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Como é escolhido o nome de um carro?

Como surgem os nomes dos modelos de automóveis? Sempre imaginei que devia existir uma equipe multidisciplinar, pessoal de marketing, de design, gente analisando tendências de mercado, mensagens subliminares… Sem contar a coisa do “nome global”, que sirva em todos os países…

Fui pesquisar, e de fato é isso mesmo: a escolha do nome é um dos processos mais complicados na montadora de automóveis, e pode levar até mais de um ano para que decidam entre as diversas opções. Em geral, fazem uma lista com dez ou mais nomes e passam por uma avaliação mundial, e até fonética, para ver se em algum mercado ele poderá ter significado estranho (há décadas, a Ford lançou um modelo que se chamava Pinto, e que por motivos óbvios não foi lançado no Brasil…). Depois que uma lista menor é aprovada, de 3 ou 4 nomes,  passam por uma nova triagem, inclusive em alguns casos com clínicas com clientes em potencial (o nome Agile, da Chevrolet, foi definido assim, usando-se essa ferramenta).

Ford Pinto
Ford Pinto

Existem montadoras que “reservam” nomes. A Peugeot, por exemplo, que utiliza números para “batizar” seus carros, já patenteou como marca de seus carros todas as combinações numéricas que tenham “0” (zero) no meio (de 101 a 909). Por isso, no Salão de Frankfurt de 1963, a Porsche, ao apresentar o modelo 901, foi obrigada a mudar o nome do seu esportivo para 911.

Às vezes, a adaptação de um lançamento para determinada região exige atenção para as diferenças culturais ou de idioma. A montadora italiana Alfa Romeo, por exemplo, teve de trocar a denominação de seu modelo 164 antes de exportá-lo para Cingapura – na numerologia local, o número 164 significa “morte no decorrer de uma viagem”! O nome foi mudado para Alfa Romeo 168, com significado de “prosperidade durante toda a jornada”.

A GM teve menos sorte, ao descobrir só depois do lançamento que, no México, o modelo Nova era lido como No Vá, ou seja, “não anda”…

Chevrolet Nova

Nos carros da Peugeot, cada numeral tem seu significado. No 207, por exemplo, o ‘2’ indica que o modelo faz parte do segmento de hatch compacto. Já o ‘7’ informa que o carro está em sua sétima geração. O zero no centro indica que é um produto Peugeot, uma tradição que teve início há mais de 200 anos, quando a família ainda atuava em outros ramos industriais. Com relação aos comerciais leves, a Peugeot não segue a mesma tradição. Exemplos são a van Boxer e o utilitário Partner. A picape compacta Hoggar, um projeto 100% brasileiro, herdou o nome de um carro-conceito da marca que demonstrava muita robustez. Hoggar é o nome de uma cadeia de montanhas no deserto do Saara, na África.

Hoggar

A inspiração dos nomes pode vir de todas as partes. Nos Estados Unidos, é comum a General Motors dar a seus carros nomes de lugares, como a picape Colorado ou o sedã Malibu, hoje comercializado no mercado brasileiro. A Fiat, por sua vez, gosta de trazer a cultura da Itália para seus veículos. Siena é uma homenagem à cidade desse nome. Doblò e Ducato são nomes de moedas utilizadas em outras épocas. E Palio é uma clássica corrida que acontecia em Siena (veja mais abaixo).

Malibu
Malibu
 A Citroën, por tradição, mescla letra e número. O C significa ‘Citroën’ e o número, o tamanho do carro. Atualmente as famílias da montadora francesa vão de 1 (C1, subcompacto comercializado na Europa) a 8 (C8, monovolumes familiares).  Já a nomenclatura Picasso é uma referência a veículos espaçosos e mais requintados.

Alguns exemplos de nomes e suas origens

MERCEDES

Registrada como marca comercial na Alemanha em 1902, Mercedes era o nome da filha de um vendedor de carros que foi o primeiro cliente a encomendar um automóvel equipado com o recém-desenhado motor da companhia Daimler. O motor, então, foi batizado de Daimler-Mercedes, numa homenagem ao cliente.

FUSCA

Em 1953, quando a Volkswagen do Brasil começou a montar o carro com peças importadas, os operários não conseguiam falar direito o nome em alemão. Para facilitar, adotou-se “Volks”, mas a dificuldade continuava com o som do “V” (falado como “F” em alemão). A sabedoria popular simplificou para Fusca, apelido carinhoso logo adotado pela empresa.

GOL

A Volkswagen tem uma tradição de escolher nomes associados ao esporte, para transmitir ideias de força, vigor, competitividade. A empresa já produzia o Golf na Europa. Mas, ao lançar o modelo no Brasil, a fábrica  arrancou o “f” final, usando um termo do esporte mais popular aqui no país.

FIESTA

Ao selecionar esse nome em espanhol, a Ford procurava passar o conceito de alegria, sensualidade, dinamismo e jovialidade, evocando a imagem de uma animada festa (fiesta) espanhola.

ASTRA

A estratégia da Chevrolet foi escolher um nome ligado à astronomia para associar o carro aos conceitos de alta tecnologia (corrida espacial) e estética apurada (a beleza do Universo).

CLIO

Ao optar por um nome retirado da mitologia grega (Clio era a musa da poesia e da história), a Renault procurou associar o carro à harmonia clássica, num esforço para dar tons eruditos a um veículo supostamente ideal para consumidores inteligentes, de personalidade e exigentes quanto à qualidade.

TWINGO

Neologismo criado por publicitários e especialistas em marketing contratados pela Renault para bolar nomes para seus carros. A palavra, segundo a própria empresa, “evoca a felicidade e a alegria de viver, valorizando a simpatia”… OK então…

CIVIC

Escolhido pela montadora japonesa Honda para denominar um carro politicamente correto, que não desperdiça combustível, polui pouco e tem tamanho que não contribui para engarrafamentos de trânsito. Feito para um cidadão  de senso cívico, consciente de seus direitos e deveres.

PALIO

O nome procura transmitir ideias de velocidade, vigor e competitividade. Palio é uma tradicional corrida de cavalos na Itália, realizada desde 1238 na cidade de Siena e que acontece também em outras cidades italianas, como Verona e Bolonha.

Maaasss…

Mesmo com tantos estudos, pesquisas, publicitários e marqueteiros, ainda escapam nomes bizarros, infelizes ou de significados diferentes do que a empresa pretendia… Além do caso no Nova e do Pinto citados mais acima, conheça mais alguns:

Chana – esse realmente exigia uma pesquisa mais, digamos, aprofundada no Brasil…

Pajero – nos mercados de língua espanhola, foi mudado para Montero, porque Pajero significa “pessoa que se masturba”.

Fit – iria se chamar Fitta, mas nos países nórdicos é a gíria para “vulva”.

Daihatsu Charade – “Meu carro é tão ruim que nem carro é, é uma charada…” Foi assim que ficou conhecido.

Gremlin – é tão feio quanto um…

Buick Lacrosse – estranho que a Buick tenha pensado nesse nome para um carro lançado no Canadá, onde metade da população fala francês. Se você disser “faire la crosse”, isso é uma gíria para “se masturber/se crosser” em Quebec.

Siglas (RCZ, ASX, CR-V, RAV4, etc) – é um caso que mistura falsa esperteza (tipo, “Vamos usar uma sigla que soe como um projeto secreto da Nasa”) com a megalomania de achar que alguém vai pesquisar o que essas letras realmente significam. Por exemplo, o CR-V da Honda é um “Comfortable Runabout Vehicle” (o que não explica o hífen, aliás). As outras siglas, não pesquisei…

Kia Borrego – nome muito estranho… No Brasil, mudou para Mohave…

Kia Borrego

Lamborghini Aventador – O que é um Aventador? Para quem não conhece os bois de touradas ou as excentricidades da Lamborghini para nomear seus carros, fica perdidaço. O nome  é uma homenagem a um touro que ficou conhecido na década de 1990 na Espanha como o o animal mais nervoso que já batalhou na Plaza de Toros de Zaragoza. Este carro foi o sucessor do Murcielago, que também recebeu nome de um touro, como todos os carros da Lamborghini .

Kandi Coco  O nome já diz tudo, ele é mesmo um… O compacto foi lançado em 2009 pela montadora chinesa, Kandi. No Brasil, houve importadores vendendo esse carrinho elétrico por 50 mil reais! Ele tem baixo desempenho, não ultrapassando 45 km/h. Com autonomia de 80 km, ele é próprio para condução em áreas fechadas, condomínios, circulação por bairros residenciais, etc. Com dois lugares e estilo que lembra o Smart ForTwo, o Kandi Coco pesa apenas 720 kg. As baterias podem ser recarregadas totalmente em até 7 horas.

Nos EUA, o Kandi Coco chamou atenção da imprensa ao ser vendido em Oklahoma por apenas US$ 865 (cerca de R$ 3.500,00), graças aos excelentes incentivos locais para carros elétricos. Aqui, bem, nem preciso comentar…

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FABRICANTES DE CARROS E O QUE SIGNIFICAM SUAS LOGOMARCAS (2)

Os emblemas dos fabricantes de automóveis são mais do que simples símbolos de identificação das marcas. A maioria deles traz embutidos diversos aspectos da história da marca, capazes de aguçar a curiosidade dos aficionados por carros. Os logotipos acompanham o surgimento das primeiras fábricas de automóveis, no começo do século passado e no final do anterior. Como escuderias, agremiações esportivas e outras associações, os primeiros fabricantes de automóveis não dispensavam um símbolo de identificação do modelo, seguindo uma tradição surgida na Idade Média, como os brasões das famílias.

Como complemento deste post aqui sobre os fabricantes de automóveis e a origem de suas marcas, consegui informações sobre outras marcas famosas:

Cadillac 

Marca famosa de carros de luxo da GM, seu emblema deriva do brasão da família de Sir Antoine de la Mothe Cadillac, ancestral do fundador da empresa e fundador da cidade de Detroit. Tanto os carros quanto o emblema despertam atenção em todo o mundo.

                                              DKW-Vemag

O proprietário de um Vemag podia ser identificado pelo cheiro das roupas. É que do escapamento exalava um odor típico da queima da mistura de óleo na gasolina. Os que pegavam um DKW pela proa durante um congestionamento não poupavam a genitora do seu proprietário: os rolos de fumaça do escape chegavam a causar enjôos em organismos mais sensíveis. A fábrica foi inaugurada em 1956, pelo presidente JK. A antiga Vemag – Veículos e Máquinas Agrícolas dedicava-se, desde 1945, à importação de veículos Studebaker dos Estados Unidos, bem como à fabricação de tratores. Da união com a DKW alemã surgiu, em 1957, o primeiro veículo de passeio brasileiro, a perua Vemaguet.

                                           

                                             Fiat  

As letras brancas sobre fundo azul significam Fábrica Italiana de Automotores Turim e esse logotipo foi usado a partir de 1968. O logotipo atual (no meio) é uma releitura do emblema criado em 1935 e que foi utilizado durante 36 anos, com ligeiras adaptações ao longo do tempo.
 
 

  

                                         Jeep

   

Essa   marca vem da abreviatura em inglês de “General Purpose” (G.P., que se pronuncia “dji-pi”). Era um veículo construído para andar em qualquer terreno (daí o “general purpose”) e foi encomendado pelas Forças Armadas americanas em 1940, sendo testado por 5.000 km antes de entrar em operação na guerra. Depois de aprovado, foram construídos mais de 600.000 veículos durante a guerra e, no pós-guerra, foram feitas diversas versões “civis”, hoje inclusive com modelos de alto luxo.

 

 

                                    Lamborghini

O touro que aparece no símbolo dos esportivos italianos é uma homenagem do fundador da marca, Ferruccio Lamborghini, às lutas de touro, pelas quais era fanático. Tanto que os carros da marca (Diablo e          Murciélago) têm nomes de touros famosos.

 

 

                              Mitsubishi

Um diamante de três pontas que remete à resistência e preciosidade. O símbolo veio do nome da marca: “Mitsu” significa três em japonês; “Bishi”, diamante. Domina diversos ramos da indústria, desde a indústria de eletrônicos, naval, automobilística, atuando inclusive como empresa financeira/bancária. Tendo como termo de comparação os diamantes, o logotipo da marca e o nome são a representação da durabilidade e beleza dos seus produtos. Representa ainda o domínio do ar, da terra e dos mares, meios quem que atua.

 

 

                              Peugeot

  O leão estilizado, que representa a “qualidade superior da marca” e homenageia a cidade de Lion (França), é usado desde 1919. Desde então, o logotipo sofreu sete modificações para garantir maior impacto    visual, solidez e flexibilidade de aplicação. Valorizou-se a imagem de uma empresa dinâmica, porém sem deixar de lado a tradição de um nome sempre ligado ao pioneirismo.

 

                            Porsche

O brasão presente no logotipo da Porsche representa o estado de Baden-Württenberg. É lá que fica a cidade de Stuttgart, na Alemanha, sede da empresa. No centro, há um cavalo preto empinado, símbolo desta cidade, antigamente utilizado nos uniformes de guerra do exército local. Em 1949, um ano depois de ter sido fundada, a Porsche adotou definitivamente o emblema, desde então presente no capô dianteiro de todos os modelos de linha e nos carros de competição por ela fabricados.

 

                         Rolls-Royce

  Empresa inglesa que tornou-se famosa pela fabricação dos automóveis mais luxuosos do mundo. Os “R” representados no logotipo da marca são alusivos aos sobrenomes dos fundadores: Charles Rolls e Frederick      Royce. Inicialmente estes “R” eram vermelhos, mas após a morte dos dois fundadores passaram a ser reproduzidos em preto como sinal de luto. A partir de março de 2012, a marca abre seu primeiro show-room no  Brasil, em São Paulo, e espera vender de 10 a 15 carrões por ano, o modelo mais barato custando a partir de R$ 2 milhões… Muita coisa no carro é ainda feita artesanalmente, com 30 pessoas cuidando de todos os  detalhes de um carro que leva um mês para ficar pronto e outros três a quatro para o acabamento e testes.


Volkswagen

Desde os primeiros tempos da Volkswagen, o logo com a letras V e W juntas dentro de uma “bolacha”, foi o símbolo da DAF (Deutsche Arbeitsfront), um tipo de sindicato da antiga fábrica Volkswagen GmbH.  Após a 2a Guerra  a companhia foi tomada pelo ingleses. O Major britânico Ivan Hirst decidiu que a partir de 1945 a “bolacha” com as letras V e W deveria ser o logo oficial da Volkswagen. Até hoje o criador deste logo é desconhecido. O logo da Volkswagen também foi adaptado continuamente às necessidades da marca e suas possibilidades técnicas. Essa contínua evolução continuou até 2000. A atual versão do logo da Volkswagen é usada desde então.  A cor azul  foi fortemente moldada à identidade da marca Volkswagen. Hoje é considerada por muitas pessoas como “a cor Volkswagen”. Ao lado do cinza metálico, o azul usado no logo Volkswagen é uma das cores primárias da marca. É  reconhecida como amigável, essencial e inovadora – características com os quais a marca se identifica estreitamente.