Coincidências da História

Em nosso cotidiano, ocorrem coincidências quase todos os dias, algumas até inexplicáveis. Outro dia, lendo sobre isso, descobri algumas coincidências históricas que me deixaram boquiaberto.

Fiz uma pequena seleção delas, que apresento agora a você. Leia e se surpreenda também!

A maldição da invasão

No século IV, Tamerlane era um descendente do grande conquistador Genghis Khan, o famoso imperador mongol. Séculos depois, em 20 de junho de 1941, arqueólogos russos abriram sua sepultura e nela encontraram uma inscrição que dizia que o povo que abrisse seu túmulo sofreria uma grande invasão. Eles não acreditaram na inscrição e não revelaram isso a ninguém. Contudo, dois dias depois, Hitler invadiu a Rússia.

Deus Ex Nostradamus

Às vezes, erros técnicos acontecem. No caso do videogame “Deus Ex” (que gerou uma série de games com temas cyberpunk que combinam elementos de RPG de ação, tiro em primeira pessoa e stealth), lançado em 2000, uma das ambientações era justamente a cidade de Nova York, mas certamente para não gastar muito dinheiro na reprodução da cidade e baratear os custos de produção – ou por limitações técnicas da época, ou simplesmente por erro mesmo -, os desenvolvedores acabaram eliminando o World Trade Center. Quando perceberam e foram tentar corrigir a falha, informaram que as torres tinham sido destruídas no jogo num ataque terrorista. Um ano mais tarde, Nova York sofreu o maior ataque terrorista de sua história.

Eleanor Rigby

Esta é uma das canções mais famosas dos Beatles, porém o título esconde algumas coincidências fora do comum. Paul McCartney queria usar o nome de seu pai na letra, mas achou meio estranho e escolheu ao acaso um outro, “Mckenzie”. O nome Eleanor Rigby vem da atriz Eleanor Bron e da loja Rigby & Evans. Anos mais tarde, um túmulo com o nome de “Eleanor Rigby” foi encontrado e, a poucos passos dele, um outro com o nome “Mckenzie”. De acordo com McCartney, que é um cara mais cético, é possível que os nomes tenham ficado gravados inconscientemente, pois ele e John Lennon passavam longas horas naquele cemitério.

Ele previu o naufrágio do Titanic

Futilidade ou o Naufrágio de Titan (título original: Futility, or the Wreck of the Titan) foi um livro de 1898 escrito por Morgan Robertson. A história apresenta o transatlântico Titan, que afunda no Atlântico Norte após se chocar contra um iceberg.

No livro, as pessoas morreram por falta de botes salva-vidas. Quatorze anos mais tarde, 2500 pessoas morreram no naufrágio do Titanic por falta de botes salva-vidas justamente em abril, na mesma data do livro.

Embora o romance tenha sido escrito antes da construção do Titanic, há muitas coincidências entre os dois navios:

SemelhançasTitanTitanic
Nome do CapitãoSmithSmith
Local do NaufrágioAtlântico NorteAtlântico Norte
MêsAbrilAbril
CausaColisão com IcebergColisão com Iceberg
Comprimento240 metros269 metros
Tonelagem do Deslocamento75.00066.000
Velocidade25 nós23 nós
Número de botes2320 (4 botes desmontáveis)
Compartimentos à prova d’água1716
Hélices33
Passageiros e Tripulantes30002223

 Palavras-cruzadas enigmáticas

Que tal publicar segredos muito confidenciais dos Estados Unidos no jornal? E na forma de palavras-cruzadas? Alguns filmes partem dessa premissa, como “Código para o Inferno” (Mercury Rising, 1998), estrelado por Bruce Willis, no papel de um agente do FBI que investiga o desaparecimento de um menino de nove anos com autismo e decifrou, por acaso, um importante código de segurança dos sistemas do governo, e teve seus pais assassinados logo em seguida…

Bem, em 1944 saiu um jornal com um enigma curioso, no mínimo.
Leonard Dawes, um professor aposentado, produzia as palavras cruzadas do jornal britânico Daily Telegraph durante a 2ª Guerra Mundial. Em um intervalo de duas semanas em maio de 1944, seus passatempos incluíram palavras como Utah e Omaha (codinomes de duas operações dos EUA no Dia D), entre outros termos suspeitos. O serviço secreto britânico interrogou Dawes achando que ele era um espião alemão, mas tudo não passava de uma enorme coincidência.

Lennon e Chapman

Em 1980, Mark Chapman assassinou John Lennon, no que se constituiu um dos mais trágicos acontecimentos no mundo da música. Anos mais tarde, foi feito um filme sobre a vida do artista e, obviamente, um ator foi contratado para interpretar o papel de John. Mas o estranho foi que o ator contratado tinha o mesmo nome do assassino, Mark (Lindsay) Chapman. Os produtores, percebendo essa coincidência mórbida, contrataram outro. Anos depois, porém, Chapman, o ator, ganhou vários prêmios por um outro trabalho em que interpretou o falecido Lennon.

Booth e o filho de Lincoln

O assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln ocorreu em Washington, em abril de 1865, pouco depois do fim da Guerra Civil Americana. Dias antes, seu filho sofreu um acidente em uma plataforma de trem, quase perdendo a vida, mas foi ajudado por um homem de sobrenome Booth. Tudo teria sido corriqueiro se não fosse pelo fato desse homem ser irmão do outro que, dias mais tarde, assassinaria o presidente.

Lincoln e Kennedy

Falando em Lincoln, há muitas semelhanças entre ele e John Kennedy, muitas delas surpreendentes e inexplicáveis. Veja abaixo uma lista delas:

  • Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
  • John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
  • Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
  • John Kennedy foi eleito presidente em 1960.
  • Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
  • Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
  • As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
  • Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
  • Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
  • Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
  • A secretária de Lincoln tinha o sobrenome Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
  • A secretária de Kennedy tinha o sobrenome Lincoln e lhe pediu que não fosse a Dallas.
  • Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
  • Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
  • Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
  • Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
  • Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
  • Booth, assassino de Lincoln, saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
  • Oswald, assassino de Kennedy, saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema.
  • Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
  • Lincoln foi morto no Teatro Ford.
  • Kennedy foi morto num carro da marca Lincoln.

 

Fontes:

http://www.paraoscuriosos.com

Wikipedia

Imdb

Como nasceu o boato de que Paul McCartney estaria morto

Em 1969, o DJ Russel Gibb, da rádio WKNR de Detroit, deu a chocante notícia: Paul McCartney está morto. O beatle morrera em um acidente de carro havia três anos. Parecia absurdo, mas ouvintes adicionaram detalhes. Um certo Adam LaBour chegou a descrever a morte de McCartney em artigo para o jornal da Universidade de Michigan.  O fato se espalhou tão rápido que Paul teve de se deixar fotografar pela revista Life com a família, em sua fazenda.

De fato, Paul sofreu um acidente de moto perto de Liverpool, ficando com uma cicatriz no lábio e um dente quebrado. Isto pode ser observado nos vídeos de “Paperback Writer” e “Rain”, onde Paul aparece com um implante dentário e com os lábios inchados. Mas tudo começou, na verdade, bem antes.

Em 1966, logo após o lançamento do álbum Revolver, os Beatles pararam de excursionar em virtude da dificuldade de tocar ao vivo os arranjos cada vez mais complexos e inusitados de suas músicas. Esse “sumiço” dos Beatles dos palcos alimentou a boataria. Paul teria morrido no acidente, mas tudo foi “abafado” e por isso eles não faziam mais apresentações ao vivo.  Paul tinha um sósia quase-perfeito, que inclusive teria sido seu dublê durante as filmagens de “A Hard Day’s Night” (1964) e “Help!” (1965). Logo, o tal sósia foi convocado – seu nome seria William Campbell (outras fontes citam que o nome do sósia seria Billy Shears, personagem que seria “apresentado” ao mundo, de forma velada, em Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band), já que os Beatles tinham contrato milionário com a Capitol Records e tinham que cumpri-lo.

Centenas de matérias em jornais, especulações de fãs e mesmo livros foram surgindo sustentando a versão da morte de Paul. As pessoas que acreditavam nisso se basearam em centenas de pistas que supostamente haviam sido deixadas de propósito pelos outros Beatles nas letras das músicas, nas capas dos discos e nos filmes posteriores da banda.

Vou listar algumas dessas pistas, espalhadas em capas de discos e letras de músicas:

Rubber Soul (final de 1965)

John, na foto da capa, olha para baixo como se observasse uma sepultura. A sepultura de Paul…A fotografia da capa foi distorcida para que não se notasse que Paul havia sido substituído…

A letra de “Girl” diz “that a man must break his back to earn his day of leisure will she still believe it when he’s dead?”, (“um homem tem que trabalhar duro para ter seu dia de lazer, ela ainda acreditará nisso quando ele estiver morto?) uma citação à morte, o que se tornaria comum a partir daqui.

Tem mais… A letra de “I’m Looking through You” diz: “You don’t look different but you have changed, I’m looking through you, you’re not the same… you don’t sound different… you were above me but not today, the only difference is you’re down there…” (Você não parece diferente mas você mudou, eu olho através de você, você não é mais o mesmo” se refere obviamente a Paul ter sido substituído por um sósia e não ser mais a mesma pessoa. “A única diferença é você estar embaixo” se refere ao fato de o verdadeiro Paul estar em uma sepultura).

A letra de “In My Life” diz: “some are dead and some are living” (Alguns estão mortos e alguns estão vivos, uma referência aos Beatles não estarem mais juntos).

Revolver (1966)

Ao invés de uma foto dos Beatles, pela primeira vez foi feito um desenho, para evitar que o sósia fosse desmascarado pela foto.

A música “Taxman” seria, na realidade, sobre um Taxidermista, pessoa responsável por empalhar animais mortos e fazer parecer que eles ainda estão vivos. Na letra há referências ao acidente de Paul (“if you drive a car”se você dirige um carro) e ao fato de Paul estar morto (“if you get too cold”se você ficar frio). A melhor pista é “my advice to those who die taxman..”, ou seja meu conselho para aqueles que morrem, um taxidermista (para que o morto continue parecendo vivo).

Dr. Robert teria sido o médico responsável por tentar salvar Paul. Na letra consta: “you’re a new and better man” ou você é um homem novo e melhor” se referindo ao novo Paul. “He does everything he can, Dr. Robert” ou Dr Robert faz tudo o que pode” se refere ao fato de Dr. Robert ter feito todo o possível para tentar salvar Paul.

(A canção contém várias referências às drogas, incluindo o fato de que traficantes de drogas às vezes eram chamados de ‘doctors’ (doutores) na gíria inglesa. Os Beatles eram frequentemente acusados de usarem referências às drogas em suas músicas, apesar de eles negarem fazê-lo intencionalmente; ironicamente, as referências nessa música são muito pouco percebidas. John disse que o ‘Doutor Robert’ na verdade era ele mesmo: “Eu era o único que carregava todas as pílulas nas excursões… nos primeiros dias”. No entanto, foi especulado que o Doutor Robert na vida real era o Doutor Robert Freymann, que supria “grande quantidade de anfetamina para o pessoal”).

Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967)

Na capa do disco, há um arranjo floral funerário que lembra seu baixo Hofner, assim como um “P”, de Paul.

Segundo alguns, o sósia de Paul seria Billy Shears, que aparece na capa. Outra referência é o verso: “He he blew his mind out in a car… he didn’t notice that the lights had changed” (“Ele arrebentou a cabeça num carro… não percebeu que o sinal havia mudado”) na música “A Day in the Life”.

(Quanto à letra de “A Day In The Life”, Lennon compôs a música após ler a notícia da morte do jovem socialite Tara Browne, herdeiro da cervejaria Guinness, de 21 anos, morto em 18 de dezembro de 1966. John estava tocando piano em sua casa quando leu a notícia da morte de Browne no jornal Daily Mail. Tara Browne estava dirigindo com sua namorada, a modelo Suki Potier, no seu Lotus Elan através da South Kensington em alta velocidade, coisa de 170km/h. Ele não conseguiu ver a luz do sinal de trânsito e prosseguiu através da esquina da Redcliffe Square com a Redcliffe Gardens, colidindo com um caminhão estacionado, e morreu no dia seguinte).

Na capa do disco, pode-se ser BE AT LESO, “fique em Leso”, o local do sepultamento de Paul, na ilha de Leso… E tem a mão espalmada acima da cabeça do Paul (ou do sósia!)… Nos sulcos finais da última faixa do LP,  e girando ao contrário, ouvia-se claramente a frase: ” Paul McCartney is dead to” (Paul McCartney está morto sim).

Na foto da bateria, se você colocar um espelho horizontalmente cortando a frase “Lonely Hearts” e olhar a combinação da parte de cima das letras com o reflexo surge a frase “one he die”, referindo-se à morte de um dos Beatles.

Calma, ainda tem mais! Os fãs eram criativos!

Magical Mystery Tour (1967)

Paul está vestido de leão marinho, um símbolo da morte em algumas culturas (er… será?) . No livro que vinha junto com o disco, em sua versão original, havia uma foto dos Beatles, cada um com uma rosa na lapela. Todos tinham rosas vermelhas, a não ser Paul, que usava um cravo preto ( isso aparece no vídeo de “Your Mother Should Know”, também).

Ao final de All You Need Is Love”, você pode ouvir John dizendo algo semelhante a “yes! he is dead!” O que Lennon realmente fala é “Yesterday”, referindo-se à tradicional canção da primeira fase dos Fab Four.

“Magical Mystery Tour” seria a jornada que todos os fãs de Paul iriam percorrer para decifrar o enigma de sua morte.

Abbey Road (1969)

Na capa, John, de branco, seria o padre. Ringo, o agente funerário (de preto), e George, o coveiro (de calças jeans surradas). Na sessão de fotos, fazia tanto calor que Paul resolveu tirar os tênis ou sapatos, não sei o que ele usava… Como na Inglaterra seria costume enterrar os mortos descalços, isso contribuiu para a boataria.

A placa do fusca branco estacionado na rua é “LMW” referindo se as iniciais de “Linda McCartney Widow” ou “Linda McCartney Viúva” e abaixo o “281F”, supostamente referindo-se ao fato de que McCartney teria 28 anos se (if em inglês) estivesse vivo.

Na letra de Come Together“one and one and one is three” ou um mais um mais um são três, referência aos três Beatles restantes, ou seja só o John, George e Ringo.

Na contracapa, ao lado direito da palavra Beatles, uma imagem feita de luzes e sombras aparece. Trata-se de uma caveira, claramente, com dois olhos e boca e do lado esquerdo há 8 pontos formando o número 3 (sendo então “3 Beatles”)…

É mole? Os Beatles sempre negaram qualquer envolvimento ou colaboração com os boatos.

Eu era moleque, na época, e embarquei nessa genial estratégia de marketing, comprando todos os discos e revistas e jornais que podia, para acompanhar as notícias e as novas pistas, que surgiam a toda hora.

Acho que a pista mais famosa talvez tenha sido em “Strawberry Fields Forever”, onde Lennon, ao final, diz “I Buried Paul” (Eu enterrei Paul). Anos mais tarde, Lennon revelou que na realidade a frase era “Cranberry Sauce”, o nome de um molho usado para temperar aves, como o peru…

https://vimeo.com/243433938

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Wikipedia

guiadoscuriosos.uol.com.br

“O Senhor dos Anéis”, estrelando os Beatles e com direção de Stanley Kubrick?

Cartaz do filme-que-não-existiu… Mas que poderia ter existido!

Você pode não acreditar, mas houve um tempo em que as pessoas liam livros, muitas pessoas, inclusive os grandes artistas, cantores e até bandas de rock. Esse era o caso dos Beatles, e de John Lennon em especial.

No auge da popularidade, Lennon atuou em “Como eu Ganhei a Guerra”, uma comédia britânica de humor negro, e isso despertou nele a ideia de atuar como Gollum numa adaptação de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, e quase concretizada mais tarde.

Estamos falando de 1967, 1968, quando as turnês da Beatlemania tinham se tornado exaustivas para os quatro Beatles e eles estavam mais interessados em explorar novos limites na música e na arte, em geral.

Os Beatles saindo de um de seus últimos shows em estádios.

Os Beatles saindo de um de seus últimos shows em estádios.

O final de seu última turnê, no Candlestick Park em agosto de 1966, em São Franscisco (EUA) aconteceu apenas um ano após a estreia de seu segundo filme, Help!. E o lançamento de Rubber Soul alguns meses depois marcou efetivamente a guinada do grupo, tanto musical quanto em sua imagem pública.

Ao fim da turnê de 1966, os Beatles se separaram durante três meses para um período de “descompressão”, e foi assim que cada um deles embarcou em uma jornada de descobertas individuais e projetos solo. George Harrison revelou, muitos anos depois, que foi nessa época que ele realmente “saiu” dos Beatles e iniciou seu período de autodescoberta que levou, finalmente, à dissolução da banda. Ele e sua esposa Patti viajaram à Índia para que George tivesse outras aulas de cítara e aprendesse mais sobre o povo e a cultura da antiga colônia britânica. Mal sabia ele que essa viagem seria o início de sua conversão ao hinduísmo.

Paul ficou na Inglaterra, visitando as galerias de arte e assistindo peças de teatro, exposições e happenings. Paul sempre foi workaholic, e aproveitou o tempo de “folga” para compor a trilha de um filme, “The Family Way”, que se tornou o primeiro projeto solo oficial de um dos Beatles.

Ringo, por sua vez, ficou curtindo a vida doméstica com sua esposa e o filho bebezinho Zak. E John foi estrelar a comédia de Richard Lester mencionada mais acima, filmada na Espanha.

Foi lá que John retornou ao seu espírito de nostalgia por Liverpool, que tinha começado um ano antes com “In My Life”, e compôs “Strawberry Fields Forever”, uma viagem à área de Liverpool onde ele brincava quando criança.

A carreira cinematográfica da banda sofreu uma interrupção durante os anos seguintes, enquanto eles se concentravam em seus novos álbuns, mas, por contrato, ainda deviam um terceiro filme à United Artists…

O terceiro filme

Claro que os dois primeiros filmes foram enormes sucessos de bilheteria, mas os Beatles precisavam de um tempo para recarregar as baterias. Não só isso, mas de fato ansiavam por novos desafios, especialmente no cinema,  onde eles poderiam atuar.

Se formos avaliar com critério, Magical Mystery Tour foi um especial de TV caótico;  Yellow Submarine teve quase nenhum envolvimento do grupo, além das canções e uma rápida aparição no final do filme, e Let it Be foi um documentário.

No final de 1967, a coisa estava preta. O empresário Brian Epstein tinha falecido, Magical Mystery Tour tinha sido um fiasco e a banda estava embarcando em sua primeira grande aventura empresarial sem o mínimo conhecimento administrativo, a Apple Corps. No início, a corporação tinha cinco divisões: Apple Records, Apple Electronics, Apple Publishing, Apple Retail e Apple Films.

Em meados de fevereiro de 1968, a banda estava relaxando na Índia e compondo uma quantidade sem precedentes de novas canções que depois apareceriam no White Album. Foi nessa época que o gerente da Apple Films, Denis O’Dell, ouviu dizer que J. R. R. Tolkien estava a fim de negociar os direitos para cinema de sua épica trilogia, “O Senhor dos Anéis”, que já era um fenômeno cultural. Denis foi à Índia e explicou aos patrões a situação, informando que esse filme poderia ser aquele com o qual pagariam seu débito contratual com a United Artists.

John, ainda considerado pelos colegas de banda como seu intrépido líder, e baseado na crença e no ego de que tudo era possível para os Beatles, foi o mais entusiástico apoiador da ideia de se fazer um filme baseado na trilogia de Tolkien. Sua abordagem era bem simples: George, mais espiritualizado, faria Gandalf; Paul, com seu ar inocente e agradável seria Frodo Baggins; o divertido e leal Ringo seria o fiel companheiro de Frodo, Sam; e John faria a desonesta criatura Gollum.

De repente, e sem saber, John talvez já viesse treinando para ser Gollum desde o início da década, quando ele brincava no palco, entre uma canção e outra, com sua versão do “Corcunda de Notre Dame”, só para tirar uma com a cara dos outros Beatles…

As discussões avançaram quanto aos diretores considerados para a aventura: David Lean, Stanly Kubrick e Michaelangelo Antonioni. Lean era conhecido por seu “Lawrence da Arábia”, Antonioni por “Blow Up” e Kubrick por “Spartacus”. Lennon estava pensando alto e imaginava o que cada um deles faria com sua produção.

Kubrick era o preferido, por sua obsessão com perfeição e que o fazia refilmar até 70 vezes uma cena, o que combinava com a própria obsessão de Lennon.

Os Beatles na época em que sonhavam com sua versão de "O Senhor dos Anéis".

Os Beatles na época em que sonhavam com sua versão de “O Senhor dos Anéis”.

Ele e Paul abordaram Kubrick nos estúdios da MGM em maio de 1968, que educadamente recusou. Primeiro, alegando ser impossível então filmar as três partes da trilogia ao mesmo tempo, e em segundo lugar, por estar muito concentrado em seu próximo filme… “2001, Uma Odisseia no Espaço”. David Lean também recusou, ocupado na pré-produção de “A Filha de Ryan”.

Na verdade, porém, a United Artists estava mais interessada na bilheteria que os Beatles poderiam gerar e não em seus dotes como atores. O filme iria precisar de um álbum com a trilha, possivelmente oito novas canções, e isso também iria dar muito lucro. John começou a discutir essas novas músicas com a banda enquanto os Beatles gravavam o “White Album”, e o clima que ele queria, segundo a lenda, era o de canções como “A Day in the Life” e “I am the Walrus”. Fica fácil imaginar como seria a balada dos Hobbits, por exemplo…

Mas… Apesar de todos os esforços dos Beatles, Tolkien recusou-se a vender os direitos de sua obra à Apple Records e, ironicamente, vendeu-os à… United Artists, que lançou a versão de Ralph Bakshi dez anos depois – mas isso é outra história.

JRR Tolkien em 1968.

JRR Tolkien em 1968.

A pergunta que se faz é: por quê Tolkien foi contra os Beatles adaptarem sua trilogia? Talvez a resposta esteja numa carta escrita há mais de 50 anos. Nela, Tolkien reclama “do rádio, da TV, dos cachorros e das scooters, da buzina dos carros e do barulho, que começa desde cedo e vai até as duas da manhã. Além disso, em uma casa vizinha, vive um membro de um grupo de jovens que evidentemente desejam se tornar os novos Beatles. Naqueles dias em que eles decidem ensaiar, o barulho é indescritível”.

A recusa de Tolkien frustrou os planos da banda e da United Artists em ter um terceiro filme com os Beatles. Outras ideias foram discutidas nos escritórios da Apple, até que finalmente todos chegaram a um acordo e Let it Be cumpriu o contrato…

Cá entre nós, seria muito melhor assistir a versão dos Beatles para “O Senhor dos Anéis”, né não?

 

 

 

 

 

 

 

 

A história por trás da capa de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

Talvez seja o disco mais lendário da história da música pop.

Teve sua capa copiada centenas de vezes; é frequentemente citado como o melhor e mais influente álbum da história do rock e da música. Lançado em 1º de junho de 1967 na Inglaterra, o álbum foi gravado em pouco mais de 4 meses, que são considerados os mais criativos da história da banda. Inovador desde sua técnica de gravação até a elaboração da capa, o álbum se tornou um clássico.

Mesmo sem tocar nas rádios e sem um forte apelo comercial, o álbum teve 11 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos. Em 2003, a revista Rolling Stone colocou “Sgt. Pepper’s” no topo de uma lista dos 200 álbuns definitivos.

Gravado às véspera do “verão do amor”, no início da era hippie, “Sgt. Pepper’s” rompeu os limites da música pop e fez com que um disco deixasse de ser uma simples reunião de canções para se transformar em uma obra de arte com identidade própria.

Sem o compromisso com viagens e turnês, a banda pôde concentrar-se e se dedicar totalmente à produção do disco. Com a liberdade criativa entregue a George Martin, a inovação rondava os estúdios de Abbey Road.

“Sgt. Pepper’s” demorou mais de 700 horas para ser gravado e custou cerca de US$ 75 mil, números absurdos naquela época. Para se ter uma ideia, apenas quatro anos antes os mesmos Beatles haviam gravado seu primeiro álbum, “Please Please Me”, em um único dia.

A concepção desse disco surgiu de Paul McCartney, que propôs a seus companheiros que se “transformassem em outro grupo” e sugeriu o nome de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (A Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta), inspirado nas bandas com nomes criativos que surgiam nos Estados Unidos naquela época, como “Quicksilver Messenger Service” ou “Big Brother and the Holding Company”.

Paul também foi o idealizador da capa. Paul desenhou em um pedaço de papel uma multidão em uma praça para assistirem Sgt. Pepper e sua banda receberem do prefeito um troféu. Ele contou sua ideia para Robert Frazer que o levou para conhecer Peter Blake, um dos artistas fundadores do Movimento Pop Art. Peter então fez o seu desenho, mudando ligeiramente o conceito inicial, que iria mudar mais até se tornar a capa como nós a conhecemos.

Nessa primeira reunião entre Blake, Frazer e McCartney, nasceu a ideia da banda escolher a galeria de pessoas a serem representadas na capa. Paul então levanta a proposta com os demais Beatles, sugerindo que todos relacionassem nomes de pessoas que admiram e que gostariam de ver na capa.

Abaixo, o rascunho de Blake para o conceito de Paul.

“Sgt. Pepper’s” não se destacou somente por sua música, mas também pela bela arte da capa e pelos encartes. A foto da capa, com os quatro Beatles uniformizados e de bigode, chamou a atenção especialmente pela sua colagem. Nela se pode ver o rosto de várias celebridades, como Marilyn Monroe, Marlon Brando, Bob Dylan, o então chamado Cassius Clay (depois, Muhammad Ali), D.H. Lawrence, Aleister Crowley e até Shirley Temple. Também apareceriam Karl Marx, Gandhi, Hitler e Jesus Cristo, mas foram deixados de fora.

Jesus Cristo não foi incluído por causa da declaração de um ano antes de John, dizendo que os Beatles eram mais populares que ele – isso poderia gerar mais protestos. Hitler, que iria aparecer por insistência de John, foi eliminado por motivos óbvios.

Detalhe de um layout inicial da capa, onde aparecia o rosto de Gandhi.

O rosto do ator mexicano Germán Valdés “Tin Tan”(irmão do também consagrado ator Ramón Valdés, o Seu Madruga do seriado Chaves) aparecia na capa, mas ele não autorizou sua exibição na última hora, enviando em seu lugar uma árvore da vida de Metepec (planta tradicional mexicana) que aparece em um canto.

Veja a seguir quem é quem.

1. Sri Yukteswar
2. Aleister Crowley
3. Mae West
4. Lenny Bruce
5. Stockhausen
6. W.C. Fields
7. Carl Jung
8. Edgar Allen Poe
9. Fred Astaire
10. Merkin
11. The Vargas girl
12. Huntz Hall
13. Simon Rodia
14. Bob Dylan
15. Aubrey Beardsly
16. Sir Robert Peel
17. Aldous Huxley
18. Dylan Thomas
19. Terry Southern
20. Dion
21. Tony Curtis
22. Wallace Berman
23. Tommy Handley
24. Marilyn Monroe
25. William Buroughs
26. Mahavatar Babaji
27. Stan Laurel
28. Richard Lindner
29. Oliver Hardy
30. Karl Marx
31. H.G. Wells
32. Paramhansa Yogananda
33. Stuart Sutcliff
35. Max Muller
37. Marlon Brando
38. Tom Mix
39. Oscar Wilde
40. Tyrone Power
41. Larry Bell
42. Dr. Livingstone
43. Johnny Weissmuller
44. Stephen Crane
45. Issy Bonn
46. George Bernard Shaw
47. Albert Stubbins
49. Lahiri Mahasaya
50. Lewis Carol
51. Sonny Liston
52 – 55. The Beatles
57. Marlene Dietrich
58. Diana Dors
59. Shirley Temple
60. Bobby Breen
61. T.E. Lawrence

Corrida pelo direito de imagem dos artistas:

Na época em que o álbum estava sendo gravado, Brian Epstein, empresário dos Beatles, começou a ter maiores problemas com drogas, tendo ficado internado em um centro de reabilitação de Londres chamado Priory. Wendy Hanson, secretária da Nems (loja de Epstein), havia pedido demissão devido aos abusos de Brian, mas teve de ser recontratada como freelancer para que pudesse ir atrás dos direitos de imagem de todos aqueles que participariam da capa, já que ela era a única que saberia fazer isso.

Sir Joe Lockwood, presidente da EMI à época, chegou a visitar Paul McCartney pessoalmente para falar que eles não usariam a imagem de Gandhi, pois poderiam ser processados. McCartney, então, o rebateu: “Todas aquelas pessoas vão estar satisfeitas por estarem na capa. O que vocês devem fazer é ligar para todas e pedir. Já fizeram isso?”. Ao receber a resposta negativa, ele continuou: “Bom, então telefonem para Marlon Brando ou o agente dele e digam que os Beatles adorariam tê-lo nessa pequena montagem, nas filas da frente. Não se trata de nada que possa prejudicá-lo ou coisa parecida. É uma homenagem que os Beatles estão prestando. Expliquem isso. Acho que as pessoas ficariam satisfeitas em aparecer na capa. Não é pouca coisa estar numa capa dos Beatles”.

Nem todos os artistas da capa foram, de fato, contatados para a obtenção do direito de imagem. Porém, a banda nunca sofreu qualquer tipo de ameaça de processo pelo uso “indevido”.

O ator americano Leo Gorcey foi o único retirado da arte por ter cobrado um valor de US$ 400 por sua imagem. E Gandhi ficou de fora porque a gravadora ficou com medo de os seguidores dele ficarem ofendidos.

Quem escolheu as figuras?

John Lennon: algumas das escolhas de John foram apenas para provocar, mesmo. Entre elas, podemos citar Adolf Hitler e o Marquês de Sade, os dois últimos jamais chegando à arte final. Brigitte Bardot, Lord Buckley, James Joyce e Friedrich Nietzsche também acabariam de fora. Os homenageados presentes são Lenny Bruce, Aleister Crowley, Dylan Thomas, Oscar Wilde, Edgar Allan Poe e Lewis Carroll.

George Harrison: a sua lista só incluiu gurus indianos. São eles: Sri Mahavatara Babaji, Sri Yukteswar Giri, Sri Lahiri Mahasaya e Paramahansa Yogananda.

Ringo Starr: Ringo não se interessou em escolher ninguém para o mural, porém apoiou as escolhas feitas pelos demais.

Paul McCartney: embora nem todos de sua lista de homenageados acabassem na arte final, Paul relacionou suas opções como sendo William Burroughs, Robert Pell, Karlheinz Stockhausen, Aldous Hexley, H.G. Wells, Albert Einstein, Carl Jung, Aubrey Beardsley, Alfred Jarry, Tom Mix, Johnny Weissmuller, Rene Magritte, Tyrone Power, Karl Marx, Richmal Crompton, Dick Barton, Tommy Handley, Albert Stubbins e Fred Astaire.

Peter Blake e Jane Haworth: o casal de artistas contribuiu com a presença de W.C. Fields, Tony Curtis, Dion DiMucci, Bobby Breen, Shirley Temple, Sonny Liston, Johnny Weissmuller e H.C. Westerman.

Robert Frazer: Entre os homenageados, estão lá por sua escolha: Terry Southern, Wally Berman e Richard Lindner.

Curiosidades

  • Muitos acreditam que a capa contenha uma mensagem oculta sobre a suposta morte de Paul McCartney, já que na parte inferior parece haver uma tumba adornada com flores e um contrabaixo também feito de flores com apenas três cordas, o que significaria a falta de um Beatle. Se for verdade mesmo, o “outro” Paul é tão bom ou melhor que o original…

  • Paul McCartney tinha como ideia original a banda vestida em uniformes lembrando o Exercito da Salvação. Os outro três não gostaram e partiram para confeccionar um uniforme próprio. Eles foram feitos na Burman’s, do alfaiate Maurice Burman, que normalmente fazia material militar para filmes épicos. O uniforme da banda de Sgt. Pepper é um somatório de vários estilos de uniformes ingleses em períodos diferentes da história. Cada Beatle escolheu uma cor, optando sempre por cores fortes. A intenção era confrontar o raciocínio tradicional de que uma tropa tem que ser vestida igual, de uma só forma. Literalmente, uniforme…

  • Rara foto, onde se vê o processo de produção:

  • Abaixo, uma das primeiras alternativas para a capa. Nela, pode-se notar além do posicionamento diferente dos quatro Beatles, o bumbo que foi substituído pelo definitivo no decorrer da sessão.

  • O encarte foi também uma sacada inovadora. Além de imprimir as letras das músicas (o primeiro álbum a trazer isso), outra ideia foi incluir um envelope com diversos decalques auto-colantes e tatuagens que colassem na pele com uma lambida. Elementos que remeteriam à infância, quando essas coisas eram dadas na compra de um chiclete ou revista em quadrinhos. Mas a gravadora EMI reclamou muito da despesa extra e da impraticabilidade de toda a ideia. Assim, o meio termo se tornou o encarte. Em um fundo verde de papelão, você teria a opção de recortar, se quisesse, uma medalhinha, um bigode do Sgt. Pepper e o colorido bumbo da banda. O painel também incluía um desenho do Sargento, baseando-se no rosto de um busto que existia no jardim de John e que foi usado na foto da capa (claro que recortei tudo quando comprei minha cópia…)

  • Mas o disco sofreu censura em vários países. Na versão lançada no Sudeste Asiático, Malásia e Hong-Kong, a gravadora retirou as canções interpretadas como relacionadas às drogas e as substituíram por outras, do “Magical Mystery Tour”.

As canções que saíram foram With A Little Help From My Friends, Lucy In The Sky With Diamonds e A Day In The Life. E as substitutas foram:  The Fool On The Hill, Baby You’re A Rich Man e I’m The Walrus (sic).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:
somvinil.com.br
independent. co.uk
whiplash.net
crestivegames.org.uk

A história por trás da capa de “Rubber Soul”, dos Beatles

Considerado por inúmeros críticos como o primeiro disco da fase mais sofisticada dos Beatles –  e, para mim, o mais importante, pelo que representou na minha formação – “Rubber Soul” faz parte da lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.

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A foto da capa do álbum, que na época (1965) fugiu de todos os padrões então vigentes, foi fruto de um acidente.  Paul McCartney conta no Anthology que, após a  sessão de fotos no jardim da casa de John Lennon, o fotógrafo Robert Freeman usava uma cartolina para projetar as imagens fotografadas, deixando-as no tamanho da capa do disco (que nem tinha título ainda). Em determinado momento, a cartolina escorregou e uma das imagens apareceu distorcida, levando os Beatles à loucura com o efeito. Imediatamente eles escolheram aquela imagem e pediram que fosse reproduzido o mesmo efeito distorcido.

A foto original.

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A foto acima, já recortada e pronta para ser distorcida.

Nesse momento também tiveram a ideia do título do disco: “Rubber Soul” (Alma de Borracha), um trocadilho com “rubber sole” (sola de borracha), além de uma referência à Soul Music. O logotipo com o título do disco foi produzido pelo artista Charles Front.

Charles Front era um designer gráfico de Londres que foi procurado por Robert Freeman, que lhe pediu que projetasse as letras para a capa do próximo álbum dos Beatles. Ele levou a foto escolhida, falou da distorção que eles queriam e Front sentiu que o título “Rubber Soul” lhe passava a imagem de algo viscoso, como látex, que vinha sendo puxado para baixo pela força da gravidade – espelhando a distorção da foto.

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Front apresentou seu projeto a Brian Epstein, as letras desenhadas em guache marrom e montadas sobre um esboço da capa, que prontamente o aprovou junto com os quatro membros do grupo.

‘Rubber Soul’ foi lançado em 3 de dezembro de 1965, coincidindo com a primeira data do que viria ser a turnê final do grupo pelo Reino Unido. Musicalmente e liricamente, o álbum foi a gravação mais ambiciosa do grupo, anunciando uma nova fase na carreira dos Beatles e uma antevisão do que viria a seguir. O álbum foi considerado o mais brilhante e inovador até então e menos de uma semana após seu lançamento, o disco já estava no topo das paradas, posição em que permaneceu por 12 semanas. 

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Linha de montagem do disco na fábrica.

Podemos considerar este disco como o primeiro passo para o psicodelismo e o experimentalismo produzidos depois em “Revolver”, chegando ao ápice em “Sgt. Pepper’s” e, por consequência, alterando a história da música do século XX.
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Curiosidades sobre os filmes da Disney…

Há alguns fatos curiosos por trás das animações da Disney que são divertidos e surpreendentes.

1. O rosto de Aladim foi baseado em Tom Cruise.

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2. “Can You Feel the Love Tonight” foi quase cortada na versão final de O Rei Leão (1994). Quando Elton John soube disso, disse aos produtores que eles DEVIAM colocá-la de volta… Para quem não se lembra:

3. Ao contrário do que se pensa, Tinker Bell não foi inspirada por Marilyn Monroe e sim na modelo Margaret Kerry, que serviu de referência.

4. John Lennon recusou o convite do estúdio Disney para que os Beatles fizessem as vozes da banda que aparece em Mogli, o menino-lobo (1967). A banda tinha sido inspirada no quarteto de Liverpool, e mesmo com a recusa de Lennon, Walt Disney decidiu manter os personagens mesmo assim. Aliás, Mogli foi o último filme que ele supervisionou, e foi lançado dez meses após a morte de Disney, em 1966.

5. O pênis na capa original do lançamento em VHS de A Pequena Sereia (1989) foi puramente acidental. De acordo com o artista que a desenhou, ele estava com pressa para terminá-la e não estava nem com raiva dos chefes e nem prestes a ser demitido – como se especulou na época.

6. O mago Yen Sid, para quem Mickey vai trabalhar no segmento “O Aprendiz de Feiticeiro” de Fantasia (1940), tem o nome Disney soletrado de trás para frente.

7. Walt Disney recebeu um Oscar honorário por Branca de Neve e os Sete Anões (1937), e mais sete estatuetas em miniatura.

8. Ursula, a vilã de A Pequena Sereia, foi inspirada na vilã Madame Medusa de Bernardo e Bianca (1977) e na drag-queen Divine.

From L-R: Madame Medusa, Ursula, Divine (Photo: Everett/Getty)

9. Não se ouvem rugidos de leões em O Rei Leão.  Os produtores acharam que eram muito baixos, então usaram os rugidos de tigres!

10. Esta é boa: o nome do tubarão vegetariano em Procurando Nemo (2003) é Bruce, e foi batizado assim em homenagem ao tubarão mecânico usado no filme de Steven Spielberg Tubarão (1975). O Bruce de Spielberg recebeu esse nome em “homenagem” ao antigo advogado do diretor… Ah, ah, ah!

11. O príncipe de “A Bela Adormecida” foi o primeiro a receber um nome, Felipe, em homenagem ao Duque de Edinburgo, marido da rainha Elizabeth e pai do príncipe Charles.

12. Para gravar um minuto de “O Estranho Mundo de Jack”, o filme em stop-motion dirigido por Tim Burton, era necessário uma semana!

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13. Walt Disney tinha a ideia de uma sequência para “Branca de Neve”, um curta-metragem chamado “Snow White Returns”, que nunca foi desenvolvido. Restaram apenas algumas cenas esboçadas e mais nada…

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14. A atriz Eleanor Aubrey foi quem deu o rosto e as expressões para duas das maiores vilãs da Disney: Lady Tremaine de “Cinderela” e Maléfica de “A Bela Adormecida”.

15. Quando criança, Walt Disney interpretou “Peter Pan” em uma peça teatral na escola.

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BÔNUS

O Disney World de Orlando, na Flórida, é muito mais do que… O Magic Kingdom, cujo símbolo é o castelo da Cinderela. Ele ainda inclui o Epcot, o Animal Kingdom, o Disney MGM e mais um monte de coisas… Ah, e é do tamanho da cidade de San Francisco…

Revolution

De tantas músicas que gosto dos Beatles, “Revolution” está entre as favoritas. Não apenas pela levada, com distorções e uma batida reta de Ringo que nunca tinham sido vistas até então numa música dos Beatles, mas também pela letra de John Lennon. “Revolution” foi o lado B do primeiro compacto simples da Apple Records, gravadora dos Beatles, lançado em 1968 com “Hey Jude” no lado A. (para quem não era nascido então, naquela época não havia CDs nem MP3, então a gente comprava discos de vinil que eram gravados dos dois lados. Os que traziam mais músicas, algo como 12 em média, eram os LPs. Os que traziam duas músicas, uma faixa de cada lado, eram os compactos simples).

“Revolution” foi executada no programa de David Frost, na ITV, em 4 de setembro de 1968. A apresentação histórica pode ser apreciada abaixo:

John Lennon compôs a canção durante seu período de meditação na Índia e a letra foi inspirada na situação global da época, como a revolta estudantil em Paris, a Guerra do Vietnã e o assassinato de Martin Luther King. Lennon contou como ele se sentia numa entrevista à revista Rolling Stone: “Eu queria desabafar sobre o que eu pensava da revolução. Eu achava que já era hora de falarmos sobre isso e parar de não responder perguntas sobre o que achávamos da guerra do Vietnã. Vamos falar de guerra dessa vez e não só embromar. Eu pensava sobre isso nas montanhas na Índia. Eu ainda tinha aquele sentimento de que ‘Deus irá nos salvar, ’ e que tudo ficaria bem.”

A letra segue abaixo, e logo depois a tradução.

You say you want a revolution
Well, you know
We all want to change the world
You tell me that it’s evolution
Well, you know
We all want to change the world
But when you talk about destruction
Don’t you know that you can count me out
Don’t you know it’s gonna be all right
All right, all right

You say you got a real solution
Well, you know
We’d all love to see the plan
You ask me for a contribution
Well, you know
We’re doing what we can
But when you want money 
For people with minds that hate
All I can tell is brother you have to wait
Don’t you know it’s gonna be all right
All right, all right
Ah

Ah, ah, ah, ah, ah…

You say you’ll change the constitution
Well, you know
We all want to change your head
You tell me it’s the institution
Well, you know
You better free you mind instead
But if you go carrying pictures of chairman Mao
You ain’t going to make it with anyone anyhow
Don’t you know it’s gonna be all right
All right, all right
All right, all right, all right
All right, all right, all right

Tradução

Você diz que quer uma revolução
Bem, você sabe
Todos nós queremos mudar o mundo
Você me diz que é evolução
Bem, você sabe
Todos nós queremos mudar o mundo
Mas quando você fala sobre destruição
Saiba que não pode contar comigo
Você não sabe que vai ficar tudo bem?
Tudo bem, tudo bem…

Você diz que tem uma solução de verdade
Bem, você sabe
Todos nós adoraríamos ver o seu plano
Você me pede uma contribuição
Bem, você sabe
Estamos fazendo o que se pode
Mas se você quer dinheiro
Para pessoas com mentalidade de ódio,
Tudo o que posso dizer é, cara, você vai ter que esperar
Você não sabe que vai ficar tudo bem?
Tudo bem, tudo bem…

Ah , ah, ah , ah, ah …

Você diz que quer mudar a Constituição
Bem, você sabe
Todos nós queremos mudar essa sua ideia
Você me diz que é a instituição
Bem, você sabe
É melhor libertar a sua mente, então.
Mas se você ficar carregando fotos do ditador Mao
Você não vai conseguir nenhum apoio, de ninguém
Você não sabe que vai ficar tudo bem?
Tudo bem, tudo bem…