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Quando a privada afundou o submarino

Banheiro de um U-Boat Tipo VII, como o 1206 | Crédito: Wikimedia Commons

HISTÓRIA MALUCA 

A situação não devia parecer promissora para os tripulantes do U-1206, que partiu em 6 de abril de 1945 rumo à costa da Grã-Bretanha, com a missão de afundar qualquer coisa que pudesse. A guerra estava perdida – antes do final do mês, Adolf Hitler jogaria a toalha com um tiro na própria cabeça em seu bunker. Com o completo domínio aliado dos mares, a missão era suicida. Mas ao menos um consolo eles tinham: podiam usar a descarga.

Para economizar espaço, os submarinos alemães não tinham um compartimento para dejetos, como os dos aliados. A descarga era direto na água. Isso quer dizer que era impossível usar o banheiro quando a máquina estava submergida, porque a pressão no exterior faria a água correr para dentro. Assim, os marinheiros tinham que usar baldes, latinhas, o que desse – num espaço mal ventilado e já poluído pelos odores de suor e óleo diesel.

U-Boat Tipo VII, como o 1206 / Wikimedia Commons

Mas o 1206 vinha com um ultratecnológico banheiro de alta pressão, que podia ser usado a qualquer profundidade, baseado num sistema de válvulas muito complexo. (dá para se ter uma ideia com a foto lá de cima…)

E era tecnológico até demais: tão complicado que exigia treinamento específico.

Em 14 de abril, o capitão Karl-Adolf Schlitt atendeu às necessidades da natureza e resolveu dar descarga sozinho. O  sistema inteiro se abriu para o exterior, quando o submarino estava a 61 metros de profundidade. A água, numa pressão de 7 atmosferas, jorrou violentamente de dentro da bacia, atirando seu conteúdo ao alto – mas, agora, isso era o menor dos problemas.

Logo abaixo do banheiro ficavam as baterias do submarino. O ácido nelas reagiu com a água, soltando gás cloro – tão letal que foi usado como arma química na Primeira Guerra. O capitão não teve escolha a não ser mandar o submarino emergir.

Chegando à superfície, foram recepcionados por aviões britânicos. Um marinheiro morreu e outros três caíram na água. Schlitt mandou todo mundo para os botes salva-vidas e afundou o próprio submarino com explosivos, para evitar sua captura pelos aliados. Afinal, vai que eles quisessem copiar a magnífica tecnologia de banheiros alemã?

Os tripulantes do U-1206, depois de presos pelos britânicos por conta do gás letal em seu interior…

A dor de barriga do capitão levou à captura de 46 alemães, contando com ele próprio.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Aventuras na História

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Restaurante onde tudo é Extra-Big-Mega-Hiper-Large

Circulou por aí uma mensagem mostrando as comidas gigantescas servidas em um restaurante na Alemanha, o Waldgeist. O restaurante existe mesmo, fica em Hofheim.

Alguns brasileiros que vivem na Alemanha confirmaram que tudo isso que você vê nas fotos é verdade, os preços são bem razoáveis e as sobras (se você sai com as sobras é vaiado pelos outros frequentadores, que tentam comer tudo!) duram até dois dias! Dizem que não é assim a melhor cozinha gourmet do mundo, em termos de sabor, mas a graça é você se divertir, além de comer por um preço razoável.

Na foto acima temos o Cowboy Burguer (Hambúrguer de 1kg e MUITO molho barbecue).

Quem estiver em Frankfurt, vale o passeio para conhecer o restaurante que fica a uns 20 km da cidade e que serve frangos de 15 quilos, hambúrgueres com 30 centímetros de diâmetro, Schnitzel (bife de porco empanado) com 2,35 quilos (do tamanho de uma tábua de churrasco)… Mas é preciso fazer reserva, porque o lugar é concorridíssmo!

Mais fotinhos (ou fotonas!):
Currywurst
Também tem pizza, essa da foto acima custa cerca de R$ 300,00…
 Depois de comer tudo isso, você ainda pode tomar um copo de sal de fruta, que é do tamanho de um barril… (brincadeirinha, eh eh eh!)
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Educação para a Morte

O primeiro desenho animado sonoro, o primeiro desenho com o sistema Technicolor, o primeiro longa-metragem animado e o primeiro programa de TV completamente colorido. Esses são alguns dos feitos do maior ganhador do Oscar de todos os tempos, Walter Elias Disney.

Mas nem tudo foram flores na vida do velho Walt. Ele e seu estúdio passaram por várias crises, e uma delas foi durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente falido depois de “Fantasia”, e enfrentando uma greve que paralisou metade de sua força de trabalho, Disney viu com bons olhos o contrato proposto pelo governo para produzir 32 curtas animados entre 1941-1945, a US$ 4,500 cada um, filmes tanto de treinamento para os soldados quanto para levantar a moral da população. Esse contrato gerou trabalho para os empregados e ajudou o estúdio a se recuperar. E o “esforço de guerra” também gerou outros produtos, como pôsteres e quadrinhos.

Um desses curtas foi  “Education for Death – The Making of the Nazi” (1943), uma poderosa propaganda anti-nazista e com uma linguagem um pouco agressiva para os padrões Disney.

O curta conta a história de Hans, um garoto alemão, desde seu nascimento. É mostrado como Hans é influenciado na escola a pensar de acordo com a doutrina nazista. O filme possui diálogos em alemão, mas os fatos mais importantes são narrados em inglês.

No início do filme, os pais de Hans estão diante um oficial nazista para garantir-lhe uma certidão de nascimento. O narrador explica que os pais de Hans são obrigados a mostrar certidões de seus ancestrais a fim de provar que pertencem à raça ariana. Logo em seguida, o casal quer que seu filho se chame Hans; o que é aceitável, pois “Hans” não faz parte da lista de nomes proibidos pelo governo – os de origem judaica. O narrador também explica que o casal tem direito a ter mais onze filhos além de Hans, e conclui que isso é por causa do exército ariano que o chanceler Adolf Hitler anseia formar. Por seus serviços prestados ao III Reich (gerarem uma criança ariana), os pais de Hans recebem de presente uma cópia de Mein Kampf, best-seller da Alemanha naquele momento.
Hans vai para a escola e lá aprende o conto da Bela Adormecida. No entanto, a versão que Hans aprende mostra a “democracia” como sendo a bruxa e a “Alemanha” como sendo a bela. Hitler é o príncipe que salva a Bela das garras da bruxa.

Subitamente, Hans adoece e um oficial nazista vai até a casa de seus pais lembrar-lhes que pessoas doentes não são vistas com bons olhos pelo Estado nazista e que, caso Hans não melhore, será levado a um campo de concentração. No entanto, Hans se recupera e volta à escola. Lá, aprende o conceito darwinista de seleção natural das espécies de forma manipulada; os povos mais fracos merecem ser eliminados. Hans se junta à Juventude Hitlerista e participa da queima de livros cheio de orgulho. Em uma sequência de cenas carregadas de significação, a Bíblia Sagrada se transforma no Mein Kampf, o crucifixo numa espada cortada pela suástica e o vitral de uma igreja é brutalmente quebrado. A cena, assim como aquela da queima de livros, pode ser interpretada como a perda de valores morais tanto por parte da Alemanha quanto por parte de Hans. No final do filme, é mostrado como a vida de Hans daquele momento para frente se resumiu em marchar e saudar Hitler. Hans e seus companheiros  marcham e saúdam Hitler desde a adolescência até se transformarem em túmulos de cemitério. E o narrador conclui que a educação dada na Alemanha nazista é a “educação para a morte”. 

O curta segue abaixo e avalie como serve de poderosa propaganda para as Forças Aliadas, lembrando que, na época, esses desenhos não eram veiculados pela televisão, mas nos cinemas, muitas vezes acompanhados de noticiários que traziam as últimas informações sobre a guerra na Europa.
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As fotos secretas de Hitler

Adolf Hitler tentou desesperadamente impedir que algumas fotos “indignas”, segundo ele próprio, e que haviam sido publicadas num livro de propaganda no início das atividades do Partido Nazista, fossem divulgadas novamente.

Hitler-Humiliating-picture-570560Porém, como quase sempre acontece, as coisas nem sempre saem como a gente quer, e então…

Nos escombros de uma casa destruída pelas bombas em Berlim, um soldado britânico se abaixou para pegar um livro sem capa e meio rasgado. O livro havia sido danificado pela água, mas achando que aquilo seria uma boa lembrança para mostrar às pessoas quando voltasse para casa, o soldado guardou o livro em sua mochila de lona.

O ano era 1945 e Adolf Hitler havia cometido suicídio em seu bunker de Berlim, e seus sonhos de um Reich de 1.000 anos haviam sido destruídos tanto quanto as cidades da Alemanha, agora patrulhadas pelos soldados aliados.

Um deles era Alf Robinson, esse que pegou o livro rasgado e juntou-o com suas outras relíquias nazistas, uma baioneta e uma pistola Luger. Como o livro era escrito em alemão, ficou guardado e jamais lido na casa de sua família em Barnsley, Yorkshire, Inglaterra.

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Hitler de bermudas na floresta…
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Hitler intimidador

Agora, 70 anos mais tarde, ele está prestes a ser republicado e, traduzido em inglês, fornece uma perspectiva única sobre a propaganda nazista.

Destinado a jovens leitores, a publicação oficial do partido nazista seria encarada hoje mais como um “fanzine”, e faz Hitler parecer mais como uma imitação de um tirano. O livreto, chamado “Deutschland Erwache” (Alemanha Despertada) foi escrito na década de 1930 por Baldur von Schirach, um dos primeiros capangas de Hitler.

Ele escreveu: “Nós, que tivemos o privilégio de podermos trabalhar com ele, aprendemos a adorá-lo e amá-lo”. Descrevendo o ditador como sendo “honesto, firme e modesto” e exibindo ao mesmo tempo “força e bondade”, von Schirach disse que a grandeza de Hitler “e sua profunda humanidade são virtudes capazes de tirar o fôlego de quem dele se aproxima pela primeira vez”.

Entre as imagens mais cômicas do livro estão aquelas que mostra o grande líder de calças curtas, entre outras. Hitler decidiu mais tarde que tais fotografias eram profundamente indignas e humilhantes, e proibiu novas publicações.

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Hitler e seu sorriso

Outras fotos mostram Hitler com sua equipe, com crianças e trabalhadores, e o autor escreve: “Como os olhos delas se iluminam quando o Führer está próximo!”.

O autor tinha 18 anos quando conheceu Hitler em Munique, em 1925, mas rapidamente escalou a hierarquia do partido por meio de sua liderança na associação de estudantes nazistas.

Em 1932 ele se casou com a filha do fotógrafo favorito de Hitler, Heinrich Hoffmann, e usou suas fotos na propaganda, que ele produziu como um jovem líder do Reich.

O serviço voluntário lhe valeu a Cruz de Ferro, mas, depois de dirigir a deportação de judeus de Viena, ele parece ter tido uma crise de consciência e passou a exigir melhor tratamento para os deportados. Depois que sua esposa também criticou as deportações, ele caiu em desgraça.

Von Schirach sobreviveu à guerra, mas em 1945 foi condenado em Nuremberg a 20 anos na prisão de Spandau, em Berlim. Ele morreu em 1974.

O jovem cabo Hitler no exército alemão na 1ª Guerra Mundial.
O jovem cabo Hitler no exército alemão na 1ª Guerra Mundial.
Hitler baniu esta foto porque seu olhar gelado o fazia parecer um bobão.
Hitler baniu esta foto porque seu olhar gelado o fazia parecer um tonto.

Seu livro ficou esquecido na casa da família Robinson por 70 anos, até que um sobrinho do velho soldado o mostrou a especialistas militares, e o livro foi parar numa editora que agora irá publicá-lo em inglês.

O editor conta que o livro “mostra exatamente como a máquina de propaganda nazista trabalhou nas jovens mentes impressionáveis. Todo mundo se pergunta como uma nação inteira pôde ser convencida por uma farsa tão terrível quanto o Partido Nacional-Socialista. Este documento cheio de bajulações nos dá uma ótima ideia de como mesmo uma pessoa extraordinariamente perversa pode ser transformada num santo por meio da propaganda”.

 

Fonte:

Daily Express

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Aprendendo Alemão

735220_572043446139130_1700222052_n[1]A língua alemã é relativamente fácil.

Todos aqueles que conhecem as línguas derivadas do latim e estão habituados a conjugar alguns verbos podem aprendê-la rapidamente.
Isso é o que dizem os professores de alemão logo na primeira lição.

Para ilustrar como é simples, vamos estudar um exemplo:

Primeiro, pegamos um livro em alemão, neste caso, um magnífico volume, com capa dura, publicado em Dortmund, e que trata dos usos e costumes dos índios australianos Hotentotes (em alemão, Hottentotten).

 Conta o livro que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter) cobertas com uma tela (Lattengitter) para protegê-los das intempéries.

 Estas jaulas, em alemão, chamam-se jaulas cobertas com tela (Lattengitterkotter) e, quando abrigam um canguru, chamamos ao conjunto de “jaula coberta de tela com canguru” (Lattengitterkotterbeutelratten).

 Um dia, os Hotentotes prendem um assassino (Attentäter), acusado de haver matado uma mãe (Mutter) hotentote (Hottentottenmutter), mãe de um garoto surdo e mudo (Stottertrottel).

Esta mulher, em alemão, chama-se Hottentottenstottertrottelmutter e a seu assassino chamamos, facilmente, de: Hottentottenstottertrottelmutterattentäter.

 No livro, os índios o capturam e, sem ter onde colocá-lo, põem-no numa jaula de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter).

 Mas o preso escapa.

 Após iniciarem uma busca, chega um guerreiro hotentote gritando:
– Capturamos o assassino (Attentäter)!
– Qual Attentäter? – pergunta o chefe indígena.
– O Lattengitterkotterbeutelrattenattentäter, comenta o guerreiro, a duras penas
– Como ? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tela ? – pergunta o chefe.
– Sim, é o Hottentottenstottertrottelmutteratentäter (assassino da mãe do garoto surdo-mudo da tribo)
– Ah, diz o chefe, você poderia ter dito desde o início que havia capturado o Hottentottenstottertrottelmutterlattengitterkotterbeutelrattenattentäter.

 Assim, através deste singelo exemplo, podemos ver que o alemão é extremamente simples!

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O Zeppelin

Sempre fui fascinado pelos zeppelins… Não, não se trata de um dos maiores grupos de rock da história, o Led Zeppelin – que, aliás, tirou seu nome do zeppelin e do qual sempre fui fã.

Zeppelin é um tipo de aeronave rígida, mais especificamente um dirigível, cujo nome vem do seu inventor, o conde Ferdinand von Zeppelin e que foi pioneiro na pesquisa e desenvolvimento desse tipo de aeronave no início do século 19.

O conde alemão Zeppelin era um entusiasta dos balões numa época em que eles eram de estrutura flexível. Zeppelin, baseado nas idéias de  um engenheiro austríaco que havia tentado construir um balão de alumínio em 1887,  iniciou a construção e montagem dos primeiros dirigíveis rígidos em 1889, e, a despeito das dificuldades, terminou o seu primeiro modelo no ano seguinte. No entanto, o protótipo LZ-1 somente foi aprovado cinco anos depois, sendo que os modelos testados levavam as iniciais LZ, de Ludwig (assistente do conde) e do próprio Zeppelin, antecedendo a numeração.

O LZ-1  decolou de um hangar flutuante no Lago de Constança, sul da Alemanha, em 2 de julho de 1900. Ele carregou 5 pessoas e voou uma distância de 6 quilômetros em 17 minutos, uma velocidade estrondosa para a época. Mas isso não convenceu os possíveis investidores. Como o dinheiro estava esgotado, Ferdinand von Zeppelin teve que desmontar o protótipo, vender tudo, e liquidar a companhia. Mas ele não desistiu. Usando os últimos recursos da família, construiu mais alguns protótipos e , em 1908, ganhou fama com o LZ-4, ao cruzar os Alpes numa viagem de 12 horas, sem escalas.

Daí por diante, Zeppelin pôde contar com o dinheiro do governo alemão em suas façanhas e seus dirigíveis se transformaram em orgulho nacional. Até 1914, quando iniciou a Primeira Grande Guerra, foram mais de 150 mil quilômetros voados, 1.600 vôos e 37,3 mil passageiros transportados. Durante o conflito mundial, ao lado dos nascentes aviões, os dirigíveis alemães foram utilizados para bombardear Paris e Londres.

Os acidentes não eram muito comuns, mas aconteciam. Como a queda do dirigível Zeppelin L.19 no Mar do Norte, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. A ilustração abaixo mostra o momento do resgate da tripulação e passageiros por um barco pesqueiro.

Os Zeppelin voaram comercialmente pela primeira vez em 1910, pela Deutsche Luftschiffahrts-AG (DELAG), a primeira linha aérea comercial do mundo. Depois da guerra e principalmente durante a década de 1930, os dirigíveis foram utilizados em voos transatlânticos, mais rápidos do que as travessias de navio.

O Graf Zeppelin foi o mais famoso de todos os dirigíveis, especialmente por conta da façanha que realizou em 1929, dar a volta ao mundo, como descrito em reportagens da época:

“Parece interminável a estupefação internacional com a façanha do Graf Zeppelin LZ 127 no último mês de agosto. O colosso alemão de 213 metros de comprimento, com formato que lembra os salsichões típicos de seu país de origem, tornou-se a primeira nave da história da humanidade a realizar um vôo ao redor do planeta, epopéia de 21 dias e 34.600 quilômetros. Com escalas nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, o dirigível arrastou multidões em suas paradas, despertando admiração e curiosidade generalizadas. Aproveitando o sucesso de sua empreitada, o comandante Hugo Eckener, diretor da Luftschiffbau-Zeppelin, empresa alemã que fabricou a aeronave, apresentou os novos planos envolvendo o gigantesco cilindro mais leve que o ar. E, para júbilo dos fãs nacionais, muito em breve o Zeppelin poderá ser visto nos céus brasileiros.
A companhia tedesca pretende implantar linhas comerciais entre a Europa e as Américas –num primeiro momento, com destino aos Estados Unidos; posteriormente, rumo ao Brasil e à Argentina. Para isso, deverá construir quatro novos dirigíveis por conta própria. Além disso, estão previstos mais um ou dois em sua parceria com a empresa americana Goodyear: – eles farão a travessia entre a costa oeste dos Estados Unidos e o Havaí e as Filipinas. Os cilindros voadores deverão também transportar correspondências e encomendas. Um contrato com o correio alemão já é dado como certo, e nos Estados Unidos os representantes da companhia já se mobilizam para acertar acordo semelhante. O dinheiro advindo desses contratos deverá ser investido na construção de novas aeronaves.”

O vídeo acima mostra trechos da viagem ao redor do planeta do Graf Zeppelin.

A primeira viagem transatlântica de um dirigível entre a Alemanha e a América do Sul foi registrada em maio de 1930, tendo o  Graf Zeppelin decolado de Friedrichshafen no dia dezoito e chegado ao Campo do Jiquiá, na cidade do Recife, em Pernambuco, a 21 do mesmo mês. Prosseguindo a viagem, pousou no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro no dia 25, causando alvoroço na então Capital Federal.

Após essa bem-sucedida viagem transatlântica inaugural, os zeppelins realizaram mais três viagens ao Brasil em 1931 e nove em 1932. As passagens custavam 1.000 dólares! Um desses enormes dirigíveis, e que foi a maior nave a voar em toda a história da aviação, foi um ícone da indústria alemã e amplamente empregado na propaganda nazista, o Hindenburgh.

Na foto acima, o gigantesco dirigível chegando ao Rio, em 1936.

O Hindenburgh, com 245 metros de comprimento e sustentado por 200 mil metros cúbicos de hidrogênio,era impulsionado por quatro motores de 1200 HP cada, que moviam hélices de mais de 6 metros de altura, e tinha autonomia de voo para 16.000 km quando completamente abastecido. O dirigível era inflado com hidrogênio, ao invés de hélio, principalmente devido ao preço, que era mais barato, e porque o uso do hidrogênio diminuía a dependência do hélio, que era em sua maior parte importado dos Estados Unidos.

Ficheiro:Hindenburg first landing at Lakehurst 1936.jpg

O Hindenburgh pousado em Lakehurst, New Jersey, Estados Unidos, em maio de 1936. Os passageiros podem ser vistos descendo a rampa na parte traseira.

Infelizmente, depois de ter cruzado o Atlântico mais de 17 vezes, ele fez sua última viagem para os Estados Unidos em 1937, levando 36 passageiros e 61 tripulantes, vindos da Alemanha. Durante as manobras de pouso, um tremendo incêndio tomou conta do dirigível e durou 30 segundos, matando 36 pessoas. O governo alemão acusou o governo americano de sabotagem, pois o grandioso zeppelin representava a superioridade tecnológica daquele país.

Mais tarde, as investigações apontaram a origem das chamas a faíscas elétricas que se desencadearam ao se lançar as amarras ao solo no processo de pouso, geradas pela descarga de energia eletrostática acumulada no dirigível; contudo culparam não o gás hidrogênio, mas sim a própria estrutura do dirigível, construído com tecido de algodão impermeabilizado com acetato de celulose e recoberto com pó de alumínio (a fim de conferir-lhe uma cor prateada permitindo o destaque da suástica) – produtos altamente inflamáveis.

A comoção mundial gerada pelo acidente acabou provocando o encerramento da era dos dirigíveis na aviação comercial de passageiros.

Atualmente, os dirigíveis são utilizados basicamente  com fins publicitários e para realização de transmissões de TV em eventos esportivos, como o da Goodyear.

Há empresas ainda que estudam a possibilidade de usar esse tipo de aeronave para o transporte de carga ou de pessoas, como o Aeroscraft, que seria a evolução do zeppelin, e já está em testes.

Ele possui um corpo semi-rígido, que sobe aos ares com bolsões de hélio – como um dirigível – mas que alça voo como um avião devido a seu formato. Imagine ter a capacidade de transportar enormes quantidades de material ou pessoas a qualquer distância, sem a necessidade de uma infraestrutura terrestre totalmente dedicada a isso – como um aeroporto.

O Aeroscraft não requer pista de decolagem porque ele sobe aos ares na vertical. Para decolar, ele usa motores turbopropulsores a jato. Uma vez no ar, ele usa bolsões de hélio dentro de uma estrutura rígida para controlar a altitude. Quando o piloto quer descer, o veículo precisa ficar mais pesado, então o hélio é comprimido e armazenado em câmaras. Isso cria um vácuo que é preenchido por ar, mais pesado que o hélio – isso faz o Aeroscraft descer. Para subir, basta expulsar o ar e preencher o espaço com hélio.

Como não precisa de pista de pouso, pode levar cargas para locais difíceis de chegar e ainda levar até 60 toneladas de peso. Na animação abaixo, o fabricante mostra como a nave vai operar, visando, claro, a venda para as forças armadas, ao menos de início…

Acho que nem o conde Zeppelin tinha pensado nisso em seus sonhos mais loucos…

 

 

 

 

 

 

 

 

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Os prejuízos do analfabetismo funcional

Num mundo em que a comunicação é feita por tuítes e mensagens eletrônicas,  você apresentar um texto mais complexo parece uma sandice. Três entre dez leitores não vão entender. Mas a causa não é a tecnologia. A causa é a baixa qualidade do ensino, porque o aumento da escolarização no Brasil não foi suficiente para assegurar aos alunos o domínio de habilidades básicas de leitura e escrita. A primeira preocupação dos governos recentes foi com a quantidade, com a inclusão de mais alunos nas escolas, para ficar bem na fita nas pesquisas da ONU sobre a quantidade de estudantes no país.

O resultado dessa política educacional visando apenas ter milhões de alunos se reflete lá na frente, nos cursos superiores, como demonstra o vídeo acima: entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita. Minha sobrinha, que é professora universitária, vem identificando isso já há alguns anos.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cerca de 30 milhões de estudantes ingressaram nos ensinos médio e superior entre 2000 e 2009. Para a diretora do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima, o aumento foi bom, pois possibilitou a difusão da educação em vários estratos da sociedade. No entanto, a qualidade do ensino caiu por conta do crescimento acelerado.”Algumas universidades só pegam a nata e as outras se adaptaram ao público menos qualificado por uma questão de sobrevivência”, comenta. “Se houvesse demanda por conteúdos mais sofisticados, elas se adaptariam da mesma forma”, fala.

Para a coordenadora-geral da Ação Educativa, Vera Masagão, o indicativo reflete a “popularização” do ensino superior sem qualidade: “No mundo ideal, qualquer pessoa com uma boa 8ª série deveria ser capaz de ler e entender um texto ou fazer problemas com porcentagem, mas no Brasil ainda estamos longe disso.” Segundo ela, o número de analfabetos só vai diminuir quando houver programas que estimulem a educação como trampolim para uma maior geração de renda e crescimento profissional.

Entretanto, o analfabetismo funcional constitui um problema silencioso e perverso que afeta as empresas profundamente. Não se trata de pessoas que nunca foram à escola, veja bem. Elas sabem ler, escrever e contar; chegam a ocupar cargos administrativos, mas não conseguem interpretar e associar informações. Bons livros, artigos e crônicas, então, nem pensar! São pessoas que preferem ouvir explicações da boca de colegas. Entretanto, diante do chefe,  fingem entender tudo, para depois sair perguntando aos outros o que e como deve ser realizado tal serviço. E quase sempre agem por tentativa e erro.

Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. No mundo todo há entre 800 e 900 milhões deles. São pessoas com menos de quatro anos de escolarização; mas pode-se encontrar, também, pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas! Elas não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculo para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco da vida sócio-cultural.

A queda da produtividade provocada pela deficiência em habilidades básicas resulta em perdas da ordem de US$ 6 bilhões por ano no mundo inteiro. Por que? Porque são pessoas que não entendem sinais de aviso de perigo, instruções de higiene e segurança do trabalho, orientações sobre processo produtivo, procedimentos de normas técnicas da qualidade de serviços e negligência dos valores da organização empresarial. 

Aqueles “problemas inesperados” que abalam a imagem das empresas estão quase sempre associados à falta de compreensão de procedimentos escritos em manuais. Um defeito no chip Pentium da Intel levou-a a substituir o produto no mercado. Um número desconhecido de cápsulas de Tylenol contaminado com cianureto matou oito pessoas nos Estados Unidos; a Johnson & Johnson retirou todos os frascos do mercado americano com prejuízo de US$ 100 milhões!

Na Alemanha, essa questão surpreendeu.

Ler e não compreender, escrever apenas o próprio nome, ou escrever as palavras de forma errada com base no que se escuta, características do analfabetismo funcional bem conhecidas entre a população brasileira,  também fazem parte da vida de um grupo de 4 milhões (ou 6% da população adulta alemã) segundo estimativas do fundador e diretor da Associação Federal de Alfabetização e Educação Básica da Alemanha Peter Hubertus.  ‘’Este tema surpreende porque a educação básica é obrigatória há décadas na Alemanha. Sendo assim, como entender que pessoas que frequentaram a escola não aprenderam? Mas esta é uma realidade. A qualidade da educação piorou”.

“Não há um nível fixo de competências, o analfabetismo funcional é um conceito relativo. É como a pobreza. Há diferença entre a pobreza em Bangladesh e a pobreza na Alemanha. Quando o conhecimento da leitura e da escrita de uma pessoa é menor do que se exige na sociedade em que ela vive, ela é analfabeta funcional’’, explicou. No caso da Alemanha, não existe um emprego em que não se exija leitura ou escrita.

E o analfabeto funcional sofre com outro agravante: tem vergonha da situação,  pois sente-se na obrigação de explicar por que não aprendeu. Ele costuma esconder o jogo: se tem que ler, finge que esqueceu os óculos; se tem que preencher um formulário, finge que está com um problema no braço e pede a alguém que preencha.

Peter Hubertus afirma que programas voltados apenas para as crianças não resolvem o problema, porque a alfabetização deve ser um valor da família. Ficou demonstrado através de estudos na Alemanha que, quando o aluno chega à escola aos seis anos sem uma base educacional, os professores não conseguem reverter a situação. “São famílias onde os pais não leem para os filhos, onde se assiste programas ruins na televisão, onde não há livros, onde não se valoriza a educação. Trata-se de uma herança social da desvantagem. É preciso investir nos adultos para ver resultados nas crianças, pois este é um círculo vicioso”.

 

 

 

Fontes:

http://www.geracaobooks.com.br/
http://www.guiarh.com.br/
http://www.cartacapital.com.br/