O que acontece com o seu corpo quando você corta o açúcar refinado?

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O açúcar processado, também chamado de refinado, ocupa as primeiras posições na lista de alimentos inimigos da boa saúde. Isso porque, quando passa por processos químicos de refinamento, ele perde muitos nutrientes e o que sobra são apenas calorias provenientes dos carboidratos. A regra é: quanto mais branco, mais processado é o açúcar.

O que também faz dele um vilão tão potencialmente perigoso são seus disfarces. O açúcar processado não está presente apenas no açucareiro usado para adoçar o café ou fazer um bolo. Refrigerantes e outros alimentos industrializados, como molhos, sorvetes e iogurtes, são exemplos de produtos ricos em açúcar. Comidas salgadas, como macarrão, arroz branco e pães, também levam o produto na composição.

Considerado pobre nutricionalmente, quando o açúcar é consumido além da conta, causa uma série de complicações para o organismo, como diabetes, obesidade, cansaço, envelhecimento da pele e até baixa imunidade. Recentemente, uma pesquisa divulgada pelo jornal Jama Internal Medicine apontou que representantes da indústria açucareira teriam manipulado, durante décadas, estudos sobre os efeitos do produto na saúde, atribuindo problemas cardíacos apenas ao colesterol e gorduras saturadas.

Com tantas complicações para saúde, a dica dos especialistas é resistir e eliminar o consumo desse tipo de açúcar da alimentação. Para isso, o ideal é substituí-lo por opções mais saudáveis –como açúcar de coco ou mascavo– e reduzir a ingestão de alimentos industrializados.

Acha difícil? Veja alguns dos benefícios que a atitude pode causar no organismo. A lista foi elaborada com a consultoria da nutricionista funcional e ortomolecular Rachel Faria, e dos endocrinologistas Glaucia Carneiro, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e Renato Zilli, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

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Emagrece

O açúcar não é o único vilão da dieta, mas reduzir (ou cortar) o seu consumo ajuda a evitar, principalmente, o ciclo vicioso de sua ingestão e, consequentemente, reduz as calorias ingeridas. O consumo de açúcar simples gera picos e quedas repentinas de glicemia no sangue. A cada “baixa”, sentimos ainda mais vontade de comer. Se a próxima escolha for um carboidrato ou doce, por exemplo, o ciclo se reinicia. Com o passar dos anos, esse ciclo vicioso contribuirá também para o surgimento de outras doenças, como pressão alta, colesterol e obesidade.

Traz mais disposição

Quando ingerimos açúcar, os níveis de glicose no sangue aumentam, fazendo com que o pâncreas produza insulina (hormônio responsável por reduzir a glicose) além do normal. Para reequilibrar o organismo, nosso sistema coloca em ação a insulina, que tem como objetivo fazer a glicose circular. O excesso de açúcar é considerado tóxico e acaba se transformando em gordura, que interfere no equilíbrio nervoso. Além disso, um estudo feito em 2008 pelo The Scripps Research Institute, uma organização americana privada, apontou que o açúcar pode reduzir as atividades da orexina, um neurotransmissor que regula a excitação, a vigília e o apetite. Quando esses neurotransmissores têm suas atividades reduzidas, o organismo passa a ficar mais sonolento e cansado.

Pele mais jovem

Um cardápio com muito açúcar deixa a pele opaca e enrugada. Isso por causa da glicação, processo em que a glicose em excesso danifica a elasticidade da pele, levando a rugas, flacidez, além de deixá-la com um aspecto envelhecido.

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Evita o aparecimento de acne

Alimentos que elevam rapidamente os níveis de açúcar no sangue, como pães e massas brancas, podem causar flutuações hormonais –como o aumento nos níveis de insulina no corpo, responsável por reduzir a taxa de glicose no sangue. Essas flutuações desencadeiam reações inflamatórias em nosso organismo, inclusive na pele, resultando em cravos e espinhas.

Deixa nosso humor mais estável

Picos e quedas repentinas no nível de açúcar no sangue podem causar sintomas como irritabilidade, alterações de humor, confusão mental e cansaço. Quando tomamos um copo de refrigerante, por exemplo, há um aumento acelerado do nível de açúcar no sangue. E, logo depois, uma queda repentina. Quando há essa queda, nos sentimos ansiosos, temperamentais e cansados. Portanto, ao cortar o açúcar, o humor tende a ficar mais estável.

Fortalece o sistema imunológico

Consumir açúcar em excesso pode causar uma queda na capacidade do nosso organismo de destruir vírus e bactérias intrusos. Um estudo feito em 1973, pela Universidade Loma Linda, nos EUA, apontou que, quando voluntários consumiram cem gramas de açúcar, a atividade dos leucócitos (células de defesa) caiu pela metade. Para alguns nutricionistas, o açúcar também estimula o crescimento de fungos associados a infecções crônicas, que sobrecarregam o sistema imunológico.

Diminui o risco de diabetes

O consumo excessivo de açúcar pode tornar o organismo resistente à insulina, que controla a entrada de açúcar nas células. Se a produção de insulina for insuficiente, o açúcar acaba retido na corrente sanguínea, acarretando uma série de complicações. Entre elas, a diabetes.

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Boca livre de cáries e mau hálito

As principais causas do mau hálito (ou halitose) originam-se na boca. Quando a higiene bucal é incompleta, a língua acumula uma massa esbranquiçada formada por resíduos alimentares. Essa massa vira alimento das bactérias causadoras do mau hálito. Os alimentos que contêm açúcar acabam potencializando essa massa e servindo como fonte de energia para as bactérias causadoras do mau hálito. No caso das cáries, as bactérias presentes em nossa boca transformam o açúcar em um ácido que ataca e enfraquece os dentes.

Melhora o sono

Se você consome muitos alimentos ricos em carboidratos simples ou bebidas açucaradas antes de dormir, terá uma “entrada extra” de energia no organismo, deixando-o mais “ligado”, o que pode dificultar a hora de dormir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Cintia Baio, UOL

Imagens: Marcos Inoue/UOL

 

Refrigerantes diet realmente são mais saudáveis?

É raro conseguir consumir algo que seja doce e ao mesmo tempo saudável. Sendo assim, é possível que os populares refrigerantes diet sejam uma opção benéfica à saúde?

Nenhum especialista afirma que o consumo de refrigerante faz bem para a saúde, já que uma garrafa de 500 ml pode conter cerca de 200 calorias. Mas uma versão diet da mesma bebida pode ter apenas uma caloria.

Seguindo uma lógica simples, portanto, trocar a bebida com açúcar pela versão dietética diminuiria o consumo de calorias. No entanto, os “refrigerantes diet” têm uma reputação polêmica.

Alguns cientistas argumentam que são justamente eles que podem levar ao ganho de peso, além de aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

“Muitos acreditam que (os refrigentes diet) sejam uma opção saudável pois não são bebidas com açúcar, mas o que é muito importante que as pessoas entendam é que não temos qualquer evidência científica disso”, afirma Susan Swithers, professora da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.

As experiências de Swithers, da Universidade de Purdue, em ratos sugerem que as bebidas dietéticas alteram a forma com que o corpo lida com o açúcar normal, o que pode acabar levando ao ganho de peso.

Isso porque, quando chega à língua, o açúcar emite um alerta ao corpo de que a comida está a caminho. Com os adoçantes de zero caloria, a mesma mensagem é enviada, mas nenhum alimento chega.

“Acreditamos que refrigerantes diet podem fazer mal à saúde porque mudam a forma como o corpo lida com o açúcar que ingere”, disse Swithers.

A professora também cita outro problema: compensação. Segundo a especialista, quando sabemos que estamos retirando calorias de uma parte da dieta, tendemos a compensar essa carência comendo mais.

“É aquela velha lógica: tomei um refrigerante diet, por isso posso comer um biscoito”, disse.

Polêmica

O aspartame é um dos adoçantes de baixa caloria mais conhecidos, mas também o mais polêmico. Ele é 200 vezes mais doce do que o açúcar e já foi ligado a uma série de efeitos colaterais desde que foi introduzido em alimentos, na década de 1980. Entre os supostos danos à saúde, estão alergias, nascimentos prematuros e câncer.

A Pepsi afirma que a falta de confiança dos consumidores neste adoçante é o principal motivo de as pessoas estarem desistindo do refrigerante diet nos EUA. No entanto, o aspartame é descrito com frequência como um dos ingredientes mais testados do mundo.

Uma análise da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, feita em 2013, concluiu que “não há problemas de segurança” em relação ao adoçante, incluindo para gestantes e crianças.

Bactéria

Cientistas do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel, mostraram que adoçantes de baixa caloria alteraram o equilibrio das bactérias nos intestinos de ratos.

O corpo humano tem dez vezes mais bactérias, vírus e fungos do que células e este “microbioma” tem um impacto enorme na saúde.

O estudo, publicado na revista especializada Nature, mostrou que os adoçantes de baixa caloria alteraram o metabolismo de animais e levaram a um aumento do nível de açúcar no sangue, um dos primeiros sinais do desenvolvimento da diabetes tipo 2.

Sete voluntários humanos passaram sete dias ingerindo níveis altos de adoçantes de baixa caloria. Os resultados obtidos com metade deles foi o mesmo do que o obtido com os animais.

Água

Especialistas afirmam que, em um mundo ideal, a melhor alternativa seria beber água.

Um estudo publicado na revista especializada Obesity sugere, inclusive, que beber água meia hora antes das refeições ajuda na perda de peso.

Mas até uma crítica ferrenha dos adoçantes de baixa caloria como Swithers argumenta que pode eles podem ser um elemento de “transição” para quem precisa fazer dieta.

“Um refrigerante diet pode ser útil em sua dieta como (uma bebida de) transição se você está tomando refrigerante comum todo dia e acha difícil parar”, disse.

 

Fonte: BBC