Gírias antigas e o que significam

Gírias são palavras criadas para serem usadas como sinônimos mais populares para palavras já existentes. Cada década teve suas gírias mais marcantes e que hoje perderam o sentido. Afinal, com as redes sociais, praticamente a cada dia surge uma gíria nova…

O que eu acho legal, no uso da gíria, é a transgressão – as pessoas transgridem a norma “culta” pra se comunicarem de forma mais eficiente. E, claro, há o fato do modismo, e se a pessoa não usa, não se insere no meio. “Lacrar”, por exemplo.

A nossa língua, aliás, acho que qualquer língua, é viva e é influenciada pelo ambiente, pelos costumes, por aquilo que vem de fora. A norma padrão demora mais para se modificar, mas isto não quer dizer que ficará sempre igual. Só acho difícil ela assimilar os padrões da internet, com suas abreviações tipo “kd”… Duvido que um juiz vá colocar na sua sentença o “vc”…

Quer saber um pouco sobre as gírias antigas, muito antes das redes sociais? Vou replicar aqui o resumo de uma matéria e pesquisa muito legais da Thaís Stein, bacharel em Publicidade e Propaganda, e que foi publicada no http://www.dicionariopopular.com.

Quando alguma coisa é muito boa!

Bafafá

É o mesmo que confusão ou bagunça.

Barbeiro

É um motorista ruim, que não sabe dirigir direito.

Chá de cadeira

Tomar um chá de cadeira é o mesmo que ter que ficar esperando por muito tempo.

De lascar o cano

É o mesmo que dizer que algo é muito ruim.

Quando uma coisa é muito antiga… como esta gíria.

Boa pinta

É o mesmo que dizer que a pessoa é bonita, de boa aparência.

Broto

É o mesmo que garota bonita.

Bulhufas

Significa o mesmo que nada, coisa nenhuma.

Cafona

Uma coisa cafona é algo fora de moda, brega.

Significa que algo ou alguém é de se admirar. Foi popularizada pelo Roberto Carlos nos anos 1960. “Ele era uma brasa, mora!”

Fogo na roupa

É o mesmo que uma situação ou pessoa complicada.

Lelé da cuca

Uma pessoa lelé da cuca é alguém doido, maluco.

Da mesma forma que você diria “porra”

Chacrinha

É o mesmo que conversa fiada, sem objetivo.

Chato de galocha

Significa uma pessoa muito chata, insuportável. (conheço muitas…)

Entrar pelo cano

Significa se dar mal.

Grilado

É o mesmo que estar desconfiado de alguma coisa.

Patota

Uma patota é uma turma de amigos.

Da mesma forma que você diria “foda, isso aí”

Bode

Ficar de bode é o mesmo que estar de mau humor.

Viajar na maionese

É o mesmo que ficar imaginando coisas absurdas.

Pentelho

Significa o mesmo que pessoa muito chata, irritante. (tenho um sobrinho muito pentelho… e quem não tem?)

Antenado

Uma pessoa antenada é alguém que está por dentro das coisas, que entende.

Quando alguma coisa ou ideia sugerida está completamente errada

Azarar

É o mesmo que flertar.

Baranga

Significa “mulher feia”.

Bolado

É o mesmo que estar chateado ou bravo.

Bem, eu sei que tem muito mais, e se você se lembrar de algumas interessantes e divertidas, pode me mandar pelos comentários. Mas, atenção:

Legendagem: A rotina do profissional das legendas

Existe um tema conectado ao lazer das pessoas que talvez seja o campeão de reclamações: a má qualidade das legendas dos filmes e séries exibidos na TV (ou no cinema).

Com o advento da “nova classe média” há alguns anos – resumindo, o crescimento do poder aquisitivo das classes sociais menos favorecidas impulsionou o consumo de bens e serviços durante algum tempo (bolha que hoje já furou, pelo excessivo endividamento dessas famílias) – houve um aumento da demanda por esse tipo de lazer. Novos canais pagos e novos serviços, como Netflix, passaram a oferecer uma grande variedade de programas e filmes, o que provocou uma corrida a profissionais de legendas. Como essa necessidade era premente, e não havia tantos profissionais habilitados, a saída foi recorrer àqueles que ainda estavam “verdes”. Daí essa quantidade de erros, apesar de haver pessoas que revisam o trabalho…

Mas a vida do legendador não é assim tão fácil como se pensa: “Que legal, assistir os filmes antes de todo mundo!”. Se os canais correm para lançar as séries no Brasil cada vez mais perto da data de estreia no exterior, o trabalho das empresas que legendam episódios também precisou ser acelerado. O tempo de preparação das legendas de um capítulo caiu pela metade: em média, de uma quinzena para uma semana.

O trabalho desse tradutor requer – além da óbvia fluência nos idiomas – uma boa bagagem cultural, porque é comum ele ser obrigado a adaptar uma piada ou situação. E a chave para a legenda é a síntese. Porque, além de uma legenda de qualidade, ele precisa colocar a menor quantidade possível de informação na legenda, mas sem perder o contexto. O espectador lê o texto e vê a imagem. Se tiver muita informação, ele só vai ler. Se tiver pouca informação, pode não compreender a cena quando levantar os olhos.

Sem contar que os softwares de legendagem permitem apenas cerca de 30 caracteres dispostos em duas linhas (o motivo é que o limite de leitura do brasileiro é entre 18 a 20 caracteres por segundo. Acima disso, nem todos conseguirão ler, e aqueles que puderem fazê-lo não terão tempo para ver o vídeo, causando com certeza um grande desconforto).

O primeiro passo do tradutor é assistir ao filme e marcar – no script fornecido pelo estúdio – as possíveis divisões das legendas, baseando-se nas pausas das falas dos personagens e tendo em mente a limitação dos caracteres. O tradutor deve levar em conta a ambientação: é um filme de época? É um filme regional? É um filme no qual se usa gírias demais? A tradução precisa ser baseada na linguagem original da obra, que pode não ser nada simples – desde complexos diálogos Shakespeareanos até gírias australianas “intraduzíveis” ao Português.

Além disso tudo, ele precisa conhecer gírias, estar atualizado com expressões idiomáticas, evitar falsos cognatos (silicon não é silício, actually não é atualmente, coroner não é coronel, e por aí vai) e conhecer o universo da cultura pop: seriados, filmes, quadrinhos, música, etc. etc.

Enfim, há inúmeros detalhes e tantas variáveis que talvez seja legal ler o depoimento de uma profissional, que ilustra bem a aventura diária do tradutor/ legendador:

“A manhã começa e lá estou eu, com o computador ligado, depois de checar os e-mails diários. O arquivo digital de vídeo está aberto dum lado e o Word, do outro. Os dicionários eletrônicos e o Google também estão a postos, aguardando a consulta mais ou menos frenética, conforme o nível de dificuldade e/ou informalidade do enredo de hoje.

O filme começa a rodar, e graças à era digital, tudo é controlado pelo teclado. Há muito tempo o videocassete ficou para trás… Ainda bem! O respectivo roteiro chegou na última hora. Ufa! Não vai ser preciso voltar inúmeras vezes cada cena a fim de conferir o que está sendo dito (depois de tanto tempo de experiência, aprendi a identificar se o roteiro é ou não de confiança…).

legendagemNo começo, devido aos créditos do filme na parte inferior da tela, as legendas devem ficar na parte superior da mesma. O cliente exige o uso de um sinalzinho para indicar isso. É preciso atenção. Passam-se alguns minutos de filme e a legendagem vai bem, segue tranqüila. Os diálogos são espaçados, simples, por enquanto. (Ainda bem que não é um Woody Allen!) Oba, vai ser fácil e rápido… Doce ilusão… logo, logo, vão aparecendo os desafios:

Pull 52 good bennis, and take home a car.

“Bennis”? De onde foram tirar isso? A explicação dos dicionários não cabe… Google nele. Descobri: é de Benjamin Franklin, que está na nota de US$100. Problema resolvido, bola pra frente.

Will Macy’s tell Gimble’s?

E agora? Não quero usar os nomes das lojas, prefiro “mastigar” a informação para o telespectador neste caso, visto que o público é variadíssimo: “O concorrente será avisado?” Maravilha, a frase tem 28 caracteres, perfeita para os dois segundos que ficará na tela.

“I’ll try to find ice, since we are in Iceland”.

Ah, começo a quebrar a cabeça pra tentar uma adaptação, mas não posso mudar o nome do país. Não tem jeito:

“Tentarei achar gelo, já que estamos na Islândia.”

Fazer o quê? Nem tudo é perfeito.

I’m the rapper.
Oh, for real. And here’s the 611 on that.

– That’s phone repair. You mean 411.
– Right.

Mais uma. Volto para a internet e descubro que 611 é o número discado nos Estados Unidos para solicitar serviços de reparos telefônicos, e 411 é o número para obter informações. Depois de desvendar o mistério, parto para a adaptação… Os trocadilhos continuam, desafiando os padrões gramaticais e de estilo do cliente, que não são poucos.

They’re chewing my ears off wanting to know when
you’re going to launch a murder enquiry.

Ih, a tradução dessa fala tem de caber em uma linha e meia… e não posso usar gírias…

You are a nation of peeny-weeny,
piffling, piccolini, piddly-diddly pouft!

Pelo amor de Deus, alguém me socorre. Essa legenda deve ficar quatro segundos na tela, o que vou escrever aqui??? Ainda por cima, tem de fazer sentido para um público amplo, não posso usar termos regionais, que só serão compreendidos aqui em Sampa.

– I’ll watch your back.
– It’s me front I’m worried about.

Três segundos para fazer esse trocadilho? (Nota de rodapé não pode, nem gíria, lembre-se.) 

his was like the Keystone Kops
versus The Gang That Couldn’t Shoot Straight.

Não entendi nada, mas como o roteiro é legal (eu bem que avisei…), veio tudo explicadinho:

Keystone Kops: an incompetent group of policemen featured in silent films from 1912 to 1917.

The Gang That Couldn’t Shoot Straight: a film from 1971 about an incompetent gang of hoodlums.

Ajudou muito!!! Traduzir ao pé da letra não dá, claro. Mais meia hora pensando numa adaptação que dê exatamente esse sentido. Não, não posso usar “É o roto falando do rasgado”, pois tenho duas linhas com 32 caracteres para encher, já que a fala dura quatro segundos. Quem disse que legendagem era fácil?


We want you to find this…

because the finding of this
finds you incapacitorially finding…

and/or locating in your discovering a way
to save your dolly belle, ol’ what’s-her-face.

Savvy?

Hoje é dia… e eu que achei que seria rápido e fácil…

Thank you!

Essa não! O personagem é hermafrodita, não tem gênero explicitamente definido no filme. Não posso eu, mera tradutora, estragar o contexto. Vai ficar: “Eu agradeço”. É, nem um simples “obrigado/a” sai ileso após um dia de legendagem. ;-) “

Flávia Fusaro é intérprete e tradutora credenciada pela ATA, e trabalha na área desde 1996. É responsável pela versão da HBO das seguintes séries:RomaAmor Imenso, e também pela legendagem dos títulos: Piratas do Caribe 2Os InfiltradosHappy FeetA Casa do LagoO Código da Vinci,Superman, o Retorno, entre outros. E-mail: ffusaro@hotmail.com.

 

 

Fontes:
teclasap.com.br
artedatraducao.blogspot.com.br
tradutorlegendagem.blogspot.com.br

Dicionário atualizado

Como se falava há 20 anos e como se diz hoje a mesma coisa:

Antes era: Agora é:
creme rinse condicionador
obrigado valeu
collant body
rouge blush
ancião e coroa véi
bailinho e discoteca balada
nos bastidores making off
programa de entrevistas talk-show
oi, olá, como vai? e aê?
cópia, imitação genérico
mamãe, posso ir? véiaaaa, fui!!!
legal, bacana manero, irado
cansaço estresse
desculpe foi mal
ficou chateada ficou bolada
primário e ginásio ensino fundamental
preste atenção! se liga!
radinho de pilhas ipod
manequim modelo e atriz
saquei tô ligado
gafe mico
ha ha ha uhauhauhauha
fotocópia Xerox
brilho labial gloss
faxineira diarista
vou verificar vou estar verificando
vidro fumê insulfilm
dar no pé, ir embora vazar
tristeza deprê
atlético sarado
peituda siliconada
professor de ginástica personal
Ave Maria!!! Afffff!!
caramba caraca
namoro pegação
derrame AVC
você tem certeza? ah! fala sério!
banha gordura localizada
buteco no fim do expediente happy hour
costureira estilista
senhor tiozinho
bunduda popozuda!
Amorrrrrrr! Benhhêêêêê!
olha o barulho! ó o auê aí ô!