Motos voadoras e robôs são as novas armas da polícia de Dubai

Combater o crime está perto de se tornar um trabalho muito mais futurista para a polícia de Dubai, nos Emirados Árabes. Os policiais em breve farão suas patrulhas montados em hoverbikes, uma espécie de cruzamento entre uma moto e um drone. O anúncio foi realizado durante um evento de tecnologia que é realizado anualmente no Dubai World Trade Center.

Quem assistiu ao filme “O Retorno do Jedi”, da saga Star Wars, vai se lembrar das motos voadoras zunindo em alta velocidade pela floresta. Pois bem, elas se tornaram realidade…

As speeder-bikes de Star Wars.

Até o nome das motos voadoras de Dubai é legal. O Hoversurf Scorpion-3 foi apresentado ao mundo por uma startup russa. Ele é movido por energia elétrica, com autonomia de voo de 25 minutos. Está em fase de testes pela polícia de Dubai para definir as melhores situações em que ela pode ser empregada, como no acesso às áreas em que veículos terrestres não chegam ou para atender emergências em vias com trânsito.

De acordo com o CEO da Hoversurf, Alexander Atamanov, a moto-drone pode chegar a até 28,5 metros de altitude. Por questão de segurança, porém, os policiais voarão a apenas cinco metros acima do solo. (só acho que eles vão ter que cobrir as hélices com alguma proteção, uma espécie de para-lamas…)

As motos devem, em breve, dividir o espaço aéreo de Dubai com outro drone para passageiros. Trata-se do Ehang 184, uma espécie de Hover-Taxi que atua como um veículo voador autônomo, e que chega até a 300 metros de altitude e velocidade de até 100 km/h, com autonomia de voo de meia hora. Também em fase de testes, ele levantou voo pela primeira vez em julho do ano passado. A expectativa é que até 2030, 25% do transporte da cidade será por meio desses táxis voadores, que serão controlados por uma central (como no metrô), já que cada veículo é operado remotamente, pois são automáticos.

As novidades tecnológicas da maior cidade dos Emirados Árabes não param por aí. Além de sobrevoar a cidade, os policiais de Dubai em breve vão contar com ajudantes robôs.

Espalhados pela cidade, os robocops da vida real são equipados com um sensor de reconhecimento facial para identificar criminosos a até 20 metros de distância, além de uma tela sensível ao toque no peito e microfone, possibilitando a qualquer um o contato rápido com a polícia ou pagar multas de trânsito, por exemplo. O projeto também visa o ano de 2030, quando devem formar até um quarto da força policial da cidade.

Parece coisa de ficção-científica, mas, em Dubai, essas coisas são possíveis. Por exemplo, eles têm os melhores e mais velozes carros de polícia do mundo…

 

 

 

 

Fontes:

Galileu

Hooversurf

Entenda a roupa usada pelos homens árabes

Os homens muçulmanos, assim como as mulheres, também têm vestimenta própria. Embora pareça uma longa peça única de tecido branco, o traje é muito mais do que isso e possui história e significados muito ricos. Quando estive em Dubai visitando minha filha, que mora lá há muitos anos, conversei com uma pessoa que me explicou as diferenças, mas acabei me esquecendo.

Agora, encontrei explicações completas que compartilho com vocês.

Gahfiya (Ghafiya ou Gafirah)

CRÉDITO: MOEFAKHRO.TUMBLR.COM

Pequena touca branca usada para prender o cabelo dos homens e manter o Ghtrah (veja abaixo) no lugar. Pode ser feito de tecido ou de uma trama parecida com o crochê.

Ghtrah (Guthra ou Gutra) 

CRÉDITO: COMMONS.WIKIMEDIA.ORG

CRÉDITO: COMMONS.WIKIMEDIA.ORG

O tradicional lenço usado na cabeça. De formato quadrado e feito em algodão, ele é dobrado como um triângulo e colocado sobre o Gahfiya com a dobra na parte da frente. Existem muitas maneiras de amarrar o lenço na cabeça e você poderá conferir algumas delas nas ilustrações.

Igal (Agal ou Ogal)

CRÉDITO: HILALPLAZA.COM

CRÉDITO: HILALPLAZA.COM

Sabe aquela “cordinha” preta de duas voltas que você sempre vê no topo da cabeça de um árabe? Então, isso é o Igal. A peça é feita de lã de camelo ou de ovelha, tramada para formar uma corda. O Igal é utilizado sobre o Ghtrah e o Gahfiya e diz-se que, antigamente, ela auxiliava os beduínos a amarrar os pés dos camelos para que eles não fugissem.

Kandoora  ( Kandura, Thobe ou Dishdasha)

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

É como se chama o “vestido” tradicional, ou túnica, usado por homens árabes. A peça, sempre com manga longa e comprimento até o tornozelo, pode ser encontrada em diversas cores e materiais. Normalmente, os tons mais claros e os tecidos mais leves são utilizados durante o verão, para refletir a luz do sol e garantir o conforto térmico. Já no inverno, as peças passam a ser mais escuras e confeccionadas em tecidos mais densos. Os modelos de Kandoora diferem ligeiramente de região para região, no Golfo. As diferenças são sutis para quem é de fora, então confira as explicações (essa parte, quando me explicaram, eu de fato não compreendi… Por isso, agora, tem desenho! Rsrs).

ACESSÓRIOS

Tarboosha

CRÉDITO: ALMADANIGROUP.COM

CRÉDITO: ALMADANIGROUP.COM

É uma “cordinha”, parte da roupa tradicional masculina. Esse adorno era originalmente usado como laço ao redor do pescoço, ou colocado nos botões das kandooras. Dizem que as mulheres o teciam exclusivamente para os seus maridos como uma forma de expressar seu amor por eles. Com o passar do tempo, elas começaram a fazê-lo para seus filhos e, assim, o acessório começou a ser usado por todos.

Bisht

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

Confeccionada em lã de camelo ou de cordeiro, a peça era usada nos velhos tempos sobre a Kandorra para mostrar sinal de riqueza. A utilidade assemelha-se à da Abaya das mulheres: proteção da roupa contra areia, sujeira, etc. Hoje, o bisht é usado em funções oficiais ou comemorações – como casamentos –  e pode ser encontrado tanto em tons claros quanto escuros.

Na – Aal

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

Tradicional sandália de couro usada pelos homens muçulmanos quando estão em suas vestimentas tradicionais.

Os turbantes

Eles e as túnicas são quase idênticos às vestes das tribos de beduínos que viviam na região no século VI. É uma roupa que suporta os dias quentes e as noites frias do deserto. O turbante já era utilizado no Oriente muito antes do surgimento do islamismo. Consiste em uma longa tira de pano – que, às vezes, chega a 45 metros de comprimento – enrolada sobre a cabeça. As inúmeras formas de amarrá-lo compõem uma linguagem: o turbante indica a posição social, a tribo a que a pessoa pertence e até o seu humor naquele momento.


Para as mulheres, a história já é outra…

Mas, para não complicar demais, vou deixar pra contar uma outra vez!

 

 

 

Fontes:

Skeikh Mohammed Centre for Cultural Understanding ,

Luis Chumpitaz 

ilustrações traduzidas do Brownbook

destinodubai.com.br

vivimetaliun.wordpress.com

Corra – se puder – que a polícia vem aí

A população de Dubai não pode reclamar que a polícia local demora para atender as ocorrências. A frota da polícia, até então composta por carros de origem alemã e japonesa, conta com alguns carrões de luxo, como os recém-adquiridos Lamborghini Aventator, com valores aproximados de 420 mil euros. O objetivo é “reforçar a imagem de luxo e prosperidade do país”, diz fonte oficial.

Pintados de branco e verde, estes carros de patrulha costumam circular em zonas mais turísticas, como os arredores do edifício mais alto do Mundo, a Burj Khalifa, em velocidade baixa para que possam ser devidamente apreciados por quem passa. Há cerca de três meses, mais um carrinho foi adicionado à frota: o carro de rua mais rápido do mundo,  Bugatti Veyron, com mais de 1.000 cv de potência, acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,7 segundos.

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O chefe da polícia de Dubai,  Dhahi Khalfan Tamim, conta com uma bela frota. Além dos alemães BMW série 5 e Toyota Prado, abaixo, que são os veículos de patrulhamento padrão…

… ele ainda tem mais alguns velozes e furiosos à disposição:

Alguns Dodge Charger, que são “pau-pra-toda-obra” e equivalem aos nossos Fiat Uno (quando estive lá, vi um desses em ação!). Como as auto-estradas são fantásticas, o excesso de velocidade local é assustador, então esses carros mais básicos é que perseguem os apressadinhos.

Outro carro “básico” da frota é o Chevrolet Camaro:

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Para patrulhar as regiões mais nobres, a polícia tem outras maravilhas, mostrando que Dubai é um lugar das 1001 noites inclusive nessa frota dos sonhos de qualquer polícia do mundo. Algumas delas:

A Mercedes SLS AMG e seu interior de couro vermelho.

This Mercedes-Benz SLS AMG runs for about $200,000, has room for two, and can go from 0 to 60 mph in under four seconds.Red leather makes for a nicer interior that what most cops get to enjoy.

A Ferrari FF, que é dirigida apenas por policiais femininas (não me pergunte o motivo…) e que custa US$ 550.000,00.

The $550,000 Ferrari FF has two doors, seating for four, and a V12 engine that can send the car up to 208 mph. It will be used only by female officers.

O Bentley Continental GT…

Mas a cereja do bolo é esse carro de US$ 1.790.000,00, o Aston-Martin One-77, do qual só foram fabricadas cerca de 70 unidades…

By far the most impressive member of the fleet is the Aston Martin One-77. Not only the best car the luxury brand has ever made, it is one of only 77 produced. Estimated price tag: $1.79 million.

A cidade de Dubai tem hoje 10 delegacias de polícia e a corporação policial tem 15.000 membros, que patrulham uma área de 4.100 quilômetros quadrados e servem a uma população de 2 milhões de pessoas, uma relação de 1 policial para cada 133 habitantes.

Como comparação, o Estado de São Paulo tem um policial para cada 507 habitantes (fonte: Exame.com, Censo 2010), ou – se considerarmos apenas a Guarda Municipal da capital – temos 1 guarda para cada 1692 habitantes (fonte: GCM de SP).

O armamento-padrão dos policiais de Dubai, tanto masculinos quanto femininos, é uma pistola semi-automática, enquanto que a SWAT tem um arsenal variado, incluindo submetralhadoras, pistolas Glock e fuzis de alta potência. A polícia ainda tem, além dos carros e jipes, motos, barcos e helicópteros.

A Polícia de Dubai é considerada a mais avançada dos estados árabes e mantém um alto padrão de educação para seu pessoal. Foi a primeira a usar a coleta eletrônica de digitais e a primeira a usar o teste de DNA para o combate ao crime. Foi também a primeira no mundo árabe a usar o GPS para localizar veículos roubados e acaba de criar um Departamento de Proteção aos Direitos Humanos. É ainda a primeira no Oriente Médio a organizar um programa de Polícia Comunitária.

 

Os mais curiosos elevadores do mundo

As primeiras informações de deslocamentos verticais ascendentes de que se tem notícia remotam ao início da terceira dinastia (2788 a.C.) no Egito, com a construção da primeira pirâmide de pedra conhecida. Na mesma época, primitivos aparelhos já eram utilizados pelos sumérios na Mesopotâmia para a construção de templos gigantescos, os zigurates (sobre os quais falei aqui: https://otrecocerto.com/2013/09/16/nao-confunda-a-sumeria-com-a-cimeria/). Durante a IV dinastia do Egito, por volta de 2580 a.C., foram construídas as grandes pirâmides na Planície de Gizé, nas quais existem marcas de ganchos indicando a utilização de máquinas de elevação.

O arquiteto romano Vitruvius teria construído um elevador para transporte de pessoas no século I a.C., e a elevação era obtida utilizando-se um contrapeso, que subia e descia sob o controle de uma roldana movida por uma manivela do lado de fora da plataforma. Parece que esses elevadores foram utilizados nas casas romanas com vários andares, onde teriam sido operados por escravos.  Séculos depois,  o rei Luís XV mandou instalar, em 1743, no Palácio de Versalhes, um elevador que ligava os seus aposentos ao de sua amante, madame de Châteauroux, no andar de baixo.

O primeiro elevador de passageiros em uso comercial foi inaugurado em março de 1857,  numa loja  de departamentos de cinco andares em Nova York.

Os primeiros elevadores demoravam entre 2 a 3 minutos para subir 8 andares. Hoje, existem elevadores que percorrem 100 andares em 1 minuto. E os elevadores mais curiosos do mundo são:

O do Burj Al Khalifa, em Dubai (o prédio mais alto do mundo) viaja a 65 km/h, e você vai em um minuto do térreo ao 124º andar. É verdade, eu estive lá e conferi, é impressionante!

Há ainda o Aqua Dom, no meio do Radisson Hotel de Berlim. É um aquário gigante e, no meio do tanque, circula um elevador com paredes transparentes.  Dentro deles, os visitantes podem admirar toda a beleza da vida marinha durante uma viagem que dura cinco minutos.

 Há um bar-elevador! Esse Rising Tide Bar fica no maior navio do mundo, o Oasis Of the Seas. É um bar flutuante que leva 35 passageiros e a viagem pelos 16 andares do navio leva oito minutos.

Em Osaka, no Japão, foi instalado um elevador com capacidade para 85 pessoas! É que os escritórios da empresa funcionam apenas a partir do décimo quinto andar do prédio, obrigando um número razoável de empregados a subir do térreo até lá praticamente no mesmo horário. Depois da instalação da cabine, o problema foi solucionado e não há mais desculpas para atrasos.

Esse é bem curioso: um elevador para bicicletas! Foi instalado em Trondhein, Noruega, há mais de 20 anos, para ajudar os ciclistas a subir uma enorme ladeira.

Finalmente, o elevador panorâmico mais alto do mundo, que fica em Bailong, China. Tem 172 metros de altura!

O Atlantis The Palm, em Dubai

Se você quer uma dica legal de férias, e tiver algum (bom) dinheiro, vá para Dubai e se hospede no Atlantis The Palm.

O hotel fica na ponta da Palm Jumeirah, um grande ilha artificial construída no formato de palmeira. É mais um daqueles projetos que só se vê em Dubai.  O “tronco” da ilha-palmeira é composto de grandes edifícios residenciais, enquanto nas “folhas” há apenas condomínios de casas. A ilha que circula a palmeira e ajuda a protegê-la das ondas abriga dezenas de hotéis e complexos de lazer e entretenimento, entre eles o Atlantis. Esta área é ligada ao tronco principal por um túnel submerso, localizado bem próximo ao resort.

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Não sei se você vai conseguir localizar, mas se olhar a foto acima com atenção, bem na frente do topo da palmeira, vai ver uma “pontezinha” branca, esse é o monotrilho que também liga Dubai ao Atlantis – aquela construção cor de tijolo que se vê marcada na foto com uma seta branca. (uma curiosidade: um apartamento de 550 m2 no tronco da palmeira, segundo andar, de frente para o mar, 4 dormitórios, 5 vagas na garagem… custa em torno de um milhão e meio de dólares…)

Bem, você chegou ao Atlantis The Palm.

O complexo inclui um hotel com mais de 1500 suítes, 20 restaurantes, um spa com academia, praias particulares, quadras esportivas, lojas,  um parque aquático, um aquário gigantesco, um centro de mergulho com peixes, uma área com golfinhos e muito mais. Há vários tipos de quartos, alguns mais modestos e outros superluxuosos.

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As diárias podem incluir o café da manhã ou não, e também a entrada livre para algumas das atrações, como o parque aquático e o aquário. Espie só como ele é:

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Mas o complexo Atlantis tem muito mais coisas. É de fato impressionante: pista de patinação, restaurantes, centro comercial, uma piscina onde se pode nadar com os golfinhos, uma boate megaanimada…

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À noite, como na Disney, tem um espetáculo de luzes e sons, fantástico.

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Em resumo, você pode ficar nas dependências do Atlantis e se divertir sem precisar ir até o centro de Dubai. E lá dentro você não precisa andar com dinheiro nem cartão de crédito, apenas o cartão do quarto. Tudo que for consumido em bares e restaurantes é colocado na conta do seu quarto e o acerto é feito na hora de ir embora.

Hospedar-se no Atlantis é ideal para quem quer curtir o resort e aproveitar tudo o que ele oferece, que é muita coisa. Mas se você quer circular por Dubai, o hotel fica meio longe do buxixo. Uma ideia, para quem quer conhecer bem o local, seria se hospedar num final de semana no Atlantis, aproveitar ao máximo o que ele tem, e depois ir para um hotel na cidade, mais perto das outras atrações.

Dos camelos às Ferraris em 50 anos

Todo mundo sabe que Dubai é a capital dos excessos do Oriente Médio. Um dos emirados árabes rico em petróleo e onde hoje reina o dinheiro e a opulência. Os arranha-céus incrivelmente altos só têm comparação com os gigantescos shopping centers e com as contas bancárias de seus moradores mais abonados, e que são contabilizadas em quaquilhões de dólares.

Esse parque de diversões dos muito ricos, porém, nem sempre foi assim. As fotos abaixo, tiradas durante a década de 1960, mostram que Dubai passou por incríveis transformações nessas quase seis décadas:

Dhows in Dubai Creek: The creek was once the centre of the city's pearl trade the formed the basis of Dubai's economy before the oil boom. The creek divides the city into two sections; Deira and Bur Dubai

A boating crew taking part in a traditional dhow race

Na foto mais acima, o canal que foi um dia cenário dos pescadores de pérolas hoje é palco de competições de regatas.

O antigo entreposto de pérolas de 1830 prosperou até 1930, quando a recessão mundial e o declínio do comércio de pérolas trouxe a depressão e os problemas sociais a Dubai. Mas tudo mudou com a descoberta de grandes reservas de petróleo, em 1966. O emirado enriqueceu e continuou dependente da exportação de petróleo até 1980, quando suas reservas indicaram uma diminuição substancial e a cidade começou  então a repensar seu futuro como sendo um destino turístico. A partir de 1999, quando o hotel Burj Al Arab (aquele que parece uma vela de navio) foi inaugurado, a reputação de “Disneylândia dos Ricos” foi definitivamente consolidada. E nas vias cobertas de areia, os camelos deram lugar às Ferraris…

An open market in downtown Dubai... a far cry from the glitzy malls that now make the city a hub for global luxury shoppers

Os antigos mercados a céu aberto agora são luxuosos centros de compra.

Duty free shopping in Dubai's airport mall

Mode of transportation: It was not that long ago that Dubai was as familiar with camels and dhows as it is now with Ferraris and indoor ski slopes

Não faz muito tempo, o meio de transporte mais comum era o camelo. Hoje, a maior revenda Ferrari do mundo fica em Dubai.

In Dubai: Worlds largest Ferrari store opening ceremony ferrari store dubai 2

Mas Dubai não para…

Essa moderna pirâmide vai cobrir quase 3 quilômetros quadrados e será autossustentável, usando energia solar, eólica e com emissão zero de carbono. Os carros não serão permitidos em seu interior e o transporte será todo por esteiras horizontais e elevadores. A pirâmide poderá abrigar cerca de um milhão de pessoas, que vão morar e trabalhar lá dentro. No espaço que sobrar, cerca de 90% do total, haverá muito verde para a agricultura e para o lazer. O projeto é construí-la no deserto, para onde Dubai já vem se expandindo.

Dubai descobre o lado menos fascinante do crescimento

O horizonte de Dubai é o mais conhecido de todo o Oriente Médio. Todo mundo fica fascinado pela modernidade e pela arquitetura dos novos edifícios. Mas os problemas ambientais estão se acumulando.

Dessalinizar água do mar para abastecer torneiras, propriedades irrigadas e fontes está aumentando a concentração de salinidade no mar. Ainda que esteja sobre vastas reservas de petróleo, a região está ficando sem fontes de energia para sustentar seu pomposo estilo de vida. Coisas básicas – como o tratamento de resíduos e fornecimento de água limpa – somadas aos inúmeros projetos industriais demandam tanta energia elétrica que a região está a caminho de se tornar inviável se não agirem rapidamente. Deslumbrados com a rápida urbanização de Dubai, outros países na região do Golfo tentam seguir seu modelo enquanto se preparam para o grande estouro populacional que está por vir nos próximos dez anos.

“O crescimento tem sido intenso nos últimos trinta anos, mas as pessoas esquecem do meio ambiente,” diz Jean Francois Seznec, especialista em Oriente Médio e professor da Universidade Georgetown, em Washington. “A postura era a de que os negócios sempre vinham em primeiro lugar. Mas agora eles estão percebendo o aumento dos problemas, e descobriram que precisam ser mais cautelosos.”

O maior desafio de Dubai é conseguir água, e ela só é própria para consumo com a ajuda de grandes usinas de dessalinização. São elas que produzem as emissões de dióxido de carbono que tornaram os Emirados Árabes Unidos um dos países que mais emitem carbono do mundo. As usinas geram ainda uma enorme quantidade de sedimentos que são bombeados de volta ao oceano.

Usina de dessalinização de água do mar.

Para saciar a sede, os Emirados Árabes dessalinizam o equivalente a 4 bilhões de garrafas de água por dia. Mas sua fonte é escassa: a região tem em média um suprimento de água estimado para apenas quatro dias. Essa margem de escassez é ainda mais reduzida pelo consumo exagerado de ícones da construção civil, a exemplo do Burj Khalifa, considerado o prédio mais alto do mundo, e que sozinho consome o equivalente a quantidade de água em 20 piscinas olímpicas por dia para manter-se com temperatura amena em meio ao deserto.

O rápido crescimento causou também outros tipos de problemas ambientais, como o tratamento dos detritos. No ano retrasado, a única unidade de tratamento de dejetos de Dubai foi forçada a manejar 480.000 metros cúbicos de água com detritos diariamente, quase o dobro de sua capacidade total.

Alguns dos 4.000 motoristas dos carros tanques que transportam dejetos diariamente de Dubai até a usina (vídeo acima) simplesmente desaguavam o carregamento nas linhas de esgoto do elegante bairro de Jumeirah, poluindo lugares como o Dubai Offshore Sailing Club, onde manchas negras ainda são vistas em rochas próximas à marina, denunciando o derramamento de esgoto. Enquanto isso, centenas de arranha-céus tiveram de repensar suas prioridades e soluções em relação ao consumo e obtenção de água e gasto de eletricidade. A grande maioria dos edifícios ainda usa fossas, uma vez que a rede de esgoto da cidade é praticamente inexistente.

Para enfrentar o problema da água, o que mais atormenta os governantes, a capital dos Emirados, Abu Dhabi, montou um sistema de monitoramento de água subterrânea e está conseguindo reutilizá-la para irrigar propriedades e florestas no deserto. No final do ano, o governo aprovou o início da construção do primeiro reservatório de água dos Emirados Árabes Unidos, com capacidade para estocar água para abastecimento durante um mês. O governo também passou a exigir que novas construções sejam projetadas utilizando os padrões ocidentais de redução de impacto ambiental no tocante ao consumo de água e energia.

A ameaça do esgoto diminuiu desde que Dubai inaugurou parte da nova estação de tratamento de água em 2013 (abaixo), duplicando a capacidade de tratamento. Mas até mesmo estas soluções enfrentam dificuldades. “Muitas coisas boas vêm acontecendo,” conta Mohammed Raouf, diretor ambiental do Gulf Research Center. “Mas ao mesmo tempo, com todas as leis ambientais, estratégias e planos de sustentabilidade, nem tudo tem sido aplicado.”

Os ambientalistas afirmam que ainda existem denúncias do despejo de dejetos no deserto. E enquanto o governo tenta abordar os problemas da água e dos detritos, Dubai e Abu Dhabi aguardam ansiosamente a nova leva de moradores que chegará na próxima década, implicando uma nova demanda por água tratada, saneamento e eletricidade. Grandes projetos industriais, a exemplo da fundição do alumínio e produção de aço, que exigem fontes estáveis de eletricidade, sobrecarregam a capacidade de energia dos Emirados Árabes. Muitos desses projetos são de produção para exportação e que complementam os negócios petrolíferos do país e também são utilizados na implementação de infraestrutura.

No entanto, são abastecidos com gás natural do Catar, com capacidade limitada de suprimento. Alternativas, como energia eólica e solar, já estão em projeto. No início de 2014, Dubai lançou o projeto de construir a maior usina de produção de energia solar do mundo. Será construída em fases, e quando estiver operando em sua totalidade, em 2030, vai gerar 3 gigawatt de potência/hora e estará situada a 30 km da cidade. Essa energia será suficiente para abastecer uma cidade de 5 milhões de pessoas- a população atual de Dubai é de quase 2 milhões de habitantes.

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Maquete da usina solar de Dubai, cuja construção começou em 2014

Simultaneamente, há outras ações já em andamento, uma vez que perceberam que, se não agirem rápido, esgotarão todos os seus recursos em breve. O administrador de Dubai, xeque  Mohamed bin Rashid al-Maktoum, está liderando um projeto piloto destinado a tornar mais ecoamigável o transporte público no país. Ele pretende desenvolver biodiesel para ônibus, um projeto nacional de estradas de ferro, um plano de partilhamento de automóveis, pontes para pedestres e ciclovias.

Além de tudo isso, seu Plano Estratégico do Município prevê um aumento da área verde per capita para 23,4m2, e ele já anunciou que todos os seus parques serão iluminados por meio de energia solar. O primeiro deles a utilizar esse sistema de iluminação está localizado na zona de Al Sofouh em uma área de 1,55 hectares. E a ideia, segundo o diretor-geral do Município de Dubai, Hussain Nasser Lootah, é gradualmente abranger todos os parques da cidade.

Parque iluminado por energia solar.

Parque iluminado por energia solar.

Lootah acrescentou ainda, em entrevista ao site Gulf News, que as ideias para um município sustentável não param por ai. Uma das outras propostas é converter todos os carros oficiais de gasolina para gás.

Finalmente perceberam que se não tornarem Dubai “verde”, o futuro será negro.

 

 

Fontes:
http://veja.abril.com.br/
http://catracalivre.com.br/