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Como 2 meninas enganaram o autor de Sherlock Holmes com fotos de fadas

Frances Griffiths e algumas ‘fadas’ em uma fotografia feita em 1917 por sua prima Elsie Wright.

Essa história sempre me fascinou.

Em 1920, uma notícia surpreendeu o mundo.

Duas meninas britânicas disseram ter conseguido fotografar fadas. E para completar, o criador do famoso detetive Sherlock Holmes, o escritor Sir Arthur Conan Doyle, deu seu aval à história! Ele disse que as fotos provavam que fadas de fato existiam. As responsáveis pelas fotos, Elsie Wright, de 16 anos, e Frances Griffiths, de 9 anos, disseram ter fotografado as fadas no jardim da casa onde viviam, no norte da Inglaterra.

A história das meninas se espalhou pelo mundo – afinal, o famoso escritor tinha acreditado nela – e só foi desmentida muitos anos depois, quando Elsie (já velhinha) admitiu que fora um engodo.

Mas como foi possível que duas meninas enganassem o mundo dessa maneira?

Jardim Encantado

A história começa no jardim de uma casa no vilarejo de Cottingley, próximo à cidade inglesa de Leeds. Elsie Wright e sua prima Frances Griffiths passaram o verão de 1917 brincando no fundo do jardim, onde corria um riacho. E, segundo elas, brincando com fadas…

A menina Frances Griffiths tinha se mudado da África do Sul, junto com a mãe, para morar com a tia, o tio e a prima no condado de Yorkshire, na Inglaterra, enquanto o pai lutava na Primeira Guerra Mundial. Ela ia brincar no jardim o tempo todo, ficava molhada, voltava com a roupa suja e sua mãe pedia a ela que não fosse mais brincar lá. Um dia, para se justificar, Frances disse que queria brincar no jardim porque tinha conhecido algumas fadas.

E foi essa declaração, feita de forma espontânea, que motivou Frances e Elsie a buscarem uma forma de provar para a mãe de Frances que a menina estava dizendo a verdade. Pegaram a câmera emprestada do pai de Elsie e foram tirar fotos das fadas.

Talvez a foto mais famosa seja a de Frances. Ela está posicionada na margem (do riacho), com uma cachoeira ao fundo. Ela está inclinada para a frente, olhando para cinco fadas que dançam animadamente. (essa é a foto que abre este post)

A segunda foto é de Elsie, a mais velha. Ela está junto de um gnomo que parece estar caminhando na direção dela.

 

Elsie e o gnomo

Elsie descreveu o que teria visto naquele dia:

“Este é o lugar onde vi o gnomo. Eu estava aqui e Frances estava ali, com a câmera. O gnomo veio de trás daquela árvore, caminhou até onde eu estava. Eu achei que ele ia me tocar e estendi o braço, mas ele desapareceu. Eles eram assim, chegavam perto e depois desapareciam”.

Se olharmos as fotos considerando a época em que foram tiradas – e por duas meninas – são de ótima qualidade e as fadas até que parecem bem “reais”.

(aos olhos de hoje, a gente percebe que as fadas são bidimensionais e as fotos, muito posadas).

Mundo Espiritual

 

Durante alguns anos, essas fotos foram guardadas pela família, achando que eram apenas brincadeira de criança. No entanto, três anos após o fim da Primeira Guerra, a mãe de Elsie – como muitos britânicos naquele período – começou a se interessar por Teosofia.

A Teosofia era um movimento que investigava ideias a respeito do mundo espiritual, procurando dimensões alternativas onde pudesse existir vida. Se você levasse essa ideia um pouco mais longe, poderia muito bem considerar que fadas e outros seres místicos realmente existissem.

Quando tomamos conhecimento dessa história das fotos das meninas, nunca podemos deixar de ter em perspectiva como era o mundo em 1920.  As pessoas estavam desesperadas. Tentavam se agarrar a qualquer coisa que pudesse trazer respostas à questão: por que o Deus cristão tinha permitido os horrores daquela guerra mundial?

Milhões de pessoas haviam perdido entes queridos. Abundavam questionamentos, no mundo e na Grâ-Bretanha, sobre a sociedade, a religião e a vida após a morte.

Foi nesse contexto, então, que as mães das meninas decidiram ir a uma reunião da Sociedade Teosófica da região para participar de uma discussão sobre a vida das fadas. Elas levaram as fotos das filhas, que obviamente despertaram grande interesse.

Pouco tempo depois, as fotos foram parar nas mãos de um importante membro da sociedade, o escritor Sir Arthur Conan Doyle.

Na época em que tomou conhecimento das fotos, ele já havia recebido uma encomenda da revista Strand Magazine (onde as histórias de Sherlock Holmes foram publicadas e o fizeram famoso em todo o mundo) para escrever um artigo sobre a vida das fadas. Ele rapidamente pediu a especialistas em fotografia que analisassem as fotos para estabelecer se eram genuínas. Elas foram declaradas autênticas. Segundo os especialistas, não havia evidências de falsificação. Então, quando Conan Doyle escreveu seu artigo, usou as fotos para embasar sua afirmação de que as fadas existiam e ali estavam as fotos para comprovar.

A febre das fadas tomou conta do país e as fotos foram levadas em turnê pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos.

A história sobreviveu mais alguns anos, até que, em 1983, Elsie finalmente confessou à BBC que ela havia desenhado e recortado as figuras em papel cartão. E para que aparentassem estar suspensas no ar, tinha colado as figuras em palitos fincados no solo.

“Por que você decidiu admitir a verdade, tantos anos depois?”, perguntou o jornalista da BBC.

“Tenho três netas, não quero que essa história se estenda para sempre. Achei melhor esclarecer isso de uma vez por todas.”

 

Pós-guerra

Mas como foi possível que uma brincadeira de duas meninas convencesse tantas pessoas importantes, como Sir Arthur Conan Doyle?

Como já foi dito, era um mundo do pós-guerra, as pessoas procuravam respostas e havia outra conexão entre Doyle e a família das meninas. Assim como o pai de Frances, o filho de Conan Doyle tinha lutado na guerra. E morrido.

Ele tinha perdido o filho. E provavelmente sentia grande culpa, por ter incentivado o jovem a se alistar. Além disso, também havia se envolvido na propaganda de guerra, para aumentar o número de recrutas.

 

Esse é quase o final da história. Existe uma quinta foto, onde aparecem apenas fadas, que parecem emergir de um ninho de grama. Essa foto, Frances insistiu até o fim, era realmente verdadeira.

Frances foi uma menina que mudou do país onde nasceu, o pai foi lutar na guerra e acabou morrendo…  Talvez as condições fossem perfeitas para que ela se conectasse com uma outra esfera.

Vai saber?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

BBC

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Astros e estrelas quando eram jovens

Já mostrei em um post alguns astros e estrelas internacionais que não estão convivendo bem com o passar do tempo (aqui). Agora, vou mostrar outros astros e estrelas quando eram mais jovens. Alguns eu diria que são quase irreconhecíveis, enquanto outros continuam praticamente a mesma coisa. Confira!

Ele tinha 22 anos quando a foto foi tirada, e estava prestando o serviço militar.
Ele tinha 22 anos quando a foto foi tirada, e estava prestando o serviço militar.
Anos depois, Sean Connery tornou-se um astro conhecido no mundo todo, especialmente pelo código 007.
Anos depois, Sean Connery tornou-se um astro conhecido no mundo todo, especialmente pelo código 007.
Com 16 anos, era o típico nerd... Ou, pelo menos, tinha cara de um.
Com 16 anos, era o típico nerd… Ou, pelo menos, tinha cara de um.
Quem diria que o George Clooney de franja na juventude se tornaria um poderoso ator e diretor em Hollywood, arrasando os corações da mulherada ao tomar um Nespresso e dizer: "What else?"
Quem diria que o George Clooney de franja na juventude se tornaria um poderoso ator e diretor em Hollywood, arrasando os corações da mulherada ao tomar um Nespresso e dizer: “What else?”
Já era uma gatinha aos 14 anos, e os óculos só acrescentavam charme.
Já era uma gatinha aos 14 anos, e os óculos só acrescentavam charme.
A gatinha se tornou um mulherão, e boa atriz. Charlize Theron já ganhou um Oscar, sabia?
A gatinha se tornou um mulherão, e boa atriz. Charlize Theron já ganhou um Oscar, sabia?
Aos 26 anos, ele tentava a carreira em Los Angeles como ator e modelo.
Aos 26 anos, ele tentava a carreira em Los Angeles como ator e modelo.
Só quando foi para a Itália, e estrelou os "spaguetti-westerns", tornou-se um astro. Clint Eastwood, hoje, é um dos atores e diretores mais respeitados do cinema.
Só quando foi para a Itália, e estrelou os “spaghetti-westerns”, tornou-se um astro. Clint Eastwood, hoje, é um dos atores e diretores mais respeitados do cinema.
Contemporâneo de Eastwood, aos 24 anos ele também seguia os passos do colega.
Contemporâneo de Eastwood, aos 24 anos ele também seguia os passos do colega.
 O sucesso veio para William Shatner quando ele desbravou o espaço, a fronteira final, comandando a nave estelar "Enterprise" no seriado para TV "Jornada nas Estrelas".
O sucesso veio para William Shatner quando ele desbravou o espaço, a fronteira final, comandando a nave estelar “Enterprise” no seriado para TV “Jornada nas Estrelas”.
Não sei se, aos 18 anos, ele tinha ideia de quem se tornaria. Mas que tinha cara de doidão, já tinha...
Não sei se, aos 18 anos, ele tinha ideia de quem se tornaria. Mas que tinha cara de doidão, já tinha…
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O fato é que Steven Tyler se tornou líder e vocalista de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, Aerosmith… Como se não bastasse, ainda é o pai da linda Liv Tyler!
Quem diria... Aos 18 anos, ele era gago e só conseguia se expressar melhor no palco da escola.
Quem diria… Aos 18 anos, ele era gago e só conseguia se expressar melhor no palco da escola.
Quando estrelou os mais populares filmes de ação, como "Duro de Matar", Bruce Willis já havia superado esse problema. Embora, nos filmes, ele precisasse se expressar mais na porrada, mesmo...
Quando estrelou os mais populares filmes de ação, como “Duro de Matar”, Bruce Willis já havia superado esse problema. Embora, nos filmes, ele precisasse se expressar mais na porrada, mesmo…
Aos 24 anos, ele já atuava regularmente nos palcos. Seu amor pelo teatro começou quando foi levado pelos pais para assistir uma encenação de "Peter Pan", quando tinha 3 anos de idade.
Aos 24 anos, ele já atuava regularmente nos palcos. Seu amor pelo teatro começou quando foi levado pelos pais para assistir uma encenação de “Peter Pan”, quando tinha 3 anos de idade.
Com uma carreira que cobre desde Shakespeare até filmes de ficção e fantasia no cinema, o multipremiado ator inglês Sir Ian McKellen tornou-se conhecido pelo grande público como o Gandalf dos filmes "O Senhor dos Anéis".
Com uma carreira que cobre desde Shakespeare até filmes de ficção e fantasia no cinema, o multipremiado ator inglês Sir Ian McKellen tornou-se conhecido pelo grande público como o Gandalf dos filmes “O Senhor dos Anéis”.
Ela, aos 25 anos, já atuava em peças de Shakespeare em Londres.
Ela, aos 25 anos, já atuava em peças de Shakespeare em Londres.
Hoje, depois de uma montanha de prêmios no teatro e no cinema, Helen Mirren continua bonita e mais classuda do que nunca.
Hoje, depois de uma montanha de prêmios no teatro e no cinema, Helen Mirren continua bonita e mais classuda do que nunca.
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7 maravilhas do mundo das quais você nunca ouviu falar

Esta dica me foi passada pela amiga Luciana Coutinho. Todos nós conhecemos as principais maravilhas do mundo, como o Coliseu, a Grande Muralha da China e o Taj Mahal. Porém, há outros locais igualmente espetaculares que nem os viajantes mais experientes conhecem.

A revista virtual Quora, baseada nos Estados Unidos, fez uma enquete entre seus leitores viajantes e reuniu alguns dos lugares mais incríveis e desconhecidos do nosso planeta. Confira!

Grande Mesquita de Djenné, Mali

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A Grande Mesquita é a maior construção de argila do mundo. Parte da antiga cidade de Djenné, a mesquita está incluída na lista dos patrimônios da UNESCO. Por enquanto, está fechada para turistas. Acredita-se que a decisão foi tomada em 1996, depois de o lugar servir de locação para um ensaio sensual da revista ’Vogue’.

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LugChand Baori, Índia

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O conjunto arquitetônico de Chand Baori, situado em um pequeno povoado da Índia conhecido como Abaneri, é um dos poços com escadas mais antigos e profundos do mundo. A gigantesca estrutura parece uma pirâmide invertida e desce mais de 30 metros em direção ao subsolo. Em três de suas paredes há 3.500 degraus em perfeita simetria que permitem que você desça até a água de um pequeno lago esverdeado. Ainda está em discussão se o poço foi construído entre os séculos IX e XI ou 600 anos antes de nossa era.

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Palácio do Parlamento, Romênia

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É um dos lugares mais conhecidos de Bucareste, construído na época da República Socialista da Romênia. O palácio é considerado o maior edifício administrativo do mundo, o maior prédio de Parlamento, assim como o maior prédio público em nível internacional. As dimensões são de 270 a 240 metros, com 86 metros de altura. A parte subterrânea do palácio tem uma profundidade de 92 metros. O palácio conta com 1.100 ambientes e 12 andares.

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Photo: Nico Trinkhaus – Bucharest, Romania/ Palace of the Parliament – Ballroom
Veja o portfolio de Nico em Sumfinity.com

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Ponte Velha, Bósnia e Herzegovina

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Essa ponte para pedestres sobre o rio Neretva é uma cópia moderna da ponte antiga, que foi totalmente destruída pelos soldados croatas em 1993, durante a guerra da Iugoslávia. A ponte é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Uma das atrações mais tradicionais para turistas, e uma das principais fontes de renda dos jovens da cidade, são os saltos no rio Neretva a partir do meio da Ponte Velha (a altura do salto depende do nível da água no rio, de 24 a 30 metros).

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Forte Kumbhalgarh, Índia

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O Forte Kumbalgarh é rodeado por uma única parede que antigamente era conhecida como ’o guardião da morte’. Tem 36 quilômetros de extensão e em alguns pontos sua largura chega a 8 metros. A muralha se estende de forma contínua ao redor do perímetro da fortaleza, que durante séculos serviu como proteção contra invasores. Só a construção do muro levou um século — do século XV ao século XVI —. Esta grande parede da Índia presenciou muitas guerras, mas nunca caiu nem deixou que os inimigos invadissem a fortaleza. Só a Grande Muralha da China é maior que ’o guardião da morte’ ou ’olhos de Mewar’, como o lugar é chamado pelos moradores locais.

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Mesquita do xeique Lotf Allah, Irã

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É um monumento excepcional da arquitetura persa, da era safávida. A mesquita foi construída durante 17 anos (1602-1619). É incomum por vários motivos. Particularmente, não tem nenhum minarete (torre de onde são anunciados os chamados à oração). Também não tem pátio interior e sua entrada conta com escadas. Talvez o motivo desse aparente descaso com as estritas regras da arquitetura muçulmana seja o fato de a mesquita nunca haver sido anunciada como de uso público, já que era um local de culto para as mulheres do xeique.

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Derawar, Paquistão

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Derawar é uma construção surpreendente de formato quadrado, erquida em 1733. A fortaleza é formada por 40 bastiões que se elevam sobre o deserto paquistanês. A altura das paredes em alguns trechos chega a medir 30 metros, e seu perímetro é de 1.500 metros. Poucos viajantes já ouviram falar desta fortaleza. Até mesmo alguns moradores do Paquistão não têm ideia de sua existência.

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Fonte:

ВВС
Tradução e adaptação: Incrível.club

 

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Os Banhos da Sereia

Largo São Bento em 1887. No centro a Rua São Bento
Largo São Bento em 1887. No centro, a Rua São Bento.

É difícil imaginar, mas houve uma época em que as casas de São Paulo não tinham banheiro. Não apenas as casas pobres, mas nenhuma casa tinha banheiro. Existiu até um pequeno móvel, uma espécie de cadeira com o assento vazado para melhor acomodar o traseiro e o penico colocado por baixo. Consta que os serviçais de D. João VI sempre levavam uma cadeira dessas nos passeios do rei1, porém nunca encontrei qualquer referência a tal artefato em São Paulo. Não faço ideia do que faria uma visita a uma casa de família em caso de aperto.

Cadeira - sanitário
Cadeira – sanitário

Quanto aos banhos, bem, estes eram de bacia mesmo. Uma memorialista nos conta que, após os trabalhos costumeiros na “sala de costura”, à noitinha, as pretas costureiras levantavam acampamento e “iam preparar os quartos para a noite, colocar velas nos castiçais e arear as bacias para os banhos”. E essa memorialista pertencia a uma das famílias mais abastadas de São Paulo na segunda metade do século XIX2.

Somente no final do século XIX, com o abastecimento de água um pouco melhor, foram desativados os últimos chafarizes públicos. Ao mesmo tempo criava-se uma limitada rede de esgotos, que eram lançados no Rio Tietê sem nenhum tratamento.

Então, algumas casas passaram a contar com banheiros. Mas somente as casas ricas. As mais simples ainda usavam o velho sistema. Zica Bergami (1913-2011), compositora de “Lampião de Gás”, relatando sua infância, conta que “naquela época, só havia toilettes nos grandes palacetes dos bairros ricos. Os menos favorecidos tinham que se arranjar com tinas ou bacias enormes ou, então banhavam-se à noite, nos tanques dos quintais, depois que todos dormiam3.

No século XIX eram comuns, nos grandes centros europeus, as casas de banhos, porém em São Paulo a primeira notícia que se tem de uma casa de banho é de fevereiro de 1857, quando Carlos Pedro Etchecoin anuncia a abertura de sua casa Banhos de Saúde, na Rua do Carmo,3. Oferecia “banhos de lavagem ou de vapor, segundo o gosto ou a necessidade de cada um4. Mas eram banhos de caráter medicinal, com acompanhamento médico. Não deve ter durado muito tempo, pois outro Etchecoin, agora João Luis Etchecoin e Companhia, proprietários do Hotel Quatro Nações, anunciava em 1863 também “banhos de corpo inteiro no dia 15”5.

A primeira casa de banhos de caráter não só higiênico, mas também com função social, somente apareceu em 1865. Chamava-se “A Sereia Paulista”. Foi inaugurada em 28 de setembro de 1865, para grande alegria do jornalista do Correio Paulistano que há algum tempo vinha se queixando da falta que fazia tal tipo de casa na capital. Seu proprietário era Bento Vianna e ficava na Rua São Bento, 1. O imóvel pertencia ao mosteiro de São Bento.

É a casa que vemos à direita da foto que abre a matéria. Era uma casa grande, ia da Rua São Bento até a antiga Rua São José, atual Líbero Badaró, onde era assobradada6. Tinha um poço para abastecimento de água, reservatórios, aquecimento e vários quartos com uma banheira de mármore em cada um. Um dos quartos era adaptado para “banhos de chuva7. Na sala da frente, “refrescos finos e bebidas de espírito”. Na época era propriedade de Henrique Schroeder.

Anúncio publicado no jornal O Correio Paulistano de 29-10-1865
Anúncio publicado no jornal O Correio Paulistano de 29-10-1865

No dia primeiro de janeiro de 1871, um personagem pitoresco adquiriu a Sereia Paulista8. Trata-se de José Fischer, um húngaro alto, barbudo e ranzinza que havia chegado ao Brasil no ano anterior. Fischer reformou a casa e, ao longo do tempo, transformou a sala onde eram servidas as bebidas em restaurante. Ficou famoso pelos bifes à Leipzig, que ficaram popularizados como bifes à cavalo. Por um bom tempo, tornou-se um bom programa paulistano ir tomar banho na Sereia e depois jantar um bife com vinho húngaro, o que era uma novidade para os brasileiros.

Diz antigo cronista que o húngaro levava ao pé da letra a metáfora de não tolerar que na sua casa ninguém falasse mais alto que ele. Sabendo disso, os estudantes, por gozação, entravam em fila e iam cumprimentando em tom cada vez mais alto e Fischer respondendo ainda mais alto. No final da fila, estavam todos aos berros9.

Ele somente recebia clientes masculinos e sua casa era muito frequentada pelos membros da colônia alemã. Quanto à sereia, ficava somente no nome e numa pintura feita por Nicolau Huascar que servia de emblema da casa10. Um viajante, Karl Von Koseritz, que certamente conhecia casas de banho europeias, visitando São Paulo em 1883, foi levado para uma visita à Sereia Paulista e relatou: “Os meus leitores hão de compreender que fui à sereia com as maiores esperanças e com água na boca, mas a desilusão foi completa. A sereia se nos apresentou sob a forma de um corpulento e amplamente barbado senhor Fischer, um húngaro, que é o proprietário dessa taverna, reconhecidamente a melhor de São Paulo”11.

Fischer importava vinhos da Hungria, principalmente dos tipos Tokay, Ménesi e Ruszti, porém espalhou-se o boato de que o vinho servido na Sereia era produzido com água do rio Tietê. Cansado das boatarias, Fischer mandou publicar nos jornais um anúncio oferecendo um conto de réis a quem provasse que seu vinho não era da Hungria, caso contrário ficaria passando por mentiroso12. Esquentado, não?

Anúncio publicado no jornal A Província de S. Paulo de 21-12-1887
Anúncio publicado no jornal A Província de S. Paulo de 21-12-1887

Em 1886, Fischer talvez já estivesse um pouco cansado do negócio, pois colocou a Sereia Paulista à venda13. Não deve ter conseguido nenhuma boa proposta de negócio, porque somente em 1891 é que passou a casa a uma Companhia Sereia Paulista que, apesar de ter planos de construção de um prédio maior, acabou entrando em liquidação dois anos depois14.

José Fischer retirou-se para Dassau, Alemanha, onde faleceu em 189815.

 

 

Notas
1 – GOMES, Laurentino, 1808, Editora Planeta do Brasil, 2007, pág. 302.
2 – BARROS, Maria Paes de, No Tempo de Dantes, São Paulo, Paz e Terra, 1998, pág. 19.
3 – BERGAMI, Zica, Onde estão os Pirilampos?, João Scortecci Editora, São Paulo, 1989, pág. 18.
4 – Jornal Correio Paulistano de 12-02-1857.
5 – Jornal Correio Paulistano de 08-01-1963.
6 – NOGUEIRA, Almeida, A Academia de São Paulo – Tradições e reminiscências, Nona série, 1912.
7 – Jornal Correio Paulistano de 26-09-1865
8 – Diário de São Paulo de 01-01-1871
9 – Ver nota 6.
10 – Correio Paulistano de 01-10-1865.
11 – BARBUY, Heloísa, A Cidade-Exposição, Comércio e Cosmopolitismo em São Paulo, 1860-1914,Editora da Universidade de São Paulo, 2006.
12 – Jornal A Província de S. Paulo de 21-12-1887.
13 – Jornal Correio Paulistano de 05-05-1886.
14 – Jornal O Estado de S. Paulo de 06-08-1893.
15 – Jornal O Estado de S. Paulo de 19-02-1898.

 

Fonte:

Edison Loureiro, saopaulopassado.wordpress.com

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Fotos que você tem que olhar duas vezes para entender

Cada uma das fotos abaixo fará você dizer: “Mas que ***** é essa?” Pode ser difícil de visualizar, em um primeiro momento, mas são todas ilusões de ótica que foram criadas por acidente. Divertidas, engraçadas, surpreendentes, as fotos são incríveis, verifique por você mesmo!

O menino com o braço mais longo do mundo?
Não, a moça não está nua!
O cara faz parte da tela… SQN!
Hum… Que belas pernas do carinha…
Uma criatura mitológica, o gato de duas cabeças.
A gaivota gigante
E eu achando que o garoto da foto mais acima era quem tinha os braços mais compridos do mundo…
Fala sério, olha que garota fortona!
O cavalo alien.
Olha a cabecinha do cara!
A mulher-centauro-zebra.
Esta ficou estranha…
Eh eh eh… Parece que a cachorrinha tirou o dia pra pescar.
Olhe direito. Não é aquilo que você está pensando.
Um bebê com um popozão?
Hã? Como a moça faz pra flutuar assim?
Outro mágico, flutuando acima da água.
Pra mim, a melhor de todas.

 

Curiosidades, Novidades

Fotos pouco conhecidas

Meu amigo Ruy Schneider enviou-me outro dia um punhado de fotos antigas e muito interessantes, e que resolvi compartilhar aqui. Vale a pena dedicar alguns minutos para ver – ou rever – um pouco de nosso passado gravado nessas imagens.

Um operário descansando na hora do almoço. Estamos em 1931, e ele ajudava na construção daquele que seria o prédio mais alto do mundo, o Empire State em Nova York. Observe a altura em que ele estava…

Aqui, estamos em São Paulo, na Av. São João em 1938. No cine Metro, estava passando “De Braços Abertos”, com Mickey Rooney e Spencer Tracy, que ganhou o Oscar de melhor ator por seu desempenho. O cine Metro era tido como um dos cinemas mais chiques de São Paulo. Os funcionários trabalhavam uniformizados de branco e havia um porteiro que recebia os espectadores que desciam do carro. Durante muito tempo, só era permitida a entrada de homens de terno e gravata. Atualmente, o prédio do antigo cinema abriga uma igreja evangélica…

1909. A hora do rush em Chicago era bem bagunçada…

Vista da antiga pérgula do Copacabana Palace Hotel em 1930. A praia já ficava cheia naquela época.

Um dos primeiros carros elétricos construídos nos Estados Unidos em 1905. Na foto, ele está carregando sua bateria, operação que levava algumas horas. Naquela época, os carros elétricos eram muito mais populares que os movidos a gasolina, considerados barulhentos, sujos e de difícil operação. E chegavam a alcançar impressionantes 30 km/h… Um desses carrinhos, ainda operante e com baterias modernas, foi vendido recentemente em um leilão por cerca de R$ 500 mil reais!

Voltemos ao Rio de Janeiro, agora bem lá atrás, por volta de 1885. D. Pedro II inaugurou a linha férrea que começa no Cosme Velho e vai até o cume do Corcovado, no mesmo local de hoje em dia, e daí subia-se até a plataforma de observação, no local da atual estátua. Para proteger os visitantes do sol inclemente, foi construído um pavilhão de ferro cuja função e formato circular fez com que recebesse o apelido apropriado de “Chapéu de Sol”. Foi contemporâneo de nossos bisavós, até que, em 1931, fosse finalmente inaugurado o monumento do Cristo Redentor.

1912, docas de Southampton. O Titanic está prestes a zarpar para sua primeira – e última – viagem aos Estados Unidos…

William Harley e Arthur Davidson, os fundadores das motocicletas Harley Davidson, em 1914, mostrando suas primeiras criações.

1937: Os irmãos Dick e Mac McDonald abrem uma barraca de cachorro-quente chamada Airdome em Arcadia, Califórnia. Depois, em 1940, eles mudam sua barraca para San Bernardino, também na Califórnia, onde abrem um restaurante McDonald´s na Rota 66, em 15 de maio. O primeiro hambúrguer McDonald´s custou US$0,15 e como era comum na época, contrataram 20 garçons que, em cima de patins, entregavam o pedido do cliente no carro. Isso se tornou popular e muito lucrativo.

E, encerrando essa viagem ao passado, veja o tamanho do primeiro disco rígido de 5 Mb da IBM, sendo carregado em um avião, em 1956. E tem gente que reclama do pendrive de 4 Gb…

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Fotos do passado

Duvido que as pessoas que tiraram estas fotos fizessem ideia da importância que elas teriam, e que deixariam as pessoas tão maravilhadas no futuro. O mais interessante nelas, talvez, seja a constatação de que a vida era tão diferente – e ao mesmo tempo tão parecida – como a de hoje.

  • Dizem que este foi o primeiro “selfie” da história (em 1839), o moço é Robert Cornelius, nos Estados Unidos.

  • Em 1900, um engraçadinho tirou a foto dessa mulher prestes a dar um espirro!

  • Boliche é um esporte bem antigo, e antes não havia o sistema automático que deixa os pinos em pé. Era tudo feito na mão, e um erro podia custar um dedo amassado a esses meninos “arrumadores de pinos de boliche” em 1914.

  • Em 1922, os concursos de beleza eram comuns. Pela foto abaixo, de duas ganhadoras de um deles, a gente pode constatar que o conceito de beleza se modificou um pouco ao longo dos anos.

  • A preocupação com a falta de concentração, por conta das distrações que nos cercam, não é uma novidade dos dias de hoje. Um americano, lá atrás, em 1925,  inventou o “Isolador”. Esse capacete bizarro supostamente deixaria seu usuário surdo, limitando seu campo de visão a uma minúscula brecha e um balão de oxigênio acoplado ao capacete impediria que a pessoa morresse asfixiada.

Não sei se o inventor, Hugo Gernsback, conseguiu vender algum de seus “Isoladores”. O que eu sei é que ele, além de inventor, era também editor e autor. Desde 1908 ele vinha publicando revistas diversas até que, um ano depois do “Isolador”, lançou aquela que viria a ser a primeira revista do mundo exclusivamente dedicada à ficção científica, Amazing Stories. Foi nessa revista que se inventou o termo “cientificção” antes de se decidir pelo definitivo “ficção científica”. Na Amazing Stories, Hugo deu a primeira oportunidade a autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

  • Foto incrível, de Hitler ensaiando seus discursos na frente de um espelho, em 1925.

  • Moto de uma roda, de 1930, e que podia alcançar até 140 km/h. Até hoje tem gente criando motos iguais a essa.

Vimos isso no filme “Homens de Preto 3″…

Mas, recentemente, numa universidade de Michigan, foi apresentada uma “monobike” que funcionava pra valer:

  • “Família que passeia e trabalha unida fica mais unida”. Esse deve ter sido o mote a inspirar a criação de uma bicicleta para a família, em 1939. Ela servia para quatro pessoas e a mamãe podia aproveitar o passeio e costurar algumas roupas, já que a bicicleta vinha com uma máquina de costura acoplada:
  • Como eu disse mais acima, os concursos de beleza eram muito populares no mundo todo. Em 1950, nos Estados Unidos, eles elegeram até a “Miss Bomba Atômica”…

Em resumo, mesmo que as coisas fossem diferentes então, a gente percebe que, lá no fundo, o espírito humano nunca muda. Nossa perseverança, capacidade de invenção e curiosidade permanecem desafiando o tempo.

 

Fonte:

news.distractify.com