Conheça as cidades mais quentes do mundo

Em algumas regiões do mundo as temperaturas podem chegar a 60°C

O inverno no Brasil está começando… e a temperatura, no primeiro dia, chegou a 30 graus em algumas regiões! Se você acha isso muito quente, saiba que há lugares muito mais quentes ao redor do mundo, com temperaturas que ultrapassam os 50°C!

Essa superelevação da temperatura é fruto de condições climáticas adversas, incluindo o famoso aquecimento global que, além de provocar um aumento na temperatura da atmosfera, também tem impacto em outros aspectos ambientais, como: enchentes, secas e elevação do nível do mar.

Por conta desse calorão, há cidades no mundo que, em certos períodos do ano, nem podem ser habitadas…

1 – Al ‘Aziziyah (Líbia)

Crédito: Reprodução/YouTube A cidade líbia de Al ‘Aziziyah já registrou impressionantes 57,8 °C

Existe uma controvérsia sobre qual é a cidade mais quente do mundo. Em 1992, a cidade de Al ‘Aziziyah, na Líbia, registrou impressionantes 57,8 °C, fazendo com que a região ganhasse o título de lugar mais quente do mundo. Apesar disso, a Organização Mundial de Meteorologia reconheceu, em 2017, que o Vale da Morte, na Califórnia, é o lugar mais quente do planeta. O deserto californiano também já registrou 57,8°C.

2 – Dallol (Etiópia)

Crédito: Anya Newrcha/iStock    Cercada pelo deserto de Danakil, Dallol tem uma temperatura média de 40 °C durante o ano

A cidade de Dallol, na Etiópia, já registrou, nada mais nada menos, pouco mais de 60°C. A proximidade com o vulcão Dallol é determinante para tanto calor. Com essa temperatura, é fácil de entender porque a cidade é fantasma; de fato, hoje não há sequer um só residente, embora já tenha sido povoada no começo do século passado, quando uma ferrovia levava o sal extraído da região.

3 -Wadi Halfa (Sudão)

Crédito: MarcPo/iStock    Wadi Halfa, rua comercial em Wadi Halfa, no Sudão.

Localizada em uma região de muita pobreza no centro do deserto do Saara, na fronteira com o Egito, o local chega a atingir picos de calor, a temperaturas de quase 53°C. Chegar lá também não é fácil. É preciso pegar, em Cartum, um trem que passa pelas margens do rio Nilo e por muitas ruínas milenares. Não há hotéis na cidade, apenas alojamentos, e o clima extremamente seco recebe um reforço do vento constante e muito quente que vem do Saara.

4 – Deserto Lut (Irã)

Crédito: BrasilNut1/iStock   A região já registrou temperaturas de 70°C

Considerado o 25º maior deserto do mundo, o Lut está localizado no sudeste do Irã e já chegou a registrar temperaturas de superfície acima de 70°C, medida pela Nasa. Também é marcado pelos lagos Dasht, que se estende para o sul por cerca de 300 km.

5 – Tirat Tsvi (Israel)

Crédito: Science News   Os termômetros registraram em Tirat Tsvi a temperatura recorde de 54°, em junho de 1942

Com temperaturas escaldantes, a cidade, pertencente à área de HaZafon, é o lugar mais quente da Ásia, com temperaturas que beiram os 54 ºC. A cidade funciona, também, como kibutz e se situa no vale Beit Shean, a 10 km ao sul de Beit Shean, em Israel, e faz fronteira a oeste com o rio Jordão.

6 – Timbuktu (Mali)

Crédito: Oversnap/iStock   Timbuktu é uma das regiões habitadas mais quentes do mundo

Localizada no Mali, país do oeste africano, e nas proximidades do rio Niger, a cidade foi fundada por volta de 1100 para servir as caravanas que traziam sal das minas do deserto do Saara, em troca de ouro e escravos. Em 1330, a região era parte do império do Mali e, dois séculos depois, passou a ser governada pelo império Songhay, fazendo de Timbuktu uma importante cidade universitária e capital religiosa, habitada por muçulmanos, cristãos e judeus. Também é famosa pelas altas temperaturas, que já chegaram a 54,4ºC.

7 – Queensland (Austrália)

Crédito: DarrenTierney/iStock  Queensland, na Austrália, possui beleza estonteante

A temperatura já chegou a quase 69ºC no Estado australiano, situado no nordeste do país, e que ocupa mais de 20% da África. Marcada por vastas florestas tropicais, com clima seco e semidesértico, a região atrai turistas do mundo inteiro todos os anos, graças às ilhas costeiras e à grande barreira de coral.

8 – Kebilli (Tunísia)

Crédito: IdealPhoto30/iStock A cidade de 18 mil habitantes registrou a temperatura mais alta de que se tem notícia na África, em 1931

A cidade localizada no sul da Tunísia e capital da província homônima já chegou a registrar picos de 55ºC. Também pudera, já que a região fica à beira de um oásis no deserto do Saara. Com cerca de 100 mil tamareiras, é um dos principais centros comerciais da região, sendo um local de grande relevância histórica. Esses dias muito quentes não afastam os seres humanos, que habitam a área há mais de 200 mil anos.

9 – Ghadamés (Líbia)

Crédito: Pascalou95/iStock   Mesquita berbere em Ghadames, na Líbia

A cidade de Ghadames (ou Ghadamés) é dividida entre nova e antiga. Ela é habitada por cerca de 15 mil pessoas e possui uma beleza impressionante. Ambas as regiões reservam temperaturas na casa dos 55°C. A zona antiga é rodeada por uma muralha e já foi considerada patrimônio Mundial da Unesco, além de possuir uma arquitetura resistente ao calor. E uma das principais atrações do local é o lago com água salgada que a circunda por cerca de 20 km, no distrito de Nalut, a sudoeste de Trípoli, próximo às fronteiras com a Argélia e a Tunísia.

10 – Sulaibiya (Kuwait)

Crédito: Reprodução/YouTube     Cidade fica a cerca de 30 quilômetros da capital do Kuwait

Em 2012, Sulaibiya,  a cerca de 30 quilômetros da capital do Kuwait, registrou uma temperatura de 53,8°C. A capital do país sofre constantes tempestades de areia, e a população também suporta temperatura constante na casa dos 45ºC e 47°C. A Cidade do Kuwait, a capital, é conhecida por sua arquitetura moderna, que inclui arranha-céus e as incríveis Kuwait Towers, torres que são caixas-d’água cujo design lembra as cúpulas em azulejos de uma mesquita clássica. Essas torres têm capacidade para 4500 metros cúbicos de água.

As Kuwait Towers

 

 

Fonte:

catracalivre.com.br

12 Previsões que os Jetsons acertaram

Lançado em 1962 e relançado com novos episódios em 1985, o clássico desenho animado “Os Jetsons” mostrava como seria a vida de uma família no futuro, com tudo que as modernidades do século 21 poderiam trazer. Bem, ainda falta um tanto até chegarmos à época retratada no desenho, mas muita coisa comum na rotina dos Jetsons já virou realidade em 2020. Sabe o seu relógio inteligente? Estava lá. Esteiras rolantes em todo lugar? Também. E robô que cuida de tudo na casa? Bem, ainda não chegamos a tanto, mas os aspiradores-robô já existem.

Veja algumas coisas que foram previstas e se tornaram realidade, de forma parcial ou total, logo abaixo.

Smartwatch

Era bastante comum para George, Jane ou outros adultos do desenho se comunicarem usando o seu relógio de pulso, que tinham funções muito mais complexas do que apenas mostrar as horas. Parece bastante familiar com os tão cobiçados smartwatches de hoje em dia, né? A função de videochamada ainda não tem nos modelos atuais, mas em breve, quem sabe?

Chamadas de vídeo

As próprias chamadas de vídeo pareciam algo incrivelmente tecnológico para quem assistia aos desenhos. Imagina só poder ver com quem você está falando? Hoje isso soa tão natural com as chamadas de vídeos de nossos celulares e computadores. Do Skype ao WhatsApp, vários programas têm essa funcionalidade.

TVs de tela plana

As televisões eram frequentemente mostradas no seriado, e mesmo que alguma delas parecesse muito com aparelhos de tubo, chama a atenção como eles previram a evolução tecnológica dos televisores ao mostrar telas planas e gigantes, como as que estão se popularizando atualmente.

Tablet

Em vez de abrir um jornal para saber as novidades, George Jetson se sentava diante de uma tela e lia as notícias. E vez ou outra essa tela trazia imagens em movimento. Um jeito bastante interativo de ler, como em um tablet! Será que ele também encontrava tempo para brigar com desconhecidos nas caixas de comentários?

Esteiras rolantes

Chamava bastante a atenção a ideia de existir uma esteira que levava você para lá e para cá, sem precisar gastar solas de sapato ao andar na rua. Em alguns lugares já encontramos isso, como em aeroportos e estações de metrô.

Câmaras de bronzeamento artificial

No futuro as pessoas —principalmente as ricas— teriam bem pouco tempo para tomar sol, por isso inventaram lugares próprios para que você se bronzeasse artificialmente. Só precisavam avisar o pessoal do seriado que pode ser perigoso recorrer a esse método, conforme estamos descobrindo no presente.

Viagens para a Lua

Segundo os Jetsons, ir para a Lua era como ir para a casa na praia. O menino Elroy ia quase sempre com seus colegas escoteiros. É curioso pensar que, quando o desenho foi lançado, a humanidade ainda não havia pisado na Lua, mas hoje em dia começa até mesmo a estudar a oferta de voos de turismo para o satélite. Você iria?

Máquina de comida instantânea

A ideia de chegar em casa, apertar um botão e um aparelho fazer uma comida rapidamente para a família toda era um sonho. Já experimentamos parte disso com as comidas pré-aquecidas e o forno microondas. Mas graças à tecnologia de impressoras orgânicas 3D, isso tem melhorado. Já existe até mesmo um restaurante dedicado à cozinha feita em máquinas como essas, como a rede Food Ink.

Assistente pessoal

No desenho, o pequeno Elroy tinha um computador que ajudava com o dever de casa, respondendo a perguntas matemáticas. Ele falava o problema e a máquina respondia. Hoje temos assistentes de voz como a Siri e Google Assistente, que também fazem isso, além de apps que podem solucionar problemas matemáticos usando a câmera do celular.

Esteira canina

Donos de cães sem tempo para se exercitar optam por usar esteiras caninas para ajudar a manter seus bichinhos ativos. Coisa que George fazia em companhia do seu cachorro, Astro.

Despertadores com comando de voz

George sofria nas mãos do seu despertador que insistia em acordá-lo. Era normal vê-lo discutir com o aparelho, que respondia a seus comandos de voz. Coisa que parecia algo inimaginável na década de 1960. Mas eles já existem!

Robô que limpa a casa

Rosie, a empregada robô da família, era muito mais do que apenas uma máquina de limpar o chão. Ela também cozinhava e ajudava os personagens a se vestirem. Em 2020 existe uma série de robôs de várias funções, inclusive os de limpar a casa, como a Rosie. Será que a a iRobot Roomba é tão eficiente ao tirar a poeira do chão quanto a empregada dos Jetsons?

 

 

 

 

Fonte:

uol.com.br/tilt/ Raphael Evangelista

Propagandas antigas curiosas, divertidas ou politicamente incorretas

É muito interessante a gente voltar no tempo e observar como os costumes mudam. É natural, a sociedade evolui (em alguns casos, involui, rsrsrs) e também os costumes e as preferências das pessoas.

Acreditar que a vida era melhor em nossa época de juventude não significa, necessariamente, que isso seja verdade. O que muita gente faz é supervalorizar certos momentos da infância, atribuindo-lhes qualidades que, muitas vezes, existem apenas na lembrança.

Muitos lembram da vida mais simples, jogando bola em campos de terra, subindo em árvores para comer fruta, etc. De fato, coisas boas ficam marcadas. Mas e as dificuldades? E o trabalho de tirar água do poço? E o fato de os banheiros serem cabanas externas sem ligação com as casas? E os ferros de passar roupa, aquecidos a carvão? E se você ficasse doente, qual era o hospital mais próximo?

Deixando essa discussão mais aprofundada para outro momento, a publicidade sempre foi um balizador e termômetro da vida em sociedade, um espelho do que se consumia e do que se acreditava. Veja só alguns exemplos…

  • Imagine como era um milagre, em 1937, você poder ligar para sua mãe no Natal? lembrando que isso era para os poucos que tinham telefone em casa!
  • Propaganda da Shell veiculada em 1942, período da II Guerra Mundial, incentivando a economia de combustível.
“Petróleo é munição – economizemos para a defesa” dizia o slogan da companhia.
  • Neguinho já tacava fogo na babilônia naquela época… Com o nome de ˝cigarros índios˝ a cannabis era vendida livremente na São Paulo do início do século 20.
  • Comentei acima sobre a mudança de costumes e preferências… Veja que em 1926 mulher magra estava em baixa, a preferência era por uma mulher com vários quilos de carne sólida!
  • Não é o que você pode estar pensando… A referência é a um pinto, uma moeda portuguesa, nesse anùncio de 1913. Quem sabe os amigos portugueses possam confirmar essa informação!
  • Apenas mera coincidência eu ter selecionado este anúncio maluco… Dória, o elixir, era um sucesso contra o bafo de bode e problemas do estômago nos idos de 1930. Qualquer semelhança do ser chifrudo sendo engolido com a palavra ´Não Temer´ é mera coincidência, reforço.
  • Agora, vamos avançar algumas décadas para as propagandas coloridas. Esta foi muito veiculada nas revistas de 1957. O Sabonete Cinta Azul garantia a qualidade do produto até o fim: “um sonho de sabonete, conserva todas as suas qualidades até ter atingido a espessura de uma folha de papel”.
  • Em 1944, a Loteria Federal promovia o prêmio de 1 milhão de cruzeiros (hoje, a grosso modo, um valor próximo a R$ 4 milhões). Um anúncio chamativo, em cores fortes, com os dizeres: “O seu dia chegará”.
  • Com foco no restabelecimento do apetite nas crianças, o Emulsão de Scott apresentou este anúncio nas revistas em 1954: “Minha filha já tem apetite / Era criança sem vida”. O fortificante era apresentado como responsável por restabelecer a saúde da criança: “Passou a ter boas cores, a comer bem”. Seu concorrente era o Biotônico Fontoura.
  • O anúncio do Leite Ninho, de 1960, mostra um mãe cuidadosa e atenta na alimentação das crianças.
  • Esta saiu muitas vezes na revista O Cruzeiro, também nos anos 1960.

Daria para fazer um panorama de nossa História apenas analisando as propagandas que eram veiculadas em jornais e revistas e, mais tarde, na televisão – sem esquecer o rádio, claro. E, hoje em dia, incluindo sites e redes sociais. Até que é uma ideia…

ATUALIZAÇÃO

Mário Rubial, “dono” da nossa página PAPO DE BOTECO, de crônicas divertidas e saborosas, comentou aqui sobre uma famosa propaganda que era veiculada nos bondes. Como era o modo de transporte mais utilizado, não demorou muito para que os bondes passassem a ostentar publicidade interna e externamente.

No início, os passageiros não gostaram da novidade, mas acabaram se acostumando com os paineis e talvez a publicidade mais famosa de todas, e que faz parte da memória coletiva do brasileiro, seja a do Rhum Creosotado

Os versos são de Ernesto de Souza (farmacêutico, teatrólogo, músico e compositor) e criador desse remédio, com farta propaganda em jornais, revistas e, principalmente, nos bondes.

O anúncio acima é de 1940, com desenho de J. Carlos, o mais famoso cartunista da época.

O tema seria recorrente na publicidade do produto, como na bem-humorada versão acima, nos bondes dos anos 1950, em que o “tipo faceiro” era uma mulher de maiô.

Para quem nunca conheceu os bondes, fiz um breve resumo de sua história na cidade.

O bonde, por muitas décadas, foi o principal meio de transporte dos moradores de São Paulo. Os primeiros registros desse transporte são datados de 1872, quando São Paulo contava com um serviço de bondes puxados por tração animal, chamado de bonde a burro.

A primeira viagem desse modal foi feita entre a Rua do Carmo e a Estação da Luz, que nada mais era do que um entreposto comercial entre o interior do estado, grande produtor de café, com o Porto de Santos, destino final daquelas sacas e dos barões que embarcavam nos navios para conhecer a Europa.

Quase 30 anos depois, após adaptações e negociações, surgem os bondes elétricos na cidade, graças à Light, empresa que teve intensa participação na formação da cidade. A primeira viagem de bonde elétrico foi feita no dia 7 de maio de 1900. Em três décadas, a demanda foi tão grande que, nos anos 30, a cidade chegou a ter 160 quilômetros de trilhos, quase o dobro dos atuais 96 quilômetros de Metrô que São Paulo tem nos dias de hoje.

Em 1947, após a não renovação do contrato com a Light, a operação dos bondes passou para recém-criada Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC). De todas as capitais que tiveram esse modal, São Paulo foi a que mais tempo teve os bondes circulando pelas suas ruas: em 27 de março de 1968, um bonde que atendia a linha Praça da Sé-Santo Amaro circulou pela última vez pela cidade.

Fontes:
facebook.saopauloantiga/photos; 
internet
sampahistorica.wordpress.com
novomilenio.inf.br
wikipedia

25 coisas que só quem tem raízes suburbanas vai reconhecer

Orgulho de ser subúrbio.

1. “Mostrar a casa” quando chega uma visita.

2. Ficar ofendido se alguém não mostra a casa quando você está visitando.

3. Colocar toalhinhas de crochê debaixo dos bibelôs.

4. Deixar os bancos do carro novo com o plástico.

5. Ir ao bingo da igreja.

6. E ganhar um frango.

7. Refrescar-se com gelinho/sacolé/geladinho comprado na garagem da vizinha.

8.”Fazer o cabelo” na cabeleireira da rua (que funciona na garagem).

9.Usar bobs no cabelo.

10.E um lenço por cima.

11.Parcelar no carnê. Não no cartão, nem no boleto: no CARNÊ.

12.Falar “não repara a bagunça”.

13.Puxar um “com quem será” depois do “parabéns”.

14.Guardar os embrulhos dos presentes recebidos.

15.Ter panos de prato com os dias da semana.

16.Fechar saco de arroz e de açúcar com pregador de madeira.

17.Juntar finzinho de sabonete.

18.Colocar roupinha no liquidificador.

19,. Ter um conjuntinho de tapete de pia, tapete de chuveiro e capinha para a tampa do vaso sanitário, tudo ORNANDO.

20. Calcular mentalmente quantos quilos de laranja dava pra comprar com o preço do suco no restaurante.

21. Pintar a rua na Copa.

22. Encapar o controle remoto com magipack.

23.Fazer pratinho no fim da festa.

24. E cobrir com um guardanapo.

25. Sair do subúrbio, mas não deixar jamais o subúrbio sair de você.

Fonte:
Clarissa Passos, Buzzfeed

Algodão ou papel-toalha? Como limpar a tela do celular (e como não limpar!)

  • Telas de smartphones precisam de limpeza com certa frequência
  • Panos de microfibra e algodão são as melhores opções para higienizar os aparelhos
  • Uso de toalhas de papel, sabonete e esponjas pode piorar situação
Você é daqueles que limpa a tela do celular no primeiro pedaço de pano que vê pela frente? Mesmo que isso signifique esfregar o vidro do seu caríssimo smartphone na calça jeans? Apenas pare. É sempre bom limpar a gordura e eliminar as bactérias do aparelho, mas é preciso cautela. Existem jeitos certos (e muito errados) de tirar a sujeira do touchscreen. Separamos algumas dicas, mas antes de mais nada desligue o aparelho antes de tomar qualquer tipo de atitude em relação a isso, ok? 

O que usar

Pano de microfibra

O pano de microfibra, com certeza, é a melhor opção para higienizar o seu aparelho. Não quer passar só o pano na tela? É possível utilizar (pouca) água destilada para umedecê-lo e deslizá-lo pela região frontal do celular com cuidado – de cima para baixo ou de um lado para o outro. Limpe as partes laterais e a traseira também, da mesma maneira. Lembre-se que líquido e alguns eletrônicos (os que não são à prova d’água) não “dão match”, então, nada de encharcar o pano –um borrifador, nestes casos, é a melhor opção…

Fitas adesivas

Foi para a praia com o celular ou acabou deixando ele na grama? Saiba que grãos e fiapos adoram as fendas de eletrônicos. Um truque que pouca gente conhece é usar fitas adesivas, que são aliadas na “briga” contra objetos minúsculos. É só colocá-las –sem muita força, é claro– ao longo das bordas do smartphone para que a sujeira grude na fita.

Algodão

Assim como o paninho de microfibra, o algodão levemente umedecido pode ajudar a combater a sujeira. Camisetas, flanelas ou paninhos feitos de algodão também são úteis. Só as camisetas de algodão, ok? Nada de tecidos mais grossos, que podem riscar o vidro.

O que não usar?

Toalha de papel

Elas parecem as mais indicadas (e fáceis) para dar um jeito na tela do seu celular, certo? Errado. Na verdade, as toalhas de papel são inimigas da limpeza, porque podem causar arranhões no aparelho. É melhor deixar elas para comidas e higiene pessoal, mesmo.

Sabonete

Jamais. Deixe o sabonete para o seu corpo –a composição química do produto pode estragar tanto a tela quanto a parte eletrônica do seu smartphone.

Vinagre

Essa solução pode virar uma dor de cabeça daquelas. É que o vinagre é capaz de tirar o revestimento da tela do seu aparelho, e o que já está ruim, pode piorar…

Esponjas

Parece óbvio, mas é bom lembrar que a tela do seu celular odeia coisas ásperas. E isso vale para esponjas.

Fonte:

Bruno Madrid

De Tilt, em São Paulo

 

“Unicórnio da Sibéria”, o animal pré-histórico que conviveu com humanos


Uma espécie de rinoceronte gigante que pode ter sido a origem do mito do unicórnio viveu na terra a até pelo menos 39 mil anos atrás.

Conhecido como “unicórnio da Sibéria”, o animal tinha um longo chifre na testa e vivia nas pradarias da Eurásia, a massa de terra que engloba os continentes europeu e asiático.

Novas evidências mostram que a espécie acabou extinta pois tinha hábitos de alimentação muito restritos. Cientistas dizem que saber mais sobre a extinção do animal pode ajudar a salvar os rinocerontes que ainda existem no planeta.

Os rinocerontes estão em perigo pois são muito seletivos em relação ao seu habitat, explica Adrian Lister, professor do Museu de História Natural de Londres e um dos autores do estudo.

“Qualquer mudança em seu ambiente natural é um perigo para eles”, disse Lister. “E, é claro, o que também aprendemos com esse registro fóssil é que uma vez que a espécie vai embora, não há como recuperá-la.”

Pesando até quatro toneladas, o “unicórnio da Sibéria” chegou a coexistir com os seres humanos modernos até 39 mil anos atrás.


Esqueleto do mamífero no Museu de Stavropol, na Rússia.

O que sabemos sobre o rinoceronte ancestral?

Antes das novas descobertas, acreditava-se que a espécie, cujo nome científico é Elasmotherium sibericum, tinha sido extinta há cerca de 200 mil anos.

No entanto, uma nova pesquisa com datação de carbono de 23 espécimes fossilizados ajudou os pesquisadores a descobrir que o gigante da Era do Gelo na verdade sobreviveu no leste da Europa e na Ásia Central até mais recentemente.

Os cientistas também isolaram o DNA do animal pela primeira vez, mostrando que a espécie se diferenciou dos atuais rinocerontes há cerca de 40 milhões de anos.

Porque ele foi extinto?

O estudo também analisou os dentes do animal, confirmando que ele pastava em gramas duras e secas. “Ele era como um cortador de grama pré-histórico”, afirmou Lister.

O ancestral do atual rinoceronte se especializou em um tipo de dieta que pode ter causado seu fim. Conforme a Terra esquentou e começou a sair da Era do Gelo, há cerca de 40 mil anos, os campos começaram a diminuir, restringindo a pastagem para a espécie.

Centenas de espécies de grandes mamíferos desapareceram depois do fim da última Era do Gelo, devido às mudanças climáticas, perda de vegetação e pela caça empreendida pelo homem.

O que ele nos diz sobre o destino dos rinocerontes modernos?

Hoje há apenas cinco espécies de rinocerontes restantes. Poucos animais sobrevivem fora de reservas e parques nacionais por causa da caça ilegal e por perder seu habitat natural, por conta da expansão urbana.

Os caçadores matam os rinocerontes ilegalmente, retiram apenas os chifres e em seguida abandonam o corpo do animal abatido. O chifre do rinoceronte é cobiçado porque é utilizado em várias receitas da medicina tradicional oriental. Um grama do pó do chifre custa mais de USD 3.000,00 e é comprado por gente muito rica. 

Quem o compra acredita que o chifre ralado e misturado com água pode curar ressaca, febres, convulsões, impotência e até câncer. O líquido branco é sorvido em pratos, como uma sopa.


De onde vem o mito dos unicórnios?

O Unicórnio é um ser mitológico, normalmente branco-puro quando é adulto, mas dourado em sua fase de potrinho, e prateado durante a adolescência, com um único chifre posicionado em sua cabeça como uma espiral. Ele vive geralmente nas florestas do norte da Europa, segundo as narrativas.

Essas entidades fantásticas são doces, mansas, puras, facilmente seduzidas por mulheres virgens. São, por esse motivo, adotadas pela iconografia do Cristianismo como símbolos da Virgem Maria, quando a religião assume o dogma da virgindade da mãe de Jesus. 

Supostamente seu chifre, o sangue e o pelo têm poderes mágicos. Em um dos episódios de Harry Potter, de J. K. Rowlling, o sangue desse ser puro é consumido por Voldermort, o vilão, para preservar a vida, mas o ato de matar um ente tão inocente o converte em um morto-vivo.

O unicórnio não convive com o Homem, mas se submete sem maiores problemas diante de uma mulher. Criptozoologistas – especialistas que investigam relatos da aparição de animais pertencentes ao universo das lendas e dos mitos – registram o aparecimento de unicórnios pelas várias regiões do Planeta, particularmente na Índia, sua terra natal.

O nascimento do mito é impreciso. Ele é encontrado nas bandeiras dos imperadores da China, na descrição biográfica de Confúcio; no Ocidente, o unicórnio integra as compilações de seres fantásticos coletados na época de Alexandre, e também nas bibliotecas e produções artísticas do Helenismo.

Imagens do unicórnio podem ser vistas em tapeçarias encontradas no norte da Europa e em caixas de madeira ricamente adornadas – os cassoni -, que integravam o enxoval das noivas italianas nos séculos XV e XVI.

Na Astronomia, ele corresponde à constelação conhecida como Monoceros. O unicórnio também é constante encontrado na literatura fantástica, especialmente nos livros de Lewis Carroll, C.S. Lewis e Peter Beagle.

Venerados como seres mágicos, os unicórnios conquistaram o mundo comercial. Hoje estão estampados em camisetas, bordados em almofadas, presentes no cinema e em games. Ou até são usados em chaveiros.

Fontes:

BBC
brazil.skepdic.com
Wikipedia

Coincidências da História

Em nosso cotidiano, ocorrem coincidências quase todos os dias, algumas até inexplicáveis. Outro dia, lendo sobre isso, descobri algumas coincidências históricas que me deixaram boquiaberto.

Fiz uma pequena seleção delas, que apresento agora a você. Leia e se surpreenda também!

A maldição da invasão

No século IV, Tamerlane era um descendente do grande conquistador Genghis Khan, o famoso imperador mongol. Séculos depois, em 20 de junho de 1941, arqueólogos russos abriram sua sepultura e nela encontraram uma inscrição que dizia que o povo que abrisse seu túmulo sofreria uma grande invasão. Eles não acreditaram na inscrição e não revelaram isso a ninguém. Contudo, dois dias depois, Hitler invadiu a Rússia.

Deus Ex Nostradamus

Às vezes, erros técnicos acontecem. No caso do videogame “Deus Ex” (que gerou uma série de games com temas cyberpunk que combinam elementos de RPG de ação, tiro em primeira pessoa e stealth), lançado em 2000, uma das ambientações era justamente a cidade de Nova York, mas certamente para não gastar muito dinheiro na reprodução da cidade e baratear os custos de produção – ou por limitações técnicas da época, ou simplesmente por erro mesmo -, os desenvolvedores acabaram eliminando o World Trade Center. Quando perceberam e foram tentar corrigir a falha, informaram que as torres tinham sido destruídas no jogo num ataque terrorista. Um ano mais tarde, Nova York sofreu o maior ataque terrorista de sua história.

Eleanor Rigby

Esta é uma das canções mais famosas dos Beatles, porém o título esconde algumas coincidências fora do comum. Paul McCartney queria usar o nome de seu pai na letra, mas achou meio estranho e escolheu ao acaso um outro, “Mckenzie”. O nome Eleanor Rigby vem da atriz Eleanor Bron e da loja Rigby & Evans. Anos mais tarde, um túmulo com o nome de “Eleanor Rigby” foi encontrado e, a poucos passos dele, um outro com o nome “Mckenzie”. De acordo com McCartney, que é um cara mais cético, é possível que os nomes tenham ficado gravados inconscientemente, pois ele e John Lennon passavam longas horas naquele cemitério.

Ele previu o naufrágio do Titanic

Futilidade ou o Naufrágio de Titan (título original: Futility, or the Wreck of the Titan) foi um livro de 1898 escrito por Morgan Robertson. A história apresenta o transatlântico Titan, que afunda no Atlântico Norte após se chocar contra um iceberg.

No livro, as pessoas morreram por falta de botes salva-vidas. Quatorze anos mais tarde, 2500 pessoas morreram no naufrágio do Titanic por falta de botes salva-vidas justamente em abril, na mesma data do livro.

Embora o romance tenha sido escrito antes da construção do Titanic, há muitas coincidências entre os dois navios:

SemelhançasTitanTitanic
Nome do CapitãoSmithSmith
Local do NaufrágioAtlântico NorteAtlântico Norte
MêsAbrilAbril
CausaColisão com IcebergColisão com Iceberg
Comprimento240 metros269 metros
Tonelagem do Deslocamento75.00066.000
Velocidade25 nós23 nós
Número de botes2320 (4 botes desmontáveis)
Compartimentos à prova d’água1716
Hélices33
Passageiros e Tripulantes30002223

 Palavras-cruzadas enigmáticas

Que tal publicar segredos muito confidenciais dos Estados Unidos no jornal? E na forma de palavras-cruzadas? Alguns filmes partem dessa premissa, como “Código para o Inferno” (Mercury Rising, 1998), estrelado por Bruce Willis, no papel de um agente do FBI que investiga o desaparecimento de um menino de nove anos com autismo e decifrou, por acaso, um importante código de segurança dos sistemas do governo, e teve seus pais assassinados logo em seguida…

Bem, em 1944 saiu um jornal com um enigma curioso, no mínimo.
Leonard Dawes, um professor aposentado, produzia as palavras cruzadas do jornal britânico Daily Telegraph durante a 2ª Guerra Mundial. Em um intervalo de duas semanas em maio de 1944, seus passatempos incluíram palavras como Utah e Omaha (codinomes de duas operações dos EUA no Dia D), entre outros termos suspeitos. O serviço secreto britânico interrogou Dawes achando que ele era um espião alemão, mas tudo não passava de uma enorme coincidência.

Lennon e Chapman

Em 1980, Mark Chapman assassinou John Lennon, no que se constituiu um dos mais trágicos acontecimentos no mundo da música. Anos mais tarde, foi feito um filme sobre a vida do artista e, obviamente, um ator foi contratado para interpretar o papel de John. Mas o estranho foi que o ator contratado tinha o mesmo nome do assassino, Mark (Lindsay) Chapman. Os produtores, percebendo essa coincidência mórbida, contrataram outro. Anos depois, porém, Chapman, o ator, ganhou vários prêmios por um outro trabalho em que interpretou o falecido Lennon.

Booth e o filho de Lincoln

O assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln ocorreu em Washington, em abril de 1865, pouco depois do fim da Guerra Civil Americana. Dias antes, seu filho sofreu um acidente em uma plataforma de trem, quase perdendo a vida, mas foi ajudado por um homem de sobrenome Booth. Tudo teria sido corriqueiro se não fosse pelo fato desse homem ser irmão do outro que, dias mais tarde, assassinaria o presidente.

Lincoln e Kennedy

Falando em Lincoln, há muitas semelhanças entre ele e John Kennedy, muitas delas surpreendentes e inexplicáveis. Veja abaixo uma lista delas:

  • Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
  • John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
  • Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
  • John Kennedy foi eleito presidente em 1960.
  • Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
  • Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
  • As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
  • Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
  • Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
  • Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
  • A secretária de Lincoln tinha o sobrenome Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
  • A secretária de Kennedy tinha o sobrenome Lincoln e lhe pediu que não fosse a Dallas.
  • Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
  • Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
  • Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
  • Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
  • Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
  • Booth, assassino de Lincoln, saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
  • Oswald, assassino de Kennedy, saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema.
  • Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
  • Lincoln foi morto no Teatro Ford.
  • Kennedy foi morto num carro da marca Lincoln.

 

Fontes:

http://www.paraoscuriosos.com

Wikipedia

Imdb

Intestino: seu segundo cérebro


Ele tem 9 metros de comprimento e 500 milhões de neurônios. Controla muito do que você faz e influencia tudo o que você pensa.

Quase todo mundo é ansioso. Segundo a Associação Internacional de Controle do Stress (ISMA), 72% dos trabalhadores brasileiros são estressados. Mais da metade da população está acima do peso e tem problemas de sono – hoje se dorme 1h30 a menos, por noite, que na década de 1990. E nunca houve tanta gente, no mundo, sofrendo de depressão. De onde vem tudo isso? Cada um desses problemas tem suas próprias causas. Mas novos estudos têm revelado um ponto em comum entre todos eles: a sua barriga.

Dentro do sistema digestivo humano existe o que alguns pesquisadores já chamam de “segundo cérebro”, com meio bilhão de neurônios e mais de 30 neurotransmissores (incluindo 50% de toda a dopamina e 90% da serotonina presentes no organismo). Tudo isso para controlar uma função essencial do corpo: extrair energia dos alimentos. Mas novas pesquisas estão revelando que não é só isso. Os neurônios da barriga podem interferir, sem que você perceba, com o cérebro de cima, o da cabeça – afetando o seu comportamento, as suas emoções e até o seu caráter. E o mais incrível é como eles fazem isso. Mas primeiro: que história é essa de neurônios lá embaixo?


Ao longo da evolução, animais foram desenvolvendo uma rede de neurônios no sistema digestivo

Sem energia, não existe vida. Você precisa dela. E, ao contrário das plantas, que se viram com CO2 e luz solar, os animais obtêm energia comendo – e digerindo – outros seres. É um processo fundamental da nossa vida, mas não é nada simples. Tanto que, ao longo da evolução, animais primitivos – como os vermes de 600 milhões de anos atrás – foram desenvolvendo uma rede de neurônios no sistema digestivo. Lá, eles coordenavam o processamento da comida, que graças a isso se tornou mais sofisticado (ou seja, capaz de extrair energia de mais e mais tipos de alimento). E também desempenhavam outra função crucial: detectar e expulsar substâncias tóxicas, evitando que o bicho morresse ao comer algo venenoso. Deu certo. Tão certo que a rede de neurônios digestivos foi aumentando e se sofisticando, até chegar ao que, hoje, é conhecido como sistema nervoso entérico (SNE).


Essa rede de neurônios percorre todo o abdômen: são de 6 a 9 metros

Ele existe em todos os animais vertebrados e, nos humanos, é uma rede de neurônios que percorre todo o abdômen: são de 6 a 9 metros, começando no esôfago, passando pelo estômago e pelo intestino e indo até o reto (os neurônios ficam numa espécie de “forro”, atrás das mucosas que processam os alimentos). Você já nasce com eles, mas o SNE aprende e evolui com o tempo – o que ajuda a explicar por que os bebês nascem com dificuldade para digerir qualquer coisa, até o leite materno.

Quando você coloca na boca aquela batatinha frita do boteco, provavelmente ignora a verdadeira alquimia que está prestes a ocorrer: ao final do processo, a batata será parte de você. Mágico, não? Mas, para que o feitiço ocorra, uma série de processos precisam estar sincronizados. Enquanto você mastiga a batata, o estômago começa a ser preparado para recebê-la. Assim que engole, os neurônios da barriga mandam liberar enzimas e sucos gástricos. São eles também que, algum tempo depois, decidem que a batata já foi suficientemente dissolvida pelo estômago, e pode seguir para o intestino (ou que, ao detectar comida estragada, fazem você vomitar). Ao mesmo tempo, outros neurônios mandam o intestino empurrar o bolo alimentar da refeição passada para abrir espaço. Quando sente que você já comeu o suficiente, o SNE manda o organismo parar de liberar grelina, hormônio que causa a fome. Algumas horas depois, ou no dia seguinte, ele avisa que é hora de ir ao banheiro. E só aí o seu cérebro reassume o comando.

Você pode perguntar: mas e daí? O sistema digestivo não está fazendo mais que a obrigação, certo? Certo. Só que ele vai além – e graças a uma força que nem humana é.

Você e elas

Desde que a ciência descobriu as bactérias (graças ao cientista holandês Antoine van Leeuvenhoek, em 1676), a humanidade sempre desprezou, odiou e temeu essas criaturas. Com alguma razão: podem causar infecções mortais. Mas o fato é que as bactérias nem sempre são nocivas. A maior parte é fundamental para o organismo – tanto que o corpo humano abriga uma enorme quantidade delas. Um homem de 1,70 m e 70 kg possui aproximadamente 30 trilhões de células humanas, segundo um estudo publicado este ano pelo Weizmann Institute of Science, de Israel. E 39 trilhões de bactérias. Ou seja: o seu corpo contém mais células não humanas do que humanas.

Essa população de micro-organismos é chamada de microbiota, e a esmagadora maioria dela vive no sistema digestivo, onde existem 300 espécies de bactéria. Elas moram lá porque, como você, precisam de energia para sobreviver: no caso, a comida que você come. As bactérias da sua barriga são benéficas, ajudam na digestão dos alimentos. Mas também podem provocar efeitos estranhos e surpreendentes. Isso foi demonstrado pela primeira vez em 2011, quando cientistas da Universidade Cork, na Irlanda, descobriram que bactérias da espécie Lactobacillus rhamnosus, encontradas em iogurtes, eram capazes de alterar o comportamento de ratos de laboratório. Os pesquisadores dividiram os ratinhos em dois grupos, alimentados com dois tipos de iogurte: um com essa bactéria e outro sem. Os camundongos que tomaram o iogurte turbinado tiveram o dobro de disposição para atravessar labirintos e nadar. Ratos de laboratório nadam por 4 minutos, em média, antes de desistir de lutar contra a água (eles simplesmente boiam depois disso). Os bichos que tomaram iogurte com L. rhamnosus nadaram 50% mais.


“Talvez, no futuro, os antidepressivos possam ser comprados no supermercado, na forma de iogurte”

Também ficaram mais relaxados, como se tivessem tomado um calmante. Um exame de sangue, feito depois, comprovou que eles tinham 50% menos corticosterona, uma substância ligada ao stress, e melhor distribuição do ácido gama-aminobutírico (GABA), um neurotransmissor que ajuda a conter a ansiedade. Ou seja: as bactérias do iogurte mexeram com o “segundo cérebro” dos ratinhos – que alterou os níveis de várias substâncias e, por sua vez, influenciou o cérebro principal. “A microbiota pode se comunicar com o cérebro”, explica o neurocientista brasileiro Gilliard Lach, do laboratório que fez o estudo. “Talvez, no futuro, os antidepressivos possam ser comprados no supermercado, na forma de iogurte”, acredita.

Para não deixar dúvida, os pesquisadores fizeram um último teste. Pegaram os ratinhos e cortaram seu nervo vago, que conecta o sistema digestivo com o cérebro (e também existe em humanos). E o iogurte turbinado deixou de fazer efeito. Ou seja: eram mesmo os neurônios da barriga, influenciados pelas bactérias, que estavam manipulando o comportamento dos ratinhos.

Em seres humanos, acontece a mesma coisa. Isso ficou provado em 2013, quando cientistas da Universidade da Califórnia recrutaram 36 voluntárias. Elas foram divididas em três grupos. O primeiro tomou iogurte com quatro tipos de bactéria (bifidobacteriumstreptococcuslactococcus e lactobacillus) ao longo de um mês. O segundo consumiu uma bebida que tinha gosto de iogurte, mas não continha essas bactérias. O terceiro não tomou nada – manteve a dieta de sempre. Os cérebros das mulheres foram analisados, em exames de ressonância magnética, antes e depois da experiência. O resultado foi claro. As bactérias modificaram várias regiões que processam sensações do corpo, emoções e até funções cognitivas. Caiu a atividade de regiões como a ínsula (responsável por processar certos estímulos do corpo, como fome) e o córtex somatossensorial (que processa o tato e outros sentidos). E aumentaram as conexões entre a substância cinzenta periaquedutal, que ajuda no controle da dor, e o córtex pré-frontal – a área racional do cérebro. Ou seja: alterações no sistema digestivo provocaram alterações no cérebro.

Os cientistas ainda estão tentando entender de que forma os neurônios ‘abdominais’ agem sobre o cérebro. Mas ficou provado que a barriga realmente pode mandar na cabeça – e, como qualquer pessoa que já teve dor de barriga porque ficou ansiosa sabe, também pode ser influenciada por ela. “É um caminho de duas mãos. Tanto o seu humor pode afetar o aparelho digestivo, quanto o seu aparelho digestivo pode afetar o humor”, diz o médico Carlos Francesconi, professor da UFRGS e especialista em neurogastroenterologia, área da medicina que estuda os neurônios do sistema digestivo. E esses processos são influenciados por bactérias. “Elas exercem um papel regulatório, como se fossem um órgão a mais”, diz Marcio Mancini, chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas da USP. Qualquer modificação nesse pool de inquilinos do seu corpo pode provocar um desequilíbrio – e estar na raiz de várias doenças.

Ansiedade, por exemplo. Pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, descobriram que ratos com maiores níveis de bactérias lactobacillus e bifidobacterium no sistema digestivo são menos ansiosos. E o oposto também é verdadeiro. Os cientistas coletaram bactérias do intestino de um rato ansioso, e injetaram em um ratinho calmo. Os micro-organismos mataram a maior parte das bactérias “boas” – e, como consequência, o camundongo passou a ter comportamento ansioso e nervoso.

Em pessoas, também há indícios de que seja assim. No ano passado, um estudo da Universidade de Oxford avaliou 45 voluntários, divididos em dois grupos. O primeiro recebeu placebo. O outro, doses de um carboidrato chamado galactooligossacarídeo (GOS), naturalmente presente no leite materno e em alimentos como cebola, alho, banana, soja e chicória. Esse carboidrato é o alimento preferido das bactérias lactobacillus e bifidobacterium (as mesmas da pesquisa com ratos). A ideia era turbinar a população desses micro-organismos, e ver se fazia algum efeito sobre as pessoas. Os voluntários que ingeriram o tal carboidrato desenvolveram mais bactérias – e ficaram com níveis 50% mais baixos de cortisol, o hormônio do stress. Também se saíram melhor numa bateria de testes psicológicos, apresentando respostas mais otimistas e menos sinais de ansiedade.

Outros estudos já encontraram relação entre a falta de lactobacillus e doenças como depressão e anorexia. Esses micro-organismos ajudam a manter a camada de muco que protege o intestino. Quando eles não estão presentes, essa barreira fica mais fraca, e surgem pequenas inflamações no intestino – que são encontradas em 35% das pessoas deprimidas. Para tentar entender o porquê, os cientistas autores da descoberta injetaram lactobacilos em ratos. As bactérias protegeram o intestino e produziram efeitos semelhantes aos de remédios antidepressivos.


As bactérias do sistema digestivo também estão relacionadas ao sono.

As bactérias do sistema digestivo também estão relacionadas ao sono. Isso foi descoberto nos anos 1990, quando cientistas da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, deram antibióticos para ratos de laboratório durante uma semana. Previsivelmente, os níveis de bactérias despencaram. O surpreendente foi outra coisa: os ratinhos passaram a dormir menos e pior, passando menos tempo na chamada fase REM (movimento rápido dos olhos, em inglês), a fase em que o corpo mais descansa – e, também, em que o indivíduo sonha.

Há estudos mostrando que pessoas com autismo, Parkinson, Alzheimer e obesidade possuem uma seleção diferente de micro-organismos na barriga. Tanto que o transplante de fezes tem sido considerado como possível tratamento para o autismo. Dois pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Pasadena, na Califórnia, descobriram uma relação entre bactérias intestinais e autismo. Pelo menos em ratos. Eles criaram uma ninhada de ratinhos autistas (o que foi feito de um jeito meio cruel: infectaram uma rata grávida com um vírus que ataca os fetos). Depois, analisaram a população de micro-organismos no sistema digestivo deles. Descobriram que era bem diferente da encontrada em ratos normais.

Cientistas da Universidade Columbia e do Hospital Geral de Massachusetts já haviam observado que pessoas autistas costumam ter déficit de um tipo de bactérias, as bacteroides. Também costumam apresentar problemas gastrointestinais.

Se existe mesmo essa relação entre bactérias e autismo, pode haver um tratamento em comum que mire os dois alvos. Os pesquisadores de Pasadena decidiram alimentar os ratinhos autistas com bacteroides. Resultado: os animais pararam de fazer os movimentos repetitivos típicos do autismo severo, e ficaram mais sociáveis e abertos a interações com outros ratos. Ainda é cedo para saber se bactérias – no caso, a falta delas – são as culpadas pelo autismo. Mas, se a hipótese se confirmar, o tratamento desse transtorno pode passar também por um prosaico pote de iogurte.

Em todos esses casos, é preciso fazer mais estudos. “Não se sabe ainda se estamos diante do ovo ou da galinha”, explica Dan Waitzberg, professor de medicina da USP e especialista em aparelho digestivo. Quer dizer: a diferença na população de bactérias pode tanto ser a causa quanto mera consequência dessas doenças. Mas o sistema digestivo, e os bichinhos que moram nele, têm uma conexão nítida com os dois grandes males do mundo moderno: a obesidade e o câncer.

Guerra e paz

A medicina tem feito progresso na luta contra o câncer. Mas vários dos remédios mais modernos estão envoltos em um enigma: funcionam em certas pessoas, mas em outras não produzem o menor efeito. E ninguém sabe o porquê. Uma das respostas pode estar no tipo de bactérias que habitam a barriga de cada pessoa.

O francês Mathias Camaillard e sua equipe da Universidade de Ille, na França, descobriram, após fazer testes em ratos, que uma droga usada no tratamento do melanoma (o câncer de pele mais agressivo) não funciona na ausência das bacteroidales. Os cientistas descobriram isso ao examinar ratinhos tratados com o remédio, que se chama ipilimunab e faz o sistema imunológico atacar o câncer. Ele é usado em casos graves, quando o melanoma já se espalhou pelo corpo, e pode prolongar a vida dos pacientes em cinco anos. Para saber se as bactérias eram mesmo decisivas, a turma de Camaillard fez um novo (e meio nojento) teste: coletou fezes de 25 pacientes humanos, todos portadores de câncer, e injetou no intestino dos ratinhos. Ou seja, transplantou as bactérias dos humanos para os camundongos. Adivinhe só: nos ratos que receberam bacteroidales, o remédio anticâncer começou a fazer efeito, como que por milagre. Não era milagre, claro, mas os cientistas ainda não sabem explicar o resultado. Eles suspeitam que as bactérias ajudem a “acordar” o sistema imune, turbinando o efeito da medicação. No futuro, a ideia é que pacientes com melanoma avançado tenham suas fezes analisadas antes de começar o tratamento. Se o teste apontar que eles carregam poucas bacteroidales no organismo, poderão recebê-las via transplante de fezes.

Em 2009, um estudo liderado pelo médico americano Jeffrey Gordon, da Universidade Washington, em St. Louis, começou a desvendar a relação entre bactérias e obesidade. Ele analisou o sistema digestivo de um grupo de gêmeas com uma característica bem peculiar: em todos os casos, uma irmã era obesa e a outra não. Depois de analisar as bactérias intestinais das 154 voluntárias, os pesquisadores concluíram que as irmãs obesas tinham flora intestinal menos diversa e com menos bacteroidetes. Um resultado instigante, mas ainda restava uma dúvida: essa diferença na quantidade de bactérias era a causa da obesidade, ou o efeito dela?

O grupo decidiu, então, buscar a resposta em experimentos com ratos. Ficou quatro anos fazendo uma experiência que se mostraria revolucionária. Os cientistas pegaram ratinhos recém-nascidos e estéreis, ainda sem nenhum micro-organismo intestinal, e injetaram neles bactérias tiradas de intestinos humanos. Metade dos ratinhos recebeu bactérias “gordas”, ou seja, que haviam sido coletadas nas gêmeas obesas. A outra metade ganhou bactérias “magras”, extraídas do intestino das gêmeas magras.

Todos os ratos comeram a mesma ração, na mesma quantidade. Adivinhe só o desfecho: os bichos que receberam bactérias “gordas” ficaram gordos. E aqueles que receberam bactérias “magras” ficaram magros.

Mais tarde, a equipe repetiu o experimento, mas, dessa vez, uniu os dois grupos de ratos num mesmo espaço. Assim, os animais se contaminaram uns com as bactérias dos outros (pois os ratos têm o lindo hábito de comer fezes). Com o compartilhamento de bactérias, os dois grupos de ratos ficaram magros. Os cientistas também transplantaram bactérias dos ratos magros para os obesos – que ficaram magros. Em suma: os cientistas provaram, de várias formas diferentes, que as bactérias intestinais podem causar, ou prevenir, a obesidade. Em ratos, pelo menos. Não se sabe exatamente o porquê, mas os cientistas acreditam que tenha a ver com as calorias (certos tipos de bactéria turbinam a digestão, permitindo extrair mais energia dos mesmos alimentos).

Um ponto importante: os ratos gordos só emagreciam se recebessem 54 tipos de bactérias do outro grupo. Os cientistas também tentaram transferir menos espécies, apenas 39 tipos, e não deu certo – os ratos continuaram gordos. Isso significa que a chave está na diversidade de bactérias dentro do corpo. Mas a vida moderna está acabando com elas.

Nova cura, nova doença

De 5% a 10% da população mundial tem úlcera gástrica, um ferimento na parede do estômago que nunca cicatriza completamente, causa dores fortes e, em casos graves, pode matar. É uma doença crônica e incurável, cujo tratamento sempre consistiu em tomar Antak (cloridrato de ranitidina): um remédio paliativo, que reduz a produção de suco gástrico – e, com isso, as dores – e se tornou o medicamento mais vendido do mundo na década de 1980.

Até que um dia um médico desconhecido, que se chamava Barry Marshall e trabalhava num hospital da Austrália, apareceu com uma ideia: a úlcera, na verdade, era causada pela proliferação excessiva da Helicobacter pylori, que ele havia encontrado no estômago de pacientes com úlcera. Ninguém levou a sério, e Barry não podia fazer estudos em seres humanos (pois isso significaria condená-los a uma vida de dores). Desesperado, ele fez o impensável: infectou a si mesmo com a tal bactéria. Como seria de se esperar, desenvolveu úlcera – que então curou, em uma semana, com um antibiótico. Barry havia descoberto a cura, simples e definitiva, para uma doença que afetava dezenas de milhões de pessoas. Um conto de fadas da medicina moderna.

Mas essa vitória também teve um lado ruim. Estudos mais recentes sugerem que a H. pylori também desempenha um papel importantíssimo para o organismo: controla a produção de grelina, o hormônio que controla a sensação de fome. Foi isso o que descobriu o médico Martin Blaser, da Universidade de Nova York. “Eu tenho acumulado mais e mais evidências de que o desaparecimento desse micróbio (a H. pylori) pode estar contribuindo para epidemias atuais”, escreve no livro Missing Microbes: How the Overuse of Antibiotics Is Fueling Our Modern Plagues (“Micróbios sumidos: como o uso excessivo de antibióticos está alimentando as pragas modernas”, ainda sem versão em português). Ele descobriu que a H.pylori, que até os anos 1980 era comum no estômago dos americanos, hoje se tornou rara. E é isso que pode estar fazendo as pessoas comerem mais e engordarem – porque, sem essa bactéria, o sistema digestivo não dá o sinal para a pessoa fechar a boca.

Para o pesquisador, a relação da humanidade com os antibióticos é similar ao de outras invenções revolucionárias, como o motor à combustão. Começou ótimo, revolucionou o mundo, mas acabou produzindo grandes efeitos colaterais (como o efeito estufa, a poluição das grandes cidades e as guerras por petróleo). Os antibióticos podem seguir pelo mesmo caminho. Embora sejam fundamentais para controlar infecções, podem estar ajudando a criar novos problemas. “A perda da diversidade da microbiota nos nossos corpos está cobrando um preço terrível. E será pior no futuro”, escreve Blaser.

Nem todo mundo é tão pessimista. Há quem acredite que, entendendo a importância das bactérias, aprenderemos a conviver com elas de outra forma e controlá-las usando menos remédios. “Em 20 ou 30 anos, vamos ter um chip implantado no corpo que será lido pelo computador do médico. Ele vai poder analisar o perfil do indivíduo e receitar uma alimentação personalizada para tratar determinadas doenças”, projeta Dan Waitzberg, da USP. O jogo da humanidade contra as bactérias pode, no máximo, terminar empatado. Não devemos ceder, mas também não podemos querer exterminá-las. Afinal, elas são parte de nós. A maior parte.

Fonte:

Por Sílvia Lisboa e Bruno Garattoni, Superinteressante

O primeiro zoo de São Paulo

Imagem histórica de elefantes banhando-se no lago da Aclimação, reproduzida do livro “Jardim da Aclimação e o Zoológico”. Livro conta história do criador do Parque da Aclimação, o médico, agricultor e político Carlos Botelho, que idealizou o local em 1892.  Reprodução. 

O Parque da Aclimação tinha camelos, elefantes e até uma onça-pintada

O bairro da Aclimação, na região mais central da cidade de São Paulo, é de classe média e tem hoje uma presença marcante da cultura sul-coreana. A tradição asiática é vista em restaurantes, lojas, igrejas e comércios tipicamente orientais, promovendo uma grande diversidade cultural e criando um ambiente único na cidade – e fica pertinho da Liberdade, o bairro oriental.

A Aclimação surgiu diretamente ligada ao Parque da Aclimação, uma área verde incrustada em meio a altos edifícios e uns poucos sobrados residenciais, sobreviventes de outros tempos.

Tudo começou em 1892, quando um médico piracicabano, chamado Carlos José Botelho, após comprar terras na região, decidiu criar um imenso jardim, chamado de Jardim D’Acclimatation de Paris, inspirado no parque francês de mesmo nome que ele havia conhecido quando estudou na França.

Dr. Carlos Botelho

No local havia espaço para exposição de gado leiteiro holandês, fato que atraiu o interesse de grandes pecuaristas brasileiros. Dizem os moradores mais antigos que os visitantes podiam até tomar leite de vaca tirado na hora e comprar laticínios naquela que foi a primeira leiteria da cidade!

O acesso ao parque se fazia por dois portões de ferro fundido. Ao entrar pelo portão principal, o visitante logo observava uma larga e bem cuidada alameda sombreada por árvores frondosas, que circundavam o lago em toda sua extensão, por uma distância de dois quilômetros.

Estacionamento dos visitantes do Jardim da Aclimação. Ao fundo, do lado direito, um descampado…
Foi nesse descampado, por onde passavam córregos, é que foi criado um lago.

Esse lago  foi formado a partir do represamento de córregos da região, no qual haviam canoas para passeios.

Alameda que circundava o recém-criado lago, onde se podia passear de canoa.
As colunas que sustentavam os portões de ferro da entrada principal ainda existem, mas perderam as esculturas em relevo. A bilheteria que se vê na foto foi derrubada e a área hoje faz parte do terreno ocupado por uma biblioteca pública.

A alameda dividia o jardim em duas partes: na maior ficavam as diversões (como o salão de baile, o ringue de patinação e as barracas de tiro ao alvo), o bosque com o lago e o estábulo; na outra estava instalado o zoológico.

Esse local, aliás, era uma atração à parte.

O primeiro zoo da cidade contava com estrelas do reino animal, como o camelo Gzar e o urso-polar Maurício – cuja jaula era resfriada com barras de gelo que vinham da fábrica da cervejaria Antárctica, que ficava na Água Branca –  e vários outros animais, como hienas, cobras e até uma onça pintada.

Uma das diversões mais populares no parque era dar uma volta no camelo.

Vale um registro: em 1920, uma sucuri com cerca de 5 metros de comprimento escapou do espaço em que ficava exposta e dez homens participaram da operação de captura do réptil.

Registro do momento da captura da sucuri fugitiva.

As pessoas podiam ainda passear de charrete puxada por uma lhama e as crianças adoravam dar voltas ao redor do lago numa carrocinha puxada por um burrico.

Naquela época, havia só dois parques em toda a cidade, o da Luz e o da Aclimação. O da Aclimação ficava longe do centro, por isso era preciso inovar constantemente para atrair público.

Por isso, quando o zoo foi inaugurado, uma maciça campanha de divulgação anunciou a novidade. Maciça para a época, claro… Com anúncios nos jornais e nos bondes.


Anúncio direcionado à comunidade italiana em São Paulo: peixe elétrico e urso polar faziam sucesso no parque

O zoo  também tinha como objetivo a criação e reprodução de animais de várias espécies. E as atrações foram se sucedendo, com a abertura de um aquário anexo ao zoo. O parque ainda abrigava um posto botânico e era sede da Sociedade Hípica Paulista.

Com o afluxo de pessoas para a região, iniciou-se a urbanização do bairro e por volta de 1916 várias ruas começaram a ser abertas, recebendo cada uma o nome de pedras preciosas, como Turmalina, Topázio, Diamante, Ágata, Safira, Esmeralda, Rubi, e outras receberam nomes dos planetas do sistema solar como Júpiter, Urano, Saturno.

Casarão na rua Turmalina. 

Em 1939, o Jardim da Aclimação, cuja área era de 182 mil metros quadrados, foi comprado pelo então prefeito Prestes Maia, pois os filhos de Botelho passavam por dificuldades financeiras e não conseguiam mais manter o parque. 

Na década de 1950, a área ganhou uma biblioteca, uma Concha Acústica, um playground e um campo de futebol. O bairro foi se desenvolvendo ao redor do parque e se tornando eminentemente residencial.

Vista do lago, com a muralha de prédios no horizonte.

A partir de 1970, a expansão imobiliária fez surgir muitos edifícios, marcando a verticalização do bairro, o aumento da população e o consequente crescimento do comércio.

No decorrer da década de 1980, a associação dos moradores do bairro e dos defensores do parque, juntamente com entidades ecológicas, mobilizaram-se e conseguiram o tombamento do Parque da Aclimação, feito pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico.

Atualmente, o parque recebe cerca de 7.000 visitantes aos finais de semana.

Curiosidades

  • O Parque da Aclimação tem hoje 112 mil m² de área verde, algo como menos de 70% de sua área original;
  • Foram registradas 85 espécies de fauna, 88 espécies de flora das quais copaíba, pau-brasil e pinheiro-do-paraná estão ameaçadas, e 65 espécies de aves;
  • Três esculturas de Arcângelo Ianelli (1922 – 2009) – pintor, escultor, ilustrador e desenhista brasileiro, natural da cidade de São Paulo – estão distribuídas pelo parque em meio ao verde: “Dança Branca”, O Retorno” e “Forma Corrompida”;
  • O criador do parque, o médico e pesquisador Carlos Botelho, foi secretário da Agricultura de São Paulo e, entre suas grandes realizações, foi o responsável pelo início da imigração japonesa no Brasil. O primeiro navio, com 781 japoneses, chegou a Santos em 1908. Vieram trabalhar na agricultura de café e o contrato de imigração entre os dois países foi firmado entre o Sr. Ryu Mizuno, Diretor Presidente da Cia. de Imigração Kôkoku do Japão, e pelo Dr. Carlos Botelho.