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Como era São Paulo sem asfalto

Asfalto só chegou a vias da capital em 1909; material trazido da Alemanha foi usado na Paulista

A avenida Paulista em 1910, com a linha de bondes, os casarões dos barões do café e a pista recém-asfaltada.

Em 8 de dezembro de 1891 foi inaugurada a Avenida Paulista, a primeira via asfaltada da cidade. A Paulista nasceu da iniciativa do engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima. Ele projetou a abertura de uma avenida no lugar mais alto daquela região, conhecida então como Caaguaçu (mata grande, em tupi), e loteou toda a área ao largo da avenida. Era ali, atravessando o sítio do Capão, que a estrada da Real Grandeza cortava a vegetação espessa com uma pequena trilha.
Antes da chegada do asfalto, muitas ruas da cidade receberam paralelepípedos. O jornal O Estado de S. Paulo, então chamado A Província de S. Paulo, noticiou as primeiras negociações e propostas para o início do calçamento de ruas já em 1877.

Notícias da época, criticando o método usado até então em todas as ruas da cidade. Ou quase todas… boa parte das vias públicas continuava apenas de terra batida.

Só mesmo em 1909 a Paulista recebeu asfalto trazido da Alemanha. A escolha foi óbvia: era ali que viviam os barões do café, quatrocentões muito ricos e que tinham enorme influência sobre os governantes e vereadores.

A avenida Nove de Julho foi asfaltada 30 anos depois da avenida Paulista. A foto é de 1939 e do acervo/Estadão

A partir daí as demais ruas da cidade foram ganhando pavimentação, mas bastante lentamente. Durante muitos anos, as ruas continuaram sendo calçadas com os paralelepípedos.

Esta era a rua XV de Novembro em 1920.
Rua Alfredo Pujol, em Santana, em 1940.
A rua Augusta, em 1960, ainda era calçada com paralelepípedos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Estadão

Wikipedia

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Uma história do Morro Caaguaçu ao Morro do Chá – Avenida Paulista

A Avenida Paulista já se chamou Rua da Real Grandeza, área que pertencia à Chácara do Capão, propriedade do português Manuel Antonio Vieira, nos idos de 1880. A mata da região era densa e cobria todo o morro com árvores muito altas como o Jatobá, Pau-ferro, Embaúba, entre outras. Por essa razão, o lugar era chamado pelas tribos indígenas que viviam por aqui de Morro do Caaguaçu, ou “Mata-Grande”, no dialeto tupiniquim.

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A avenida Paulista na década de 1920
Para valorizar a região e chamar a atenção dos barões do café, cujas famílias construíram suas residências nos bairros de Campos Elísios e Higienópolis, tornando o bairro o preferido da elite paulistana, o português resolveu lotear aquele platô, dividindo parte da chácara em lotes, caprichando na escolha do nome. Foi assim que nasceu a Rua Real Grandeza.
Uma picada foi aberta para facilitar a subida dos animais em direção aos matadouros que se espalhavam pelo lado central e leste da cidade, como na Rua Quintino Bocaiuva, Ladeira de Santo Amaro e outros pontos fedorentos e de pouca higiene. Essa passagem chegou a se chamar Maria Augusta, para em pouco tempo, em 1875 conforme os primeiros registros, virar só Rua Augusta, palavra de origem latina que significa Majestade, Venerado, Absoluto.
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Os congestionamentos parecem estar no DNA da Avenida Paulista. Este da foto é de 1928…

Toda a região servia de passagem para boiadas vindas de uma parte que conhecemos por bairros de Santo Amaro, Pinheiros, Butantã e adjacências. Nos tempos da abertura da Real Grandeza, os animais que vinham do sul da cidade subiam pela Rua Augusta até o ponto mais alto do Morro Caaguaçu, para depois começar a descer e alcançar o Morro do Chá.

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Vista de 1916 do Trianon, onde hoje fica o MASP

Somente no dia 8 dezembro de 1891, por iniciativa de Joaquim Eugênio de Lima, engenheiro que projetou a alameda que recebeu seu nome, a avenida passou a se chamar Paulista, em homenagem às pessoas nascidas na capital. Arrojada, muito larga, com três vias separadas por magnólias e plátanos trazidos da Europa, foi a primeira via pública asfaltada e arborizada da cidade de São Paulo.

A_Av Paulista 1952

Hoje, todos os casarões que enfeitavam a avenida, palacetes que abrigaram as famílias que fizeram a história da cidade, como Matarazzo, Caio Prado, Horácio Sabino, Andraus, Cerqueira Cezar, Dumon’t Villares e tantas outras, foram derrubados junto com as árvores para dar lugar aos altos edifícios que encantam tanta gente…

 

São Paulo. Crédito para Divulgação-Embratur (2)

 

 

Cristina Torres
Fontes: Ajorb, Arquivo O Estado, Wikipedia, São Paulo Antiga

 

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A avenida Paulista em fotografias

A avenida Paulista, em São Paulo, sempre foi um ponto de referência na cidade, desde a sua inauguração, em 1891(aquarela abaixo). Como toda a cidade, ela passou por profundas transformações ao longo desse século e hoje é um dos símbolos da metrópole.

A avenida foi criada a partir do desejo de paulistas em expandir novas áreas residenciais que não estivessem localizadas imediatamente próximas às mais movimentadas do período, já então altamente valorizadas e totalmente ocupadas, tais como a Praça da República, o bairro de Higienópolis e os Campos Elísios. Naquela época, houve grande expansão imobiliária em terrenos de antigas fazendas e áreas desocupadas, o que deu início a um período de grande crescimento. Não havia apenas residências de maior porte, mas também habitações populares, casebres e até mesmo cocheiras em toda a região circundante.

Joaquim Eugênio de Lima (1845-1902), uruguaio, associou-se a João Borges de Figueiredo e João Augusto Garcia e iniciaram a compra de terrenos no espigão entre os rios Tietê e Pinheiros. Em 1890 adquiriram na rua Real Grandeza (depois avenida Paulista) dois terrenos de José Coelho Pamplona e de sua mulher Maria Vieira Paim Pamplona e no mesmo ano mais dois lotes de Mariano Antonio Vieira e de sua mulher Maria Izabel Paim Vieira. Depois adquiriram a Chácara Bela Cintra de Cândido de Morais Bueno. Toda a região servia na época de passagem de boiadas a caminho do matadouro. A avenida tinha cerca de três quilômetros de comprimento e trinta metros de largura e era dividida em três faixas: uma para bondes, a do centro para carruagens e a outra para cavaleiros, todas ladeadas por magnólias e plátanos.

Nesta foto, de 1902,  a avenida já está totalmente ocupada pelos casarões. Alguns anos depois, uma fileira de árvores seria derrubada para se aumentar as calçadas, consideradas estreitas demais.

Em 1928, a  Paulista já recebia tráfego intenso de automóveis, e era palco não do tipo de manifestações como as atuais, mas de outro gênero: no carnaval, se fazia o corso. A brincadeira consistia no desfile de carruagens enfeitadas (nesta altura, já de automóveis) que desfilavam com os foliões, ou outros passageiros que queriam apenas passear de carro, pelas principais avenidas da cidade.

A Paulista era uma das vias mais modernas de São Paulo. Foi a primeira a ser asfaltada, com material importado da Alemanha e que era uma novidade na época, além de ter uma das primeiras linhas de bondes elétricos.

Foi a partir da década de 1960 que ela foi abandonando gradualmente sua característica de ser estritamente residencial e seus casarões foram sendo demolidos, para dar lugar aos edifícios e prédios comerciais.

Os casarões começaram a desaparecer.

Terreno aberto com a demolição de casarões para a construção do Conjunto Nacional. 

Foi inaugurado em 1962.

Obras do “buraco” da Paulista com a Rua da Consolação, em 1971. O belo casarão à direita da foto também foi demolido.

E agora, nas fotos seguintes, um testemunho visual das transformações de São Paulo, como era e como ficou. Fotos impressionantes que atestam a pujança da cidade, mas também seu crescimento desordenado e que não preserva a sua história.

Vista área de São Paulo, da década de 1930, onde se vê à direita, embaixo, o edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu da cidade.

Vista aérea de 1978, com o importante ponto de referência que se tornou o prédio do MASP.

A avenida Paulista, hoje. Quando não há manifestações…