Interpretação de Texto – como você está nessa?

Tenho notado, e a cada dia que passa com mais frequência, a grande dificuldade das pessoas em interpretar textos. E não são apenas os jovens, não – aqueles que, segundo o entendimento comum, não conseguem ler nada mais extenso que um tuíte. Isso ocorre em todas as idades… Por isso, para ajudar com essa dificuldade, trago este post com algumas dicas.

1. Leia mais (eu sei que é clichê, então vou te dar alternativas bacanas)

Algumas pessoas mais espertas do que eu diziam o seguinte sobre leitura:

  • Quem não lê mal ouve, mal fala, mal vê. (Monteiro Lobato)
  • O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler. (Mark Twain)
  • Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como o corpo que não come. (Victor Hugo)

Se você quiser interpretar melhor, você deve ter O QUE INTERPRETAR. Sabe, não adianta ficar querendo tapar o sol com a peneira e pedir para divindades que tudo dê certo. Querer todo mundo quer. Você tem que ter seu algo a mais. Leia.

“Pô, LER MAIS? Odeio ler!”

Não, você não odeia LER. Talvez odeie ler os livros chatos que os professores da escola indicavam quando você era criança. Machado de Assis? Blergh! Olavo Bilac? Parnasiano aguado! Manuel Bandeira? Não, não, não, por favor!

Para fugir disso e melhorar sua interpretação de textos, leia o que você achar delicioso. Vou te mostrar algumas boas opções para fugir do lugar-comum.

Histórias em quadrinhos

Tem muita gente que aprendeu a ler com Turma da Mônica ou com os gibis da Disney. E soube interpretar desde cedo que o Cebolinha falava “elado” porque ele era uma criança ainda aprendendo a falar com mais dificuldades do que as outras crianças.

Sites de fofocas

Exemplo: Papel Pop: os sites de fofocas colocam duplo sentido em um milhão de textos, e isso é fantástico para você. Toda vez que você não entender alguma coisa, pergunte-se: o que será que o autor do texto quis dizer com isso? Você começa entendendo frases simples nesse tipo de site e acaba conseguindo interpretar textos em geral.  Isso é muito legal, né não?

Livros infantojuvenis com personagens maaaais ou menos infantis

Não é por acaso que Stranger Things é uma das séries originais da Netflix mais adoradas. Ela tem um ingrediente fascinante para qualquer pessoa de qualquer idade no mundo inteiro: crianças pré-adolescentes ou adolescentes enfrentando coisas mais fortes do que elas. E esse roteiro não é novo: existe em Harry Potter, Percy Jackson, Jogos Vorazes, Guerra dos Tronos (sim, lá estão o Jon, a Dany, a Arya, a Sansa, o Jofrey, o Bran…) porque todo mundo adora uma creepy child (criança esquisita), e os livros relacionados a elas são do tipo que você começa pela manhã e só termina quando chega à última página.

Letras de músicas

Você está a fim de decorar uma nova música? Pegue a letra dela, não tente decorar somente pela cantoria da pessoa. Além de treinar sua interpretação, você treinará sua memória (é mais fácil decorar uma letra entendendo o sentido dela).

2. Veja se o sentido faz sentido

Eu já ouvi um incontável número de pessoas cantando músicas que não condiziam com a letra original, trocando totalmente o sentido da coisa. Isso acontece por dois motivos simples:

  1. o som da música não permite que as pessoas entendam direito o que se fala; e
  2. ninguém interpreta o que está cantando.

Quer alguns exemplos?

O texto original fala:

Na madrugada a vitrola rolando um blues
Tocando B. B. King sem parar

Não faz sentido, em um contexto comum, rolar um blues na madrugada e trocar de biquíni sem parar ao mesmo tempo!

Outra:

O texto original fala:

Eu perguntava “Do you wanna dance?” (Você quer dançar?)

Faz sentido você estar em uma festinha, conhecer alguém e perguntar as coisas em holandês? Só na Holanda, né?

E há vááários outros exemplos! Amar a pé, amar a pé… (amar até, amar até); Ôh Macaco cidadão, macaco da civilização… (Ôh pacato cidadão); Leste, oeste solidão… (S.O.S. solidão); São tantas avenidas… (São tantas já vividas); e assim vai!

A dica que fica é: o que você interpretou não fez sentido? Então procure ENTENDER o que você ouviu! Fazendo isso, você conseguirá conectar os fatos muito melhor e até memorizar mais rápido.

Em Interpretação, as palavras não são soltas, então não as trate como se estivessem ali sozinhas. Eu vou repetir.

Em Interpretação, as palavras não são soltas, então não as trate como se estivessem ali sozinhas.

Você ouve “trocando” “de” “biquíni” “sem” “parar”. Só que, se você junta tudo isso, o troço não vai fazer sentido algum! Não trate as palavras como se elas fossem solitárias.

3. Pratique com frases de motivação

Frases de motivação são umas lindas.  Elas são ótimas professoras de interpretação. Veja os exemplos (logo abaixo, há os significados das frases, caso você ainda esteja com a interpretação em baixa):

Perfeição é uma palavra capciosa. Ela denota algo positivo, mas leva a resultados negativos. Não busque a perfeição. Busque os resultados. Seja real.

Essa frase é de George Eliot. O sr. Eliot mal saberia que muitos anos após sua morte, muitas pessoas falariam coisas como:

“Eu tenho filhos.”

“Eu tenho pais.”

“Sou muito magro.”

“Sou muito gordo.”

“Não gosto de português.”

“Nunca me dei bem em matemática.”

Todos os dias pessoas têm algum motivo sem noção para desistir (ou para não entrar em ação). A idade é um dos campeões do desculpismo.

A verdade, entretanto, é só uma: ficar na inércia é que não vai trazer resultados a ninguém.

Colonel Sanders chegou a pensar no suicídio aos 65 anos de idade. Quando começou a escrever sua carta de adeus, decidiu falar tudo o que faria diferente para que sua vida tivesse seguido o rumo que ele sempre quis. Ao invés de se matar, Sanders começou a vender sua própria receita de frango frito de porta em porta. Aos 88 anos, o fundador do Kentucky Fried Chicken (KFC), nos Estados Unidos, tornou-se um bilionário.

Basicamente: coloque a mão na massa!

Existem milhares de outras frases de motivação por aí. Faça uma por dia. E, claro, interprete cada uma delas.

4. Interprete as Coisas em sua Vida – E Reflita sobre O Que os Outros Falam

Existe um livro em inglês chamado Happy for No Reason (Feliz sem Ter Motivo), da autora Marci Shimoff. De acordo com Shimoff, existem as pessoas que não são felizes, existem as pessoas que são felizes por algum motivo (geralmente por estarem com outras pessoas) e existem as pessoas que são felizes sem ter motivo.

No primeiro caso, de acordo com a autora, as pessoas estão em um estágio de depressão profunda; no segundo caso, as pessoas estão felizes, mas, como estão felizes por um MOTIVO, esse motivo pode ser retirado delas; e no terceiro caso as pessoas são felizes apenas por ser (entretanto, poucas conseguem chegar lá).

Um dos casos em que as pessoas buscam a felicidade por um motivo (aquela que pode ser tirada delas) é o da má interpretação. A pessoa se martiriza internamente por uma frase que pegou fora de contexto, ou cria algum tipo de raiva por algo que ouviu falar por terceiros, e a infelicidade a encontra.

Por isso, interpretar o que ocorre em sua vida dentro de um contexto lógico te ajudará em muitos aspectos. Em 90% dos casos, você perceberá que não é pessoal, e isso não será problema seu. Nos outros 10% (se for pessoal), o problema também não é seu.

5. Aprenda Gramática Aplicada ao Texto, e Não Gramática Pura

Querendo ou não, interpretar textos também significa aprender a Língua Portuguesa. Saber qual é o sujeito, qual é o advérbio, qual é o objeto indireto poderá te salvar de várias situações ruins.

O lance é que a gramática pura (por si só) não te ajudará em basicamente nada se você não conseguir aplicá-la. E aprender gramática consiste no seguinte:

Certo? Depois de muito treino, você estará com a preparação em nível avançado na interpretação de textos.

Que vai lhe servir em concursos, em provas de recuperação, em vestibulares e… pra não passar vergonha nas redes sociais e na vida em comum!

 

 

 

 

 

Fonte:

esquemaria.com.br  – Carol Alvarenga

Que tal estudar numa escola de bruxos?

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Aprender feitiços, jogar quadribol, beber cerveja amanteigada e passear por Hogwarts. Tudo isso é possível em Campos de Jordão, cidade que fica a 180 km de São Paulo.

Como em Hogwarts, escola de bruxaria de Harry Potter, os alunos vão viver e ter aulas no castelo (um hotel com mais de 6 mil metros de área construída e a 1700 metros de altitude).

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“Por quatro dias, uniformizados com as típicas capas da EMB, os alunos se matricularão e frequentarão as aulas que mais forem de seu interesse. Há temas apropriados para todos os tipos de bruxos!”, diz o site.

Os alunos deverão escolher oito dos 10 cursos oferecidos pela escola: Poções e Elixires, Cuidado dos Animais Mágicos, Adivinhação, Astromagia, Cultura Trouxa, Herbologia, História Mágica, Defesa Antitrevas, Feitiçaria, Voo (sim, tem uma disciplina que ensina a habilidade de voar!). Eles receberão todo o material escolar para as aulas, que vão durar em torno de 40 minutos cada.

As aulas incluem recitar feitiços, jogar Quadribola (adaptação do jogo Quadribol dos livros de Harry Potter), cuidar de “animais mágicos” e vivenciar “a rotina de uma escola de magia em um castelo de verdade.”

Escola de Magia e Bruxaria do Brasil é uma iniciativa da gaúcha Vanessa Godoi que, em outubro de 2015, resolveu reunir fãs dos livros e dos filmes de Harry Potter do Brasil inteiro para uma experiência de um dia de aulas e disputas nos mesmos moldes das vividas em Hogwarts.

A vivência, que aconteceu em Porto Alegre, deu tão certo que, neste ano, a escola saiu das terras gaúchas para aportar em Campos do Jordão. Em 2016 a experiência fica muito maior. As aulas acontecem entre os dias 24 e 27 de junho, ou seja, quatro dias de imersão no universo criado por J.K. Rowling.

“Vem gente do Brasil inteiro, já recebemos até do Pará e do Amazonas. Estamos esperando 220 pessoas. Podem se inscrever alunos dos 14 aos 99 anos. No caso dos bruxos, estendemos a idade para os 155 anos”, brinca Vanessa.

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Ela explica que a ideia surgiu depois de perceber que todas as feiras sobre a saga eram iguais. “Decidi criar um mundo paralelo, onde os fãs poderiam ter uma imersão completa e real do mundo da magia. O conteúdo dado em sala de aula é totalmente lúdico e voltado ao universo de Harry Potter”, acrescenta.

Vanessa disse que a escola não pretende ser apenas uma cópia de Hogwarts. “Lá, as pessoas encarnam mesmo os personagens, igual a um RPG [jogo em que consiste interpretar papéis em um determinado universo fictício]. O objetivo é criar a nossa própria fanfic [narrativa fictícia escrita e divulgada por fãs].”

Ambientação

Uma equipe de 32 pessoas, entre atores, cenógrafos e figurinistas, se encarregará de transformar o castelo em uma verdadeira instituição de magia e bruxaria. Tudo está sendo pensado nos mínimos detalhes para incrementar a experiência dos alunos.

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A quadra de tênis, por exemplo, se transformará em uma quadra de “quadribola”, derivado do quadribol, esporte mais popular no universo da bruxaria. Até os quatro camarotes para abrigar torcedores das quatro diferentes casas serão reconstituídos, iguaizinhos aos de Hogwarts.

No ato da matrícula, cada aluno escolhe em qual casa prefere ficar. A Casa dos Tigres corresponde a Grifinória; a das Cobras, a Sonserina; a Casa das Águias é Corvinal; a dos Esquilos fica com quem prefere Lufa-Lufa.

“Aqui não tem o chapéu seletor, mas há um limite de 55 pessoas por casa. Por isso, na hora de fazer a matrícula, os alunos precisam colocar uma ordem de preferência para serem realocados caso seja necessário”, diz ela.

Tupiniquim

A criadora da experiência já adverte que a Escola de Magia e Bruxaria do Brasil, apesar das muitas semelhanças, não é Hogwarts. Desta forma, embora contem com as mesmíssimas disciplinas da parente britânica, os estudantes não encontrarão personagens como o diretor Alvo Dumbledore ou o professor Snape.

“São dez professores e um diretor, todos diferentes daqueles apresentados em Hogwarts. Os nossos têm mais a cara do Brasil, há uma miscigenação maior. Os alunos vão adorar os novos personagens”, explica.

A empreitada une 11 atores, mais figurinistas, cenógrafos e roteiristas, que trabalham para dar vida às situações vividas na escola durante os quatro dias de atividades.

Prepare o bolso

Deu vontade de ir? Então é bom tratar de quebrar logo o cofrinho, cobrar aquele empréstimo para o irmão ou preparar um discurso bem persuasivo aos pais. Os quatro dias de curso saem por R$ 1.800.

Mas não se engane, mesmo com o valor salgado, quem esperar muito pode ficar sem vaga. “Abrimos as matrículas em dezembro do ano passado e já temos praticamente a metade de inscritos. A expectativa é que até o fim de fevereiro as vagas estejam esgotadas”, explica Vanessa.

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Os interessados podem acessar a página da escola para mais informações.