“Branca de Neve” completa 80 anos: algumas histórias

O lançamento do longa de animação “Branca de Neve e os Sete Anões” completa 80 anos em 2017. A produção da Disney teve sua estreia no Carthay Circle Theatre, em Hollywood, em 21 de dezembro de 1937, seguido do seu lançamento em todo os Estados Unidos em janeiro. Como todo clássico, há muitas histórias sobre sua produção pioneira. Veja algumas delas…

Para financiar a produção de “Branca de Neve e os Sete Anões”, Walt Disney pegou vários empréstimos e hipotecou, inclusive, sua própria casa. Até sua mulher, Lillian, achava que a animação seria um completo fracasso. Além disso, seu irmão Roy Disney tentou convencê-lo a desistir do filme.

Dunga tinha sido originalmente criado para ser um tagarela, mas os produtores e o próprio Walt não conseguiram encontrar uma voz que ficasse adequada para o anão careca. Em vez de falar, Dunga, às vezes, choraminga, sendo ingênuo e frequentemente alvo de brincadeiras dos demais. Ele também é o único do sete anões que não tem barba.

“Loucura de Disney”: assim era chamada na época a produção de “Branca de Neve e os Sete Anões”. O orçamento inicial da animação era de US$ 250 mil, muito maior do que qualquer outra produção da Disney até então. No final, o gasto atingiu mais de US$ 1,4 milhão, uma quantia enorme hoje em dia, imagine para 1937! Após o filme ser um sucesso, Walt Disney usou os lucros para construir os estúdios da Disney em Burbank.

A estreia do filme, em 1937, contou com a presença de estrelas de Hollywood, como Cary Grant, Shirley Temple, Judy Garland, George Burns, Charlie Chaplin, Marlene Dietrich e Ginger Rogers. Na época, em entrevista ao jornal “Los Angeles Times”, Chaplin disse, ao se referir ao anão Dunga, que a “Disney havia criado um dos maiores comediantes de todos os tempos”.

“Branca de Neve e os Sete Anões” foi um dos primeiros 25 filmes escolhidos para ser preservado na Biblioteca do Congresso Americano, em 1989, pelo Registro Nacional de Filmes (National Film Registry). Em 2008, o Instituto Americano do Cinema o escolheu como o mais importante filme de animação de todos os tempos.

“Branca de Neve e os Sete Anões” foi o primeiro filme com uma trilha sonora oficial. A animação da Disney, que é baseada no conto de fadas “Branca de Neve”, dos Irmãos Grimm, concorreu ao Oscar de melhor trilha sonora na premiação de 1938. O longa foi também o primeiro filme totalmente animado a ser lançado pela Disney.

Uma versão inicial da história incluía uma cena em que a rainha Má capturava o príncipe e o mantinha preso em seu castelo. Outra cena que ficou fora da versão final era uma em que os anões apareciam tomando ruidosamente a sopa e, em seguida, Branca de Neve os ensinava a comer como cavalheiros.

A atriz e dubladora americana Adriana Caselotti recebeu US$ 970 pela dublagem de Branca de Neve, o que equivaleria hoje a cerca de US$ 20.000,00, ou pouco mais de R$ 60.000,00 à cotação do dia. Apenas para efeitos de comparação, um dublador/locutor profissional no Brasil, com muitos anos de experiência e bastante requisitado para comerciais, pode chegar a um salário de cerca de R$ 10.000,00. Walt Disney firmou um estrito contrato com Caselotti, impedindo que ela “emprestasse” sua voz a outras produções, com exceção de pequenas participações em “O Mágico de Oz” (1939) e “A Felicidade Não Se Compra” (1946). Ela continuou fazendo a voz de Branca de Neve em várias ocasiões, gravando aos 75 anos, inclusive, “I’m Wishing” para o poço de desejos na Disneylândia.

A dançarina, coreógrafa e atriz americana Marge Champion serviu de inspiração para que os animadores da Disney (seu então marido, Art Babbitt, era animador e supervisionou grande parte da filmagem de referência) criassem a heroína de “Branca de Neve e os Sete Anões”. Marge também serviu de referência para a criação da Fada Azul em “Pinóquio” (1940).

As vozes da Rainha Má e da Bruxa Velha foram dubladas pela mesma atriz: a americana Lucille LaVerne. Para que a Bruxa tivesse uma voz completamente diferente, Lucille removeu um implante dentário, para fazer a dublagem. La Verne morreu menos de uma década depois de dublar a Rainha Má e a Bruxa Velha. Ela faleceu aos 72 anos em 4 de março de 1945, na Califórnia.

 

 

 

 

Fonte:

UOL

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A História da Menstruação contada pela Disney

A Segunda Guerra Mundial foi um período trágico no século XX. Não apenas por ter convulsionado a Ásia e a Europa e provocado milhões de vítimas, mas também por ter criado um período de grandes dificuldades econômicas para todo o planeta.

Os Estados Unidos só entraram diretamente na guerra em 1941, depois do ataque japonês em Pearl Harbor. Mas, antes disso, o país vinha apoiando os aliados, principalmente a Inglaterra, enviando armas, alimentos e munição por navio. Esse esforço de guerra, bastante ampliado mais tarde, canalizou os recursos do país para a produção de armamentos, navios e aviões, e treinamento dos soldados.

Isso, evidentemente, afetou as empresas americanas e a Walt Disney Productions foi uma delas. Além de ver o mercado europeu praticamente desaparecer, muitos dos animadores do estúdio foram convocados para as Forças Armadas. Um contrato exatamente com o governo acabou salvando a empresa. Por esse contrato, Disney deveria produzir centenas de horas de animação e milhares de desenhos e insígnias para todas as frentes do governo.

Afinal, os esforços de guerra eram válidos e aceitáveis. E todos sabiam que uma guerra de propaganda estava sendo travada em todos os fronts, portanto nenhuma oportunidade poderia ser dispensada para consolidar o moral do país.

A ilustração acima, para a edição de setembro de 1942 da revista Coronet, mostrava os personagens Disney na linha de frente, como milhares de outros nos campos de batalha da Europa e Ásia. O Donald, como marinheiro, simboliza que a caneta é agora igual à espada, enquanto outros personagens representam uma variedade de papéis em tempo de guerra: os porquinhos simbolizam o poder da indústria, Minnie é uma voluntária da Cruz Vermelha, Dunga compra bônus de guerra, Flor é membro do serviço de guerra química e Tambor é sinalizador do exército. O tigre voador e o esquadrão mosquito representam as mais de 1.200 insígnias criadas nos estúdios Disney.

Esse período fez com que Disney e seus criativos mergulhassem em temáticas até então distantes das produções costumeiras. Eles criaram projetos para o Departamento de Tesouro, incentivando a poupança. Campanhas de higiene e escovação de dentes, de doação de sangue, de racionalização dos alimentos (na época da guerra, além do petróleo, o país sofreu com racionamento de açúcar, café, carne, laticínios, etc etc) e muitas e muitas outras.

Depois da guerra,  Walt embarcava de novo em suas grandes produções para o cinema e começava a desenhar seu projeto mais ambicioso, a construção da Disneylândia, sonhando ao mesmo tempo em explorar aquela novidade que surgia, a televisão.

Os filmes-pacote produzidos até então, como “Alô Amigos” ou “Você já foi à Bahia” (acima), que consistiam de 3 ou 4 média-metragens de produção mais rápida e mais barata, e filmados ao mesmo tempo que as encomendas do governo, não davam muito lucro. E dinheiro era o que o estúdio mais precisava.

Aproveitando as competências aprendidas na produção dos curta-metragens, eles foram oferecer seus serviços para as grandes empresas, criando então filmes educativos sob encomenda e inaugurando, por assim dizer, essa prática que até então não era disseminada. Seriam o que hoje chamamos de “comerciais de TV”, só que mais compridos e exibidos nos cinemas, ou em projeções fechadas para públicos específicos.

Essa vertente não durou muito. Primeiro, porque Walt estava mais interessado em expandir a produção para o cinema, tanto em longa-metragens de animação (“Alice no País das Maravilhas”) quanto documentários e “live-actions” (ele começava a planejar “Vinte Mil Léguas Submarinas”). Segundo, porque vários animadores tinham saído dos estúdios para trabalhar na concorrência, alguns até fundando seu próprio estúdio, a UPA.

Mas alguns desses filmes sobreviveram ao tempo, como “A História da Menstruação”.

“The History of Menstruation” foi encomendado em 1946 pela Companhia Cello-Kotex International (atual Kimberly-Clark) e exibido para cerca de 105 milhões de estudantes americanos em aulas de educação sobre a higiene feminina. Ele foi considerado o primeiro filme a usar a palavra “vagina”.

Imagine que, naquele tempo, as pré-adolescentes não recebiam muita informação sobre sexualidade, o que poderia causar espanto em muitas delas quando a primeira menstruação chegava. O assunto ainda era um tabu para as mães.

O curta, de dez minutos, foi feito sob consultoria de um ginecologista, algo que aumentava a credibilidade da produção, e foi ainda distribuído com um livro chamado Very Personally Yours, que tinha informações sobre o assunto e anúncios sobre absorventes e coisas do gênero.

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O curioso é ver a visão bastante antiquada e recatada que se tinha sobre sexualidade, tanto que não há referências a sexo ou reprodução, apenas as questões comuns sobre o processo menstrual e higiene. Outro ponto curioso é notar que a narradora afirma que a menstruação não tem nada de misterioso e estranho… E o filme mostra mulheres em atividades “normais”, como cavalgando, tomando banho ou dançando durante o ciclo menstrual. Como não há referência a sexualidade, tudo é apresentado mais como um problema de higiene, tanto que a menstruação é branca, e não vermelha.

E, claro, como o projeto era patrocinado, nos anúncios do Kotex no livreto, as meninas eram desencorajadas a usar o absorvente interno, cujo mercado era dominado pelo Tampax, da concorrente Procter & Gamble.

Seja como for, o valor histórico e nostálgico de assistir a uma produção dessas da Disney é inquestionável.

Desfrute dessa experiência agora:

 

Motor Mania

Trânsito na volta do feriado.

Trânsito intenso na Rodovia Imigrantes, sentido São Paulo, no início da tarde deste domingo, no retorno do paulistano após feriado prolongado.

 Como sempre acontece nos feriados prolongados em São Paulo, mais de um milhão de carros toma o rumo do interior ou do litoral… E, como sempre acontece, isso congestiona todas as vias da cidade, causando “o maior congestionamento da história”: um dia é de 300 km, no outro é de 400 km, amanhã será de 500 km… Às vezes penso que você anda mais rápido a pé do que de carro ou ônibus na cidade…

O estresse dos motoristas, tanto os que ficam presos nas rodovias como aqueles que ficam presos nas ruas de São Paulo, me lembra sempre um famoso curta-metragem estrelado pelo Pateta e que se chamou no Brasil “Pateta no Trânsito”.

O vídeo mostra, de forma divertida, como uma pessoa gentil e educada pode se transformar em um ser humano nervoso e agressivo ao entrar em um carro. É uma espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde motorizado, o médico e o monstro. O Sr. Walker (pedestre, de “walk”, andar, em inglês) se transforma no Sr. Wheeler (de “wheel”, volante em inglês) quando entra em seu carro, evidenciando uma personalidade violenta e egoísta, contrária de quando era pedestre…

Na época em que o desenho chamado no original de “Motor Mania” foi criado, em 1950, o Pateta já vinha estrelando uma série de curtas onde ele “ensinava” como fazer alguma coisa: desde a mudança da casa até praticar esportes. Nesses trabalhos, Pateta nos ensina, de forma atrapalhada, a realizar as mais diversas tarefas. Com poucas falas e sempre com a ajuda de um narrador que interage com o personagem a quase todo momento, pode-se dizer que o ensino quase nunca corre normalmente. Nesses desenhos, todas as personagens têm a fisionomia do Pateta. De 1940 a 1950 já haviam 48 desenhos com Pateta, além de ele aparecer em outros desenhos junto com Mickey e Pato Donald.

Esse “Motor Mania” foi o primeiro deles em que o Pateta aparece “redesenhado”, sem os dois dentões da frente e sem as orelhas compridas, que nos acostumamos a ver nos quadrinhos. O curta ainda foi premiado naquele ano como o melhor filme sobre segurança no trânsito.

Os comportamentos demonstrados nessa animação foram aprofundados em mais 2 episódios, “Freewayphobia”…

e “Goofy’s freeway troubles” (disponíveis no YouTube), ambos produzidos em 1965 e que foram exibidos inclusive em auto-escolas dos EUA.

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Atualmente, vemos campanhas oficiais na TV que não educam os motoristas, e em certos casos, culpam os pedestres pelos atropelamentos que sofrem. Mais do que investir no marketing e na qualidade visual das campanhas, é preciso ter meios de realmente educar as pessoas. Se muitos discordam das propagandas que mostram “cenas chocantes” de acidentes, que tal aproveitar os ensinamentos do Pateta nesses filmes? Eles tratam de questões simples e que a gente vê ignoradas todos os dias:

– veículos lentos trafegam à direita;

– dê passagem;

– sinalize a mudança de faixa usando a “seta”… Etc etc…

O mais triste de tudo isso, apesar do desenho ser hilário, é que o comportamento dos motoristas nada mudou desde 1950.

Os carros do futuro

John Sutherland foi um proeminente diretor e produtor de curtas animados para o cinema e, principalmente, para a TV americana durante os anos 50 e 60.

sutherlandDepois de ter trabalhado nos estúdios Disney como diretor de diálogos do filme Bambi, e de ter criado o personagem Tambor no mesmo filme, Sutherland saiu do emprego em 1940 e foi indicado pelo próprio Walt Disney para outros trabalhos, pois o ex-patrão gostava muito dele. Uma dessas indicações, que significou uma nova carreira para o jovem redator e animador, foi para Darryl Zanuck, presidente da 20th Century-Fox em 1941. Zanuck queria produzir filmes de treinamento, e graças à indicação de Walt, contratou Sutherland, que escreveu e dirigiu 17 filmes de treinamento com atores, todos direcionados para as Forças Armadas durante a II Guerra Mundial.

O sucesso foi tão grande que ele então abriu seu próprio estúdio de animação logo após o final da guerra, voltado essencialmente à propaganda e publicidade, além de filmes educativos e de treinamento para organizações públicas e privadas e filmes patrocinados por grandes corporações,  tornando-se um dos pioneiros nesse segmento da indústria cinematográfica.

Pelo Sutherland Studios passaram alguns dos grandes nomes da animação do século XX: Joseph Barbera, William Hanna, Emery Hawkins, Frank Tashlin, Bill Melendez e muitos outros.

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Os filmes de John Sutherland são relíquias de tempos mais inocentes, mas continuam divertindo ao mesmo tempo em que educam, e se tornaram clássicos da propaganda.

Um dos melhores exemplos é o curta-metragem que posto logo abaixo, de 1956, que fala da evolução dos itens de segurança nos automóveis desde os primeiros modelos, e que antecipou (ou chegou perto) de muitas coisas que vemos hoje: carros que se locomovem sozinhos, informação instantânea ao pressionar um botão, os filmes em 3D… E aquela revista interativa e animada que o personagem lê na primeira cena pode ser vista como um tablet acessando a internet!

Confira.

(ps- infelizmente, não encontrei nenhuma versão legendada desse filme, mas creio que, mesmo sem entender inglês, é possível perceber a mensagem do desenho)

Notou que muitas ideias desse mundo do futuro se parecem com aquelas dos “Jetsons”, produção de Hanna-Barbera de 1962?

O código secreto nas animações da Disney/Pixar

Há muito se fala de mensagens secretas e subliminares nos desenhos da Disney. De mensagens demoníacas a projetos secretos do governo americano para controlar a mente das pessoas, tudo já se especulou sobre esses “segredos”.

Mas existe uma mensagem da qual nunca vi nenhum comentário e que certamente você já notou nesses filmes. Trata-se do código “A113”, que aparece em diversos detalhes e cenas, como por exemplo:

Em “Toy Story“:

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Em “Carros”:

Em “Wall-E”:

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Em “Universidade Monstros”:

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Em “Lilo e Stitch”:

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Em “A Princesa e o Sapo”:

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E até em desenhos não-Disney, como Os Simpsons:

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Ou em filmes em carne e osso, como “Os Vingadores”:

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Mas então, qual é esse segredo?

Não é nenhum pacto seja lá com quem for. A 113 é o número de uma sala de aula no California Institute of Arts, onde muitos talentosos animadores estudaram. Esses artistas, e também designers gráficos, se formaram lá e depois foram trabalhar na Disney e  em outros estúdios, e o pacto – se é que se pode dizer assim – foi de deixar essa “marca secreta” para milhões de espectadores em todo o mundo.

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Nessa sala estudaram, entre outros, John Lasseter (hoje o chefão da animação da Disney/Pixar e que é visto à direita na foto acima) e os diretores e roteiristas Brad Bird, Andrew Stanton e Tim Burton.

Na verdade, a marca “A 113”  aparece também em diversos outros filmes fora os da Disney, Pixar, Marvel e Simpsons, como tributo aos anos da juventude. Foi o que fez Brad Bird:

'Mission: Impossible - Ghost Protocol,' 2011 (Paramount Pictures)

Este anel aparece em “Protocolo Fantasma”, de Brad Bird, e o código é usado no mesmo filme por Tom Cruise para chamar ajuda (“Alpha-1-1-3”).

Embora hoje essa afamada sala de aula seja usada como estúdio de graphic-design, e não mais apenas de animação, como antes, não se espera que essa homenagem desapareça. A sequência alfanumérica é como um código Illuminati em Hollywood, e deverá continuar aparecendo ainda em muitos outros filmes. Fique de olho!

 Complementando: 

A Cal Arts (California Institute of Arts) foi fundada em 1961 por Walt Disney ao fundir o Chouinard Art Institute com o Conservatório Musical de Los Angeles. Essas duas instituições estavam em dificuldades financeiras e a fundadora da Chouinard, Madame Chouinard, estava gravemente doente. O relacionamento profissional entre ela e Disney começou em 1929, quando Walt não tinha dinheiro e ela concordou em treinar seus primeiros animadores sem cobrar nada, com a condição de que ele pagasse mais tarde. Foi o que Disney fez, ele pagou, mas nunca mais se esqueceu do favor que ela lhe fez. Quando percebeu as dificuldades financeiras dessa escola de artes, e mais tarde também das dificuldades do conservatório musical , ambas instituições tendo formado muitos profissionais de seu Estúdio, Disney decidiu fundir as duas, criando um instituto de artes interdisciplinar onde os artistas podem trabalhar colaborativamente e, se quiserem, desenvolver seus próprios projetos, retendo o controle e… Os direitos autorais!

Walt numa visita ao Cal Arts, nos anos 1960.

Educação para a Morte

O primeiro desenho animado sonoro, o primeiro desenho com o sistema Technicolor, o primeiro longa-metragem animado e o primeiro programa de TV completamente colorido. Esses são alguns dos feitos do maior ganhador do Oscar de todos os tempos, Walter Elias Disney.

Mas nem tudo foram flores na vida do velho Walt. Ele e seu estúdio passaram por várias crises, e uma delas foi durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente falido depois de “Fantasia”, e enfrentando uma greve que paralisou metade de sua força de trabalho, Disney viu com bons olhos o contrato proposto pelo governo para produzir 32 curtas animados entre 1941-1945, a US$ 4,500 cada um, filmes tanto de treinamento para os soldados quanto para levantar a moral da população. Esse contrato gerou trabalho para os empregados e ajudou o estúdio a se recuperar. E o “esforço de guerra” também gerou outros produtos, como pôsteres e quadrinhos.

Um desses curtas foi  “Education for Death – The Making of the Nazi” (1943), uma poderosa propaganda anti-nazista e com uma linguagem um pouco agressiva para os padrões Disney.

O curta conta a história de Hans, um garoto alemão, desde seu nascimento. É mostrado como Hans é influenciado na escola a pensar de acordo com a doutrina nazista. O filme possui diálogos em alemão, mas os fatos mais importantes são narrados em inglês.

No início do filme, os pais de Hans estão diante um oficial nazista para garantir-lhe uma certidão de nascimento. O narrador explica que os pais de Hans são obrigados a mostrar certidões de seus ancestrais a fim de provar que pertencem à raça ariana. Logo em seguida, o casal quer que seu filho se chame Hans; o que é aceitável, pois “Hans” não faz parte da lista de nomes proibidos pelo governo – os de origem judaica. O narrador também explica que o casal tem direito a ter mais onze filhos além de Hans, e conclui que isso é por causa do exército ariano que o chanceler Adolf Hitler anseia formar. Por seus serviços prestados ao III Reich (gerarem uma criança ariana), os pais de Hans recebem de presente uma cópia de Mein Kampf, best-seller da Alemanha naquele momento.
Hans vai para a escola e lá aprende o conto da Bela Adormecida. No entanto, a versão que Hans aprende mostra a “democracia” como sendo a bruxa e a “Alemanha” como sendo a bela. Hitler é o príncipe que salva a Bela das garras da bruxa.

Subitamente, Hans adoece e um oficial nazista vai até a casa de seus pais lembrar-lhes que pessoas doentes não são vistas com bons olhos pelo Estado nazista e que, caso Hans não melhore, será levado a um campo de concentração. No entanto, Hans se recupera e volta à escola. Lá, aprende o conceito darwinista de seleção natural das espécies de forma manipulada; os povos mais fracos merecem ser eliminados. Hans se junta à Juventude Hitlerista e participa da queima de livros cheio de orgulho. Em uma sequência de cenas carregadas de significação, a Bíblia Sagrada se transforma no Mein Kampf, o crucifixo numa espada cortada pela suástica e o vitral de uma igreja é brutalmente quebrado. A cena, assim como aquela da queima de livros, pode ser interpretada como a perda de valores morais tanto por parte da Alemanha quanto por parte de Hans. No final do filme, é mostrado como a vida de Hans daquele momento para frente se resumiu em marchar e saudar Hitler. Hans e seus companheiros  marcham e saúdam Hitler desde a adolescência até se transformarem em túmulos de cemitério. E o narrador conclui que a educação dada na Alemanha nazista é a “educação para a morte”. 

O curta segue abaixo e avalie como serve de poderosa propaganda para as Forças Aliadas, lembrando que, na época, esses desenhos não eram veiculados pela televisão, mas nos cinemas, muitas vezes acompanhados de noticiários que traziam as últimas informações sobre a guerra na Europa.

Curiosidades sobre os filmes da Disney…

Há alguns fatos curiosos por trás das animações da Disney que são divertidos e surpreendentes.

1. O rosto de Aladim foi baseado em Tom Cruise.

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2. “Can You Feel the Love Tonight” foi quase cortada na versão final de O Rei Leão (1994). Quando Elton John soube disso, disse aos produtores que eles DEVIAM colocá-la de volta… Para quem não se lembra:

3. Ao contrário do que se pensa, Tinker Bell não foi inspirada por Marilyn Monroe e sim na modelo Margaret Kerry, que serviu de referência.

4. John Lennon recusou o convite do estúdio Disney para que os Beatles fizessem as vozes da banda que aparece em Mogli, o menino-lobo (1967). A banda tinha sido inspirada no quarteto de Liverpool, e mesmo com a recusa de Lennon, Walt Disney decidiu manter os personagens mesmo assim. Aliás, Mogli foi o último filme que ele supervisionou, e foi lançado dez meses após a morte de Disney, em 1966.

5. O pênis na capa original do lançamento em VHS de A Pequena Sereia (1989) foi puramente acidental. De acordo com o artista que a desenhou, ele estava com pressa para terminá-la e não estava nem com raiva dos chefes e nem prestes a ser demitido – como se especulou na época.

6. O mago Yen Sid, para quem Mickey vai trabalhar no segmento “O Aprendiz de Feiticeiro” de Fantasia (1940), tem o nome Disney soletrado de trás para frente.

7. Walt Disney recebeu um Oscar honorário por Branca de Neve e os Sete Anões (1937), e mais sete estatuetas em miniatura.

8. Ursula, a vilã de A Pequena Sereia, foi inspirada na vilã Madame Medusa de Bernardo e Bianca (1977) e na drag-queen Divine.

From L-R: Madame Medusa, Ursula, Divine (Photo: Everett/Getty)

9. Não se ouvem rugidos de leões em O Rei Leão.  Os produtores acharam que eram muito baixos, então usaram os rugidos de tigres!

10. Esta é boa: o nome do tubarão vegetariano em Procurando Nemo (2003) é Bruce, e foi batizado assim em homenagem ao tubarão mecânico usado no filme de Steven Spielberg Tubarão (1975). O Bruce de Spielberg recebeu esse nome em “homenagem” ao antigo advogado do diretor… Ah, ah, ah!

11. O príncipe de “A Bela Adormecida” foi o primeiro a receber um nome, Felipe, em homenagem ao Duque de Edinburgo, marido da rainha Elizabeth e pai do príncipe Charles.

12. Para gravar um minuto de “O Estranho Mundo de Jack”, o filme em stop-motion dirigido por Tim Burton, era necessário uma semana!

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13. Walt Disney tinha a ideia de uma sequência para “Branca de Neve”, um curta-metragem chamado “Snow White Returns”, que nunca foi desenvolvido. Restaram apenas algumas cenas esboçadas e mais nada…

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14. A atriz Eleanor Aubrey foi quem deu o rosto e as expressões para duas das maiores vilãs da Disney: Lady Tremaine de “Cinderela” e Maléfica de “A Bela Adormecida”.

15. Quando criança, Walt Disney interpretou “Peter Pan” em uma peça teatral na escola.

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BÔNUS

O Disney World de Orlando, na Flórida, é muito mais do que… O Magic Kingdom, cujo símbolo é o castelo da Cinderela. Ele ainda inclui o Epcot, o Animal Kingdom, o Disney MGM e mais um monte de coisas… Ah, e é do tamanho da cidade de San Francisco…