Quando a privada afundou o submarino

Banheiro de um U-Boat Tipo VII, como o 1206 | Crédito: Wikimedia Commons

HISTÓRIA MALUCA 

A situação não devia parecer promissora para os tripulantes do U-1206, que partiu em 6 de abril de 1945 rumo à costa da Grã-Bretanha, com a missão de afundar qualquer coisa que pudesse. A guerra estava perdida – antes do final do mês, Adolf Hitler jogaria a toalha com um tiro na própria cabeça em seu bunker. Com o completo domínio aliado dos mares, a missão era suicida. Mas ao menos um consolo eles tinham: podiam usar a descarga.

Para economizar espaço, os submarinos alemães não tinham um compartimento para dejetos, como os dos aliados. A descarga era direto na água. Isso quer dizer que era impossível usar o banheiro quando a máquina estava submergida, porque a pressão no exterior faria a água correr para dentro. Assim, os marinheiros tinham que usar baldes, latinhas, o que desse – num espaço mal ventilado e já poluído pelos odores de suor e óleo diesel.

U-Boat Tipo VII, como o 1206 / Wikimedia Commons

Mas o 1206 vinha com um ultratecnológico banheiro de alta pressão, que podia ser usado a qualquer profundidade, baseado num sistema de válvulas muito complexo. (dá para se ter uma ideia com a foto lá de cima…)

E era tecnológico até demais: tão complicado que exigia treinamento específico.

Em 14 de abril, o capitão Karl-Adolf Schlitt atendeu às necessidades da natureza e resolveu dar descarga sozinho. O  sistema inteiro se abriu para o exterior, quando o submarino estava a 61 metros de profundidade. A água, numa pressão de 7 atmosferas, jorrou violentamente de dentro da bacia, atirando seu conteúdo ao alto – mas, agora, isso era o menor dos problemas.

Logo abaixo do banheiro ficavam as baterias do submarino. O ácido nelas reagiu com a água, soltando gás cloro – tão letal que foi usado como arma química na Primeira Guerra. O capitão não teve escolha a não ser mandar o submarino emergir.

Chegando à superfície, foram recepcionados por aviões britânicos. Um marinheiro morreu e outros três caíram na água. Schlitt mandou todo mundo para os botes salva-vidas e afundou o próprio submarino com explosivos, para evitar sua captura pelos aliados. Afinal, vai que eles quisessem copiar a magnífica tecnologia de banheiros alemã?

Os tripulantes do U-1206, depois de presos pelos britânicos por conta do gás letal em seu interior…

A dor de barriga do capitão levou à captura de 46 alemães, contando com ele próprio.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Aventuras na História

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Desejo pelo “herói salvador” não mudou desde Hitler

Movido pelo ódio, incapaz de estabelecer relacionamentos normais, Adolf Hitler parecia um líder improvável, contrário a debates políticos, e que, no entanto, conseguiu um apoio gigantesco. Como foi possível Hitler se tornar uma figura tão atraente para milhões de pessoas? Ele foi, sem sombra de dúvida, um criminoso de guerra sem precedentes na história mundial. Ainda assim, era capaz de exercer uma grande influência nas pessoas que encontrava.

No livro cuja capa exibo acima, e recomendo, o historiador e autor de documentários Laurence Rees analisa a natureza atrativa de Hitler, revelando o papel que seu suposto carisma desempenhou em seu sucesso. É uma análise muito interessante sobre o homem cuja mente esteve no centro do Terceiro Reich, no holocausto dos judeus e da Segunda Guerra Mundial.

O que há de similaridade entre a ascensão do Führer e os tempos em que vivemos hoje? Ora, são os mesmos elementos, aqueles que criam a conjuntura propícia para a ascensão de regimes totalitários. Crise econômica, violência urbana e instabilidade política. Quando isso acontece, as pessoas procuram por um herói salvador, alguém que tenha uma solução, que diga que a culpa é de outra pessoa, classe ou grupo.

Não estou aqui comparando – longe de mim querer igualar as pessoas abaixo com o líder nazista – mas o que o povo busca nos líderes como Trump, por exemplo, não é exatamente isso? Não é querer que eles tenham a solução, que digam que a culpa da crise econômica, da violência urbana e da instabilidade política no país, ou no mundo, é dos outros? Poderia citar tantos outros líderes carismáticos em cujos ombros a população colocou essa mesma responsabilidade: Ronald Reagan, Hugo Chavez, Cristina Kirchner, José Mujica, Berlusconi, etc etc…

Na Alemanha não foi diferente. “O desejo ardente pela salvação e redenção: nada disso mudou no mundo desde a morte de Hitler, em abril de 1945”, escreve o autor. Rees procurou compreender o fascínio que o líder alemão causava nas massas em rolos de filmes de arquivos da época, com discursos e aparições públicas.

As pessoas que ouviam os discursos de Hitler não estavam hipnotizadas. Elas estavam cientes do contexto, entendiam o que ele estava falando e concordavam com suas propostas. Você tinha de estar predisposto a acreditar no que ele dizia para poder vivenciar essa conexão.

Hitler foi o arquétipo do líder carismático. Não era um político “normal” – alguém que promete medidas como impostos menores ou melhor sistema de saúde -, mas quase um líder religioso, e se achava predestinado a algo grandioso. Antes, era um joão-ninguém, incapaz de participar de uma discussão intelectual e cheio de raiva e preconceito.

Mas, quando fazia discursos, suas fraquezas eram percebidas como qualidades. Eram a marca de um “grande homem” que vivia em um mundo à parte. As pessoas tinham a sensação de que lá estava um homem que não pensava em si próprio e em suas vantagens pessoais, mas somente no bem do povo.

Essa história é importante para nós hoje. Não apenas porque nos oferece “lições”, mas porque a História pode conter avisos.

Em uma crise econômica, milhões de pessoas decidiram se voltar para um líder pouco convencional que, na opinião deles, tinha “carisma”. Um líder que se conectava com seus medos, esperanças e desejo latente de culpar os outros pela situação difícil que viviam.

O resultado disso foi desastroso.

Tem gente hoje que parece querer escolher o mesmo caminho.

 

 

As dez vezes em que Keith Richards escapou da morte

A velha anedota diz que, após o apocalipse nuclear, tudo o que restará serão as baratas … e o KEITH RICHARDS. Nessa lista que vem logo abaixo, o bom e velho Keef sobrevive a vícios em drogas, fogo, veneno, acidentes no palco, Hell’s Angels, bibliotecas e palmeiras. Há muita lenda sobre a incrível longevidade daquele que é, realmente, o Mr. Rock, mas os incidentes relatados, segundo as fontes, têm todos uma ponta de verdade.

1944 – Bombas sobre Londres

Aposto que você não esperava ver Adolf Hitler nesta lista, eh eh eh… Quase que o lendário guitarrista não chegava a sobreviver à guerra para gravar “Satisfaction”, anos mais tarde. Durante o auge dos ataques das bombas-voadoras alemãs a Londres, Keith e a mãe fugiram para uma região que estava fora da linha de fogo. Quando as coisas se acalmaram, eles retornaram e viram que alguns de seus vizinhos foram mortos e o berço do então bebê Keith fora atingido por uma bomba V-1. Tempos depois, ele relembrou o episódio: “Hitler despejou uma de suas V-1 em minha cama! Ele estava procurando acertar meu traseiro, aquele @#$%&@!!”

1965 – Quase eletrocutado no palco

Nos primeiros anos da carreira, a banda quase perdeu uma de suas forças mais criativas. Enquanto fazia uma apresentação em Sacramento, nos Estados Unidos, o grupo começou a tocar “The Last Time” e Keith aproximou-se do microfone para fazer o backing vocal. Acontece que o microfone estava virado para o lado errado, então ele tentou desvirá-lo com o braço de sua guitarra – o que resultou em um choque quase fatal. Em um clarão azul, ele caiu inconsciente, e as cordas da guitarra ficaram queimadas. Posteriormente, o roqueiro chamou o incidente de o momento “mais espetacular” do show e disse que foi salvo por um novo par de botas com grossas solas de borracha.

1969 – Anarquia em Altamont

Se você assistir “Gimme Shelter”, o fascinante documentário sobre os ROLLING STONES, ficará admirado ao saber que todos saíram vivos de Altamont, na Califórnia. Após chegarem a esse concerto gratuito, apressadamente organizado, Mick Jagger foi esmurrado na cabeça. A violência tomou conta durante a apresentação da banda, forçando-os a parar e recomeçar algumas músicas. Um fã que estava assistindo morreu após apontar uma arma a um membro dos Hell’s Angels, que estavam lá para garantir alguma “segurança” (acredite se quiser). Após o show, os Stones foram embora em um helicóptero, e só depois tomaram conhecimento do assassinato. Houve também mais três mortes acidentais. Na verdade, os Rolling Stones queriam interromper o show logo após a confusão do primeiro incidente, mas o líder dos Angels conseguiu persuadir Keith Richards a continuar tocando. O cara estava ao lado dele, apertando o revólver nas costas e ordenando que não parasse de tocar, senão iria morrer. A banda de “prima-donas bichas, metidas” continuou, embora certamente preferisse dar o fora dali.

1971 – Fogo na Cama em Nellcote

Keith e sua namorada Anita Pallenberg quase tiveram um final prematuro durante as gravações de “Exile on Main St.”. Durante as sessões para o LP duplo, gravado na maior parte na mansão alugada por ele no sul da França, chamada Nellcote, o casal estava mergulhado em pleno vício em heroína. Keith tinha uma propensão a desmaios, algumas vezes com a agulha ainda enterrada no braço ou – como naquela ocasião – com um cigarro aceso na mão. A cama ficou em chamas, e ambos acordaram bem a tempo de escapar antes de serem torrados.

Mas não seria a última vez que Keith brincaria com fogo.

1973 – Fogo em Redlands

Keith estava dopado quando tocou fogo em sua propriedade, chamada Redlands. Muitos afirmam que um dos cigarros acesos foi a causa, mas em sua autobiografia “Vida”, ele diz que o fogo foi causado por um rato que comeu a fiação… Em todo caso, o fogo espalhou-se pelo telhado enquanto Keith, Pallenberg e as crianças correram para se salvarem, e depois ele retornou para arrastar para fora os objetos mais caros. Existem fotos famosas que documentam o rescaldo, incluindo uma onde o vemos sentado no gramado, em cima de um carrinho de bebê ….. fumando, lógico.

Anos 70 – Esctricnina na Suíça

Keith sempre afirmou que, apesar de sua reputação, ele era um viciado relativamente responsável e que as únicas vezes em que se meteu em sérios problemas foram quando se drogou junto com pessoas nas quais não confiava. Um dia, ele contou a NME sobre sua pior experiência com drogas: “Alguém colocou estricnina em minha droga, lá na Suíça,” disse. “Fiquei quase que em coma, mas estava totalmente desperto. Eu podia ouvir tudo, e todos estavam falando ‘ele morreu, ele morreu!’, gesticulando e mexendo em mim, e eu pensava, “não estou morto!”

1973 – Troca de Sangue

Uma das mais conhecidas lendas do rock diz que, lá pelos idos de 1973, o sangue de Keith se tornou tão tóxico que um especialista realizou um procedimento experimental no qual o guitarrista trocou todo o seu sangue por alguns litros de sangue limpo. Apesar de que a troca de sangue seja provavelmente falsa (Keith admitiu que ele mesmo espalhou o rumor), há alguma evidência de que ele teve seu sangue filtrado na Suíça em 1973. De acordo com algumas fontes, o roqueiro se submeteu a hemodiálises, as quais permitiram a remoção de substâncias tóxicas de seu corpo para que não houvesse possíveis danos a seus rins. Supostamente, ele teve que permanecer sedado por uns dias para que o procedimento pudesse ser realizado.

1998 – Queda na Biblioteca

E pensar que, apesar de todos os problemas com drogas e sua vida desregrada, o velho Keef quase se ferrou em virtude de um monte de livros! Ele contou o episódio várias vezes: estava na biblioteca de sua casa, em cima de uma cadeira, para poder alcançar um livro sobre os estudos de anatomia de Leonardo da Vinci quando escorregou. Vários livros começaram a cair em cima dele. O acidente resultou em três costelas quebradas e uma turnê adiada.

2006 – Queda nas Ilhas Fiji

Em 2006, Richards levou um tombo de uma palmeira, quando estava em férias com sua família e a família de Ronnie Wood nas Ilhas Fiji. Apesar de que os primeiros relatos indicavam que ele teria caído de uma altura de mais de 12 metros, Keith revelou depois que caiu de uma altura de cerca de 2 metros.  Na autobiografia “Vida”, ele conta que estava nadando antes de subir na palmeira, e suas mãos molhadas teriam feito com que escapassem do galho, caindo no chão e batendo a cabeça no tronco da árvore. Apesar de ele achar que nada mais sério pudesse ter ocorrido, uma “forte dor de cabeça” dois dias depois forçou-o a procurar por cuidados médicos. Resultado: Richards tinha um coágulo causado pela forte batida e teve que fazer uma cirurgia no crânio para resolver o problema. E lá se foi outra turnê adiada…

2008 – Cheirando o Pai

Esses roqueiros… Olha o John cheirando coca… cola!

Logicamente, estricnina não foi a coisa mais estranha que o doidão do Keef já colocou em seu corpo. Como ele mesmo revelou em uma entrevista à revista NME, e depois confirmou em sua autobiografia, ele uma vez cheirou um pouquinho de seu querido e velho pai. “A verdade é que depois de manter as cinzas de meu pai em uma caixa preta por seis anos, pois eu não concordei em espalhá-las ao vento, eu finalmente plantei um robusto carvalho para que pudesse espalhar essas cinzas ao redor da árvore”, contou. “E no momento em que levantei a tampa da caixa, uma fina camada de cinzas caiu na mesa. Eu não poderia simplesmente varrer meu pai pra fora, então esfreguei meu dedo sobre as cinzas e aspirei…”

Ok, Keith não escapou da morte neste incidente. Ao contrário, ele a “interiorizou”…

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

ultimateclassicrock.com

whiplash

Fotos do passado

Duvido que as pessoas que tiraram estas fotos fizessem ideia da importância que elas teriam, e que deixariam as pessoas tão maravilhadas no futuro. O mais interessante nelas, talvez, seja a constatação de que a vida era tão diferente – e ao mesmo tempo tão parecida – como a de hoje.

  • Dizem que este foi o primeiro “selfie” da história (em 1839), o moço é Robert Cornelius, nos Estados Unidos.

  • Em 1900, um engraçadinho tirou a foto dessa mulher prestes a dar um espirro!

  • Boliche é um esporte bem antigo, e antes não havia o sistema automático que deixa os pinos em pé. Era tudo feito na mão, e um erro podia custar um dedo amassado a esses meninos “arrumadores de pinos de boliche” em 1914.

  • Em 1922, os concursos de beleza eram comuns. Pela foto abaixo, de duas ganhadoras de um deles, a gente pode constatar que o conceito de beleza se modificou um pouco ao longo dos anos.

  • A preocupação com a falta de concentração, por conta das distrações que nos cercam, não é uma novidade dos dias de hoje. Um americano, lá atrás, em 1925,  inventou o “Isolador”. Esse capacete bizarro supostamente deixaria seu usuário surdo, limitando seu campo de visão a uma minúscula brecha e um balão de oxigênio acoplado ao capacete impediria que a pessoa morresse asfixiada.

Não sei se o inventor, Hugo Gernsback, conseguiu vender algum de seus “Isoladores”. O que eu sei é que ele, além de inventor, era também editor e autor. Desde 1908 ele vinha publicando revistas diversas até que, um ano depois do “Isolador”, lançou aquela que viria a ser a primeira revista do mundo exclusivamente dedicada à ficção científica, Amazing Stories. Foi nessa revista que se inventou o termo “cientificção” antes de se decidir pelo definitivo “ficção científica”. Na Amazing Stories, Hugo deu a primeira oportunidade a autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

  • Foto incrível, de Hitler ensaiando seus discursos na frente de um espelho, em 1925.

  • Moto de uma roda, de 1930, e que podia alcançar até 140 km/h. Até hoje tem gente criando motos iguais a essa.

Vimos isso no filme “Homens de Preto 3″…

Mas, recentemente, numa universidade de Michigan, foi apresentada uma “monobike” que funcionava pra valer:

  • “Família que passeia e trabalha unida fica mais unida”. Esse deve ter sido o mote a inspirar a criação de uma bicicleta para a família, em 1939. Ela servia para quatro pessoas e a mamãe podia aproveitar o passeio e costurar algumas roupas, já que a bicicleta vinha com uma máquina de costura acoplada:
  • Como eu disse mais acima, os concursos de beleza eram muito populares no mundo todo. Em 1950, nos Estados Unidos, eles elegeram até a “Miss Bomba Atômica”…

Em resumo, mesmo que as coisas fossem diferentes então, a gente percebe que, lá no fundo, o espírito humano nunca muda. Nossa perseverança, capacidade de invenção e curiosidade permanecem desafiando o tempo.

 

Fonte:

news.distractify.com

Educação para a Morte

O primeiro desenho animado sonoro, o primeiro desenho com o sistema Technicolor, o primeiro longa-metragem animado e o primeiro programa de TV completamente colorido. Esses são alguns dos feitos do maior ganhador do Oscar de todos os tempos, Walter Elias Disney.

Mas nem tudo foram flores na vida do velho Walt. Ele e seu estúdio passaram por várias crises, e uma delas foi durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente falido depois de “Fantasia”, e enfrentando uma greve que paralisou metade de sua força de trabalho, Disney viu com bons olhos o contrato proposto pelo governo para produzir 32 curtas animados entre 1941-1945, a US$ 4,500 cada um, filmes tanto de treinamento para os soldados quanto para levantar a moral da população. Esse contrato gerou trabalho para os empregados e ajudou o estúdio a se recuperar. E o “esforço de guerra” também gerou outros produtos, como pôsteres e quadrinhos.

Um desses curtas foi  “Education for Death – The Making of the Nazi” (1943), uma poderosa propaganda anti-nazista e com uma linguagem um pouco agressiva para os padrões Disney.

O curta conta a história de Hans, um garoto alemão, desde seu nascimento. É mostrado como Hans é influenciado na escola a pensar de acordo com a doutrina nazista. O filme possui diálogos em alemão, mas os fatos mais importantes são narrados em inglês.

No início do filme, os pais de Hans estão diante um oficial nazista para garantir-lhe uma certidão de nascimento. O narrador explica que os pais de Hans são obrigados a mostrar certidões de seus ancestrais a fim de provar que pertencem à raça ariana. Logo em seguida, o casal quer que seu filho se chame Hans; o que é aceitável, pois “Hans” não faz parte da lista de nomes proibidos pelo governo – os de origem judaica. O narrador também explica que o casal tem direito a ter mais onze filhos além de Hans, e conclui que isso é por causa do exército ariano que o chanceler Adolf Hitler anseia formar. Por seus serviços prestados ao III Reich (gerarem uma criança ariana), os pais de Hans recebem de presente uma cópia de Mein Kampf, best-seller da Alemanha naquele momento.
Hans vai para a escola e lá aprende o conto da Bela Adormecida. No entanto, a versão que Hans aprende mostra a “democracia” como sendo a bruxa e a “Alemanha” como sendo a bela. Hitler é o príncipe que salva a Bela das garras da bruxa.

Subitamente, Hans adoece e um oficial nazista vai até a casa de seus pais lembrar-lhes que pessoas doentes não são vistas com bons olhos pelo Estado nazista e que, caso Hans não melhore, será levado a um campo de concentração. No entanto, Hans se recupera e volta à escola. Lá, aprende o conceito darwinista de seleção natural das espécies de forma manipulada; os povos mais fracos merecem ser eliminados. Hans se junta à Juventude Hitlerista e participa da queima de livros cheio de orgulho. Em uma sequência de cenas carregadas de significação, a Bíblia Sagrada se transforma no Mein Kampf, o crucifixo numa espada cortada pela suástica e o vitral de uma igreja é brutalmente quebrado. A cena, assim como aquela da queima de livros, pode ser interpretada como a perda de valores morais tanto por parte da Alemanha quanto por parte de Hans. No final do filme, é mostrado como a vida de Hans daquele momento para frente se resumiu em marchar e saudar Hitler. Hans e seus companheiros  marcham e saúdam Hitler desde a adolescência até se transformarem em túmulos de cemitério. E o narrador conclui que a educação dada na Alemanha nazista é a “educação para a morte”. 

O curta segue abaixo e avalie como serve de poderosa propaganda para as Forças Aliadas, lembrando que, na época, esses desenhos não eram veiculados pela televisão, mas nos cinemas, muitas vezes acompanhados de noticiários que traziam as últimas informações sobre a guerra na Europa.

As fotos secretas de Hitler

Adolf Hitler tentou desesperadamente impedir que algumas fotos “indignas”, segundo ele próprio, e que haviam sido publicadas num livro de propaganda no início das atividades do Partido Nazista, fossem divulgadas novamente.

Hitler-Humiliating-picture-570560Porém, como quase sempre acontece, as coisas nem sempre saem como a gente quer, e então…

Nos escombros de uma casa destruída pelas bombas em Berlim, um soldado britânico se abaixou para pegar um livro sem capa e meio rasgado. O livro havia sido danificado pela água, mas achando que aquilo seria uma boa lembrança para mostrar às pessoas quando voltasse para casa, o soldado guardou o livro em sua mochila de lona.

O ano era 1945 e Adolf Hitler havia cometido suicídio em seu bunker de Berlim, e seus sonhos de um Reich de 1.000 anos haviam sido destruídos tanto quanto as cidades da Alemanha, agora patrulhadas pelos soldados aliados.

Um deles era Alf Robinson, esse que pegou o livro rasgado e juntou-o com suas outras relíquias nazistas, uma baioneta e uma pistola Luger. Como o livro era escrito em alemão, ficou guardado e jamais lido na casa de sua família em Barnsley, Yorkshire, Inglaterra.

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Hitler de bermudas na floresta…

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Hitler intimidador

Agora, 70 anos mais tarde, ele está prestes a ser republicado e, traduzido em inglês, fornece uma perspectiva única sobre a propaganda nazista.

Destinado a jovens leitores, a publicação oficial do partido nazista seria encarada hoje mais como um “fanzine”, e faz Hitler parecer mais como uma imitação de um tirano. O livreto, chamado “Deutschland Erwache” (Alemanha Despertada) foi escrito na década de 1930 por Baldur von Schirach, um dos primeiros capangas de Hitler.

Ele escreveu: “Nós, que tivemos o privilégio de podermos trabalhar com ele, aprendemos a adorá-lo e amá-lo”. Descrevendo o ditador como sendo “honesto, firme e modesto” e exibindo ao mesmo tempo “força e bondade”, von Schirach disse que a grandeza de Hitler “e sua profunda humanidade são virtudes capazes de tirar o fôlego de quem dele se aproxima pela primeira vez”.

Entre as imagens mais cômicas do livro estão aquelas que mostra o grande líder de calças curtas, entre outras. Hitler decidiu mais tarde que tais fotografias eram profundamente indignas e humilhantes, e proibiu novas publicações.

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Hitler e seu sorriso

Outras fotos mostram Hitler com sua equipe, com crianças e trabalhadores, e o autor escreve: “Como os olhos delas se iluminam quando o Führer está próximo!”.

O autor tinha 18 anos quando conheceu Hitler em Munique, em 1925, mas rapidamente escalou a hierarquia do partido por meio de sua liderança na associação de estudantes nazistas.

Em 1932 ele se casou com a filha do fotógrafo favorito de Hitler, Heinrich Hoffmann, e usou suas fotos na propaganda, que ele produziu como um jovem líder do Reich.

O serviço voluntário lhe valeu a Cruz de Ferro, mas, depois de dirigir a deportação de judeus de Viena, ele parece ter tido uma crise de consciência e passou a exigir melhor tratamento para os deportados. Depois que sua esposa também criticou as deportações, ele caiu em desgraça.

Von Schirach sobreviveu à guerra, mas em 1945 foi condenado em Nuremberg a 20 anos na prisão de Spandau, em Berlim. Ele morreu em 1974.

O jovem cabo Hitler no exército alemão na 1ª Guerra Mundial.

O jovem cabo Hitler no exército alemão na 1ª Guerra Mundial.

Hitler baniu esta foto porque seu olhar gelado o fazia parecer um bobão.

Hitler baniu esta foto porque seu olhar gelado o fazia parecer um tonto.

Seu livro ficou esquecido na casa da família Robinson por 70 anos, até que um sobrinho do velho soldado o mostrou a especialistas militares, e o livro foi parar numa editora que agora irá publicá-lo em inglês.

O editor conta que o livro “mostra exatamente como a máquina de propaganda nazista trabalhou nas jovens mentes impressionáveis. Todo mundo se pergunta como uma nação inteira pôde ser convencida por uma farsa tão terrível quanto o Partido Nacional-Socialista. Este documento cheio de bajulações nos dá uma ótima ideia de como mesmo uma pessoa extraordinariamente perversa pode ser transformada num santo por meio da propaganda”.

 

Fonte:

Daily Express