Os maiores mitos e verdades sobre os Beatles

Aproveitando a notícia de que uma exposição sobre os 50 anos dos Beatles estará no Consulado Britânico em São Paulo (http://www.timeout.com.br/sao-paulo/na-cidade/events/2091/beatles-50-anos-de-historia), vou rememorar alguns dos mitos que se construíram ao longo da carreira da maior banda de rock de todos os tempos.

A capa de “Yesterday and Today” era um protesto – Quando foi lançada a coletânea Yesterday and Today, em 1966, muitos tentaram interpretar a capa do vinil: em meio a pedaços de carne e vestindo roupas de açougueiro, os quatro Beatles seguravam bonecas desmembradas. Enquanto uns viram a foto como um protesto contra a Guerra do Vietnã, outros acreditaram se tratar de uma alfinetada na Capitol, pelo fato de a gravadora constantemente “retalhar” os álbuns da banda. A verdade é que a imagem foi apenas a reprodução de um sonho de Robert Whitaker, o fotógrafo, conforme ele mesmo revelou posteriormente. A polêmica foi tanta que forçou a confecção de uma nova capa, fazendo com que a original virasse item de colecionador (recentemente, uma dessas foi vendida num leilão por quase 40 mil dólares!).  Como iria ficar muito caro imprimir uma capa nova, eles imprimiram apenas um adesivo de uma novo foto (abaixo) e colaram por cima. Muita gente rasgou sua capa tentando descolar o adesivo…

The Beatles, Yesterday And Today - 2nd State, USA, Deleted, vinyl LP album (LP record), Capitol, T2553, 293286

O “love affair” entre John Lennon e Brian Epstein – o próprio John falou sobre esse rumor certa vez: “I went on holiday to Spain with Brian… which started all the rumors that he and I were having a love affair. Well, it was almost a love affair, but not quite. It was never consummated. But we did have a pretty intense relationship.” (Fui de férias para a Espanha com Brian … Foi isso que começou todos os rumores de que ele e eu estávamos tendo um caso. Bem, era quase um romance, mas não completamente. Ele nunca foi consumado. Mas nós tivemos um relacionamento muito intenso).  O episódio ocorreu logo após o nascimento do filho de Lennon com sua primeira mulher, Cynthia, e despertou suspeitas pelo fato de Epstein ser gay. Em entrevistas dadas pouco antes de sua morte, no entanto, John negou os boatos e afirmou que se aproximou do empresário porque tinha curiosidade de saber como era ser gay em uma época conservadora como aquela. Já Paul McCartney deu outra versão dos fatos: “John, que não era burro, viu a oportunidade de mostrar ao senhor Epstein quem mandava na banda”.

Bob Dylan apresentou a maconha aos Beatles – A história de que Bob Dylan introduziu os Beatles à maconha em 1964 é desmentida na autobiografia The Beatles Anthology, lançada em 2000 por George Harrison, Ringo Starr, Paul MCartney e Yoko Ono. No livro, Harrison conta que o primeiro cigarro de maconha do grupo foi fornecido por um baterista de outro grupo de Liverpool. “Me lembro que nós fumamos no camarim da banda durante um show em Southport e todos nós aprendemos a dançar o twist naquela noite”, recorda ele. Em outros trechos, citações de John sugerem que o grupo experimentou a droga pela primeira vez em 1960. Mas é fato que em 1964, Dylan e os Beatles se conheceram no hotel Delmonico, em Nova York, quando Dylan sugeriu que eles fumassem um baseado. Dylan enrolou um, passou a John, que o passou a Ringo, seu “provador oficial”, brincou. Como eles ainda não estavam muito acostumados com a etiqueta, que era provar e passar ao próximo, Ringo fumou o baseado todo e obrigou Dylan a enrolar outro…

Eles fumaram maconha no palácio de Buckingham – Ainda falando do tema, John Lennon chocou a sociedade ao afirmar que ele, Paul, George e Ringo fumaram maconha em um banheiro do Palácio de Buckingham em 1965, pouco antes de o grupo conhecer a rainha e receber a medalha da Ordem do Império Britânico. “Ríamos feito loucos porque tínhamos acabado de fumar um baseado nos banheiros do Palácio de Buckingham… Estávamos tão nervosos!”, diz uma citação atribuída a John na autobiografia The Beatles Anthology. No mesmo livro, George confirma a ida ao banheiro, mas ressalta que era para fumar um cigarro comum, assim como diz Paul. Ringo, por sua vez, diz não ter certeza se foi fumado um baseado ou não. Quer dizer, o mito continua…

“Lucy in the Sky with Diamonds” é uma alusão ao LSD – A associação entre a canção Lucy in the Sky With Diamonds e o LSD não é gratuita. Além de ter as mesmas iniciais da droga, o videoclipe feito para a música é carregado de referências a uma “viagem” de ácido. Apesar disso, os Beatles insistiram durante muitos anos que não se tratava de uma referência ao LSD, e sim, uma composição inspirada em um desenho (abaixo) feito pelo filho de John, Julian, então com 4 anos. Em uma entrevista com Paul publicada em junho de 2004, a versão já era um pouco diferente. Embora tenha reiterado que a inspiração veio do desenho de Julian, disse que “é bem óbvio que a música é sobre uma viagem de ácido”.

Abaixo, o vídeo oficial:

Paul morreu e foi substituído por um sósia – O mito de que Paul McCartney morreu ainda nos anos 1960 persiste até hoje. O baixista teria falecido em um acidente de carro em 1966, quando o grupo estava no auge e, por isso, a gravadora teria decidido substituí-lo por um sósia. Contrariados, os outros três Beatles teriam implantado uma série de mensagens codificadas nos álbuns seguintes para que o público percebesse a farsa. Uma delas teria sido a foto do álbum Abbey Road, em que o quarteto aparece atravessando uma rua sobre uma faixa de segurança – para alguns, a representação de um cortejo fúnebre. Entre as outras evidências estariam o cigarro na mão direita de Paul, canhoto, e o fato de ele estar descalço. Paul de fato sofreu um acidente, mas de moto… E só perdeu um dente, não a vida!

 Imagem extraída do vídeo de “Rain” , gravado logo após o acidente e onde se vê o dente quebrado.

Abaixo, imagens produzidas por pessoas que queriam provar a farsa, algumas até dando o nome do suposto sósia… Ele seria o Billy Shears citado em Sgt. Peppers

 

 

 

 

 

 

 

O 1º de abril na música, em 1965…

No dia 1º de abril, muitas pessoas pregam peças nos amigos e contam mentiras. No mundo da música não é muito diferente, seja de forma intencional ou não. E aí, todo mundo cai na “pegadinha”, os fãs, os músicos, os radialistas e, inclusive, a gravadora.

Dentre os inúmeros casos desse tipo de pegadinha e envolvendo o mais famoso grupo da história, os Beatles, o mais conhecido surgiu em 1967, sobre um acidente de carro que teria vitimado fatalmente ninguém menos que Sir Paul McCartney. Com evidências encontradas nas capas do disco, letras de música e outras fontes, a lenda se fortaleceu ao longo dos anos e há quem defenda que o Paul que conhecemos hoje é, na verdade, um sósia do lendário baixista.

O acidente de fato ocorreu e a única vítima fatal foi um dente da frente… Substituído prontamente por uma prótese. No vídeo abaixo, gravado logo depois do acidente para promover o lançamento de “Rain” nos Estados Unidos, podemos ver o “remendo” feito às pressas para a gravação (veja em 0:44). Eles achavam que, mesmo precário, esse remendo era melhor do que mostrar o Paul banguelão.

Esse não tinha sido o único “primeiro de abril” envolvendo os Beatles. Dois anos antes, em 1965, surgiu uma gravação nas rádios que todo mundo achava ser o novo lançamento do grupo de Liverpool. Naquela altura, o auge da “beatlemania”, o grupo tinha acabado de voltar de sua segunda e bem sucedida tour pela América do Norte e seus membros haviam tirado férias de dois meses antes de gravar seu próximo álbum, “Rubber Soul”.

Folheto com a data e local de todos os shows dessa turnê.

Então, todos os radialistas ficaram alvoroçados ao receber um disco para promover, chamado “Lies”, do desconhecido grupo The Knickerbockers. Eles apostavam, pela sonoridade, que era um novo lançamento dos Beatles que, por conta de seu lado brincalhão, resolveram usar esse “pseudônimo”. O ritmo contagiante era igual a outros sucessos do grupo, e a voz de John Lennon estava lá, inconfundível. Claro que eram os Beatles! Eles estavam de férias, mas para não deixar os fãs sedentos até o próximo álbum, enviaram esse petisco para adoçar a boca de todo mundo.

Lies:  The Knickerbockers

Ao contrário do que todos pensaram, aquele som não viera de Abbey Road, mas de New Jersey, nos Estados Unidos… Os Knickerbockers existiam de verdade e faziam covers de cantores e duplas famosas nos clubes onde tocavam. O que impressionava a plateia é que eles conseguiam imitar quem quer que estivesse fazendo sucesso na época. Quando os membros do grupo souberam que Lennon e McCartney escreviam suas próprias músicas, decidiram compor uma, e saiu “Lies” – que se tornou a mais pedida em seus shows de covers.

O resto é história: um produtor os ouviu, levou-os para gravar, a gravadora sacou que o som era igual dos Beatles e, por baixo do pano, começaram a promover a música como “a faixa perdida dos Beatles”. Até que a canção fez sucesso nos Estados Unidos, mas depois dela o grupo desapareceu. E até hoje, muita gente ainda acredita que “Lies” é a “faixa perdida”… Confira (ouvindo de olhos fechados):

 

Há 50 anos, os Beatles iniciavam a invasão dos Estados Unidos – e do mundo!

(*) Por Michael Sebastian, do Advertising Age

“Quem são os Beatles?” Essa pergunta ricocheteou pelos perfis do Twitter durante a cerimônia de premiação do Grammy 2014, quando Paul McCartney e Ringo Starr se reuniram no palco para uma apresentação.

Essa é uma pergunta absurda, mesmo vindo daqueles que mal têm idade suficiente para twittar. A conta oficial dos Beatles no Twitter tem mais de dois milhões de seguidores. O perfil de Paul McCartney na mesma rede social tem 1,7 milhão de seguidores. A banda, que se separou há 44 anos, vendeu aproximadamente 350 milhões de álbuns e mais de 2,7 milhões de músicas digitais no ano passado, segundo a Nielsen SoundScan. Eles continuam com uma presença constante nas ondas do rádio. “Love”, show do Cirque du Soleil inspirado na obra dos Beatles, continua uma atração popular em Las Vegas e o CD da trilha, de 2006, vendeu mais de 6 milhões de cópias..

No que diz respeito ao mercado de mídia e marketing, a Beatlemania está viva e muito bem no aniversário de 50 anos da estreia da banda na TV norte-americana no The Ed Sullivan Show.

PS: eu havia colocado aqui um vídeo do show completo, mas a Apple Corps. mandou uma notificação para o YouTube, mandando retirar o material – provavelmente porque existe um DVD com essa gravação à venda… Então substituí apenas por este trechinho do show, que por enquanto ainda está no ar…

O Fab Four apareceu recentemente na capa de revistas, dentre elas a Rolling Stone. Títulos da Time Inc. como Time, People e Life estão publicando livros sobre a banda. A iTunes Store está vendendo álbuns da banda recém-remasterizados. A Vans criou um sapato com o tema Beatles. Já a Bloomingdale’s está comercializando uma coleção de itens – que vão de abotoaduras a paletós – criada por designers britânicos. A Target, por sua vez, está veiculando comerciais na TV promovendo o CD “Beatles 1”, compilação de sucessos que atingiram a primeira posição nas paradas, originalmente lançado em 2000.

A celebração final ocorrerá no domingo, 9 de fevereiro – exatos 50 anos da apresentação no programa de Ed Sullivan – com um especial de duas horas com Paul e Ringo na CBS, rede na qual a performance foi ao ar. “A apresentação é a quintessência da história da cultura pop e é parte da nossa história corporativa”, disse Jack Sussman, vice-presidente executivo de especiais, música e eventos ao vivo da CBS Entertainment. O concerto vai apresentar músicos de várias gerações tocando hits dos Beatles e imagens de arquivo da banda, segundo Sussman, que não quis revelar os patrocinadores. Por mais uma vez, Paul e Ringo vão dividir o palco.

Obviamente, o mercado de mídia é muito diferente daquele de 1964: a aparição dos Beatles na atração do Ed Sullivan atraiu a atenção de 73 milhões de telespectadores – número cerca de cinco vezes maior que um show top nos dias de hoje.

Tradução: Fernando Murad

A chegada da banda a Nova York, em 7 de fevereiro de 1964, foi episódio fundamental na história da música pop. É um marco da “invasão britânica” às paradas americanas. Mas, para o “New York Daily News”, seria apenas “leve entretenimento” passageiro, enquanto não vinham problemas mais pesados, como a Guerra Fria.

No aeroporto, John, Paul, George e Ringo rebateram perguntas maliciosas em entrevista coletiva. “Que acham de Beethoven?”, quis saber um repórter. “Ótimo. Especialmente seus poemas”, troçou Ringo. “Já decidiram quando vão se aposentar?”, atacou outro. “Semana que vem”, disse Lennon. A banda seguiu por mais seis anos e nunca mais foi tratada com tanto desdém.

Mas na época, sofreu pesado bombardeio da mídia (se quiser ver a imagem maior, basta clicar em cima e ela abre em uma nova janela, onde pode ser ampliada):

OBS – Curioso como o tom dos comentários nos jornais, mesmo com meio século de idade, se parecem muito com os comentários atuais sobre inúmeros assuntos. A mídia, e as pessoas, não mudaram muito depois de 50 anos…

As piores e as mais icônicas capas de álbuns

O camarada Urbano Luciano (https://www.facebook.com/Urbano01/about) deu a dica …

Mas antes, um pouco de história. Houve um tempo em que a gente comprava música, e a ouvia, de uma maneira diferente da de hoje. Ainda não existia MP3 e nem essa de fazer download na internet. Você precisava comprar o disco de vinil, ou LP (long-play), uma mídia para reprodução musical que usava esse material plástico onde se registrava as informações de áudio que eram reproduzidas em um toca-discos.

Ficheiro:Vynil vinil 92837841.png

Isso era um disco de vinil, ou LP. Essas ranhuras circulares eram as faixas, cada uma uma música.

Isso é um toca-discos. Você geralmente acoplava nele caixas de som poderosas e,  se ouvisse um LP do AC/DC, podia derrubar a casa.

O LP começou a perder espaço na década de 1990, com o advento de outras mídias, mas voltou timidamente na primeira década deste século. Os audiófilos preferem o vinil por acreditarem que ele reproduz o som com mais fidelidade que o CD, pois sendo uma mídia analógica possui graves e agudos mais bem definidos.

Mas o LP, à parte a questão da qualidade sonora, tinha uma característica que se perdeu hoje: a arte de suas capas. Quando os LPs dominavam as prateleiras das lojas de disco (aliás, hoje nem lojas de discos há mais…), as capas eram o espaço para obras-primas do design e, não poucas vezes, eram mais memoráveis até do que o próprio conteúdo do disco. E esse movimento de se usar a capa como instrumento poderoso de marketing começou… Por causa do dinheiro!

O aumento contínuo das compras de jukeboxes nos Estados Unidos em meados dos anos 1950 resultou na venda de milhões de álbuns. Como consequência, a indústria fonográfica começou a investir mais no marketing musical. Uma mudança veio em 1955, com o disco “In the Wee Small Hours”, de Frank Sinatra, que foi um lançamento-chave na época, porque todas as suas músicas foram escritas e gravadas especificamente para o álbum, indo na contra-mão dos LPs pops que, em sua maioria, eram apenas a união de diversos singles aleatórios.

O disco de Sinatra foi o ponto de partida para novos designers que o sucederam, seguindo a capa, que era diferente das convencionais da época: um retrato sorridente do artista. Esta exibia o cantor refletindo com um cigarro na mão (na época, era chique portar cigarro) em uma rua deserta. 

Foi a partir de então que a arte migrou definitivamente para as capas dos LPs e, algumas vezes, para os próprios LPs. Há capas icônicas, históricas e fantásticas, e algumas delas vêm a seguir:

Dangerous, Michael Jackson

Dark Side of the Moon, Pink Floyd

Esta capa é o ícone dos ícones: Abbey Road, The Beatles em seu melhor

Outra arte icônica, que virou camiseta, inclusive: Led Zeppelin I, Led Zeppelin

Highway to Hell, AC/DC

Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band… Talvez ele seja o disco mais lendário dos Beatles; teve sua capa copiada centenas de vezes; é frequentemente citado como o melhor e mais influente álbum da história do rock e da música; é rodeado por uma série de lendas… E tem uma saborosa história por trás da produção dessa capa, mas que eu conto outra hora.

Nevermind, Nirvana

Baden Powell À Vontade

Expresso 2222, Gilberto Gil

Verde que te Quero Rosa, Cartola

Mas nem tudo eram flores… Ao lado dessas obras-primas, surgiram também aberrações de todos os tipos, como as que mostro a seguir:

                    

Bem, acho que provei meu ponto. O LP era muito mais divertido!

 

 

 

 

Os Beatles são o grupo mais pirateado do mundo

Acho impressionante, não apenas como fã deles, mas como impacto musical mesmo, que um grupo que acabou há mais de 40 anos continue sendo referência de qualidade.

As músicas dos Beatles recebem cerca de 190 milhões de downloads por ano, à frente de artistas como Bob Marley, Led Zeppelin e Rolling Stones, segundo um estudo elaborado pela plataforma mundial contra a pirataria Muso. Essa plataforma trabalha em todo mundo para detectar sites que permitem a reprodução ou download de conteúdos musicais sem licença, mediante um sistema de controle remoto online. A pesquisa não inclui downloads via torrent. De acordo com a revista “Music Week”, calcula-se que cada arquivo de música dos Beatles seja baixado em média mil vezes.

O que significa isso? Que ainda existem pessoas que prefiram música pop bem feita, criativa, original, sem tantos samplings e “referências”, e que essas pessoas não encontram isso na música de hoje. Ainda há esperanças…

Outra referência que comprova a perenidade dessa banda foi o resultado do leilão na Christie’s de Nova York, que disponibilizou fotos de autoria de Mike Mitchell que registrou, então com 18 anos e com passe de fotógrafo free-lance com acesso aos bastidores, a primeira passagem dos Beatles nos EUA, em 1964. Fotos do concerto no Washington Coliseum, e dos bastidores de coletivas de imprensa estão entre o material exposto.

Alguns exemplos dos preços alcançados:

US$ 4,750.00

US$ 7,500.00

US$ 8,125.00

US$ 16, 250.00

US$ 68,500.00

As fotos são, de fato, fantásticas por si só,  mas será que algum grupo ou artista solo de hoje conseguiria resultado parecido num leilão?

 

No Dia dos Pais, The Mamas and the Papas

O Dia dos Pais no Brasil é celebrado no segundo domingo de agosto. E me veio à mente, quando pensei nisso, o grupo The Mamas and the Papas (As Mamães e os Papais). Sei que não tem nada a ver uma coisa com outra, a não ser a palavra “Papas”, mas fazer o quê?

É assim que minha mente funciona… Eh, eh, eh.

Esse grupo, formado pelo casal John e Michelle Phillips, e mais Danny Doherty e Cass Elliot, começou a ensaiar em 1965 e estourou no ano seguinte, com “Monday, Monday” e “California Dreamin'”. Foi uma das poucas bandas americanas que conseguiu se manter em alta depois da “invasão britânica”, nome que se deu ao afluxo de bandas inglesas se apresentando nos EUA – começando com os Beatles, que abriram as portas, e logo seguidos por Rolling Stones, The Who, The Animals e vários outros.

The Mamas and the Papas foi único porque, além das vocalizações harmoniosas e belas canções, nunca se rendeu à fórmula de outras bandas: um vocalista solo, um guitarrista chamando a atenção para si. Eles pretendiam representar uma ideia, um modo de vida, que fora inspirado pelo “Flower Power”, a força das flores, slogan que simbolizava a ideologia da não-violência e o repúdio à Guerra do Vietnã.

John, o principal compositor da banda, continuou ainda alguns anos no palco, falecendo em 2001. Michelle, depois de sair da banda e se separar de John, engatou uma carreira de atriz, aparecendo em diversos seriados de TV e continua na ativa. Danny seguiu carreira solo, fez dublagens para TV e cinema e faleceu em 2007. Mama Cass, como ficou conhecida, depois de sair do grupo iniciou uma carreira solo de bastante sucesso, e faleceu de ataque cardíaco (ela ostentava um sobrepeso grave) aos 32 anos, em meio a uma turnê.

Abaixo, uma das canções de maior sucesso da banda, “Got a Feelin'”:

E a seguir, uma das que mais gosto e que define bem a filosofia do grupo, “Safe in My Garden” de 1968. Durante a gravação, John teve que pedir a Mama Cass que maneirasse sua voz poderosa, senão iria cobrir as vozes de todos os outros. Ela meio que fez isso, e se conteve um pouco. De fato, Cass se soltou apenas na carreira solo, mesmo, cantando a todos os pulmões, e que pulmões…

Safe in my garden,
An ancient flower grows.
And the scent from its nature
Slowly squares my room and its perfume
Being such that it’s causing me to swoon.

Could it be we were hot-wired
Late one night while very tired
They stole our minds and thought we’d never know it.
With a bottle in each hand, too late to try to understand.
We don’t care where it lands – we just throw it.

Somebody takes us away…
Somebody takes us away…

Safe in my garden,
An ancient flower grows
And the scent from its nature
Slowly squares my room and it’s perfume

Being such that it’s causing me to swoon.

When you go out in the street,
So many hassles with the heat;
No one there can fill your desire.
Cops out with the megaphones,
Tellin’ people stay inside their homes.
Man, can’t they see the world’s on fire?

Somebody take us away…take us away…

Safe in our garden,
An ancient flower grows.
And the scent from its nature…
Slowly squares my room.
Take us away…take us away…