Por que o leite sobe ao ferver e derrama tudo?

Falando sério, agora.

Tem muita gente morando sozinha pela primeira vez na vida. Sejam aqueles que se separam depois de anos de casamento, ou os filhos que concluem que está na hora de voar pra longe das asas dos pais. Essa gente que começa a morar sozinha muitas vezes não tem noção de coisas básicas, já que alguém fazia isso por eles. Como ferver o leite sem derramar, por exemplo.

A pergunta que não quer calar é: “Por que isso só acontece com o leite, e não com a água?” Essa é fácil!

A água é apenas um liquido, ou seja, não tem outros componentes para evaporar a não ser ela mesma. Mas o leite, além de água, é composto por substâncias como proteínas, gordura, açúcar (lactose) e sais minerais. Quando aquecidas, as moléculas desses componentes atrapalham a liberação dos vapores da água, porque elas formam uma película na superfície, que a gente chama de nata.

Como o calor do fogo está sendo distribuído de baixo para cima, no fundo da leiteira começará a se formar o vapor de água, e como esse vapor é menos denso, vai subir!

Daí, o vapor não vai conseguir romper aquela espécie de tampa formada pela gordura e pelas proteínas do leite. Quanto mais aquecemos, mais bolhas de vapor vão se formando debaixo dessa nata espumosa. O vapor vai empurrando a “tampa” para cima até transbordar!

E o fogão fica aquela maravilha, todo sujo… Bem, daí, para evitarmos isso, temos algumas alternativas:

  • ficar o tempo todo vigiando, sem virar as costas para o leite…
  • romper manualmente a tal película de nata, mexendo o leite de vez em quando.
  • tem gente que usa um truque de colocar uma colher de pau na borda da panela (mas não sei se funciona, em tese, a colher romperia a camada de espuma quando ela subisse, empurrada pelo vapor)

Há uma dica que funciona e que era usada pelos nossos avós no tempo em que não havia o leite pasteurizado e você era obrigado a ferver tudo.

Como ferver o leite sem transbordar 

Meça o diâmetro da leiteira e procure uma louça refratária, um pires, por exemplo, que caiba dentro dela com folga, deixando espaço nas laterais. Coloque o leite, o pires emborcado (de cabeça para baixo) e leve ao fogo, nessa ordem: nunca coloque o pires com o leite já quente, há o perigo do choque térmico no material.

Como assim? Uma peça de louça evita que o leite transborde?

SIM! Quando a temperatura do leite aumenta, a gordura sobe e se concentra na superfície, e aí a água entra em ebulição, o vapor sobe, encontra a nata, empurra tudo para cima, o leite derrama e faz aquela sujeira.

Isso a gente já sabe. Certo? O truque do pires não é mágica.

O que ocorre é que o pires é mais denso e pesado que a gordura do leite, correto? Quando está emborcado dentro do leite, ele forma uma espécie de cúpula debaixo dele e ali vão se acumular as moléculas da água em estado gasoso, bolhas de vapor.

Quando a pressão sob o pires, exercida de baixo para cima pelas moléculas de água, for suficientemente grande, elas o levantarão um pouco e escaparão pela fresta que foi formada. Como a energia térmica e a densidade daquelas moléculas de água são, respectivamente, maior e menor do que as das que se encontram fora do pires, essas moléculas “recém-libertadas” irão adquirir energia cinética maior na subida, colidindo com mais força na camada de gordura na superfície e rompendo a nata.

O vapor vai escapar normalmente e o leite não vai transbordar!

Por isso, da próxima vez, preste atenção, para depois não ter que chorar pelo leite derramado!

 

 

 

 

 

Tomar banho pode prejudicar a saúde e o meio ambiente

da Discovery

Essa novidade o Cascão vai adorar!

Tomar banho é um dos hábitos de higiene mais imprescindíveis, e, nos dias frios, a tendência é passar bem mais tempo debaixo do chuveiro. Com a água quente envolvendo o corpo, fica difícil lembrar que o banho pode causar sérios prejuízos para a saúde e ao meio ambiente – e não é só o gasto excessivo de água que prejudica o planeta.

Sempre utilizado na hora do banho, o sabonete poderia ser dispensado por quem toma duas ou mais chuveiradas diárias. “Se optar por vários banhos ao dia, evite o uso de saponáceos e use-os somente nas axilas e nos genitais”, alerta a dermatologista Daniela Landim. Os sabonetes convencionais não matam as bactérias – apenas perturbam as microcolônias existentes na pele, espalhando-as para outras partes do banheiro. Já aqueles que têm ação antibacteriana nem sempre são 100% eficientes contra os germes, e ainda contêm triclosan – substância que contamina rios e lagos, responsável por causar vários problemas na saúde humana e dos animais.

A água quente, responsável pelo relaxamento do corpo, também agride a pele, principalmente nos banhos mais longos: assim, ficar muito tempo debaixo do chuveiro pode atacar a camada hidrolipídica, uma barreira capaz de impedir a penetração de agentes irritantes e até mesmo micro-organismos, como algumas bactérias oportunistas.

Sendo assim, o ideal para manter a pele protegida é usar sabonetes neutros e deixar a temperatura da água sempre morna, além de evitar o uso de esponjas e buchas, que deixam a derme mais sensível.

A secagem natural é uma das recomendações mais difíceis de serem seguidas, principalmente no inverno. Mas jogar a toalha rapidamente sobre o corpo é a opção mais saudável, uma vez que esfregar o tecido na pele pode acabar danificando mais ainda a barreira de proteção natural.

Uma alternativa para quem não consegue deixar a secagem de lado é apostar em toalhas mais macias, trocando-as sempre.

Ele é provavelmente o homem com mais sujeira acumulada no corpo, um Cascão da vida real e que segue à risca o lema “tomar banho pode fazer mal à saúde”. Amou Haji tem 80 anos e não toma banho desde os 20, numa atitude que justifica com a ideia de que “a limpeza traz doenças”. O recorde de permanência sem banho é desse iraniano, que vive isolado na província Fars, no sul do país. Haji está tão sujo que poderia se camuflar facilmente no meio da terra. Mas se você pensa que as informações surpreendentes acabam por aqui, tem mais: Haji odeia água potável e alimentos frescos. Como sobrevive? Comendo carne de porco apodrecida e bebendo água de um cantil velho e enferrujado (é difícil de acreditar que ainda esteja vivo, e com 80 anos). Não se sabe ao certo a origem da decisão radical do velhinho, que, como se tudo isso não bastasse, ainda fuma um cachimbo com fezes de animal no lugar de tabaco e vive numa espécie de cova solitária. Sabe-se lá o que motivou essa decisão tão radical, mas que ele parece feliz vivendo assim, parece…

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Afinal, os franceses tomam banho?

Há pouco tempo, um passageiro francês de origem argelina foi expulso de uma aeronave pouco antes de ela decolar. A tripulação e os passageiros se queixaram, dizendo que ele estava cheirando mal, mesmo o homem alegando que tinha passado um perfume Dior no Duty Free.

Esse evento me fez recordar os mitos sobre a França e os franceses, como o da baguete levada debaixo do braço, ou a  “ojeriza” do francês em não tomar banho, ou de serem grosseiros e mal educados.  Talvez o mais recorrente deles seja mesmo o de não gostarem de tomar banho. E, numa época em que todos se preocupam com a escassez de água para consumo, o assunto “banho + economia de água” é mais do que oportuno…

Quando visitei Paris pela primeira vez, há muitos anos, estranhei a pergunta quando fui reservar o quarto do hotel: “Com ou sem banho no quarto?” – perguntou-me a pessoa da reserva. Claro que pedi com banho, porque a única vez em que fiquei num hotel com chuveiro coletivo foi numa cidade do interior do Estado, quando estava na faculdade… O preço do quarto em Paris era muito mais caro “com banho”, e quando cheguei, notei uma banheira enorme, parecia uma piscina… E fiquei imaginando quanta água seria necessária para enchê-la. E decidi só tomar banho de ducha, mesmo.

Na Alemanha, a mesma coisa. A diferença é que não havia banheira, e o chuveiro funcionava com uma espécie de “timer”. A água saía por apenas alguns minutos, e se você não tivesse terminado até então, já era… Na primeira vez, a água acabou quando eu estava com o cabelo cheio de xampu…

A água é um bem bastante escasso em toda a Europa, especialmente quando se compara à teórica abundância que temos desse recurso no Brasil. Teórica porque a água que sobra para a população é mínima, dado o volume que é desperdiçado em vazamentos e a água que é poluída pelas indústrias e esgotos.

Voltando, o continente europeu vivia, há não muitas décadas, uma situação em que a água encanada servia apenas aos primeiros andares dos prédios, onde moravam os mais ricos. Os que moravam nos andares mais altos, os menos abonados, tinham que descer vários lances de escadas para buscar água em fontes públicas ou pagar pelos serviços dos entregadores do líquido a domicilio. Imagine então o sufoco de quem vivia ali para cozinhar, para lavar as roupas… E para tomar banho!

Acredito ser por isso que o banho diário não fizesse parte dos hábitos dos franceses, mas a “culpa” não poderia ser lançada toda sobre a falta de água. Havia ainda a herança cultural desde os tempos medievais, quando se acreditava que o banho provocasse descamação da pele, eliminando a proteção natural contra doenças. (Claro que esse pensamento não era exclusivo dos franceses, era uma crença espalhada por toda a Europa e levada às Américas pelos conquistadores espanhóis, ingleses e portugueses. Quando D. João VI e a família imperial chegaram ao Brasil em 1808, toda a corte ficou escandalizada ao ver os escravos e os índios tomando banho de mar com frequência, e acharam que eles deviam ter doenças de pele…).

Os médicos medievais achavam que a água, sobretudo quente, debilitava os órgãos, deixando o corpo exposto a insalubridades e que, se penetrasse através dos poros, podia transmitir todo tipo de doenças. Daí veio a ideia de que uma camada de sujeira protegia contra as doenças e que, portanto, o asseio pessoal devia ser realizado “a seco”, só com uma toalha limpa para esfregar as partes expostas do corpo.  Além disso, a Igreja condenava o banho por considerá-lo um luxo desnecessário e pecaminoso. E, como se sabe, o Estado mais poderoso daqueles tempos era aquele governado pelo Papa, e se ele falasse, estava falado…

As coisas não melhoraram muito no campo da higiene com o passar dos séculos. No suntuoso Palácio de Versalhes, por exemplo, um decreto de 1715, baixado pouco antes da morte do rei Luís XIV, estipulava que as fezes seriam retiradas dos corredores uma vez por semana – então, a gente deduz que o recolhimento dos dejetos era ainda mais esparso antes. Versalhes não tinha banheiros, mas contava com um quarto de banho equipado com uma banheira de mármore encomendada pelo próprio Luís XIV, um objeto que serviria apenas à ostentação, caindo no mais absoluto desuso.

Outra crença curiosa do mesmo período diz respeito ao poder purificador da roupa: acreditava-se que o tecido “absorvia” a sujeira do corpo. Bastaria, portanto, trocar de camisa todos os dias para manter-se limpinho. Nosso velho amigo D. João VI, o fujão que estabeleceu sua corte no Rio de Janeiro para escapar dos avanços de Napoleão e que citei mais acima, mostrava-se descrente até da troca de camisas, que ele literalmente deixava apodrecer no corpo.  Mesmo coberto de feridas e contaminações na pele, e habituado a outras porquices, ele fugia da água como o Cascão.

Foi só no século XIX, com a propagação da água encanada e do esgoto e com o desenvolvimento de uma nova indústria da higiene – principalmente nos Estados Unidos –, que o banho foi reabilitado. O sabão, conhecido desde a Antiguidade, mas por muito tempo considerado um produto de luxo, foi industrializado e popularizado.

Hoje, a água chega nas residências, seja de ricos ou de pobres. Mas o francês, especialmente o mais tradicional e aquele que vive nas cidades do interior, não tem duchas em casa. Ele acha que banho é o que se toma na banheira e que chuveiro é uma invenção americana que não substitui o banho, portanto não há banho sem banheira. O banho de banheira é uma coisa muito especial, não diria que é um ritual, mas encher uma banheira e mergulhar o corpo nela demanda tempo, exige alto consumo de água e isso não pode ser feito todos os dias. O que eles fazem diariamente é a sua “toilette”, o que chamamos de “banho de gato”.

Claro que muitos tomam uma ducha, mas não é a regra entre os mais idosos. Mas todos os dias, religiosamente, o francês típico faz a sua toilette matinal. Enche a pia de água quente e com uma luvinha umedecida e ensaboada,  higieniza seu corpo de cima abaixo.

Essas luvas, em francês “gants de toilette”, são tão comuns e necessárias à higiene quanto o sabonete ou o papel higiênico.  Parece que receber um hóspede em casa sem lhe oferecer sua própria gant de toilette junto às toalhas de banho e de mão seria uma grosseria tão grande como lhe dar um par de lençóis sem fronha.

Me parece que há um outro agravante em tudo isso: além de ser um recurso finito (como estamos aprendendo a duras penas em São Paulo), a água na França também é muito calcária, principalmente em Paris. Ela de fato destrói a proteção natural da pele, o filme hidrolipídico – a camada que mantém a hidratação e protege a pele. (quer dizer, os médicos medievais até que não estavam tão errados assim…). Então, a pessoa pode ter alergias e outros problemas de pele por conta da descamação e ressecamento em excesso, causado pela água calcária. Mas isso tem “cura”: existem diversos produtos para a pele que “repõem” a hidratação e nutrem a pele ressecada até que ela se acostume.

Falando nesses cremes para o corpo e cabelo, fica aquela indagação sobre o que veio primeiro, o ovo ou a galinha…? Os franceses têm maravilhosos perfumes e produtos de higiene fantásticos (Avene, Uriage, Klorane, L’Occitane etc etc) por que o francês é porquinho e tudo isso é para disfarçar, ou eles consomem esses produtos de montão justamente porque se cuidam muito?

Não sei.

O que eu sei é que é difícil avaliar se a “porquice” é uma coisa cultural ou algo pessoal, mesmo.

Conheci alemães, russos e holandeses que me olhavam torto quando eu dizia que ia tomar “uma ducha” antes de dormir (deviam pensar: “Esse cara está desperdiçando água, será que ele tem sarna?”). Japoneses com quem eu teria reuniões me olhavam com desconfiança porque não tirava os sapatos antes de entrar na sala (para eles, o porco era eu, ao trazer sujeira de fora!). Minha filha mais nova, durante o intercâmbio que fez nos Estados Unidos, ficou horrorizada com os hábitos… Aliás, com a falta de hábitos de higiene da família com quem morou (tomar banho todos os dias, escovar os dentes após todas as refeições, tudo isso era raro de acontecer…).

Mas, por outro lado, e quantos brasileiros conheci que fugiam da água como se fosse o diabo da cruz?

PS – sobre a água calcária, ou a “água dura” de Paris, um comentário:  água dura é aquela que contém um alto nível de minerais, concretamente de sais de magnésio e cálcio. Esse tipo de água é encontrada em solos calcários.

Ela não causa problemas de saúde, além daqueles de descamação de peles mais sensíveis, e abastece inúmeras regiões na Europa: Londres, Paris, diversas zonas na Suíça e na Suécia, Portugal, Alemanha, Estados Unidos e mesmo no Brasil, por exemplo,  nas regiões de Sete Lagoas e Montes Claros, em Minas Gerais.

Vários estudos tentaram correlacionar a constituição físico-química da água potável de determinadas regiões com a incidência de pedras nos rins. Mas pesquisadores observaram até mesmo uma correlação negativa, ou seja, menor incidência de pedra nos rins com o consumo da água dura!

Enfim, os estudos ainda estão sendo sendo conduzidos e um deles atribui ao magnésio, presente na água, alguns efeitos benéficos para a saúde humana, incluindo menor incidência de doenças cardiovasculares e renais e aumento da quantidade de colágeno, “responsável pela constituição celular (…) e bom para manter a pele jovem e saudável”.

Em Paris, você pode beber água da torneira, e o calcário só vai deixá-la com um gosto estranho para nós, brasileiros. As normas europeias que controlam a potabilidade da água são as mais rigorosas do mundo. E a água de Paris passa nos 56 parâmetros de potabilidade definidos pelo código europeu de saúde pública.

E se você gosta da água Perrier, a segunda mais vendida no mundo depois da Evian, saiba que aquelas bolhinhas são resultado das fontes subterrâneas de onde ela é extraída, e que cortam áreas com enormes quantidades de restos vegetais, cujas moléculas ácidas atacam o carbonato, componente das rochas calcárias. Isso gera o puríssimo gás carbônico que compõe a receita dessa água deliciosa, que é… Uma prima da água dura!

Fontes:
13anosdepois.com
portedoree.blogspot.pt
viverplenamenteparis.blogspot.com.br
diclorina.com.br

Rios invisíveis de São Paulo

De cada 100 paulistanos, apenas cinco viram o Rio Pinheiros com curvas e várzeas. Quem tem menos de 70 anos só o conhece como ele é hoje: um canal reto, poluído e cercado por enormes avenidas e prédios espelhados em suas margens. As pessoas que nunca saíram de São Paulo não sabem o que é conviver com um rio. Tocar nas águas geladas de um córrego? Parar para ouvir o barulho de um riacho? Programa de férias.

Mas nem sempre foi assim na metrópole mais importante do Brasil. E não por causa dos seus dois rios fétidos (além do Pinheiros, tem o infame Tietê). Mas por causa das centenas de riachos e córregos que a cidade tem. Isso mesmo, centenas.

Estima-se que a capital paulista tenha entre 300 e 500 rios concretados embaixo de casas, edifícios e ruas. São impressionantes 3 mil quilômetros de cursos d’água escondidos. São Paulo deu as costas a seus rios, o que não é nem de longe uma novidade. “Nunca os tratamos bem”, diz o geógrafo Luiz de Campos Júnior. “Desde o início, quando uma casa era construída, ela não ficava de frente para um córrego. Os riachos sempre ficavam relegados ao fundo do quintal”. A água era vista como um excelente meio para levar embora tudo o que não se quer mais.

(Se você clicar na imagem, ela vai aumentar e você poderá navegar por ela para saber onde estão os rios concretados da cidade).

Campos é um dos idealizadores do movimento Rios e Ruas, que organiza expedições para que as pessoas encontrem os chamados rios invisíveis da metrópole, que estão debaixo da terra, mas ainda podem ser vistos e ouvidos por bueiros e meios-fios. Triste ironia para a cidade que está passando pela maior crise de abastecimento de água de sua história. Logo ela, fundada no alto de uma colina entre três rios, Tietê, Anhangabaú e Tamanduateí, e que ganhou o nome de Vila de São Paulo de Piratininga devido à abundância de peixes (em tupi-guarani, “pira” é peixe).

Por séculos, os paulistanos usaram os rios. Além de transporte de mercadorias, pesca e criação de animais, sua água era usada para todas as necessidades da casa. No começo do século 20, remar e nadar no Pinheiros e no Tietê eram atividades comuns. Não é à toa que o distintivo do time mais popular da cidade tenha uma âncora e um par de remos. No Corinthians dos anos 30, o remo era um dos principais esportes. Os rios faziam parte da vida da cidade.

CIMENTO, CIMENTO

A primeira grande reforma do Tamanduateí aconteceu na década de 1910. Em 1928, as obras que eliminaram as curvas do Pinheiros tiveram início. Nas décadas seguintes, o desenvolvimento econômico do país sepultou de vez a bacia hidrográfica paulistana. O carro se tornou símbolo do Brasil pujante dos anos 50. Com as novas fábricas de automóveis instaladas, surgiu a demanda por vias para eles trafegarem. E o único espaço para fazer avenidas era sobre os rios, pois os morros já estavam ocupados.

Então, os cursos d’água começaram a ser canalizados e, frequentemente, aterrados, para dar lugar a grandes avenidas. Hoje, muito do que é conhecido por asfalto, concreto, corredores de veículos e arranha-céus era, na verdade, água. O Vale do Anhangabaú, tradicional ponto turístico e de manifestações populares, tem esse nome por conta do Rio Anhangabaú, que nasce perto da Avenida Paulista. Algumas das principais vias da cidade estão sobre rios canalizados.

(Clique na imagem abaixo, para visualizar melhor as principais vias construídas sobre nossos rios).

ED-SUPER-344-62-[10171443_3].pdf

Isso foi nefasto para São Paulo, até do ponto de vista psicológico. É mais fácil esquecer o que está enterrado e invisível. Para as gerações mais jovens, nem há o que esquecer, já que milhões de pessoas nem sabem que existem rios e córregos debaixo de seus pés. E esses cursos d’água continuam lá, vivos.

Rios limpos, com água corrente e margens arborizadas, enfeitam qualquer cidade e melhoram a qualidade de vida. Mas eles podem fazer muito mais. Asfalto e concreto impedem que a água da chuva seja absorvida e fazem com que ela leve sujeira das ruas para os rios. Mais rios a céu aberto, então, significa menos enchentes na cidade. Outras vantagens são o incremento do turismo e a criação de melhores e mais saudáveis espaços gratuitos de convivência.

A seca que afeta São Paulo nos últimos tempos também tem a ver com o descaso dado aos rios. A despoluição de um rio e a renaturalização da paisagem ajudam a refrescar o clima e, consequentemente, a trazer mais chuvas, lembra a arquiteta Pérola Brocaneli, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e especializada no assunto.

No interior do Estado, uma cidade vivenciou isso. Em 1990, Iracemápolis sofria com falta d’água. A prefeitura procurou ajuda do biólogo Ricardo Rodrigues, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq-USP), que iniciou um projeto de recuperação da mata ciliar e conservação do solo. Em 2014, Rodrigues voltou à região e viu que, enquanto as cidades vizinhas enfrentam a crise hídrica, Iracemápolis vai bem, obrigado.

A VOLTA DA ÁGUA

Felizmente, hoje já surgem na cidade casos que comprovam o poder de mudança que a reabertura de um rio pode trazer – e o quão diferente ela seria se toda essa água viesse à tona. O Córrego Pirarungáua ficou escondido durante 70 anos em uma galeria dentro do Jardim Botânico, no bairro do Ipiranga. As águas corriam por um canal subterrâneo, construído no início do século passado. Quando, em 2007, uma das paredes da galeria ruiu, a administração do local decidiu revitalizar o córrego. No ano seguinte, ele foi reaberto.

Domingos Rodrigues, diretor do Centro de Pesquisa Jardim Botânico e Reservas, explica que o processo de regeneração do rio ajudou no aumento da população de espécies nativas, inclusive algumas ameaçadas de extinção. E, desde que o córrego veio à luz, o número de visitantes no parque se multiplicou. “É um processo inevitável. Vamos ter que limpar nossos cursos d’água”, acredita Campos. Na zona oeste da cidade, o Córrego das Corujas, que percorre bairros como a Vila Madalena, ganhou nova vida. A prefeitura, pressionada por moradores, melhorou o acesso a partes do córrego. Hoje, há um parque linear no entorno dele. Em alguns pontos, os vizinhos levam cadeiras e se reúnem no gramado.

São iniciativas tímidas e de pequena escala, mas que mostram como o ambiente urbano pode ser transformado. “Se os rios fossem trazidos novamente à superfície, a população dificilmente permitiria que eles ficassem poluídos”, acredita Stela Goldenstein. “A proximidade é importante para a recuperação deles.” Em São Paulo, falta água na torneira e sobra no subsolo.

NOVOS RIOS

Desde 2000, a política na União Europeia é bastante rígida com a limpeza de seus rios. Isso acelerou o processo de despoluição em vários deles. O Sena, em Paris, considerado morto em 1960, hoje tem mais de 30 espécies de peixes. Quem se atreve a poluí-lo pode pagar multa de €100 milhões. O Tâmisa, em Londres, já foi símbolo de rio imundo. Hoje é exemplo de recuperação. Nos Estados Unidos também há casos assim. No entorno do principal rio de Chicago, a prefeitura está construindo ciclovias e calçadões e estimulando os passeios de barco, uma das principais atrações turísticas locais.

RIOS SÃO QUASE IMORTAIS

Rios são um fio de água que brota de um lençol freático, lago ou degelo de montanha e seguem de um ponto mais alto a um mais baixo. A vida nele pode acabar. Mas o rio em si continua vivo. Não importa por quantos anos ele seja maltratado, sempre será possível recuperá-lo. Se ele for canalizado e enterrado, ainda assim terá vazão e fluirá. Se a nascente for cimentada, ela procurará outro lugar para sair.

 

 

 

Fonte:

Suzana Bizerril Camargo – Superinteressante – Planeta Sustentável

Bebidas Bizarras

Veja algumas bebidas bizarras pelo mundo:

Cerveja de Pizza – com orégano, tomate, alho… Pra tomar geladinha, só não sei se desce redondo.

Bacon Martini – vem com uma fatia de bacon, não sei se é frito…

Ice Cucumber – esse lançamento da Pepsi no Japão promete… Pepsi de pepino!

Bilk – também do Japão, tem esta bebida: dois terços de cerveja (Beer) e um terço de leite (Milk).

Acho que vou parar de beber…

Mas tem mais, não se desespere…

É branco, é iogurte e vai misturado com Pepsi… Acredite se quiser!

Isso aí abaixo são latas de refrigerante de salsão (isso mesmo que você leu, salsão!) facilmente encontrável nas delis de Nova York. Está sozinho no mercado há um século e meio… Fico imaginando o motivo de gigantes como a Pepsi ainda não terem se interessado por esse mercado tão… Er… saboroso…

Mas nem tudo são flores, ou salsão! Já imaginou você sair com uma garota e pedir “Quero um suco de alho, com limão e gelo”? Mas veja o lado bom, um frasco desses pode ser um excelente coquetel Molotov contra vampiros!

E o suco de maconha, então? Faz você voarrrrrrrr!

Para finalizar… A água negra! Sim, conheça o lado negro da Força! Essa é uma garrafa de água  preta – água mineral com ácido fúlvico. Além de ele deixar a água escura, esse ácido serve como composto nutriente para as plantas e também como suplimento alimentar. Segundo quem experimentou, essa água negra tem sabor de … Água.

A água acabou

A crise da água, que no Brasil assola São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e outros Estados, e que também castiga regiões nos Estados Unidos, evidenciou um fato que os cientistas vinham alertando há décadas: a água não é um bem infinito. Devíamos ter cuidado dela com o mesmo cuidado que damos ao petróleo. Sem desmatar com tanta ânsia as nossas florestas, sem impermeabilizar nossas ruas, impedindo que a chuva se infiltre nos lençóis freáticos. Sem invadir e destruir os mananciais, sem poluir os rios e os mares. Sem deixar crescer as cidades desordenadamente. Sem desertificar a terra para criar pastos… Que logo estarão secos. Além disso, a poluição do ar e a emissão descontrolada de gases tóxicos amplificaram o aquecimento global, que vem derretendo as calotas polares, fazendo subir o nível do mar e com resultados beirando a catástrofe: o rio São Francisco está perdendo a luta contra o mar, que já invadiu quilômetros do Velho Chico a partir de sua foz.

Muita gente não acredita que estejamos sem água. Afinal, nosso planeta não é o “planeta água?

Cerca de 71% da superfície da Terra é coberta por água em estado líquido. Do total desse volume, 97,4% aproximadamente, está nos oceanos, em estado líquido. A água dos oceanos é salgada: contém muito cloreto de sódio, além de outros sais minerais.

Mas a água em estado líquido também aparece nos rios, nos lagos e nas represas, infiltrada nos espaços do solo e das rochas, nas nuvens e nos seres vivos. Nesses casos ela apresenta uma concentração de sais geralmente inferior a água do mar. É chamada de água doce e corresponde a apenas cerca de 2,8% do total de água do planeta.

Grafico-agua

Veja no gráfico acima: de toda a água do planeta, somente 2,8% é de água doce. Só que a maior parte dessa água doce está congelada,  formando grandes massas de gelo nas regiões próximas dos pólos e no topo de montanhas muito elevadas. Então, o que resta da água do planeta e que se pode consumir é apenas 1% da água do planeta!

 E por que a água é tão importante?

Porque ela é um dos principais componentes da biosfera e cobre a maior parte da superfície do planeta, como vimos acima. Na biosfera, existem diversos ecossistemas, ou seja, diversos ambientes na Terra que são habitados por seres vivos das mais variadas formas e tamanhos. Às vezes, nos esquecemos que todos esses seres vivos têm em comum a água presente na sua composição.

Ecossistema

Ecossistema

Por exemplo, a água-viva chega a ter 95% de água na composição do seu corpo. Como a melancia!

agua

melancia

 Quer dizer, a água não está presente apenas nas plantas; ela também faz parte do organismo de muitos animais, como a água-viva. E é fácil comprovar que o nosso corpo, por exemplo, contém água. Bebemos água várias vezes ao dia, ingerimos muitos alimentos que contêm água e expelimos do nosso corpo vários tipos de líquidos que possuem água, como o suor, urina, lágrimas, etc.

Veja na imagem abaixo onde a água está armazenada em nosso organismo:

Entendido isso, a pergunta que não quer calar é: quanto tempo o corpo humano aguenta sem água?

A importância da água em nosso organismo

A importância da água em nosso organismo

Bem… A coisa funciona da seguinte maneira: em peso, a água representa cerca de dois terços do corpo humano. Ela é imprescindível para o bom funcionamento da circulação, respiração, converter os alimentos em energia e outros processos corporais. Perdemos água através do suor, urina, fezes e até mesmo da respiração. No calor, um adulto pode perder até 1,5 litros de água somente através do suor.

Estudos têm demonstrado que, se o corpo perder apenas 2,5% do seu peso em água, pode perder 25% de sua eficiência. Isso significa que um homem de 80 quilos começará a ter problemas caso perca 2 litros da água corporal. Essa desidratação pode engrossar o sangue,  e isso faz o coração trabalhar mais e a circulação ser menos eficiente, prejudicando a oxigenação do corpo.

Então, tentando responder à pergunta, vamos imaginar um cenário: as condições são normais (nem muito frio ou calor) e a pessoa está em boa forma, com o funcionamento normal de todos os seus órgãos. Nessas condições, o ser humano pode viver entre 3 a 5 dias sem água. A degradação dos sentidos (olfato, visão, paladar, tato) e a queda nos sistemas do corpo (respiratório, circulatório etc) serão graduais.

Uma desidratação leve (1º dia) engrossa a saliva, a pessoa perde a frequência urinária e isso resulta numa urina com cor e odor fortes. Na desidratação moderada (do 2º ao 3º dias), a urina quase cessa – o corpo precisa economizar água – a boca e a mucosa do nariz ficam secas e isso vai gerar rachaduras, os olhos ficam fundos e sem lubrificação e os batimentos cardíacos são acelerados. A desidratação severa vem do 3º dia em diante, a urina definitivamente cessa, há perda temporária ou completa da sensibilidade e dos movimentos, extremo cansaço devido a baixa oxigenação dos sistemas, vômito e  diarreia frequentes. No 5º dia a pessoa entra em choque.  A pele fica azulada e muito fria, consequência da perda de pressão sanguínea.

A partir dessa fase, o fim da vida é questão de tempo.

Portanto, economize água: tome menos banhos, lave as roupas de forma mais espaçada, não varra a calçada com água, cuide dos vazamentos.

A água vale mais que ouro.

A arte japonesa das soluções bizarras

Chindogu, que significa literalmente “incomum”, é um termo cunhado por Kenji Kawakami para a arte japonesa de criar soluções bizarras para os problemas do cotidiano, que geralmente têm seus próprios problemas, ou são simplesmente impraticáveis. Mas não se pode negar que são absurdamente criativas!

Veja a seguir as minhas favoritas:

1. Durma no metrô sem ficar “pescando”

For incognito sleeping on the subway:

2. Coma sossegada sem risco de cair cabelo na comida

For keeping your hair out of your food while doing an impression of a pink lion:

3. Você está no escritório e começa a chover de repente? Seus problemas acabaram!

For all those surprise rain storms that happen in the office:

4. Seu bebê ainda está engatinhando? Que tal fazer um bom uso disso?

5. Para todos que usam calças sem bolsos! 

For everyone who wears pants without pockets:

6. Para coletar água da chuva… Com ele, o problema da seca em São Paulo estará resolvido… Quando voltar a chover!

For collecting rainwater or making walking in the rain a much heavier ordeal than it needs to be:

7. Para quem fuma e vive esquecendo o isqueiro, mas se lembra de trazer a lupa e o suporte!

For when you forgot your lighter but remembered your magnifying glass and stand:

8. Essa invenção é pensada especialmente para aquela mulher elegante que sempre quis passar o batom na montanha-russa sem borrar!

9. Óculos para quem sofre de vertigens

10. Como hoje tudo é portátil –  o celular, o tablet… – então, por que não o papel higiênico? Você nunca sabe quando vai precisar de um…

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BÔNUS

Adesivos “Durma no escritório sem que ninguém perceba”.