Há 50 anos, os Beatles iniciavam a invasão dos Estados Unidos – e do mundo!

(*) Por Michael Sebastian, do Advertising Age

“Quem são os Beatles?” Essa pergunta ricocheteou pelos perfis do Twitter durante a cerimônia de premiação do Grammy 2014, quando Paul McCartney e Ringo Starr se reuniram no palco para uma apresentação.

Essa é uma pergunta absurda, mesmo vindo daqueles que mal têm idade suficiente para twittar. A conta oficial dos Beatles no Twitter tem mais de dois milhões de seguidores. O perfil de Paul McCartney na mesma rede social tem 1,7 milhão de seguidores. A banda, que se separou há 44 anos, vendeu aproximadamente 350 milhões de álbuns e mais de 2,7 milhões de músicas digitais no ano passado, segundo a Nielsen SoundScan. Eles continuam com uma presença constante nas ondas do rádio. “Love”, show do Cirque du Soleil inspirado na obra dos Beatles, continua uma atração popular em Las Vegas e o CD da trilha, de 2006, vendeu mais de 6 milhões de cópias..

No que diz respeito ao mercado de mídia e marketing, a Beatlemania está viva e muito bem no aniversário de 50 anos da estreia da banda na TV norte-americana no The Ed Sullivan Show.

PS: eu havia colocado aqui um vídeo do show completo, mas a Apple Corps. mandou uma notificação para o YouTube, mandando retirar o material – provavelmente porque existe um DVD com essa gravação à venda… Então substituí apenas por este trechinho do show, que por enquanto ainda está no ar…

O Fab Four apareceu recentemente na capa de revistas, dentre elas a Rolling Stone. Títulos da Time Inc. como Time, People e Life estão publicando livros sobre a banda. A iTunes Store está vendendo álbuns da banda recém-remasterizados. A Vans criou um sapato com o tema Beatles. Já a Bloomingdale’s está comercializando uma coleção de itens – que vão de abotoaduras a paletós – criada por designers britânicos. A Target, por sua vez, está veiculando comerciais na TV promovendo o CD “Beatles 1”, compilação de sucessos que atingiram a primeira posição nas paradas, originalmente lançado em 2000.

A celebração final ocorrerá no domingo, 9 de fevereiro – exatos 50 anos da apresentação no programa de Ed Sullivan – com um especial de duas horas com Paul e Ringo na CBS, rede na qual a performance foi ao ar. “A apresentação é a quintessência da história da cultura pop e é parte da nossa história corporativa”, disse Jack Sussman, vice-presidente executivo de especiais, música e eventos ao vivo da CBS Entertainment. O concerto vai apresentar músicos de várias gerações tocando hits dos Beatles e imagens de arquivo da banda, segundo Sussman, que não quis revelar os patrocinadores. Por mais uma vez, Paul e Ringo vão dividir o palco.

Obviamente, o mercado de mídia é muito diferente daquele de 1964: a aparição dos Beatles na atração do Ed Sullivan atraiu a atenção de 73 milhões de telespectadores – número cerca de cinco vezes maior que um show top nos dias de hoje.

Tradução: Fernando Murad

A chegada da banda a Nova York, em 7 de fevereiro de 1964, foi episódio fundamental na história da música pop. É um marco da “invasão britânica” às paradas americanas. Mas, para o “New York Daily News”, seria apenas “leve entretenimento” passageiro, enquanto não vinham problemas mais pesados, como a Guerra Fria.

No aeroporto, John, Paul, George e Ringo rebateram perguntas maliciosas em entrevista coletiva. “Que acham de Beethoven?”, quis saber um repórter. “Ótimo. Especialmente seus poemas”, troçou Ringo. “Já decidiram quando vão se aposentar?”, atacou outro. “Semana que vem”, disse Lennon. A banda seguiu por mais seis anos e nunca mais foi tratada com tanto desdém.

Mas na época, sofreu pesado bombardeio da mídia (se quiser ver a imagem maior, basta clicar em cima e ela abre em uma nova janela, onde pode ser ampliada):

OBS – Curioso como o tom dos comentários nos jornais, mesmo com meio século de idade, se parecem muito com os comentários atuais sobre inúmeros assuntos. A mídia, e as pessoas, não mudaram muito depois de 50 anos…

As piores e as mais icônicas capas de álbuns

O camarada Urbano Luciano (https://www.facebook.com/Urbano01/about) deu a dica …

Mas antes, um pouco de história. Houve um tempo em que a gente comprava música, e a ouvia, de uma maneira diferente da de hoje. Ainda não existia MP3 e nem essa de fazer download na internet. Você precisava comprar o disco de vinil, ou LP (long-play), uma mídia para reprodução musical que usava esse material plástico onde se registrava as informações de áudio que eram reproduzidas em um toca-discos.

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Isso era um disco de vinil, ou LP. Essas ranhuras circulares eram as faixas, cada uma uma música.

Isso é um toca-discos. Você geralmente acoplava nele caixas de som poderosas e,  se ouvisse um LP do AC/DC, podia derrubar a casa.

O LP começou a perder espaço na década de 1990, com o advento de outras mídias, mas voltou timidamente na primeira década deste século. Os audiófilos preferem o vinil por acreditarem que ele reproduz o som com mais fidelidade que o CD, pois sendo uma mídia analógica possui graves e agudos mais bem definidos.

Mas o LP, à parte a questão da qualidade sonora, tinha uma característica que se perdeu hoje: a arte de suas capas. Quando os LPs dominavam as prateleiras das lojas de disco (aliás, hoje nem lojas de discos há mais…), as capas eram o espaço para obras-primas do design e, não poucas vezes, eram mais memoráveis até do que o próprio conteúdo do disco. E esse movimento de se usar a capa como instrumento poderoso de marketing começou… Por causa do dinheiro!

O aumento contínuo das compras de jukeboxes nos Estados Unidos em meados dos anos 1950 resultou na venda de milhões de álbuns. Como consequência, a indústria fonográfica começou a investir mais no marketing musical. Uma mudança veio em 1955, com o disco “In the Wee Small Hours”, de Frank Sinatra, que foi um lançamento-chave na época, porque todas as suas músicas foram escritas e gravadas especificamente para o álbum, indo na contra-mão dos LPs pops que, em sua maioria, eram apenas a união de diversos singles aleatórios.

O disco de Sinatra foi o ponto de partida para novos designers que o sucederam, seguindo a capa, que era diferente das convencionais da época: um retrato sorridente do artista. Esta exibia o cantor refletindo com um cigarro na mão (na época, era chique portar cigarro) em uma rua deserta. 

Foi a partir de então que a arte migrou definitivamente para as capas dos LPs e, algumas vezes, para os próprios LPs. Há capas icônicas, históricas e fantásticas, e algumas delas vêm a seguir:

Dangerous, Michael Jackson

Dark Side of the Moon, Pink Floyd

Esta capa é o ícone dos ícones: Abbey Road, The Beatles em seu melhor

Outra arte icônica, que virou camiseta, inclusive: Led Zeppelin I, Led Zeppelin

Highway to Hell, AC/DC

Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band… Talvez ele seja o disco mais lendário dos Beatles; teve sua capa copiada centenas de vezes; é frequentemente citado como o melhor e mais influente álbum da história do rock e da música; é rodeado por uma série de lendas… E tem uma saborosa história por trás da produção dessa capa, mas que eu conto outra hora.

Nevermind, Nirvana

Baden Powell À Vontade

Expresso 2222, Gilberto Gil

Verde que te Quero Rosa, Cartola

Mas nem tudo eram flores… Ao lado dessas obras-primas, surgiram também aberrações de todos os tipos, como as que mostro a seguir:

                    

Bem, acho que provei meu ponto. O LP era muito mais divertido!

 

 

 

 

Os Beatles são o grupo mais pirateado do mundo

Acho impressionante, não apenas como fã deles, mas como impacto musical mesmo, que um grupo que acabou há mais de 40 anos continue sendo referência de qualidade.

As músicas dos Beatles recebem cerca de 190 milhões de downloads por ano, à frente de artistas como Bob Marley, Led Zeppelin e Rolling Stones, segundo um estudo elaborado pela plataforma mundial contra a pirataria Muso. Essa plataforma trabalha em todo mundo para detectar sites que permitem a reprodução ou download de conteúdos musicais sem licença, mediante um sistema de controle remoto online. A pesquisa não inclui downloads via torrent. De acordo com a revista “Music Week”, calcula-se que cada arquivo de música dos Beatles seja baixado em média mil vezes.

O que significa isso? Que ainda existem pessoas que prefiram música pop bem feita, criativa, original, sem tantos samplings e “referências”, e que essas pessoas não encontram isso na música de hoje. Ainda há esperanças…

Outra referência que comprova a perenidade dessa banda foi o resultado do leilão na Christie’s de Nova York, que disponibilizou fotos de autoria de Mike Mitchell que registrou, então com 18 anos e com passe de fotógrafo free-lance com acesso aos bastidores, a primeira passagem dos Beatles nos EUA, em 1964. Fotos do concerto no Washington Coliseum, e dos bastidores de coletivas de imprensa estão entre o material exposto.

Alguns exemplos dos preços alcançados:

US$ 4,750.00

US$ 7,500.00

US$ 8,125.00

US$ 16, 250.00

US$ 68,500.00

As fotos são, de fato, fantásticas por si só,  mas será que algum grupo ou artista solo de hoje conseguiria resultado parecido num leilão?

 

No Dia dos Pais, The Mamas and the Papas

O Dia dos Pais no Brasil é celebrado no segundo domingo de agosto. E me veio à mente, quando pensei nisso, o grupo The Mamas and the Papas (As Mamães e os Papais). Sei que não tem nada a ver uma coisa com outra, a não ser a palavra “Papas”, mas fazer o quê?

É assim que minha mente funciona… Eh, eh, eh.

Esse grupo, formado pelo casal John e Michelle Phillips, e mais Danny Doherty e Cass Elliot, começou a ensaiar em 1965 e estourou no ano seguinte, com “Monday, Monday” e “California Dreamin'”. Foi uma das poucas bandas americanas que conseguiu se manter em alta depois da “invasão britânica”, nome que se deu ao afluxo de bandas inglesas se apresentando nos EUA – começando com os Beatles, que abriram as portas, e logo seguidos por Rolling Stones, The Who, The Animals e vários outros.

The Mamas and the Papas foi único porque, além das vocalizações harmoniosas e belas canções, nunca se rendeu à fórmula de outras bandas: um vocalista solo, um guitarrista chamando a atenção para si. Eles pretendiam representar uma ideia, um modo de vida, que fora inspirado pelo “Flower Power”, a força das flores, slogan que simbolizava a ideologia da não-violência e o repúdio à Guerra do Vietnã.

John, o principal compositor da banda, continuou ainda alguns anos no palco, falecendo em 2001. Michelle, depois de sair da banda e se separar de John, engatou uma carreira de atriz, aparecendo em diversos seriados de TV e continua na ativa. Danny seguiu carreira solo, fez dublagens para TV e cinema e faleceu em 2007. Mama Cass, como ficou conhecida, depois de sair do grupo iniciou uma carreira solo de bastante sucesso, e faleceu de ataque cardíaco (ela ostentava um sobrepeso grave) aos 32 anos, em meio a uma turnê.

Abaixo, uma das canções de maior sucesso da banda, “Got a Feelin'”:

E a seguir, uma das que mais gosto e que define bem a filosofia do grupo, “Safe in My Garden” de 1968. Durante a gravação, John teve que pedir a Mama Cass que maneirasse sua voz poderosa, senão iria cobrir as vozes de todos os outros. Ela meio que fez isso, e se conteve um pouco. De fato, Cass se soltou apenas na carreira solo, mesmo, cantando a todos os pulmões, e que pulmões…

Safe in my garden,
An ancient flower grows.
And the scent from its nature
Slowly squares my room and its perfume
Being such that it’s causing me to swoon.

Could it be we were hot-wired
Late one night while very tired
They stole our minds and thought we’d never know it.
With a bottle in each hand, too late to try to understand.
We don’t care where it lands – we just throw it.

Somebody takes us away…
Somebody takes us away…

Safe in my garden,
An ancient flower grows
And the scent from its nature
Slowly squares my room and it’s perfume

Being such that it’s causing me to swoon.

When you go out in the street,
So many hassles with the heat;
No one there can fill your desire.
Cops out with the megaphones,
Tellin’ people stay inside their homes.
Man, can’t they see the world’s on fire?

Somebody take us away…take us away…

Safe in our garden,
An ancient flower grows.
And the scent from its nature…
Slowly squares my room.
Take us away…take us away…

A História dos Beatles

Esta é Liverpool, cidade portuária na Inglaterra que não despertaria maior interesse no mundo…

… se não fosse por um grupo de rapazes que, segundo a Wikipedia, ” foi uma banda de rock britânica e a mais comercialmente bem-sucedida e aclamada da história da música popular”.

Quem for a Liverpool  pode visitar o museu dos Beatles (http://www.beatlesstory.com/) que inclusive tem uma atração interativa que deve ser muito legal.

A história começa nos anos 1950, quando John Lennon montou sua primeira banda…

… que mais tarde recebeu como membros outros dois moleques que gostavam de rock, Paul e, tempos depois, George.

O grupo, ainda sem Ringo, viaja para Hamburgo, na Alemanha, onde tocavam horas sem parar num clube noturno e dormiam numa van…

De volta a Liverpool, são contratados para tocar no Cavern Club, onde acabaram sendo descobertos por um dono de loja de discos que virou seu empresário.

Daí para a frente, vem a gravação dos primeiros discos, já com Ringo na bateria…

… o sucesso na Inglaterra, até que, meio sem querer, a Beatlemania explode no mundo todo depois da viagem que eles fizeram aos Estados Unidos, com sua histórica apresentação em 1964 no programa de maior audiência da TV da época, Ed Sullivan.

Depois da Beatlemania, o grupo decide mergulhar mais profundamente na música, no experimentalismo e testando os recursos de estúdio, até voltarem ao rock básico. Daí ocorrem as várias fases que demonstravam a enorme criatividade dos Fab 4.


    

E estas foram as últimas fotos tirada deles como grupo, dois dias depois da última sessão de gravação de “Abbey Road”. Foram feitas na nova casa de John e Yoko em Ascot, em 22 de agosto de 1969.

 

Piadinhas dos Beatles

_ Diga-me, como vocês chegaram à América?
John: Virando à esquerda na Groelândia.

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_ O que vocês têm a dizer aos jovens americanos?
John: Comprem nossos discos!

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The Beatles se apresentando para a Rainha.
John: Aqueles que estiverem nos assentos baratos, batam palmas. Os demais, basta sacudirem as jóias.

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Como se chama esse corte de cabelo de vocês?
George: Arthur.

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Há uma campanha ”Destruir os Beatles” em Detroit. O que vocês vão fazer quanto a isso?
Paul: Vamos começar uma campanha para destruir Detroit.

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Qual a razão do sucesso de vocês?

John: Se soubéssemos,botaríamos 4 cabeludos no palco e seríamos seus empresários.

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Paul McCartney

Em 1979, o Livro Guinness dos Recordes declarou que Paul é o compositor de maior sucesso da história da música pop de todos os tempos. McCartney teve 29 composições de sua autoria no primeiro lugar das paradas de sucesso, vinte das quais junto com os Beatles (que compôs junto com John Lennon) e o restante em sua carreira solo ou com seu grupo Wings. Ele acabou de passar pelo Brasil com sua turnê e impressionou a todos não apenas com suas músicas (como disse o Zeca Camargo, da TV Globo: “É impressionante! Conhecemos TODAS as músicas que ele tocou em 3 horas de show!”) mas também por sua vitalidade. Abaixo, ele toca com a mesma banda que se apresentou aqui Please, Please Me, de 1962 – um dos primeiros grandes sucessos dos Beatles ao lado de I Saw Her Standing There.