As Huacas

Huaca era o lugar sagrado para as culturas do antigo Peru, onde uma divindade era cultuada, e no idioma “quechua” significa “sagrado”.

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As huacas possuem personalidade própria, no sentido de você sentir emoções diferentes em cada uma delas, e existia uma forte relação entre os homens das antigas culturas e as huacas, que foram espalhadas praticamente por todo o território peruano. As huacas, como centros cerimoniais e religiosos, serviam de palco para rituais elaborados louvando as divindades, e se tornaram também importantes centros urbanos, com as vivendas da população e os centros comerciais sendo construídos em volta delas.

Na costa norte, elas foram construídas numa linha que, ao que indicam os estudos dos pesquisadores, servia para expressar a cosmologia da cultura desses povos e foram alinhadas então astronomicamente de acordo com diferentes configurações estelares.

Como eram centros religiosos, as huacas ainda se tornaram conhecidas por ser o local em que se depositavam as ricas oferendas aos soberanos. Por essa razão, foram violentamente saqueadas e praticamente destruídas pelos invasores espanhóis e, mais tarde, pelos “huaqueros” – habitantes do local e que buscavam peças de cerâmica ou joias e ornamentos de ouro e prata, que eram depois vendidas a colecionadores e museus de outros países.

Na década de 1990, o governo peruano finalmente costurou acordos com o governo dos Estados Unidos e de vários países europeus e tem conseguido repatriar lentamente muitos desses tesouros roubados. São tesouros que, em muitos casos, estão nas mãos de colecionadores particulares.

Dentre as huacas mais conhecidas, temos:

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Huaca Cao Viejo, onde foi encontrada a múmia intacta da Señora de Cao.

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Huaca de La Luna

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Esta reconstituição por computador mostra como teria sido a Huaca de La Luna antes de sua destruição pelos conquistadores espanhóis, pela ação do tempo, tsunamis, terremotos e outros fenômenos naturais.

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O arqueólogo Regulo Franco, descobridor da múmia da Señora de Cao e marido da escritora Clene Salles, a caminho da Huaca Prieta – o sítio arqueológico mais antigo já descoberto, com seus restos datados de 12.000 a.C..

100_3292Huaca Rajada, onde há inúmeras câmaras funerárias dos Senhores Moches e onde, há 27 anos, foi encontrada a tumba do maior deles, o Senhor de Sipán.

Ai-Apaec

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 Ai-Apaec retratado em uma das paredes da Huaca de la Luna

Ai-Apaec era a principal divindade da cultura Moche, no Peru, e era um de seus deuses mais venerados e temidos, também. Ele era adorado como o deus criador, o protetor dos moches, o que dava a água, os alimentos e que possibilitava os triunfos militares.

A representação mais comum e conhecida de Ai Apaec é aquela que é vista nas paredes da Huaca de la Luna, em Trujillo – na costa norte do país – e que apresenta um rosto felino antropomórfico com presas e ondas marinhas que o rodeiam.

Ai-Apaec foi representado de diversas maneiras, variando no tempo, no espaço, e conforme a peça em que ele é representado. Na metalurgia, por exemplo, o deus tem forma de aranha com oito pernas e um rosto antropomórfico com presas de jaguar (a nossa onça-pintada). Na cerâmica ele é mais antropomórfico, com duas cobras que brotam de sua cabeça. Esse recurso também é visto em alguns murais.

Nas esculturas, Ai-Apaec pode ser observado numa forma totalmente humanoide, com uma expressão grave no rosto e as presas de felino de sempre.

Os prisioneiros eram oferecidos em sacrifício ao deus, sendo suas cabeças cortadas. Por isso, ele também era conhecido como O Decapitador.

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A Marvel também criou sua versão de Ai-Apaec nos quadrinhos…

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O Decapitador foi recrutado por Norman Osborn para ser o Homem-Aranha da nova encarnação dos Vingadores Sombrios. Será que a Disney/ Marvel fará um filme onde ele apareça, no futuro?