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Tecnologias do Velho Oeste

O Velho Oeste é o período histórico em que os EUA buscaram expandir suas fronteiras em direção à Costa Oeste do continente – o qual perdurou durante boa parte do século XIX e início do XX.

Apesar de o início da colonização do território norte-americano ter acontecido dois séculos antes, o interesse em alcançar a outra costa surgiu em 1803, depois de o país ter adquirido um estado pertencente à França – episódio que ficou conhecido como a “Compra da Louisiana”. O pontapé para a jornada territorial foi dado pelo então presidente Thomas Jefferson.

Contudo, na procura por riquezas e progresso, os exploradores não contavam encontrar tanta resistência da comunidade indígena que já habitava aquela parte do continente. O grande fluxo da migração dos descendentes dos europeus acabou oprimindo a cultura e a população da minoria étnica, que nesse caso eram os índios.

A linha temporal do Velho Oeste se estendeu até 1920, acompanhando o término da Revolução Mexicana. Essa combinação de corrida por poder e guerra civil acabou impulsionando o desenvolvimento e aprimoramento de diversas tecnologias. Algumas delas você verá agora.

Tiro nem tão certeiro

Detalhe do fecho de pederneira de uma espingarda do século XIX. (Fonte da imagem: Werner Hanauska/Wikimedia Commons)

A espingarda de pederneira é uma arma com cano longo que usa o fecho de pederneira como dispositivo de disparo. Esse mecanismo consiste em uma peça com o formato de um martelo (também chamada de “cão”) que, ao ser acionada pelo gatilho, atinge um componente móvel de aço (denominado “fuzil”).

Com o impacto, é gerada uma faísca que incendeia a pólvora alocada no orifício que interligava essa parte da arma com o interior da sua câmera – ocasionando a deflagração que, enfim, dispara a bala de chumbo esférica. Atirar com esse tipo de armamento não era nada fácil. Todo o processo de preparação para um disparo era feito manualmente, fato que o tornava muito lento – um combatente bem treinado conseguia atirar no máximo três vezes por minuto.

O mínimo erro nesse procedimento, ou a presença de pólvora de má qualidade, era o suficiente para impedir o disparo. Além disso, por usar balas esféricas, os tiros estavam sujeitos a deformações e desvios com muita facilidade. Com isso, era quase impossível acertar um inimigo que estivesse a mais de 100 metros de distância.

Apesar de no período do Velho Oeste já existirem modelos de espingardas mais avançadas, as armas com fecho de pederneiras eram mais acessíveis, por isso se popularizaram nos confrontos entre índios e exploradores.

Não mexa na dina…

A. Serragem (ou qualquer outro tipo de material absorvente) misturada à nitroglicerina; B. Revestimento de proteção em torno do material explosivo; C. Cápsula detonadora; D. Fio ligado à cápsula detonadora. (Fonte da imagem: Pbroks13/Wikimedia Commons)

A dinamite foi inventada por Alfred Nobel em 1867 e foi uma tecnologia amplamente utilizada durante a expansão territorial norte-americana. Esse artefato consiste basicamente na combinação de nitroglicerina (composto químico altamente explosivo) a materiais absorventes – como argila ou serragem.

As chamadas “bananas” de dinamite possuem aproximadamente 20 centímetros de comprimento por 3,2 centímetros de diâmetro e pesam cerca de 230 gramas. Esse material foi muito utilizado no Velho Oeste para escavação de minas de carvão.

Contudo, devido à instabilidade da nitroglicerina, que pode detonar com qualquer movimento mais brusco, houve muitos acidentes durante a exploração de minério. Nesse período, diversos edifícios que estocavam dezenas de caixas de dinamite acabaram indo para os ares, literalmente. Obviamente, o explosivo também foi utilizado para guerrear – ele era a forma mais eficiente de acabar com acampamentos e meios de transporte inimigos.

Piuííí

Foto: autor desconhecido

O carvão extraído das minas abertas com a dinamite servia, entre outras atividades, para alimentar os motores a vapor que impulsionaram trens e barcos no oeste dos EUA a partir do século XIX. Esse tipo de maquinário usa a pressão do vapor, devidamente direcionada, para movimentar pistões conectados a peças articuladas e interligadas a rodas ou “moinhos” – promovendo o movimento dos veículos.

Embora a turbina a vapor tenha sido criada no século anterior, ela começou a ser utilizada em locomotivas sobre trilhos a partir de 1804 e em barcos três anos mais tarde. No avanço dos EUA rumo à Costa Oeste, os trens movidos a vapor geralmente serviam para o transporte de cargas, como alimentos, carvão e madeira. Por sua vez, os navios eram utilizados em sua maioria para a locomoção de pessoas.

Você pode até achar que essas tecnologias seculares estão obsoletas, mas elas ainda circulam por aí. Aqui no Brasil, existem locomotivas (apelidadas carinhosamente de marias-fumaça) rodando por cidades do interior e barcos (popularmente conhecidos como “gaiolas”) navegando pelos rios São Francisco e Amazonas.

Poder de destruição

(Fonte da imagem: Producer/Wikimedia Commons)

Para ocasiões em que o poder de fogo precisava de mais potência, os exploradores apelavam para os canhões – os quais, de maneira grosseira, naquela época, podiam ser considerados revólveres gigantes. Isso porque o funcionamento de ambas as armas é bem parecido.

Um canhão também possui uma peça metálica (martelo) que ao se chocar com a munição envolta por pólvora incita uma explosão (deflagração), a qual lança o projétil (bolas de ferro ou chumbo que chegavam a ter 15 cm de diâmetro e pesar 34 kg) a uma distância de até 3 km.

Há grandes controvérsias sobre que povo teria inventado o canhão. Entre as hipóteses existentes, as mais aceitas seriam que os chineses ou os mouros teriam sido os responsáveis pelo desenvolvimento desse armamento. O dado mais concreto é que a arma foi elaborada no século XIII, depois do descobrimento da pólvora.

Na corrida do Velho Oeste, os canhões foram usados em inúmeras batalhas – decidindo muitas delas. Como essas armas acompanhavam os movimentos de peregrinação, a maioria delas era montada sobre carretas de madeira para facilitar a sua locomoção – uma prática muito comum também durante a Primeira Guerra Mundial.

Sentido noroeste

Bússola do século XVIII feita de madeira, bronze, aço e vidro. (Fonte da imagem: Luis García/Wikimedia Commons)

O sol sempre foi um recurso de orientação bastante utilizado. Contudo, no século XIX não existia um mecanismo de direcionamento mais seguro do que a bússola. De maneira bem simplória, podemos definir esse dispositivo como uma agulha magnética, fixada de forma que a permita ter mobilidade, e que é atraída pelo polo magnético terrestre.

De acordo com relatos históricos, a descoberta da orientação natural dos ímãs é atribuída aos chineses. Assim, por consequência, a invenção da bússola também foi incluída no portfólio dos orientais.

Durante as longas caminhadas dos exploradores que promoveram a expansão territorial dos EUA, esse instrumento de navegação foi muito importante para que eles não perdessem o rumo da Costa Oeste.

Ponto, traço, traço e ponto

Telégrafo usado no Velho Oeste

Samuel Morse ainda era estudante quando, em 1832, teve contato com conhecedores do eletroímã. Esse fato foi crucial para que o inventor tivesse a ideia de construir um equipamento para comunicações à longa distância por meio de códigos. Três anos mais tarde, ele tinha um primeiro protótipo do telégrafo.

O Código Morse, o mais difundido para esse tipo de equipamento, usa pontos e traços para construir mensagens que possam ser transmitidas de maneira rápida e segura – evitando que as informações sejam entendidas por pessoas indesejadas. Até a popularização do telefone, no início do século XX, o telégrafo foi o principal mecanismo de comunicação – incluindo o período do Velho Oeste.

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Um documentário produzido pelo History Channel mostra mais algumas invenções desse período. Algumas nem saíram do papel, outras são ridículas. Ainda assim, é interessante saber como as pessoas tentaram solucionar diversos problemas. Divirta-se.

 

 

 

 

 

Fontes:

tecmundo.com.br, Fernando Daquino

Wikipedia

Youtube

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Descobertas científicas que foram feitas por acidente!

Em um post anterior (aqui) eu falava dos fatos supostamente científicos e que se provaram estar errados. Ainda nesse tema de ciência, descobri que algumas descobertas importantes para a humanidade foram feitas completamente por acidente… Sem querer mesmo! E os motivos dessas descobertas acidentais foram vários, desde a inépcia até a pura sorte, passando por laboratórios imundos ou inseguros. Acredite se quiser!

Microondas

Em 1946, o engenheiro da Raytheon chamado Percy Spencer estava trabalhando em um projeto relacionado aos radares. Enquanto testava um tubo de vácuo que acionava um conjunto de radares chamado magnetron, descobriu que uma barra de chocolate que tinha em seu bolso derreteu. Ele ficou intrigado e apontou esse tubo para outras coisas, como ovos e pipoca em grãos. E concluiu que o calor que eles recebiam vinham da energia das microondas.

O primeiro forno de microondas pesava quase 400 kg e tinha mais de um metro e meio de altura, e foi construído em 1947. Mas o primeiro deles para fins domésticos foi lançado em 1965, nos Estados Unidos, e custava US$ 500 (cerca de R$ 1.200,00).

Penicilina

Agora estamos em 1928, no laboratório do prof. de bacteriologia Alexander Fleming. Ele tinha acabado de voltar das férias e, enquanto organizava suas placas de petri com colônias  da bactéria Estafilococos, notou que havia mofo crescendo nelas.

Ao procurar entre suas colônias por quais delas ele poderia salvar para continuar suas pesquisas,  percebeu que as bactérias não conseguiam crescer onde havia mofo. Esse mofo, na verdade, era uma rara forma de Penicillium notatum, que secreta uma substância que inibe o crescimento bacteriano. Assim, anos depois, a penicilina foi finalmente introduzida, na década de 1940, abrindo a era dos antibióticos.

Viagra

Viagra foi o primeiro tratamento para a disfunção erétil, mas não foi para isso que ele foi originalmente aprovado. Na verdade, o princípio ativo do Viagra era para ser um medicamento para o coração. Durante os testes clínicos, a droga se mostrou ineficaz para o coração, mas surpreendentemente os homens que estavam sendo monitorados tiveram ereções mais fortes e mais duradouras. E alguns homens até então impotentes tomaram o medicamento e voltaram à carga.

Assim começou a era do Viagra.

Dinamite

Alfred Nobel (esse mesmo, da fundação que distribui o Prêmio Nobel) descobriu acidentalmente a dinamite em 1833. A nitroglicerina estava se tornando um explosivo amplamente produzido na época, embora fosse muito instável e costumasse explodir pessoas e edifícios que a manipulavam. Ao trabalhar com a nitroglicerina, uma tarde, um frasco escorregou da mão de Nobel. Felizmente, não houve explosão. A nitroglicerina derramou em cima da serragem que estava espalhada pelo chão e foi absorvida.

Mais tarde, Nobel conseguiu explodir aquela serragem e concluiu que misturar a nitroglicerina com uma substância inerte poderia deixá-la mais estável. Ele então encheu alguns tubos misturando o explosivo com serragem, argila, polpa de celulose e outros, e patenteou a “Dinamite” em 1867, como  pó de segurança para explodir.

 Post-it

Em 1970, um químico de nome Spencer Silver estava pesquisando nos laboratórios da 3M para criar uma cola superforte. Em vez disso, suas experiências produziram um aderente que não era muito forte. Quando separava duas folhas de papel com aquele produto, ele descobriu que a cola aderia numa folha e depois na outra. Achou que seria uma descoberta inútil e deixou de lado.

Quatro anos depois, um colega teve uma bela ideia. Ele estava cantando num coral da igreja e usava marcadores de livros para anotar as páginas no livro dos cânticos, só que eles caíam toda hora. Então, decidiu colar um pingo da cola de Spencer e o marcador ficou no lugar! E, o mais importante, quando ele o retirou, não rasgou as páginas do livro. Aí nasceu o Post-It.

Supercola

Falando em cola, outra descoberta acidental foi a da supercola. Em 1942 o cientista Harry Coover descobriu que a substância que ele havia criado, o cianocrilato, era um fiasco. Tinha sido feita para criar uma lente de precisão para armas (estava acontecendo a Segunda Guerra), mas não podia ser usada porque colava tudo com que entrava em contato: papel, madeira, roupas, pele… Alguém teve a ideia de usar esse produto para estancar ferimentos do soldados, mas descobriram depois que essa cola gerava necrose na pele.

Seis anos depois, o mesmo cientista supervisionava uma cobertura para cabine de aviões e ficou preso na mesma meleca de anos anteriores. Só que ele observou que tudo era colado sem necessidade de calor. Foi então que ele e sua equipe começaram a colar vários objetos no laboratório, e perceberam que eles finalmente haviam encontrado um uso para aquela gosma. Finalmente, 16 anos depois de sua descoberta, sua supercola começou a ser vendida nos Estados Unidos.

Fonógrafo

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Na foto em preto e branco, de 1878, vemos Edison demonstrando sua “máquina falante”, e na foto colorida, o gramofone, descendente direto da invenção original.

Num belo dia, outono de 1877, Thomas Edison mostrou ao chefe de suas oficinas, John Krusei, o esboço de uma curiosa engenhoca. Krusei não achava difícil construir a máquina que a planta mostrava ser bastante simples: um tubo metálico com uma espécie de funil, um diafragma de pergaminho e um cilindro de aço. O que Krusei achava estranho era que a máquina pudesse servir para alguma coisa.

Quando Edison afirmou que o aparelho seria capaz de repetir o que lhe dissessem, o ceticismo aumentou. Krusei chegou a apostar com Edison uma caixa de charutos, que perderia se a máquina chegasse a funcionar. Quando a máquina ficou pronta, Edison envolveu o cilindro de aço numa folha de estanho. Depois, enquanto o cilindro girava, cantou uma velha canção popular dentro do funil: “Maria tinha um carneirinho. . .” Enquanto cantava, sua voz fazia vibrar a membrana de pergaminho, que por sua vez comandava uma agulha que ia fazendo sulcos na superfície macia do estanho.

Chegou então o momento culminante. O aparelho foi colocado para funcionar, o sulco do estanho fazia vibrar a agulha e esta, por sua vez, acionava a membrana de pergaminho. Para espanto e incredulidade dos auxiliares que cercavam a máquina, a voz de Edison soou: “Maria tinha um carneirinho. . . ” E Krusei perdeu a aposta.

Na verdade, Edison estava em busca de  algo que pudesse gravar sinais de telégrafo. E, sem querer, ele acabou gravando sua própria voz. Foi a primeira vez que a voz humana foi gravada e, nesta hora, surgiu a tecnologia que levou ao fonógrafo.