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Fordlândia: a história da cidade utópica que Henry Ford construiu na Amazônia

Há pouco mais de 70 anos, terminava o plano de Henry Ford de abastecer suas fábricas com borracha produzida no Brasil. 

Era uma área extensa, de aproximadamente 15 mil quilômetros quadrados no sudoeste do Pará, na região de Santarém, a 800 quilômetros de Belém. Foi onde se construiu a Fordlândia, referência ao empresário norte-americano Henry Ford, que planejava estabelecer ali sua base de fornecimento de borracha. A aventura começou em 1927 e terminou em 1945, sem sucesso. A área hoje está em ruínas. No início deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou rapidez ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) no processo de tombamento, mas ambos concordam que isso não será suficiente para recuperar e preservar o local.

Na primeira década do século passado, Henry Ford causou sensação com seu modelo T, pioneiro na fabricação em série. O modelo de produção inovador para a época foi batizado de fordismo. Surgia a linha de montagem. Para os pneus dos automóveis, ele precisava de borracha – e aí surge o projeto da Fordlândia.

O ciclo da borracha no Brasil já estava superado. No início do século 20, quem produzia eram colônias inglesas do Sudeste Asiático. O empresário viu na Amazônia oportunidade de investimento e de fornecimento contínuo e mais barato para seus produtos, fugindo do monopólio britânico. Adquiriu o terreno e, em pouco tempo, criou não apenas uma fábrica, mas uma típica cidade dos Estados Unidos em plena Amazônia, no final dos anos 1920. Uma little town (cidadezinha) à beira do Rio Tapajós, que chegou a ter mais de 3 mil trabalhadores. Tinha escolas, eletricidade, saneamento, clube social/recreativo e um hospital (onde viria a ser feito o primeiro transplante de pele no Brasil). O empreendimento tinha tudo para dar certo se não fossem dois graves problemas.

Cidade chegou a ter 3 mil trabalhadores, que não se adaptaram ao estilo norte-americano de vida. Na foto, vila operária em 1933.

A produção da borracha nunca se firmou. O ciclo da borracha no Brasil viveu seu auge entre 1879 e 1912 — quinze anos antes da compra da área por Ford —, e entrou em declínio depois que os britânicos levaram 70.000 sementes de seringueira da Amazônia para o Sudeste da Ásia e começaram a produzir látex com maior eficiência e produtividade devido às condições do solo.

O segundo grave problema foi que a empresa tentou impor uma cultura americana aos operários brasileiros, que não se limitava ao modelo de produção, e incluía novos hábitos de comportamento e alimentares. De um lado, os administradores custaram a encontrar apito de fábrica que não enferrujasse naquele clima. De outro, trabalhadores que mal tinham ouvido um sino de igreja na vida precisaram se habituar às ordens da sirene. Por ali, o povo sempre organizou o trabalho ao longo do dia, de acordo com o Sol; e ao longo do ano, seguindo períodos de chuva ou estiagem. Mas a natureza não interferiria na rigidez dos cartões de ponto. Em cada detalhe ficava clara a falta de compreensão entre os dois mundos.

Os trabalhadores solteiros foram proibidos de sair da propriedade para bares e bordéis. Em Fordlândia, era vedado o uso de bebidas alcoólicas. Todos tinham que comer no refeitório da fábrica, sendo descontados direto do salário. Para piorar, nada de farinha e peixe no cardápio. Só aveia, pêssegos enlatados, arroz e pão de trigo integral Tinha até hambúrguer… Um refeitório instalado em 1930 era mais moderno, de concreto, mas não deixava o ar entrar como o antigo, com teto de palha e paredes abertas até a metade.

Certo dia, um pedreiro do Rio Grande do Norte cansou-se da fila para entrar no refeitório e causou uma confusão. Começou com uma discussão com um coordenador, seguiu com um quebra-quebra de tudo que havia no refeitório e terminou com uma massa descontrolada destruindo o que podia no povoado. Depois do episódio, conhecido como Revolta das Panelas, os trabalhadores apresentaram uma série de reivindicações. Henry Ford não aceitou ceder em ponto algum. Trocou toda a mão-de-obra e também o lugar da vila. Não conseguiu, no entanto, lutar contra a floresta por muito tempo.

Em 1945, as seringueiras foram infestadas por um fungo, e a indústria, naquela altura, também já havia descoberto a borracha sintética. O projeto brasileiro perdia sentido. A filial local da Ford fechou as portas de vez, deixando duas cidades fantasmas na selva.

Hábitos norte-americanos, inclusive os alimentares, irritaram os brasileiros e resultaram na Revolta das Panelas. Na foto, operários posam antes de começar o desmatamento para construir Fordlândia.

Fordlândia em 1933

Mato e ruínas

O Governo indenizou a Ford em aproximadamente US$ 250.000, e ainda assumiu as dívidas trabalhistas com os trabalhadores. Em troca, recebeu seis escolas; um hospital; estações de captação, tratamento e distribuição de água; usinas de força; mais de 70 quilômetros de estradas; dois portos fluviais; estação de rádio e telefonia; duas mil casas para trabalhadores; trinta galpões; centros de análise de doenças e autópsias; duas unidades de beneficiamento de látex; vilas de casas para a administração; um departamento de pesquisa e análise de solo; e a plantação de 1.900.000 seringueiras.

Essa infraestrutura se perdeu. O local chegou a receber instalações federais e fazendas, com casas habitadas por servidores do Ministério da Agricultura. Mas a área foi abandonada aos poucos e os prédios se deterioraram ou foram alvo de vandalismo. Ainda há moradores na região. Alguns ocuparam casas remanescentes da chamada Vila Americana.

Recentemente, o repórter Daniel Camargos, do jornal Estado de Minas, visitou o local. Sua descrição a respeito do hospital que funcionava ali ajuda a dar uma ideia do que aconteceu com o passar do tempo: “O projeto do hospital foi elaborado pelo arquiteto Albert Khan, o mesmo que projetou as fábricas da Ford em Highland e River Rouge, nos Estados Unidos. A capacidade era de 100 leitos e foi um dos mais modernos do país, sendo o primeiro a realizar um transplante de pele. Hoje, é só mato e ruínas. No local abandonado, somente o zumbido de mosquito interrompe o silêncio”.

O desprezo do componente cultural e da realidade local muito contribuiu para os desacertos. Muitos projetos vieram depois e, apesar de um outro entendimento da região e do componente local,  continuamos a ser meros fornecedores de matéria-prima, inclusive no caso da energia. Muitas vezes o que fica na região é apenas o lado perverso desses investimentos: desmatamento, poluição, aumento da população nas periferias dos projetos em áreas de ocupação irregular, inchando as cidades que, em geral, não têm as condições devidas para atendê-las. Daí o crescimento das favelas…

Henry Ford morreu em 1947. Sem dormir uma única vez em sua suíte à beira do rio Tapajós, o pioneiro das linhas de montagem levou um prejuízo de mais de 100 milhões de dólares.

Sonho amazônico de Henry Ford deu em nada

 

 

 

 

Fontes:

redebrasilatual.com.br

flatout.com.br – Leonardo Cortesini

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Japonês eremita toma conta de cidade abandonada na selva amazônica

A cidade de Airão Velho, no Estado do Amazonas, teve seu auge há mais de 100 anos e sua decadência econômica traduziu-se na partida dos moradores. Hoje, um único homem vive ali e tornou-se o guardião do local.

Shigeru Nakayama tem 62 anos e chegou ao Brasil há mais de 50 anos. Nasceu em Fukuoka, no sul do Japão, e mudou-se durante o grande fluxo migratório de japoneses no começo dos anos 1960. O Japão, à época, passava por dificuldades econômicas e o Brasil precisava de mão de obra na agricultura. Sua família, então, assentou-se no Pará.

No início dos anos 70, ele e um grupo de amigos partiram para a Amazônia em busca de trabalho, e estabeleceram-se às margens do Rio Negro.

Chegou a Airão Velho em 2001, quando a cidade já estava abandonada havia quase 70 anos. O vilarejo teve seu auge econômico durante o período do Ciclo da Borracha, quando a região era movida pela exploração do látex.

Com o declínio da produção, aos poucos, quem morava ali se mudou para outras regiões.

Airão Velho, a 180 km de Manaus, também foi berço da colonização portuguesa, como pode ser visto no único cemitério do local, onde estão enterradas gerações inteiras.

A família lusitana Bizerra “mandava” na cidade e um de seus últimos membros viveu ali até meados do século 20. Foi um deles que pediu, pessoalmente, a Nakayama que cuidasse dali. E ele aceitou.

“Meu sonho desde criança era viver na floresta amazônica”, diz ele, em seu carregado sotaque japonês. “Se eu sair, a história morre”. Nakayama diz ter tido ajuda de dois amigos para avançar sobre o mato que havia tomado Airão Velho. “Tudo estava completamente abandonado havia mais de 40 anos”, diz.

Gerações inteiras de famílias portuguesas estão enterradas na cidade abandonada.

Hoje, recebe e guia turistas, a maioria estrangeiros, mas recusa-se a cobrar entrada. Em troca, recebe comida e doações dos visitantes.

Em sua pequena casa de madeira, de apenas três cômodos e chão de terra, montou um pequeno museu onde reuniu objetos históricos recolhidos nas imediações.

Dorme em uma modesta cama de solteiro, gasta pelo tempo. Planta o que come – longe dali, diz, já que a área é de preservação ambiental. E, todos os dias, cuida de “sua” cidade, andando sempre com um facão – ou terçado, como dizem os amazonenses – como forma de proteção.

A tecnologia quase não existe por ali, a não ser pelo pequeno televisor movido por um gerador de energia e um antigo rádio de pilhas.

“Airão é um patrimônio histórico. Plantação, roça, derrubar floresta, é completamente proibido. Do jeito que está, tem que deixar assim. É área de patrimônio”.

E diz temer que um dia o local seja esquecido e novamente abandonado: “Se eu sair, a história daqui morre. Todo mundo sabe disso”.

 

Fonte:
BBC Brasil
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Significado dos nomes dos Estados Brasileiros (1 de 3)

Sempre tive curiosidade em saber quais os motivos que levam as pessoas a escolher determinado nome para batizar as coisas. Por exemplo, como escolhem o nome que vão dar a um carro novo? (escrevi até um post sobre isso). Ou o significado dos nomes, como Guilherme, que deriva do germânicoWilhelm, formado da junção de will, vontade e helm, proteção.

Por isso, fui pesquisar o significado dos nomes dos Estados do Brasil. Pelo que apurei, quem os batizou se baseou em três fontes:

1. Nomes indígenas relacionados à região;

2. Acidentes geográficos;

3. Nomes de santos.

Como não podia deixar de ser, num país que não preserva a sua História, há muita controvérsia em alguns casos, e eu procurei colocar o que encontrei de mais relevante:

ACRE: Há quem diga que tal nome originou-se de um erro de decifração de uma carta. Diz-se que um comerciante chamado João Gabriel de Carvalho Melo escreveu uma carta a uma autoridade solicitando mercadorias. Na carta constava “rio Aquiri” e, como tal autoridade não entendeu a grafia, usou uma palavra que se aproximava do nome, ou seja “Acre”. Outros dizem que o nome vem áquiri , touca de penas usada pelos índios Munducurus.

ALAGOAS: O nome é derivado dos numerosos lagos e rios que caracterizam o litoral alagoano.

AMAPÁ– Do tupi: ama’pa: nome de uma árvore. Mas, segundo a tradição, o nome teria vindo do nheengatu– lingua geral da Amazônia, uma espécie de dialeto tupi-jesuitico- significando”terra que acaba” ou “ilha”.

AMAZONAS – Diz-se que, em 1541, o capitão Francisco Orelhana encontrou junto à Foz do Nhammundá uma tribo de índias guerreiras com a qual travou luta, o que lhe inspirou a dá o nome das mitológicas amazonas de Termodunte. Maaaasss… Para alguns estudiosos, o nome vem de amasuru, que significa águias retumbantes.

BAHIA – Recebeu esse nome por causa de sua extensa enseada. O “h” existente no nome não possui nenhum valor etimológico, mas apenas histórico. Baía nada mais é do que uma reentrância numa costa, menor que um golfo, ou uma lagoa comunicante com um rio. A designação “de todos os santos”, dada à Bahia, remonta ao fato de tal localidade ter sido descoberta no dia de Todos os Santos (1° de novembro de 1526).

CEARÁ : Vem de siará, canto da jandaia, uma espécie de papagaio.

BRASÍLIA: Significa aquele que provém de terras brasileiras . Nome sugerido por José Bonifácio em 1823 em memorial encaminhado à Assembléia Geral Constituinte do Império. E ficou sendo o nome do Distrito Federal.

ESPÍRITO SANTO : Denominação dada pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho que ali desembarcou em 1535, num domingo dedicado ao Espírito Santo.

(continua AQUI…)