de uma cidade fantasma e nenhum estabelecimento comercial abre.

31. É impossível resolver alguma coisa nos meses de julho e agosto.

32. Na França até a poeira se organiza sozinha nos chamados “Moutons” e facilita a sua limpeza.

33. Para entrar em uma boate na França, é preciso estar muito bem vestido, de preferência acompanhado de mulheres, a lua deve estar em Câncer, o sol em Capricórnio e Saturno em Gêmeos.

34. Na França não há muita violência por assalto, mas há muita violência gratuita e brigas de bar.

35. As mulheres francesas são muito bonitas, mas são todas loucas.

36. As grandes cidades da França são muito cosmopolitas e isso é ótimo. Você pode encontrar pessoas de todos os lugares do mundo, e também restaurantes, música etc.

37. Franceses adoram papel. Para conseguir qualquer coisa tem que ter um dossiê de 100 páginas assinados por 10 pessoas diferentes. Para rescindir qualquer contrato, você tem que enviar uma carta registrada, dizendo que vai rescindir daqui a 3 meses, mesmo assim eles vão fazer de tudo para que você não rescinda o contrato, mesmo agindo de maneira ilegal.

38. Franceses não sabem dançar, mas isso é ótimo para os brasileiros. Eu com meu forró básico virava profissional em qualquer estilo com as mulheres francesas. Os passos de forró podem ser dançados com Salsa, rock, bachata, tango, ou qualquer outra.

39. Um monte de gente tem cabelo de Cascão. Normalmente eles sempre estão envolvidos em todas as brigas e badernas na França.

40. O ciclismo funciona muito bem na França, muita gente anda de bicicleta e existem vias exclusivas para isso. Em muitas cidades você pode alugar bicicletas públicas por um preço muito camarada.

41. Na França desperdiça-se muita comida. Se a pessoa sabe que não vai comer tanto, por que colocar tanto no prato?

42. Nas festas as pessoas são muito receptivas para conversar. É fácil chegar em alguém que você nunca viu na vida e começar a conversar sobre qualquer coisa.

43. Na França, os belgas são nossos portugueses em relação às piadas.

44. Na França, você pode atender o seu smartphone na rua sem ser roubado.

45. Franceses não sabem paquerar, muitas vezes é a mulher que toma a atitude.

46. Franceses são muito regionalistas, cada um acha que sua região é melhor que as outras, e seu sotaque mais bonito que os outros.

47. Parisienses acham que não têm sotaque, mas como qualquer um, eles têm sim.

48. Os franceses se importam menos com as aparências, ou com mostrar riqueza. Acho que isso é resultado da maior igualdade social.

49. Na França, a maioria dos professores não se interessa muito pelo aprendizado do aluno, querem apenas mostrar o quanto eles sabem e te obrigam frequentemente a estudar o tema específico de pesquisa deles, mesmo quando o assunto é genérico. Pedir para ter acesso a uma correção de prova pode ser considerada uma afronta.

50. Os números na França não são lógicos: para dizer 70 você diz sessenta e dez, para dizer 80 você diz quatro vintes e para dizer 99 você diz quatro vintes e dezenove.

51. Quase todos os canais de televisão da França são do Estado e eles raramente falam mal dos governos.

52. Casais franceses não costumam se tocar na rua, nem mesmo dar as mãos, nem dar demonstrações de afeto em público.

53. Na França a língua portuguesa nunca é a língua portuguesa. Ou é espanhol, ou é italiano. Quase todos acham que o Brasil fala espanhol ou brasileiro.

54. Na França, um garçom sempre estará te dando a maravilhosa oportunidade de pagar para comer no restaurante dele. Assim você sempre tem que implorar para ser bem atendido. O garçom sempre tem razão.

55. Franceses adoram criticar, mas odeiam ser criticados.

56. E finalmente, para os parisienses, Paris é o Centro do mundo e sem ela a Terra seria incapaz de girar.

Por: Antônio Souza Neto