Tour virtual permite visitar o túmulo da rainha egípcia Nefertari

Encontrada em 1904 no Egito, a tumba da rainha Nefertari surpreendeu os arqueólogos por conta dos ornamentos e detalhes de seu interior. Agora, “turistas” virtuais do mundo inteiro terão a oportunidade de conhecer a câmara mortuária da soberana, que morreu em 1254 a.C.

Para realizar o trabalho, a empresa Experius VR passou dois meses trabalhando no projeto: foi necessário registrar imagens detalhadas do interior da tumba para a realização do processo de escaneamento em três dimensões. 

De acordo com as autoridades egípcias, a tumba da rainha Nefertari sofreu um processo de desgaste nos últimos anos por conta da umidade e da presença de fungos e bactérias, que danificavam as pinturas do local. Com o tour virtual, será possível garantir a conservação. 

A rainha, como se vê nas pinturas.

Localizado no Vale das Rainhas, às margens do rio Nilo, o túmulo é considerado um dos mais luxuosos do Antigo Egito. Com 520 metros quadrados, o local é adornado com diferentes pinturas que retratam a rainha e as divindades egípcias.

A tumba foi saqueada por anos e acredita-se que, antes dos saques, houvesse muitos tesouros por lá. Só não havia uma coisa: a múmia de Nefertari. A única coisa que os escavadores encontraram no começo do século 20 foi um par de joelhos mumificados.

Em dezembro de 2016, uma nova pesquisa confirmou o que egiptólogos acreditam há décadas: que os joelhos pertenceram, de fato, a Nefertari. Por meio de análises químicas, de raios-X e de datações de carbono, os pesquisadores confirmaram que os ossos pertenceram a uma mulher de cerca de 40 anos, que foi mumificada com os rituais geralmente dedicados à realeza. Ou seja, a rainha. Os cientistas acreditam que ela tenha sido enterrada com joias ao redor da cabeça e dos braços, o que fez com que a sua múmia acabasse sendo destruída durante os saques.

Graças à pesquisa, descobriu-se também que a rainha, além de poderosa, era alta. Devia ter 1,65 metros – 9 centímetros a mais do que a média das mulheres do Egito Antigo.

Esposa do faraó Ramsés II, Nefertari é uma das rainhas mais famosas do período da antiga monarquia egípcia. Durante o reinado de Ramsés II, o Egito atingiu seu apogeu econômico, cultural e militar. E, a contrário de outras rainhas, ela sabia ler e escrever!

A modelo Kandice Lynn como Nefertari.

Então, prepare-se para uma viagem virtual:

Mulheres e Cerveja, uma história que vem de longe

Não pense que só os barbudos com cara de lenhador apreciam a cerveja. Mulheres e cervejas têm uma relação que vem de milênios!

Cerveja é coisa de mulher há mais de 10.000 anos!

Pois foram elas que fizeram as primeiras cervejas, segundo achados arqueológicos importantes. E um dos mais antigos registros encontrados é o chamado Hino à Ninkasi, um poema dedicado à deusa suméria… da cerveja!

Representação moderna de Ninkasi.

Era mais do que um poema, na verdade era uma receita, explicando como fermentar uma espécie de sopa que foi uma das bases da alimentação dos sumérios, usando grãos, frutos, mel e tâmaras. Segundo a crença, era Ninkasi quem preparava esse alimento tão importante, para eles, quanto o pão.

O Código de Hamurabi, conjunto de leis escritas por volta de 1772 a.C. pelos babilônios, indicava que as mulheres eram donas das tavernas e vendiam as cervejas que elas mesmas produziam.

Os babilônios também reconheciam o papel das mulheres no preparo da bebida.   Os hieróglifos dessa época descrevem as mulheres fazendo cerveja e bebendo-as através de uma espécie de canudo. Essas cervejeiras desenvolveram esses objetos para atravessar a camada de “espuma” formada na fermentação, e que flutuava no topo das tinas de barro.

O nome da bebida veio dos gregos

Ceres era a deusa da agricultura e dos grãos e, por conta disso, da cerveja. É de seu nome que surgiu a palavra cerveja, que vem do grego Ceres Visia, ou seja, “Aos olhos de Ceres”.

Para os gregos, a bebida alcoólica era um fenômeno divino, pois não se sabia como ocorria a fermentação. Por isso era usada como uma ponte entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses.

Os egípcios também também reservavam às mulheres o papel de fazer a cerveja.  Mas, com o aumento das “fábricas” no país – talvez por conta do aumento de consumo… – elas foram substituídas pelos homens e colocadas em outras funções.

As cervejeiras no mundo antigo

As mulheres germânicas fabricavam cervejas nas florestas, para escapar dos invasores romanos, assim como o faziam mulheres por toda a Europa antiga.

Não haviam mulheres cervejeiras apenas na Europa, porém. Os povos nativos da África, da América do Norte ou dos Andes da América do Sul também permitiam que as mulheres fossem as fabricantes da bebida, usando o que tivessem à mão: flores, cactos, sementes, o que quer que fermentasse e resultasse em bebida alcoólica.

Até a Revolução Industrial, as mulheres europeias alimentavam seus maridos e crianças com cervejas de baixo teor alcoólico e ricas em nutrientes, como suas ancestrais faziam quando não tinham o pão.

A cerveja e as bruxas

Algumas cervejeiras mais… digamos… empoderadas produziam mais do que suas famílias precisavam e vendiam o excedente. Acontece que, pelas leis de então, isso não era permitido e os homens passaram a tomar conta da produção e venda.

Os homens construíram cervejarias e formaram redes de comércio internacional.  E, na medida em que a Idade das Trevas abriu caminho ao Renascimento, as cervejeiras perderam sua relevância e muitas mulheres foram até processadas como bruxas!

Claro, não se pode provar que exista uma conexão entre as cervejeiras e as ilustrações que se usavam para “promover” a caça às bruxas. Mas as imagens dos caldeirões fumegantes,  vassouras (que eram penduradas fora da porta para indicar que havia cerveja), gatos (para perseguir e afastar ratos dos grãos) e chapéus pontudos (para serem vistos acima da multidão no mercado) permanecem até hoje.

Por volta de 1700, as mulheres já tinham quase que interrompido totalmente a fabricação de suas cervejas, e sua associação à bebida foi sendo gradualmente dissipada.

Foi então que se cristalizou a imagem de que “cerveja é coisa pra homem“.

Desde a metade do século XVIII, não se permitiu mais mulheres produzindo a bebida nas cervejarias e somente em meados dos anos 1960 que elas foram aceitas novamente na produção – embora continuassem a consumir a bebida ou a produzi-la em escala doméstica em diversas regiões do planeta.

Hoje em dia…

As pressões de várias camadas da sociedade estão conseguindo, lentamente, diminuir a objetificação da mulher na propaganda das cervejas. Além disso, mulheres estão ocupando muitas posições de relevância na indústria.

Nada mais natural que elas mostrem aos barbudos e às cervejarias que esse espaço é delas desde o começo…

 

Fontes: G1, Wikipedia, thebeerplanet.com.br

Leon Eliachar, o cairoca

Leon Eliachar nasceu na cidade do Cairo, no Egito, no dia 12 de outubro de 1922. Veio muito pequeno para o Brasil e se tornou um dos melhores jornalistas de humor da imprensa, após ter atingido a idade da razão — ou do disparate, como costumava dizer.  Era tão brasileiro como qualquer brasileiro, embora conste que nunca tenha se naturalizado.

Jornalista desde os 19 anos de idade, trabalhou em diversos jornais e revistas, fixando-se, enfim, na “Última Hora” do Rio, onde, seguindo o exemplo de Aporelly (o Barão de Itararé) nos tempos de “A Manhã” com “A Manha”, mantinha uma página, às vezes reduzida a meia, com o título de “Penúltima Hora”. Justificava o nome da página com a legenda “Um jornal feito na véspera”. Colaborador (arrependido, segundo ele mesmo) dos roteiros de dois filmes carnavalescos, foi autor de programas de rádio e secretário da revista “Manchete”. Conheci seu trabalho pelos livros que publicou, como “O Homem ao Zero” ou “O Homem ao Quadrado”, que não apenas eram hilários, mas também extremamente criativos, usando e abusando dos recursos gráficos da época (1965, 1967) que poucos ousaram, nem mesmo atualmente.

Queria ler tudo dele, mas era difícil de achar. Pelo menos consegui guardar os dois livros que comprei, que mantenho até hoje como um tesouro de criatividade e de humor. Bem, essas linhas acima são da biografia do autor que todo mundo costuma fazer. Mas ele mesmo, um dia, escreveu sua autobiografia em 1960:

Biografia, por alto

Nasci no Cairo, fui criado no Rio; sou, portanto, “cairoca”. Tenho cabelos castanhos, cada vez menos castanhos e menos cabelos. Um metro e 71 de altura, 64 de peso, 84 de tórax (respirando, 91), 70 de cintura e 6,5 de barriga.

Em 1492, Colombo descobriu a América; em 1922, a América me descobriu. Sou brasileiro desde que cheguei (aos 10 meses de idade), mas oficialmente, há uns dois anos; passei 35 anos tratando da naturalização. Minha carreira de criança começou quando quebrei a cabeça, aos dois anos de idade; minha carreira de adulto, quando comecei a fazer humorismo (passei a quebrar a cabeça diariamente). Tive vários empregos: ajudante de balcão, ajudante de escritório, ajudante de diretor de cinema, ajudante de diretor de revista, ajudante de diretor de jornal. Um dia resolvi ajudar a mim mesmo sem a humilhação de ingressar na Política: comecei a fazer gracinhas fora da Câmara. Nunca me dei melhor. Meu maior sonho: ter uma casa de campo com piscina, um iate, um apartamento duplex, um corpo de secretárias, um helicóptero, uma conta no banco, uma praia particular e um “short”. Por enquanto, tenho o “short”.

Sou a favor do divórcio, a favor do desquite e a favor do casamento. Sem ser a favor deste último não poderia ser dos primeiros. Sou contra o jogo, o roubo, a corrupção e o golpe; se eu fosse candidato isso não deixaria de ser um grande golpe.

O que mais adoro: escrever cartas. O que mais detesto: pô-las no Correio. Minha cor preferida é a morena, algumas vezes a loura. Meu prato predileto é o prato fundo. O que mais aprecio nos homens: suas mulheres, e nas mulheres, as próprias. Acho a pena de morte uma pena.

Não sou superticioso, mas por via das dúvidas, evito o “s” depois do “r” nessa palavra. Se não fosse o que sou, gostaria de ser humorista. Trabalho 20 horas por dia, mas, felizmente, só uma vez por semana; nos outros dias, passo o tempo recusando propostas, inclusive de casamento. Acho que a mulher ideal é a que gosta da gente como a gente gostaria que ela gostasse; isso se a gente gostasse dela. Para a mulher, o homem ideal é o que quer casar. Mas deixa de ser ideal logo depois do casamento, quando o ideal seria que não deixasse. Mas isso não impede que eu seja, algum dia, um homem ideal.

Além de escrever sua autobiografia, Leon decidiu também escrever seu próprio Necrológio. 

NECROLÓGIO

O meu quem faz sou eu, que não sou bobo. Detesto a pressa dos jornalistas que querem fechar a página do jornal de qualquer maneira e acabam enchendo o espaço com os lugares-comuns do sentimentalismo. Nada de “coitadinho era um bom rapaz” nem que “era tão moço”, porque há muito deixei de ser um bom rapaz e nem sou tão moço assim. Quero que o meu necrológio seja sincero, porque de nada me valerá a vaidade depois de eu morrer… a não ser a vaidade de estar morto. Fui mau filho, mas isso não quer dizer que meus pais fossem melhores filhos que eu se fosse eu o pai. Não fui mau marido e acredito que seja porque não tivesse chance de ser, vontade não me faltou. Nunca roubei, nunca menti: esses os meus piores defeitos. Minha grande qualidade era ter todos os outros defeitos. Fui egoísta toda vida, como todo mundo, mas nunca revelei nada a ninguém, como todo mundo. Passei a vida tentando fazer os outros rirem de si mesmos: é possível que agora riam de mim. Fui valente e fui covarde, só tive medo de mim mesmo, o que prova a minha valentia. Nunca amei ao próximo como a mim mesmo, em compensação nunca ninguém me amou como eu mesmo. Tive milhões de complexos e venci-os todos, um por um, com exceção do complexo de morrer: esse morre comigo. Nunca dei nem tomei nada de ninguém, mas faço questão de deixar tudo o que não tenho para os que têm menos do que eu. Nunca cobicei a mulher do próximo: só a do afastado. Jamais entendi perfeitamente o que era o “bem” e o “mal”, embora a maioria das pessoas me achasse um homem de bem e este era o mal. Defendi a minha vida como pude, mas nunca arrisquei a vida para defendê-la. Nunca me preocupei com dinheiro, pois sempre tive pouco. Acreditei mais nos inimigos do que nos amigos, porque os amigos nem sempre se preocupam com a gente. Jamais tive um segredo, passei todos adiante Conquistei muitas mulheres, algumas com os olhos, outras com os lábios e outras com o braço. Tive pavor dos médicos, porque eles sempre descobrem as doenças que a gente nem sabia que tinha há tanto tempo. Me orgulho de ter vivido oitenta anos em apenas quarenta: finalmente me livrei dessa maldita insônia.

Leon Eliachar também deixou muitas outras pérolas, como seu famoso…

Dicionário de bolso:

– ADIAR – é essa atitude que estamos sempre tomando daqui a pouco.

– BUZINA – é esse ruído que irrita o motorista da frente quando o de trás já está irritado.

– CABOTINO – é esse sujeito que consegue transformar qualquer assunto numa auto-biografia.

– TÉCNICO – sujeito que se especializa em não entender nada de apenas uma matéria.

– ZAROLHO – sujeito que tira uma pequena para dançar e saem as duas.

– Datilógrapha conservadora é a que não se conphorma com a ortographia moderna.

– Dalitófraga estrábica é a que passa o dia inreito trocadno as lestra e as síbalas.

– Datilgfa pregç n/ precis nem compl as plavras.

– Datilógrafa de kolunixta çossial tem de comtar mezmu é com a revizãu.

Muitas vezes, ele ilustrava seus livros com piadas que dispensavam texto, como esta que fazia parte do capítulo sobre lápides (isso mesmo!), no livro “O Homem ao Zero”, de 1966. 

Esse foi Leon Eliachar, se você conseguir encontrar seus livros, recomendo. Cura qualquer mau humor.

Os mais curiosos elevadores do mundo

As primeiras informações de deslocamentos verticais ascendentes de que se tem notícia remotam ao início da terceira dinastia (2788 a.C.) no Egito, com a construção da primeira pirâmide de pedra conhecida. Na mesma época, primitivos aparelhos já eram utilizados pelos sumérios na Mesopotâmia para a construção de templos gigantescos, os zigurates (sobre os quais falei aqui: https://otrecocerto.com/2013/09/16/nao-confunda-a-sumeria-com-a-cimeria/). Durante a IV dinastia do Egito, por volta de 2580 a.C., foram construídas as grandes pirâmides na Planície de Gizé, nas quais existem marcas de ganchos indicando a utilização de máquinas de elevação.

O arquiteto romano Vitruvius teria construído um elevador para transporte de pessoas no século I a.C., e a elevação era obtida utilizando-se um contrapeso, que subia e descia sob o controle de uma roldana movida por uma manivela do lado de fora da plataforma. Parece que esses elevadores foram utilizados nas casas romanas com vários andares, onde teriam sido operados por escravos.  Séculos depois,  o rei Luís XV mandou instalar, em 1743, no Palácio de Versalhes, um elevador que ligava os seus aposentos ao de sua amante, madame de Châteauroux, no andar de baixo.

O primeiro elevador de passageiros em uso comercial foi inaugurado em março de 1857,  numa loja  de departamentos de cinco andares em Nova York.

Os primeiros elevadores demoravam entre 2 a 3 minutos para subir 8 andares. Hoje, existem elevadores que percorrem 100 andares em 1 minuto. E os elevadores mais curiosos do mundo são:

O do Burj Al Khalifa, em Dubai (o prédio mais alto do mundo) viaja a 65 km/h, e você vai em um minuto do térreo ao 124º andar. É verdade, eu estive lá e conferi, é impressionante!

Há ainda o Aqua Dom, no meio do Radisson Hotel de Berlim. É um aquário gigante e, no meio do tanque, circula um elevador com paredes transparentes.  Dentro deles, os visitantes podem admirar toda a beleza da vida marinha durante uma viagem que dura cinco minutos.

 Há um bar-elevador! Esse Rising Tide Bar fica no maior navio do mundo, o Oasis Of the Seas. É um bar flutuante que leva 35 passageiros e a viagem pelos 16 andares do navio leva oito minutos.

Em Osaka, no Japão, foi instalado um elevador com capacidade para 85 pessoas! É que os escritórios da empresa funcionam apenas a partir do décimo quinto andar do prédio, obrigando um número razoável de empregados a subir do térreo até lá praticamente no mesmo horário. Depois da instalação da cabine, o problema foi solucionado e não há mais desculpas para atrasos.

Esse é bem curioso: um elevador para bicicletas! Foi instalado em Trondhein, Noruega, há mais de 20 anos, para ajudar os ciclistas a subir uma enorme ladeira.

Finalmente, o elevador panorâmico mais alto do mundo, que fica em Bailong, China. Tem 172 metros de altura!