12 Previsões que os Jetsons acertaram

Lançado em 1962 e relançado com novos episódios em 1985, o clássico desenho animado “Os Jetsons” mostrava como seria a vida de uma família no futuro, com tudo que as modernidades do século 21 poderiam trazer. Bem, ainda falta um tanto até chegarmos à época retratada no desenho, mas muita coisa comum na rotina dos Jetsons já virou realidade em 2020. Sabe o seu relógio inteligente? Estava lá. Esteiras rolantes em todo lugar? Também. E robô que cuida de tudo na casa? Bem, ainda não chegamos a tanto, mas os aspiradores-robô já existem.

Veja algumas coisas que foram previstas e se tornaram realidade, de forma parcial ou total, logo abaixo.

Smartwatch

Era bastante comum para George, Jane ou outros adultos do desenho se comunicarem usando o seu relógio de pulso, que tinham funções muito mais complexas do que apenas mostrar as horas. Parece bastante familiar com os tão cobiçados smartwatches de hoje em dia, né? A função de videochamada ainda não tem nos modelos atuais, mas em breve, quem sabe?

Chamadas de vídeo

As próprias chamadas de vídeo pareciam algo incrivelmente tecnológico para quem assistia aos desenhos. Imagina só poder ver com quem você está falando? Hoje isso soa tão natural com as chamadas de vídeos de nossos celulares e computadores. Do Skype ao WhatsApp, vários programas têm essa funcionalidade.

TVs de tela plana

As televisões eram frequentemente mostradas no seriado, e mesmo que alguma delas parecesse muito com aparelhos de tubo, chama a atenção como eles previram a evolução tecnológica dos televisores ao mostrar telas planas e gigantes, como as que estão se popularizando atualmente.

Tablet

Em vez de abrir um jornal para saber as novidades, George Jetson se sentava diante de uma tela e lia as notícias. E vez ou outra essa tela trazia imagens em movimento. Um jeito bastante interativo de ler, como em um tablet! Será que ele também encontrava tempo para brigar com desconhecidos nas caixas de comentários?

Esteiras rolantes

Chamava bastante a atenção a ideia de existir uma esteira que levava você para lá e para cá, sem precisar gastar solas de sapato ao andar na rua. Em alguns lugares já encontramos isso, como em aeroportos e estações de metrô.

Câmaras de bronzeamento artificial

No futuro as pessoas —principalmente as ricas— teriam bem pouco tempo para tomar sol, por isso inventaram lugares próprios para que você se bronzeasse artificialmente. Só precisavam avisar o pessoal do seriado que pode ser perigoso recorrer a esse método, conforme estamos descobrindo no presente.

Viagens para a Lua

Segundo os Jetsons, ir para a Lua era como ir para a casa na praia. O menino Elroy ia quase sempre com seus colegas escoteiros. É curioso pensar que, quando o desenho foi lançado, a humanidade ainda não havia pisado na Lua, mas hoje em dia começa até mesmo a estudar a oferta de voos de turismo para o satélite. Você iria?

Máquina de comida instantânea

A ideia de chegar em casa, apertar um botão e um aparelho fazer uma comida rapidamente para a família toda era um sonho. Já experimentamos parte disso com as comidas pré-aquecidas e o forno microondas. Mas graças à tecnologia de impressoras orgânicas 3D, isso tem melhorado. Já existe até mesmo um restaurante dedicado à cozinha feita em máquinas como essas, como a rede Food Ink.

Assistente pessoal

No desenho, o pequeno Elroy tinha um computador que ajudava com o dever de casa, respondendo a perguntas matemáticas. Ele falava o problema e a máquina respondia. Hoje temos assistentes de voz como a Siri e Google Assistente, que também fazem isso, além de apps que podem solucionar problemas matemáticos usando a câmera do celular.

Esteira canina

Donos de cães sem tempo para se exercitar optam por usar esteiras caninas para ajudar a manter seus bichinhos ativos. Coisa que George fazia em companhia do seu cachorro, Astro.

Despertadores com comando de voz

George sofria nas mãos do seu despertador que insistia em acordá-lo. Era normal vê-lo discutir com o aparelho, que respondia a seus comandos de voz. Coisa que parecia algo inimaginável na década de 1960. Mas eles já existem!

Robô que limpa a casa

Rosie, a empregada robô da família, era muito mais do que apenas uma máquina de limpar o chão. Ela também cozinhava e ajudava os personagens a se vestirem. Em 2020 existe uma série de robôs de várias funções, inclusive os de limpar a casa, como a Rosie. Será que a a iRobot Roomba é tão eficiente ao tirar a poeira do chão quanto a empregada dos Jetsons?

 

 

 

 

Fonte:

uol.com.br/tilt/ Raphael Evangelista

Por que ainda não temos carros voadores?

A fantasia em torno de carros voadores vem cativando a humanidade há décadas, incentivada por histórias em quadrinhos, livros de ficção científica, programas de TV e filmes. Mas acho que o conceito caiu no gosto popular com o desenho dos Jetsons, em 1962. Além de possuir uma criada-robô e outras engenhocas, a família se deslocava num carro voador com capota de vidro em forma de bolha.

Claro que esse conceito não foi criado no desenho animado. A ideia de carros voadores, com ou sem capotas-bolha, já aparecia em diversas ilustrações de artigos em revistas ou em contos de ficção-científica das décadas de 1930, 1940 e 1950, onde se procurava antecipar como seriam os veículos do “ano 2000”. As amostras abaixo exemplificam o que se imaginava então.

Até Ian Fleming, o criador de James Bond (o agente 007), se aventurou nesse tema em seu livro infantil de 1964 Chitty Chitty Bang Bang, que mais tarde virou um filme musical de grande sucesso. Na história, um excêntrico inventor cria um carro extraordinário, que voa e flutua, conduzindo os heróis a um mundo de aventuras.

Aliás, o cinema é pródigo em carros voadores, e vou citar apenas dois dos mais conhecidos, o de Harry Potter e, claro, o DeLorean de De Volta Para o Futuro.

Mas, voltemos à realidade dos carros voadores. Os designers e os engenheiros da indústria automotiva nunca pensaram nisso? Não é verdade, embora a ideia de encher os céus com máquinas pilotadas por qualquer pessoa seja bastante amedrontadora. E não se pode negar que houve tentativas corajosas. Em 1947, um ConvairCar Model 118 foi fotografado durante um teste de voo perto de San Diego, mas nunca chegou a ser produzido em série.

O problema era essencialmente uma questão de peso: nas pistas, a “metade avião” do veículo enfrentava uma enorme resistência do ar; no céu, a “metade sedã” dificultava as manobras… Mas essa tentativa frustrada não desanimou a Terrafugia, uma empresa sediada hoje em Massachusetts: em 2013, eles exibiram o protótipo de seu carro voador, o Transition.

O grande problema é que a realidade de colocar um carro para voar nunca parece tão bacana quando os protótipos são apresentados. A exceção parecia ser o Aerocar, dos anos 1960: uma maquininha simples que encolhia as asas ou simplesmente as deixava na garagem.

O modelo parecia tão convincente que até alguns planos para a construção de rodovias interestaduais americanas levavam em consideração acomodar carros voadores: os primeiros rascunhos mostravam uma pista de decolagem ao lado da estrada. Porém, o carrinho era difícil de pilotar no ar e custava tão caro quanto… um avião!

Ainda assim, o apelo de ser o pioneiro continua sendo muito grande para qualquer montadora. Dizem que os engenheiros da Toyota estariam elaborando um carro que não exatamente voaria, mas seria capaz de flutuar a poucos centímetros do solo, reduzindo o atrito e economizando combustível.  Enquanto isso, a Volkswagen da China propôs uma cápsula de dois assentos com levitação magnética, inspirada no trem Mag-Lev que liga o centro de Xangai ao aeroporto. Assim como o projeto da Toyota, o objetivo da VW é reduzir o atrito para melhorar a eficiência energética.

Até o Larry Page, fundador do Google, criou uma empresa para produzir um carro voador, cujo protótipo se vê na foto acima e está em fase de testes… se bem que se parece mais com um drone do que com um carro…

Mas, afinal , onde está o carro prometido pela ficção há tantas décadas?

Muitos céticos dizem que ele nunca irá existir, e enumeram várias razões, algumas das quais detalho a seguir. A primeira é a dificuldade de pilotar o veículo, um misto de carro e avião. Imagine o painel de um carro:

Qualquer pessoa reconhece os elementos da imagem acima. O volante, o câmbio, o freio e acelerador, a ignição, o velocímetro… Mesmo que a pessoa nunca tenha dirigido um carro, ela tem uma noção da operação básica… dá a ignição, coloca a marcha, freia etc.

Este é o painel de um avião.

Tem tanto botão que tiveram que colocar o resto no teto… tamanha é a complexidade de manobrar um aparelho desses e colocar o bicho no ar! Imagine a quantidade de motoristas idiotas que temos por aí atrás de um manche em vez de um volante!

Imagine a catástrofe que seria! E esse é o segundo motivo porque não teríamos carros voadores. Se um acidente de carro “normal” pode ser assim…

… um acidente “normal” com carros voadores seria algo assim:

Os pequenos vacilos com um carro se resumem em lataria amassada e uma vergonha imensa pelo mico. Mas, com um carro voador, a coisa pode ser bem diferente. Sim, aviões são mais seguros que um carro por causa  de fatores dos quais carros voadores não gozariam — aviões não são um meio de transporte “popular” (no sentido de que não é qualquer pessoa que pode sentar num cockpit e sair voando), e existem muito menos aviões no céu do que carro no asfalto. Os carros sempre baterão mais que aviões simplesmente porque existem mais carros que aviões — e porque sua operação, por não ser acessível a qualquer um, passa por rigorosíssimas etapas de manutenção e controle.

Imagine aqueles motoristas malucos nas estradas sobrevoando a sua casa e fazendo barbeiragens no céu!

E a terceira razão pela qual não haverão carros voadores é talvez o argumento mais utilizado pelos defensores dessa ideia: não haveriam mais os congestionamentos!

Todo mundo preso na estrada debaixo de um sol escaldante e com vontade de ir ao banheiro já pensou em “como seria legal apertar um botão e o carro sairia voando por cima de todo mundo!”.

Sem chance.  O vôo VTOL, ou Vertical Take Off and Landing, é quase que completamente inviável. Não é à toa que só existem três aviões atualmente que fazem uso dessa tecnologia: o Harrier (foto abaixo), o F-35 e o V-22 Osprey — este último sendo notoriamente inseguro.

Existe um bom motivo pelo qual a tecnologia VTOL se resume a aplicações militares: ela não é prática. Além de caríssima. A sua fantasia de apertar um botãozinho e seu carro sair decolando por cima dos outros carros jamais se realizará…

Bem, apesar de todos esses contras, ainda tem gente acreditando nessa alternativa de transporte. Lembra da Terrafugia, a empresa americana que citei lá em cima? Pois bem, a fabricante de carros chinesa Geely anunciou um acordo com eles para o desenvolvimento de um carro voador. E a promessa é que no ano que vem teremos o primeiro carro voador “acessível” e fabricado em escala.

Será que as estrelas vão se alinhar e permitir que um carro voador viável e elegante comece a ser produzido, abrindo caminho para um novo meio de transporte?

ATUALIZAÇÃO

As datas foram postergadas… Agora, a chinesa Geely (dona da Volvo) e os demais competidores na “corrida pelo primeiro carro voador” falam entre 2023 e 2028… Os concorrentes são a parceria Uber-Hyundai, a alemã Daimler, a Boeing e as já comentadas Toyota e Google…

Há também empresas menores, como a holandesa Pal-V, que promete entregar no segundo semestre de 2020 seu “carro-voador” (é mais um girocóptero) por $ 500 mil dólares na versão Sport.

Fontes:

Youtube

virgula.com.br

BBC News

hbdia.com

10 invenções que a ficção científica inventou

Imaginada em: 1865, no livro De La Terre à la Lune, de Júlio Verne.
Realizada em: 1968, astronautas orbitam a Lua; 1969, astronautas na Lua.

Na história bolada por Verne, 3 sujeitos se lançam à Lua em uma espaçonave disparada por um canhão de 275 metros. Quase 100 anos antes de Yuri Gagarin se tornar o primeiro homem a sair da Terra, Verne se aproximou da realidade. O francês também acertou o número de tripulantes, previu a falta de peso no espaço, as dimensões da cabine e a base de lançamento – Flórida, pela proximidade do Equador, onde a Terra gira mais rápido. Finalmente, propôs que, na volta, a nave pousasse na água. Mas errou feio na maneira de pôr a nave em órbita, certo? Nem tanto: cientistas querem criar um canhão semelhante ao do livro para lançar cargas rumo à Estação Espacial Internacional.

Porta automática
Imaginada em: 1899, no livro When the Sleeper Wakes, de H.G. Wells.
Realizada em: 1954.

No livro, um cara entra em coma em 1897 e acorda em 2100, encantado com as novidades tecnológicas. Entre elas, uma estreia na literatura: portas que se abrem quando alguém se aproxima e se fecham quando a pessoa se afasta. No mundo real, elas surgiram muito antes, na ventosa cidade de Corpus Christi, no Texas, onde portas viviam batendo e quebrando. Para sanar esse problema, um dupla de vidraceiros locais inventou um sistema de portas acionadas por um sistema sob tapetes. Patenteadas em 1954, chegaram ao mercado em 1960.

Robôs


Imaginados em: 1921, na peça Robôs Universais de Rossum, de Karel Capek.
Realizados em: 1961, linhas de produção da GM.

A peça checa é célebre por criar o termo “robô” (de robota, “trabalho forçado” em checo) para nomear homens-máquina. Já a “robótica” veio em 1941, com Isaac Asimov, que foi fundo no assunto, criando leis e prevendo conflitos éticos da convivência entre a inteligência natural e a artificial. Essas máquinas feitas à semelhança do ser humano, androides, ainda não existem. Mas, de maneira geral, considera-se que o Unimate, uma máquina criada em 1961 e utilizada na GM para lidar com placas quentes de metal, tenha sido o primeiro robô como os imaginamos hoje.

Bomba atômica


Imaginada em: 1895, no livro The Crack of Doom, de Robert Cromie.
Realizada em: 1945, primeira explosão em teste nos EUA.

Apenas dois anos depois da descoberta do elétron, o autor irlandês imaginou uma bomba capaz de libertar a energia que mantém unidos os átomos de uma molécula e que “levantaria 100 mil toneladas a quase 2 milhas de altura”. A ideia de uma arma superpotente é tão clichê quanto um vilão de Austin Powers, mas o método descrito por Cromie era bastante lógico e curiosamente parecido com as bombas que seriam criadas 50 anos depois, que libertam a energia contida dentro dos próprios átomos. No entanto, a busca por uma bomba atômica foi uma evolução natural diante do avanço científico da época, especialmente diante da realidade da 2ª Guerra Mundial. Se o Projeto Manhattan envolveu cientistas responsáveis pela descoberta da física quântica, Cromie falava ainda na “energia etérea” presa nos elementos da Terra.

Satélite


Imaginado em: 1945, no artigo Extra-Terrestrial Relays, de Arthur C. Clarke.
Realizado em: 1963.

Em um artigo publicado pela revista Wireless World, em outubro de 1945, Arthur C. Clarke descreveu um conceito onde 3 estações espaciais realizariam uma órbita geoestacionária (onde um objeto parece parado no céu, em relação à Terra). Assim, seria possível enviar sinais de rádio, telefone ou televisão, por exemplo, de qualquer lugar do mundo para outro. Isso só foi possível 6 anos depois do Sputnik, quando o Symcom 2 foi lançado pela Nasa para ser usado em telefonia de longa distância. Hoje, mais de 300 satélites geoestacionários orbitam a Terra – eles ficam a 36 mil km de altura, enquanto os outros geralmente estão a algumas centenas de quilômetros. O autor de 2001 – Uma Odisseia no Espaço acabou sendo reconhecido: hoje, a órbita geoestacionária é também conhecida por órbita Clarke, bem como a pequena faixa de espaço sobre o Equador onde é possível manter tal órbita é chamada de cinturão Clarke.

Urna eletrônica
Imaginada em: 1975, no livro The Shockwave Rider, de John Brunner.
Realizada em: 1996, Brasil e EUA.

Na realidade imaginada por Brunner, as informações de todos os cidadãos estão em uma rede governamental manipulada pelos poderosos. Eis que um hacker cria um programa que disponibiliza todas as informações secretas do governo para quem quiser acessá-las. O último ato do programa é criar um plebiscito nacional, com votos através dos telefones, em que a população deve decidir se o sistema será mantido – o final a gente não conta. O curioso é que a votação é criada por um hacker, enquanto na vida real eles são justamente os caras mais temidos desde que as máquinas de votação direta surgiram na década de 1990.

Home Theater


Imaginado em: 1953, no livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.
Realizado em: anos 90.

Em sua obra mais popular, Bradbury imagina os EUA dos anos 90 como uma sociedade hedonista e anti-intelectual, onde os livros estão proibidos e são queimados se descobertos por bombeiros. Nesse mundo, todo trabalhador sonha em comprar sua “televisão de parede”, uma sala com projeções 3D e um sistema de som multicanal, onde as pessoas se sentem imersas na transmissão de espetáculos musicais ou competições que testam seu conhecimento sobre cultura popular, e onde os atores de suas séries preferidas são chamados de família. Hoje, essa descrição parece apenas um pequeno exagero – inclusive, alguns diriam, no que trata da qualidade da programação e da relação das pessoas com personagens fictícios. Porém, quando Fahrenheit foi lançado, em 1953, a televisão colorida havia sido lançada nos EUA fazia apenas 3 anos e ainda era extremamente cara. Tecnologias como o laserdisc e sistemas de som multicanal, que iriam tornar possível os home theaters, só surgiram na década de 1980.

iPad
Imaginado em: 1966, série Jornada nas Estrelas.
Realizado em: 2010, pela Apple.

Os tablets podem ser vistos em vários filmes e séries de ficção científica, geralmente na mão de engenheiros ou cientistas. A antiga aparição dessa engenhoca é na série original de Jornada nas Estrelas, de 1966. No livro 2001, escrito por Arthur C. Clarke em 1968, baseado no script que escreveu para o filme de Stanley Kubrick, o protagonista utiliza algo chamado Newspad, um computador usado basicamente para exibir conteúdo como jornais, atualizados automaticamente, durante uma viagem. Protótipos de tablets existem desde a década de 1990, mas o mundo certamente vai relacionar seu surgimento com o lançamento do iPad, da Apple, em fevereiro deste ano.

Internet
Imaginada em: 1984, no livro Neuromancer, de William Gibson.
Realizada em: anos 90

O “ciberespaço” descrito em Neuromancer lembra mais o mundo do filme Matrix – as pessoas se conectam fisicamente à rede de computadores, numa imersão completa – ser pego hackeando bancos de dados do governo e de empresas pode resultar em dor ou mesmo morte. Mas a visão de uma rede mundial de computadores e bancos de dados conectados entre si, à disposição de qualquer pessoa, era absolutamente inovadora em uma época onde computadores pessoais ainda eram um luxo. Ainda que o livro de Gibson não estivesse na cabeça de Tim-Berners Lee em 1989, quando este propôs a criação do serviço de hipertextos que viria a se tornar a web, a importância da obra na maneira como ela se desenvolveu é unânime. Quando a web começou a surgir, no início da década de 1990, as interações e oportunidades possibilitadas pelo “ciberespaço” de Gibson passaram a ser não só uma incrível previsão mas um objetivo a ser alcançado, servindo como plano de desenvolvimento para a tecnologia.

Colchão D`água

Imaginado em: 1961, no livro Stranger in a Strange Land, de Robert Heinlein.
Realizado em: 1968.

Em 1968, quando o estudante de design Charles Hall tentou patentear um colchão preenchido com água – já havia tentado versões com maisena e gelatina -, enfrentou problemas. Motivo: a tal “cama d’água” já havia sido descrita em um livro de Robert Heinlein, em que um garoto nascido e criado em Marte usa uma “cama hidráulica” para se adaptar à pressão atmosférica e à gravidade terrestres. O inventor teve a patente negada por causa da ficção.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Superinteressante, por Solon Brochado

A Inteligência Artificial pode dominar o mundo

robot

Um laptop capaz de ganhar milhões no mercado financeiro, controlar arsenais bélicos e manipular a política desbanca em minutos o exterminador do futuro.

Com essa cena, o professor Stuart Armstrong, da Universidade de Oxford, abre o livro “Smarter Than Us” (Mais Inteligentes do Que Nós), em que explica como a inteligência artificial (IA) é diferente do que é difundido pela cultura pop.

Justamente por isso, ela seria muito mais ameaçadora do que imaginamos.

A IA é um risco “único” porque simula e supera o ser humano na sua principal vantagem sobre a natureza: a inteligência. Quando um computador domina uma atividade, nenhum ser humano conseguirá fazê-la melhor, diz o professor. Esses sistemas teriam capacidades de concentração, paciência, velocidade de processamento e memória muito superiores à nossa.

A combinação dessas características com habilidades econômicas ou sociais permitiria à inteligência artificial controlar o mundo, segundo ele. Um computador com habilidades sociais, por exemplo, poderia processar milhares de discursos políticos, estatísticas e referências culturais rapidamente, escolhendo qual o argumento mais convincente para fazer um eleitor votar em um candidato ou defender certa bandeira política.

(imagina um computador desses a serviço dos partidos políticos no Brasil? Nunca mais sairiam do poder, alternando seus candidatos infinitamente e… Não, espere, isso é ficção-científica, nunca aconteceria…)

Continuando, raciocínio semelhante vale para o mercado financeiro: uma sistema desses poderia cruzar informações sobre indicadores econômicos, decisões políticas e balanços de empresas de modo mais rápido e mais preciso.

Os defensores dessas tecnologias rebatem dizendo que esses problemas poderiam ser evitados por meio de uma programação ética, que fizesse a máquina sempre optar pela “escolha moral” – como salvar uma vida em vez de um carro. Algo que o autor Isaac Asimov preconizava em sua obra “Eu, Robô”. Mas, segundo Armstrong, é impossível fazê-lo tanto matematicamente quanto “filosoficamente”, porque as possibilidades de dilemas éticos são infinitas.

O físico Stephen Hawking já disse que “o desenvolvimento de uma inteligência artificial pode significar o fim da raça humana”.

15075473

Mas, os especialistas em inteligência artificial (IA) são céticos quanto aos cenários catastróficos descritos no estudo resumido no quadro acima, elaborado pela Fundação Global Challenges, em parceria com o Instituto Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Segundo eles,  ainda que exista um risco, as pesquisas ainda estão longe de produzir algo nos moldes narrados pelo estudo. Jogar xadrez, uma das habilidades mais avançadas de IA hoje, nem se compara à capacidade de cálculo e ao volume e diversidade de informações necessários para analisar o mercado financeiro.

E, mesmo que cheguemos a esse ponto, ainda poderemos controlar as máquinas porque nenhum sistema é à prova de invasões… Bem, quem afirma isso são esses professores…

De todo modo, acho importante a gente ficar ligado nisso… Afinal, quase sempre a realidade supera em muito a ficção.

Fonte: 

Folha de S. Paulo

Robô se “reproduz” fabricando sozinho “filhos” mais evoluídos

Skynet na área…

Quem assistiu algum dos filmes da série “Exterminador do Futuro” vai entender o que significa esta imagem. Mas, para quem nunca viu, explico: na série de filmes, a Skynet é uma inteligência artificial altamente avançada criada no fim do século XX. Ela opera principalmente por meio de robótica avançada e sistemas de computador. Assim que se tornou autoconsciente, ela enxergou a humanidade como uma ameaça à sua existência e decidiu acionar o holocausto nuclear conhecido como “Dia do Julgamento” e enviar um exército de Exterminadores contra a humanidade.

E quem acabou nos salvando foi o Schwarzenegger em seu papel mais famoso no cinema, como um Exterminador que se volta contra seus criadores e detona os demais robôs.

Bem, tudo isso é ficção, certo? Uma inteligência artificial se reproduzindo, máquinas criando outras máquinas… Com o risco dessas máquinas se rebelarem contra nós, humanos, e considerando que somos dispensáveis porque os robôs são autossuficientes…

Será mesmo que é ficção?

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, fizeram um “robô-mãe” que deixaria o Terminator orgulhoso. A máquina é capaz de fabricar “robôs-filhos”, avaliá-los baseado na performance de suas tarefas e, a partir daí, melhorar as próximas gerações. Ou seja, sem qualquer intervenção humana, o “robô-mãe” cria um processo evolutivo de seus descendentes.

Esse “reprodutor de máquinas” construiu e testou dez gerações de “robôs-filhos” – que, na verdade, são pequenos cubos com um motor interno – em cinco experimentos. Para desenhar e construir cada robozinho, a mãe levou cerca de dez minutos.

Mamãe e seu filhinho…

Cada robô-filho tinha a tarefa de viajar a maior distância possível em um certo período de tempo. Para se ter uma ideia de como o processo evolutivo funcionou, os últimos robozinhos terminavam a tarefa duas vezes mais rápido que seus “irmãos” da primeira geração.

É claro que existe uma diferença enorme com a evolução biológica. Principalmente pelo fato de que o robô-filho nunca poderá se tornar um robô-mãe. Mesmo assim, a pesquisa mostrou que uma máquina consegue, sozinha, melhorar a construção de outras. Detalhe: percebendo, inclusive, nuances que uma análise humana deixaria de lado.

Estaríamos caminhando para uma Skynet do mundo real?

 

Se lá… Mas espero que nunca chegue o dia de a gente ter que dizer “Hasta la vista, baby”…

Fotos do passado

Duvido que as pessoas que tiraram estas fotos fizessem ideia da importância que elas teriam, e que deixariam as pessoas tão maravilhadas no futuro. O mais interessante nelas, talvez, seja a constatação de que a vida era tão diferente – e ao mesmo tempo tão parecida – como a de hoje.

  • Dizem que este foi o primeiro “selfie” da história (em 1839), o moço é Robert Cornelius, nos Estados Unidos.

  • Em 1900, um engraçadinho tirou a foto dessa mulher prestes a dar um espirro!

  • Boliche é um esporte bem antigo, e antes não havia o sistema automático que deixa os pinos em pé. Era tudo feito na mão, e um erro podia custar um dedo amassado a esses meninos “arrumadores de pinos de boliche” em 1914.

  • Em 1922, os concursos de beleza eram comuns. Pela foto abaixo, de duas ganhadoras de um deles, a gente pode constatar que o conceito de beleza se modificou um pouco ao longo dos anos.

  • A preocupação com a falta de concentração, por conta das distrações que nos cercam, não é uma novidade dos dias de hoje. Um americano, lá atrás, em 1925,  inventou o “Isolador”. Esse capacete bizarro supostamente deixaria seu usuário surdo, limitando seu campo de visão a uma minúscula brecha e um balão de oxigênio acoplado ao capacete impediria que a pessoa morresse asfixiada.

Não sei se o inventor, Hugo Gernsback, conseguiu vender algum de seus “Isoladores”. O que eu sei é que ele, além de inventor, era também editor e autor. Desde 1908 ele vinha publicando revistas diversas até que, um ano depois do “Isolador”, lançou aquela que viria a ser a primeira revista do mundo exclusivamente dedicada à ficção científica, Amazing Stories. Foi nessa revista que se inventou o termo “cientificção” antes de se decidir pelo definitivo “ficção científica”. Na Amazing Stories, Hugo deu a primeira oportunidade a autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

  • Foto incrível, de Hitler ensaiando seus discursos na frente de um espelho, em 1925.

  • Moto de uma roda, de 1930, e que podia alcançar até 140 km/h. Até hoje tem gente criando motos iguais a essa.

Vimos isso no filme “Homens de Preto 3″…

Mas, recentemente, numa universidade de Michigan, foi apresentada uma “monobike” que funcionava pra valer:

  • “Família que passeia e trabalha unida fica mais unida”. Esse deve ter sido o mote a inspirar a criação de uma bicicleta para a família, em 1939. Ela servia para quatro pessoas e a mamãe podia aproveitar o passeio e costurar algumas roupas, já que a bicicleta vinha com uma máquina de costura acoplada:
  • Como eu disse mais acima, os concursos de beleza eram muito populares no mundo todo. Em 1950, nos Estados Unidos, eles elegeram até a “Miss Bomba Atômica”…

Em resumo, mesmo que as coisas fossem diferentes então, a gente percebe que, lá no fundo, o espírito humano nunca muda. Nossa perseverança, capacidade de invenção e curiosidade permanecem desafiando o tempo.

 

Fonte:

news.distractify.com

Michael J. Fox, “De Volta para o Futuro” e Johnny B. Goode

27898-lsquare

Em 1985, o canadense Michael J. Fox virou ídolo da noite para o dia ao viver Marty McFly, um garoto de 17 anos que viaja no tempo. “De Volta para o Futuro” era tudo aquilo que se espera assistir no cinema: comédia, romance, ficção científica, uma trilha sensacional…

No filme, Fox toca – de verdade (ele é guitarrista desde a infância)  – Johnny B Goode, sucesso de Chuck Berry, numa das cenas mais memoráveis da história do cinema moderno. Se você não assistiu, ou não se lembra, aqui vai:

Tudo corria bem, ele era requisitado para outros filmes, para estrelar séries de TV. Mas… Em 1991, Fox foi diagnosticado com mal de Parkison (que também assola o grande campeão Muhammad Ali), uma doença neurodegenerativa que leva à perda do controle sobre o corpo. Em 1998, no ponto em que não dava mais para disfarçar os espasmos, ele abandonou a série de sucesso Spin City para se cuidar e ficar mais tempo com a família. Essa série passou no Brasil pelo canal Sony como “Limpando a Barra”, e depois na TV Globo também.

Desde então, Fox tem aparecido pouco na TV, em algumas participações especiais (como na série The Good Wife) e talk-shows. Eu me lembro de sua participação num episódio da série (fantástica de boa!)  Curb Your Enthusiasm, do co-criador de Seinfeld Larry David, interpretando a si mesmo. Com senso de humor afiadíssimo, fez piadas memoráveis usando como mote o próprio mal de Parkinson.

Onde ele tem trabalhado mesmo, para valer, é na sua “The Michael J. Fox Foundation”, em que ele busca incansavelmente recursos  para financiar grupos que tentam encontrar uma cura para o Parkinson.

Não faz muito tempo, foi o mestre de cerimônias de um leilão feito em parceria com a Nike, que confeccionou réplicas do tênis usado por ele no filme “De Volta Para o Futuro II”. Foram 1 500 tênis vendidos por inacreditáveis 4,7 milhões de dólares, todos destinados às pesquisas.

Anualmente, a sua fundação realiza um evento de arrecadação de fundos, batizado de “A Funny Thing Happened On The Way To Cure Parkinson’s”. E, no último evento, Fox, usando um figurino parecido e uma guitarra igual, toca a mesma canção do filme que o fez famoso… Algo impensável para quem convive com o mal há mais de 20 anos!

A canção de Chuck Berry tem um riff simples, mas marcante. E o jeito como Fox empurra o braço da guitarra para o lado em que o corpo treme é, ao mesmo tempo, um testemunho da dignidade com que ele convive com a doença e um instantâneo da destruição causada pelas doenças neurodegenerativas.