Hugo Boss criou os uniformes nazistas?

A consagrada grife de roupa alemã Hugo Boss vestiu os soldados de Adolf Hitler antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Hugo Ferdinand Boss, fundador e dono da empresa, fabricou uniformes para diversas instituições nazistas, como a Juventude Hitlerista e a implacável e criminosa Schutzstaffel (SS), uma das organizações mais vis que já marchou sobre a terra.

A empresa foi fundada em 1924 tendo como foco a produção de uniformes para o governo alemão, o que incluía, por exemplo, fardamentos para o serviço de coleta de lixo e os correios. Como muitas outras companhias do ramo de confecção, a recém-criada marca fabricava (costurava) as mais diversas vestimentas a pedido do governo alemão.

Contudo, a empresa teria sua reputação manchada para sempre por ter feito uso de prisioneiros de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, tendo o próprio fundador sido julgado em um tribunal.


Adolf Hitler e seus oficiais em meados de 1939, verificando por onde, durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas alemãs marchariam. Créditos: Hugo Jaeger / Timepix/ Time Life Pictures / Getty Images.

As coisas mudaram para Hugo Boss a partir de 1928, com o crescimento do Partido Nazista, que cada vez mais necessitava de grandes estoques de roupas para vestir seus seguidores que, como notoriamente se percebe, andavam uniformizados.

Esse crescimento vertiginoso por fardamento fez a companhia de Ferdinand Boss se integrar às demais empresas que já produziam para o partido de Hitler, o NSDAP (“Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”, em tradução).


Soldados da Leibstandarte-SS Adolf Hitler, 22 November 1938, Berlim. Créditos: autoria desconhecida / Arquivo Federal Alemão, ID.: 183-H15390.

Em 1931 Ferdinand, após se filiar ao Partido Nazista e firmar excelentes contratos, elevou significativamente seus lucros, principalmente a partir de 1938, quando a nação germânica definitivamente vestiu a farda para ir à guerra, fato que aconteceria em 1º de setembro de 1939 com a Invasão da Polônia.

Nesse ponto, que é delicado, residem fatos pouco conhecidos e de grande especulação sobre o envolvimento entre a companhia de roupas e o Nazismo. O que se referencia é que a filiação de Ferdinand ao Partido Nazista salvou a companhia de uma falência em 1931, fazendo-a se projetar fortemente ao mundo.


Karl Diebitsch e suas criações em porcelana. Diebitsch também criou o famoso sabre cerimonial dos oficiais da SS. Créditos: autoria desconhecida.

Diferentemente do que comumente se noticia, porém, os desenhos das vestes nazistas foram fruto, em sua maioria, do trabalho de outro alemão.

A autoria recai sobre Karl Diebitsch, um dedicado oficial da própria SS, que obteve grande êxito, pois produziu os uniformes mais elegantes da guerra, sendo muitas vezes considerados como os mais belos da história militar moderna.

Esse passado da empresa alemã desperta um gigantesco incômodo, ainda mais quando se descobre que seu próprio fundador utilizou prisioneiros de guerra, sobretudo franceses, poloneses e soviéticos, como mão de obra escrava para confeccionar os uniformes e também pertencia ao Partido Nazista.

Ao fim da guerra, Ferdinand foi julgado e condenado por associação ao regime Nacional-Socialista e por ter usado mão de obra escrava. Como condenação, recebeu ao menos uma pesada multa e perdeu temporariamente seu direito ao voto.

Lembrando, a Hugo Boss não desenhou, mas confeccionou os uniformes nazistas, incluindo os de seu líder.

Em 2011, a empresa Hugo Boss, mais uma vez, pediu desculpas publicamente pelo uso desumano de mão de obra escrava durante a Segunda Guerra Mundial. Quanto ao seu fundador, de acordo com as referências consultadas, não se pode afirmar se era ou não um membro fiel ao partido liderado por Adolf Hitler.


Hitler comemorando seus 50 anos de idade, em 20 de abril de 1939. Os uniformes representavam uma peça fundamental para a pompa da ideologia nacional-socialista Créditos: Hugo Jaeger / Life.

A estética dos uniformes nazistas até hoje impressiona. Apesar de todas as atrocidades e exploração que cercou o nazismo, o design dos uniformes é de primeira linha, e aparentemente o acabamento também era de primeira.

Fonte: incrivelhistoria.com.br, por Eudes Bezerra

Coincidências da História

Em nosso cotidiano, ocorrem coincidências quase todos os dias, algumas até inexplicáveis. Outro dia, lendo sobre isso, descobri algumas coincidências históricas que me deixaram boquiaberto.

Fiz uma pequena seleção delas, que apresento agora a você. Leia e se surpreenda também!

A maldição da invasão

No século IV, Tamerlane era um descendente do grande conquistador Genghis Khan, o famoso imperador mongol. Séculos depois, em 20 de junho de 1941, arqueólogos russos abriram sua sepultura e nela encontraram uma inscrição que dizia que o povo que abrisse seu túmulo sofreria uma grande invasão. Eles não acreditaram na inscrição e não revelaram isso a ninguém. Contudo, dois dias depois, Hitler invadiu a Rússia.

Deus Ex Nostradamus

Às vezes, erros técnicos acontecem. No caso do videogame “Deus Ex” (que gerou uma série de games com temas cyberpunk que combinam elementos de RPG de ação, tiro em primeira pessoa e stealth), lançado em 2000, uma das ambientações era justamente a cidade de Nova York, mas certamente para não gastar muito dinheiro na reprodução da cidade e baratear os custos de produção – ou por limitações técnicas da época, ou simplesmente por erro mesmo -, os desenvolvedores acabaram eliminando o World Trade Center. Quando perceberam e foram tentar corrigir a falha, informaram que as torres tinham sido destruídas no jogo num ataque terrorista. Um ano mais tarde, Nova York sofreu o maior ataque terrorista de sua história.

Eleanor Rigby

Esta é uma das canções mais famosas dos Beatles, porém o título esconde algumas coincidências fora do comum. Paul McCartney queria usar o nome de seu pai na letra, mas achou meio estranho e escolheu ao acaso um outro, “Mckenzie”. O nome Eleanor Rigby vem da atriz Eleanor Bron e da loja Rigby & Evans. Anos mais tarde, um túmulo com o nome de “Eleanor Rigby” foi encontrado e, a poucos passos dele, um outro com o nome “Mckenzie”. De acordo com McCartney, que é um cara mais cético, é possível que os nomes tenham ficado gravados inconscientemente, pois ele e John Lennon passavam longas horas naquele cemitério.

Ele previu o naufrágio do Titanic

Futilidade ou o Naufrágio de Titan (título original: Futility, or the Wreck of the Titan) foi um livro de 1898 escrito por Morgan Robertson. A história apresenta o transatlântico Titan, que afunda no Atlântico Norte após se chocar contra um iceberg.

No livro, as pessoas morreram por falta de botes salva-vidas. Quatorze anos mais tarde, 2500 pessoas morreram no naufrágio do Titanic por falta de botes salva-vidas justamente em abril, na mesma data do livro.

Embora o romance tenha sido escrito antes da construção do Titanic, há muitas coincidências entre os dois navios:

SemelhançasTitanTitanic
Nome do CapitãoSmithSmith
Local do NaufrágioAtlântico NorteAtlântico Norte
MêsAbrilAbril
CausaColisão com IcebergColisão com Iceberg
Comprimento240 metros269 metros
Tonelagem do Deslocamento75.00066.000
Velocidade25 nós23 nós
Número de botes2320 (4 botes desmontáveis)
Compartimentos à prova d’água1716
Hélices33
Passageiros e Tripulantes30002223

 Palavras-cruzadas enigmáticas

Que tal publicar segredos muito confidenciais dos Estados Unidos no jornal? E na forma de palavras-cruzadas? Alguns filmes partem dessa premissa, como “Código para o Inferno” (Mercury Rising, 1998), estrelado por Bruce Willis, no papel de um agente do FBI que investiga o desaparecimento de um menino de nove anos com autismo e decifrou, por acaso, um importante código de segurança dos sistemas do governo, e teve seus pais assassinados logo em seguida…

Bem, em 1944 saiu um jornal com um enigma curioso, no mínimo.
Leonard Dawes, um professor aposentado, produzia as palavras cruzadas do jornal britânico Daily Telegraph durante a 2ª Guerra Mundial. Em um intervalo de duas semanas em maio de 1944, seus passatempos incluíram palavras como Utah e Omaha (codinomes de duas operações dos EUA no Dia D), entre outros termos suspeitos. O serviço secreto britânico interrogou Dawes achando que ele era um espião alemão, mas tudo não passava de uma enorme coincidência.

Lennon e Chapman

Em 1980, Mark Chapman assassinou John Lennon, no que se constituiu um dos mais trágicos acontecimentos no mundo da música. Anos mais tarde, foi feito um filme sobre a vida do artista e, obviamente, um ator foi contratado para interpretar o papel de John. Mas o estranho foi que o ator contratado tinha o mesmo nome do assassino, Mark (Lindsay) Chapman. Os produtores, percebendo essa coincidência mórbida, contrataram outro. Anos depois, porém, Chapman, o ator, ganhou vários prêmios por um outro trabalho em que interpretou o falecido Lennon.

Booth e o filho de Lincoln

O assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln ocorreu em Washington, em abril de 1865, pouco depois do fim da Guerra Civil Americana. Dias antes, seu filho sofreu um acidente em uma plataforma de trem, quase perdendo a vida, mas foi ajudado por um homem de sobrenome Booth. Tudo teria sido corriqueiro se não fosse pelo fato desse homem ser irmão do outro que, dias mais tarde, assassinaria o presidente.

Lincoln e Kennedy

Falando em Lincoln, há muitas semelhanças entre ele e John Kennedy, muitas delas surpreendentes e inexplicáveis. Veja abaixo uma lista delas:

  • Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
  • John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
  • Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
  • John Kennedy foi eleito presidente em 1960.
  • Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
  • Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
  • As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
  • Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
  • Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
  • Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
  • A secretária de Lincoln tinha o sobrenome Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
  • A secretária de Kennedy tinha o sobrenome Lincoln e lhe pediu que não fosse a Dallas.
  • Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
  • Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
  • Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
  • Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
  • Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
  • Booth, assassino de Lincoln, saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
  • Oswald, assassino de Kennedy, saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema.
  • Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
  • Lincoln foi morto no Teatro Ford.
  • Kennedy foi morto num carro da marca Lincoln.

 

Fontes:

http://www.paraoscuriosos.com

Wikipedia

Imdb

‘Bombardeamos tudo que se movia’: os ataques que ajudam a explicar o rancor histórico da Coreia do Norte com os EUA

“Tudo que se movia.” Com essas palavras, o ex-secretário de Estado americano Dean Rusk definiu os alvos das bombas lançadas sobre a Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-1953).

Segundo historiadores, foram três anos de ataques aéreos contínuos e indiscriminados, que arrasaram cidades e vilarejos da república comunista e mataram dezenas de milhares de civis.

James Person, especialista em política e história coreanas do centro de estudos Wilson Center, em Washington, diz que essa parte da história dos Estados Unidos não é muito divulgada no país. “Como ocorreu entre a Segunda Guerra Mundial e a tragédia do Vietnã, a maioria do público americano não sabe muito sobre a Guerra da Coreia.”

Mas, na Coreia do Norte, nunca se esqueceram dela – e essas lembranças continuam a ser uma das razões da disputa que entrou em um novo capítulo com o encontro histórico entre Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, e Moon Jae-in, presidente da Coreia do Sul. Eles prometeram finalmente assinar um tratado de paz que põe fim ao conflito, interrompido em 1953, mas nunca oficialmente encerrado. Prometeram também trabalhar pela desnuclearização da península coreana.

Mas como foi esse capítulo até agora não resolvido da história da península coreana?


Os bombardeios americanos foram um pesadelo para a população civil norte-coreana

No ano de 1950, tropas americanas, apoiadas por uma coalizão internacional, tentavam rechaçar uma invasão na Coreia do Sul. Kim Il-sung, avô do atual líder da Coreia do Norte, havia lançado seus homens contra o país vizinho após uma forte repressão de simpatizantes do comunismo pelo regime militar comandado por Syngman Rhee em Seul, no sul capitalista do país.

Apoiado por Stalin, em Moscou, o norte-coreano Il-sung deu início ao primeiro grande conflito da Guerra Fria. Na primeira fase de hostilidades, o enorme poder aéreo americano havia se limitado a atingir alvos estratégicos, como bases militares e centros industriais, mas um fator inesperado mudou tudo.

Pouco depois do início da guerra, a China comunista, temendo o avanço dos Estados Unidos rumo às suas fronteiras, decidiu sair em defesa da Coreia do Norte, sua aliada. Os soldados americanos começaram a sofrer cada vez mais baixas por conta dos ataques das Forças Armadas chinesas, que não eram tão bem equipadas quanto as dos Estados Unidos, mas muito mais numerosas.

“Para o comando americano, era vital interromper os suprimentos enviados por chineses e soviéticos que permitiam a Coreia do Norte manter seus esforços bélicos”, explica Person.

Foi então que o general Douglas MacArthur, herói da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, decidiu dar início a sua tática de “terra arrasada”.

O general Douglas MacArthur

Ofensiva aérea

Foi o marco do início da guerra total contra a Coreia do Norte. A partir desse momento, todas as cidades e vilarejos passaram a receber a visita diária dos bombardeiros americanos B-29 e B-52 e sua carga mortal de napalm, nome dado a um conjunto de líquidos inflamáveis.

Ainda que MacArthur tenha caído em desgraça pouco depois, sua estratégia continuou a ser aplicada. Segundo Taewoo Kim, professor de Humanidades da Universidade Nacional de Seul, todas as cidades e vilarejos da Coreia do Norte foram reduzidos a escombros.

O general Curtis LeMay, chefe do Comando Aéreo Estratégico durante o conflito, declarou muito anos depois: “Aniquilamos cerca de 20% da população”.

Cálculos assim levaram o jornalista e escritor Blaine Harden, autor de várias obras sobre a Coreia do Norte, a qualificar como “crime de guerra” a ação militar americana. Person não enxerga assim: “Aquilo foi uma guerra total em que todas as partes envolvidas cometeram atrocidades”.

As estimativas de pesquisadores dão conta que, nos três anos de guerra, foram lançadas 635 mil toneladas de bombas contra a Coreia do Norte. De acordo com Pyongyang, 5 mil escolas, mil hospitais e 600 mil residências foram destruídos. Um documento soviético redigido pouco antes do cessar-fogo de 1953 fala em 282 mil civis mortos pelos bombardeios.


As bombas fizeram milhares de civis deixarem suas casas para se salvar

É impossível confirmar esses números, mas ninguém nega a magnitude da devastação. Uma comissão internacional que percorreu a capital norte-coreana após a guerra atestou que não havia restado um único edifício que não tenha sido afetado pelo bombardeios.

Como havia ocorrido com os habitantes de cidades alemãs como Dresden na ofensiva final dos Aliados contra o Terceiro Reich, os norte-coreanos viram suas ruas e casas devorados por chamas, ao ponto de a maioria ter de ir para os minúsculos abrigos subterrâneos improvisados para se salvar.

Medo nuclear

Enquanto o mundo inteiro estava atento à península coreana, temendo que os Estados Unidos e a União Soviética acabassem travando uma guerra nuclear, o então ministro de Relações Exteriores norte-coreano, Pak Hen En, denunciava na ONU o “bestial extermínio de civis pacíficos pelos imperialistas americanos”.

Seu relato contava que, para garantir que Pyongyang ficasse sempre cercada por incêndios, os “bárbaros transatlânticos” a bombardeavam com artefatos de ação retardada que detonavam de forma alternada, “impossibilitando que as pessoas saíssem de casa”.

Infraestruturas essenciais, como barragens, usinas elétricas e ferrovias, foram sistematicamente atacadas. Taewoo Kim destacou que, “em todo o país, ficou impossível levar uma vida normal na superfície”.

As autoridades comandaram uma mobilização nacional para que fossem erguidos mercados, acampamentos militares e outras instalações sob a terra para que o país pudesse funcionar. A Coreia do Norte virou uma nação subterrânea e em permanente estado de alerta.


Só a intervenção chinesa foi capaz de frear o avanço das tropas dos Estados Unidos

Person diz que “toda a cidade de Pyongyang se mudou para debaixo da terra, e isso teve um tremendo impacto psicológico nos seus habitantes”. O especialista explica que o medo persiste até hoje e a isso se deve o fato de que armazéns e instalações críticas continuem sendo mantidos em grandes profundidades.

Durante a noite, os norte-coreanos recrutados pelo Estado trabalhavam freneticamente para consertar as vias de comunicação e as usinas destroçadas pelas explosões durante o dia. O fruto desse trabalho causava surpresa e frustração no comando americano, que viam alvos de ataques sendo restaurados em pouco tempo.

Uma vez que o conflito em terra se estabilizou, diante da incapacidade de ambos os lados de imposição de uma vitória definitiva, a campanha aérea tornou-se uma luta prolongada e desgastante em que os norte-coreanos levaram a pior.

Finalmente, em 1953, após longas negociações, veio o cessar-fogo. O então presidente americano Harry S. Truman sempre quis evitar uma escalada do conflito que pudesse levar a um confronto direto com os soviéticos.

Seu sucessor, Dwight D. Eisenhower, também compreendeu imediatamente que o país não poderia manter indefinidamente seus esforços bélicos na península. A morte do líder soviético Stálin em março daquele ano mudou o clima político em Moscou, o que facilitou o fim das hostilidades.

A historiadora Kathryn Weathersby, da Universidade da Coreia em Seul, explica que “sabemos pelos arquivos soviéticos que Stálin insistia que as duas Coreias e a China continuassem a lutar para que as forças americanas seguissem ali por ao menos dois ou três anos e, assim, os países do bloco comunista na Europa continuassem a atuar sem medo de uma intervenção”.

Sem Stálin, o armistício foi mais fácil. O acordo de paz definitivo e a reunificação das Coreias seguem pendentes, mas tudo isso cimentou o mito que continua alimentando a retórica oficial norte-coreana.

De alguma maneira, o legado da guerra funciona como combustível ideológico para o regime dos Kim. Também é uma das razões que explicam sua insistência em desenvolver um arsenal nuclear, apesar das constantes críticas internacionais. “Eles decidiram usar a história para justificar a opressão do povo e a miséria”, diz Person.

De acordo com especialistas, em seu afã propagandístico, as autoridades de Pyongyang não têm dúvidas em deformar o passado já suficientemente brutal.


Os americanos também recorreram à propaganda para justificar seu papel no conflito

Weathersby diz que “os museus norte-coreanos diminuem a importância dos bombardeios, talvez porque destacar a superioridade tecnológica americana geraria perguntas incômodas”. Em vez disso, explica a pesquisadora, “mostram uma narrativa de matanças gratuitas supostamente perpetradas pelas tropas americanas”.

Para ela, uma divisão da península nunca resolvida definitivamente e o potente poderio militar que o Pentágono mantém na Coreia do Sul e no Japão explicam por que a Coreia do Norte segue ainda sob uma espécie de estado de exceção permanente.

E explicam também, como destacou recentemente em um artigo da BBC o analista Justin Bronk, o fato de suprimentos e munição do exército serem guardados próximos da fronteira sul, em silos sob a terra, para fazer frente a uma hipotética invasão.

A guerra e o fogo que choviam do céu fizeram da Coreia do Norte um Estado-bunker. Mais de 70 anos depois, isso não mudou.

Fonte: BBC News

10 animais recrutados para a guerra

Os seres humanos têm recrutado animais para ajudar a combater as suas batalhas há muito tempo, e os militares de hoje usam uma gama ainda maior de criaturas para todo tipo de tarefa. Isso pode parecer estranho, considerando que cães, cavalos e outros animais certamente não evoluíram para essa finalidade. No entanto, a natureza certamente não só foi útil como também inspirou os engenheiros a criarem imitações mecânicas.

Observe na lista abaixo algumas das criaturas que se tornaram recrutas inconscientemente, tanto nas antigas quanto nas modernas guerras.

10) Bombas de morcego

Os mamíferos voadores tornaram-se parte de um experimento bizarro durante a Segunda Guerra Mundial. Um cirurgião-dentista americano propôs anexar minúsculas bombas incendiárias a morcegos. Dessa forma, as criaturas incendiariam as cidades japonesas quando voassem para alojarem-se nos telhados de edifícios. Mas a ideia fracassou logo após ter recebido aprovação do presidente Roosevelt. Muitos morcegos não cooperativos simplesmente caíram no chão como pedras ou voaram para longe, apesar do exército americano ter testado 6.000 mamíferos em seus experimentos. Ainda assim, as bombas-morcego conseguiram atear fogo a uma aldeia simulada japonesa, um hangar do exército americano e um carro. Atualmente, os cientistas estudam como a mecânica de voo do morcego poderia inspirar futuros modelos de aeronaves e robôs-espiões.

9) Cavalaria de camelos

Camelos foram muito utilizados no deserto do Norte de África e do Oriente Médio durante os tempos antigos, dada a sua capacidade de sobreviver em condições duras e muitas vezes sem água. O cheiro dos camelos teria causado medo à cavalaria do inimigo, mesmo que eles não fossem tão úteis em um choque de tropas. Alguns povos equipavam seus camelos com armaduras, artilharia, etc. Mas eles não se saíam tão bem fora de seus limites naturais, onde os cavalos se tornaram os preferidos para montaria em batalhas. O papel de combate dos camelos diminuiu rapidamente com o desenvolvimento de armas de fogo em 1700 e 1800, mas ainda foi útil em algumas situações, como para as forças árabes durante a Primeira Guerra Mundial.

8 ) Abelhas zangadas

Abelhas com seus ferrões podem ser armas poderosas quando provocadas. Antigos gregos e romanos as usaram para deter tropas inimigas, catapultando colmeias inteiras em cima delas.  Uma utilização mais direta de abelhas furiosas ocorreu durante os cercos em castelos na Idade Média, bem como durante a Primeira Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã.

7) Patrulha de leões marinhos

Leões marinhos têm uma visão excelente mesmo com pouca luz, ouvem bem debaixo d’água, podem nadar a 40 km/h e fazem mergulhos repetidos de até 300 m. A Marinha americana os treina para localizarem e marcarem minas. Um cinto especial atado aos leões marinhos carrega câmeras de vídeo que fornecem uma visão do fundo do mar ao vivo.

6) Pombos-correio

Os pombos estiveram entregando mensagens durante a maior parte da história humana, por causa de suas habilidades de navegação, que lhes permitem voltar para casa depois de viajar centenas de quilômetros. E ganharam muita fama militar durante a Primeira Guerra Mundial, quando as forças aliadas usaram cerca de 200.000 deles. Um pombo chamado Cher Ami ganhou um prêmio francês pela entrega de 12 mensagens (sendo que a última foi entregue mesmo após o coitado ter sofrido ferimentos graves de bala) além de ter sido creditado por salvar um batalhão americano perdido, e que havia sido cercado por forças alemãs. Outro grupo de 32 pombos ganhou uma medalha britânica durante a invasão do Dia D na Segunda Guerra Mundial, quando os soldados aliados fizeram silêncio no rádio e usaram os pombos para transmitir mensagens. Hoje, por causa dos avanços tecnológicos em comunicação, os pombos se aposentaram do serviço militar.

5) Golfinhos da Marinha

Os golfinhos têm servido, ao lado de leões-marinhos, patrulhando os mares desde 1960. Seu sistema de sonar sofisticado pode ser usado para pesquisa de minas com base no conceito de ecolocalização. Um golfinho envia uma série de “cliques” que são refletidos pelos objetos e retornam para o golfinho, permitindo que eles obtenham uma imagem mental do objeto. Dessa forma, eles comunicam ao seu manipulador humano, usando o mecanismo de resposta “sim ou não”. O manipulador acompanha a resposta, e pode, se receber um “sim”, enviar o golfinho para marcar o local do objeto com uma boia. Essa habilidade de marcar minas foi útil tanto durante a Guerra do Golfo quanto na Guerra do Iraque. Golfinhos também podem marcar nadadores inimigos, mas a Marinha americana nega rumores sobre treinar golfinhos para usar armas contra humanos…

4) Elefantes de guerra

Os maiores mamíferos terrestres deixaram sua marca na guerra como criaturas capazes de devastar formações de tropas inimigas. Os elefantes podem atropelar os soldados, perfurá-los e até mesmo lançá-los para longe com suas trombas. Antigos reinos na Índia podem ter sido os primeiros a domar elefantes, mas essa prática logo se espalhou para os persas, gregos, cartagineses e romanos. Os cavalos temem a visão e o cheiro dos elefantes, e os soldados também tiveram que lidar com o terror psicológico de enfrentar os enormes animais. O advento de canhões no campo de batalha acabou com seu papel em combates, e eles foram usados para transporte de carga e de materiais até a Primeira Guerra Mundial.

3) Mulas militares
Mulas têm desempenhado um papel crucial nas guerras, carregando alimentos, armas e outros suprimentos necessários, e se tornaram preferência para o transporte de cargas devido à sua maior resistência. Várias legiões e exércitos usaram mulas, e elas continuam a ser úteis até hoje, como nas forças especiais americanas, onde fuzileiros navais e soldados dependem dos animais para abastecer postos remotos nas montanhas do Afeganistão.
2) Cachorros de guerra

Os cães participam de guerras há anos. As raças grandes serviram como cães de guerra no campo de batalha e como sentinelas para diversos povos. Os romanos equiparam alguns dos seus cães com coleiras perfurantes e armaduras, e os conquistadores espanhóis também utilizaram cães armados durante a conquista da América do Sul. A guerra moderna reduziu seu papel para mensageiros, farejadores, batedores e sentinelas. Os militares americanos treinaram seus cães como farejadores para trabalhar no Iraque e no Afeganistão.

1) Cavalos

Talvez nenhum outro animal tenha desempenhado um papel tão grande na história da guerra como o cavalo. Os homens os domesticaram há muito tempo, e logo foi usado nas guerras em grande escala. Os antigos egípcios e chineses usavam cavalos puxando charretes como plataformas estáveis para lutar, antes da invenção de uma sela eficaz. A estabilidade proporcionada pela combinação de sela e estribo permitiu que os mongóis lutassem eficientemente e disparassem flechas de cima dos cavalos, o que os ajudou a conquistar a maior parte do mundo conhecido de então. E a utilização de cavalos de combate veio até a era da guerra moderna, quando os tanques e metralhadoras entraram na briga.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Hypescience.com

Primeira Guerra Mundial: o terrível cotidiano nas trincheiras

Há dois anos, a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) completou 100 anos de seu início. O conflito foi o primeiro a envolver países dos cinco continentes e deixou cerca de 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos, além de resultar na queda de quatro impérios (Russo, Austro-Húngaro, Alemão e Otomano).

Esse foi o primeiro conflito a fazer uso maciço de armamentos pesados (na foto acima, trabalhadores numa fábrica de morteiros na Inglaterra), dos aviões e dirigíveis, de submarinos e de gases venenosos. Foi também o primeiro a se desenvolver principalmente nas trincheiras.

Foto aérea de trincheiras cavadas na França, em 1917.

No início da guerra, a infantaria foi muito utilizada com o apoio da cavalaria e de peças móveis de artilharia. Este tipo de combate marcou a primeira fase do conflito, identificado como “guerra de movimento”.

Aos poucos, passaram a ser utilizadas as trincheiras como estratégia de guerra, o que causou muitas baixas ao exércitos que ainda insistiam no deslocamento de tropas. Mesmo fazendo uso de bombardeio, gases e lança-chamas, o mecanismo das trincheiras, que utilizavam metralhadoras e eram defendidas por arame farpado, causava o fracasso da infantaria.

Soldados alemães defendendo trincheira na Bélgica.

Soldados alemães defendendo trincheira na Bélgica.

O recurso às trincheiras era uma forma de guerra já conhecida na antiguidade, mas foi somente na Primeira Guerra Mundial que ocorreu efetivamente uma “Guerra de Trincheiras”, muito impulsionada pela invenção da metralhadora. As trincheiras eram cavadas pelos próprios soldados, possuíam cerca de 2,5 metros de profundidade e 2 metros de largura, por onde se movimentavam os combatentes. Em sua parte posterior, eram protegidas por sacos de areia, que defendiam do impacto dos tiros e dos estilhaços das bombas. À frente desses sacos de areia, estavam longas coberturas de arames farpados, algumas vezes eletrificados, que impediam a aproximação do inimigo. Devido à profundidade das trincheiras, não era possível observar o campo de batalha, por isso construíam-se algumas elevações dentro das trincheiras que permitiam alcançar o nível de visão adequado ao combate e também o acesso às metralhadores, o equipamento básico que era capaz de destruir muitos inimigos.

A Guerra de Trincheiras marcou a segunda fase da Primeira Guerra Mundial. Foi a fase mais sangrenta, onde se verificavam as piores condições humanas de sobrevivência em um campo de batalha. Milhares de soldados permaneciam durante meses dentro desses túneis, que eram interconectados, formando assim uma rede de defesa dos exércitos.

Soldados alemães na I Guerra Mundial comemorando o Natal na trincheira.

Soldados alemães na I Guerra Mundial comemorando o Natal na trincheira.

Quando os soldados cavavam em regiões perto do mar, acabavam encontrando água no meio do processo, o que deixava o terreno permanentemente tomado por lama. Em ocasião de chuva, a situação se intensificava, os túneis ficavam inundados e os soldados tinham que lutar, comer e dormir encharcados.

Sono, cigarros, comida, bebida e mulheres: estas eram, pela ordem, as prioridades dos soldados nas trincheiras. Para isso havia os “estaminets” – mistura de bar, restaurante e bordel. A vida nas trincheiras, no entanto, era realmente infernal. Dormia-se, ou melhor, tentava-se dormir de noite, pois qualquer movimento acima do topo dos abrigos podia representar morte repentina pelos franco-atiradores.

Os soldados ainda tinham que enfrentar uma praga: os ratos. Os ratos, do tamanho de gatos, alimentavam-se dos cadáveres abandonados – desfigurando-os de forma hedionda ao comer primeiro os olhos para chegar mais rápido às entranhas. Eles ainda incomodavam os soldados passeando por seus rostos enquanto os coitados tentavam dormir.

Unindo o útil ao agradável, milhares de homens tinham como passatempo a caça aos ratos. Atirar nos animais era proibido – para economizar munição –, e o ataque com baioneta era mais comum. Outra praga eram os piolhos. Dizia-se que, ao chegar de uma estação sanitária de eliminação de piolhos, bastava alguém se deitar no terreno para ficar infectado novamente.

Além de incômodos, os piolhos podiam ser infecciosos, carregando consigo uma bactéria que provocava a chamada febre das trincheiras, inicialmente identificada em 1914, e que infectou e incapacitou por semanas milhões de soldados ao longo dos quatro anos do conflito. O problema era mais sério do que pode parecer, em todos os sentidos.  Nos hospitais de campanha do exército britânico, a moléstia respondeu por 15% dos atendimentos. Isso sem contar as coceiras, que levavam os soldados a rasgarem o próprio corpo com as unhas em busca de alívio. Militarmente falando, o prejuízo também foi significativo. Relatos do front indicavam que soldados perdiam, por dia, de uma a duas horas de ação apenas pelo fato de precisarem se limpar e remover os parasitas de suas roupas.

Soldado catando piolho

Soldado catando piolho

O combate aos piolhos tornou-se uma prioridade de saúde militar, e a sua erradicação passou rapidamente da atividade artesanal para a industrial. Grandes instalações foram criadas na retaguarda, onde todos iam a banhos, eram inspecionados e trocavam de uniformes. Como essas operações ocorriam imediatamente depois do retorno da frente de combate, o ritual da desparasitação até podia adquirir um cunho reconfortante para os soldados, como se deduz por este cartão de Natal de 1914 da 4ª Divisão Britânica.

Mas enquanto o soldado não voltava do front, a guerra contra os piolhos tinha que continuar. A mais difundida técnica de extermínio era o holocausto dos insetos com velas quentes. Entretanto, a operação requeria perícia e habilidade para exterminar o alvo sem queimar as roupas. “Eles ficam nas costuras dos uniformes, nas barras das calças, seus esconderijos parecem impenetráveis. A solução é incinerá-los com uma vela acesa: eles estouram como um biscoito chinês”, explicou a um jornal um soldado britânico. “O único problema é que, depois de cada uma dessas sessões, o rosto fica coberto de gotículas de sangue espirradas na explosão vigorosa dos piolhos maiores”.

A Guerra de Trincheiras não foi o motivo pelo qual o lado dos aliados venceu a guerra, ela apenas trouxe mais morte e sofrimento para os combatentes. Foi com o uso de tanques de guerra, seguidos por soldados e aviões de combate que, em 1918, foi possível quebrar as defesas alemãs na Frente Ocidental.

 

Fontes:

infoescola.com

divaltegarcia.blogspot.com.br

g1.globo.com

wikipedia

veja.abril.com.br

herdeirodeaecio.blogspot.com.br

 

 

Os 10 exércitos mais poderosos do mundo

Rankings de poderio bélico são polêmicos, mas, em qualquer lista desse tipo, quem aparece no topo é o exército dos Estados Unidos (só para simplificar, “exército”é usado como sinônimo de Forças Armadas, incluindo aí Exército, Marinha e Aeronáutica). Além de armas arrasadoras, os americanos têm um efetivo de 1,4 milhão de soldados (só perdem para os chineses nesse quesito) e torram uma fortuna com os militares: por ano, são 329 bilhões de dólares, o que dá 1 138 dólares por habitante, um dos maiores gastos do mundo.

Usando dados do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), a mais conceituada organização independente que monitora a situação dos exércitos de todo o mundo, foi possível listar os outros exércitos poderosos. Além disso, como a tecnologia e o poder dos armamentos também contam valiosos pontos, o arsenal de cada nação foi avaliado por Ricardo Bonalume Neto, jornalista da Folha de S.Paulo especializado em assuntos militares – são dele os comentários abaixo.

1. Estados Unidos

Efetivo: 1 414 000 soldados

Gasto militar anual: 329 bilhões de dólares (1 138 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

Única superpotência militar depois do colapso soviético, os Estados Unidos são donos da mais poderosa esquadra do globo, que tem uma dúzia de porta-aviões gigantes, a maioria de propulsão nuclear. O país conta ainda com o maior arsenal nuclear e modernos armamentos operados por computadores e guiados por satélites

2. Rússia

Efetivo: 988 100 soldados

Gasto militar anual: 48 bilhões de dólares (333 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

O maior herdeiro da ex-URSS possui exército numeroso e pesquisa militar de ponta, mas tem poucos recursos para comprar equipamentos. A vocação por números astronômicos diminuiu: durante a Guerra Fria, a URSS chegou a ter 5,3 milhões de soldados, — um recorde, — e produziu mais de 70 mil tanques das séries T-54/T-55/T-62. Eles eram inferiores aos modelos ocidentais, mas podiam levar a melhor pela quantidade.

3. China

Efetivo: 2 270 000 soldados

Gasto militar anual: 48 bilhões de dólares (37 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

O país mais populoso da Terra conta com bom número de armas nucleares e sempre teve Forças Armadas numerosas, mas o nível pouco sofisticado de sua indústria não permitia equipar as tropas com armas de última geração. Isso mudou recentemente: o salto econômico e a relativa abertura política das últimas duas décadas levaram a China a investir na modernização do arsenal.

4. França

Efetivo: 260 400 soldados

Gasto militar anual: 38 bilhões de dólares (636 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

Para se proteger da ameaça comunista na Guerra Fria, os franceses criaram uma força nuclear própria com os três meios clássicos de lançar armas atômicas: mísseis em terra, em submarinos e em aviões. A indústria de defesa é uma das principais da Europa, produzindo tanques de ótima qualidade, como o Leclerc, e aviões clássicos, como os das séries Mirage.

5. Reino Unido

Efetivo: 210 400 soldados

Gasto militar anual: 35 bilhões de dólares (590 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

Até a Segunda Guerra (1939-1945), a Grã-Bretanha era a maior potência naval da Terra. Depois do conflito, a Marinha Real encolheu, mas ainda é uma das principais do mundo. O Exército sempre foi pequeno, mas é um dos mais profissionais do planeta, bem equipado com tanques, blindados de transporte de pessoal e uma parafernália de mísseis.

6. Coreia do Norte

Efetivo: 1 082 000 soldados

Gasto militar anual: 4,7 bilhões de dólares (214 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

Assolado pela pobreza e pela fome, esse país sustenta um dos estados mais militarizados do planeta. Envolvidos em disputas de território com a Coreia do Sul desde a década de 1940, os comunistas do Norte contam com tropas numerosas com muito armamento convencional. Nas últimas décadas, o país desenvolveu tecnologia para produzir armas nucleares.

7. Índia

Efetivo: 1 298 000 soldados

Gasto militar anual: 13 bilhões de dólares (13 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

O segundo país mais populoso do planeta sempre esteve em briga com seus vizinhos muçulmanos. Hoje, o maior rival é o Paquistão, com quem disputa terras na região da Caxemira. As aguerridas tropas indianas estão entre as mais bem equipadas do Terceiro Mundo. Além de muitos soldados, a Índia tem armas nucleares e mísseis para transportá-las.

8. Paquistão

Efetivo: 620 000 soldados

Gasto militar anual: 2,5 bilhões de dólares (17 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

A maior potência militar muçulmana tem economia e população inferiores às da rival Índia, mas, para criar um “equilíbrio de terror” no sul da Ásia, o Paquistão também investiu em armas nucleares. Pouco se conhece sobre as armas atômicas ou sobre o tamanho do arsenal do país. Mas a existência da bomba dos dois lados da fronteira tem forçado Índia e Paquistão a uma convivência tensa — e “pacífica”, na medida do possível.

9. Coreia do Sul

Efetivo: 686 000 soldados

Gasto militar anual: 12 bilhões de dólares (266 dólares por habitante)

Armas nucleares: não

Graças à proteção dos Estados Unidos, o país atingiu níveis econômicos, científicos e tecnológicos muito superiores aos do vizinho do norte. Por causa da crise com os comunistas, a Coreia do Sul mantém Forças Armadas poderosas em prontidão na fronteira, embora não tenha armas atômicas. O equipamento é de alta qualidade, comprado dos americanos ou desenvolvido localmente com ajuda ianque.

10. Israel

Efetivo: 161 500 soldados

Gasto militar anual: 9,4 bilhões de dólares (1 499 dólares por habitante)

Armas nucleares: sim

Pequeno e pouco populoso, Israel se envolveu em conflitos com os vizinhos árabes e resolveu se armar até os dentes. Para compensar a inferioridade numérica, os israelenses optaram por qualidade: suas tropas estão entre as mais bem treinadas da Terra, a Força Aérea dispõe de tecnologia de ponta e a experiência em combate fez o país desenvolver algumas das melhores armas disponíveis, como o tanque Merkava.

Impávido colosso

O Brasil é o mais bem armado da América do Sul, mas não fica entre os 10 mais do mundo

Efetivo: 287 600 soldados

Gasto militar anual: 9,6 bilhões de dólares (55 dólares por habitante)

Armas nucleares: não

Não dá para cravar uma posição para o Brasil no ranking mundial de exércitos: — a única certeza é que não chegaríamos ao Top 10 —, mas dá para fazer algumas comparações. Numericamente, nossas tropas são as maiores da América do Sul. Tecnologicamente, somos semelhantes aos vizinhos. Com fronteiras bem definidas, não há grandes rivalidades regionais. Por isso, o país não tem o mesmo “estímulo” para investir em armas que outros países brigões do Terceiro Mundo. Ainda bem…

 

 

Fontes:

Mundo Estranho

Wikipedia

Folha de S. Paulo

Curiosidades da História do Brasil

Dois “vícios” de criança eu mantenho até agora: o gosto de estudar História (qualquer uma, história do cinema, história geral, história em quadrinhos…) e a curiosidade.

E esses dois “vícios” foram alimentados depois de ler as três obras de Laurentino Gomes, “1808”, “1822” e “1889”. São livros que falam da História do Brasil de uma forma diferente, com uma linguagem jornalística e que foge daquele tom pomposo dos livros tradicionais.

  

E aí, investigando, descobri alguns fatos curiosos de nossa história e que compartilho com você.

  • Eram faladas mais de 1.000 línguas no Brasil na época do descobrimento. Destas, 180 são faladas atualmente e apenas 11 têm mais de 5 000 falantes.

  • A esquadra que trouxe a família real portuguesa ao Brasil era composta de oito naus, três fragatas, dois brigues, uma escuna de guerra, um veleiro só de mantimentos e mais 20 outros navios. Ao todo, ela trouxe para o Rio de Janeiro 1,5 mil pessoas.

  • O nome completo de D. Pedro I era Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon.
  • Ufa! Imagina o tamanho da cédula de identidade dele!
  • Dom Pedro I teve oito filhos, sete do primeiro casamento e um do segundo. Além deles, o imperador teve outros seis filhos de relações extraconjugais.
  • Ainda sobre Dom Pedro I: ele enfrentou uma baita crise de diarreia no dia em que proclamou a Independência do Brasil.
  • Outra: ele usava um burrico, não um cavalo, nada a ver com a heroica tela pintada por Pedro Américo em 1888.

  • Sobre essa tela de Pedro Américo: ela foi encomendada pela Família Real em 1885 e ele a terminou em 1888, em Florença.  A Família Real, que encomendou a obra, investia na construção do Museu do Ipiranga (atual Museu Paulista). O quadro não é uma descrição fiel do que realmente aconteceu (também, imagina retratar D. Pedro I agachado no mato!), além de Pedro Américo ter sido acusado de plagiar a tela “1807, Friedland”, de Ernest Meissonier (abaixo) pintada em 1875.
  • Segundo seus defensores, Pedro Américo só teria vindo a conhecer a obra anos depois…
  • A esposa de Dom Pedro I, a princesa Leopoldina, era amiga do compositor austríaco Franz Schubert e do poeta alemão Johann W. Goethe.
  • Os primeiros escravos da África foram trazidos para o Brasil no ano de 1538. Até a assinatura da Lei Áurea, em 1888, entraram no país algo em torno de 15 milhões de escravos.

  • A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul no século XIX. Esse conflito destruiu a economia e a população paraguaias. De uma população de 800 mil pessoas, sobraram apenas 500 mil!
  • A Guerra do Paraguai durou seis anos e uniu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, na chamada Tríplice Aliança.
  •  Desde sua independência, os governantes paraguaios afastaram o país dos conflitos armados na região Platina. A política isolacionista paraguaia, porém, chegou ao fim com o governo do ditador Francisco Solano López. Em 1864, o Brasil estava envolvido num conflito armado com o Uruguai. Havia organizado tropas, invadido e deposto o governo uruguaio do ditador Aguirre, que era líder do Partido Blanco e aliado de Solano López. O ditador paraguaio se opôs à invasão brasileira do Uruguai, porque contrariava seus interesses.

Solano López

  • Como retaliação, o governo paraguaio aprisionou no porto fluvial de Assunção o navio brasileiro Marquês de Olinda, e em seguida atacou a cidade de Dourados, em Mato Grosso. Foi o estopim da guerra. Em maio de 1865, o Paraguai também fez várias incursões armadas em território argentino, com objetivo de conquistar o Rio Grande do Sul.

  • A Batalha Naval do Riachuelo, retratada na tela acima, foi um dos principais eventos ocorridos durante a Guerra do Paraguai. Aconteceu no dia 11 de junho de 1865, nas margens do rio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai (situado na província de Corrientes, Argentina). Essa batalha colocou de um lado os paraguaios e de outro, os brasileiros.
  • O Paraguai, sem conexão com o mar, queria muito controlar os rios da bacia do Prata, pois significava uma saída para o Oceano Atlântico, ou seja, uma via de transporte de pessoas e mercadorias. Na fase inicial da guerra, o Paraguai já havia realizado importantes conquistas militares, ocupando regiões da Argentina, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Se saíssem vencedores da Batalha do Riachuelo, iriam controlar os rios Paraná e Paraguai e dar um importante passo na conquista do Rio Grande do Sul e do Uruguai. Desta forma, poderiam fazer comércio com outros países e até receber armas da Europa.
  • A estratégia paraguaia era boa. Aproveitariam o nevoeiro intenso da madrugada para atacar os navios de guerra brasileiros. Porém, um dos navios paraguaios apresentou um problema e fez com que todos outros chegassem atrasados para o ataque, num momento que o nevoeiro já havia passado. Com boas condições climáticas e visuais, as forças navais brasileiras, lideradas pelo Almirante Barroso, venceram o Paraguai nesta importante e estratégica batalha.
  • A frota brasileira era composta por 9 navios de guerra. A frota paraguaia possuía 8 navios de guerra, com menos armamentos e eram menos velozes.
  • Antes da guerra, o Paraguai era uma potência econômica na América do Sul. Além disso, era um país independente das nações europeias. Para a Inglaterra, esse era um exemplo que não deveria ser seguido pelos demais países latino-americanos, que eram totalmente dependentes do império inglês.
  • Foi por isso que os ingleses ficaram ao lado dos países da Tríplice Aliança, emprestando dinheiro e oferecendo apoio militar. Era interessante para a Inglaterra enfraquecer e eliminar um exemplo de sucesso e independência na América Latina.
  • Após esse conflito, que terminou em 1870, o Paraguai nunca mais voltou a ser um país com um bom índice de desenvolvimento econômico.
  • Números da guerra:
    Forças
    150.000 paraguaios 200.000 brasileiros,
    30.000 argentinos,
    5.500 uruguaios,
    Total:
    235.500 soldados
    Vítimas
    Cerca de 300.000 mortos
    (entre militares e civis)
    50.000 brasileiros,
    18.000 argentinos,
    3.000 uruguaios,
    Total:
    Cerca de 71.000 mortos.

     

 

Fontes:

maiscuriosidade.com.br

Wikipedia

Guia dos Curiosos