A Atlântida entre a Grã-Bretanha e a Europa

Quanto mais a gente lê e estuda, mais aprendemos que… Nada sabemos! 

Por exemplo, eu nunca pensei que houvesse uma civilização avançada na América do Sul, antes dos Incas. Pois estudos recentes comprovaram que existiu uma civilização portentosa já no ano 300 a.C., os Moches, coincidindo com a era clássica dos Maias, e a descoberta da múmia de uma possível sacerdotisa moche, a Senhora do Cao (veja mais aqui) reforçou as hipóteses de que essa antiga civilização pode ter dado origem aos Incas.

Outra ideia errada que eu tinha era a de que a Atlântida,  citada pela primeira vez pelo filósofo grego Platão, teria sido o único continente a desaparecer.

 A Atlântida

Para quem não sabe, Platão descreve uma viagem ao Egito do legislador ateniense Sólon, que teria ouvido de sacerdotes de Sais a tradição sobre a Atlântida. A Atlântida de Platão seria uma ilha vastíssima, perto das colunas de Hércules (estreito de Gibraltar), e fora habitada pelos atlantes, descendentes de Atlas, filho de Poseidon (deus do mar). Os atlantes tinham empreendido a conquista do mundo mediterrâneo, mas Atenas os repelira. Finalmente, a degeneração de seus costumes provocara a ira dos deuses, e um maremoto tragara a Atlântida em um dia e uma noite. 

Pois um estudo recente sugere que uma “Atlântida” no Mar do Norte teria sido tragada por um tsunami de 5 metros há oito mil anos. Essa massa de terra, conhecida como Doggerland, unia as atuais ilhas britânicas com a Europa e desapareceu sob as ondas, causadas por um deslizamento de terra de grandes proporções ocorrido debaixo d’água na costa da Noruega.

Doggerland

O que se acredita é que era possível aos caçadores andarem desde o que hoje é o norte da Alemanha até o leste da Inglaterra. Há cerca de 10 mil anos, a região ainda tinha uma das mais ricas áreas para caça, pesca e caça de aves selvagens na Europa. Uma grande bacia de água fresca ocupava o centro de Doggerland, alimentada pelo rio Tâmisa pelo oeste, e pelo rio Reno no leste. Suas lagoas, pântanos e áreas alagadas eram um refúgio da vida selvagem.

Entretanto, segundo os pesquisadores do Imperial College em Londres, que realizaram esses estudos, 2 mil anos depois o mar começou a invadir as terras e  Doggerland se tornou uma ilha pantanosa de baixa elevação e que correspondia à uma área do tamanho do País de Gales. Os caçadores voltavam de suas viagens para encontrar seus acampamentos alagados, e terra seca se tornava cada vez mais escassa.

Com o passar do tempo, toda a área de Doggerland passou a ser inundada e ficava cada mais difícil para as pessoas viverem naquela região.

Restos encontrados num cemitério da região e hoje no Toulouse Museum, na França.

A foto acima, de duas mulheres que foram mortas e enterradas juntas, é um testemunho da violência que passou a se espalhar no antigo paraíso. É provável que o encolhimento das terras habitáveis, por conta da constante elevação das águas do mar, tenha levado as populações das tribos a violentos conflitos por disputa de espaço. 

Na época do tsunami, os estudiosos calculam que Doggerland ficava a apenas cinco metros acima do nível do mar e que o território estava tão alagado que seria pouco provável que alguém ainda estivesse vivendo por lá. Seja como for, o impacto das ondas teria sido significante sobre as populações que viviam na região costeira e dependiam substancialmente de recursos marinhos, como peixes e moluscos.

Perto da aldeia galesa de Goldcliff, os restos de um carvalho pré-histórico ficam visíveis quando a maré baixa. Acredita-se que as florestas do norte da atual Europa teriam morrido gradualmente à medida que a água salgada penetrava nos lençóis freáticos, matando as raízes. Os seres humanos, ao contrário das árvores, puderam fugir para locais mais elevados.

Migração, territorialidade, conflito: maneiras estressantes de se adaptar a novas circunstâncias. Mas, segundo os estudiosos, chegou uma hora em que o mar exauriu a capacidade de sobrevivência dos habitantes de Doggerland. Depois de séculos em que o mar ia subindo aos poucos, veio o deslizamento no fundo do oceano, nas costas da Noruega, provocando o tsunami que inundou toda Doggerland, acompanhado de ventos gelados.

Será que o tsunami foi – sem trocadilho – a gota d’água ou será que Doggerland já tinha desaparecido sob o mar antes disso? Os cientistas ainda não sabem dizer com certeza. Mas eles sabem que a elevação do nível do mar desacelerou depois disso. Então, novos povos do sul chegaram ao litoral das  ilhas Britânicas, coberto por densas florestas. Eles foram até lá de navio, levando ovelhas, gado e cereais.

Hoje, os descendentes desses primeiros agricultores olham novamente para um futuro em que, desta vez por conta do aquecimento do planeta,  terão provavelmente que lutar contra o mar mais uma vez, cujo nível se eleva gradualmente, ano a ano…

O Atlantis The Palm, em Dubai

Se você quer uma dica legal de férias, e tiver algum (bom) dinheiro, vá para Dubai e se hospede no Atlantis The Palm.

O hotel fica na ponta da Palm Jumeirah, um grande ilha artificial construída no formato de palmeira. É mais um daqueles projetos que só se vê em Dubai.  O “tronco” da ilha-palmeira é composto de grandes edifícios residenciais, enquanto nas “folhas” há apenas condomínios de casas. A ilha que circula a palmeira e ajuda a protegê-la das ondas abriga dezenas de hotéis e complexos de lazer e entretenimento, entre eles o Atlantis. Esta área é ligada ao tronco principal por um túnel submerso, localizado bem próximo ao resort.

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Não sei se você vai conseguir localizar, mas se olhar a foto acima com atenção, bem na frente do topo da palmeira, vai ver uma “pontezinha” branca, esse é o monotrilho que também liga Dubai ao Atlantis – aquela construção cor de tijolo que se vê marcada na foto com uma seta branca. (uma curiosidade: um apartamento de 550 m2 no tronco da palmeira, segundo andar, de frente para o mar, 4 dormitórios, 5 vagas na garagem… custa em torno de um milhão e meio de dólares…)

Bem, você chegou ao Atlantis The Palm.

O complexo inclui um hotel com mais de 1500 suítes, 20 restaurantes, um spa com academia, praias particulares, quadras esportivas, lojas,  um parque aquático, um aquário gigantesco, um centro de mergulho com peixes, uma área com golfinhos e muito mais. Há vários tipos de quartos, alguns mais modestos e outros superluxuosos.

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As diárias podem incluir o café da manhã ou não, e também a entrada livre para algumas das atrações, como o parque aquático e o aquário. Espie só como ele é:

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Mas o complexo Atlantis tem muito mais coisas. É de fato impressionante: pista de patinação, restaurantes, centro comercial, uma piscina onde se pode nadar com os golfinhos, uma boate megaanimada…

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À noite, como na Disney, tem um espetáculo de luzes e sons, fantástico.

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Em resumo, você pode ficar nas dependências do Atlantis e se divertir sem precisar ir até o centro de Dubai. E lá dentro você não precisa andar com dinheiro nem cartão de crédito, apenas o cartão do quarto. Tudo que for consumido em bares e restaurantes é colocado na conta do seu quarto e o acerto é feito na hora de ir embora.

Hospedar-se no Atlantis é ideal para quem quer curtir o resort e aproveitar tudo o que ele oferece, que é muita coisa. Mas se você quer circular por Dubai, o hotel fica meio longe do buxixo. Uma ideia, para quem quer conhecer bem o local, seria se hospedar num final de semana no Atlantis, aproveitar ao máximo o que ele tem, e depois ir para um hotel na cidade, mais perto das outras atrações.