Por que o Canal da Mancha tem esse nome?

duas versões entre as mais conhecidas.

A mais popular afirma que o nome vem da palavra francesa manche, que significa “manga de camisa”, em referência ao formato estreito e comprido do canal situado entre a França e a Inglaterra. Esse apelido teria sido dado por navegadores do século XVII.

(Foi atravessando esse canal, no Dia D, que os Aliados puderam invadir a França dominada pelos nazistas, na Segunda Guerra Mundial).

Há, porém, quem diga que, em geografia, a mesma palavra sempre serviu para definir um braço de mar espremido entre dois pedaços de terra. O Canal da Mancha se encaixa perfeitamente nessa definição.

Com cerca de 180 quilômetros em sua parte mais larga, ele é chamado pelos ingleses de English Channel (algo que os franceses nunca gostaram muito!).

O Eurotúnel

Há mais de 20 anos, os dois países concluíram a construção de um túnel sob o mar, ligando as duas margens – o Eurotúnel, um túnel submarino considerado a maior obra de engenharia do século XX.

Ele tem 50,5 quilômetros de extensão, e facilita o acesso entre França e Inglaterra. A viagem tem duração de 35 minutos de trem, com velocidade média de 160 quilômetros por hora.

A obra é composta por três túneis localizados entre 40 a 70 metros abaixo do nível do mar. Dois deles são utilizados para o transporte de carros, caminhões e passageiros, que, durante o percurso, ficam acomodados nos vagões do trem Eurostar.

O outro túnel é destinado para ventilação.

Chantilly: a história de um clássico

O Chantilly era o favorito de um imperador

Chantilly com morango

Eu não sou imperador, mas é meu favorito também!

O creme de Chantilly é uma gordice irresistível

Ele surgiu na França graças a Fritz Carl Vatel (1635-1671). Vatel percebeu que o leite da região de Chantilly, onde morava, era mais gorduroso e, por isso, mais adequado à bateção. Foi assim que passou a transformar o leite em uma pasta vaporosa e densa, além de adicionar açúcar a ela, ideia que acabou resultando na criação do creme mais usado nas confeitarias, o Chantilly.

A receita criada por Vatel agradou tanto à corte francesa que os senhores da casa palaciana de Chantilly deram ao creme o nome de seu castelo.

(Um parênteses… )

Em 2005, o Ronaldo Fenômeno (ainda chamado assim…) se casava nesse mesmo castelo com a modelo Daniela Ciccarelli. Lembra disso?

Olha o castelo, como é chique!

castelo de chantilly

Mas voltando à nossa história:

O fim trágico de um cozinheiro

Pobre Vatel! Ele tinha que preparar um banquete ao rei Luís XIV, da França, e encomendou frutos do mar a todos os portos do país. Só que, na madrugada do grande dia, um peixeiro o esperava na cozinha do castelo com apenas duas cestas de peixe.

“Isso é tudo?!”, desesperou-se. “Sim, senhor”, respondeu o peixeiro. “Não suportarei mais essa desgraça”, exclamou. Vatel voltou para o quarto, trancou a fechadura e se matou com um punhal. Era 23 de abril de 1671.

Ele era um sujeito talentoso, ativo, organizado e extremamente ambicioso, e depois de arrumar um emprego como ajudante de cozinha, em pouco tempo puxou o tapete do chefe e tomou seu lugar. Ele tinha um único objetivo: provar a Luís XIV que era melhor que o mestre da cozinha real. Numa das primeiras tentativas, em 1661, Vatel criou um creme batido doce e perfumado para impressionar a corte em um banquete. Infelizmente, o rei nem notou o quitute.

O chantilly cai no gosto da corte

Quando Vatel foi trabalhar, dois anos depois, para o príncipe de Condé, no castelo de Chantilly, seu creme doce finalmente foi aprovado. Satisfeito, viu sua iguaria receber o nome do lugar, um creme do Château de Chantilly. E as coisas correram bem para ele a partir daí, até a fatídica noite de abril de 1671.

A ironia das ironias: uma hora depois da tragédia, diversos pescadores começaram a chegar com suas cargas… houvera um atraso nos portos…

O doce no cinema

A história de Vatel é tão curiosa que inspirou o filme francês “Vatel – Um banquete para o rei”, (2000) no qual Vatel é interpretado por Gérard Depardieu. A produção ainda conta com a participação de Uma Thurman e Tim Roth.

Bem legal, vale procurar para assistir.

A sobremesa mais popular

Claro que é o merengue, que são camadas de Chantilly intercaladas com camadas de morango e suspiro.

Esse clássico foi criado pelo marquês Luis de Cussy, responsável pelo cardápio de morangos de Napoleão Bonaparte. Em 1819, ele criou – por ordem do patrão – uma sobremesa que deveria lembrar o sangue de seus homens em guerra com a Espanha e a paz que todos esperavam alcançar.

A imagem retrata os oficiais espanhóis capitulando diante de Napoleão. Foi depois disso que o imperador quis comer morangos com chantilly…

O Chantilly tem gordura?

Você precisa  no mínimo de 35% de gordura para se obter o chantilly. A receita original leva açúcar.

Por isso, o creme adoçado que a gente encontra no mercado não se chama chantilly, mas batido em ponto de chantilly. Uma vantagem é que a durabilidade dele é maior e o preço muito menor, o que é um fator muito importante e está fazendo com que ele se popularize.

Porém, o sabor não é o mesmo, é apenas um semelhante.

Agora que você sabe tudo sobre esse clássico da cozinha, que tal preparar um bolo de pão-de-ló com morango e… Chantilly?

bolo paõ de ló com chantilly

 

 

 

 

Fontes:

historiadetudo.com

wikipedia

superinteressante

Afinal, os franceses tomam banho?

Há pouco tempo, um passageiro francês de origem argelina foi expulso de uma aeronave pouco antes de ela decolar. A tripulação e os passageiros se queixaram, dizendo que ele estava cheirando mal, mesmo o homem alegando que tinha passado um perfume Dior no Duty Free.

Esse evento me fez recordar os mitos sobre a França e os franceses, como o da baguete levada debaixo do braço, ou a  “ojeriza” do francês em não tomar banho, ou de serem grosseiros e mal educados.  Talvez o mais recorrente deles seja mesmo o de não gostarem de tomar banho. E, numa época em que todos se preocupam com a escassez de água para consumo, o assunto “banho + economia de água” é mais do que oportuno…

Quando visitei Paris pela primeira vez, há muitos anos, estranhei a pergunta quando fui reservar o quarto do hotel: “Com ou sem banho no quarto?” – perguntou-me a pessoa da reserva. Claro que pedi com banho, porque a única vez em que fiquei num hotel com chuveiro coletivo foi numa cidade do interior do Estado, quando estava na faculdade… O preço do quarto em Paris era muito mais caro “com banho”, e quando cheguei, notei uma banheira enorme, parecia uma piscina… E fiquei imaginando quanta água seria necessária para enchê-la. E decidi só tomar banho de ducha, mesmo.

Na Alemanha, a mesma coisa. A diferença é que não havia banheira, e o chuveiro funcionava com uma espécie de “timer”. A água saía por apenas alguns minutos, e se você não tivesse terminado até então, já era… Na primeira vez, a água acabou quando eu estava com o cabelo cheio de xampu…

A água é um bem bastante escasso em toda a Europa, especialmente quando se compara à teórica abundância que temos desse recurso no Brasil. Teórica porque a água que sobra para a população é mínima, dado o volume que é desperdiçado em vazamentos e a água que é poluída pelas indústrias e esgotos.

Voltando, o continente europeu vivia, há não muitas décadas, uma situação em que a água encanada servia apenas aos primeiros andares dos prédios, onde moravam os mais ricos. Os que moravam nos andares mais altos, os menos abonados, tinham que descer vários lances de escadas para buscar água em fontes públicas ou pagar pelos serviços dos entregadores do líquido a domicilio. Imagine então o sufoco de quem vivia ali para cozinhar, para lavar as roupas… E para tomar banho!

Acredito ser por isso que o banho diário não fizesse parte dos hábitos dos franceses, mas a “culpa” não poderia ser lançada toda sobre a falta de água. Havia ainda a herança cultural desde os tempos medievais, quando se acreditava que o banho provocasse descamação da pele, eliminando a proteção natural contra doenças. (Claro que esse pensamento não era exclusivo dos franceses, era uma crença espalhada por toda a Europa e levada às Américas pelos conquistadores espanhóis, ingleses e portugueses. Quando D. João VI e a família imperial chegaram ao Brasil em 1808, toda a corte ficou escandalizada ao ver os escravos e os índios tomando banho de mar com frequência, e acharam que eles deviam ter doenças de pele…).

Os médicos medievais achavam que a água, sobretudo quente, debilitava os órgãos, deixando o corpo exposto a insalubridades e que, se penetrasse através dos poros, podia transmitir todo tipo de doenças. Daí veio a ideia de que uma camada de sujeira protegia contra as doenças e que, portanto, o asseio pessoal devia ser realizado “a seco”, só com uma toalha limpa para esfregar as partes expostas do corpo.  Além disso, a Igreja condenava o banho por considerá-lo um luxo desnecessário e pecaminoso. E, como se sabe, o Estado mais poderoso daqueles tempos era aquele governado pelo Papa, e se ele falasse, estava falado…

As coisas não melhoraram muito no campo da higiene com o passar dos séculos. No suntuoso Palácio de Versalhes, por exemplo, um decreto de 1715, baixado pouco antes da morte do rei Luís XIV, estipulava que as fezes seriam retiradas dos corredores uma vez por semana – então, a gente deduz que o recolhimento dos dejetos era ainda mais esparso antes. Versalhes não tinha banheiros, mas contava com um quarto de banho equipado com uma banheira de mármore encomendada pelo próprio Luís XIV, um objeto que serviria apenas à ostentação, caindo no mais absoluto desuso.

Outra crença curiosa do mesmo período diz respeito ao poder purificador da roupa: acreditava-se que o tecido “absorvia” a sujeira do corpo. Bastaria, portanto, trocar de camisa todos os dias para manter-se limpinho. Nosso velho amigo D. João VI, o fujão que estabeleceu sua corte no Rio de Janeiro para escapar dos avanços de Napoleão e que citei mais acima, mostrava-se descrente até da troca de camisas, que ele literalmente deixava apodrecer no corpo.  Mesmo coberto de feridas e contaminações na pele, e habituado a outras porquices, ele fugia da água como o Cascão.

Foi só no século XIX, com a propagação da água encanada e do esgoto e com o desenvolvimento de uma nova indústria da higiene – principalmente nos Estados Unidos –, que o banho foi reabilitado. O sabão, conhecido desde a Antiguidade, mas por muito tempo considerado um produto de luxo, foi industrializado e popularizado.

Hoje, a água chega nas residências, seja de ricos ou de pobres. Mas o francês, especialmente o mais tradicional e aquele que vive nas cidades do interior, não tem duchas em casa. Ele acha que banho é o que se toma na banheira e que chuveiro é uma invenção americana que não substitui o banho, portanto não há banho sem banheira. O banho de banheira é uma coisa muito especial, não diria que é um ritual, mas encher uma banheira e mergulhar o corpo nela demanda tempo, exige alto consumo de água e isso não pode ser feito todos os dias. O que eles fazem diariamente é a sua “toilette”, o que chamamos de “banho de gato”.

Claro que muitos tomam uma ducha, mas não é a regra entre os mais idosos. Mas todos os dias, religiosamente, o francês típico faz a sua toilette matinal. Enche a pia de água quente e com uma luvinha umedecida e ensaboada,  higieniza seu corpo de cima abaixo.

Essas luvas, em francês “gants de toilette”, são tão comuns e necessárias à higiene quanto o sabonete ou o papel higiênico.  Parece que receber um hóspede em casa sem lhe oferecer sua própria gant de toilette junto às toalhas de banho e de mão seria uma grosseria tão grande como lhe dar um par de lençóis sem fronha.

Me parece que há um outro agravante em tudo isso: além de ser um recurso finito (como estamos aprendendo a duras penas em São Paulo), a água na França também é muito calcária, principalmente em Paris. Ela de fato destrói a proteção natural da pele, o filme hidrolipídico – a camada que mantém a hidratação e protege a pele. (quer dizer, os médicos medievais até que não estavam tão errados assim…). Então, a pessoa pode ter alergias e outros problemas de pele por conta da descamação e ressecamento em excesso, causado pela água calcária. Mas isso tem “cura”: existem diversos produtos para a pele que “repõem” a hidratação e nutrem a pele ressecada até que ela se acostume.

Falando nesses cremes para o corpo e cabelo, fica aquela indagação sobre o que veio primeiro, o ovo ou a galinha…? Os franceses têm maravilhosos perfumes e produtos de higiene fantásticos (Avene, Uriage, Klorane, L’Occitane etc etc) por que o francês é porquinho e tudo isso é para disfarçar, ou eles consomem esses produtos de montão justamente porque se cuidam muito?

Não sei.

O que eu sei é que é difícil avaliar se a “porquice” é uma coisa cultural ou algo pessoal, mesmo.

Conheci alemães, russos e holandeses que me olhavam torto quando eu dizia que ia tomar “uma ducha” antes de dormir (deviam pensar: “Esse cara está desperdiçando água, será que ele tem sarna?”). Japoneses com quem eu teria reuniões me olhavam com desconfiança porque não tirava os sapatos antes de entrar na sala (para eles, o porco era eu, ao trazer sujeira de fora!). Minha filha mais nova, durante o intercâmbio que fez nos Estados Unidos, ficou horrorizada com os hábitos… Aliás, com a falta de hábitos de higiene da família com quem morou (tomar banho todos os dias, escovar os dentes após todas as refeições, tudo isso era raro de acontecer…).

Mas, por outro lado, e quantos brasileiros conheci que fugiam da água como se fosse o diabo da cruz?

PS – sobre a água calcária, ou a “água dura” de Paris, um comentário:  água dura é aquela que contém um alto nível de minerais, concretamente de sais de magnésio e cálcio. Esse tipo de água é encontrada em solos calcários.

Ela não causa problemas de saúde, além daqueles de descamação de peles mais sensíveis, e abastece inúmeras regiões na Europa: Londres, Paris, diversas zonas na Suíça e na Suécia, Portugal, Alemanha, Estados Unidos e mesmo no Brasil, por exemplo,  nas regiões de Sete Lagoas e Montes Claros, em Minas Gerais.

Vários estudos tentaram correlacionar a constituição físico-química da água potável de determinadas regiões com a incidência de pedras nos rins. Mas pesquisadores observaram até mesmo uma correlação negativa, ou seja, menor incidência de pedra nos rins com o consumo da água dura!

Enfim, os estudos ainda estão sendo sendo conduzidos e um deles atribui ao magnésio, presente na água, alguns efeitos benéficos para a saúde humana, incluindo menor incidência de doenças cardiovasculares e renais e aumento da quantidade de colágeno, “responsável pela constituição celular (…) e bom para manter a pele jovem e saudável”.

Em Paris, você pode beber água da torneira, e o calcário só vai deixá-la com um gosto estranho para nós, brasileiros. As normas europeias que controlam a potabilidade da água são as mais rigorosas do mundo. E a água de Paris passa nos 56 parâmetros de potabilidade definidos pelo código europeu de saúde pública.

E se você gosta da água Perrier, a segunda mais vendida no mundo depois da Evian, saiba que aquelas bolhinhas são resultado das fontes subterrâneas de onde ela é extraída, e que cortam áreas com enormes quantidades de restos vegetais, cujas moléculas ácidas atacam o carbonato, componente das rochas calcárias. Isso gera o puríssimo gás carbônico que compõe a receita dessa água deliciosa, que é… Uma prima da água dura!

Fontes:
13anosdepois.com
portedoree.blogspot.pt
viverplenamenteparis.blogspot.com.br
diclorina.com.br

Por que o pão francês se chama… Pão francês?

Publiquei, há algumas semanas, um post que falava sobre um dos mitos mais recorrentes sobre a França e os franceses (aqui). Hoje, vou falar sobre algo que nada tem a ver com os franceses, embora faça referência a eles: o pão francês.

Segundo a Wikipedia, pão francês, pão de sal ou pão careca são alguns nomes dos pães pequenos produzidos no Brasil para serem consumidos em refeições como o café da manhã e o lanche da tarde. Outros nomes pelo qual ele é conhecido são: pão massa grossa (Maranhão), cacetinho (Rio Grande do Sul, Bahia), média (Baixada Santista), filão, pão jacó (Sergipe), pão aguado (Paraíba), ou pão carioquinha (Ceará). Segundo os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o consumo per capita do pão de sal foi de 53 g/dia no país.

O hábito de consumir pães pequenos parece ser relativamente recente.  No Brasil, o pão francês parece ter surgido no início do século XX, quando a elite da Primeira República adotou a cultura francesa da “Belle Époque” como padrão, não apenas na gastronomia, mas também na moda, nas artes e nos hábitos sociais.

Para entender melhor as circunstâncias em que nosso “pão francês” foi criado, seria interessante fazermos uma rápida viagem ao passado…

Na década de 1900, o Brasil vivia profundas transformações após a proclamação da República. Havia grandes extensões de terra com apenas algumas áreas produtivas, os latifúndios, e que estavam nas mãos dos chamados coronéis, nome de uma patente da Guarda Nacional que passou a ser usado para designar os fazendeiros mais ricos e poderosos de uma região.

Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro, na década de 1900.

Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro, na década de 1900.

A população era composta, de um modo geral, por uma elite de forte poder econômico, constituída por coronéis e comerciantes, por uma classe média urbana, formada por profissionais liberais, intelectuais e políticos, e pelos trabalhadores rurais. Até então, o brasileiro consumia, em grandes quantidades, a farinha de mandioca e o biju, apesar de já conhecer o pão de trigo desde a chegada dos colonizadores portugueses. No início do século XX, a atividade de panificação se expandiu, motivada pela vinda dos italianos para o Brasil, e o pão tornou-se essencial na mesa do brasileiro. Mas era completamente diferente do atual pão francês; era escuro, na casca e no miolo. Era mais parecido com o pão italiano.

Com a abertura econômica e financeira para o comércio externo, o Brasil da Primeira República tornava-se um mercado altamente consumidor dos produtos de países estrangeiros que precisavam desovar seu excesso de produção industrial. Juntamente com os produtos estrangeiros, o Brasil passou a importar, também, ideias e costumes, em especial tudo o que estava em voga no movimento cultural da Belle Époque.
Na Europa do início da década de 1910, ainda se vivia o clima de desenvolvimento industrial, prosperidade econômica e otimismo da Belle Époque, iniciado no final do século XIX. Esse clima perdurou até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, quando as  invenções desse período passaram a ser utilizadas como armas de guerra. Essas inovações tecnológicas foram marcantes para o desenvolvimento humano, como o telefone, o telégrafo sem fio, o cinema, a bicicleta, o automóvel e o avião, e inspiraram profundas transformações culturais. Tornaram a vida das pessoas mais fácil em todos os níveis sociais e geraram novos modos de viver o cotidiano.
Paris era o epicentro dessa época, com a proliferação de teatros, cinemas e exposições. Todos queriam estar lá, viver lá ou, no mínimo, passar uma temporada na Cidade Luz.
A moda, para as mulheres, cobria todas as partes do corpo com babados, plissados, bordados, luvas e chapéus. Os espartilhos, que antes definiam a silhueta, nessa época foram substituídos por curvas mais suaves. Para o homem, a moda exigia um estilo mais sóbrio. Mantinha o uso de chapéu, polainas e casaca, mas o paletó começou a aparecer com força crescente, e as calças ficaram cada vez mais estreitas e curtas.
Cafés e confeitarias se transformaram no ponto de encontro de intelectuais e artistas, favorecendo a difusão de novos modos de pensar. O desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte disseminou a arte e a cultura da Belle Époque, aproximando as principais cidades do planeta. Escritores como Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Zola e Balzac passaram a ser lidos avidamente. Pintores como Picasso, Modigliani e Matisse revolucionaram as artes no mundo. As pessoas de maior poder econômico ostentavam elegância e luxo em grandes bailes, festas, jantares. E a gastronomia passou a fazer parte de suas diversões noturnas.

O Café de la Paix por volta de 1900. Este café existe até hoje, na Place de l’Opéra, em frente à Ópera Garnier, teatro de ópera localizado no IX arrondissement de Paris.

Nos restaurantes, jantava-se entre paredes de mogno e cobre, recortadas por vitrais e sob tetos cheios de dourados, afrescos e lustres. O estilo culinário passou a ser definido com o rótulo “Comer com os olhos”.
Os grandes chefs, cujos ancestrais haviam cozinhado para a nobreza, criaram o sistema de servir à la carte. Então, passaram a oferecer opções de pratos predefinidos pela casa e em cardápios ricamente ilustrados, que demonstravam a expertise do chef e o glamour do restaurante. E o pão que lá se consumia era com miolo branco e casca dourada, tornando-se um mito para os brasileiros endinheirados que o provaram!
Esses endinheirados “precisavam” ir a Paris ao menos uma vez ao ano, garantindo assim seu vínculo com o mundo. A República do Brasil, recém-instalada, pretendia inaugurar uma nova era no país, favorecendo as coisas modernas e avançadas e, portanto, incentivando a difusão de usos e costumes de Paris, como as vestimentas à moda francesa e a prática de se tomar café em mesas dispostas pela calçada.

A Confeitaria Colombo, fundada em 1893 no Rio de Janeiro, é o símbolo máximo da Belle Époque no Brasil.

As fotos a seguir, extraídas da revista carioca “Ilustração Brazileira”, de algumas edições de 1909, refletem um pouco todo o alvoroço das nossas moças endinheiradas e seduzidas pelo luxo francês.
No Rio de Janeiro, então capital brasileira, cresceu o número de cafés e confeitarias que reproduziam o costume francês de servir com estilo e elegância. E as padarias, que ainda produziam aquele pão de casca escura, começaram a receber centenas de pedidos para fazer o “pão como aquele dos franceses”.
Baseados então na descrição dos viajantes, foi assim que os nossos padeiros criaram o “pão francês”… Brasileiro!
Fontes:
Wikipedia
Esopave. com.br
portalvilamariana.com

A visão de um brasileiro sobre a França

Antonio Souza Neto morou 3 anos na França, ele adorou ter vivido lá e diz que esse não é um post ofensivo, mas apenas uma visão bem humorada sobre as diferenças culturais.

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1. É mentira que franceses não tomam banho, eles tomam sim, mas nunca mais que um por dia, mesmo que seja verão e esteja fazendo um calor enorme.

2. Os franceses não utilizam desodorante e também não se importam com o cheiro de sovaco dos outros. Um bom exemplo é o “cheirinho de soirée” (festas francesas) onde as pessoas transpiram muito e ficam fedendo, mas ninguém se importa.

3. Os franceses não lavam a mão antes de comer, nem depois de ir ao banheiro. Mesmo se ele tem uma classe social ou cargo alto. Na maioria das casas, há uma porta para a privada e outra para o chuveiro, sendo que a pia sempre fica no mesmo espaço que o chuveiro, impossibilitando o uso por alguém que tenha acabado de usar a privada, caso alguém esteja no banho. Ou seja, é para lavar as mãos depois de tomar banho, mas nunca depois de fazer xixi ou cocô.

4. Na França as pessoas não escovam os dentes depois das refeições e fumam muito. Isso justifica porque pessoas com 40 anos já têm os dentes todos estragados.

5. Na França, o transporte em geral funciona muito bem. Essa foi a maior diferença positiva que senti em relação ao Brasil. As estradas são ótimas. Os metrôs funcionam bem. E a rede de trens rápidos que liga as cidades da França é muito boa. É possível que o transporte na França seja o melhor do mundo, ou um dos melhores.

6. O metrô de Paris fede a esgoto. Mas dizem que o esgoto de Paris é turístico, então essa deve ser a razão.

7. A alimentação na França é muito saudável. Todos comem bastante salada e há poucos obesos.

8. A comida da França é muito boa, principalmente os queijos e molhos de diversos tipos.

9. A carne de boi na França, no entanto, é horrível. Eu tenho uma teoria sobre isso: Como a indústria do leite é muito forte na França, acho que todas as vacas servem para fornecer leite, e todos os bois para reproduzir as vacas, para nascerem novas vacas e produzirem mais leite. Assim, o boi ou vaca só vão para a sua mesa quando morrem de velho.

10. Os franceses são muito educados com as palavras, mas não com os gestos. É muito comum ver alguém dizer “Pardon” enquanto te empurra de propósito numa estação de metrô ou qualquer outro lugar cheio.

11. Dizem que a maioria dos brasileiros deixa tudo para a última hora. Fato. Os franceses se dividem em dois grupos: Uma parte é muito disciplinada e organizada e faz as coisas pouco a pouco, evitando estresses no último momento. A outra parte não gosta de trabalhar e vive às custas do Estado, recebendo dinheiro de órgãos como o CAF.

12. É lenda que os franceses não respondem se você pedir informação em inglês. Pelo menos os jovens de grandes cidades se esforçam para te dar informações em inglês e até mesmo em espanhol.

13. O sotaque dos franceses falando inglês é muito feio, eles falam como se estivessem falando em francês mesmo.

14. As filas não são respeitadas na França, vi diversas vezes pessoas furando a fila. No Brasil se alguém fizer isso é linchado, acho que por isso que não fazem.

15. As eleições na França ainda são manuais, e muitas vezes têm contagens duvidosas, principalmente nas pequenas cidades.

16. O sistema bancário é muito ruim. Se você depositar dinheiro na boca do caixa, o dinheiro só entra na sua conta cerca de dois dias depois. Frequentemente você verá taxas de serviços que não pediu no seu extrato também. O banco pela internet tem pouquíssimos serviços, e para pagar seus impostos e muitas outras coisas você é obrigado a ir fisicamente ao banco.

17. As operadores telefônicas conseguem ser piores que no Brasil. Cometem muitas falhas. Te obrigam a aderir a serviços que você não pediu e te deixam horas esperando no telefone para resolver qualquer probleminha simples. As lojas físicas não resolvem problemas.

18. As pessoas se vestem bem na França, mas vestem a mesma roupa mais de 10 vezes sem lavar. Muitas vezes só usam uma roupa todos os dias da semana.

19. Os franceses costumam ser muito fechados e é muito difícil entrar em um grupo de amigos já fechado. A única exceção é quando bebem. Um francês bêbado que você acabou de conhecer vai dizer que você é o melhor amigo dele, mas no outro dia nem vai lembrar quem você é.

20. Quando há sol, os franceses se atiram sobre a grama e podem ficar horas assim. Eu achei isso muito estranho quando cheguei, mas entendi depois que passei por um inverno horrível e então na primavera lá estava eu também, atirado sobre a grama.

21. Os franceses fumam muito, e jogam as bitucas de cigarro no chão.

22. A música francesa antiga é muito boa, mas a atual é muito ruim. No entanto, os franceses não costumam avaliar as músicas pela qualidade, mas sim se ela é nova ou não. Assim, ao ouvir uma música antiga, mesmo que boa, eles vão dizer “Baaahh, isso é velho”.

23. Na França as pessoas costumam sair de casa cedo, quando vão à universidade. Isso é bom por um lado, já que você pode ganhar independência rapidamente, fazer apéros em casa (reunião com amigos para beber algo antes de sair para a balada) etc. Por outro lado, sinto que as famílias são menos ligadas e menos afetivas.

24. A França tem muita igualdade social, e isso é ótimo. As pessoas podem escolher o que vão fazer, e não fazem algo por serem pressionadas pela sociedade porque têm que ganhar dinheiro. É comum ver faxineiras com carros novos e bons.

25. No Brasil, as pessoas acham que nada funciona aqui e tudo é feito da pior maneira. Na França eles acham que o lugar é perfeito, que tudo funciona bem, e que não há lugar melhor. Ambos estão errados: Nem o Brasil é tão ruim quanto os brasileiros dizem, nem a França é tão boa quanto os franceses dizem.

26. É difícil as pessoas se abraçarem na França. Lembro-me que eu abraçava algumas amigas minhas de propósito para fazer gozação, pois era muito engraçado ver como elas não ficavam a vontade.

27. Na França se um homem sai com uma mulher 2 vezes, automaticamente já está namorando, sem precisar de nenhum acordo prévio.

28. Os franceses adulteraram o sentido de algumas palavras de origem latinas. Por exemplo, aprender pode significar ensinar: Eu vou te aprender português, Vir pode significar ir: Eu virei à sua casa hoje.

29. Os empregados ligados a atendimento de qualquer tipo não são nunca amáveis. “C’est pas mon problème” e “Désolé” serão ouvidos com frequência quando eles não querem te ajudar. Isso na verdade quer dizer “Saia logo daqui por que eu tenho que passar o resto da tarde sem fazer nada”. O fato de eles estarem sendo pagos para fazer aquilo bem não é importante.

30. Aos domingos todas as pessoas ficam em casa, as ruas parecem ser de uma cidade fantasma e nenhum estabelecimento comercial abre.

31. É impossível resolver alguma coisa nos meses de julho e agosto.

32. Na França até a poeira se organiza sozinha nos chamados “Moutons” e facilita a sua limpeza.

33. Para entrar em uma boate na França, é preciso estar muito bem vestido, de preferência acompanhado de mulheres, a lua deve estar em Câncer, o sol em Capricórnio e Saturno em Gêmeos.

34. Na França não há muita violência por assalto, mas há muita violência gratuita e brigas de bar.

35. As mulheres francesas são muito bonitas, mas são todas loucas.

36. As grandes cidades da França são muito cosmopolitas e isso é ótimo. Você pode encontrar pessoas de todos os lugares do mundo, e também restaurantes, música etc.

37. Franceses adoram papel. Para conseguir qualquer coisa tem que ter um dossiê de 100 páginas assinados por 10 pessoas diferentes. Para rescindir qualquer contrato, você tem que enviar uma carta registrada, dizendo que vai rescindir daqui a 3 meses, mesmo assim eles vão fazer de tudo para que você não rescinda o contrato, mesmo agindo de maneira ilegal.

38. Franceses não sabem dançar, mas isso é ótimo para os brasileiros. Eu com meu forró básico virava profissional em qualquer estilo com as mulheres francesas. Os passos de forró podem ser dançados com Salsa, rock, bachata, tango, ou qualquer outra.

39. Um monte de gente tem cabelo de Cascão. Normalmente eles sempre estão envolvidos em todas as brigas e badernas na França.

40. O ciclismo funciona muito bem na França, muita gente anda de bicicleta e existem vias exclusivas para isso. Em muitas cidades você pode alugar bicicletas públicas por um preço muito camarada.

41. Na França desperdiça-se muita comida. Se a pessoa sabe que não vai comer tanto, por que colocar tanto no prato?

42. Nas festas as pessoas são muito receptivas para conversar. É fácil chegar em alguém que você nunca viu na vida e começar a conversar sobre qualquer coisa.

43. Na França, os belgas são nossos portugueses em relação às piadas.

44. Na França, você pode atender o seu smartphone na rua sem ser roubado.

45. Franceses não sabem paquerar, muitas vezes é a mulher que toma a atitude.

46. Franceses são muito regionalistas, cada um acha que sua região é melhor que as outras, e seu sotaque mais bonito que os outros.

47. Parisienses acham que não têm sotaque, mas como qualquer um, eles têm sim.

48. Os franceses se importam menos com as aparências, ou com mostrar riqueza. Acho que isso é resultado da maior igualdade social.

49. Na França, a maioria dos professores não se interessa muito pelo aprendizado do aluno, querem apenas mostrar o quanto eles sabem e te obrigam frequentemente a estudar o tema específico de pesquisa deles, mesmo quando o assunto é genérico. Pedir para ter acesso a uma correção de prova pode ser considerada uma afronta.

50. Os números na França não são lógicos: para dizer 70 você diz sessenta e dez, para dizer 80 você diz quatro vintes e para dizer 99 você diz quatro vintes e dezenove.

51. Quase todos os canais de televisão da França são do Estado e eles raramente falam mal dos governos.

52. Casais franceses não costumam se tocar na rua, nem mesmo dar as mãos, nem dar demonstrações de afeto em público.

53. Na França a língua portuguesa nunca é a língua portuguesa. Ou é espanhol, ou é italiano. Quase todos acham que o Brasil fala espanhol ou brasileiro.

54. Na França, um garçom sempre estará te dando a maravilhosa oportunidade de pagar para comer no restaurante dele. Assim você sempre tem que implorar para ser bem atendido. O garçom sempre tem razão.

55. Franceses adoram criticar, mas odeiam ser criticados.

56. E finalmente, para os parisienses, Paris é o Centro do mundo e sem ela a Terra seria incapaz de girar.

Por: Antônio Souza Neto