O mago dos efeitos sonoros

Quando a gente conversa sobre efeitos sonoros engraçados e que são usados em animação, em games e até em filmes, a primeira lembrança que vem à mente são os efeitos sonoros dos desenhos da Hanna-Barbera.

Eles de fato foram os pioneiros a usar esses efeitos nos desenhos animados para a TV, lá no começo dos anos 1960. Criaram uma biblioteca enorme de sons, como o bongô tocado rapidamente para o som dos pés de um personagem saindo correndo. Ou o som de uma freada de carro quando alguém parava de repente. Muitos deles são usados até hoje, seja na forma original, seja reciclados com as novas tecnologias – e até inspirando os efeitos sonoros dos animes.

Mas muita gente não sabe que, há mais de 80 anos… um cara meio maluco foi contratado pelos Estúdios Disney para gravar uma música para um dos desenhos do Mickey, e acabou se tornando o chefe do Departamento de Efeitos Sonoros da empresa!

O Mago dos efeitos sonoros

 

Jimmy Macdonald criou, segundo suas próprias contas, cerca de 25.000 sons ao longo de sua carreira na Disney, que durou mais de 40 anos. Começou cantando à tirolesa, dublando os anões de “Branca de Neve”, fez a voz do Mickey substituindo Walt Disney, que não tinha mais tempo de fazer isso e também porque, de tanto fumar, já não alcançava o falsete do personagem.

Jimmy criava sons para os desenhos usando o que tivesse à mão. Por exemplo, um par de cocos para representar o galope de cavalos. Quando não havia nada que pudesse usar, ele inventava o aparelho e imitava o som de trovões, de chuva, de passarinhos cantando, tudo de forma artesanal, sem manipulação como se faz hoje – e sincronizando com a imagem e com a orquestra, que tocava o tema musical.

Atualmente, esse trabalho de sonoplastia tem inúmeros recursos tecnológicos à disposição, mas os principais designers se inspiram no velho Jimmy. Especialmente quando a Pixar, por exemplo, tem como um de seus pilares os efeitos sonoros.

“Wall-E”, de 2008, é o melhor exemplo. O filme não tem diálogos, e os personagens se comunicam por meio de chiados e outros sons exóticos. O engenheiro de som do filme, Ben Burtt – considerado o pai do design sonoro moderno e que criou os efeitos sonoros da trilogia clássica de “Star Wars”, – fala sobre isso no vídeo abaixo. E se refere à sua maior inspiração, o mago Jimmy Macdonalds.

Ele mostra como a sonoplastia era criada nos antigos desenhos da Disney, e como a genialidade e o improviso ajudaram a criar a magia desses desenhos, magia que ele continua a buscar nos dias de hoje.

 

 

De onde vêm os sons dos dinossauros de Jurassic Park?

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Li uma matéria muito interessante noutro dia, e que tratava justamente de uma pergunta que eu fiz, e certamente milhares de outras pessoas também fizeram, quando assisti Jurassic Park: como eles sabiam qual era o som que os dinossauros faziam?

O engenheiro de som Gary Rydstrom não sabia, claro, mas revelou numa entrevista ao site Vulture de onde vieram aqueles sons surpreendentes. Por exemplo, o do Tiranossauro Rex. O monstrão teve seus rugidos tirados do cachorrinho de Rydstrom. “A forma como eles animaram o T.Rex era parecida com um cachorro”, disse o designer, que afirmou que desacelerou as gravações para obter o resultado final. “Uma das coisas divertidas de meu trabalho é pegar um som e desacelerá-lo: ele se torna muito maior”.

Outro som tenebroso era o dos Velociraptor, mas sua origem é bizarra: ““É um pouco vergonhoso, mas quando os raptors se comunicam, são tartarugas fazendo sexo”, afirmou Rydstrom, que gravou a cena íntima no Marine World. “As pessoas lá perguntaram ‘você gostaria de gravar essas duas tartarugas que estão copulando?’ Parecia uma piada, porque tartarugas podem copular por um longo período.” Os sons de cavalos e gansos também foram usados nesse dinossauro.

Já o som do Dilofossauro foi uma mistura ainda mais estranha: “O cisne emite um assobio bonito, então a versão fofa do Dilofossauro era como um cisne”, disse. Mas ele também usou os ruídos de uma cascavel. “Sempre que dou aulas sobre o que eu faço, digo que uma das coisas mais importantes é que quando for gravar animais perigosos como leões, crocodilos e cascavéis, você precisa de um assistente”, brincou. “Em Jurassic Park eu tinha um assistente, Chris Boys, que continua vivo, e se eu precisava de uma cascavel eu pedia ‘Chris, você pode por favor gravar a cascavel?’ E eu ficava com a parte do cachorrinho de estimação!”

A série dos jurássicos continuou com Jurassic World.

Jurassic World  é situado na Ilha Nublar e se passa 22 anos depois dos eventos do primeiro filme; agora é um parque temático real de dinossauros, como inicialmente previsto por John Hammond – o milionário que concebeu o parque. Jurassic World recebe 10 milhões de visitantes por ano e é completamente seguro – até que algo errado acontece. Os Velociraptores e o Tiranossauro Rex, que antes eram os grande vilões, foram usados para ajudar a combater uma nova ameaça, uma nova espécie de dinossauro muito mais inteligente do que se pensava inicialmente, e a principal causa de estragos no parque.

A série continua com Jurassic World – O Reino Ameaçado, e agora é preciso resgatar os bichos que estão à solta. Estreia em junho de 2018.