As pedras rolantes do Vale da Morte… E não são os Rolling Stones!

Em meio ao misterioso silêncio e calor abrasador do Vale da Morte, na Califórnia, pedras rolantes movem-se sozinhas.

As rochas deslizantes de Racetrack Playa são um dos fenômenos mais intrigantes que ocorrem no Vale da Morte, especialmente no lago seco chamado Racetrack Playa (algo como Planície ou praia dos Rastros). O fenômeno consiste de pedras de dimensões variáveis, algumas bastante grandes, com centenas de quilos, que são encontradas com um rastro atrás de si marcado no solo, sem qualquer sinal associado à intervenção humana ou animal. A causa deste movimento ainda é controversa, embora várias teorias tentem explicá-lo. Ninguém jamais conseguiu filmá-las ou vê-las em movimento.

Registros informais populares e estudos científicos sobre este fenômeno se multiplicaram, mas não se sabe quem primeiro o observou. O primeiro registro escrito conhecido é de McAllister and Agnew,  sugerindo que a causa do movimento das rochas eram os ventos.

DEATH VALLEY NATIONAL PARK, INYO COUNTY, CALIFORNIA, U.S.A. RACETRAK PLAYA VIEW LOOKING NORTH TOWARDS THE GRANDSTAND FROM APPROXIMATE POSITION N 36º 40.0', W 117º 33.5'

DEATH VALLEY NATIONAL PARK, INYO COUNTY, CALIFORNIA.

Muitas das pedras pesam mais de 400 quilos e movem-se através de direções as mais diferentes.

Sempre existe uma teoria nova procurando explicar a causa. Há os que concordam com a ideia original, dizendo que é a força dos ventos! Outros afirmam que são forças magnéticas.

Muitos cientistas foram até o deserto em busca de explicações. Através de suas experiências, concluíram que seriam necessários ventos de mais de 370 quilômetros por hora para mover uma pedra de 400 quilos e ventos como esses nunca foram vistos no planeta!

Mistério…

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Dos camelos às Ferraris em 50 anos

Todo mundo sabe que Dubai é a capital dos excessos do Oriente Médio. Um dos emirados árabes rico em petróleo e onde hoje reina o dinheiro e a opulência. Os arranha-céus incrivelmente altos só têm comparação com os gigantescos shopping centers e com as contas bancárias de seus moradores mais abonados, e que são contabilizadas em quaquilhões de dólares.

Esse parque de diversões dos muito ricos, porém, nem sempre foi assim. As fotos abaixo, tiradas durante a década de 1960, mostram que Dubai passou por incríveis transformações nessas quase seis décadas:

Dhows in Dubai Creek: The creek was once the centre of the city's pearl trade the formed the basis of Dubai's economy before the oil boom. The creek divides the city into two sections; Deira and Bur Dubai

A boating crew taking part in a traditional dhow race

Na foto mais acima, o canal que foi um dia cenário dos pescadores de pérolas hoje é palco de competições de regatas.

O antigo entreposto de pérolas de 1830 prosperou até 1930, quando a recessão mundial e o declínio do comércio de pérolas trouxe a depressão e os problemas sociais a Dubai. Mas tudo mudou com a descoberta de grandes reservas de petróleo, em 1966. O emirado enriqueceu e continuou dependente da exportação de petróleo até 1980, quando suas reservas indicaram uma diminuição substancial e a cidade começou  então a repensar seu futuro como sendo um destino turístico. A partir de 1999, quando o hotel Burj Al Arab (aquele que parece uma vela de navio) foi inaugurado, a reputação de “Disneylândia dos Ricos” foi definitivamente consolidada. E nas vias cobertas de areia, os camelos deram lugar às Ferraris…

An open market in downtown Dubai... a far cry from the glitzy malls that now make the city a hub for global luxury shoppers

Os antigos mercados a céu aberto agora são luxuosos centros de compra.

Duty free shopping in Dubai's airport mall

Mode of transportation: It was not that long ago that Dubai was as familiar with camels and dhows as it is now with Ferraris and indoor ski slopes

Não faz muito tempo, o meio de transporte mais comum era o camelo. Hoje, a maior revenda Ferrari do mundo fica em Dubai.

In Dubai: Worlds largest Ferrari store opening ceremony ferrari store dubai 2

Mas Dubai não para…

Essa moderna pirâmide vai cobrir quase 3 quilômetros quadrados e será autossustentável, usando energia solar, eólica e com emissão zero de carbono. Os carros não serão permitidos em seu interior e o transporte será todo por esteiras horizontais e elevadores. A pirâmide poderá abrigar cerca de um milhão de pessoas, que vão morar e trabalhar lá dentro. No espaço que sobrar, cerca de 90% do total, haverá muito verde para a agricultura e para o lazer. O projeto é construí-la no deserto, para onde Dubai já vem se expandindo.

Os lugares mais quentes do mundo

São Paulo viveu, há dois anos, um dos períodos mais quentes e mais secos de sua história. Efeitos do aquecimento global? Sim, que tende a aumentar a frequência do El Niño, além do desmatamento, da ocupação descontrolada das áreas de mananciais, da poluição da bacia hídrica, da falta de planejamento dos governos, etc etc.

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O aquecimento global é uma das causas inegáveis. As temperaturas globais estão aumentando, com as concentrações de gases de efeito estufa atingindo picos históricos e o gelo do Ártico derretendo aceleradamente. Segundo dados recentes divulgados pelo Centro de Dados da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), em 2013 a Austrália viveu seu ano mais quente da História, enquanto a Argentina teve seu segundo ano mais quente e a Nova Zelândia, o terceiro. As temperaturas da superfície do mar também subiram, e o  Ártico teve seu sétimo ano mais quente desde que começaram os registros, no início dos anos 1900.

A cobertura de gelo no Ártico foi a sexta menor desde que as observações de satélite começaram, em 1979. O metano, o dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa produzidos na queima de combustíveis fósseis continuaram a crescer, alcançando altas históricas.

Estamos matando o planeta, e o calor excessivo  – aliado à seca – é apenas o sinal mais palpável. Existem lugares no planeta onde as temperaturas passam facilmente dos 50° C, com a sensação térmica chegando a picos de 60°C ou mais – locais que já eram quentes antes e que agora vêm a temperatura aumentando.

Conheça abaixo quatro deles (as temperaturas ao lado dos nomes indica a média anual histórica…)

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VALE DA MORTE, EUA – 54,7°C. O Vale da Morte é o local mais seco nos Estados Unidos. E também o mais quente. Em 10 de julho de 1913, a estação meteorológica de Furnace Creek registrou uma temperatura de 56,7°C, a mais alta já medida oficialmente no mundo, segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), que reconheceu o recorde em setembro de 2014. Furnace Creek era o centro das operações de mineração da Pacific Coast Borax Company, que transportava o minério com mulas pelo deserto do Mojave.

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EL AZIZIA, LÍBIA – 56,1°C. A cidade cercada por dunas de areia teria registrado a temperatura recorde de 58°C em 13 de setembro de 1922, mas as medições não foram aceitas pois alegou-se que o termômetro estava defeituoso. O vento quente colabora para a sensação térmica ainda mais alta. Apesar disso, a população local mantém pequenos rebanhos e consegue criar colheitas adaptadas a pequenas quantidades de água.

TIMBUKTU, MALI – 54,5°C. Mais conhecida como a “cidade no meio do nada”, Timbuktu está situada na área mais ao sul do deserto do Saara. A cidade é cercada por dunas de areia, que se espalham também pelas ruas. Nos meses de inverno, as temperaturas ficam na casa dos 33°C. A população, que hoje está acima de 40 mil habitantes, enfrenta as ondas de calor com roupas cujos tecidos ajudam a manter a temperatura normal do corpo.

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WADI HALFA, SUDÃO – 52,8°C. Wadi significa “vale” em árabe, e esse vale seco está localizado na fronteira entre o Sudão e o Egito. Em abril de 1967, a cidade de 15 mil habitantes registrou temperatura de 55°C. Enquanto o clima no norte do Sudão é geralmente seco, em algumas épocas um ar úmido vindo do sul atinge a fronteira e causa violentas tempestades de areia, conhecidas como “haboob”. O choque entre a umidade que vem do mar e o ar quente produz uma parede amarela de areia e poeira que reduz a visibilidade a zero.

E a gente aqui reclamando do calor…

18 de janeiro de 2015, às 13 hrs.

18 de janeiro de 2015, às 13 hrs.

Cientistas revelam o mistério das pedras rolantes!

Faz alguns meses, publiquei um post que começava assim: “Em meio ao misterioso silêncio e calor abrasador do Vale da Morte, na Califórnia, pedras rolantes movem-se sozinhas” (o post está aqui). O post tratava de um  fenômeno estranho: pedras de várias dimensões, algumas com centenas de quilos, são encontradas com um rastro atrás de si no solo e sem qualquer sinal associado à intervenção humana ou animal.

Esse mistério, que preocupou os cientistas e que vem sendo estudado desde os anos 1940, gerou inúmeras teorias, especialmente porque ninguém nunca havia visto as pedras se moverem. Algumas das teorias eram bastante exóticas, atribuindo seu movimento a campos de energia poderosos, ao magnetismo da Terra e até mesmo a extraterrestres. Finalmente,  o pesquisador Richard Norris, da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos, e seu primo James Norris puderam presenciar e captar em imagens o fenômeno.

Eles explicam que tudo começa quando a chuva produz uma capa de água sobre o terreno seco, criando um lago superficial. Durante a noite, essa água se congela, formando uma capa de gelo de cerca de três a seis milímetros na qual ficam presas as bases das rochas.

Quando o sol sai, o gelo começa a quebrar, criando placas de vários metros de largura que se deslocam com o vento. Assim, as pedras se movem sobre o barro, impulsionadas pelas placas de gelo, a uma velocidade de dois a cinco metros por minuto, formando os famosos sulcos na terra. As trajetórias dependem da velocidade e da direção do vento e da água que se encontra abaixo do gelo.

Segundo Richard, o fenômeno não é frequente porque quase não chove no Vale da Morte, e as temperaturas médias são elevadas. Para que possa ocorrer, é preciso que tenha chovido e que a temperatura baixe a cerca de zero grau antes que a água evapore. Por fim, o vento precisa ter força suficiente para mover as placas e, junto com elas, as rochas.

E por que havia sido difícil captar o movimento das rochas?  “Elas estão em uma área remota, de difícil acesso e protegida, onde não se pode acampar e há muitas restrições do que as equipes podem levar para lá. Além disso, a maioria dos deslocamentos ocorre quando está frio, chovendo e ventando, o que dificulta captá-los.”

Mais um mistério que foi revelado pela ciência.  Agora, o mundo pede que se explique mais um dos…

O que leva alguém a fazer isso?

 

 

Cidade chinesa cria lago artificial… Mas acaba ficando com um deserto tipo Saara…

A cidade de Zhengzhou fica na província de Henan (em amarelo), na República Popular da China (em cinza).

A província de Henan é a mais populosa da China, com cerca de 100 milhões de habitantes, e relativamente pobre dentro da República chinesa. Sua capital, Zhengzhou, tem pouco mais de 8 milhões de habitantes e nas suas proximidades fica o famoso templo budista de Shaolin, cujo portão principal vemos abaixo.

Como acontece em todas as grandes metrópoles, Zhengzhou sofre com problemas de escassez de água e de locais de lazer para seus habitantes. Então, as autoridades até que tiveram uma ideia interessante, criar um lago artificial nos limites da cidade, drenando a água do Dragon Lake – alimentado pelo Rio Amarelo que cruza o território – e removendo toneladas de areia que ficavam ao seu redor para criar uma praia artificial.

Só que a Natureza infelizmente não colaborou com o plano. Por algum motivo (talvez porque outras cidades às margens do Rio Amarelo tiveram a mesma ideia e desviaram seu curso, diminuindo o fluxo…), a água do lago secou e toda aquela areia que foi escavada começou a ser espalhada pelo vento.

Sun-Yat Foo, crítico desse plano desde o início, disse que “Isso foi o triunfo de quem planeja sem todas as informações, às pressas. Tudo o que podia dar errado, deu…” E o que seria uma paisagem verde nos arredores da cidade se transformou num desastre ecológico.

O que restou do Dragon Lake está agora cercado por dunas de areia que, em alguns locais, pode chegar a 10 metros de altura, sufocando a vegetação na área. Essa mesma areia é levada ao centro da cidade e outros bairros nos dias quentes e com vento mais forte, cobrindo as ruas e obrigando as pessoas a usar máscaras.

Os moradores das áreas próximas reclamam da areia que continua se espalhando incessantemente, e segundo Sun-Yat, o governo ainda não tomou nenhuma medida para resolver esse problema.

A areia hoje se espalha por uma área equivalente a quatro campos de futebol, e continua crescendo – atraindo inclusive répteis, cujas pegadas já foram vistas por alguns moradores. Outro problema, segundo comerciantes locais, é que ninguém quer fazer negócios na cidade com um deserto às suas portas.

O governo local, enquanto não sabe como se livrar de toda essa areia às portas da cidade, resolveu cobrir as dunas com uma tela de plástico verde para tentar conseguir a aparência de um oásis verde que tanto queriam…

Mesmo que não consigam, a esperança é que, pelo menos, essa tela deve evitar que a areia continue a se espalhar pela cidade, impedindo os moradores até de abrir os olhos em dias de ventania.