10 animais recrutados para a guerra

Os seres humanos têm recrutado animais para ajudar a combater as suas batalhas há muito tempo, e os militares de hoje usam uma gama ainda maior de criaturas para todo tipo de tarefa. Isso pode parecer estranho, considerando que cães, cavalos e outros animais certamente não evoluíram para essa finalidade. No entanto, a natureza certamente não só foi útil como também inspirou os engenheiros a criarem imitações mecânicas.

Observe na lista abaixo algumas das criaturas que se tornaram recrutas inconscientemente, tanto nas antigas quanto nas modernas guerras.

10) Bombas de morcego

Os mamíferos voadores tornaram-se parte de um experimento bizarro durante a Segunda Guerra Mundial. Um cirurgião-dentista americano propôs anexar minúsculas bombas incendiárias a morcegos. Dessa forma, as criaturas incendiariam as cidades japonesas quando voassem para alojarem-se nos telhados de edifícios. Mas a ideia fracassou logo após ter recebido aprovação do presidente Roosevelt. Muitos morcegos não cooperativos simplesmente caíram no chão como pedras ou voaram para longe, apesar do exército americano ter testado 6.000 mamíferos em seus experimentos. Ainda assim, as bombas-morcego conseguiram atear fogo a uma aldeia simulada japonesa, um hangar do exército americano e um carro. Atualmente, os cientistas estudam como a mecânica de voo do morcego poderia inspirar futuros modelos de aeronaves e robôs-espiões.

9) Cavalaria de camelos

Camelos foram muito utilizados no deserto do Norte de África e do Oriente Médio durante os tempos antigos, dada a sua capacidade de sobreviver em condições duras e muitas vezes sem água. O cheiro dos camelos teria causado medo à cavalaria do inimigo, mesmo que eles não fossem tão úteis em um choque de tropas. Alguns povos equipavam seus camelos com armaduras, artilharia, etc. Mas eles não se saíam tão bem fora de seus limites naturais, onde os cavalos se tornaram os preferidos para montaria em batalhas. O papel de combate dos camelos diminuiu rapidamente com o desenvolvimento de armas de fogo em 1700 e 1800, mas ainda foi útil em algumas situações, como para as forças árabes durante a Primeira Guerra Mundial.

8 ) Abelhas zangadas

Abelhas com seus ferrões podem ser armas poderosas quando provocadas. Antigos gregos e romanos as usaram para deter tropas inimigas, catapultando colmeias inteiras em cima delas.  Uma utilização mais direta de abelhas furiosas ocorreu durante os cercos em castelos na Idade Média, bem como durante a Primeira Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã.

7) Patrulha de leões marinhos

Leões marinhos têm uma visão excelente mesmo com pouca luz, ouvem bem debaixo d’água, podem nadar a 40 km/h e fazem mergulhos repetidos de até 300 m. A Marinha americana os treina para localizarem e marcarem minas. Um cinto especial atado aos leões marinhos carrega câmeras de vídeo que fornecem uma visão do fundo do mar ao vivo.

6) Pombos-correio

Os pombos estiveram entregando mensagens durante a maior parte da história humana, por causa de suas habilidades de navegação, que lhes permitem voltar para casa depois de viajar centenas de quilômetros. E ganharam muita fama militar durante a Primeira Guerra Mundial, quando as forças aliadas usaram cerca de 200.000 deles. Um pombo chamado Cher Ami ganhou um prêmio francês pela entrega de 12 mensagens (sendo que a última foi entregue mesmo após o coitado ter sofrido ferimentos graves de bala) além de ter sido creditado por salvar um batalhão americano perdido, e que havia sido cercado por forças alemãs. Outro grupo de 32 pombos ganhou uma medalha britânica durante a invasão do Dia D na Segunda Guerra Mundial, quando os soldados aliados fizeram silêncio no rádio e usaram os pombos para transmitir mensagens. Hoje, por causa dos avanços tecnológicos em comunicação, os pombos se aposentaram do serviço militar.

5) Golfinhos da Marinha

Os golfinhos têm servido, ao lado de leões-marinhos, patrulhando os mares desde 1960. Seu sistema de sonar sofisticado pode ser usado para pesquisa de minas com base no conceito de ecolocalização. Um golfinho envia uma série de “cliques” que são refletidos pelos objetos e retornam para o golfinho, permitindo que eles obtenham uma imagem mental do objeto. Dessa forma, eles comunicam ao seu manipulador humano, usando o mecanismo de resposta “sim ou não”. O manipulador acompanha a resposta, e pode, se receber um “sim”, enviar o golfinho para marcar o local do objeto com uma boia. Essa habilidade de marcar minas foi útil tanto durante a Guerra do Golfo quanto na Guerra do Iraque. Golfinhos também podem marcar nadadores inimigos, mas a Marinha americana nega rumores sobre treinar golfinhos para usar armas contra humanos…

4) Elefantes de guerra

Os maiores mamíferos terrestres deixaram sua marca na guerra como criaturas capazes de devastar formações de tropas inimigas. Os elefantes podem atropelar os soldados, perfurá-los e até mesmo lançá-los para longe com suas trombas. Antigos reinos na Índia podem ter sido os primeiros a domar elefantes, mas essa prática logo se espalhou para os persas, gregos, cartagineses e romanos. Os cavalos temem a visão e o cheiro dos elefantes, e os soldados também tiveram que lidar com o terror psicológico de enfrentar os enormes animais. O advento de canhões no campo de batalha acabou com seu papel em combates, e eles foram usados para transporte de carga e de materiais até a Primeira Guerra Mundial.

3) Mulas militares
Mulas têm desempenhado um papel crucial nas guerras, carregando alimentos, armas e outros suprimentos necessários, e se tornaram preferência para o transporte de cargas devido à sua maior resistência. Várias legiões e exércitos usaram mulas, e elas continuam a ser úteis até hoje, como nas forças especiais americanas, onde fuzileiros navais e soldados dependem dos animais para abastecer postos remotos nas montanhas do Afeganistão.
2) Cachorros de guerra

Os cães participam de guerras há anos. As raças grandes serviram como cães de guerra no campo de batalha e como sentinelas para diversos povos. Os romanos equiparam alguns dos seus cães com coleiras perfurantes e armaduras, e os conquistadores espanhóis também utilizaram cães armados durante a conquista da América do Sul. A guerra moderna reduziu seu papel para mensageiros, farejadores, batedores e sentinelas. Os militares americanos treinaram seus cães como farejadores para trabalhar no Iraque e no Afeganistão.

1) Cavalos

Talvez nenhum outro animal tenha desempenhado um papel tão grande na história da guerra como o cavalo. Os homens os domesticaram há muito tempo, e logo foi usado nas guerras em grande escala. Os antigos egípcios e chineses usavam cavalos puxando charretes como plataformas estáveis para lutar, antes da invenção de uma sela eficaz. A estabilidade proporcionada pela combinação de sela e estribo permitiu que os mongóis lutassem eficientemente e disparassem flechas de cima dos cavalos, o que os ajudou a conquistar a maior parte do mundo conhecido de então. E a utilização de cavalos de combate veio até a era da guerra moderna, quando os tanques e metralhadoras entraram na briga.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Hypescience.com

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Primeira Guerra Mundial: o terrível cotidiano nas trincheiras

Há dois anos, a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) completou 100 anos de seu início. O conflito foi o primeiro a envolver países dos cinco continentes e deixou cerca de 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos, além de resultar na queda de quatro impérios (Russo, Austro-Húngaro, Alemão e Otomano).

Esse foi o primeiro conflito a fazer uso maciço de armamentos pesados (na foto acima, trabalhadores numa fábrica de morteiros na Inglaterra), dos aviões e dirigíveis, de submarinos e de gases venenosos. Foi também o primeiro a se desenvolver principalmente nas trincheiras.

Foto aérea de trincheiras cavadas na França, em 1917.

No início da guerra, a infantaria foi muito utilizada com o apoio da cavalaria e de peças móveis de artilharia. Este tipo de combate marcou a primeira fase do conflito, identificado como “guerra de movimento”.

Aos poucos, passaram a ser utilizadas as trincheiras como estratégia de guerra, o que causou muitas baixas ao exércitos que ainda insistiam no deslocamento de tropas. Mesmo fazendo uso de bombardeio, gases e lança-chamas, o mecanismo das trincheiras, que utilizavam metralhadoras e eram defendidas por arame farpado, causava o fracasso da infantaria.

Soldados alemães defendendo trincheira na Bélgica.

Soldados alemães defendendo trincheira na Bélgica.

O recurso às trincheiras era uma forma de guerra já conhecida na antiguidade, mas foi somente na Primeira Guerra Mundial que ocorreu efetivamente uma “Guerra de Trincheiras”, muito impulsionada pela invenção da metralhadora. As trincheiras eram cavadas pelos próprios soldados, possuíam cerca de 2,5 metros de profundidade e 2 metros de largura, por onde se movimentavam os combatentes. Em sua parte posterior, eram protegidas por sacos de areia, que defendiam do impacto dos tiros e dos estilhaços das bombas. À frente desses sacos de areia, estavam longas coberturas de arames farpados, algumas vezes eletrificados, que impediam a aproximação do inimigo. Devido à profundidade das trincheiras, não era possível observar o campo de batalha, por isso construíam-se algumas elevações dentro das trincheiras que permitiam alcançar o nível de visão adequado ao combate e também o acesso às metralhadores, o equipamento básico que era capaz de destruir muitos inimigos.

A Guerra de Trincheiras marcou a segunda fase da Primeira Guerra Mundial. Foi a fase mais sangrenta, onde se verificavam as piores condições humanas de sobrevivência em um campo de batalha. Milhares de soldados permaneciam durante meses dentro desses túneis, que eram interconectados, formando assim uma rede de defesa dos exércitos.

Soldados alemães na I Guerra Mundial comemorando o Natal na trincheira.

Soldados alemães na I Guerra Mundial comemorando o Natal na trincheira.

Quando os soldados cavavam em regiões perto do mar, acabavam encontrando água no meio do processo, o que deixava o terreno permanentemente tomado por lama. Em ocasião de chuva, a situação se intensificava, os túneis ficavam inundados e os soldados tinham que lutar, comer e dormir encharcados.

Sono, cigarros, comida, bebida e mulheres: estas eram, pela ordem, as prioridades dos soldados nas trincheiras. Para isso havia os “estaminets” – mistura de bar, restaurante e bordel. A vida nas trincheiras, no entanto, era realmente infernal. Dormia-se, ou melhor, tentava-se dormir de noite, pois qualquer movimento acima do topo dos abrigos podia representar morte repentina pelos franco-atiradores.

Os soldados ainda tinham que enfrentar uma praga: os ratos. Os ratos, do tamanho de gatos, alimentavam-se dos cadáveres abandonados – desfigurando-os de forma hedionda ao comer primeiro os olhos para chegar mais rápido às entranhas. Eles ainda incomodavam os soldados passeando por seus rostos enquanto os coitados tentavam dormir.

Unindo o útil ao agradável, milhares de homens tinham como passatempo a caça aos ratos. Atirar nos animais era proibido – para economizar munição –, e o ataque com baioneta era mais comum. Outra praga eram os piolhos. Dizia-se que, ao chegar de uma estação sanitária de eliminação de piolhos, bastava alguém se deitar no terreno para ficar infectado novamente.

Além de incômodos, os piolhos podiam ser infecciosos, carregando consigo uma bactéria que provocava a chamada febre das trincheiras, inicialmente identificada em 1914, e que infectou e incapacitou por semanas milhões de soldados ao longo dos quatro anos do conflito. O problema era mais sério do que pode parecer, em todos os sentidos.  Nos hospitais de campanha do exército britânico, a moléstia respondeu por 15% dos atendimentos. Isso sem contar as coceiras, que levavam os soldados a rasgarem o próprio corpo com as unhas em busca de alívio. Militarmente falando, o prejuízo também foi significativo. Relatos do front indicavam que soldados perdiam, por dia, de uma a duas horas de ação apenas pelo fato de precisarem se limpar e remover os parasitas de suas roupas.

Soldado catando piolho

Soldado catando piolho

O combate aos piolhos tornou-se uma prioridade de saúde militar, e a sua erradicação passou rapidamente da atividade artesanal para a industrial. Grandes instalações foram criadas na retaguarda, onde todos iam a banhos, eram inspecionados e trocavam de uniformes. Como essas operações ocorriam imediatamente depois do retorno da frente de combate, o ritual da desparasitação até podia adquirir um cunho reconfortante para os soldados, como se deduz por este cartão de Natal de 1914 da 4ª Divisão Britânica.

Mas enquanto o soldado não voltava do front, a guerra contra os piolhos tinha que continuar. A mais difundida técnica de extermínio era o holocausto dos insetos com velas quentes. Entretanto, a operação requeria perícia e habilidade para exterminar o alvo sem queimar as roupas. “Eles ficam nas costuras dos uniformes, nas barras das calças, seus esconderijos parecem impenetráveis. A solução é incinerá-los com uma vela acesa: eles estouram como um biscoito chinês”, explicou a um jornal um soldado britânico. “O único problema é que, depois de cada uma dessas sessões, o rosto fica coberto de gotículas de sangue espirradas na explosão vigorosa dos piolhos maiores”.

A Guerra de Trincheiras não foi o motivo pelo qual o lado dos aliados venceu a guerra, ela apenas trouxe mais morte e sofrimento para os combatentes. Foi com o uso de tanques de guerra, seguidos por soldados e aviões de combate que, em 1918, foi possível quebrar as defesas alemãs na Frente Ocidental.

 

Fontes:

infoescola.com

divaltegarcia.blogspot.com.br

g1.globo.com

wikipedia

veja.abril.com.br

herdeirodeaecio.blogspot.com.br

 

 

Os Heróis esquecidos da Primeira Guerra Mundial

Estou traduzindo um livro que se passa na 1ª Guerra Mundial, e por causa dele descobri um fato que eu ignorava: a quantidade e a variedade das espécies de animais que o homem “convocou” para a guerra.

Claro, eu sabia que os seres humanos usam animais nas batalhas desde que o homem é homem. Os exércitos tinham enormes contingentes de soldados montados em cavalos, camelos, elefantes… Mas a 1ª Guerra Mundial foi um ponto de mudança. Eles não usaram apenas cavalos (estima-se que quatro milhões deles morreram no período), mas também cães e até elefantes!

Foi a partir desse conflito que o homem passou a contar com uma capacidade de destruição desconhecida até então, com máquinas de guerra pesadas como os tanques e os carros blindados, e de máquinas de destruição que vinham até pelo ar! Mas não dispensaram os animais, porque dizia-se que todos os recursos deviam ser utilizados na “Guerra que iria acabar com todas as Guerras’, expressão cunhada pelo escritor H. G. Wells (comento sobre o escritor neste post).

Ainda eram frequentes os ataques das cavalarias, mesmo contra as recém-inventadas metralhadoras. O resultado eram valas cheias dos corpos dos animais.

Para o transporte de equipamentos e materiais, os militares usaram tudo o que puderam encontrar: elefantes…

Renas…

E cães.

Os cães, aliás, eram treinados para diversas outras funções: como enfermeiros, levando medicamentos; como mensageiros, distribuindo instruções dos comandantes de uma trincheira a outra em meio ao tiroteio, ou ainda ajudando os próprios soldados, transportando munição e protegidos dos gases tóxicos – que foram usados pela primeira vez nesse conflito.

E todos conhecem o papel importante desempenhados pelos pombos-correio, numa época em que as comunicações eram precárias.

A estupidez da guerra fazia com que os soldados procurassem alguma forma de deixar aqueles momentos mais toleráveis, e os animais ajudavam também nisso.

E a perda de seu companheiro fiel era muito lamentada…

Quem é o animal irracional, mesmo?

 

 

 

Fonte:
http://www.mdig.com.br

Que invenções criadas na guerra a gente usa hoje em dia?

Wr_06Por mais que a gente abomine as guerras, muitos as aceitam como sendo um mal necessário, como dizia Maquiavel – embora Hemingway afirmasse que “Não importa quão necessária ou justificável seja uma guerra, ela será sempre um crime.”

Mendel já postulava, nos estudos da biologia, que são os organismos mais fortes que sobrevivem. E os dirigentes e generais certamente se baseiam nisso para justificar a guerra como ferramenta do controle populacional. Há quem diga que, se não houvessem acontecido as duas grandes guerras no século passado, o planeta hoje estaria superpopulado, mais do que já está. A superpopulação esgotaria os recursos da Terra, que são finitos.

Mas outro ponto importante, e é inegável, reside nos benefícios que a guerra traz aos seres humanos (ao menos, aos sobreviventes…): graças à evolução na tecnologia, na medicina, em diversos aspectos da vida cotidiana. Do computador ao chocolate, é enorme a lista de produtos criados para fins militares e depois adaptados para o uso no dia-a-dia. Quase todos os materiais que usamos atualmente empregam alguma tecnologia bélica.

Os avanços das pesquisas no mundo militar afetam, claro, os setores diretamente relacionados, como a fabricação de munições ou armamentos. Mas essa evolução sempre respinga nas tecnologias civis. Por exemplo, quando acabou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o setor industrial dos Estados Unidos havia dado um salto tanto nos meios quanto na capacidade de produção. A ideia inicial era tornar as fábricas eficientes para acabar com o inimigo, mas, com o fim dos conflitos, as indústrias estavam livres para revolucionar a produção de alimentos, de roupas, de meios de transporte e outras atividades.

Há centenas de inovações na vida moderna que tiveram sua origem nas guerras dos séculos XIX e XX, do radar à ultrassonografia, mas se eu fosse listar tudo aqui, o post não teria fim; por isso vou me limitar a mostrar apenas cinco delas – e que são usadas dentro de casa!

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Forno de microondas

INVENTOR – Percy Spencer

PAÍS – Estados Unidos

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra fria (1945-1991)

Quando a Segunda Guerra Mundial estava no fim, um funcionário da fornecedora militar Raytheon, o engenheiro Percy Spencer, notou que um chocolate em seu bolso derreteu quando ele inspecionava magnétrons, componentes usados em radares. Deduzindo que o derretimento de seu lanche havia sido causado pelo calor gerado pelos magnétrons, Percy criou um aparelho para aquecer comida usando esse princípio. A Raytheon comprou a ideia e lançou o microondas.

CURIOSIDADE – O primeiro microondas pesava 340 quilos e custava de 2 mil a 3 mil dólares!

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Chocolate M&M’S

INVENTOR – Forrest Edward Mars

PAÍS – Espanha / Estados Unidos

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra Civil Espanhola (1936-1939)

O empresário americano Forrest Mars ficou sabendo que as tropas que lutavam na Guerra Civil Espanhola comiam bolinhas de chocolate envolvidas numa casca dura açucarada, que impedia o calor de derreter a guloseima. Inspirado nessa ideia, Mars criou os confeitos M&M’s, nome com as iniciais dos sobrenomes de Mars e de seu sócio, Bruce Murrie.

CURIOSIDADE – Em 1941, o produto já estava no mercado, mas ganhou impulso quando o Exército americano passou a incluir a guloseima na ração dos soldados que iam à Segunda Guerra.

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Leite condensado

INVENTOR – Gail Borden

PAÍS – Estados Unidos

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra de Secessão (1861-1865)

Procurando uma forma de prolongar o armazenamento do leite, reduzir seu volume e contornar a falta de refrigeração, o inventor americano Gail Borden patenteou um método para fabricar leite condensado em 1856. A novidade ficou meio esquecida até o início da Guerra de Secessão, quando o exército dos estados do Norte incluiu o produto na ração das tropas, comprando grande quantidade de leite condensado. (trato com mais profundidade esse assunto neste post aqui).

CURIOSIDADE – Quando voltavam para casa de licença, os soldados contavam às famílias sobre o novo tipo de leite. O produto agradou tanto às donas de casa que a fábrica de Borden mal conseguia atender às encomendas.

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Computador

INVENTOR – Engenheiros da Universidade da Pensilvânia

PAÍS – Estados Unidos

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra fria (1945-1991)

O primeiro computador, chamado de Eniac, surgiu nos Estados Unidos. Projetado para o Exército americano, o aparelho servia para ajudar nos cálculos de artilharia. Ele ficou pronto em 1946 e ajudou nos cálculos para construir a bomba de hidrogênio, testada pelos Estados Unidos em 1952.

CURIOSIDADE – A máquina tinha mais de 2 metros de altura e ocupava uma área de 15 por 9 metros – algo como um armário gigante. Custou em torno de 400 mil dólares. Neste post, conto uma breve história dos computadores.

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Margarina

INVENTOR -Hippolyte Mège-Mouriès

PAÍS – França

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)

Na década de 1860, o imperador francês Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, ofereceu um prêmio a quem descobrisse uma alternativa barata para a manteiga – na época, um produto caro e escasso, além de difícil conservação. Até hoje os historiadores discutem se o imperador fez isso para facilitar a vida dos franceses pobres ou para abastecer suas forças armadas, às vésperas da Guerra Franco-Prussiana.

CURIOSIDADE – Seja como for, o químico Mège-Mouriès apresentou a margarina, em 1869, levando o prêmio de Napoleão III.

O nome “margarina” deriva de uma descoberta no laboratório de um químico na França chamado Michel Eugène Chevreul, em 1813. Ele descobriu um novo ácido graxo, o qual decidiu chamar de “acide margarique”. Isso porque o material tinha uma aparência perolada e brilhante, que ele relacionou com “margarite”, a palavra grega para “pérola”, mas não chegou a usá-lo para a fabricação de algo comestível.

 

 

O Zeppelin

Sempre fui fascinado pelos zeppelins… Não, não se trata de um dos maiores grupos de rock da história, o Led Zeppelin – que, aliás, tirou seu nome do zeppelin e do qual sempre fui fã.

Zeppelin é um tipo de aeronave rígida, mais especificamente um dirigível, cujo nome vem do seu inventor, o conde Ferdinand von Zeppelin e que foi pioneiro na pesquisa e desenvolvimento desse tipo de aeronave no início do século 19.

O conde alemão Zeppelin era um entusiasta dos balões numa época em que eles eram de estrutura flexível. Zeppelin, baseado nas idéias de  um engenheiro austríaco que havia tentado construir um balão de alumínio em 1887,  iniciou a construção e montagem dos primeiros dirigíveis rígidos em 1889, e, a despeito das dificuldades, terminou o seu primeiro modelo no ano seguinte. No entanto, o protótipo LZ-1 somente foi aprovado cinco anos depois, sendo que os modelos testados levavam as iniciais LZ, de Ludwig (assistente do conde) e do próprio Zeppelin, antecedendo a numeração.

O LZ-1  decolou de um hangar flutuante no Lago de Constança, sul da Alemanha, em 2 de julho de 1900. Ele carregou 5 pessoas e voou uma distância de 6 quilômetros em 17 minutos, uma velocidade estrondosa para a época. Mas isso não convenceu os possíveis investidores. Como o dinheiro estava esgotado, Ferdinand von Zeppelin teve que desmontar o protótipo, vender tudo, e liquidar a companhia. Mas ele não desistiu. Usando os últimos recursos da família, construiu mais alguns protótipos e , em 1908, ganhou fama com o LZ-4, ao cruzar os Alpes numa viagem de 12 horas, sem escalas.

Daí por diante, Zeppelin pôde contar com o dinheiro do governo alemão em suas façanhas e seus dirigíveis se transformaram em orgulho nacional. Até 1914, quando iniciou a Primeira Grande Guerra, foram mais de 150 mil quilômetros voados, 1.600 vôos e 37,3 mil passageiros transportados. Durante o conflito mundial, ao lado dos nascentes aviões, os dirigíveis alemães foram utilizados para bombardear Paris e Londres.

Os acidentes não eram muito comuns, mas aconteciam. Como a queda do dirigível Zeppelin L.19 no Mar do Norte, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. A ilustração abaixo mostra o momento do resgate da tripulação e passageiros por um barco pesqueiro.

Os Zeppelin voaram comercialmente pela primeira vez em 1910, pela Deutsche Luftschiffahrts-AG (DELAG), a primeira linha aérea comercial do mundo. Depois da guerra e principalmente durante a década de 1930, os dirigíveis foram utilizados em voos transatlânticos, mais rápidos do que as travessias de navio.

O Graf Zeppelin foi o mais famoso de todos os dirigíveis, especialmente por conta da façanha que realizou em 1929, dar a volta ao mundo, como descrito em reportagens da época:

“Parece interminável a estupefação internacional com a façanha do Graf Zeppelin LZ 127 no último mês de agosto. O colosso alemão de 213 metros de comprimento, com formato que lembra os salsichões típicos de seu país de origem, tornou-se a primeira nave da história da humanidade a realizar um vôo ao redor do planeta, epopéia de 21 dias e 34.600 quilômetros. Com escalas nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, o dirigível arrastou multidões em suas paradas, despertando admiração e curiosidade generalizadas. Aproveitando o sucesso de sua empreitada, o comandante Hugo Eckener, diretor da Luftschiffbau-Zeppelin, empresa alemã que fabricou a aeronave, apresentou os novos planos envolvendo o gigantesco cilindro mais leve que o ar. E, para júbilo dos fãs nacionais, muito em breve o Zeppelin poderá ser visto nos céus brasileiros.
A companhia tedesca pretende implantar linhas comerciais entre a Europa e as Américas –num primeiro momento, com destino aos Estados Unidos; posteriormente, rumo ao Brasil e à Argentina. Para isso, deverá construir quatro novos dirigíveis por conta própria. Além disso, estão previstos mais um ou dois em sua parceria com a empresa americana Goodyear: – eles farão a travessia entre a costa oeste dos Estados Unidos e o Havaí e as Filipinas. Os cilindros voadores deverão também transportar correspondências e encomendas. Um contrato com o correio alemão já é dado como certo, e nos Estados Unidos os representantes da companhia já se mobilizam para acertar acordo semelhante. O dinheiro advindo desses contratos deverá ser investido na construção de novas aeronaves.”

O vídeo acima mostra trechos da viagem ao redor do planeta do Graf Zeppelin.

A primeira viagem transatlântica de um dirigível entre a Alemanha e a América do Sul foi registrada em maio de 1930, tendo o  Graf Zeppelin decolado de Friedrichshafen no dia dezoito e chegado ao Campo do Jiquiá, na cidade do Recife, em Pernambuco, a 21 do mesmo mês. Prosseguindo a viagem, pousou no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro no dia 25, causando alvoroço na então Capital Federal.

Após essa bem-sucedida viagem transatlântica inaugural, os zeppelins realizaram mais três viagens ao Brasil em 1931 e nove em 1932. As passagens custavam 1.000 dólares! Um desses enormes dirigíveis, e que foi a maior nave a voar em toda a história da aviação, foi um ícone da indústria alemã e amplamente empregado na propaganda nazista, o Hindenburgh.

Na foto acima, o gigantesco dirigível chegando ao Rio, em 1936.

O Hindenburgh, com 245 metros de comprimento e sustentado por 200 mil metros cúbicos de hidrogênio,era impulsionado por quatro motores de 1200 HP cada, que moviam hélices de mais de 6 metros de altura, e tinha autonomia de voo para 16.000 km quando completamente abastecido. O dirigível era inflado com hidrogênio, ao invés de hélio, principalmente devido ao preço, que era mais barato, e porque o uso do hidrogênio diminuía a dependência do hélio, que era em sua maior parte importado dos Estados Unidos.

Ficheiro:Hindenburg first landing at Lakehurst 1936.jpg

O Hindenburgh pousado em Lakehurst, New Jersey, Estados Unidos, em maio de 1936. Os passageiros podem ser vistos descendo a rampa na parte traseira.

Infelizmente, depois de ter cruzado o Atlântico mais de 17 vezes, ele fez sua última viagem para os Estados Unidos em 1937, levando 36 passageiros e 61 tripulantes, vindos da Alemanha. Durante as manobras de pouso, um tremendo incêndio tomou conta do dirigível e durou 30 segundos, matando 36 pessoas. O governo alemão acusou o governo americano de sabotagem, pois o grandioso zeppelin representava a superioridade tecnológica daquele país.

Mais tarde, as investigações apontaram a origem das chamas a faíscas elétricas que se desencadearam ao se lançar as amarras ao solo no processo de pouso, geradas pela descarga de energia eletrostática acumulada no dirigível; contudo culparam não o gás hidrogênio, mas sim a própria estrutura do dirigível, construído com tecido de algodão impermeabilizado com acetato de celulose e recoberto com pó de alumínio (a fim de conferir-lhe uma cor prateada permitindo o destaque da suástica) – produtos altamente inflamáveis.

A comoção mundial gerada pelo acidente acabou provocando o encerramento da era dos dirigíveis na aviação comercial de passageiros.

Atualmente, os dirigíveis são utilizados basicamente  com fins publicitários e para realização de transmissões de TV em eventos esportivos, como o da Goodyear.

Há empresas ainda que estudam a possibilidade de usar esse tipo de aeronave para o transporte de carga ou de pessoas, como o Aeroscraft, que seria a evolução do zeppelin, e já está em testes.

Ele possui um corpo semi-rígido, que sobe aos ares com bolsões de hélio – como um dirigível – mas que alça voo como um avião devido a seu formato. Imagine ter a capacidade de transportar enormes quantidades de material ou pessoas a qualquer distância, sem a necessidade de uma infraestrutura terrestre totalmente dedicada a isso – como um aeroporto.

O Aeroscraft não requer pista de decolagem porque ele sobe aos ares na vertical. Para decolar, ele usa motores turbopropulsores a jato. Uma vez no ar, ele usa bolsões de hélio dentro de uma estrutura rígida para controlar a altitude. Quando o piloto quer descer, o veículo precisa ficar mais pesado, então o hélio é comprimido e armazenado em câmaras. Isso cria um vácuo que é preenchido por ar, mais pesado que o hélio – isso faz o Aeroscraft descer. Para subir, basta expulsar o ar e preencher o espaço com hélio.

Como não precisa de pista de pouso, pode levar cargas para locais difíceis de chegar e ainda levar até 60 toneladas de peso. Na animação abaixo, o fabricante mostra como a nave vai operar, visando, claro, a venda para as forças armadas, ao menos de início…

Acho que nem o conde Zeppelin tinha pensado nisso em seus sonhos mais loucos…

 

 

 

 

 

 

 

 

A trégua de Natal e Paul McCartney

A 1ª Guerra Mundial (1914-1918) foi aquela que “inaugurou”, por assim dizer, os conflitos globais e foi uma das mais sangrentas da história.

Os avanços na tecnologia militar significaram na prática um poder de fogo defensivo mais poderoso que as capacidades ofensivas, tornando a guerra extremamente mortífera. O arame farpado era um constante obstáculo para os avanços da infantaria; a artilharia, muito mais letal que no século XIX, era armada com poderosas metralhadoras e canhões. Os alemães começaram a usar gás tóxico em 1915, e logo depois, ambos os lados usavam da mesma estratégia. Nenhum dos lados ganhou a guerra pelo uso dos gases venenosos, mas eles tornaram a vida nas trincheiras ainda mais miserável. Sem mencionar os aviões e os dirigíveis, usados pelos alemães como bombardeios  – mais baratos que aviões e com capacidade de carregar mais bombas, embora menos ágeis.

Ficheiro:Australian infantry small box respirators Ypres 1917.jpg

A alimentação era a base de carne, vegetais enlatados e biscoitos, as doenças muito comuns mas, ainda assim, no Natal de 1914, ambos os lados cessaram as hostilidades e saíram das trincheiras para se cumprimentar, numa trégua não-oficial e sem o consentimento do comando. Esse evento não se repetiu, porém, por conta do número elevado de baixas que aumentou os sentimentos de ódio dos soldados.

E também porque, depois, aqueles soldados foram repreendidos e castigados por seus superiores por “crime” de lesa-pátria…

A iniciativa dessa trégua foi das tropas alemãs, estacionadas frente às forças britânicas onde uma distância relativamente curta separava as trincheiras ao longo da “Terra de Ninguém”. Muitos soldados alemães tinham  – como era seu costume na véspera de Natal –  começado a montar árvores de Natal, adornadas com velas acesas – com a exceção que, desta vez, foram posicionadas ao longo das trincheiras do Fronte Oeste.

Inicialmente surpresos e, então, desconfiados, os observadores britânicos falaram da existência delas para os oficiais superiores. A ordem recebida foi que eles não deveriam atirar, mas, em vez disso, observar cuidadosamente as ações dos alemães. A seguir foram ouvidos cânticos de Natal, cantados em alemão. Os ingleses responderam, em alguns lugares, com seus próprios cânticos. Aqueles soldados alemães que falavam inglês então gritaram votos de Feliz Natal para “Tommy” (o nome popular dos alemães para o soldado britânico); saudações similares foram retribuídas da mesma maneira para “Fritz”.

Em algumas áreas, soldados alemães convidaram “Tommy” para avançar pela “Terra de Ninguém” e visitar os mesmos oponentes alemães que eles estavam tão empenhados em matar poucas horas antes. Edward Hulse, um tenente dos Scots Guards, com 25 anos de idade, escreveu no diário de guerra do seu batalhão: “Nós iniciamos conversações com os alemães, que estavam ansiosos para conseguir um armistício durante o Natal. Um batedor chamado F. Murker foi ao encontro de uma patrulha alemã e recebeu uma garrafa de uísque e alguns cigarros e uma mensagem foi enviada por ele, dizendo que se nós não atirássemos neles, eles não atirariam em nós”. Consequentemente, as armas daquele setor ficaram silenciosas aquela noite.

Mas onde o velho Macca entre nessa história?

É que Paul McCartney lançou em 1983 o álbum “Pipes Of Peace”. O tema da faixa-título foi inspirado pela leitura de um poema de autoria do indiano Rabindranath Tagore, vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1913. A frase “in love all of life’s contraditions dissolve and disappear” (No amor, todas as contradições da vida dissolvem-se e desaparecem) é o mote principal da canção pacifista do genial músico britânico.

Aproveitando a história do cessar-fogo de Natal de 1914, que tinha tudo a ver com o tema do álbum, Paul  aprovou o roteiro do videoclipe para ‘Pipes of Peace’.

O vídeo foi filmado em dois dias em Surrey, Inglaterra, e contou com cem figurantes e três equipes de filmagem. Paul desempenhou, simultaneamente, o papel dos oficiais alemão e inglês. O armistício, apesar de contado em poucos minutos, sintetiza muito bem o que ocorreu no Natal de 1914 em pleno conflito mundial e que, infelizmente, nunca mais se repetiu.

Se você nunca viu o clipe, ou quer recordá-lo, ele segue abaixo, com legendas em português para se acompanhar a letra.

 

(fontes: Wikipedia; http://beatlescollege.wordpress.comhttp://blogs.estadao.com.br)