Quanto custa uma bolsa de marca?

Cansei de ver pessoas nas vitrines com olhar melancólico de quem quer mas não pode ter: “É tão caro!”

Outro dia, passando numa loja do bairro oriental de São Paulo, vi várias bolsas “alternativas” que copiavam as bolsas de marca. Você escolhia qual comprar e escolhia também o logotipo com a marca preferida: Gucci, Prada, Chanel… E muita gente comprava, pagando menos de 5% do preço da bolsa verdadeira, segundo a lojista.

Eram lojinhas e lojinhas, uma atrás da outra, oferecendo essa “barganha”. Aí, me perguntei: mas por que as bolsas de marca são tão caras? E quanto custa uma bolsa de marca, afinal?

Uma bolsa de marca custa MUITO caro

E tudo é muito caro no Brasil… Mas já voltamos a isso.

As bolsas de marcas são caras porque o processo de produção é artesanal, com materiais de alta qualidade e mão-de-obra especializada. Sem contar o tempo de produção, onde tudo é feito sem pressa. Uma bolsa Hermès, por exemplo, pode levar de 3 dias a duas semanas para ser feita. É uma produção que não se importa com a velocidade do mercado, e aí entra a questão da exclusividade. Há casos de bolsas de modelos especiais cuja lista de espera chega a 3 anos!

Dá uma olhada neste vídeo e vai entender um pouco como uma dessas bolsas exclusivas são feitas:

Outro fator que entra nessa análise é…

Qual o mercado das bolsas de luxo?

Exatamente esse. O mercado de luxo. Marcas como Dior, Channel, Louis Vuitton, Versace… vendem itens de luxo e estão posicionadas aí. Sejam bolsas, hotéis ou perfumes, se você quiser luxo, tem que pagar caro por isso.

E nessa questão mercadológica, existe um fator que explica muita coisa, ao menos para mim. O anseio em possuir uma bolsa (ou perfume) dessas responde a uma necessidade psicológica do ser humano. O encantamento, o desejo material, a exclusividade, o se destacar. Ser VIP é ser rico.

Tudo bem, já falamos que essas bolsas dos vips custam caro, falamos do motivo das pessoas ansiarem possuir um item desses, mas, afinal…

Quanto custa uma bolsa de marca?

Depois de passear pelo bairro oriental e ver quanto custa uma bolsa de marca “alternativa”, fui pesquisar o preço das verdadeiras bolsas chiques… e caí de costas (bem, isso foi um exagero, não caí porque estava sentado). Espie só:

FENDI

Fendi teve início em 1918 em Roma como uma loja especializada em pele e couro. Apesar de crescer como uma das marcas de luxo mais renomadas do mundo, o negócio manteve seu aspecto familiar, com o foco em detalhes finos, artesanato italiano e apoio aos artesãos locais.

Esta “Runaway Tote” custa hoje mais de R$ 13.600,00.

PRADA

Uma das marcas de luxo mais desejadas do mundo, a Prada cresceu de um fabricante de produtos de couro em 1913 até se tornar uma das maiores maisons de luxo da atualidade. Com Miuccia Prada, neta de um dos fundadores, à frente do negócio de família, a grife se expandiu a partir de uma verdadeira revolução, desde a inovação nos materiais usados nos produtos até lançar sua própria coleção prêt-à-porter na década de 90. A partir de então o renome da Prada só cresce posicionada como um símbolo de status premium.

A “Cahier” de couro está na faixa de R$ 17.000,00.

BALENCIAGA

Com Demna Gvasalia à frente da direção criativa da Balenciaga, a maison parisiense permanece entre as mais influentes marcas do mundo, unindo a tradição inovadora da grife com sua visão vanguardista.

Essa tote de couro é mais baratinha, está na faixa de R$ 15.000,00.

Falando em baratinha, temos ainda…

STELLA MCCARTNEY

Conhecida por seu compromisso ecológico, as bolsas da Stella McCartney apresentam materiais sustentáveis em designs descomplicados que adicionam leveza e elegância ao seu look, como não poderia diferente, sendo filha de Paul McCartney.

É o máximo, custa apenas R$ 8.570,00.

Quer saber quais as bolsas mais caras do mundo?

Eu mostrei algumas bolsas de marca que estão na faixa de preço acima de 8.000,00 reais. Mas isso é “peanuts” quando comparamos aos preços das bolsas realmente caras, megaultra exclusivas, que não sei quem possui mas que acho que vou depois pesquisar e mostrar num outro post.

São bolsas que estão na faixa de preço começando por 150 mil dólares e vão até uma bolsa que custa mais de 3 milhões de dólares! Claro que é uma bolsa fabricada nos Emirados Árabes e é adornada por 4.517 diamantes!

É essa aqui…

O que eu acho

Se você, minha querida ouvinte, tem poder de compra pra uma dessas bolsas – seja uma Stella ou a dos diamantes – seja feliz. Desfrute, já que pode. Geralmente, essas bolsas Gucci ou Channel duram muito e valem o custo-benefício.

E pense no trabalho do designer, do artesão, dom pessoal de marketing que cria campanhas publicitárias tão incríveis, de tanta gente que se empenha para produzir um item de tamanha qualidade, cuidando do seu item com carinho e não apenas como símbolo de status.

Dito isto…

Para encerrar, volto ao que comentei lá em cima…

Tudo é muito caro do Brasil

Ninguém discorda. Falando com pessoas entendidas e lendo, posso dizer que tudo começa porque nosso dinheiro é caro. Nossas taxas de juros são das mais altas do mundo e isso influi no custo de todas as mercadorias.

(pense na taxa de juros do cartão de crédito ou do cheque especial…)

Os banqueiros e o governo são parceiros nessa extorsão. E você não tem escolha. Não gostou do Itaú? Vá ao Bradesco e veja se é diferente. Ou ao BB.

Outro dia vi, de curiosidade, o preço num móvel na Ikea (que ia abrir uma loja no Brasil e desistiu por causa da burocracia e dos altos impostos) e outro, parecido, na Tok Stok. São móveis de baixo custo (em tese), bonitinhos mas ordinários, só que os preços… baixo custo é na Ikea, mesmo.

E as roupas e eletrônicos? Mesmo com o dólar nas alturas, vale muito mais fazer o enxoval do bebê ou comprar roupas se você viajar (para os EUA ou o bom e velho Paraguai…). Quem pode, vira contrabandista amador, porque a diferença dos preços é abissal. Sem contar o imposto de importação, que é tão absurdo que é para impedir a importação, para proteger a indústria nacional!

São vários os motivos que explicam isso. Somos um país que faz tudo para “proteger a indústria nacional”, como eu disse acima. Daí não temos concorrência e protegemos indústrias vagabundas de amigos do governo. Os produtos são vagabundos, quando comparados aos “de fora”, e aí temos a burocracia e os juros e impostos que esfolam o industrial e o consumidor.

Nossa economia é fechada

O fato de nossa economia ser tão fechada faz com que não só nossos preços sejam altos, mas que a qualidade seja baixa e a variedade inexistente. E isso afeta principalmente os mais pobres. Ricos não colocam dinheiro na poupança e nem estouram o cartão de crédito. Ricos não gastam sua renda comprando uma geladeira nova porque a velha queimou. Ou outro colchão porque o de casa rasgou de tão usado. Ricos são os donos das empresas protegidas pelo governo da concorrência. Ricos são os empresários que pegam empréstimos subsidiados no BNDES e pagam a perder de vista… quando pagam. São amigos dos governantes corruptos.

E, muitas vezes, são eles mesmos, os governantes e políticos, os donos das empresas.

São eles e seus amigos os que lucram com esse cenário.

E amedrontam os pobres – e o que restou da classe média – afirmando que o livre comércio causaria desemprego e pobreza.

Tudo é tão caro porque temos o que há de pior no capitalismo (a desigualdade de renda) com o pior do socialismo (ausência de concorrência, burocracia e ineficiência). e uma corrupção endêmica.

Se as coisas não fossem assim, se tivéssemos o livre comércio, haveria tantas vantagens… Graças ao livre comércio, os consumidores iriam gastar menos dinheiro em bens e em vários serviços.  E poderiam agora gastar mais dinheiro em outros bens e serviços, levando a um aumento da demanda e, logo, dos lucros nos setores que fornecem estes bens e serviços.  Consequentemente, haveria mais investimentos.  E essa maior taxa de investimento naturalmente levaria à criação de mais empregos nesses setores, contrabalançando qualquer eventual aumento no desemprego – que é o argumento principal de quem defende o protecionismo.

 

Olha, acho que meu próximo artigo será sobre isso. Aguardem!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Wikipedia

correiodeuberlandia.com.br

e outras que não me lembro mais…

 

 

 

Chantilly: a história de um clássico

O Chantilly era o favorito de um imperador

Chantilly com morango

Eu não sou imperador, mas é meu favorito também!

O creme de Chantilly é uma gordice irresistível

Ele surgiu na França graças a Fritz Carl Vatel (1635-1671). Vatel percebeu que o leite da região de Chantilly, onde morava, era mais gorduroso e, por isso, mais adequado à bateção. Foi assim que passou a transformar o leite em uma pasta vaporosa e densa, além de adicionar açúcar a ela, ideia que acabou resultando na criação do creme mais usado nas confeitarias, o Chantilly.

A receita criada por Vatel agradou tanto à corte francesa que os senhores da casa palaciana de Chantilly deram ao creme o nome de seu castelo.

(Um parênteses… )

Em 2005, o Ronaldo Fenômeno (ainda chamado assim…) se casava nesse mesmo castelo com a modelo Daniela Ciccarelli. Lembra disso?

Olha o castelo, como é chique!

castelo de chantilly

Mas voltando à nossa história:

O fim trágico de um cozinheiro

Pobre Vatel! Ele tinha que preparar um banquete ao rei Luís XIV, da França, e encomendou frutos do mar a todos os portos do país. Só que, na madrugada do grande dia, um peixeiro o esperava na cozinha do castelo com apenas duas cestas de peixe.

“Isso é tudo?!”, desesperou-se. “Sim, senhor”, respondeu o peixeiro. “Não suportarei mais essa desgraça”, exclamou. Vatel voltou para o quarto, trancou a fechadura e se matou com um punhal. Era 23 de abril de 1671.

Ele era um sujeito talentoso, ativo, organizado e extremamente ambicioso, e depois de arrumar um emprego como ajudante de cozinha, em pouco tempo puxou o tapete do chefe e tomou seu lugar. Ele tinha um único objetivo: provar a Luís XIV que era melhor que o mestre da cozinha real. Numa das primeiras tentativas, em 1661, Vatel criou um creme batido doce e perfumado para impressionar a corte em um banquete. Infelizmente, o rei nem notou o quitute.

O chantilly cai no gosto da corte

Quando Vatel foi trabalhar, dois anos depois, para o príncipe de Condé, no castelo de Chantilly, seu creme doce finalmente foi aprovado. Satisfeito, viu sua iguaria receber o nome do lugar, um creme do Château de Chantilly. E as coisas correram bem para ele a partir daí, até a fatídica noite de abril de 1671.

A ironia das ironias: uma hora depois da tragédia, diversos pescadores começaram a chegar com suas cargas… houvera um atraso nos portos…

O doce no cinema

A história de Vatel é tão curiosa que inspirou o filme francês “Vatel – Um banquete para o rei”, (2000) no qual Vatel é interpretado por Gérard Depardieu. A produção ainda conta com a participação de Uma Thurman e Tim Roth.

Bem legal, vale procurar para assistir.

A sobremesa mais popular

Claro que é o merengue, que são camadas de Chantilly intercaladas com camadas de morango e suspiro.

Esse clássico foi criado pelo marquês Luis de Cussy, responsável pelo cardápio de morangos de Napoleão Bonaparte. Em 1819, ele criou – por ordem do patrão – uma sobremesa que deveria lembrar o sangue de seus homens em guerra com a Espanha e a paz que todos esperavam alcançar.

A imagem retrata os oficiais espanhóis capitulando diante de Napoleão. Foi depois disso que o imperador quis comer morangos com chantilly…

O Chantilly tem gordura?

Você precisa  no mínimo de 35% de gordura para se obter o chantilly. A receita original leva açúcar.

Por isso, o creme adoçado que a gente encontra no mercado não se chama chantilly, mas batido em ponto de chantilly. Uma vantagem é que a durabilidade dele é maior e o preço muito menor, o que é um fator muito importante e está fazendo com que ele se popularize.

Porém, o sabor não é o mesmo, é apenas um semelhante.

Agora que você sabe tudo sobre esse clássico da cozinha, que tal preparar um bolo de pão-de-ló com morango e… Chantilly?

bolo paõ de ló com chantilly

 

 

 

 

Fontes:

historiadetudo.com

wikipedia

superinteressante

100 anos do massacre da família imperial russa

A Copa na Rússia terminou.

Foram momentos de muita emoção do esporte mais popular no mundo, assistidos por, estima-se, mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

A Rússia foi palco de muitas surpresas, por exemplo, os maiores craques do futebol tiveram suas equipes eliminadas antes da grande final.

Várias cidades do maior país do mundo em extensão receberam jogos, e uma delas foi Iekaterinburgo, palco da execução da família real russa, evento cujo centenário será lembrado com grande procissão em 17 de julho, dois dias após o fim do Mundial.

Foi em 17 de julho de 1918 que o último czar, Nicolau II foi brutalmente morto a tiros e golpes de baioneta com a mulher, o herdeiro do trono, quatro filhas, o médico, três criados e dois cães. Vladimir Lênin (1870-1924) tentava formar um governo em plena guerra civil. Ele mantinha a família real, cujo líder fora forçado a abdicar em fevereiro de 1917, detida a 1.400 km de Moscou. A aproximação do monarquista Exército Branco selou o destino do último imperador da dinastia Románov, surgida em 1613.

Os Romanovs. Da esquerda para a direita: Maria, Tatiana e Olga. Sentados: Alexandra, Nicolau II, Anastasia e Alexei, o herdeiro do trono.

Segundo relatos da época, assim se deu a execução dos Romanovs, ordenada por Lênin:

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Ao redor da meia-noite, Yakov Yurovsky, o implacável braço direito de Lênin, ordenou ao médico dos Romanovs, Dr. Eugene Botkin, que acordasse a família e pedisse que eles colocassem suas roupas, sob o pretexto de que seriam transferidos para um local seguro, devido ao iminente caos em Iekaterinburgo. Os Romanovs foram então levados para uma sala.

Os prisioneiros foram avisados para esperar ali, enquanto o caminhão que os transportaria fosse trazido. Poucos minutos depois, um esquadrão de execução da polícia secreta chegou e Yurovsky leu em voz alta a ordem dada a ele pelo Comitê Executivo:

“Nikolai Alexandrovich, em vista do fato de que seus parentes estão continuando seu ataque a Rússia Soviete, o Comitê Executivo Ural decidiu executar você”.

Nicolau, encarando sua família, virou e disse: “O quê? O quê?” Yurovsky rapidamente repetiu a ordem e as armas foram levantadas. A Imperatriz e a Grã-duquesa Olga tentaram fazer o sinal da cruz, mas foram surpreendidas pelo tiroteio. Yurovsky levantou sua arma no torso de Nicolau e atirou; Nicolau caiu morto. e Yurovsky então atirou em Alexei. Os outros executores começaram a atirar caoticamente até que todas as vítimas tivessem caído. Muitos tiros foram disparados e depois as portas foram abertas para dispersar a fumaça.

Algumas das vítimas não morreram imediatamente, então Pyotr Ermakov esfaqueou-as com baionetas, porque os tiros poderiam ser ouvidos do lado de fora. As últimas a morrer foram Tatiana, Anastásia, e Maria, que carregavam mais de 1.3 quilos de diamantes costurados nas roupas, os quais tinham dado a elas um certo grau de proteção do tiroteio. Entretanto, elas também foram espetadas com baionetas. Olga tinha um ferimento de bala na cabeça. Maria e Anastásia teriam se agachado contra uma parede, cobrindo suas cabeças em terror, até serem atingidas e derrubadas. Tatiana morreu de uma única bala na parte de trás de sua cabeça. Alexei recebeu duas balas na cabeça, atrás da orelha após os executores perceberem que ele não tinha sido morto pelo primeiro tiro. Anna Demidova, empregada de Alexandra, sobreviveu ao ataque inicial, mas foi rapidamente esfaqueada pelas costas até a morte, contra a parede, enquanto tentava se defender com um pequeno travesseiro que tinha carregado, preenchido com joias e pedras preciosas.

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O pano de fundo de toda essa tragédia foi a Revolução Bolchevique… A 1ª Guerra Mundial estava no fim, e, para a Rússia Imperial e seu inepto czar, as grandes baixas e derrotas humilhantes sofridas na guerra significavam dificuldades econômicas e desordem social em casa. E em março de 1917, o povo de São Petersburgo, a então capital imperial, se levantou em revolta armada.

Após a violência dos dias seguintes matar mais de 1.300 pessoas, o czar Nicolau II abdicou em favor de seu irmão, o Grão-Duque Michael Alexandrovich, protegendo o filho. Quando o duque não aceitou o trono, os rebeldes estabeleceram o Governo Provisório. Ele veio com a promessa de reformar o governo russo, e um voto popular foi planejado para determinar se a nação deveria permanecer uma monarquia ou se mudaria para a república. Essa revolta não conduziu à democracia, mas foi o primeiro de uma série de eventos que levaram ao estabelecimento da ditadura de Vladimir Lênin.

Pintura simbolizando a força do exército vermelho, comunista, sobrepujando o exército branco, não-comunista, durante a guerra civil.

Depois da abdicação de Nicolau II, a família imperial foi colocada sob guarda em diversos locais, e sempre sob sigilo, porque a população, dividida pela guerra civil, os culpava por todos os seus infortúnios: pobreza, desemprego, inflação etc.

A abdicação de Nicolau II, sentado à direita. Menos de um ano depois, ele foi executado.

Quando deixaram o palácio imperial, seguiram em dois trens que exibiam a bandeira japonesa, como parte de uma suposta missão da Cruz Vermelha do Japão, para evitar possíveis ataques da população.

O Czar, prisioneiro dos bolcheviques em Iekaterinburgo dias antes de ele e sua família serem assassinados, em julho de 1918. O governo bolchevique sustentou que o assassinato havia sido cometido por um soviete local, enquanto a população faminta permanecia. apática.

O governo declarou oficialmente que a família imperial fora executada sob ordens do governo soviético dos Urais, que afirmou que as execuções foram necessárias, pois os regimentos da Checoslováquia – não-comunistas – estavam se aproximando da cidade, numa conspiração “contra-revolucionária para libertar o antigo monarca”. Nenhum sinal de uma possível conspiração foi encontrado, embora os checos tenham tomado a cidade oito dias depois da execução da família imperial.

Na Rússia pós-soviética, a investigação sobre a execução do último czar e sua família chegou à conclusão de que a ordem foi dada pelas autoridades locais dos Urais. Não há qualquer documento evidenciando que Vladimir Lênin ou outro dos líderes bolcheviques estavam interessados na execução do czar. Alguns historiadores argumentam que Moscou queria organizar um julgamento para o último imperador.

Ao mesmo tempo, alguns dos envolvidos no crime disseram que, na véspera do assassinato, receberam um telegrama codificado de Moscou, ordenando a morte do czar, mas não de toda a sua família. As crianças deveriam ser poupadas. Matar todos os Romanov teria sido uma iniciativa do governo soviético local, cujos membros eram muito mais radicais do que os do Kremlin.

A princípio, as autoridades apenas reportaram a morte de Nicolau II. Por algum tempo, a informação oficial era a de que a família tinha sido evacuada de Iekaterinburgo e enviada para longe do caos da guerra civil russa. Só no início da década de 1920 que os detalhes da execução foram expostos, quando os envolvidos confessaram.

É difícil de acreditar, mas o povo russo não ficou muito abalado com a notícia da morte do czar. Nicolau II não era popular. De acordo com alguns historiadores, depois da queda da monarquia, as autoridades receberam muitas cartas da população, pedindo a morte do imperador. A única reação significativa veio do líder da Igreja Ortodoxa, o Patriarca Tikhon, que condenou abertamente o assassinato.

A pessoa responsável pela execução, Yakov Yurovsky (foto acima), afirmou ser o autor do tiro que matou o czar. Em 1920 ele pessoalmente entregou as joias que pertenciam à família imperial a Moscou. Conseguiu alguns cargos importantes no novo Estado Bolchevique, morrendo em 1938 – não devido ao grande expurgo de Stalin – mas por causa de uma úlcera no estômago…

A casa onde a família do czar foi executada foi demolida em 1977, quando o governo regional era liderado pelo futuro presidente, Boris Yeltsin. Mais tarde, uma Igreja foi construída no local, que hoje é um ponto de peregrinação.

A casa sendo demolida

A igreja construída no mesmo lugar

 

 

 

 

 

Fontes:

Wikipedia

rainhastragicas.com

observador.pt

vejaonline.com.br

folha.uol.com.br

 

 

A história esquecida do 1º barão negro do Brasil Império, senhor de mil escravos

Um próspero fazendeiro e banqueiro do Brasil nos tempos do Império, dono de imensas fazendas de café, centenas de escravos, empresas, palácios, estradas de ferro, usina hidrelétrica e, para completar a cereja do bolo, de um título de barão concedido pela própria Princesa Isabel. A biografia do empresário mineiro Francisco Paulo de Almeida, o Barão de Guaraciaba, não seria muito diferente de outros nobres da época não fosse um detalhe importante: ele era negro em um país de escravos.

Almeida fazia parte de um pequeno grupo de mestiços de origem africana que conseguiram ascender financeira e socialmente

No ano em que a Lei Áurea completa 130 anos, vale a pena conhecer a trajetória do primeiro e mais bem-sucedido barão negro do Império, um personagem praticamente desconhecido na História do Brasil. Empreendedor de mão cheia e com grande visão de negócios em um país ainda essencialmente agrário, ele tem uma trajetória que lembra a de outro barão empreendedor do Império, este bem mais famoso: o Barão de Mauá.

Com um patrimônio acumulado de 700 mil contos de réis, que garantia ao dono status de bilionário na época em que viveu, Almeida nasceu em Lagoa Dourada, na época um arraial próximo a São João del Rei, no interior de Minas Gerais, em 1826.

A origem da sua família é pouco conhecida. Filho de um modesto comerciante local chamado Antônio José de Almeida, na certidão de batismo consta como nome da mãe apenas “Palolina”, que teria sido uma escrava. “Infelizmente não sabemos o destino de Palolina e a quem ela pertencia, mas, sim, ela era escrava”, afirma o historiador Carlos Alberto Dias Ferreira, autor do livro Barão de Guaraciaba – Um Negro no Brasil Império.

Na época do Brasil Império, 1 saca de café era comprada por 12 mil-réis e um escravo comum era cotado a 350 mil-réis. Os escravos que eram hábeis em carpintaria, fundição maquinista etc., valiam 715 mil-réis.

Ainda na adolescência, Almeida começou a vida como ourives, fabricando botões e abotoadoras em sua terra natal, na região aurífera de Minas. Nos intervalos, tocava violino em enterros, onde recebia algumas moedas como pagamento e os tocos das velas que sobravam do funeral, que utilizava para estudar à noite. Por volta dos 15 anos, tornou-se tropeiro entre Minas e a Corte, no Rio de Janeiro.

Nessas idas e vindas, ganhou dinheiro comprando e vendendo gado, conheceu muitos fazendeiros e negociantes nos caminhos das tropas e começou a comprar terras na região de Valença, no interior fluminense, para plantar café. Após casar-se com dona Brasília Eugênia de Almeida, com quem teve 16 filhos, tornou-se sócio do seu sogro, que também era fazendeiro e negociante no Rio de Janeiro.

Certidão de batismo de um dos 16 filhos do barão: Com a morte do sogro, ele assumiu os negócios e sua fortuna disparou

Após a morte do sogro, assumiu todos os negócios e sua fortuna disparou: comprou sete fazendas de café espalhadas pelo Vale do Paraíba fluminense e interior de Minas. Apenas na fazenda Veneza, em Valença, possuía mais de 400 mil pés de café e cerca de 200 escravos. Levando-se em consideração que ele tinha outras áreas produtoras de café, o barão pode ter tido até mil escravos, segundo o historiador.

“Não se trata de uma contradição ele ter sido negro e dono de escravos, pois tinha consciência do período em que vivia e precisava de mão de obra para tocar suas fazendas. E a mão de obra disponível era a escrava”, explica Ferreira.

Imagem mostra uma das fazendas do barão, que teve cerca de mil escravos no conjunto de suas propriedades, o que o historiador não vê como contradição: “Essa era a mão de obra disponível”

Em sociedade com outros empreendedores com quem mantinha contato, Guaraciaba tornou-se banqueiro e fundou dois bancos: o Mercantil de Minas Gerais e o Banco de Crédito Real de Minas Gerais. A diversificação empresarial não parou por aí. Em um período em que as ferrovias começavam a rasgar o território nacional, participou da construção da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto (depois incorporada pela Rede Mineira de Viação), cujos trilhos passavam por suas propriedades, em Valença.

A ferrovia, que ligava Valença a Barra do Piraí e se tornou importante para escoar o café do Vale do Paraíba, foi inaugurada por D. Pedro 2º em 1883. Teriam começado aí as boas relações entre Guaraciaba e a família real, que culminariam na concessão do título de barão pela princesa Isabel, regente na ausência do pai, em 1887.

O título foi concedido por “merecimento e dignidade”, em especial pela dedicação de Guaraciaba à Santa Casa de Valença, onde foi provedor. Mas entrar para a nobreza tinha um custo fixo e tabelado pela Corte: 750 mil réis.

Sempre atento às oportunidades de negócios que chegavam com o progresso, Almeida foi sócio-fundador da primeira usina hidrelétrica do país, inaugurada em 1889, em Juiz de Fora (MG). A Companhia Mineira de Eletricidade, que construiu a usina, também foi responsável pela iluminação pública elétrica em Juiz de Fora. O barão, claro, foi um dos participantes e financiadores da modernidade que aumentou o conforto da população.

Antiga mansão do Barão de Guaraciaba, chamada de Palácio Amarelo, hoje é sede da Câmara Municipal de Petrópolis, no Rio de Janeiro

Dono de um estilo de vida condizente com a nobreza imperial, o Barão de Guaraciaba possuía uma confortável residência na Tijuca, no Rio de Janeiro, e outra em Petrópolis, destino de veraneio preferido dos ricos e da nobreza. Na cidade serrana construiu uma mansão que posteriormente foi chamada de Palácio Amarelo e que hoje abriga a Câmara Municipal. Também fazia diversas viagens para a Europa, principalmente para Paris, onde enviou seus filhos para estudar.

“Guaraciaba distinguiu-se por ter sido financeiramente o mais bem-sucedido negro do Brasil pré-republicano. Ele se tornou o primeiro barão negro do Império, notabilizando-se pela beneficência em favor das Santas Casas”, afirma a historiadora e escritora Mary Del Priore. Segundo ela, Almeida fazia parte de um pequeno grupo de mestiços de origem africana que conseguiram ascender financeira e socialmente.

Após a proclamação da República, Guaraciaba começou a se desfazer dos seus bens, mas viveu uma vida bastante confortável até sua morte

O preconceito da cor, porém, permanecia arraigado na sociedade brasileira, independentemente da posição financeira, diz Priore. Alguns desses empreendedores, a exemplo do Barão de Guaraciaba, conquistaram ou compraram seus títulos de nobreza junto ao Império, sendo por isso chamados na época de “barões de chocolate”, em alusão ao tom da pele.

“O sangue negro corria nas melhores famílias. Não faltavam casamentos de ‘barões de chocolate’ com brancas”, completa a historiadora.

Após a proclamação da República, Guaraciaba começou a se desfazer dos seus bens, mas viveu uma vida bastante confortável até morrer, na casa de uma das filhas, no Rio de Janeiro, em 1901, aos 75 anos. Seus herdeiros, inclusive alguns ex-escravos agraciados pelo dono e que permaneceram com o patrão após a alforria, receberam dinheiro e propriedades, e se espalharam pelos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

“Ele foi um grande empreendedor que acabou banqueiro, homem de negócios, fazendeiro e senhor de escravidão. É preciso empenho e coragem dos historiadores para estudar esses símbolos bem-sucedidos de mestiçagem”, diz Mary Del Priore, que resgata um pouco da história do Barão de Guaraciaba em seu livro Histórias da Gente Brasileira.

 

 

Fonte:

BBC Brasil