Barão de Itararé — dois em um, o humorista e o personagem

Em 1926, no dia 13 de maio, o Barão de Itararé lançava A Manha, que era a caricatura dos jornais da época e, por tabela, da própria época. Esse tipo de jornalismo nunca fora feito em lugar nenhum. Só surgiu em grande escala muito mais tarde, nos Estados Unidos, no Mad de Harvey Kurtzman e no National Lampoon.

“Se fosse possível, eu retirava tudo o que disse”, o Barão de Itararé afirmou, em 1965. Pode ser apenas mais uma provocação, mas é bom ver um homem que foi em cana mais de uma vez pelo que disse negar a própria importância, ao setenta anos, quando estava fora de perigo. São atitudes como essa, mais do que a obra, que mantêm o encanto desse nobre que se auto-atribuiu o título em honra pela bravura demonstrada no campo de uma batalha que não houve.

LOCAL DESCONHECIDO, 16-04-1958: O jornalista e escritor Barão de Itararé, durante entrevista ao jornal “Última Hora”. (Foto: Acervo UH/Folhapress)

Fernando Apparício de Brinkerhoff Torelly, nome digno de um barão, nasceu em 29 de janeiro de 1895, numa diligência a caminho da fazenda do avô, no Uruguai. Não se sabe exatamente onde. O que importa é que o futuro jornalista, poeta, matemático, cientista, político e Marechal-almirante e Brigadeiro do Ar Comprimido gostou do mundo: havia sol e cigarras.

Aos dois anos, perdeu a mãe. Foi criado no Uruguai, pelas tias, na fazenda do avô. Aos sete, voltou para Rio Grande, para morar com o pai, João da Silva Torelly, que o botou no mau caminho. Era homem violento, maragato doente. Odiava tanto os chimangos que não permitia ao filho nem cumprimentar um amanuense, para ficarmos no mais baixo dos funcionários do governo. “Meu pai era mais louco que eu”, Apparício Torelly dizia.

A revista MAD, norte-americana de humor satírico, foi fundada pelo empresário William Gaines e pelo editor Harvey Kurtzman em 1952. A revista satiriza todos os aspectos da cultura popular americana, bem na linha do que fazia nosso Barão.

Entre 1905 e 1911, Apparício esteve no internato Nossa Senhora da Conceição, dos jesuítas alemães, em São Leopoldo. Não estudava muito, mas prestava atenção às aulas e tinha boa memória. Em 1909, lançou seu primeiro jornal, O Capim Seco. Era inteiramente escrito à mão. Era clandestino e satírico. Primeiro jornal, primeiro problema com as autoridades: toda a tiragem de um exemplar foi apreendida. É que a matéria de capa era uma gozação com o padre-reitor.

No colégio, Apparício fazia teatro, imitando os alemães da colônia para eles mesmos. Também se dedicou à música: cantou no coro e tocou flauta, trompa e trombone. No esporte, o futebol. Seu time foi campeão no ginásio e chegou a vencer uma formação do Grêmio de Porto Alegre.

Quando deixou o colégio, foi para Porto Alegre. Queria fazer Direito, mas o pai aconselhou Medicina: “Meu filho, para que um advogado tenha boa clientela, é preciso muito talento. A um médico basta assinar receitas e atestados de óbito”.

A National Lampoon, também norte-americana, foi criada em 1970 e circulou até 1988, e seu diferencial quanto à MAD era seu humor negro e propositalmente controverso.

A passagem de Apparício Torelly pela faculdade tem inúmeras histórias de irreverência. Quase todas lendas, algumas espalhadas pelo próprio Torelly. Até 1918, estudou Medicina, ou melhor, leu os livros e confiou na memória. Quase não ia às aulas. Preferia frequentar o Clube dos Caçadores, uma mistura de cabaré e casa de jogo, mesmo andando sempre na pindaíba. Ao pai de uma namorada, que o acusou de não ter futuro, disse que futuro ele tinha, o que não tinha era presente.

Colaborava no jornal Última Hora, de Porto Alegre. Colaborava também em revistas pequenas, como KodakA Máscara. Os poemas escritos nesse tempo foram reunidos no volume Pontas de Cigarro, de 1916. Os “versos diversos” não eram sobre as angústias da adolescência, fase que, mais tarde, o autor definiria como a época em que o garoto pensa que não será tão cretino como o pai. Eram sátiras sobre a falta de grana, doença causada pelo micróbio da pindaíba, o conhecido “ariadocócus promptíferus pindahibensis”.

Em 1917, fundou dois semanários de humor: O Chico e O Maneca. No ano seguinte, abandonou a Medicina. Começava um período que chamou de maragateada: viagens pelo interior, em campanhas pelas suas ideias. Fundava e afundava jornais, além de dar conferências em teatros e cinemas. Digamos conferências, mas o certo é que o homem discursava, cantava e dançava.

O Barão continua famoso, até hoje, pelas suas frases curtas e hilariantes.

Para se ter uma ideia, deixemos o futuro barão lembrar uma performance em Bagé, frente à melhor sociedade, quando se fingiu engasgado: “Depois de dizer que quisera ter o dom da oratória, que quisera ser um Demóstenes, gaguejando, vi que a plateia estava aflita. As mulheres se abanavam, apertadas em espartilhos. E eu dava a impressão de que não podia dizer nada, que não conseguiria dizer absolutamente nada. Eu… eu… quisera, quisera… Quando todos pareciam explodir de nervosos, eu cantei: ‘Eu quisera ser a rola, a rolinha do sertão/ pra poder fazer um ninho, na palma da sua mão”.

Em 1925, por causa de uma crise de hemiplegia, foi aconselhado pelo médico a procurar um clima quente. Assim “tomei um Ita no sul”. Chegou ao Rio de Janeiro com cem contos de réis, que logo tratou de perder no jogo, tendo de ir procurar emprego. Acabou no jornal O Globo, assinando como Apporelly, nome que mais tarde simplificou para A por L.

Ainda nesse ano, escreveu um drama humorístico chamado A facada e trocou O Globo pelo A Manhã, onde tinha uma coluna: “Amanhã tem mais”. Não teve por muito tempo. Foi posto na rua. Em 1926, como vingança, fundou A Manha.

A redação era na rua 13 de Maio. O primeiro exemplar saiu no dia 13 de maio. No expediente se lia: rua 13 do corrente. Lia-se também não ter expediente, porque um jornal sério não vive de expedientes. Era um órgão de ataque… de risos. Saía às quintas-feiras, por isso se chamava um vibrante quinta ferino. Mas às vezes saía às sextas, porque uma grande folha não podia ficar presa à folhinha. No seu primeiro ano, A Manha fechou as contas com um lucro de dez mil contos de réis.

A Manha se especializou em publicar asneiras atribuídas a políticos, apenas parodiando seus nomes. Levou isso tão longe que logo o jornal era o “órgão oficial” do governo, já que o Diário Oficial não elogiava o presidente Washington Luís o suficiente. É pouco? O próprio presidente, assinando-se Vaz Antão Luís, se tornou colunista, ou melhor, era um colunista que acumulava as funções de presidente. A Manha tencionava desempenhar condignamente “sua árdua missão, com a graça de Deus e de outros ilustres colaboradores”.

Em 1929, Assis Chateaubriand o convidou para publicar A Manha como encarte do Diário da Noite, que seria o órgão oficial da Aliança Liberal, partido de Getúlio Vargas. Nas quintas-feiras, quando saía o encarte, a tiragem do Diário da Noite aumentava drasticamente. Chegou a 125 mil, quando Getúlio anunciou o programa da Aliança Liberal, na Esplanada do Castelo.

Em 1930, A Manha se desligou do Diário da Noite. Em outubro, Getúlio tomou o poder. Nessa época de incertezas diárias, Apporelly deu uma das manchetes mais famosas do jornalismo brasileiro: HAJA O QUE HOUVER, ACONTEÇA O QUE ACONTECER, ESTAREMOS COM O VENCEDOR. E com grande senso de oportunidade, o diretor d’A Manha se fez barão poderoso, que gostava de se ver “rodeado de cupinchas e aderentes, ostentando no peito as mais variadas condecorações”, que iam desde “artísticas tampinhas de cervejas nacionais, até fichas lavradas de companhias de ônibus e de cassinos clandestinos”. Esse personagem se tornou tão vivo que suplantou Apporelly, que às vezes se referia ele na terceira pessoa, às vezes na primeira, na mesma fala.

Em 1932, houve o levante armado, em São Paulo, conhecido como Revolução Constitucionalista. O Barão, sem se impressionar, publicava coisas do tipo: O GÁS MORTEIRO TOMOU PARATI E EVACUOU PEDREGULHOS. Falava, claro, do general Góes Monteiro, senhor chegado a uma birita. Por coisas assim, o barão foi em cana e advertido a tomar cuidado com sua “linguinha de prata”. Diz que ficou sensibilizado com a admiração dos tiras por sua figura, admiração tão grande que ele precisou posar de frente e de perfil para o fotógrafo da polícia.

Em 1933, publicou Caldo Berde, assinado por Furnandes Albaralhão. Tratava-se de uma antologia de poemas com sotaque português saídos n’A Manha. Nesse ano, Hitler assanhou a Europa e outros lugares. Aqui, esse assanhamento se chamou integralismo. O Barão, mal de ouvido, entendeu o lema “a Deus, Pátria e Família” como “adeus, Pátria e Família”. Aderiu. Mas, ao se dar conta do engano, “voltou a ocupar um lugar decente na sociedade”.

Em 1935, o barão participou da criação da Aliança Nacional Libertadora. A Intentona acabou mal. O Barão não participou das conspirações, nem tocou em armas, mas na onda de terror que veio em seguida, A Manhadeixou de circular e “eu com ela”. Ficou um ano e meio preso. No navio D. Pedro I deixou crescer uma barba de D. Pedro II.

Em 1936, foi parar no presídio da Frei Caneca, no Rio. Segundo Graciliano Ramos, a chegada do homem foi a mais rumorosa. Era um sucesso mesmo atrás das grades. Ainda segundo Graciliano, para combater o tédio, o barão planejava uma biografia do seu personagem, um volume mais grosso que um tijolo. Não parava de falar nela. Mas jamais a escreveu. Pelo menos no papel, como afirmou o humorista Fortuna: “Porque dia a dia ele não fez outra coisa. Na sucessão das aventuras do nosso querido diretor até chegar a Barão, o Apparício Torelly atinge a verdadeira criação literária. O ponto alto dessa criação deu-se quando ele a transpôs para o plano da realidade, encarnando a sua própria personagem, quando de fato estava distanciado dela, pois era o símbolo e síntese de todos os poderosos que satirizava. E isto não há como compilar. É a criação viva dentro da própria vida”.

Anistia, segundo o dicionário do Barão, é um ato pelo qual o governo resolve perdoar generosamente as injustiças que ele mesmo cometeu. Pela metade de 1937, o Barão se viu na rua por falta de provas. Mal teve tempo de se acostumar: em novembro, o Estado Novo. O Barão foi para uma das ilhas-prisões da Baía da Guanabara. Foi solto três meses depois.

Tentou relançar A Manha, mas, por prudência, preferiu alvos de fora, como Hitler, Mussolini, Franco e Salazar.A Manha só voltou mesmo em 1945, graças à associação com o jornalista Arnon de Melo. Agora o ilustre fidalgo estava na companhia de vários colaboradores: José Lins do Rego, Carlos Lacerda, Rubem Braga, Aurélio Buarque de Holanda, Álvaro Moreyra, Sérgio Milliet e muitos outros.

Em outubro, adeus Estado Novo. Um pouco antes, quando havia apenas rumores, A Manha deu talvez sua melhor manchete: HÁ ALGO NO AR ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA. Essa frase se tornou o anúncio nacional das crises.

Como vereador, defendeu o direito de voto para os analfabetos e denunciou, entre outras coisas, o esbulho sofrido pelos índios, situação não muito diferente hoje. Teve alguns apartes que se tornaram famosos. Numa discussão sobre influência dos capitais norte-americanos na economia brasileira, um vereador resolveu citar o ex-chefe de polícia do Estado Novo e perguntou se os nobres colegas sabiam a posição dele. O Barão, na bucha: “Eu sei! É três dedos abaixo do rabo do cachorro”.

Em 1949, o barão publicou seu Almanhaque. O segundo saiu em 1955 e o terceiro no ano seguinte. Eram antologias do material publicado n’A Manha.

Em 1950, em agosto, surgiu novamente A Manha, que se aguentou até junho de 1958. Mesmo tendo trabalhado uma vida como humorista, o barão considerava a influência do humor “levemente benéfica e bastante entorpecente”.

Longe do jornalismo, vivia de modo franciscano, num apartamento atulhado de livros. Eram tantos livros que, quando um quarto ficava lotado, ele passava a dormir em outro. Todo o dinheiro que tinha vinha de uma pensão dada pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Morreu em 1971, aos 76 anos, com apenas 61, porque descontou quinze anos: o tempo perdido na faculdade de Medicina, o tempo que passou preso e o tempo, uns três anos, em que perseguiu mulheres bonitas sem resultado.

O brasão do Barão.

Fonte:
Ernani Ssó , sul21.com.br

A Segunda Guerra Mundial em fotos poderosas

Foi o conflito  mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. A guerra começou em 1939, com a invasão alemã à Polônia, e durou até 1945, quando duas bombas nucleares lançadas pelos americanos em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, decretaram seu fim. 

A Segunda Guerra Mundial foi um dos eventos de maior importância na história da humanidade, definindo o mundo como hoje o conhecemos.

As fotos a seguir, da Getty Images, contam um pouco dessa história.

Hitler informando da invasão à Polônia, em 1939.
Parada militar alemã, celebrando a vitória na Polônia, em 1939.
Tropas alemãs em missão na Polônia, em 1939.
Jornaleiro londrino anunciando a eclosão da guerra, em 1939.
Manifestação anti-Hitler em Nova York, 1939.
Paris ocupada pelos alemães, em 1940.
A cantora Edith Piaf visitando um campo de prisioneiros de guerra.
Crianças inglesas, sob o bombardeio alemão em Londres.
Civis procuram abrigo no metrô londrino, em 1940.
Manifestação pró-Hitler em Berlim, 1941.
Avião de guerra alemão Heinkel He-111 em ataque às tropas inimigas, em 1941.
Navios americanos em chamas na base de Pearl Harbor, atacados pelo Japão em 1941.
Submarino alemão no círculo polar ártico, em 1942.
Marinha alemã celebra a noite de Natal a bordo de navio de guerra, em 1943
Soldado alemão se rende a soldado americano, em 1943.
Caça americano sofre acidente durante pouso em porta-aviões.
Escritor e correspondente de guerra Ernest Hemingway em meio às tropas americanas, em 1943
Marinha americana chega à baía de Tóquio, em 1945
Batalha de Okinawa, ao sul do Japão. Foi a maior batalha marítimo-terrestre-aérea da história, ocorrendo de abril a junho de 1945.
Famosa foto, que se tornou um símbolo da vitória americana contra o Japão, tirada logo depois da vitória sobre os japoneses na ilha de Iwo Jima.

HOLLYWOOD CONTRA HITLER

Hitler não era o semianalfabeto que a propagada dos aliados fez o mundo acreditar. Ele era uma pessoa instruída e um leitor voraz. Segundo amigos, vivia sempre com um livro debaixo do braço e tinha pilhas de livros em casa.

Claro, quantidade não é e nunca foi sinônimo de qualidade, e é bem possível que ele tenha interpretado de forma errada os escritos do filósofo Arthur Schopenhauer, por exemplo, um de seus ícones. Mas o líder nazista era um sujeito educado e inteligente, isso não se pode negar. E aprendemos que líderes educados e inteligentes, e ainda carismáticos e donos de uma oratória convincente, podem provocar grandes mudanças.

Para o bem e para o mal.

Quando Hitler passou a usar maciçamente os então modernos meios de comunicação de massa, como rádio e cinema, para propagar a ideologia nazista, o mundo começou a perceber que ele poderia ser perigoso. Os filmes de propaganda, dirigidos pela cineasta preferida do Führer Leni Riefenstahl, eram extremamente bem feitos. Além de exaltar a figura de Hitler, a superioridade alemã e de sua raça Ariana, eles também a inseriram na história do cinema, com suas técnicas novas de enquadramento, ângulos de câmera, iluminação e nus.

No vídeo abaixo, alguns excertos do filme mais conhecido, O Triunfo da Vontade. Neles estão presentes as principais figuras do nazismo e todos os elementos da arte da propaganda do regime.

O famoso diretor americano Frank Capra percebeu o tremendo poder dessa brilhante peça de propaganda quando a assistiu, em 1943. Ele surpreendeu-se com o cinema produzido pelo Terceiro Reich.

Na sua opinião, o longa-metragem de Riefenstahl, mais do que a celebração do congresso do partido nazista na cidade de Nuremberg, em 1934, representava uma convocação sedutora à obediência e à agressão. “Estamos mortos. Acabados. Não podemos ganhar essa guerra”, declarou. Mas logo decidiu usar as mesmas armas e produziu sete documentários para as Forças Armadas americanas: “Vamos deixar os nossos jovens escutar os nazistas e japas gritarem as suas reivindicações de pertencimento a uma raça superior, e os nossos soldados vão saber por que eles estão em uniformes”, declarou o diretor. Why We Fight, o título da série, explicava por que a guerra contra a Alemanha, a Itália e o Japão era indispensável para a liberdade, usando inclusive trechos de “O Triunfo da Vontade”.

O trailer a seguir é do lançamento da série em DVD, em 2011:

Capra não esteve sozinho no combate ideológico ao nazifascismo. Ele e outros quatro realizadores de Hollywood formaram um grupo a serviço do governo dos EUA.  As razões alegadas por Capra, John Ford, John Huston, William Wyler e George Stevens para se alistar são usuais: o chamado do dever e o fascínio pela aventura.  

Capra foi o único dos realizadores a trabalhar para as Forças Armadas sem pisar em um campo de batalha. A atuação fora do front poupou-lhe danos físicos e psicológicos. Wyler, por exemplo, ficou praticamente surdo depois de filmar dentro de um bombardeiro. Huston voltou para os EUA com transtorno de estresse pós-traumático. Dirigiu Let There Be Light (1946), um documentário a respeito da “neurose da batalha” ou “aniquilação do espírito”. As Forças Armadas censuraram o filme por mais de 35 anos…

Stevens também se traumatizou. Em quase três décadas, o diretor de O Diário de Anne Frank (1959) calou-se sobre a sua experiência na liberação do campo de concentração de Dachau em 1945. Quando se pronunciou, ele citou A Divina Comédia. “Era como se vagasse por uma das visões infernais de Dante.” Enquanto desviava de cadáveres e de sobreviventes de corpos esqueléticos, Stevens filmou tudo o que testemunhava. O material serviu como prova contra os nazistas nos julgamentos de Nuremberg. 

Ford foi o primeiro dos cinco a se arriscar quando registrou o ataque aéreo dos japoneses ao Atol de Midway, no Oceano Pacífico. Enquanto filmava The Battle of Midway (1942), foi atingido por estilhaços. As imagens tremidas, a perspectiva distorcida e o foco turvo criaram um modelo mais realista, incorporado aos documentários de guerra que o sucederam. 

Five Came Back é o título que se deu a esses cinco documentários desses fabulosos diretores, e que mudaram a história do cinema.

Para demonstrar a tremenda influência da técnica desses diretores sobre os filmes posteriores, basta dizer que os primeiros 25 minutos de O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, se devem às filmagens do Dia D dirigidas por Ford e Stevens. A estética de A Batalha de San Pietro, de John Huston, influenciou Platoon (1986), de Oliver Stone, e Guerra ao Terror (2009), de Kathryn Bigelow.

Mas a contrapropaganda produzida por Hollywood não se limitou aos documentários. Mesmo antes de os Estados Unidos entrarem oficialmente na guerra, a Warner Bros., um dos maiores estúdios da época, lançou em 1941 o filme antinazista estrelado por Gary Cooper, Sargento York, no qual um jovem pacifista abre mão de sua crença para matar e salvar outras vidas.

Os Estados Unidos ainda mantinham relações diplomáticas com a Alemanha, em 1940, e embora muitos militares e políticos pressionassem o presidente Roosevelt a abandonar sua neutralidade, a população era fortemente contra a entrada do país em mais uma guerra (isso só foi mudar em 1943, depois do ataque japonês a Pearl Harbor). Mas Charlie Chaplin não podia perder a oportunidade de ridicularizar o ditador alemão.

Aproveitando uma série de ataques por parte dos nazistas sobre sinagogas e lojas de judeus situadas na Alemanha, fato conhecido como a “Noite dos Cristais”, Chaplin produziu O Grande Ditador em 1940. O filme foi censurado em vários países, inclusive aqui no Brasil, e deixou Hitler furioso.

Hoje, é um clássico do cinema:

Mas Hollywood tinha outras armas em seu “exército”, e uma das mais poderosas foi Walt Disney. Disney teve seu estúdio “engajado” no esforço de guerra. Além de ver diversos de seus animadores convocados para lutar, se viu contratado pelas Forças Armadas para produzir filmes de treinamento e propaganda. Um dos mais celebrados produtos do front cultural do conflito foi o curta animado A Face do Führer, propaganda antifascista que venceu o Oscar de melhor curta de animação de 1943.

Na trama, Donald acorda na Alemanha Nazista, ao som de uma canção que exalta Adolf Hitler, num quarto cercado de suásticas. Logo de manhã, ele saúda Hitler, Hirohito e Mussolini.

Forçado a sair da cama, ele logo se veste com a indumentária nazista e toma seu terrível café da manhã. O pão, envelhecido, está tão duro que é preciso fatiá-lo com um serrote. Logo, Donald é obrigado a ler o livro Mein Kampf, escrito pelo Führer. Acuado, Donald é levado até a fábrica de armas, onde terá de trabalhar “48 horas por dia”, “como um escravo”, para Hitler. A cena na qual o pato tem de atarraxar bombas é uma clara alusão ao clássico Tempos Modernos, de Chaplin. Ao final, Donald felizmente acorda do que se revela ter sido um pesadelo. “Eu estou feliz por ser um cidadão dos Estados Unidos da América”, diz, ufanista.

Usar todas as suas armas foi a maneira que Hollywood encontrou para se contrapor á sofisticada máquina de propaganda nazista.

Mas a ofensiva dos Aliados não se limitou a isso. Quando foi preciso vencer essa guerra, a BBC teve uma ideia engenhosa: contar a verdade sem vernizes. A médio prazo, a sobriedade e o respeito aos fatos e à objetividade levaram a melhor sobre os discursos exaltados de Goebbels e Hitler.

Mas essa é uma história para uma outra vez…

Quando a privada afundou o submarino

Banheiro de um U-Boat Tipo VII, como o 1206 | Crédito: Wikimedia Commons

HISTÓRIA MALUCA 

A situação não devia parecer promissora para os tripulantes do U-1206, que partiu em 6 de abril de 1945 rumo à costa da Grã-Bretanha, com a missão de afundar qualquer coisa que pudesse. A guerra estava perdida – antes do final do mês, Adolf Hitler jogaria a toalha com um tiro na própria cabeça em seu bunker. Com o completo domínio aliado dos mares, a missão era suicida. Mas ao menos um consolo eles tinham: podiam usar a descarga.

Para economizar espaço, os submarinos alemães não tinham um compartimento para dejetos, como os dos aliados. A descarga era direto na água. Isso quer dizer que era impossível usar o banheiro quando a máquina estava submergida, porque a pressão no exterior faria a água correr para dentro. Assim, os marinheiros tinham que usar baldes, latinhas, o que desse – num espaço mal ventilado e já poluído pelos odores de suor e óleo diesel.

U-Boat Tipo VII, como o 1206 / Wikimedia Commons

Mas o 1206 vinha com um ultratecnológico banheiro de alta pressão, que podia ser usado a qualquer profundidade, baseado num sistema de válvulas muito complexo. (dá para se ter uma ideia com a foto lá de cima…)

E era tecnológico até demais: tão complicado que exigia treinamento específico.

Em 14 de abril, o capitão Karl-Adolf Schlitt atendeu às necessidades da natureza e resolveu dar descarga sozinho. O  sistema inteiro se abriu para o exterior, quando o submarino estava a 61 metros de profundidade. A água, numa pressão de 7 atmosferas, jorrou violentamente de dentro da bacia, atirando seu conteúdo ao alto – mas, agora, isso era o menor dos problemas.

Logo abaixo do banheiro ficavam as baterias do submarino. O ácido nelas reagiu com a água, soltando gás cloro – tão letal que foi usado como arma química na Primeira Guerra. O capitão não teve escolha a não ser mandar o submarino emergir.

Chegando à superfície, foram recepcionados por aviões britânicos. Um marinheiro morreu e outros três caíram na água. Schlitt mandou todo mundo para os botes salva-vidas e afundou o próprio submarino com explosivos, para evitar sua captura pelos aliados. Afinal, vai que eles quisessem copiar a magnífica tecnologia de banheiros alemã?

Os tripulantes do U-1206, depois de presos pelos britânicos por conta do gás letal em seu interior…

A dor de barriga do capitão levou à captura de 46 alemães, contando com ele próprio.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Aventuras na História

Desejo pelo “herói salvador” não mudou desde Hitler

Movido pelo ódio, incapaz de estabelecer relacionamentos normais, Adolf Hitler parecia um líder improvável, contrário a debates políticos, e que, no entanto, conseguiu um apoio gigantesco. Como foi possível Hitler se tornar uma figura tão atraente para milhões de pessoas? Ele foi, sem sombra de dúvida, um criminoso de guerra sem precedentes na história mundial. Ainda assim, era capaz de exercer uma grande influência nas pessoas que encontrava.

No livro cuja capa exibo acima, e recomendo, o historiador e autor de documentários Laurence Rees analisa a natureza atrativa de Hitler, revelando o papel que seu suposto carisma desempenhou em seu sucesso. É uma análise muito interessante sobre o homem cuja mente esteve no centro do Terceiro Reich, no holocausto dos judeus e da Segunda Guerra Mundial.

O que há de similaridade entre a ascensão do Führer e os tempos em que vivemos hoje? Ora, são os mesmos elementos, aqueles que criam a conjuntura propícia para a ascensão de regimes totalitários. Crise econômica, violência urbana e instabilidade política. Quando isso acontece, as pessoas procuram por um herói salvador, alguém que tenha uma solução, que diga que a culpa é de outra pessoa, classe ou grupo.

Não estou aqui comparando – longe de mim querer igualar as pessoas abaixo com o líder nazista – mas o que o povo busca nos líderes como Trump, por exemplo, não é exatamente isso? Não é querer que eles tenham a solução, que digam que a culpa da crise econômica, da violência urbana e da instabilidade política no país, ou no mundo, é dos outros? Poderia citar tantos outros líderes carismáticos em cujos ombros a população colocou essa mesma responsabilidade: Ronald Reagan, Hugo Chavez, Cristina Kirchner, José Mujica, Berlusconi, etc etc…

Na Alemanha não foi diferente. “O desejo ardente pela salvação e redenção: nada disso mudou no mundo desde a morte de Hitler, em abril de 1945”, escreve o autor. Rees procurou compreender o fascínio que o líder alemão causava nas massas em rolos de filmes de arquivos da época, com discursos e aparições públicas.

As pessoas que ouviam os discursos de Hitler não estavam hipnotizadas. Elas estavam cientes do contexto, entendiam o que ele estava falando e concordavam com suas propostas. Você tinha de estar predisposto a acreditar no que ele dizia para poder vivenciar essa conexão.

Hitler foi o arquétipo do líder carismático. Não era um político “normal” – alguém que promete medidas como impostos menores ou melhor sistema de saúde -, mas quase um líder religioso, e se achava predestinado a algo grandioso. Antes, era um joão-ninguém, incapaz de participar de uma discussão intelectual e cheio de raiva e preconceito.

Mas, quando fazia discursos, suas fraquezas eram percebidas como qualidades. Eram a marca de um “grande homem” que vivia em um mundo à parte. As pessoas tinham a sensação de que lá estava um homem que não pensava em si próprio e em suas vantagens pessoais, mas somente no bem do povo.

Essa história é importante para nós hoje. Não apenas porque nos oferece “lições”, mas porque a História pode conter avisos.

Em uma crise econômica, milhões de pessoas decidiram se voltar para um líder pouco convencional que, na opinião deles, tinha “carisma”. Um líder que se conectava com seus medos, esperanças e desejo latente de culpar os outros pela situação difícil que viviam.

O resultado disso foi desastroso.

Tem gente hoje que parece querer escolher o mesmo caminho.

 

 

As dez vezes em que Keith Richards escapou da morte

A velha anedota diz que, após o apocalipse nuclear, tudo o que restará serão as baratas … e o KEITH RICHARDS. Nessa lista que vem logo abaixo, o bom e velho Keef sobrevive a vícios em drogas, fogo, veneno, acidentes no palco, Hell’s Angels, bibliotecas e palmeiras. Há muita lenda sobre a incrível longevidade daquele que é, realmente, o Mr. Rock, mas os incidentes relatados, segundo as fontes, têm todos uma ponta de verdade.

1944 – Bombas sobre Londres

Aposto que você não esperava ver Adolf Hitler nesta lista, eh eh eh… Quase que o lendário guitarrista não chegava a sobreviver à guerra para gravar “Satisfaction”, anos mais tarde. Durante o auge dos ataques das bombas-voadoras alemãs a Londres, Keith e a mãe fugiram para uma região que estava fora da linha de fogo. Quando as coisas se acalmaram, eles retornaram e viram que alguns de seus vizinhos foram mortos e o berço do então bebê Keith fora atingido por uma bomba V-1. Tempos depois, ele relembrou o episódio: “Hitler despejou uma de suas V-1 em minha cama! Ele estava procurando acertar meu traseiro, aquele @#$%&@!!”

1965 – Quase eletrocutado no palco

Nos primeiros anos da carreira, a banda quase perdeu uma de suas forças mais criativas. Enquanto fazia uma apresentação em Sacramento, nos Estados Unidos, o grupo começou a tocar “The Last Time” e Keith aproximou-se do microfone para fazer o backing vocal. Acontece que o microfone estava virado para o lado errado, então ele tentou desvirá-lo com o braço de sua guitarra – o que resultou em um choque quase fatal. Em um clarão azul, ele caiu inconsciente, e as cordas da guitarra ficaram queimadas. Posteriormente, o roqueiro chamou o incidente de o momento “mais espetacular” do show e disse que foi salvo por um novo par de botas com grossas solas de borracha.

1969 – Anarquia em Altamont

Se você assistir “Gimme Shelter”, o fascinante documentário sobre os ROLLING STONES, ficará admirado ao saber que todos saíram vivos de Altamont, na Califórnia. Após chegarem a esse concerto gratuito, apressadamente organizado, Mick Jagger foi esmurrado na cabeça. A violência tomou conta durante a apresentação da banda, forçando-os a parar e recomeçar algumas músicas. Um fã que estava assistindo morreu após apontar uma arma a um membro dos Hell’s Angels, que estavam lá para garantir alguma “segurança” (acredite se quiser). Após o show, os Stones foram embora em um helicóptero, e só depois tomaram conhecimento do assassinato. Houve também mais três mortes acidentais. Na verdade, os Rolling Stones queriam interromper o show logo após a confusão do primeiro incidente, mas o líder dos Angels conseguiu persuadir Keith Richards a continuar tocando. O cara estava ao lado dele, apertando o revólver nas costas e ordenando que não parasse de tocar, senão iria morrer. A banda de “prima-donas bichas, metidas” continuou, embora certamente preferisse dar o fora dali.

1971 – Fogo na Cama em Nellcote

Keith e sua namorada Anita Pallenberg quase tiveram um final prematuro durante as gravações de “Exile on Main St.”. Durante as sessões para o LP duplo, gravado na maior parte na mansão alugada por ele no sul da França, chamada Nellcote, o casal estava mergulhado em pleno vício em heroína. Keith tinha uma propensão a desmaios, algumas vezes com a agulha ainda enterrada no braço ou – como naquela ocasião – com um cigarro aceso na mão. A cama ficou em chamas, e ambos acordaram bem a tempo de escapar antes de serem torrados.

Mas não seria a última vez que Keith brincaria com fogo.

1973 – Fogo em Redlands

Keith estava dopado quando tocou fogo em sua propriedade, chamada Redlands. Muitos afirmam que um dos cigarros acesos foi a causa, mas em sua autobiografia “Vida”, ele diz que o fogo foi causado por um rato que comeu a fiação… Em todo caso, o fogo espalhou-se pelo telhado enquanto Keith, Pallenberg e as crianças correram para se salvarem, e depois ele retornou para arrastar para fora os objetos mais caros. Existem fotos famosas que documentam o rescaldo, incluindo uma onde o vemos sentado no gramado, em cima de um carrinho de bebê ….. fumando, lógico.

Anos 70 – Esctricnina na Suíça

Keith sempre afirmou que, apesar de sua reputação, ele era um viciado relativamente responsável e que as únicas vezes em que se meteu em sérios problemas foram quando se drogou junto com pessoas nas quais não confiava. Um dia, ele contou a NME sobre sua pior experiência com drogas: “Alguém colocou estricnina em minha droga, lá na Suíça,” disse. “Fiquei quase que em coma, mas estava totalmente desperto. Eu podia ouvir tudo, e todos estavam falando ‘ele morreu, ele morreu!’, gesticulando e mexendo em mim, e eu pensava, “não estou morto!”

1973 – Troca de Sangue

Uma das mais conhecidas lendas do rock diz que, lá pelos idos de 1973, o sangue de Keith se tornou tão tóxico que um especialista realizou um procedimento experimental no qual o guitarrista trocou todo o seu sangue por alguns litros de sangue limpo. Apesar de que a troca de sangue seja provavelmente falsa (Keith admitiu que ele mesmo espalhou o rumor), há alguma evidência de que ele teve seu sangue filtrado na Suíça em 1973. De acordo com algumas fontes, o roqueiro se submeteu a hemodiálises, as quais permitiram a remoção de substâncias tóxicas de seu corpo para que não houvesse possíveis danos a seus rins. Supostamente, ele teve que permanecer sedado por uns dias para que o procedimento pudesse ser realizado.

1998 – Queda na Biblioteca

E pensar que, apesar de todos os problemas com drogas e sua vida desregrada, o velho Keef quase se ferrou em virtude de um monte de livros! Ele contou o episódio várias vezes: estava na biblioteca de sua casa, em cima de uma cadeira, para poder alcançar um livro sobre os estudos de anatomia de Leonardo da Vinci quando escorregou. Vários livros começaram a cair em cima dele. O acidente resultou em três costelas quebradas e uma turnê adiada.

2006 – Queda nas Ilhas Fiji

Em 2006, Richards levou um tombo de uma palmeira, quando estava em férias com sua família e a família de Ronnie Wood nas Ilhas Fiji. Apesar de que os primeiros relatos indicavam que ele teria caído de uma altura de mais de 12 metros, Keith revelou depois que caiu de uma altura de cerca de 2 metros.  Na autobiografia “Vida”, ele conta que estava nadando antes de subir na palmeira, e suas mãos molhadas teriam feito com que escapassem do galho, caindo no chão e batendo a cabeça no tronco da árvore. Apesar de ele achar que nada mais sério pudesse ter ocorrido, uma “forte dor de cabeça” dois dias depois forçou-o a procurar por cuidados médicos. Resultado: Richards tinha um coágulo causado pela forte batida e teve que fazer uma cirurgia no crânio para resolver o problema. E lá se foi outra turnê adiada…

2008 – Cheirando o Pai

Esses roqueiros… Olha o John cheirando coca… cola!

Logicamente, estricnina não foi a coisa mais estranha que o doidão do Keef já colocou em seu corpo. Como ele mesmo revelou em uma entrevista à revista NME, e depois confirmou em sua autobiografia, ele uma vez cheirou um pouquinho de seu querido e velho pai. “A verdade é que depois de manter as cinzas de meu pai em uma caixa preta por seis anos, pois eu não concordei em espalhá-las ao vento, eu finalmente plantei um robusto carvalho para que pudesse espalhar essas cinzas ao redor da árvore”, contou. “E no momento em que levantei a tampa da caixa, uma fina camada de cinzas caiu na mesa. Eu não poderia simplesmente varrer meu pai pra fora, então esfreguei meu dedo sobre as cinzas e aspirei…”

Ok, Keith não escapou da morte neste incidente. Ao contrário, ele a “interiorizou”…

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

ultimateclassicrock.com

whiplash

Fotos do passado

Duvido que as pessoas que tiraram estas fotos fizessem ideia da importância que elas teriam, e que deixariam as pessoas tão maravilhadas no futuro. O mais interessante nelas, talvez, seja a constatação de que a vida era tão diferente – e ao mesmo tempo tão parecida – como a de hoje.

  • Dizem que este foi o primeiro “selfie” da história (em 1839), o moço é Robert Cornelius, nos Estados Unidos.

  • Em 1900, um engraçadinho tirou a foto dessa mulher prestes a dar um espirro!

  • Boliche é um esporte bem antigo, e antes não havia o sistema automático que deixa os pinos em pé. Era tudo feito na mão, e um erro podia custar um dedo amassado a esses meninos “arrumadores de pinos de boliche” em 1914.

  • Em 1922, os concursos de beleza eram comuns. Pela foto abaixo, de duas ganhadoras de um deles, a gente pode constatar que o conceito de beleza se modificou um pouco ao longo dos anos.

  • A preocupação com a falta de concentração, por conta das distrações que nos cercam, não é uma novidade dos dias de hoje. Um americano, lá atrás, em 1925,  inventou o “Isolador”. Esse capacete bizarro supostamente deixaria seu usuário surdo, limitando seu campo de visão a uma minúscula brecha e um balão de oxigênio acoplado ao capacete impediria que a pessoa morresse asfixiada.

Não sei se o inventor, Hugo Gernsback, conseguiu vender algum de seus “Isoladores”. O que eu sei é que ele, além de inventor, era também editor e autor. Desde 1908 ele vinha publicando revistas diversas até que, um ano depois do “Isolador”, lançou aquela que viria a ser a primeira revista do mundo exclusivamente dedicada à ficção científica, Amazing Stories. Foi nessa revista que se inventou o termo “cientificção” antes de se decidir pelo definitivo “ficção científica”. Na Amazing Stories, Hugo deu a primeira oportunidade a autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

  • Foto incrível, de Hitler ensaiando seus discursos na frente de um espelho, em 1925.

  • Moto de uma roda, de 1930, e que podia alcançar até 140 km/h. Até hoje tem gente criando motos iguais a essa.

Vimos isso no filme “Homens de Preto 3″…

Mas, recentemente, numa universidade de Michigan, foi apresentada uma “monobike” que funcionava pra valer:

  • “Família que passeia e trabalha unida fica mais unida”. Esse deve ter sido o mote a inspirar a criação de uma bicicleta para a família, em 1939. Ela servia para quatro pessoas e a mamãe podia aproveitar o passeio e costurar algumas roupas, já que a bicicleta vinha com uma máquina de costura acoplada:
  • Como eu disse mais acima, os concursos de beleza eram muito populares no mundo todo. Em 1950, nos Estados Unidos, eles elegeram até a “Miss Bomba Atômica”…

Em resumo, mesmo que as coisas fossem diferentes então, a gente percebe que, lá no fundo, o espírito humano nunca muda. Nossa perseverança, capacidade de invenção e curiosidade permanecem desafiando o tempo.

 

Fonte:

news.distractify.com