A misteriosa organização que matava japoneses no Brasil


As fake news estão em evidência nos últimos tempos, mas não são uma invenção moderna. Em 1946 elas já existiam – e faziam vítimas no Brasil.


A família Mizobe chegou ao Brasil em 1927

Após o fim da Segunda Guerra, um grupo extremista de imigrantes japoneses começou a espalhar o boato de que o Japão não havia perdido a guerra. Segundo eles, as notícias da rendição do imperador japonês em 1945 eram mentiras espalhadas pelos Aliados para minar o moral dos nipônicos.

A crença dos membros do grupo nacionalista Shindo Renmei em sua própria versão da realidade era tão forte que eles assassinavam quem dissesse a verdade. As vítimas eram outros imigrantes, que aceitavam o fato de que o Japão tinha perdido a guerra. Os extremistas os chamavam de “corações sujos” e acreditavam que eles deveriam ser eliminados por amor à pátria.

Entre 1946 a 1947, pelo menos 23 membros da comunidade japonesa no Brasil foram assassinados por causa de seu compromisso com a verdade. E ao menos 147 foram feridos.

O pai de Aiko Higuchi foi um deles.


Aiko Higuchi, com 98 anos, é filha do primeiro imigrante morto pelo grupo Shindo Reimei

A vida na guerra

Em agosto de 1942, o Brasil entrou na Segunda Guerra ao lados dos Aliados – EUA, Reino Unido, França, União Soviética e China, entre outros – contra os países do eixo: Alemanha, Itália e Japão.

Imigrantes desses países eram vistos com desconfiança. Foi uma época difícil para os 160 mil imigrantes japoneses – a maioria dos quais trabalhava na roça.

Aiko Higuchi, na época uma agricultora de 23 anos, vivia em Bastos, no interior de São Paulo. Assim como muitas famílias de imigrantes, a sua tinha vindo para o Brasil em busca de uma vida melhor, quando a menina tinha sete anos.

“Papai deixou o filho mais velho no Japão porque achava que ia ficar 5, 6 anos no Brasil e depois voltaria. A propaganda no Japão era a de que, no Brasil, você ganhava dinheiro fácil.”

A realidade, no entanto, era bem diferente – e a situação da comunidade piorou muito após a entrada do Brasil na guerra.

“Não vinham cartas (do Japão), né? Não pode ouvir rádio. Jornal japonês era proibido. A gente ficava no escuro, não sabia nada do que estava acontecendo”, conta Aiko no sobradinho onde mora hoje no bairro de Santana, em São Paulo. “Não pode falar japonês na rua. Se fala japonês, entra na cadeia”.


Aiko estudou em escola só para imigrantes em Bastos, no interior de SP

Sentada no sofá da sala, ela relembra de detalhes do passado como se tivessem acontecido na semana passada.

Imigrantes não podiam dirigir e não podiam viajar. Escolas foram fechadas e empresas japoneses tiveram o capital confiscado.

Essas condições levaram ao surgimento de grupos que davam apoio para a comunidade. Um deles, no entanto, acabou seguindo um caminho sombrio: o Shindo Reinmei, fundado por Junji Kikawa, um ex-oficial do exército japonês.

Durante a guerra, Kikawa tentou ajudar os esforços de guerra japoneses pressionando os fazendeiros imigrantes para que parassem de produzir seda, que era usada para fazer paraquedas para os Aliados.

Sua organização teve um papel central nos eventos trágicos dentro da comunidade após 15 de agosto de 1945, quando o imperador Hiroito anunciou a rendição do Japão.

A Segunda Guerra havia acabado, com a derrota do Japão. Mas o Shindo Renmei começou a espalhar rumores na comunidade japonesa de que isso era uma grande mentira, inventada pelos Aliados para minar o ânimo dos japoneses.

“Mandavam mensagens falando que Japão tinha ganhado guerra e ia mandar navio para levar japonês de volta”, conta Aiko. “Eles eram, como diz? Fanáticos, né? Maioria eram pessoas com pouca educação em cidades com muitos japoneses: Bastos, Pompeia, Tupã.”

“Aí que Shindo Renmei começou a fazer isso: dizia que quem falasse que Japão perdeu guerra não era japonês. Era traidor.”

Compromisso com a verdade

O Shindo Remei tinha como alvo os membros mais proeminentes da comunidade, que eram mais integrados com os brasileiros e tinham mais acesso à informação.

O pai de Aiko, Ikuta Mizobe, era o gerente de uma cooperativa de agricultores em Bastos, onde a maioria da população era de imigrantes japoneses.

“Papai tinha que falar com os cooperados, era gerente de cooperativa. Tem que falar verdade, né?”, relembra Aiko. “As pessoas vinham perguntar sobre guerra, e ele falava o que sabia: que Japão tenha perdido.”


Ikuta Mizobe era gerente de uma cooperativa de agricultores e foi morto por falar a verdade

“Meu pai recebeu carta com duas palavras: pessoa e coração, cortado com uma faca. Minha mãe queimou a carta. Desde aquele dia eu não consegui mais dormir, toda noite ia pra cama pensando”, diz ela.

Em 1946, Aiko estava casada, vivendo na cidade de Pompeia, com o marido e seu filho recém-nascido, Katsuo Higuchi. Em 7 de março, uma caminhonete chegou a sua casa com uma mensagem. “Meu sogro escreveu bilhete falando que papai tinha machucado pé e mandaram me buscar.”

“Mas quando cheguei à casa da minha mãe, o caixão estava em cima da mesa”, diz dona Aiko, com a voz embargada.

Sangue e lágrimas

“Na noite anterior meu pai tinha saído para dar uma olhada nas orquídeas e fechar o portão, que meu irmão mais novo sempre deixava aberto”, conta Aiko.

“Então ele foi ao banheiro, atrás da casa. Dois homens estavam escondidos. Quando ele estava fechando a porta, eles atiraram. Minha mãe ouviu os tiros e saiu, e viu dois homens fugindo no cavalo.”

“Meu pai nunca fez nada de mal para ninguém, porque Deus não ajuda? Mas a gente sofreu por causa disso, viu? Mamãe falou depois: nunca imaginou que tinha tanto sangue no corpo”, diz Aiko, misturando japonês e português. “Ela limpou meio balde de sangue.”

O pai de Aiko foi a primeira vítima do terrorismo do Shindo Remei. Eles usavam armas e, às vezes, katanas – as espadas tradicionais japonesas.


Membros do Shindo Reimei espalhavam que o Japão não havia perdido a guerra

Anos depois, cerca de 380 imigrantes foram investigados por participarem do Shindo Remei. Muitos foram condenados a penas entre 1 e 30 anos na prisão. Quatorze jovens foram condenados por homicídio. Mas, no fim dos anos 1950, muitos já estavam livres.

Alguns deles chegaram a ser entrevistados para um documentário. Tokuichi Hitaka, que matou um ex-coronel do exército japonês na cidade de São Paulo, explicou porque confessaram quando foram presos.

“Depois do assassinato, eu joguei a arma fora. Na delegacia, o delegado não acreditava que a gente estava confessando. Do ponto de vista dos brasileiros, nós éramos um bando de idiotas. Mas nós acreditávamos que estávamos fazendo nosso dever pela pátria. Nós assumimos o que fizemos, como verdadeiros japoneses”, disse ele, no filme. “Não teria tido nenhum propósito, o que fizemos, se tivéssemos negado.”

Os dois homens que mataram o pai de Aiko também foram presos e condenados.

Ligação

Em 1957, Aiko mudou pra São Paulo, onde vive até hoje.

“Minha mãe guardou muita mágoa no coração a vida inteira, nunca falou muito sobre isso”, conta Katsuo Higuchi, de 72 anos, filho mais velho de Aiko e o único que chegou a ser carregado pelo avô antes de seu assassinato.


A família Mizobe cultivava alimentos em Bastos, no interior de SP

A paz só veio em 2008, quando, aos 88 anos, ela recebeu um telefonema de uma mulher que queria conversar sobre o assassinato de seu pai.

“Era filha do criminoso, que chamava Yamamoto. Ela queria encontrar. Quando ela veio, num domingo, disse que o irmão dela não quis vir porque ficou com medo, achava que eu ia matar ele”, conta Aiko, rindo. “Eu não tinha coragem de matar galinha! Jamais faria isso. Ela veio pedir desculpas, pelo que o pai dela tinha feito. Eu disse para ela: você tem não culpa. Eu não tenho raiva de você. Mas tenho muita raiva do seu pai.”

“Eu só tinha um pai. E minha mãe ficou sozinha, sofrendo.”

O reencontro foi bom para as duas mulheres. Depois de 62 anos, Aiko finalmente conseguiu falar abertamente sobre o que aconteceu e ficar em paz com o seu passado.


O Shindo Renmei e  o contexto histórico


O navio Kasato Maru atracado no Porto de Santos, 1908

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil em 1908. A grande maioria deles pretendia fazer fortuna para depois retornar ao Japão.

Os recém-chegados depararam-se com uma terra completamente diferente de sua pátria: língua, costumes, religião, alimentação, clima, enfim, tudo era diferente daquilo que eles estavam acostumados.

Nesse contexto, o imigrante japonês era visto com desconfiança, já que possuía hábitos completamente diferentes dos brasileiros e de outros imigrantes estrangeiros. Os japoneses organizavam-se em comunidades fechadas, poucos aprendiam a língua portuguesa e evitavam contatos com os brasileiros e outras comunidades. Isso contribuiu ainda mais para aumentar a desconfiança contra eles.

Apesar de tudo, o Brasil possuía, já na década de 1930, a maior comunidade de imigrantes japoneses do mundo.


Família de imigrantes japoneses em Bastos, São Paulo, 1930

A ditadura do Estado Novo, implantado por Getúlio Vargas, procurou ressaltar o nacionalismo brasileiro através da repressão à cultura dos imigrantes que formavam comunidades fechadas, como os japoneses e alemães. O decreto nº 383, de 18 de abril de 1938, determinou várias proibições aos estrangeiros: não poderiam participar de atividades políticas, formar qualquer tipo de associação, falar idiomas estrangeiros em público ou usá-los para alfabetização de crianças. A transmissão de programas de rádio em idiomas estrangeiros foi proibida. As publicações impressas (jornais, revistas, livros) em idiomas estrangeiros foram proibidas, a não ser que fossem bilíngues, japonês-português, por exemplo. Como a publicação em japonês ficou muito cara, jornais e revistas deixaram de circular.

Em 1939, uma pesquisa da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de São Paulo, mostrava que 87,7% dos nipo-brasileiros assinavam jornais em idioma japonês, um índice altíssimo de leitura no Brasil da época. O decreto praticamente acabou com a disseminação de informações na comunidade japonesa, pois boa parte de seus integrantes sequer compreendia o português.

Com o rompimento das relações diplomáticas com o Japão, em 1942, a chegada de novos imigrantes foi proibida, as cartas não mais vinham, os nipo-brasileiros passaram a não poder viajar pelo território nacional ou residir em certos locais (como no litoral) sem salvo-conduto expedido por autoridade policial, e os aparelhos de rádio foram apreendidos, para que não se ouvissem transmissões em ondas curtas do Japão. Durante todo o período da Segunda Guerra Mundial, a falta de informações sobre o Japão passou a ser total.

O grupo extremista

O Shindo Renmei não foi o primeiro nem o único grupo de caráter nacionalista criado por imigrantes japoneses. Haviam outras organizações, mas nenhuma praticou atos terroristas. A maior parte era destinada ao auxílio mútuo da comunidade nipo-brasileira.

Por exemplo, alguns católicos japoneses (Keizo Ishihara, Margarida Watanabe e Massaru Takahashi) criaram, com a aprovação da Igreja Católica e das autoridades do governo, uma caixa beneficente, chamada simplificadamente de “Pia”, com o objetivo de prestar ajuda aos membros pobres da colônia.

Um ex-coronel do exército japonês, Junji Kikawa, participou das atividades da “Pia”. Em 1942, após um violento confronto envolvendo brasileiros e japoneses na cidade de Marília, Junji Kikawa fundou a Shindo Renmei (a “Liga do Caminho dos Súditos”). Em 1944, desligou-se da entidade beneficente “Pia”, pois a diretoria desta opunha-se à propaganda que ele fazia.

Junji Kikawa

  Junji Kikawa imprimia e distribuía panfletos que aconselhavam os agricultores nipo-brasileiros a abandonar ou destruir a produção de seda (usada na fabricação de paraquedas) e hortelã (o mentol derivado era utilizado para tornar a nitroglicerina mais potente). Ocorreram alguns atos de destruição de criação de bicho-da-seda e de plantações de hortelã de agricultores, porém as autoridades policiais não investigaram os fatos devidamente e o assunto foi logo esquecido.

A Shindo Renmei tinha sede na capital e chegou a possuir 64 filiais nos estados de São Paulo e Paraná. Mantinha-se com doações de seus filiados.

A bomba atômica em Nagasaki

Com o fim da Segunda Guerra, muitos integrantes da Shindo Renmei recusaram-se a acreditar nas notícias oficiais sobre a derrota do Japão. Seus objetivos então passaram a ser punir os derrotistas, divulgar a “verdade” (que o Japão venceu ou vencia a guerra) e defender a honra do imperador.

A comunidade nipo-brasileira da época ficou dividida a partir das ameaças realizadas por membros mais fanáticos da Shindo Renmei em:

  • Kachigumi: – os vitoristas, aqueles que acreditavam que a guerra continuava ou que a vitória tinha sido do Japão. Nem todos foram simpatizantes das ações da Shindo Renmei. Era um grupo constituído pelas pessoas mais pobres da comunidade e que ainda desejavam o retorno ao seu país. Eram os mais numerosos.
  • Makegumi: – os derrotistas, pejorativamente chamados de “corações sujos“, eram os que acreditavam na derrota japonesa. Formavam o grupo mais próspero da colônia, eram mais bem informados e melhor adaptados ao Brasil.

Alguns pilantras (conhecidos como lero-lero) forjaram jornais e revistas japonesas com notícias sobre a grande vitória e começaram a vender terras nos “territórios conquistados”. Outros venderam yens, a moeda japonesa praticamente sem valor na época, a preços altos para os que queriam voltar ao Japão. Os boatos espalhados pelos estelionatários aprofundaram ainda mais a confusão de notícias na colônia e causaram enormes prejuízos aos kachigumi, levando alguns ao suicídio.

As fake news de então

Os integrantes da Shindo Renmei acreditavam firmemente que as notícias sobre a derrota e rendição do Japão eram falsas. Assim, criaram uma rede de comunicação para divulgar a “verdade”: que o Japão vencera a guerra. Além de jornais e revistas em japonês, estações de rádio clandestinas foram colocadas no ar.

Um documento falso, com assinatura de Hiroíto e data posterior à rendição oficial, dizia: “Forças de terra e mar prosseguem na guerra”. A Rádio Bastos, uma das dezenas de emissoras piratas da organização, colocava no ar um noticiário surreal, com boletins sobre a rendição de 7,5 milhões de soldados americanos, a nomeação de um novo presidente dos EUA pelo imperador japonês e a conquista da cidade de São Francisco, na Califórnia.

Foi nesse momento que a Shindo elaborou listas com os nomes dos makegumi que deveriam morrer por trair o imperador.

Segundo o DEOPS (a Polícia Política do Estado), as ações punitivas eram coordenadas de uma tinturaria na cidade de São Paulo e eram de lá que saíam os assassinos. E várias pensões no centro da cidade e no bairro oriental abrigavam os criminosos após as ações. 

Esses assassinos, chamados de tokkotai, eram sempre jovens. Primeiro, entregavam ou enviavam cartas exigindo o seppuku (suicídio ritual) dos makegumi que deveriam morrer, pois assim eles poderiam “recuperar a honra perdida”. Deveriam suicidar-se cortando o próprio ventre, sobre o qual depois seria colocada uma bandeira do Japão. As cartas começavam dizendo:

Você tem o coração sujo, então deve ter a garganta lavada. (isto é, deverá ter a garganta cortada por uma espada katana).

Os que se recusavam a cometer suicídio eram executados com armas de fogo e, às vezes, com espadas. Os crimes ocorreram muitas vezes na presença de familiares dos assassinados. Nenhum dos makegumi que recebeu a carta aceitou suicidar-se.

Repressão e término

As histórias de assassinatos, especialmente aqueles com espada katana, espalharam o terror da Shindo Renmei dentro da comunidade nipo-brasileira. Apesar de não ter sido afetada diretamente, o resto da população brasileira reforçou seus preconceitos de que todos japoneses eram fanáticos nacionalistas.

Uma parte da população brasileira reagiu e espancou alguns nipo-brasileiros inocentes ou pertencentes à Shindo Renmei. Confrontos ocorreram em cidades do interior paulista onde havia grande quantidade de imigrantes japoneses, como na região de Tupã, São Paulo.

O exército e o DEOPS realizaram operações de investigação nos estados de São Paulo e do Paraná, e 376 nipo-brasileiros foram identificados. Finalmente, as lideranças da Shindo Renmei e boa parte dos tokkotais foram presos.


A saga kachigumi

Uma breve história dos “vitoristas” japoneses

AGOSTO DE 1942

A Shindo Renmei é fundada em Marília, interior de São Paulo, pelo coronel aposentado Junji Kikawa.

AGOSTO de 1945

O Japão se rende aos Aliados na 2ª Guerra Mundial. A organização clandestina diz que é mentira.

JULHO DE 1946

Ataques deixam 10 mortos em 8 dias. Imigrantes japoneses passam a ser hostilizados.

AGOSTO DE 1946

Reação popular a uma série de atentados na cidade de Tupã transforma a cidade num campo de batalha.

MARÇO DE 1946

Terroristas da Shindo matam o primeiro japonês a reconhecer a derrota: Ikuta Mizobe, em Bastos.

DEZEMBRO DE 1946

Mais de 380 integrantes da Shindo Renmei são condenados. Dez anos mais tarde, todos receberiam anistia.


Fontes:

Leticia Mori e Thomas Pappon – BBC Brasil em São Paulo e em Londres

Superinteressante

Wikipedia

Corações Sujos, de Fernando Moraes, Cia. das Letras

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