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Por que Microsoft deixou 855 computadores no fundo do oceano por dois anos

Empresa quis testar viabilidade de cilindro à prova d’água com 855 servidores alimentado apenas por energia eólica e solar.

Experimento pouco comum da Microsoft chegou ao fim agora Imagem: Microsoft

Dois anos atrás, a Microsoft colocou um centro de dados no fundo do mar na costa de Orkney, um arquipélago no norte da Escócia, em um experimento radical. (tratei disso num post na época, aqui)

Esse centro de dados agora foi recuperado do fundo do oceano, e os pesquisadores da Microsoft estão avaliando como tem sido seu desempenho durante esse tempo e o que podem aprender com ele sobre eficiência energética.

A primeira conclusão é que o cilindro forrado de servidores teve uma taxa de falha menor do que um centro de dados convencional. Quando o contêiner foi retirado do fundo do mar, a cerca de 800 metros da costa, após ser colocado lá em maio de 2018, apenas oito dos 855 servidores a bordo falharam.

Isso é um bom índice quando comparado com um centro de dados convencional.

“Nossa taxa de falhas dentro da água foi um oitavo do que temos em terra”, disse Ben Cutler, que liderou o que a Microsoft chama de Projeto Natick.

A equipe levantou a hipótese de que o desempenho melhor pode estar ligada ao fato de que não havia humanos a bordo e que nitrogênio, em vez de oxigênio, foi bombeado para a cápsula.

“Achamos que tem a ver com essa atmosfera de nitrogênio que reduz a corrosão e é fria, e sem as pessoas mexendo em tudo”, diz Cutler.

Orkney foi escolhida para o teste pela Microsoft em parte porque era um centro de pesquisa de energia renovável em um lugar de clima temperado, um pouco frio até. A hipótese central é de que o custo do resfriamento dos computadores é menor quando estão debaixo d’água.

O cilindro branco emergiu das águas frias com uma camada de algas, cracas e anêmonas após um dia de operação de retirada. Porém, por dentro, o centro de dados estava funcionando bem e agora está sendo examinado de perto pelos pesquisadores.

Na medida em que mais e mais dados nossos são armazenados em “nuvem” hoje em dia, existe uma preocupação crescente com o vasto consumo de energia por centros de dados.

Mais ecológico

O Projeto Natick tratava em parte de descobrir se os clusters de pequenos centros de dados subaquáticos para uso de curto prazo poderiam ser uma proposta comercial, mas também uma tentativa de aprender lições mais amplas sobre eficiência energética na computação em nuvem.

Toda a eletricidade de Orkney vem de energia eólica e solar, mas não houve problemas em manter o centro de dados subaquático alimentado com energia.

“Conseguimos funcionar muito bem em uma rede que a maioria dos centros de dados baseados em terra considera não confiável”, disse Spencer Fowers, um dos membros da equipe técnica do Projeto Natick. “Estamos com esperança de poder olhar para nossas descobertas e dizer que talvez não precisemos ter tanta infraestrutura focada em energia e confiabilidade.”

Os centros de dados subaquáticos podem parecer uma ideia estranha. Mas David Ross, que é consultor do setor há muitos anos, diz que o projeto tem um grande potencial.

Ele acredita que eles podem ser uma opção atraente para organizações que enfrentarem um desastre natural ou um ataque terrorista: “Você poderia efetivamente mover algo para um local mais seguro sem ter todos os enormes custos de infraestrutura de construir um edifício. É flexível e econômico.”

A Microsoft é cautelosa ao dizer quando um centro de dados subaquático poderá ser um produto comercial, mas está confiante de que a ideia tem valor.

“Achamos que já passamos do ponto de experimento científico”, diz Ben Cutler. “Agora é simplesmente uma questão de o que queremos projetar… seria algo pequeno ou grande?”

O experimento em Orkney terminou. Mas a esperança é que ele ajude a encontrar uma forma mais ecológica de armazenamento de dados tanto em terra quanto debaixo d’água.

 

 

Fonte:

BBC

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Esse artefato de 2 mil anos é o objeto mais misterioso da história

Se não fosse uma forte tempestade na ilha grega de Anticítera, há pouco mais de um século, um dos objetos mais desconcertantes e complexos do mundo antigo jamais teria sido descoberto.

Frágil, intrigante e cheio de surpresas: item 15.087 do Museu Arqueológico Nacional em Atenas
Frágil, intrigante e cheio de surpresas: item 15.087 do Museu Arqueológico Nacional em Atenas

Após buscar abrigo na ilha, um grupo de catadores de esponjas marinhas decidiu ver se dava sorte naquelas águas. Eles acabaram encontrando os restos de uma galé romana que havia naufragado havia 2 mil anos, quando o Império Romano começou a conquistar as colônias gregas no Mediterrâneo. Nas areias do fundo do mar, a 42 metros de profundidade, estava a maior reunião de tesouros gregos encontrada até então .

Um tesouro no fundo do Mediterrâneo
Um tesouro no fundo do Mediterrâneo
Obras incomparáveis que sobreviveram ao saque por romanos e à ação da água
Obras incomparáveis que sobreviveram ao saque por romanos e à ação da água

Entre belas estátuas de cobre e mármore estava o objeto mais intrigante da história da tecnologia. Trata-se de um instrumento de bronze corroído, do tamanho de um laptop, feito há 2 mil anos na Grécia antiga. É conhecido como máquina (ou mecanismo) de Anticítera. E mostrou ser uma espécie de máquina do futuro.

No começo, as peças, cobertas por uma crosta e unidas após passar 2 mil anos no leito do mar, ficaram esquecidas. Mas um olhar atento mostrou que eram objetos feitos com esmero, engrenagens talhadas à mão. O mecanismo foi examinado em 1902, e estava em vários pedaços. Havia rodas denteadas de diferentes tamanhos com dentes triangulares cortados de forma precisa. O artefato parecia um relógio, mas isso era pouco provável porque se acreditava que relógios mecânicos só passaram a ser usados amplamente muito mais tarde.

“Se não tivessem descoberto a máquina em 1900, ninguém teria imaginado, ou nem mesmo acreditado, que algo assim existia, pois é muito sofisticada”, disse o matemático Tony Freeth, da Universidade de Cardiff.

No começo o artefato não dizia nada aos cientistas, mas eles logo notaram que as peças traziam marcas e inscrições
No começo o artefato não dizia nada aos cientistas, mas eles logo notaram que as peças traziam marcas e inscrições

É um mecanismo de genialidade surpreendente, e foram cerca de 1.500 anos até algo parecido com a máquina de Anticítera voltar a aparecer , na forma dos primeiros relógios mecânicos astronômicos, na Europa.

Mas essas são as conclusões da história: entender o que era o misterioso objeto tomou tempo, conhecimento e esforço.

Vanguarda

O primeiro a analisar em detalhes os 82 fragmentos recuperados foi o físico inglês Derek John de Solla Price (1922-1983). Ele começou o trabalho nos anos 1950 e em 1971, juntamente com o físico nuclear grego Charalampos Karakalos, fez imagens das peças com raios-X e raios gama. Eles descobriram que o mecanismo era extremamente complexo, com 27 rodas de engrenagem em seu interior .

A primeira surpresa: o mecanismo era formado por 27 engrenagens
A primeira surpresa: o mecanismo era formado por 27 engrenagens

Os especialistas conseguiram datar algumas outras peças com precisão, entre os anos 70 A.C. e 50 A.C. Mas um objeto tão extraordinário não podia ser daquela época, pensavam os especialistas. Talvez fosse mais moderno e tivesse caído no mesmo local por casualidade…

127 e 235 dentes

Price deduziu que contar os dentes em cada roda poderia fornecer pistas sobre as funções da máquina. Com imagens bidimensionais, as rodas se sobrepunham, o que dificultava a tarefa, mas ele conseguiu chegar a dois números: 127 e 235. Números que, segundo o astrônomo Mike Edmunds, eram muito importantes na Grécia antiga.

Seria possível que os gregos antigos estivessem usando a máquina para seguir o movimento da Lua?

Números que começaram a surgir coincidiam com os conhecimentos dos gregos da época
Números que começaram a surgir coincidiam com os conhecimentos dos gregos da época

A ideia era revolucionária e tão avançada que Price chegou a questionar a autenticidade daquele objeto. “Se cientistas gregos antigos podiam produzir esses sistemas de engrenagens há dois milênios, toda a história da tecnologia do Ocidente teria que ser reescrita”, diz o matemático Freeth.

Mecanização do conhecimento?

A cultura grega de dois milênios atrás é uma das mais criativas da humanidade, e os investigadores daquele objeto não questionavam o desenvolvimento da civilização grega, inclusive na astronomia.

Os gregos antigos sabiam muito sobre os corpos celestes, por mais complicadas que fossem suas órbitas
Os gregos antigos sabiam muito sobre os corpos celestes, por mais complicadas que fossem suas órbitas

Os gregos sabiam, por exemplo, como os corpos celestes se moviam no espaço, podiam calcular suas distâncias da Terra e a geometria de suas órbitas. Mas teriam sido capazes de fundir astronomia e matemática em um artefato e programá-lo para seguir o movimento da Lua?

O número 235 que Price havia encontrado era a chave do mecanismo para computar os ciclos da Lua .

“Os gregos sabiam que de uma nova Lua a outra se passavam, em média, 29,5 dias. Mas isso era problemático para seu calendário de 12 meses no ano, porque 12 x 29,5 = 354 dias, 11 dias a menos do que o necessário”, afirmou Alexander Jones, historiador especializado em astronomia antiga. ” O ano natural, com as estações, e o ano-calendário perderiam a sincronia.”

As contas não fechavam se apenas um ano solar fosse levado em conta, mas em um ciclo de 19 anos...
As contas não fechavam se apenas um ano solar fosse levado em conta, mas em um ciclo de 19 anos…

Os gregos, contudo, sabiam que 19 anos solares são exatamente 235 meses lunares, o chamado ciclo Metônico. Isso significa que, se você tem um ciclo de 19 anos, a longo prazo seu calendário estará em perfeita sintonia com as estações.

O ciclo Metônico foi identificado em um dos fragmentos da máquina de Anticítera…

Revoluções

Graças aos dentes das engrenagens, a máquina começou a revelar seus segredos. As fases da Lua eram extremamente úteis na época dos gregos antigos. De acordo com elas, eles determinavam as épocas de plantio, estratégias de batalha, festas religiosas, momentos de pagar dívidas e autorizações para viagens noturnas.

O outro número, 127, serviu para Price entender outra função da máquina relacionada com nosso satélite natural: o aparelho também mostrava as revoluções da Lua ao redor da TerraApós 20 anos de investigação intensa, Price concluiu que havia desvendado aquele artefato.

Mas ainda havia peças do quebra-cabeças por encaixar.

Engrenagens identificadas pelos cientistas não estavam encaixadas, e montar o quebra-cabeças demandou muito trabalho
Engrenagens identificadas pelos cientistas não estavam encaixadas, e montar o quebra-cabeças demandou muito trabalho

O futuro 223

O passo seguinte demandou tecnologia feita sob encomenda para aquele desafio. Uma equipe internacional dedicada a estudar a máquina conseguiu convencer o engenheiro de raios-X Roger Hadland a criar um equipamento especial para fazer imagens do mecanismo.

E, usando outro aparelho que havia realçado os escritos que cobrem boa parte dos fragmentos, encontraram uma referência às engrenagens e a outro número chave: 223.

Três séculos antes da idade de ouro de Atenas, astrônomos babilônios antigos descobriram que 223 luas após um eclipse (cerca de 18 meses e 11 dias, período conhecido como ciclo Saros), a Lua e a Terra voltavam para a mesma posição, de modo a provavelmente produzir outro eclipse.

Graças a milhões de tabelas com dados históricos que arquivaram ao longo do tempo, babilônios encontraram o padrão dos eclipses
Graças a milhões de tabelas com dados históricos que arquivaram ao longo do tempo, babilônios encontraram o padrão dos eclipses

“Quando havia um eclipse lunar, o rei babilônio deixava o posto e um substituto assumia o poder, de modo que os maus agouros fossem para ele. Logo, o substituto era morto e o rei voltava a assumir sua posição”, conta John Steele, especialista em Babilônia do Museu Britânico.

E 223 era o número de outra roda do mecanismo. A máquina de Anticítera podia prever eclipses . Não apenas o dia, mas a hora, direção da sombra e cor com a qual a Lua apareceria.

Informações sobre eclipses que pesquisadores encontraram na máquina de Anticítera são surpreendentemente sofisticadas
Informações sobre eclipses que pesquisadores encontraram na máquina de Anticítera são surpreendentemente sofisticadas

Tudo dependia da Lua

Como se tudo isso não fosse bastante, os pesquisadores descobriram outra maravilha. O ciclo Saros, uma interação repetitiva de 223 meses do Sol, da Terra e da Lua, dependia do padrão da Lua e “nada sobre a Lua é simples”, diz Freeth.

Não apenas a Lua tem a órbita elíptica – assim viaja mais rapidamente quando está mais perto da Terra -, mas essa elipse gira lentamente, em um período de 9 anos. Podia, então, a máquina de Anticítera rastrear o caminho flutuante da Lua?

Sim, podia: duas engrenagens menores, uma delas com uma pinça para regular a velocidade de rotação, replicavam com precisão o tempo de órbita da Lua, e outra, com 26 dentes e meio, compensava o deslocamento dessa órbita.

E, ao examinar o que sobrara da parte frontal do aparelho, os investigadores concluíram que ele tinha um planetário como os gregos entendiam o Universo naquele momento: a Terra no centro e cinco planetas ao redor.

O movimento dos cinco planetas que podiam ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno
O movimento dos cinco planetas que podiam ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno

” Era uma ideia extraordinária: pegar teorias científicas da época e mecanizá-las para ver o que aconteceria dias, meses e décadas depois”, diz o matemático.

Mistério dentro de um enigma

“Essencialmente, foi a primeira vez que a raça humana criou um computador”, acrescenta Freeth. “É incrível como um cientista daquela época descobriu como usar engrenagens para rastrear os complexos movimentos da Lua e dos planetas.”

Mas quem foi esse cientista?

Uma pista estava em outra função da máquina. O aparelho também previa a data exata dos Jogos Pan-Helênicos: quatro festivais separados que se realizavam periodicamente na Grécia Antiga: Jogos Olímpicos, ou de Olímpia, Jogos Píticos, Jogos Ístmicos e Jogos Nemeus.

O curioso é que, embora os Jogos de Olímpia tivessem mais prestígio, os Jogos Ístmicos, em Corinto, apareciam em letras maiores.

Chamava a atenção o destaque aos jogos que eram celebrados no istmo de Corinto a cada dois anos, em homenagem a Poseidon, deus grego do mar
Chamava a atenção o destaque aos jogos que eram celebrados no istmo de Corinto a cada dois anos, em homenagem a Poseidon, deus grego do mar

Os investigadores já tinham notado que os nomes dos meses que apareciam em outra engrenagem da máquina eram coríntios. As evidências sugeriam que o criador da máquina era um coríntio que vivia na colônia mais rica: Siracusa.

Siracusa era lar do mais brilhante dos matemáticos e engenheiros gregos: Arquimedes .

Trata-se, talvez, do cientista mais importante da Antiguidade clássica, que determinou a distância da Terra à Lua, descobriu como calcular o volume de uma esfera, o número fundamental π e havia garantido que moveria o mundo com apenas uma alavanca.

“Só um matemático brilhante como Arquimedes poderia ter desenhado a máquina de Anticítera”, opina Freeth.

Arquimedes: Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo.
Arquimedes: Deem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo.

Sabe-se que Arquimedes estava em Siracusa quando romanos conquistaram a cidade, e que o general Marco Claudio Marcelo havia ordenado que o cientista não fosse morto, mas um soldado acabou assassinando o matemático.

Siracusa foi saqueada e seus tesouros foram enviados a Roma. O general Marcelo levou consigo duas peças – ambas, diziam, eram de Arquimedes . Os investigadores acreditam que fossem versões anteriores da máquina.

Um indício está em uma descrição que o orador Cícero fez de uma das máquinas de Arquimedes que viu na casa do neto do general Marcelo:

“Arquimedes encontrou a maneira de representar com precisão, em apenas um aparato, os variados e divergentes movimentos dos cinco planetas com suas distintas velocidades, de modo que o mesmo eclipse ocorre no globo (planetário) e na realidade.”

Cícero descreveu um planetário semelhante ao da máquina de Anticítera
Cícero descreveu um planetário semelhante ao da máquina de Anticítera

Mas o que aconteceu com a brilhante tecnologia da máquina? Por que ela se perdeu?

Como tantas outras coisas, com a queda da civilização grega e, mais tarde, da romana, os conhecimentos “imigraram” para o Oriente, onde foram mantidos por bizantinos e árabes eruditos. O segundo artefato com engrenagens de bronze mais antigo é do século 5 e tem inscrições em árabe.

E, no século 8, os mouros levaram esses conhecimentos de volta à Europa.

Todas as peças para introduzir os conhecimentos em uma só máquina
Todas as peças para introduzir os conhecimentos em uma só máquina

Investigações anteriores apontaram que a máquina estava dentro de uma caixa de madeira que não sobreviveu ao tempo. Uma caixa que continha todo o conhecimento do planeta, do tempo, espaço e Universo.

“É um pouco intimidador saber que, logo antes da queda de sua grande civilização, os gregos antigos tinham chegado tão perto de nossa era, não apenas em pensamento mas na tecnologia científica”, disse Derek J. de Solla Price.

Os pesquisadores esperam agora criar um modelo por computador com o funcionamento da máquina, e com o tempo, desenvolver uma réplica funcional.

Surge a pergunta inevitável, o que mais estariam fazendo os gregos nessa época? Quanto ao seu valor histórico e seu caráter único, o mecanismo é até mais valioso do que Mona Lisa…

 

 

Fonte:

BBC

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A Inteligência Artificial pode dominar o mundo

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Um laptop capaz de ganhar milhões no mercado financeiro, controlar arsenais bélicos e manipular a política desbanca em minutos o exterminador do futuro.

Com essa cena, o professor Stuart Armstrong, da Universidade de Oxford, abre o livro “Smarter Than Us” (Mais Inteligentes do Que Nós), em que explica como a inteligência artificial (IA) é diferente do que é difundido pela cultura pop.

Justamente por isso, ela seria muito mais ameaçadora do que imaginamos.

A IA é um risco “único” porque simula e supera o ser humano na sua principal vantagem sobre a natureza: a inteligência. Quando um computador domina uma atividade, nenhum ser humano conseguirá fazê-la melhor, diz o professor. Esses sistemas teriam capacidades de concentração, paciência, velocidade de processamento e memória muito superiores à nossa.

A combinação dessas características com habilidades econômicas ou sociais permitiria à inteligência artificial controlar o mundo, segundo ele. Um computador com habilidades sociais, por exemplo, poderia processar milhares de discursos políticos, estatísticas e referências culturais rapidamente, escolhendo qual o argumento mais convincente para fazer um eleitor votar em um candidato ou defender certa bandeira política.

(imagina um computador desses a serviço dos partidos políticos no Brasil? Nunca mais sairiam do poder, alternando seus candidatos infinitamente e… Não, espere, isso é ficção-científica, nunca aconteceria…)

Continuando, raciocínio semelhante vale para o mercado financeiro: uma sistema desses poderia cruzar informações sobre indicadores econômicos, decisões políticas e balanços de empresas de modo mais rápido e mais preciso.

Os defensores dessas tecnologias rebatem dizendo que esses problemas poderiam ser evitados por meio de uma programação ética, que fizesse a máquina sempre optar pela “escolha moral” – como salvar uma vida em vez de um carro. Algo que o autor Isaac Asimov preconizava em sua obra “Eu, Robô”. Mas, segundo Armstrong, é impossível fazê-lo tanto matematicamente quanto “filosoficamente”, porque as possibilidades de dilemas éticos são infinitas.

O físico Stephen Hawking já disse que “o desenvolvimento de uma inteligência artificial pode significar o fim da raça humana”.

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Mas, os especialistas em inteligência artificial (IA) são céticos quanto aos cenários catastróficos descritos no estudo resumido no quadro acima, elaborado pela Fundação Global Challenges, em parceria com o Instituto Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Segundo eles,  ainda que exista um risco, as pesquisas ainda estão longe de produzir algo nos moldes narrados pelo estudo. Jogar xadrez, uma das habilidades mais avançadas de IA hoje, nem se compara à capacidade de cálculo e ao volume e diversidade de informações necessários para analisar o mercado financeiro.

E, mesmo que cheguemos a esse ponto, ainda poderemos controlar as máquinas porque nenhum sistema é à prova de invasões… Bem, quem afirma isso são esses professores…

De todo modo, acho importante a gente ficar ligado nisso… Afinal, quase sempre a realidade supera em muito a ficção.

Fonte: 

Folha de S. Paulo

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Para fugir do ar-condicionado, Microsoft ‘mergulha’ data center

O data center Leona Philpot antes de ser colocado nas águas do oceano Pacífico, na Califórnia.

Inspirados por Júlio Verne, os pesquisadores da Microsoft acreditam que o futuro dos data centers possa estar no fundo do mar.

A Microsoft testou o protótipo de uma central autônoma de processamento de dados capaz de operar centenas de metros abaixo da superfície do oceano, eliminando um dos mais dispendiosos problemas que o setor de tecnologia enfrenta: o custo do ar-condicionado.

Os data centers atuais, que processam absolutamente todos os dados do setor de tecnologia, dos serviços de vídeo on-line às redes sociais, abrigam milhares de servidores que geram muito calor. E quando o calor é demais, os servidores caem.

Colocar todo esse equipamento sob a água gélida do oceano poderia resolver esse problema. Também poderia atender às demandas de energia do mundo da computação, que crescem exponencialmente, porque a Microsoft está considerando combinar o sistema a uma turbina ou a um módulo que aproveita a energia das marés para gerar a eletricidade necessária ao funcionamento do data center.

Esse esforço, batizado de Project Natick, pode levar à colocação de gigantescos tubos de aço conectados por cabos de fibra óptica no leito do oceano. Outra possibilidade seria posicionar cápsulas metálicas cilíndricas em suspensão abaixo da superfície do mar, para capturar as correntes oceânicas com turbinas que geram eletricidade.

EMPECILHOS

Uma ideia radical como essa poderia encontrar obstáculos, entre os quais preocupações ambientais e questões técnicas imprevistas. Mas os pesquisadores da Microsoft afirmam que a produção em massa das cápsulas poderia encurtar o prazo necessário para colocar novos data centers em operação, dos dois anos necessários hoje para instalar uma central de processamento de dados em terra para apenas 90 dias, o que ofereceria imensa vantagem de custo.

Os recipientes contendo servidores submarinos também poderiam ajudar a fazer com que os serviços de web operem mais rápido. Boa parte da população do planeta vive em centros urbanos perto do oceano, mas bem distante dos data centers, em geral construídos em áreas distantes e com muito espaço disponível.

A capacidade de posicionar poder de computação perto dos usuários reduziria a latência, ou seja, a espera que as pessoas encaram para receber dados ou acessar serviços, o que é uma questão importante para os usuários da web.

Com o lançamento de tecnologias diversificadas do entretenimento digital e a rápida chegada da “internet das coisas”, a demanda por computação centralizada vem crescendo exponencialmente. A Microsoft administra mais de cem data centers em todo o mundo, e continua a construir novas centrais em ritmo acelerado. A empresa já investiu mais de US$ 15 bilhões em um sistema mundial de data centers que agora responde pelo fornecimento de mais de 200 serviços on-line.

MEMÓRIA

“Quando você pega o seu smartphone, pensa que está usando um computador pequeno e miraculoso, mas na verdade está usando mais de cem computadores diferentes localizados nessa coisa conhecida como a nuvem”, disse Peter Lee, vice-presidente da Microsoft Research. “E quando você multiplica isso por bilhões de pessoas, o resultado é um volume espantoso de trabalho de computação.”

A companhia recentemente concluiu um teste de 105 dias de duração com uma cápsula de aço de 2,40 metros de diâmetro posicionada 10 metros abaixo da superfície do oceano Pacífico na costa do centro da Califórnia, diante de San Luis Obispo. Controlado de escritórios na sede da Microsoft em Redmond, o teste se provou mais bem-sucedido do que os pesquisadores antecipavam.

Os pesquisadores estavam preocupados com defeitos no hardware e com a possibilidade de vazamentos. O sistema subaquático estava equipado com cem sensores diferentes para medir pressão, umidade, movimento e outras condições para compreender melhor como é operar em um ambiente ao qual é impossível enviar um técnico para consertar defeitos no meio da madrugada.

O sistema se manteve funcional. Isso levou os engenheiros a prolongar o prazo da experiência e até a operar nele projetos de processamento de dados comerciais do Azure, o sistema de computação em nuvem da Microsoft.

O primeiro protótipo, que ganhou o carinhoso apelido “Leona Philpot” –uma personagem na série de videogames Halo, da Microsoft– foi recuperado e trazido para a sede da empresa, com o revestimento metálico parcialmente coberto de crustáceos.

Fonte:
JOHN MARKOFF, The New York Times
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Perguntas sem resposta…

*Como se escreve zero em algarismos romanos?

*Por que os filmes de batalha espaciais têm explosões tão barulhentas, se o som não se propaga no vácuo?

 * Se depois do banho estamos limpos, por que lavamos a toalha?
* Como é que a gente sabe que a carne de chester é de chester se nunca ninguém viu um chester? (aliás, quem já viu o ovo de um chester?)

* Por que, quando aparece no computador a frase ‘Teclado Não Instalado’, o fabricante pede para apertar qualquer tecla?

* Se os homens são todos iguais, por que as mulheres escolhem tanto?

*Por que as luas dos outros planetas têm nome, mas a nossa é chamada só de Lua?

*Por que, quando a gente liga para um número errado, nunca dá ocupado?

*Por que as pessoas apertam o controle remoto com mais força, quando a pilha está fraca?

*O instituto que emite os certificados de qualidade ISO 9002 tem qualidade certificada por quem?

*Quando inventaram o relógio, como sabiam que horas eram, para poder acertá-lo?

*Como foi que a placa ‘É Proibido Pisar na Grama’ foi colocada lá?

*Por que quando alguém nos pede que ajudemos a procurar um objeto perdido, temos a mania de perguntar: ‘Onde foi que você perdeu?’

*Por que tem gente que acorda os outros para perguntar se estavam dormindo?

*Se o Pato Donald não usa calças, por que ele amarra uma toalha na cintura quando sai do banho?

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Olha que legal! Um encontro digital com 40 anos de diferença!

Pela perfeição, é difícil acreditar que se trata de uma montagem. A aparição da cantora no palco está perfeita demais. . .

A reação do público quando ela entra em cena, idem; o trecho em que ela canta e o Elvis apenas toca, nem se fala!!  Quem fez essa montagem é muito talentoso! Veja e tire sua conclusão.
Este encontro (digital) entre Elvis Presley e Martina McBride tem 40 anos de diferença, Elvis estava em 1968 e Martina em 2008.

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Breve história dos computadores

Esta história vale a pena conhecer…

Há muitos milênios, a máquina de calcular era o ábaco, que teria sido usado pela primeira vez na Mesopotâmia. 

Em 1622, apareceram as primeiras réguas de cálculo, muito semelhantes às que os engenheiros usaram até não muito tempo atrás. 

Em 1672, a calculadora automática de Leibniz fazia cálculos das 4 operações e ainda extraía a raiz quadrada. 

Hermann Hollerith inventou, em 1880, uma máquina para realizar as operações de recenseamento da população. A máquina fazia a leitura de cartões de papel perfurados em código binário e efetuava contagens da informação referente à perfuração respectiva. Ele também foi um dos fundadores da IBM.  

Em 1943, sob encomenda da Marinha, a IBM construiu o Mark I, uma máquina totalmente eletromecânica, com 17 metros de largura, 2, 5 metros de altura e 5 toneladas de peso. 

Usado para fins bélicos, ele tinha 750.000 peças unidas por aproximadamente 80 km de cabos. Quando em funcionamento, dizia-se que produzia o ruído de uma grande sala cheia de velhinhas tricotando ao mesmo tempo.

ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer) foi o primeiro computador digital eletrônico de grande escala. Criado em fevereiro de 1946 pelos cientistas norte-americanos John Eckert e John Mauchly,  começou a ser desenvolvido em 1943 durante a II Guerra Mundial para computar trajetórias táticas que exigissem conhecimento substancial em matemática, mas só se tornou operacional após o final da guerra. Ele ocupava 270 m2, pesava 30 toneladas e sua capacidade operacional equivalia à de uma calculadora eletrônica simples de hoje. 

1954, Computadores IBM 650.

Disco rígido em 1956 – 5 MB. 

1967 – 1980, disco de 8 polegadas, capacidade de armazenagem 79,7 Kb. 

Em 1969, em plena “guerra fria” entre os EUA e a URSS, a ARPA (Advanced Research Projects Agency), uma subdivisão dos Departamento de Defesa americano, cria uma rede com os dados do governo espalhados por vários lugares, para que não fossem guardados em um único servidor. Esse foi o embrião da internet.  

Um PC de 1981.

Em pouco mais de 30 anos, evoluímos rapidamente para um novo tipo de armazenamento de dados.

    

E saímos, nesses 70 anos, do Eniac para os laptops e tablets.

A rede mundial. Essa é a 3ª onda da humanidade, um império sem rei que ainda não conhece a magnitude de seu poder. 

Enviado por Amalia Dan.
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E-Mail Errado

Um homem foi viajar a negócios e, quando chegou ao destino e foi para seu quarto no hotel, viu que havia um computador com acesso à internet, então decidiu enviar um e-mail à mulher. Mas errou uma letra, sem se dar conta, e o enviou ao endereço de outra pessoa…

O e-mail foi recebido por uma viúva que acabara de chegar do enterro do marido e que, ao conferir seus e-mails, desmaiou instantaneamente. O filho, ao entrar em casa, encontrou sua mãe desmaiada perto do computador, onde se lia na tela:


Querida esposa

Cheguei bem. Provavelmente se surpreenda em receber notícias minhas por e-mail, mas agora tem computador aqui e pode-se enviar mensagens às pessoas queridas. Já me certifiquei de que está tudo preparado para quando você chegar na sexta que vem. Tenho muita vontade de te ver e espero que sua viagem seja tão tranquila como está sendo a minha.

PS: Não traga muita roupa, porque aqui faz um calor infernal.

 

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O leitor, onde está o leitor?

Este texto foi originalmente publicado há três anos, mas republico porque continua atual e importante.

Aplauso. Crianças na Casa de Leitura Chico Mendes, em Rio Branco, Acre: cultura e natureza – Governo do Acre/Divulgação

 

Os editores brasileiros revelam que estão publicando livros “demais”. Isto é uma verdade ou um mal- entendido? Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras disse que publica 280 títulos por ano e que “não dá para crescer mais com obras de mercado, até porque o mercado está muito competitivo. (…). Há editoras que hoje não conseguem entrar em redes de livrarias com um exemplar de algum título. Há uma superprodução. De livros, escritores, editores, um número de editoras grande surgindo”.

Sergio Machado, do Grupo Editorial Record, informou que em 2010 o Brasil editou 55 mil títulos, numa média de 210 obras por dia. Só a própria editora Record, comentou, coloca no mercado 80 títulos por mês. Seu proprietário revelou que tem 2 milhões de livros em galpões que lhe custam uma despesa alta.

Eis uma crise paradoxal. De excesso e de carência. Excesso de livros ou carência de leitores? Assim como um copo com metade de água pode ser visto como um espaço metade cheio ou metade vazio, permitam-me examinar a questão por outro ângulo, fazendo uma correção: o Brasil não produz livros “demais”, o Brasil produz leitores de menos. Há que “produzir” o leitor. E não estou falando de alfabetização. Essa cadeia do livro não existe sem o destinatário: o leitor. Não há excesso de livros, há falta de bibliotecas, de livrarias e de leitores. Há, por outro lado, centenas de iniciativas governamentais e particulares tentando corrigir isto. Todos, não só os editores, temos que modificar o conceito de livro, livraria, biblioteca, leitor e leitura, pois na verdade todo esse sistema em torno do livro está em crise (ou “metamorphose”).

Mas que crise é essa? Vejamos.

Crise, leitura e o pré-sal. Falar de leitura é uma auspiciosa novidade. Na década de 20 do século passado, Monteiro Lobato fundou uma editora brasileira e a literatura infantil. Com Borba de Morais e Mário de Andrade, na década de 30, redescobriu-se a biblioteca pública. Na mesma época o governo federal criou o Instituto Nacional do Livro pensando em editar uma enciclopédia e livros. Nos anos 50, Paulo Freire reinventou a alfabetização fazendo um plantador de cana aprender a ler em 45 dias.

Mas o conceito de leitura sempre esteve oculto, era o não-dito.

Leitura não se limita à “alfabetização”. Leitura não se limita à escola: trata-se de formar uma sociedade leitora, para o País enfrentar os desafios do século 21. Só em 1992 é que através do Proler pensou-se em implementar uma Política Nacional de Leitura. E desde 2006 que o PNLL (Plano Nacional do Livro e da Leitura) insiste numa política de leitura que atravesse todos os ministérios e seja uma determinação da Presidência da República. A rigor se poderia dizer: leitura é uma questão de segurança nacional.

Considerada a leitura como algo além da escola, algo além da alfabetização, algo que vai lidar com o “analfabetismo funcional” e com o “analfabetismo tecnológico”, haverá (como já começa a haver) programas de leitura em hospitais, quartéis, fábricas, sindicatos, empresas, tribos indígenas, igrejas, condomínios, acampamentos agrários, comunidades quilombolas, favelas, programas para aposentados e programa para cegos, surdos, mudos e outros deficientes físicos, etc.

Nos últimos anos, “agentes de leitura” e “mediadores de leitura” se espalharam pelo Brasil. A experiência positiva dos agentes de leitura no Ceará foi levada para o Ministério da Cultura e expande-se em vários Estados. No Acre foram criadas mais de cem Casas da Leitura interagindo com uma nova maneira de ler a cultura e a natureza. Os agentes ou mediadores de leitura devem chegar a 15 mil brevemente e têm sido treinados por instituições como a Cátedra de Leitura da PUC-RJ. O ideal é que se mesclem com os “agentes de saúde” e os “médicos de família”.

Nessa redescoberta da leitura, onde havia apenas o Instituto Nacional do Livro, espera-se a criação do Instituto do Livro, da Leitura e da Biblioteca e a nova administração da Fundação Biblioteca Nacional planeja construir 25 mil bibliotecas populares com livro de qualidade a 10 reais.

Enfim, a leitura é o verdadeiro pré-sal. O petróleo em si não resolve os problemas básicos de um país. Há países que têm petróleo e têm terríveis desigualdades sociais e opressão política. Há países que não têm petróleo e estão na ponta do processo civilizatório. E todos os países que realmente se desenvolveram passaram pela leitura. A leitura torna os livros vivos e desenvolve os países.

Torna-se irrecusável contar uma história verdadeira que narrei na recente Jornada Literária de Passo Fundo, quando Alberto Manguel e Kate Wilson debatiam equivocadamente sobre esse tema. Diz-se que o Marechal Rondon, no princípio do século passado, foi designado para conquistar grande parte do território brasileiro levando a comunicação através de postes e fios que conduziam mensagens telegráficas. Depois de ter instalado praticamente em todo o País esse sistema de comunicação, ao colocar o último poste na fronteira da Bolívia, ele foi surpreendido com a notícia de que Marconi havia acabado de descobrir o telégrafo sem fio…

Cem anos depois a situação se repete. Conseguiremos fazer na era do livro eletrônico o que não conseguimos fazer na era do livro impresso?

Se não conseguimos em 500 anos colocar uma biblioteca em cada canto do País, por outro lado, cada cidadão está se convertendo, à revelia de nossa incompetência histórica, em um “consumidor” de informação através da informática, do Google, da internet. Se temos apenas 2.600 livrarias e 6.500 cinemas, é bom que nos espantemos e nos rejubilemos com o fato de que temos 109.000 lan-houses e que só uma favela como a da Rocinha, que tem apenas uma biblioteca heroicamente construída e seguramente não possui nenhuma livraria, tem, por outro lado, 200 lan-houses.

Inclusão digital
Tem-se falado muito de “inclusão digital”. O Ministério da Comunicação (Gesac) informa que “telecentros” estão sendo implantados em todo o País e já existem 13.379 em 5.564 municípios. Eles podem ter o papel que as bibliotecas convencionais deveriam ter tido. Os “promotores de inclusão digital” são irmãos gêmeos dos recentes “agentes de leitura” ou “agentes de cultura”. Os telecentros oferecem 6.200 kits do MC às prefeituras. O telefone portátil, o iPad e o Google são uma realidade. Os 200 milhões de celulares são 200 milhões de bibliotecas em potencial à espera de nossa criatividade. Assim como um viajante do século 18 tinha uma maleta de viagem em que carregava algumas dezenas de livros para ler, hoje pela internet todos podem ter uma biblioteca em suas mãos, seja nas margens do Tocantins ou no Sul do País.

O Brasil está vivenciando três fatos novos:

1) A invasão da eletrônica em nossa vida cotidiana, nos jogando em outra era.

2) O surgimento de outras gerações chamadas de X, Y, Z, pelos especialistas em marketing: jovens que vivem zapeando. São “dispersivos”, fazem várias coisas ao mesmo tempo, não têm o sentido de “concentração” unidirecional que era a nossa característica. Nós os achamos superficiais. Mas, e se estivermos realmente diante de um fenômeno de mutação não exatamente genética, e sim cultural? Um daqueles momentos de “point of no return” que remete para a metáfora que McLuhan usou: a lagarta assustada olhando uma borboleta em seu esplendor, dizia: “Eu nunca me transformarei num monstro daqueles…”.

3) A emergência das classes C, D e E que até agora estavam fora do mercado, da comunicação e da cultura livresca. Quando a gente fala de classe C, falamos de um século de exclusão, sem saúde, sem saber o que é política.

Lembremos: o aprendizado já foi oral – o essencial era o uso da memória. Com a evolução, o saber passou a ser escrito. Hoje, passa pelo visual. Ou pode-se dizer, é oral, é escrito e também visual. O oral, o escrito e o visual se complementam.

Em algumas ocasiões tenho dito que, provavelmente, somos a última geração letrada. Gostaria de estar equivocado, que o futuro me desmentisse. Ou que descobrisse, ou que descobríssemos formas novas de ler. Se olharmos a história do Brasil, podemos detectar três momentos culturais e econômicos relevantes que nos forçam a uma decisão crucial no presente:

1) A febre do ouro e da pedras preciosas ocorreu quando éramos colônia e essa riqueza escoou para os cofres dos dominadores.

2) Tendo perdido essa chance, perdemos também a chance da revolução industrial nos séculos 18 e 19, porque aqui predominava a escravidão, a cultura agrária e a coroa brasileira era apenas cliente dos produtos industrializados europeus.

3) Estamos diante da revolução digital. Se perdemos as duas revoluções anteriores, hoje há algumas coincidências: a revolução digital chega com a avassaladora globalização, no momento em que o Brasil supostamente autossuficiente de petróleo incorpora outras classes e descobre o pré -sal.

Repito, para terminar: o verdadeiro pré-sal é a cultura e/ou a leitura. Os animais, os peixes, as árvores e até as bactérias leem constantemente o mundo antes de tomarem qualquer decisão. Por que o ser humano insiste em andar às cegas no universo da comunicação?

 

AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

É ESCRITOR, EX-PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL, CRIADOR DO PROLER (PROGRAMA NACIONAL DE INCENTIVO À LEITURA), DO SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS, E EX-SECRETÁRIO GERAL DA ASSOCIAÇÃO DE BIBLIOTECAS NACIONAIS IBERO AMERICANAS, AUTOR, ENTRE OUTROS, DE SÍSIFO DESCE A MONTANHA (POESIA, ROCCO)