Hugo Boss criou os uniformes nazistas?

A consagrada grife de roupa alemã Hugo Boss vestiu os soldados de Adolf Hitler antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Hugo Ferdinand Boss, fundador e dono da empresa, fabricou uniformes para diversas instituições nazistas, como a Juventude Hitlerista e a implacável e criminosa Schutzstaffel (SS), uma das organizações mais vis que já marchou sobre a terra.

A empresa foi fundada em 1924 tendo como foco a produção de uniformes para o governo alemão, o que incluía, por exemplo, fardamentos para o serviço de coleta de lixo e os correios. Como muitas outras companhias do ramo de confecção, a recém-criada marca fabricava (costurava) as mais diversas vestimentas a pedido do governo alemão.

Contudo, a empresa teria sua reputação manchada para sempre por ter feito uso de prisioneiros de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, tendo o próprio fundador sido julgado em um tribunal.


Adolf Hitler e seus oficiais em meados de 1939, verificando por onde, durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas alemãs marchariam. Créditos: Hugo Jaeger / Timepix/ Time Life Pictures / Getty Images.

As coisas mudaram para Hugo Boss a partir de 1928, com o crescimento do Partido Nazista, que cada vez mais necessitava de grandes estoques de roupas para vestir seus seguidores que, como notoriamente se percebe, andavam uniformizados.

Esse crescimento vertiginoso por fardamento fez a companhia de Ferdinand Boss se integrar às demais empresas que já produziam para o partido de Hitler, o NSDAP (“Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”, em tradução).


Soldados da Leibstandarte-SS Adolf Hitler, 22 November 1938, Berlim. Créditos: autoria desconhecida / Arquivo Federal Alemão, ID.: 183-H15390.

Em 1931 Ferdinand, após se filiar ao Partido Nazista e firmar excelentes contratos, elevou significativamente seus lucros, principalmente a partir de 1938, quando a nação germânica definitivamente vestiu a farda para ir à guerra, fato que aconteceria em 1º de setembro de 1939 com a Invasão da Polônia.

Nesse ponto, que é delicado, residem fatos pouco conhecidos e de grande especulação sobre o envolvimento entre a companhia de roupas e o Nazismo. O que se referencia é que a filiação de Ferdinand ao Partido Nazista salvou a companhia de uma falência em 1931, fazendo-a se projetar fortemente ao mundo.


Karl Diebitsch e suas criações em porcelana. Diebitsch também criou o famoso sabre cerimonial dos oficiais da SS. Créditos: autoria desconhecida.

Diferentemente do que comumente se noticia, porém, os desenhos das vestes nazistas foram fruto, em sua maioria, do trabalho de outro alemão.

A autoria recai sobre Karl Diebitsch, um dedicado oficial da própria SS, que obteve grande êxito, pois produziu os uniformes mais elegantes da guerra, sendo muitas vezes considerados como os mais belos da história militar moderna.

Esse passado da empresa alemã desperta um gigantesco incômodo, ainda mais quando se descobre que seu próprio fundador utilizou prisioneiros de guerra, sobretudo franceses, poloneses e soviéticos, como mão de obra escrava para confeccionar os uniformes e também pertencia ao Partido Nazista.

Ao fim da guerra, Ferdinand foi julgado e condenado por associação ao regime Nacional-Socialista e por ter usado mão de obra escrava. Como condenação, recebeu ao menos uma pesada multa e perdeu temporariamente seu direito ao voto.

Lembrando, a Hugo Boss não desenhou, mas confeccionou os uniformes nazistas, incluindo os de seu líder.

Em 2011, a empresa Hugo Boss, mais uma vez, pediu desculpas publicamente pelo uso desumano de mão de obra escrava durante a Segunda Guerra Mundial. Quanto ao seu fundador, de acordo com as referências consultadas, não se pode afirmar se era ou não um membro fiel ao partido liderado por Adolf Hitler.


Hitler comemorando seus 50 anos de idade, em 20 de abril de 1939. Os uniformes representavam uma peça fundamental para a pompa da ideologia nacional-socialista Créditos: Hugo Jaeger / Life.

A estética dos uniformes nazistas até hoje impressiona. Apesar de todas as atrocidades e exploração que cercou o nazismo, o design dos uniformes é de primeira linha, e aparentemente o acabamento também era de primeira.

Fonte: incrivelhistoria.com.br, por Eudes Bezerra

A Segunda Guerra Mundial em fotos poderosas

Foi o conflito  mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. A guerra começou em 1939, com a invasão alemã à Polônia, e durou até 1945, quando duas bombas nucleares lançadas pelos americanos em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, decretaram seu fim. 

A Segunda Guerra Mundial foi um dos eventos de maior importância na história da humanidade, definindo o mundo como hoje o conhecemos.

As fotos a seguir, da Getty Images, contam um pouco dessa história.

Hitler informando da invasão à Polônia, em 1939.
Parada militar alemã, celebrando a vitória na Polônia, em 1939.
Tropas alemãs em missão na Polônia, em 1939.
Jornaleiro londrino anunciando a eclosão da guerra, em 1939.
Manifestação anti-Hitler em Nova York, 1939.
Paris ocupada pelos alemães, em 1940.
A cantora Edith Piaf visitando um campo de prisioneiros de guerra.
Crianças inglesas, sob o bombardeio alemão em Londres.
Civis procuram abrigo no metrô londrino, em 1940.
Manifestação pró-Hitler em Berlim, 1941.
Avião de guerra alemão Heinkel He-111 em ataque às tropas inimigas, em 1941.
Navios americanos em chamas na base de Pearl Harbor, atacados pelo Japão em 1941.
Submarino alemão no círculo polar ártico, em 1942.
Marinha alemã celebra a noite de Natal a bordo de navio de guerra, em 1943
Soldado alemão se rende a soldado americano, em 1943.
Caça americano sofre acidente durante pouso em porta-aviões.
Escritor e correspondente de guerra Ernest Hemingway em meio às tropas americanas, em 1943
Marinha americana chega à baía de Tóquio, em 1945
Batalha de Okinawa, ao sul do Japão. Foi a maior batalha marítimo-terrestre-aérea da história, ocorrendo de abril a junho de 1945.
Famosa foto, que se tornou um símbolo da vitória americana contra o Japão, tirada logo depois da vitória sobre os japoneses na ilha de Iwo Jima.

O Brasil já teve um time de futebol nazista

Em uma fazenda no interior de São Paulo, a 160 km a oeste da capital, um time de futebol posa para uma foto comemorativa. Mas o que torna a imagem extraordinária é o símbolo na bandeira do time – uma suástica.

A foto, provavelmente, foi tirada após a ascensão nazista na Alemanha, na década de 1930. “Nada explicava a presença dessa suástica aqui”, conta José Ricardo Rosa Maciel, ex-dono da remota fazenda Cruzeiro do Sul, perto de Campina do Monte Alegre, que encontrou a foto, por acaso, um dia.

Mas essa foi, na verdade, sua segunda e intrigante descoberta. A primeira tinha ocorrido no chiqueiro. “Um dia, os porcos quebraram uma parede e fugiram para o campo”, ele disse. “Notei que os tijolos tinham caído. Achei que estava tendo alucinações”.

Na parte debaixo de cada tijolo estava gravada uma suástica.

Ter prédios antigos com tijolos com a suástica é até normal, muita coisa era importada da Alemanha na década de 30, até tijolos. Não devemos esquecer que o governo brasileiro daquela época (ditadura de Getúlio Vargas) era simpatizante do fascismo e só entrou na guerra contra a Alemanha por pressão americana e, Getúlio que não era nenhum bobo, em 1942 percebeu qual seria o lado vencedor… Mas antes disso, o Brasil tinha fortes vínculos com a Alemanha Nazista. Os dois países eram parceiros comerciais e o Brasil tinha o maior partido fascista fora da Europa, com mais de 40 mil integrantes.

Levou anos para que Maciel, com o auxílio do historiador Sidney Aguillar Filho, conhecesse a terrível história que conectava sua fazenda aos fascistas brasileiros.

Ação Integralista

O historiador descobriu que a fazenda tinha pertencido aos Rocha Miranda, uma família de ricos industriais do Rio de Janeiro. Três deles – o pai, Renato, e dois filhos, Otávio e Osvaldo – eram membros da Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de extrema direita simpatizante do Nazismo. A família às vezes organizava eventos na fazenda, recebendo milhares de membros do partido. Mas também existia no lugar um campo brutal de trabalhos forçados para crianças negras abandonadas.

“Descobri a história de 50 meninos com idades em torno de 10 anos que tinham sido tirados de um orfanato no Rio”, conta o historiador. “Foram três levas. O primeiro grupo, em 1933, tinha dez (crianças)”.

Osvaldo Rocha Miranda solicitou a guarda legal dos órfãos, segundo documentos encontrados por Aguillar Filho. O pedido foi atendido.

“Ele enviou seu motorista, que nos colocou em um canto”, conta Aloysio da Silva, um dos primeiros meninos levados para trabalhar na fazenda, hoje com 90 anos de idade. “Osvaldo apontava com uma bengala – ‘Coloca aquele no canto de lá, esse no de cá’. De 20 meninos, ele pegou dez”.

Aloysio da Silva era conhecido apenas pelo número. Ele era o 23.

“Ele prometeu o mundo – que iríamos jogar futebol, andar a cavalo. Mas não tinha nada disso. Todos os dez tinham de arrancar ervas daninhas com um ancinho e limpar a fazenda. Fui enganado”. As crianças eram espancadas regularmente com uma palmatória. Não eram chamadas pelo nome, mas por números.

Cães de guarda mantinham as crianças na linha. “Um se chamava Veneno, o macho. A fêmea se chamava Confiança”, conta Silva, que ainda mora na região. “Evito falar sobre esse assunto”.

Até as vacas da fazenda recebiam a suástica

Argemiro dos Santos é outro dos sobreviventes. Quando menino, foi encontrado nas ruas e levado para um orfanato. Um dia, Rocha Miranda veio buscá-lo. “Eles não gostavam de negros”, conta Santos, hoje com 89 anos.

“Havia castigos, deixavam a gente sem comida ou nos batiam com a palmatória. Doía muito. Duas batidas, às vezes. O máximo eram cinco, porque uma pessoa não aguentava. Eles tinham fotografias de Hitler e você era obrigado a fazer uma saudação. Eu não entendia nada daquilo”.

Alguns dos descendentes da família Rocha Miranda dizem que seus antepassados deixaram de apoiar o Nazismo antes da Segunda Guerra Mundial. Maurice Rocha Miranda, sobrinho-bisneto de Otávio e Osvaldo, também nega que as crianças eram mantidas na fazenda como “escravos”. Em entrevista à Folha de São Paulo, ele disse que os órfãos na fazenda “tinham de ser controlados, mas nunca foram punidos ou escravizados”.

O historiador Sidney Aguillar Filho, no entanto, acredita nas histórias dos sobreviventes. E apesar da passagem do tempo, tanto Silva quanto Santos – que nunca mais se encontraram desde o tempo em que viveram na fazenda – fazem relatos muito parecidos e perturbadores de suas experiências.

Para os órfãos, os únicos momentos de alegria eram os jogos de futebol contra times de trabalhadores das fazendas locais, como aquele em que foi tirada a foto onde se vê a bandeira com a suástica. (O futebol tinha papel fundamental na ideologia integralista.)

“A gente se reunia para bater bola e a coisa foi crescendo”, diz Santos. “Tínhamos campeonatos, éramos bons de bola.”  Mas depois de vários anos, ele não aguentava mais. “Tinha um portão (na fazenda) e um dia eu o deixei aberto”, ele conta. “Naquela noite, eu fugi. Ninguém viu”.

Santos voltou ao Rio onde, aos 14 anos de idade, passou a dormir na rua e trabalhar como vendedor de jornais. Em 1942, quando o Brasil declarou guerra contra a Alemanha, Santos se alistou na Marinha como taifeiro, servindo mesas e lavando louça. Depois de trabalhar para nazistas, Santos passou a lutar contra eles.

Argemiro dos Santos ainda guarda a medalha de ouro que ganhou

“Estava apenas prestando um serviço para o Brasil”, explica. “Não sentia ódio por Hitler, não sabia quem ele era”.

Santos saiu em patrulha pela Europa e depois passou um período, ainda durante a guerra, trabalhando em navios que caçavam submarinos na costa brasileira. Hoje, Santos é conhecido, na comunidade onde vive, pelo apelido de Marujo. E se orgulha de um certificado e uma medalha que recebeu em reconhecimento por seus serviços durante a guerra.

Mas ele também é famoso por suas proezas futebolísticas, jogando como meio de campo em vários grandes times brasileiros na década de 1940.

“Naquela época, não existiam jogadores profissionais, éramos todos amadores”, diz. “Joguei para o Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama… Os jogadores eram todos vendedores de jornais e  engraxates”. Hoje, ele vive uma vida tranquila com a esposa, Guilhermina, e estão casados há 61 anos. “Eu gosto de tocar meu trompete, de sentar na varanda e tomar uma cerveja gelada. Tenho muitos amigos e eles sempre aparecem para bater papo”, conta.

As lembranças do tempo difícil que passou na fazenda, no entanto, são difíceis de apagar.

“Quem diz que sempre teve uma vida boa desde que nasceu está mentindo”, diz ele. “Na vida de todo mundo acontecem coisas ruins”.

************************

Integralismo Brasileiro

 

 

 

Fonte:

HOLLYWOOD CONTRA HITLER

Hitler não era o semianalfabeto que a propagada dos aliados fez o mundo acreditar. Ele era uma pessoa instruída e um leitor voraz. Segundo amigos, vivia sempre com um livro debaixo do braço e tinha pilhas de livros em casa.

Claro, quantidade não é e nunca foi sinônimo de qualidade, e é bem possível que ele tenha interpretado de forma errada os escritos do filósofo Arthur Schopenhauer, por exemplo, um de seus ícones. Mas o líder nazista era um sujeito educado e inteligente, isso não se pode negar. E aprendemos que líderes educados e inteligentes, e ainda carismáticos e donos de uma oratória convincente, podem provocar grandes mudanças.

Para o bem e para o mal.

Quando Hitler passou a usar maciçamente os então modernos meios de comunicação de massa, como rádio e cinema, para propagar a ideologia nazista, o mundo começou a perceber que ele poderia ser perigoso. Os filmes de propaganda, dirigidos pela cineasta preferida do Führer Leni Riefenstahl, eram extremamente bem feitos. Além de exaltar a figura de Hitler, a superioridade alemã e de sua raça Ariana, eles também a inseriram na história do cinema, com suas técnicas novas de enquadramento, ângulos de câmera, iluminação e nus.

No vídeo abaixo, alguns excertos do filme mais conhecido, O Triunfo da Vontade. Neles estão presentes as principais figuras do nazismo e todos os elementos da arte da propaganda do regime.

O famoso diretor americano Frank Capra percebeu o tremendo poder dessa brilhante peça de propaganda quando a assistiu, em 1943. Ele surpreendeu-se com o cinema produzido pelo Terceiro Reich.

Na sua opinião, o longa-metragem de Riefenstahl, mais do que a celebração do congresso do partido nazista na cidade de Nuremberg, em 1934, representava uma convocação sedutora à obediência e à agressão. “Estamos mortos. Acabados. Não podemos ganhar essa guerra”, declarou. Mas logo decidiu usar as mesmas armas e produziu sete documentários para as Forças Armadas americanas: “Vamos deixar os nossos jovens escutar os nazistas e japas gritarem as suas reivindicações de pertencimento a uma raça superior, e os nossos soldados vão saber por que eles estão em uniformes”, declarou o diretor. Why We Fight, o título da série, explicava por que a guerra contra a Alemanha, a Itália e o Japão era indispensável para a liberdade, usando inclusive trechos de “O Triunfo da Vontade”.

O trailer a seguir é do lançamento da série em DVD, em 2011:

Capra não esteve sozinho no combate ideológico ao nazifascismo. Ele e outros quatro realizadores de Hollywood formaram um grupo a serviço do governo dos EUA.  As razões alegadas por Capra, John Ford, John Huston, William Wyler e George Stevens para se alistar são usuais: o chamado do dever e o fascínio pela aventura.  

Capra foi o único dos realizadores a trabalhar para as Forças Armadas sem pisar em um campo de batalha. A atuação fora do front poupou-lhe danos físicos e psicológicos. Wyler, por exemplo, ficou praticamente surdo depois de filmar dentro de um bombardeiro. Huston voltou para os EUA com transtorno de estresse pós-traumático. Dirigiu Let There Be Light (1946), um documentário a respeito da “neurose da batalha” ou “aniquilação do espírito”. As Forças Armadas censuraram o filme por mais de 35 anos…

Stevens também se traumatizou. Em quase três décadas, o diretor de O Diário de Anne Frank (1959) calou-se sobre a sua experiência na liberação do campo de concentração de Dachau em 1945. Quando se pronunciou, ele citou A Divina Comédia. “Era como se vagasse por uma das visões infernais de Dante.” Enquanto desviava de cadáveres e de sobreviventes de corpos esqueléticos, Stevens filmou tudo o que testemunhava. O material serviu como prova contra os nazistas nos julgamentos de Nuremberg. 

Ford foi o primeiro dos cinco a se arriscar quando registrou o ataque aéreo dos japoneses ao Atol de Midway, no Oceano Pacífico. Enquanto filmava The Battle of Midway (1942), foi atingido por estilhaços. As imagens tremidas, a perspectiva distorcida e o foco turvo criaram um modelo mais realista, incorporado aos documentários de guerra que o sucederam. 

Five Came Back é o título que se deu a esses cinco documentários desses fabulosos diretores, e que mudaram a história do cinema.

Para demonstrar a tremenda influência da técnica desses diretores sobre os filmes posteriores, basta dizer que os primeiros 25 minutos de O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, se devem às filmagens do Dia D dirigidas por Ford e Stevens. A estética de A Batalha de San Pietro, de John Huston, influenciou Platoon (1986), de Oliver Stone, e Guerra ao Terror (2009), de Kathryn Bigelow.

Mas a contrapropaganda produzida por Hollywood não se limitou aos documentários. Mesmo antes de os Estados Unidos entrarem oficialmente na guerra, a Warner Bros., um dos maiores estúdios da época, lançou em 1941 o filme antinazista estrelado por Gary Cooper, Sargento York, no qual um jovem pacifista abre mão de sua crença para matar e salvar outras vidas.

Os Estados Unidos ainda mantinham relações diplomáticas com a Alemanha, em 1940, e embora muitos militares e políticos pressionassem o presidente Roosevelt a abandonar sua neutralidade, a população era fortemente contra a entrada do país em mais uma guerra (isso só foi mudar em 1943, depois do ataque japonês a Pearl Harbor). Mas Charlie Chaplin não podia perder a oportunidade de ridicularizar o ditador alemão.

Aproveitando uma série de ataques por parte dos nazistas sobre sinagogas e lojas de judeus situadas na Alemanha, fato conhecido como a “Noite dos Cristais”, Chaplin produziu O Grande Ditador em 1940. O filme foi censurado em vários países, inclusive aqui no Brasil, e deixou Hitler furioso.

Hoje, é um clássico do cinema:

Mas Hollywood tinha outras armas em seu “exército”, e uma das mais poderosas foi Walt Disney. Disney teve seu estúdio “engajado” no esforço de guerra. Além de ver diversos de seus animadores convocados para lutar, se viu contratado pelas Forças Armadas para produzir filmes de treinamento e propaganda. Um dos mais celebrados produtos do front cultural do conflito foi o curta animado A Face do Führer, propaganda antifascista que venceu o Oscar de melhor curta de animação de 1943.

Na trama, Donald acorda na Alemanha Nazista, ao som de uma canção que exalta Adolf Hitler, num quarto cercado de suásticas. Logo de manhã, ele saúda Hitler, Hirohito e Mussolini.

Forçado a sair da cama, ele logo se veste com a indumentária nazista e toma seu terrível café da manhã. O pão, envelhecido, está tão duro que é preciso fatiá-lo com um serrote. Logo, Donald é obrigado a ler o livro Mein Kampf, escrito pelo Führer. Acuado, Donald é levado até a fábrica de armas, onde terá de trabalhar “48 horas por dia”, “como um escravo”, para Hitler. A cena na qual o pato tem de atarraxar bombas é uma clara alusão ao clássico Tempos Modernos, de Chaplin. Ao final, Donald felizmente acorda do que se revela ter sido um pesadelo. “Eu estou feliz por ser um cidadão dos Estados Unidos da América”, diz, ufanista.

Usar todas as suas armas foi a maneira que Hollywood encontrou para se contrapor á sofisticada máquina de propaganda nazista.

Mas a ofensiva dos Aliados não se limitou a isso. Quando foi preciso vencer essa guerra, a BBC teve uma ideia engenhosa: contar a verdade sem vernizes. A médio prazo, a sobriedade e o respeito aos fatos e à objetividade levaram a melhor sobre os discursos exaltados de Goebbels e Hitler.

Mas essa é uma história para uma outra vez…

Quando a privada afundou o submarino

Banheiro de um U-Boat Tipo VII, como o 1206 | Crédito: Wikimedia Commons

HISTÓRIA MALUCA 

A situação não devia parecer promissora para os tripulantes do U-1206, que partiu em 6 de abril de 1945 rumo à costa da Grã-Bretanha, com a missão de afundar qualquer coisa que pudesse. A guerra estava perdida – antes do final do mês, Adolf Hitler jogaria a toalha com um tiro na própria cabeça em seu bunker. Com o completo domínio aliado dos mares, a missão era suicida. Mas ao menos um consolo eles tinham: podiam usar a descarga.

Para economizar espaço, os submarinos alemães não tinham um compartimento para dejetos, como os dos aliados. A descarga era direto na água. Isso quer dizer que era impossível usar o banheiro quando a máquina estava submergida, porque a pressão no exterior faria a água correr para dentro. Assim, os marinheiros tinham que usar baldes, latinhas, o que desse – num espaço mal ventilado e já poluído pelos odores de suor e óleo diesel.

U-Boat Tipo VII, como o 1206 / Wikimedia Commons

Mas o 1206 vinha com um ultratecnológico banheiro de alta pressão, que podia ser usado a qualquer profundidade, baseado num sistema de válvulas muito complexo. (dá para se ter uma ideia com a foto lá de cima…)

E era tecnológico até demais: tão complicado que exigia treinamento específico.

Em 14 de abril, o capitão Karl-Adolf Schlitt atendeu às necessidades da natureza e resolveu dar descarga sozinho. O  sistema inteiro se abriu para o exterior, quando o submarino estava a 61 metros de profundidade. A água, numa pressão de 7 atmosferas, jorrou violentamente de dentro da bacia, atirando seu conteúdo ao alto – mas, agora, isso era o menor dos problemas.

Logo abaixo do banheiro ficavam as baterias do submarino. O ácido nelas reagiu com a água, soltando gás cloro – tão letal que foi usado como arma química na Primeira Guerra. O capitão não teve escolha a não ser mandar o submarino emergir.

Chegando à superfície, foram recepcionados por aviões britânicos. Um marinheiro morreu e outros três caíram na água. Schlitt mandou todo mundo para os botes salva-vidas e afundou o próprio submarino com explosivos, para evitar sua captura pelos aliados. Afinal, vai que eles quisessem copiar a magnífica tecnologia de banheiros alemã?

Os tripulantes do U-1206, depois de presos pelos britânicos por conta do gás letal em seu interior…

A dor de barriga do capitão levou à captura de 46 alemães, contando com ele próprio.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Aventuras na História

Restaurante onde tudo é Extra-Big-Mega-Hiper-Large

Circulou por aí uma mensagem mostrando as comidas gigantescas servidas em um restaurante na Alemanha, o Waldgeist. O restaurante existe mesmo, fica em Hofheim.

Alguns brasileiros que vivem na Alemanha confirmaram que tudo isso que você vê nas fotos é verdade, os preços são bem razoáveis e as sobras (se você sai com as sobras é vaiado pelos outros frequentadores, que tentam comer tudo!) duram até dois dias! Dizem que não é assim a melhor cozinha gourmet do mundo, em termos de sabor, mas a graça é você se divertir, além de comer por um preço razoável.

Na foto acima temos o Cowboy Burguer (Hambúrguer de 1kg e MUITO molho barbecue).

Quem estiver em Frankfurt, vale o passeio para conhecer o restaurante que fica a uns 20 km da cidade e que serve frangos de 15 quilos, hambúrgueres com 30 centímetros de diâmetro, Schnitzel (bife de porco empanado) com 2,35 quilos (do tamanho de uma tábua de churrasco)… Mas é preciso fazer reserva, porque o lugar é concorridíssmo!

Mais fotinhos (ou fotonas!):
Currywurst
Também tem pizza, essa da foto acima custa cerca de R$ 300,00…
 Depois de comer tudo isso, você ainda pode tomar um copo de sal de fruta, que é do tamanho de um barril… (brincadeirinha, eh eh eh!)

Educação para a Morte

O primeiro desenho animado sonoro, o primeiro desenho com o sistema Technicolor, o primeiro longa-metragem animado e o primeiro programa de TV completamente colorido. Esses são alguns dos feitos do maior ganhador do Oscar de todos os tempos, Walter Elias Disney.

Mas nem tudo foram flores na vida do velho Walt. Ele e seu estúdio passaram por várias crises, e uma delas foi durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente falido depois de “Fantasia”, e enfrentando uma greve que paralisou metade de sua força de trabalho, Disney viu com bons olhos o contrato proposto pelo governo para produzir 32 curtas animados entre 1941-1945, a US$ 4,500 cada um, filmes tanto de treinamento para os soldados quanto para levantar a moral da população. Esse contrato gerou trabalho para os empregados e ajudou o estúdio a se recuperar. E o “esforço de guerra” também gerou outros produtos, como pôsteres e quadrinhos.

Um desses curtas foi  “Education for Death – The Making of the Nazi” (1943), uma poderosa propaganda anti-nazista e com uma linguagem um pouco agressiva para os padrões Disney.

O curta conta a história de Hans, um garoto alemão, desde seu nascimento. É mostrado como Hans é influenciado na escola a pensar de acordo com a doutrina nazista. O filme possui diálogos em alemão, mas os fatos mais importantes são narrados em inglês.

No início do filme, os pais de Hans estão diante um oficial nazista para garantir-lhe uma certidão de nascimento. O narrador explica que os pais de Hans são obrigados a mostrar certidões de seus ancestrais a fim de provar que pertencem à raça ariana. Logo em seguida, o casal quer que seu filho se chame Hans; o que é aceitável, pois “Hans” não faz parte da lista de nomes proibidos pelo governo – os de origem judaica. O narrador também explica que o casal tem direito a ter mais onze filhos além de Hans, e conclui que isso é por causa do exército ariano que o chanceler Adolf Hitler anseia formar. Por seus serviços prestados ao III Reich (gerarem uma criança ariana), os pais de Hans recebem de presente uma cópia de Mein Kampf, best-seller da Alemanha naquele momento.
Hans vai para a escola e lá aprende o conto da Bela Adormecida. No entanto, a versão que Hans aprende mostra a “democracia” como sendo a bruxa e a “Alemanha” como sendo a bela. Hitler é o príncipe que salva a Bela das garras da bruxa.

Subitamente, Hans adoece e um oficial nazista vai até a casa de seus pais lembrar-lhes que pessoas doentes não são vistas com bons olhos pelo Estado nazista e que, caso Hans não melhore, será levado a um campo de concentração. No entanto, Hans se recupera e volta à escola. Lá, aprende o conceito darwinista de seleção natural das espécies de forma manipulada; os povos mais fracos merecem ser eliminados. Hans se junta à Juventude Hitlerista e participa da queima de livros cheio de orgulho. Em uma sequência de cenas carregadas de significação, a Bíblia Sagrada se transforma no Mein Kampf, o crucifixo numa espada cortada pela suástica e o vitral de uma igreja é brutalmente quebrado. A cena, assim como aquela da queima de livros, pode ser interpretada como a perda de valores morais tanto por parte da Alemanha quanto por parte de Hans. No final do filme, é mostrado como a vida de Hans daquele momento para frente se resumiu em marchar e saudar Hitler. Hans e seus companheiros  marcham e saúdam Hitler desde a adolescência até se transformarem em túmulos de cemitério. E o narrador conclui que a educação dada na Alemanha nazista é a “educação para a morte”. 

O curta segue abaixo e avalie como serve de poderosa propaganda para as Forças Aliadas, lembrando que, na época, esses desenhos não eram veiculados pela televisão, mas nos cinemas, muitas vezes acompanhados de noticiários que traziam as últimas informações sobre a guerra na Europa.