Briga sobre conta de esgoto fez cidade ser extinta…

As cidades são fundadas e continuam a existir ou desaparecem. Mount Union, no estado americano de Iowa, vai desaparecer, mas o motivo é inusitado: por causa da conta de esgoto!

Explico: Mount Union foi fundada em 1910, mas nunca realmente conseguiu se desenvolver como município. Começou com 195 habitantes e, no último censo de 2015, tinha 107, dos quais 80 eleitores…

Há cerca de 10 anos, esses eleitores concordaram em instalar um caríssimo sistema de coleta de esgotos, de US$ 1,2 milhões de dólares (caríssimo para a cidade desse tamanho, claro). Tudo para evitar a contaminação dos mananciais, porque a cidade, em seus 100 anos de vida, ainda não tinha esgoto.

Boa parte do custo do sistema foi financiado pelo Departamento de Agricultura do governo, mas restou um montante de US$ 300 mil, que deveria ser absorvido pelo município. A prefeitura decidiu ratear a dívida na conta dos moradores, que habitam as  51 residências da localidade. Só que a conta, que em média era de US$ 35,00, foi para US$ 150.00! Em reais, seria de 110,00 para 450,00 reais por mês!

Claro que vários moradores não conseguiram pagar, isso foi para a dívida do município e a cidade quebrou. A solução encontrada para resolver a pendência foi… Dissolver a cidade.

Os votantes registrados no município, cerca de 80 entre os 107 moradores (os demais são crianças ou idosos…) decidiram isso em um referendo, e logo os serviços públicos serão desativados, como correio, iluminação, coleta de lixo etc. Vão desaparecer também os endereços, e quem procurar na lista de códigos postais a cidade de Mount Union não encontrará nada, ou então verá um aviso de “Esta cidade não existe”.

Muita gente já está procurando outro lugar para morar.

Para que a cidade de fato desapareça do mapa, porém, os débitos terão que ser quitados. E a forma encontrada foi colocar à venda todas as propriedades, e com o dinheiro arrecadado, zerar a conta, além de remunerar os proprietários, claro.

Veja essa casa da foto aí embaixo. Ela fica na Oasis Avenue. Tem 200 M2, 3 quartos, dois banheiros e foi construída em madeira em 1920, dentro de um terreno de 1,2 acres. Tem lareira, cozinha completa, sala de estar e de jantar, garagem e piscina nos fundos. Não sei o que o atual proprietário faz com os restantes 4000 m2 de sua propriedade… Enfim, ele está pedindo US$ 143,000.00 por ela, ou R$ 450.000,00 ao dólar de hoje.

Você compraria uma casa linda dessas numa cidade que não existe?

 

 

 

Anúncios

Londres projeta “supertúnel” de 25 km para livrar o rio Tâmisa de esgoto

Em 1858, os membros do Parlamento inglês debatiam em salões com cortinas encharcadas de um composto à base de cal, artifício usado para amenizar o fedor do esgoto que era o rio Tâmisa.

O cheiro era tão insuportável que quase fez a sede do governo inglês mudar temporariamente de endereço e, principalmente, forçou Londres a tirar da gaveta um ambicioso projeto de construir uma rede de esgoto na então maior cidade do mundo.

Um século e meio depois da obra, Londres busca dar mais um passo para livrar de vez o Tâmisa dos dejetos da cidade que não para de crescer.

Um conjunto de túneis está sendo construído no subsolo para receber cerca de 39 milhões de toneladas anuais desses dejetos, que costumam ir para o rio em dias de chuva.

No meio da capital inglesa, o Tâmisa, assim como o rio Tietê em São Paulo, é alternativa para, além de oferecer uma melhor paisagem na metrópole, uma fonte de água no futuro.

SUPERESGOTO

Na cidade de Londres, o sistema de coleta foi desenhado no século 19, com canos que pudessem receber tanto os dejetos das casas como a água da chuva.

Construída em 1830, a London Bridge Sewer é a rede de esgoto mais antiga de Londres ainda em operação. O lençol freático do subsolo, remanescente de um antigo curso d’água que começou a desaparecer na época dos romanos, abriu caminho por entre a parede de tijolos do túnel e pequenos fluxos de água jorram em todas as direções.

Em dias secos, Londres capta e trata 100% de seu esgoto (em São Paulo, esse índice é de apenas 68%; a maior parte do excedente é despejada no Tietê).

“O problema é que hoje Londres está muito maior e, quando ocorrem chuvas, a tubulação enche muito mais rapidamente e o excesso é despejado no rio”, diz o professor da universidade federal gaúcha, Carlos Tucci.

O esgoto, que só deveria ir para o rio uma vez ao ano, hoje cai no Tâmisa cerca de 50 vezes ao ano. É aí que entra o novo sistema em construção. O objetivo é construir um grande túnel sob o leito do rio Tâmisa.

Chamado de TideWay, o túnel deverá ter 25 km de extensão e mais de sete metros de diâmetro. O valor do projeto é de 4,2 bilhões de libras (R$ 24 bilhões). O custo é o principal alvo das críticas à empreitada, que já recebeu licenciamento. O projeto deverá ser entregue em 2020.

COMO VAI FUNCIONAR
HOJE, a tubulação enche rapidamente e transborda para o rio.
DEPOIS Em vez de ir ao rio, o que transbordar vai ser despejado no novo túnel.
O sistema de esgotos de Londres conta com uma rede integrada de esgotos que transborda no rio. Há muitos pontos de descarga ao longo do Tâmisa, que são usados durante as chuvas mais fortes.

 

Já a cidade de São Paulo…

… ainda engatinha para revigorar o rio Tietê – diante da recente crise hídrica, a Sabesp decidiu congelar a maioria de seus investimentos em esgotos. Um desses cortes deve frear justamente a criação de um túnel sob o rio Tietê que deveria diminuir a quantidade de esgoto despejada no rio mais famoso de São Paulo.

Dubai descobre o lado menos fascinante do crescimento

O horizonte de Dubai é o mais conhecido de todo o Oriente Médio. Todo mundo fica fascinado pela modernidade e pela arquitetura dos novos edifícios. Mas os problemas ambientais estão se acumulando.

Dessalinizar água do mar para abastecer torneiras, propriedades irrigadas e fontes está aumentando a concentração de salinidade no mar. Ainda que esteja sobre vastas reservas de petróleo, a região está ficando sem fontes de energia para sustentar seu pomposo estilo de vida. Coisas básicas – como o tratamento de resíduos e fornecimento de água limpa – somadas aos inúmeros projetos industriais demandam tanta energia elétrica que a região está a caminho de se tornar inviável se não agirem rapidamente. Deslumbrados com a rápida urbanização de Dubai, outros países na região do Golfo tentam seguir seu modelo enquanto se preparam para o grande estouro populacional que está por vir nos próximos dez anos.

“O crescimento tem sido intenso nos últimos trinta anos, mas as pessoas esquecem do meio ambiente,” diz Jean Francois Seznec, especialista em Oriente Médio e professor da Universidade Georgetown, em Washington. “A postura era a de que os negócios sempre vinham em primeiro lugar. Mas agora eles estão percebendo o aumento dos problemas, e descobriram que precisam ser mais cautelosos.”

O maior desafio de Dubai é conseguir água, e ela só é própria para consumo com a ajuda de grandes usinas de dessalinização. São elas que produzem as emissões de dióxido de carbono que tornaram os Emirados Árabes Unidos um dos países que mais emitem carbono do mundo. As usinas geram ainda uma enorme quantidade de sedimentos que são bombeados de volta ao oceano.

Usina de dessalinização de água do mar.

Para saciar a sede, os Emirados Árabes dessalinizam o equivalente a 4 bilhões de garrafas de água por dia. Mas sua fonte é escassa: a região tem em média um suprimento de água estimado para apenas quatro dias. Essa margem de escassez é ainda mais reduzida pelo consumo exagerado de ícones da construção civil, a exemplo do Burj Khalifa, considerado o prédio mais alto do mundo, e que sozinho consome o equivalente a quantidade de água em 20 piscinas olímpicas por dia para manter-se com temperatura amena em meio ao deserto.

O rápido crescimento causou também outros tipos de problemas ambientais, como o tratamento dos detritos. No ano retrasado, a única unidade de tratamento de dejetos de Dubai foi forçada a manejar 480.000 metros cúbicos de água com detritos diariamente, quase o dobro de sua capacidade total.

Alguns dos 4.000 motoristas dos carros tanques que transportam dejetos diariamente de Dubai até a usina (vídeo acima) simplesmente desaguavam o carregamento nas linhas de esgoto do elegante bairro de Jumeirah, poluindo lugares como o Dubai Offshore Sailing Club, onde manchas negras ainda são vistas em rochas próximas à marina, denunciando o derramamento de esgoto. Enquanto isso, centenas de arranha-céus tiveram de repensar suas prioridades e soluções em relação ao consumo e obtenção de água e gasto de eletricidade. A grande maioria dos edifícios ainda usa fossas, uma vez que a rede de esgoto da cidade é praticamente inexistente.

Para enfrentar o problema da água, o que mais atormenta os governantes, a capital dos Emirados, Abu Dhabi, montou um sistema de monitoramento de água subterrânea e está conseguindo reutilizá-la para irrigar propriedades e florestas no deserto. No final do ano, o governo aprovou o início da construção do primeiro reservatório de água dos Emirados Árabes Unidos, com capacidade para estocar água para abastecimento durante um mês. O governo também passou a exigir que novas construções sejam projetadas utilizando os padrões ocidentais de redução de impacto ambiental no tocante ao consumo de água e energia.

A ameaça do esgoto diminuiu desde que Dubai inaugurou parte da nova estação de tratamento de água em 2013 (abaixo), duplicando a capacidade de tratamento. Mas até mesmo estas soluções enfrentam dificuldades. “Muitas coisas boas vêm acontecendo,” conta Mohammed Raouf, diretor ambiental do Gulf Research Center. “Mas ao mesmo tempo, com todas as leis ambientais, estratégias e planos de sustentabilidade, nem tudo tem sido aplicado.”

Os ambientalistas afirmam que ainda existem denúncias do despejo de dejetos no deserto. E enquanto o governo tenta abordar os problemas da água e dos detritos, Dubai e Abu Dhabi aguardam ansiosamente a nova leva de moradores que chegará na próxima década, implicando uma nova demanda por água tratada, saneamento e eletricidade. Grandes projetos industriais, a exemplo da fundição do alumínio e produção de aço, que exigem fontes estáveis de eletricidade, sobrecarregam a capacidade de energia dos Emirados Árabes. Muitos desses projetos são de produção para exportação e que complementam os negócios petrolíferos do país e também são utilizados na implementação de infraestrutura.

No entanto, são abastecidos com gás natural do Catar, com capacidade limitada de suprimento. Alternativas, como energia eólica e solar, já estão em projeto. No início de 2014, Dubai lançou o projeto de construir a maior usina de produção de energia solar do mundo. Será construída em fases, e quando estiver operando em sua totalidade, em 2030, vai gerar 3 gigawatt de potência/hora e estará situada a 30 km da cidade. Essa energia será suficiente para abastecer uma cidade de 5 milhões de pessoas- a população atual de Dubai é de quase 2 milhões de habitantes.

uae-57228

Maquete da usina solar de Dubai, cuja construção começou em 2014

Simultaneamente, há outras ações já em andamento, uma vez que perceberam que, se não agirem rápido, esgotarão todos os seus recursos em breve. O administrador de Dubai, xeque  Mohamed bin Rashid al-Maktoum, está liderando um projeto piloto destinado a tornar mais ecoamigável o transporte público no país. Ele pretende desenvolver biodiesel para ônibus, um projeto nacional de estradas de ferro, um plano de partilhamento de automóveis, pontes para pedestres e ciclovias.

Além de tudo isso, seu Plano Estratégico do Município prevê um aumento da área verde per capita para 23,4m2, e ele já anunciou que todos os seus parques serão iluminados por meio de energia solar. O primeiro deles a utilizar esse sistema de iluminação está localizado na zona de Al Sofouh em uma área de 1,55 hectares. E a ideia, segundo o diretor-geral do Município de Dubai, Hussain Nasser Lootah, é gradualmente abranger todos os parques da cidade.

Parque iluminado por energia solar.

Parque iluminado por energia solar.

Lootah acrescentou ainda, em entrevista ao site Gulf News, que as ideias para um município sustentável não param por ai. Uma das outras propostas é converter todos os carros oficiais de gasolina para gás.

Finalmente perceberam que se não tornarem Dubai “verde”, o futuro será negro.

 

 

Fontes:
http://veja.abril.com.br/
http://catracalivre.com.br/