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Desejo pelo “herói salvador” não mudou desde Hitler

Movido pelo ódio, incapaz de estabelecer relacionamentos normais, Adolf Hitler parecia um líder improvável, contrário a debates políticos, e que, no entanto, conseguiu um apoio gigantesco. Como foi possível Hitler se tornar uma figura tão atraente para milhões de pessoas? Ele foi, sem sombra de dúvida, um criminoso de guerra sem precedentes na história mundial. Ainda assim, era capaz de exercer uma grande influência nas pessoas que encontrava.

No livro cuja capa exibo acima, e recomendo, o historiador e autor de documentários Laurence Rees analisa a natureza atrativa de Hitler, revelando o papel que seu suposto carisma desempenhou em seu sucesso. É uma análise muito interessante sobre o homem cuja mente esteve no centro do Terceiro Reich, no holocausto dos judeus e da Segunda Guerra Mundial.

O que há de similaridade entre a ascensão do Führer e os tempos em que vivemos hoje? Ora, são os mesmos elementos, aqueles que criam a conjuntura propícia para a ascensão de regimes totalitários. Crise econômica, violência urbana e instabilidade política. Quando isso acontece, as pessoas procuram por um herói salvador, alguém que tenha uma solução, que diga que a culpa é de outra pessoa, classe ou grupo.

Não estou aqui comparando – longe de mim querer igualar as pessoas abaixo com o líder nazista – mas o que o povo busca nos líderes como Trump, por exemplo, não é exatamente isso? Não é querer que eles tenham a solução, que digam que a culpa da crise econômica, da violência urbana e da instabilidade política no país, ou no mundo, é dos outros? Poderia citar tantos outros líderes carismáticos em cujos ombros a população colocou essa mesma responsabilidade: Ronald Reagan, Hugo Chavez, Cristina Kirchner, José Mujica, Berlusconi, etc etc…

Na Alemanha não foi diferente. “O desejo ardente pela salvação e redenção: nada disso mudou no mundo desde a morte de Hitler, em abril de 1945”, escreve o autor. Rees procurou compreender o fascínio que o líder alemão causava nas massas em rolos de filmes de arquivos da época, com discursos e aparições públicas.

As pessoas que ouviam os discursos de Hitler não estavam hipnotizadas. Elas estavam cientes do contexto, entendiam o que ele estava falando e concordavam com suas propostas. Você tinha de estar predisposto a acreditar no que ele dizia para poder vivenciar essa conexão.

Hitler foi o arquétipo do líder carismático. Não era um político “normal” – alguém que promete medidas como impostos menores ou melhor sistema de saúde -, mas quase um líder religioso, e se achava predestinado a algo grandioso. Antes, era um joão-ninguém, incapaz de participar de uma discussão intelectual e cheio de raiva e preconceito.

Mas, quando fazia discursos, suas fraquezas eram percebidas como qualidades. Eram a marca de um “grande homem” que vivia em um mundo à parte. As pessoas tinham a sensação de que lá estava um homem que não pensava em si próprio e em suas vantagens pessoais, mas somente no bem do povo.

Essa história é importante para nós hoje. Não apenas porque nos oferece “lições”, mas porque a História pode conter avisos.

Em uma crise econômica, milhões de pessoas decidiram se voltar para um líder pouco convencional que, na opinião deles, tinha “carisma”. Um líder que se conectava com seus medos, esperanças e desejo latente de culpar os outros pela situação difícil que viviam.

O resultado disso foi desastroso.

Tem gente hoje que parece querer escolher o mesmo caminho.

 

 

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Coisas que ninguém nunca me contou…

Então… A vida é complicada, e isso todo mundo já percebeu – até os irmãozinhos caçulas quando têm que enfrentar o irmão mais velho… Mar de rosas? Só para alguns, tipo aqueles senhores de terno de tecido brilhante e cabelo pintado, com um séquito de seguidores (puxa-sacos?) atrás, bradando aos quatro ventos que “rouba, mas faz”. Se bem que, hoje em dia, até esses senhores correm o risco de perder essa boquinha.

Seja como for, a vida é complicada e quase ninguém tem a ousadia de nos dizer a verdade, nua e crua. Mas a gente precisa ouvi-la, de vez em quando. Descobri no site “Stuff no one Told Me” um cara que fez isso. Sabe que as coisas que ele fala nos fazem pensar?

Confira algumas delas!

Os mais durões são muitas vezes os que mais precisam de afeto.
Você não TEM que participar da sacanagem de ninguém.
De vez em quando é bom ter preguiça.
Não é coincidência que as pessoas mais admiráveis são também as mais modestas. ““Não fiz nada de importante na vida, mas vou ficar me gabando nas próximas horas, cara!”
Confie nos seus instintos. “Estou com aquele pressentimento estranho de novo…”
Não se leve muito a sério.
As mulheres têm tanto tesão quanto os homens. Acontece que elas sabem disfarçar melhor.
Esteja aberto às coisas novas. “Em 1441. A imprensa vai acabar com tudo!” “Hoje em dia. A internet vai acabar com a cultura!”
Não esconda nada e então não terá nada a esconder. ““…e essa é minha coleção de pornô anal…”
Pessoas que ferram qualquer um, vão mais que provavelmente pisar na sua cabeça pra ferrar qualquer um. Afaste-as da sua vida.
Algumas pessoas acham normal te julgar… tente não ser como elas. E ignore essas pessoas.
Ninguém se importa com as duas semanas que você “morou” nos Estados Unidos/Europa/Ásia… Pare de ficar se gabando. “Na Europa, as pessoas peidam por trás!”
Ser bem sucedido tem significado diferente para cada um. Respeite isso.
Às vezes, “vai se foder” é a melhor resposta. Mas nem sempre… infelizmente.
Não espalhe sua raiva pela internet, fazer isso é uma coisa idiota e todos vão poder dizer que você faz isso porque tem um pinto pequeno.
Você não é tão estranho quanto acha que é… Todo mundo se sente diferente dos outros.
Não dá pra se livrar de todos os seus medos… Mas dá pra aprender a viver com eles. “Quer mais chá?”
Algumas vezes, desistir é a decisão mais corajosa.
Pensar demais pode te levar a conclusões equivocadas. “Eu te amo!” “Que merda você fez agora?”
Ninguém fica contando quantas vezes você fez merda na vida… Então, relaxa, porra!
Quando a maioria dos botecos está mais limpa do que a sua casa, é hora de fazer uma limpeza… ou de ir para os botecos.
“Oi”é a palavra mais poderosa contra solidão. “Oi!”
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Estes são os carros que Usain Bolt deixaria para trás numa arrancada de 100 metros

Vimos Usain Bolt fazer história durante as Olimpíadas do Rio. Mas, como se não bastasse, ele é recordista mundial nos 100 metros rasos, nos 200 metros e no revezamento 4×100. Quer dizer, é o homem mais rápido do mundo… Na corrida em que quebrou o recorde mundial dos 100 metros, Bolt completou a prova em 9,58 segundos, o que dá uma média de 37,5 km/h. Mas isso não é o mais impressionante.

Como se sabe, a prova dos 100 metros rasos inicia com os corredores posicionados em um bloco de largada, ou seja, com velocidade zero. Isso significa que Usain Bolt atinge uma velocidade bem maior que os 37,5 km/h da média. Quanto? Nada menos que 44,72 km/h. Impressionante? Pois saiba que essa velocidade não é atingida no final da corrida, e sim na marca dos 80 metros. Isso significa que Usain Bolt atinge 45 km/h em 7,8 segundos, de acordo com a medição oficial do Mundial de Atletismo de 2009, realizado em Berlim.

Se isso não parece muito, saiba que essa é uma aceleração média muito próxima a de alguns carros. Quer um exemplo? O Chevette 1.4 dos anos 1970 vai de zero a 100 km/h em 17 segundos, o que resulta em uma aceleração média de 1,63 m/s².

Como Bolt precisou de apenas 7,8 segundos para chegar aos 45 km/h, a aceleração média do atleta foi de impressionantes 1,61 m/s². Se Usain Bolt conseguisse chegar aos 100 km/h, provavelmente chegaria à essa marca junto com o Chevettinho.

Outro carro que chega junto com Bolt é o atual Fiat Uno 1.0, que tem seu tempo de aceleração divulgado de 14 segundos, mas leva cerca de 17 segundos, conforme testes da imprensa brasileira. O Fiat Qubo 1.4 Natural Power vendido na Europa é outro modelo que precisa de pouco mais de 19 segundos para chegar aos 100 km/h. Movido a gás, sua aceleração média é de 1,42 m/s², o que significa que ele chegaria aos 45 km/h de Bolt em 8,73. Perderia para o astro do atletismo!

Além destes dois, alguns carros simplesmente perderiam uma hipotética prova de 100 metros contra Usain Bolt. O clássico Karmann-Ghia 1500, por exemplo, tem uma aceleração média de 1,07 m/s² (zero a 100 km/h em 26 segundos!), o que significa que levaria 11 segundos para chegar aos 45 km/h que Bolt atinge em 7,8 s.

Na verdade, praticamente todos os Volkswagen a ar perderiam para o jamaicano – até mesmo a Kombi 1600 do início da década passada, que precisava entre 21 e 23 segundos para chegar aos 100 km/h, o que resulta em uma aceleração média de 1,2 a 1,3 m/s². Com isso, ela chega aos 45 km/h na casa dos 10 segundos. A essa altura, Usain Bolt já está descalço fazendo seu raio da vitória.

Os dois primeiros Mini também entram na lista. Mesmo sendo leves e diminutos, a aceleração dos carros não ajudaria a superar Usain Bolt. O Mini Mk1 850 tem uma aceleração média de modestos 0,95 m/s², enquanto seu irmão mais valente, o Mk1 997, consegue uma marca de 1,55 m/s². O primeiro levaria 13 segundos para chegar aos 45 km/h, enquanto que o segundo precisaria de 8 segundos, chegando bem perto do corredor.

Entre os carros mais modernos que perderiam a corrida para Usain Bolt, também podemos incluir o Tata Nano e o smart ForTwo a diesel (cara, quem aprovou essa ideia?). Com aceleração de zero a 100 km/h em 24 segundos, o indiano Tata tem uma aceleração média de 1,16 m/s², precisando de 10,7 segundos para chegar aos 45 km/h. O alemãozinho bebedor de óleo é mais esperto: com aceleração média de 1,56 m/s², ele chegaria aos 45 km/h em 7,9 segundos. Só com photo finish para definir…

Por último, você talvez conheça aqueles kei cars * europeus que podem ser dirigidos sem habilitação, os VSP . Todos eles têm velocidade máxima de 45 km/h, exatamente a velocidade que Usain Bolt atingiu em seu recorde mundial. Nessa categoria também podemos incluir o Renault Twizy 45. Mas este seria um páreo duro para Bolt: com o torque instantâneo do motor elétrico, o carrinho chega aos 45 km/h em 6 segundos.

Logicamente, a comparação entre Usain Bolt e os carros é meramente teórica: afinal, estamos falando de aceleração média, e a aceleração do mundo real — dos carros e de Bolt — não é constante, dependendo de uma série de fatores, dentre os quais a tração, relação de marchas, velocidade de trocas (se necessário), momento de inércia e velocidade/direção do vento.

Estes foram somente alguns carros que perderiam para Usain Bolt em uma corrida de 100 metros. Com base no cálculo da aceleração média, qualquer carro que leva mais de 17,2 segundos para acelerar de zero a 100 km/h perderia essa arrancada contra o herói jamaicano.

 

 

 

*Os kei cars, também conhecidos como keijidōsha (veículo a motor leve), é uma categoria japonesa de carros porte mini que gozam de vantagens tributárias e securitárias. Esse tipo de categoria de carros surgiu após a Segunda Guerra Mundial, como um incentivo do governo para reconstruir a indústria automobilística do país, e perdura até os dias de hoje, com algumas modificações ao longo do tempo. O blog O Treco Certo falará disso em outro post, é muito interessante.

 

Fonte:

 

Flatout.com.br

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10 animais recrutados para a guerra

Os seres humanos têm recrutado animais para ajudar a combater as suas batalhas há muito tempo, e os militares de hoje usam uma gama ainda maior de criaturas para todo tipo de tarefa. Isso pode parecer estranho, considerando que cães, cavalos e outros animais certamente não evoluíram para essa finalidade. No entanto, a natureza certamente não só foi útil como também inspirou os engenheiros a criarem imitações mecânicas.

Observe na lista abaixo algumas das criaturas que se tornaram recrutas inconscientemente, tanto nas antigas quanto nas modernas guerras.

10) Bombas de morcego

Os mamíferos voadores tornaram-se parte de um experimento bizarro durante a Segunda Guerra Mundial. Um cirurgião-dentista americano propôs anexar minúsculas bombas incendiárias a morcegos. Dessa forma, as criaturas incendiariam as cidades japonesas quando voassem para alojarem-se nos telhados de edifícios. Mas a ideia fracassou logo após ter recebido aprovação do presidente Roosevelt. Muitos morcegos não cooperativos simplesmente caíram no chão como pedras ou voaram para longe, apesar do exército americano ter testado 6.000 mamíferos em seus experimentos. Ainda assim, as bombas-morcego conseguiram atear fogo a uma aldeia simulada japonesa, um hangar do exército americano e um carro. Atualmente, os cientistas estudam como a mecânica de voo do morcego poderia inspirar futuros modelos de aeronaves e robôs-espiões.

9) Cavalaria de camelos

Camelos foram muito utilizados no deserto do Norte de África e do Oriente Médio durante os tempos antigos, dada a sua capacidade de sobreviver em condições duras e muitas vezes sem água. O cheiro dos camelos teria causado medo à cavalaria do inimigo, mesmo que eles não fossem tão úteis em um choque de tropas. Alguns povos equipavam seus camelos com armaduras, artilharia, etc. Mas eles não se saíam tão bem fora de seus limites naturais, onde os cavalos se tornaram os preferidos para montaria em batalhas. O papel de combate dos camelos diminuiu rapidamente com o desenvolvimento de armas de fogo em 1700 e 1800, mas ainda foi útil em algumas situações, como para as forças árabes durante a Primeira Guerra Mundial.

8 ) Abelhas zangadas

Abelhas com seus ferrões podem ser armas poderosas quando provocadas. Antigos gregos e romanos as usaram para deter tropas inimigas, catapultando colmeias inteiras em cima delas.  Uma utilização mais direta de abelhas furiosas ocorreu durante os cercos em castelos na Idade Média, bem como durante a Primeira Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã.

7) Patrulha de leões marinhos

Leões marinhos têm uma visão excelente mesmo com pouca luz, ouvem bem debaixo d’água, podem nadar a 40 km/h e fazem mergulhos repetidos de até 300 m. A Marinha americana os treina para localizarem e marcarem minas. Um cinto especial atado aos leões marinhos carrega câmeras de vídeo que fornecem uma visão do fundo do mar ao vivo.

6) Pombos-correio

Os pombos estiveram entregando mensagens durante a maior parte da história humana, por causa de suas habilidades de navegação, que lhes permitem voltar para casa depois de viajar centenas de quilômetros. E ganharam muita fama militar durante a Primeira Guerra Mundial, quando as forças aliadas usaram cerca de 200.000 deles. Um pombo chamado Cher Ami ganhou um prêmio francês pela entrega de 12 mensagens (sendo que a última foi entregue mesmo após o coitado ter sofrido ferimentos graves de bala) além de ter sido creditado por salvar um batalhão americano perdido, e que havia sido cercado por forças alemãs. Outro grupo de 32 pombos ganhou uma medalha britânica durante a invasão do Dia D na Segunda Guerra Mundial, quando os soldados aliados fizeram silêncio no rádio e usaram os pombos para transmitir mensagens. Hoje, por causa dos avanços tecnológicos em comunicação, os pombos se aposentaram do serviço militar.

5) Golfinhos da Marinha

Os golfinhos têm servido, ao lado de leões-marinhos, patrulhando os mares desde 1960. Seu sistema de sonar sofisticado pode ser usado para pesquisa de minas com base no conceito de ecolocalização. Um golfinho envia uma série de “cliques” que são refletidos pelos objetos e retornam para o golfinho, permitindo que eles obtenham uma imagem mental do objeto. Dessa forma, eles comunicam ao seu manipulador humano, usando o mecanismo de resposta “sim ou não”. O manipulador acompanha a resposta, e pode, se receber um “sim”, enviar o golfinho para marcar o local do objeto com uma boia. Essa habilidade de marcar minas foi útil tanto durante a Guerra do Golfo quanto na Guerra do Iraque. Golfinhos também podem marcar nadadores inimigos, mas a Marinha americana nega rumores sobre treinar golfinhos para usar armas contra humanos…

4) Elefantes de guerra

Os maiores mamíferos terrestres deixaram sua marca na guerra como criaturas capazes de devastar formações de tropas inimigas. Os elefantes podem atropelar os soldados, perfurá-los e até mesmo lançá-los para longe com suas trombas. Antigos reinos na Índia podem ter sido os primeiros a domar elefantes, mas essa prática logo se espalhou para os persas, gregos, cartagineses e romanos. Os cavalos temem a visão e o cheiro dos elefantes, e os soldados também tiveram que lidar com o terror psicológico de enfrentar os enormes animais. O advento de canhões no campo de batalha acabou com seu papel em combates, e eles foram usados para transporte de carga e de materiais até a Primeira Guerra Mundial.

3) Mulas militares
Mulas têm desempenhado um papel crucial nas guerras, carregando alimentos, armas e outros suprimentos necessários, e se tornaram preferência para o transporte de cargas devido à sua maior resistência. Várias legiões e exércitos usaram mulas, e elas continuam a ser úteis até hoje, como nas forças especiais americanas, onde fuzileiros navais e soldados dependem dos animais para abastecer postos remotos nas montanhas do Afeganistão.
2) Cachorros de guerra

Os cães participam de guerras há anos. As raças grandes serviram como cães de guerra no campo de batalha e como sentinelas para diversos povos. Os romanos equiparam alguns dos seus cães com coleiras perfurantes e armaduras, e os conquistadores espanhóis também utilizaram cães armados durante a conquista da América do Sul. A guerra moderna reduziu seu papel para mensageiros, farejadores, batedores e sentinelas. Os militares americanos treinaram seus cães como farejadores para trabalhar no Iraque e no Afeganistão.

1) Cavalos

Talvez nenhum outro animal tenha desempenhado um papel tão grande na história da guerra como o cavalo. Os homens os domesticaram há muito tempo, e logo foi usado nas guerras em grande escala. Os antigos egípcios e chineses usavam cavalos puxando charretes como plataformas estáveis para lutar, antes da invenção de uma sela eficaz. A estabilidade proporcionada pela combinação de sela e estribo permitiu que os mongóis lutassem eficientemente e disparassem flechas de cima dos cavalos, o que os ajudou a conquistar a maior parte do mundo conhecido de então. E a utilização de cavalos de combate veio até a era da guerra moderna, quando os tanques e metralhadoras entraram na briga.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Hypescience.com

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Leon Eliachar, o cairoca

Leon Eliachar nasceu na cidade do Cairo, no Egito, no dia 12 de outubro de 1922. Veio muito pequeno para o Brasil e se tornou um dos melhores jornalistas de humor da imprensa, após ter atingido a idade da razão — ou do disparate, como costumava dizer.  Era tão brasileiro como qualquer brasileiro, embora conste que nunca tenha se naturalizado.

Jornalista desde os 19 anos de idade, trabalhou em diversos jornais e revistas, fixando-se, enfim, na “Última Hora” do Rio, onde, seguindo o exemplo de Aporelly (o Barão de Itararé) nos tempos de “A Manhã” com “A Manha”, mantinha uma página, às vezes reduzida a meia, com o título de “Penúltima Hora”. Justificava o nome da página com a legenda “Um jornal feito na véspera”. Colaborador (arrependido, segundo ele mesmo) dos roteiros de dois filmes carnavalescos, foi autor de programas de rádio e secretário da revista “Manchete”. Conheci seu trabalho pelos livros que publicou, como “O Homem ao Zero” ou “O Homem ao Quadrado”, que não apenas eram hilários, mas também extremamente criativos, usando e abusando dos recursos gráficos da época (1965, 1967) que poucos ousaram, nem mesmo atualmente.

Queria ler tudo dele, mas era difícil de achar. Pelo menos consegui guardar os dois livros que comprei, que mantenho até hoje como um tesouro de criatividade e de humor. Bem, essas linhas acima são da biografia do autor que todo mundo costuma fazer. Mas ele mesmo, um dia, escreveu sua autobiografia em 1960:

Biografia, por alto

Nasci no Cairo, fui criado no Rio; sou, portanto, “cairoca”. Tenho cabelos castanhos, cada vez menos castanhos e menos cabelos. Um metro e 71 de altura, 64 de peso, 84 de tórax (respirando, 91), 70 de cintura e 6,5 de barriga.

Em 1492, Colombo descobriu a América; em 1922, a América me descobriu. Sou brasileiro desde que cheguei (aos 10 meses de idade), mas oficialmente, há uns dois anos; passei 35 anos tratando da naturalização. Minha carreira de criança começou quando quebrei a cabeça, aos dois anos de idade; minha carreira de adulto, quando comecei a fazer humorismo (passei a quebrar a cabeça diariamente). Tive vários empregos: ajudante de balcão, ajudante de escritório, ajudante de diretor de cinema, ajudante de diretor de revista, ajudante de diretor de jornal. Um dia resolvi ajudar a mim mesmo sem a humilhação de ingressar na Política: comecei a fazer gracinhas fora da Câmara. Nunca me dei melhor. Meu maior sonho: ter uma casa de campo com piscina, um iate, um apartamento duplex, um corpo de secretárias, um helicóptero, uma conta no banco, uma praia particular e um “short”. Por enquanto, tenho o “short”.

Sou a favor do divórcio, a favor do desquite e a favor do casamento. Sem ser a favor deste último não poderia ser dos primeiros. Sou contra o jogo, o roubo, a corrupção e o golpe; se eu fosse candidato isso não deixaria de ser um grande golpe.

O que mais adoro: escrever cartas. O que mais detesto: pô-las no Correio. Minha cor preferida é a morena, algumas vezes a loura. Meu prato predileto é o prato fundo. O que mais aprecio nos homens: suas mulheres, e nas mulheres, as próprias. Acho a pena de morte uma pena.

Não sou superticioso, mas por via das dúvidas, evito o “s” depois do “r” nessa palavra. Se não fosse o que sou, gostaria de ser humorista. Trabalho 20 horas por dia, mas, felizmente, só uma vez por semana; nos outros dias, passo o tempo recusando propostas, inclusive de casamento. Acho que a mulher ideal é a que gosta da gente como a gente gostaria que ela gostasse; isso se a gente gostasse dela. Para a mulher, o homem ideal é o que quer casar. Mas deixa de ser ideal logo depois do casamento, quando o ideal seria que não deixasse. Mas isso não impede que eu seja, algum dia, um homem ideal.

Além de escrever sua autobiografia, Leon decidiu também escrever seu próprio Necrológio. 

NECROLÓGIO

O meu quem faz sou eu, que não sou bobo. Detesto a pressa dos jornalistas que querem fechar a página do jornal de qualquer maneira e acabam enchendo o espaço com os lugares-comuns do sentimentalismo. Nada de “coitadinho era um bom rapaz” nem que “era tão moço”, porque há muito deixei de ser um bom rapaz e nem sou tão moço assim. Quero que o meu necrológio seja sincero, porque de nada me valerá a vaidade depois de eu morrer… a não ser a vaidade de estar morto. Fui mau filho, mas isso não quer dizer que meus pais fossem melhores filhos que eu se fosse eu o pai. Não fui mau marido e acredito que seja porque não tivesse chance de ser, vontade não me faltou. Nunca roubei, nunca menti: esses os meus piores defeitos. Minha grande qualidade era ter todos os outros defeitos. Fui egoísta toda vida, como todo mundo, mas nunca revelei nada a ninguém, como todo mundo. Passei a vida tentando fazer os outros rirem de si mesmos: é possível que agora riam de mim. Fui valente e fui covarde, só tive medo de mim mesmo, o que prova a minha valentia. Nunca amei ao próximo como a mim mesmo, em compensação nunca ninguém me amou como eu mesmo. Tive milhões de complexos e venci-os todos, um por um, com exceção do complexo de morrer: esse morre comigo. Nunca dei nem tomei nada de ninguém, mas faço questão de deixar tudo o que não tenho para os que têm menos do que eu. Nunca cobicei a mulher do próximo: só a do afastado. Jamais entendi perfeitamente o que era o “bem” e o “mal”, embora a maioria das pessoas me achasse um homem de bem e este era o mal. Defendi a minha vida como pude, mas nunca arrisquei a vida para defendê-la. Nunca me preocupei com dinheiro, pois sempre tive pouco. Acreditei mais nos inimigos do que nos amigos, porque os amigos nem sempre se preocupam com a gente. Jamais tive um segredo, passei todos adiante Conquistei muitas mulheres, algumas com os olhos, outras com os lábios e outras com o braço. Tive pavor dos médicos, porque eles sempre descobrem as doenças que a gente nem sabia que tinha há tanto tempo. Me orgulho de ter vivido oitenta anos em apenas quarenta: finalmente me livrei dessa maldita insônia.

Leon Eliachar também deixou muitas outras pérolas, como seu famoso…

Dicionário de bolso:

– ADIAR – é essa atitude que estamos sempre tomando daqui a pouco.

– BUZINA – é esse ruído que irrita o motorista da frente quando o de trás já está irritado.

– CABOTINO – é esse sujeito que consegue transformar qualquer assunto numa auto-biografia.

– TÉCNICO – sujeito que se especializa em não entender nada de apenas uma matéria.

– ZAROLHO – sujeito que tira uma pequena para dançar e saem as duas.

– Datilógrapha conservadora é a que não se conphorma com a ortographia moderna.

– Dalitófraga estrábica é a que passa o dia inreito trocadno as lestra e as síbalas.

– Datilgfa pregç n/ precis nem compl as plavras.

– Datilógrafa de kolunixta çossial tem de comtar mezmu é com a revizãu.

Muitas vezes, ele ilustrava seus livros com piadas que dispensavam texto, como esta que fazia parte do capítulo sobre lápides (isso mesmo!), no livro “O Homem ao Zero”, de 1966. 

Esse foi Leon Eliachar, se você conseguir encontrar seus livros, recomendo. Cura qualquer mau humor.

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Fotos geniais de objetos do cotidiano

Quando você mantém um olhar que enxerga além do óbvio, sem censura – como o das crianças – percebe que sua criatividade vai longe. Há quem consiga fazer isso como adultos, e as fotos abaixo, mostradas no site francês Daily Geek Show, comprova a afirmação.

São objetos do cotidiano capturados sob ângulos inovadores e muito bem-humorados. Confira.

 

 

 

 

 

Fonte:

playground-inovacao.com.br

 

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“Afinal, o que é inteligência?”

isaac-asimov

Por Isaac Asimov, a melhor definição para inteligência.

Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos. A média era 100. Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal.

(Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police)…

Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E imaginava que as outras pessoas também achavam isso.

Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?

Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.

Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele estudava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos.

No fim, ele sempre consertava meu carro.

Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico. Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.

Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante.

Em um mundo onde não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras, e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou resolver alguma coisa complicada, eu me daria muito mal.

A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto, mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.

Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez. Ele adorava contar piadas.

Certa vez, ele levantou a cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:

“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de materiais de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e, com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro, negativamente, e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez, o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego que queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”

Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.

“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir!”

Enquanto meu mecânico gargalhava, ainda falou:

“Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”

“E muitos caíram?” perguntei, esperançoso.

“Alguns. Mas com você, eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.

“Ah é? Por quê?”

“Porque você tem muito estudo, doutor, sabia que não seria muito esperto”

E algo dentro de mim me disse que ele tinha alguma razão…

 

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Isaac Asimov (1920-1992) foi um escritor e bioquímico russo, naturalizado americano, responsável por diversas obras de ficção e divulgação científica. Asimov escreveu e revisou mais de 500 obras ao longo de sua vida, além de cerca de 90 mil cartas.

A sua obra mais famosa é a série Fundação, referida muitas vezes como Trilogia da Fundação. Apesar disso, o conto I, Robot” (“Eu, Robô”) ficou em evidência graças ao filme de mesmo nome, estrelado por Will Smith.

Com uma visão muito além da sua época, Asimov é considerado por muitos especialistas um dos autores mais produtivos de todos os tempos. A área da robótica era uma das mais exploradas pelo escritor, e ele acertou em muitas de suas previsões a respeito das tecnologias que temos hoje.

Por ser escritor de ficção científica, muito do que Asimov falava em sua época era considerado um absurdo, apenas fantasia de uma mente criativa. No entanto, o autor previu o surgimento de várias tecnologias utilizadas nos dias de hoje.

Em 1988,  ele deu uma ideia de como seria a propagação do conhecimento no futuro. O modelo descrito por ele nada mais é do que a internet como conhecemos hoje. Nas palavras do autor: “[…]Uma vez que tenhamos computadores em casa, cada um deles ligado a bibliotecas enormes, qualquer pessoa pode fazer perguntas e ter respostas, obter materiais de referência sobre qualquer assunto em que esteja interessada em saber.”.

Qualquer semelhança da descrição acima com a Wikipédia e vários outros serviços da internet não é uma mera coincidência…

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

awebic.com

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Esse artefato de 2 mil anos é o objeto mais misterioso da história

Se não fosse uma forte tempestade na ilha grega de Anticítera, há pouco mais de um século, um dos objetos mais desconcertantes e complexos do mundo antigo jamais teria sido descoberto.

Frágil, intrigante e cheio de surpresas: item 15.087 do Museu Arqueológico Nacional em Atenas
Frágil, intrigante e cheio de surpresas: item 15.087 do Museu Arqueológico Nacional em Atenas

Após buscar abrigo na ilha, um grupo de catadores de esponjas marinhas decidiu ver se dava sorte naquelas águas. Eles acabaram encontrando os restos de uma galé romana que havia naufragado havia 2 mil anos, quando o Império Romano começou a conquistar as colônias gregas no Mediterrâneo. Nas areias do fundo do mar, a 42 metros de profundidade, estava a maior reunião de tesouros gregos encontrada até então .

Um tesouro no fundo do Mediterrâneo
Um tesouro no fundo do Mediterrâneo
Obras incomparáveis que sobreviveram ao saque por romanos e à ação da água
Obras incomparáveis que sobreviveram ao saque por romanos e à ação da água

Entre belas estátuas de cobre e mármore estava o objeto mais intrigante da história da tecnologia. Trata-se de um instrumento de bronze corroído, do tamanho de um laptop, feito há 2 mil anos na Grécia antiga. É conhecido como máquina (ou mecanismo) de Anticítera. E mostrou ser uma espécie de máquina do futuro.

No começo, as peças, cobertas por uma crosta e unidas após passar 2 mil anos no leito do mar, ficaram esquecidas. Mas um olhar atento mostrou que eram objetos feitos com esmero, engrenagens talhadas à mão. O mecanismo foi examinado em 1902, e estava em vários pedaços. Havia rodas denteadas de diferentes tamanhos com dentes triangulares cortados de forma precisa. O artefato parecia um relógio, mas isso era pouco provável porque se acreditava que relógios mecânicos só passaram a ser usados amplamente muito mais tarde.

“Se não tivessem descoberto a máquina em 1900, ninguém teria imaginado, ou nem mesmo acreditado, que algo assim existia, pois é muito sofisticada”, disse o matemático Tony Freeth, da Universidade de Cardiff.

No começo o artefato não dizia nada aos cientistas, mas eles logo notaram que as peças traziam marcas e inscrições
No começo o artefato não dizia nada aos cientistas, mas eles logo notaram que as peças traziam marcas e inscrições

É um mecanismo de genialidade surpreendente, e foram cerca de 1.500 anos até algo parecido com a máquina de Anticítera voltar a aparecer , na forma dos primeiros relógios mecânicos astronômicos, na Europa.

Mas essas são as conclusões da história: entender o que era o misterioso objeto tomou tempo, conhecimento e esforço.

Vanguarda

O primeiro a analisar em detalhes os 82 fragmentos recuperados foi o físico inglês Derek John de Solla Price (1922-1983). Ele começou o trabalho nos anos 1950 e em 1971, juntamente com o físico nuclear grego Charalampos Karakalos, fez imagens das peças com raios-X e raios gama. Eles descobriram que o mecanismo era extremamente complexo, com 27 rodas de engrenagem em seu interior .

A primeira surpresa: o mecanismo era formado por 27 engrenagens
A primeira surpresa: o mecanismo era formado por 27 engrenagens

Os especialistas conseguiram datar algumas outras peças com precisão, entre os anos 70 A.C. e 50 A.C. Mas um objeto tão extraordinário não podia ser daquela época, pensavam os especialistas. Talvez fosse mais moderno e tivesse caído no mesmo local por casualidade…

127 e 235 dentes

Price deduziu que contar os dentes em cada roda poderia fornecer pistas sobre as funções da máquina. Com imagens bidimensionais, as rodas se sobrepunham, o que dificultava a tarefa, mas ele conseguiu chegar a dois números: 127 e 235. Números que, segundo o astrônomo Mike Edmunds, eram muito importantes na Grécia antiga.

Seria possível que os gregos antigos estivessem usando a máquina para seguir o movimento da Lua?

Números que começaram a surgir coincidiam com os conhecimentos dos gregos da época
Números que começaram a surgir coincidiam com os conhecimentos dos gregos da época

A ideia era revolucionária e tão avançada que Price chegou a questionar a autenticidade daquele objeto. “Se cientistas gregos antigos podiam produzir esses sistemas de engrenagens há dois milênios, toda a história da tecnologia do Ocidente teria que ser reescrita”, diz o matemático Freeth.

Mecanização do conhecimento?

A cultura grega de dois milênios atrás é uma das mais criativas da humanidade, e os investigadores daquele objeto não questionavam o desenvolvimento da civilização grega, inclusive na astronomia.

Os gregos antigos sabiam muito sobre os corpos celestes, por mais complicadas que fossem suas órbitas
Os gregos antigos sabiam muito sobre os corpos celestes, por mais complicadas que fossem suas órbitas

Os gregos sabiam, por exemplo, como os corpos celestes se moviam no espaço, podiam calcular suas distâncias da Terra e a geometria de suas órbitas. Mas teriam sido capazes de fundir astronomia e matemática em um artefato e programá-lo para seguir o movimento da Lua?

O número 235 que Price havia encontrado era a chave do mecanismo para computar os ciclos da Lua .

“Os gregos sabiam que de uma nova Lua a outra se passavam, em média, 29,5 dias. Mas isso era problemático para seu calendário de 12 meses no ano, porque 12 x 29,5 = 354 dias, 11 dias a menos do que o necessário”, afirmou Alexander Jones, historiador especializado em astronomia antiga. ” O ano natural, com as estações, e o ano-calendário perderiam a sincronia.”

As contas não fechavam se apenas um ano solar fosse levado em conta, mas em um ciclo de 19 anos...
As contas não fechavam se apenas um ano solar fosse levado em conta, mas em um ciclo de 19 anos…

Os gregos, contudo, sabiam que 19 anos solares são exatamente 235 meses lunares, o chamado ciclo Metônico. Isso significa que, se você tem um ciclo de 19 anos, a longo prazo seu calendário estará em perfeita sintonia com as estações.

O ciclo Metônico foi identificado em um dos fragmentos da máquina de Anticítera…

Revoluções

Graças aos dentes das engrenagens, a máquina começou a revelar seus segredos. As fases da Lua eram extremamente úteis na época dos gregos antigos. De acordo com elas, eles determinavam as épocas de plantio, estratégias de batalha, festas religiosas, momentos de pagar dívidas e autorizações para viagens noturnas.

O outro número, 127, serviu para Price entender outra função da máquina relacionada com nosso satélite natural: o aparelho também mostrava as revoluções da Lua ao redor da TerraApós 20 anos de investigação intensa, Price concluiu que havia desvendado aquele artefato.

Mas ainda havia peças do quebra-cabeças por encaixar.

Engrenagens identificadas pelos cientistas não estavam encaixadas, e montar o quebra-cabeças demandou muito trabalho
Engrenagens identificadas pelos cientistas não estavam encaixadas, e montar o quebra-cabeças demandou muito trabalho

O futuro 223

O passo seguinte demandou tecnologia feita sob encomenda para aquele desafio. Uma equipe internacional dedicada a estudar a máquina conseguiu convencer o engenheiro de raios-X Roger Hadland a criar um equipamento especial para fazer imagens do mecanismo.

E, usando outro aparelho que havia realçado os escritos que cobrem boa parte dos fragmentos, encontraram uma referência às engrenagens e a outro número chave: 223.

Três séculos antes da idade de ouro de Atenas, astrônomos babilônios antigos descobriram que 223 luas após um eclipse (cerca de 18 meses e 11 dias, período conhecido como ciclo Saros), a Lua e a Terra voltavam para a mesma posição, de modo a provavelmente produzir outro eclipse.

Graças a milhões de tabelas com dados históricos que arquivaram ao longo do tempo, babilônios encontraram o padrão dos eclipses
Graças a milhões de tabelas com dados históricos que arquivaram ao longo do tempo, babilônios encontraram o padrão dos eclipses

“Quando havia um eclipse lunar, o rei babilônio deixava o posto e um substituto assumia o poder, de modo que os maus agouros fossem para ele. Logo, o substituto era morto e o rei voltava a assumir sua posição”, conta John Steele, especialista em Babilônia do Museu Britânico.

E 223 era o número de outra roda do mecanismo. A máquina de Anticítera podia prever eclipses . Não apenas o dia, mas a hora, direção da sombra e cor com a qual a Lua apareceria.

Informações sobre eclipses que pesquisadores encontraram na máquina de Anticítera são surpreendentemente sofisticadas
Informações sobre eclipses que pesquisadores encontraram na máquina de Anticítera são surpreendentemente sofisticadas

Tudo dependia da Lua

Como se tudo isso não fosse bastante, os pesquisadores descobriram outra maravilha. O ciclo Saros, uma interação repetitiva de 223 meses do Sol, da Terra e da Lua, dependia do padrão da Lua e “nada sobre a Lua é simples”, diz Freeth.

Não apenas a Lua tem a órbita elíptica – assim viaja mais rapidamente quando está mais perto da Terra -, mas essa elipse gira lentamente, em um período de 9 anos. Podia, então, a máquina de Anticítera rastrear o caminho flutuante da Lua?

Sim, podia: duas engrenagens menores, uma delas com uma pinça para regular a velocidade de rotação, replicavam com precisão o tempo de órbita da Lua, e outra, com 26 dentes e meio, compensava o deslocamento dessa órbita.

E, ao examinar o que sobrara da parte frontal do aparelho, os investigadores concluíram que ele tinha um planetário como os gregos entendiam o Universo naquele momento: a Terra no centro e cinco planetas ao redor.

O movimento dos cinco planetas que podiam ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno
O movimento dos cinco planetas que podiam ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno

” Era uma ideia extraordinária: pegar teorias científicas da época e mecanizá-las para ver o que aconteceria dias, meses e décadas depois”, diz o matemático.

Mistério dentro de um enigma

“Essencialmente, foi a primeira vez que a raça humana criou um computador”, acrescenta Freeth. “É incrível como um cientista daquela época descobriu como usar engrenagens para rastrear os complexos movimentos da Lua e dos planetas.”

Mas quem foi esse cientista?

Uma pista estava em outra função da máquina. O aparelho também previa a data exata dos Jogos Pan-Helênicos: quatro festivais separados que se realizavam periodicamente na Grécia Antiga: Jogos Olímpicos, ou de Olímpia, Jogos Píticos, Jogos Ístmicos e Jogos Nemeus.

O curioso é que, embora os Jogos de Olímpia tivessem mais prestígio, os Jogos Ístmicos, em Corinto, apareciam em letras maiores.

Chamava a atenção o destaque aos jogos que eram celebrados no istmo de Corinto a cada dois anos, em homenagem a Poseidon, deus grego do mar
Chamava a atenção o destaque aos jogos que eram celebrados no istmo de Corinto a cada dois anos, em homenagem a Poseidon, deus grego do mar

Os investigadores já tinham notado que os nomes dos meses que apareciam em outra engrenagem da máquina eram coríntios. As evidências sugeriam que o criador da máquina era um coríntio que vivia na colônia mais rica: Siracusa.

Siracusa era lar do mais brilhante dos matemáticos e engenheiros gregos: Arquimedes .

Trata-se, talvez, do cientista mais importante da Antiguidade clássica, que determinou a distância da Terra à Lua, descobriu como calcular o volume de uma esfera, o número fundamental π e havia garantido que moveria o mundo com apenas uma alavanca.

“Só um matemático brilhante como Arquimedes poderia ter desenhado a máquina de Anticítera”, opina Freeth.

Arquimedes: Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo.
Arquimedes: Deem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo.

Sabe-se que Arquimedes estava em Siracusa quando romanos conquistaram a cidade, e que o general Marco Claudio Marcelo havia ordenado que o cientista não fosse morto, mas um soldado acabou assassinando o matemático.

Siracusa foi saqueada e seus tesouros foram enviados a Roma. O general Marcelo levou consigo duas peças – ambas, diziam, eram de Arquimedes . Os investigadores acreditam que fossem versões anteriores da máquina.

Um indício está em uma descrição que o orador Cícero fez de uma das máquinas de Arquimedes que viu na casa do neto do general Marcelo:

“Arquimedes encontrou a maneira de representar com precisão, em apenas um aparato, os variados e divergentes movimentos dos cinco planetas com suas distintas velocidades, de modo que o mesmo eclipse ocorre no globo (planetário) e na realidade.”

Cícero descreveu um planetário semelhante ao da máquina de Anticítera
Cícero descreveu um planetário semelhante ao da máquina de Anticítera

Mas o que aconteceu com a brilhante tecnologia da máquina? Por que ela se perdeu?

Como tantas outras coisas, com a queda da civilização grega e, mais tarde, da romana, os conhecimentos “imigraram” para o Oriente, onde foram mantidos por bizantinos e árabes eruditos. O segundo artefato com engrenagens de bronze mais antigo é do século 5 e tem inscrições em árabe.

E, no século 8, os mouros levaram esses conhecimentos de volta à Europa.

Todas as peças para introduzir os conhecimentos em uma só máquina
Todas as peças para introduzir os conhecimentos em uma só máquina

Investigações anteriores apontaram que a máquina estava dentro de uma caixa de madeira que não sobreviveu ao tempo. Uma caixa que continha todo o conhecimento do planeta, do tempo, espaço e Universo.

“É um pouco intimidador saber que, logo antes da queda de sua grande civilização, os gregos antigos tinham chegado tão perto de nossa era, não apenas em pensamento mas na tecnologia científica”, disse Derek J. de Solla Price.

Os pesquisadores esperam agora criar um modelo por computador com o funcionamento da máquina, e com o tempo, desenvolver uma réplica funcional.

Surge a pergunta inevitável, o que mais estariam fazendo os gregos nessa época? Quanto ao seu valor histórico e seu caráter único, o mecanismo é até mais valioso do que Mona Lisa…

 

 

Fonte:

BBC

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Me, Tarzan

Outro dia estava relendo “A Volta de Tarzan”, publicada pela EBAL em 1974 e cujo exemplar guardo com carinho.

A história em quadrinhos, roteirizada e desenhada por Joe Kubert, foi baseada no romance escrito por Edgard Rice Burroughs em 1915 e adaptado dezenas de vezes em quadrinhos, em seriados de TV e no cinema.

Acho que o Tarzan do cinema mais conhecido até hoje foi um nadador que teve uma carreira excepcional, tendo conquistado cinco medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928. Ele estabeleceu 67 recordes mundiais de natação e ganhou 52 campeonatos nacionais, sendo considerado um dos melhores nadadores de todos os tempos.

Estou falando de Johnny Weissmuller, medalhista olímpico na natação, mas que ficou famoso por interpretar Tarzan no cinema, depois que se aposentou das piscinas. Ele é o dono do grito imortal:

Janos (Johann) Weiszmueller nasceu em 2 de junho de 1904 na cidade de Szabadfalu, na Romênia, cuja população era uma mistura de rumenos, austríacos, sérvios, húngaros e austríacos. Em 1905, os Weiszmueller tiveram outro filho, Petrus, que nasceu na Pensilvânia, nos Estados Unidos, para onde a família emigrara.

Aos doze anos de idade, Johnny saiu da escola pública e, para ajudar nas despesas da família, trabalhou como mensageiro de hotel e depois como ascensorista, frequentando, nas horas vagas, uma escola de natação. Em 1916, ele entrou para a equipe de natação da YMCA (Young Men’s Christian Association). Pouco tempo depois, encontrou o homem que mudaria sua vida: o técnico “Big Bill” Bachrach, principal treinador do Illinois Athletic Club de Chicago. Johnny começou seu treinamento sob as ordens de Bachrach em outubro de 1920, e se preparou para a Olimpíada.

Durante alguns meses de 1922 e todo o ano de 1923, Johnny venceu prova após prova. Na Olimpíada de 1924, Johnny Weissmuller ganhou medalhas de ouro nos 100 e 400 metros em estilo livre, e uma terceira medalha de ouro integrando a equipe de revezamento para os 800 metros.

No seu retorno aos Estados Unidos, ele descobriu que havia se tornado uma celebridade. Todo mundo queria conhecê-lo, desde o presidente americano até as maiores celebridades do país. Seu treinador vetou a maioria dos convites, mas como era fã de Douglas Fairbanks, aprovou uma visita ao estúdio da MGM.  Durante o almoço, Johnny foi apresentado a um homem chamado Sol Lesser, que o ignorou completamente. Lesser estava tentando convencer Fairbanks a realizar um filme baseado em Tarzan of the Jungle de Edgar Rice Burroughs, porém, Fairbanks não estava interessado.

Douglas Fairbanks era o ator americano mais popular na época

De repente, Fairbanks olhou para Johnny e disse: “E este rapaz? Seu nome é Johnny Weissmuller, ele é um ídolo nacional da natação, e até que se parece com Tarzan, você não acha?”. Lesser se virou e olhou pela primeira vez para Johnny. “Acho que não”, respondeu Lesser. “O que precisamos para este papel é de um astro!”. Assunto encerrado.

Na Olimpíada seguinte, de 1928, ele ganhou mais duas medalhas e nem teve tempo de curtir a fama. Mal chegou em casa e seu treinador o levou a uma competição no Japão. Os treinadores japoneses ficaram muito impressionados com o jovem nadador americano e lhe ofereceram um emprego como treinador de seus estudantes para a próxima Olimpíada, que se realizaria no Japão. Johnny recusou e os japoneses lhe disseram que ele iria se arrepender. Johnny deu uma risada e disse: “Veremos, meu amigo Buster Crabbe estará competindo e eu estou apostando nele”.

Buster Crabbe
Buster Crabbe

Na Olimpíada de 1932, Crabbe ganhou uma medalha de ouro, vencendo por apenas um décimo de segundo o campeão francês Jean Taris. Crabbe comentaria mais tarde que aquele um décimo de segundo mudou sua vida, porque – assim como acontecera com Weissmuller – foi graças à natação que ele foi para o cinema, ao ser contratado em 1933 para viver Tarzan no seriado Tarzan, o Destemido (Tarzan the Fearless).

O grande sucesso de Crabbe veio logo depois, ao estrelar o seriado “Flash Gordon” e mais tarde o explorador Buck Rogers, ambos pela Universal Pictures.

Voltando a Weissmuller, ele abandonou as piscinas e, finalmente, dedicou-se ao cinema, estrelando um longa-metragem de Tarzan antes ainda do seriado de seu amigo,  Tarzan, o Filho das Selvas (Tarzan, the Ape Man) em 1932. Hollywood decidira apostar na gigantesca popularidade que o ex-nadador conquistara.

Esse filme foi  foi rodado nos estúdios da MGM com todos os requisitos das produções classe “A”, tendo o departamento de som providenciado o célebre berro, os roteiristas um dialeto tarzânico e, para as cenas mais arriscadas nos cipós, haviam os trapezistas The Flying Codonas (Alfredo e Tony Codona). O roteiro guardava pouca semelhança com o Tarzan de Burroughs e omitia todas as referências à origem do Homem-Macaco, concentrando-se nas relações românticas entre ele e a jovem inglesa Jane Parker, interpretada por Maureen O’ Sullivan.

Jane Parker penetra na selva africana num safári, juntamente com seu pai e dois caçadores, em busca de um misterioso cemitério de elefantes. Tarzan rapta Jane e o safári é capturado por uma tribo de pigmeus. Tarzan vai resgatá-los – com a ajuda de uma manada de elefantes num final excitante. A combinação de Johnny Weissmuller e Maureen O’ Sullivan foi uma mágica absoluta. “Me Tarzan, You Jane” subitamente tornou-se uma expressão conhecida em todo o mundo (embora a verdadeira frase dita por Tarzan tivesse sido “Tarzan, Jane”).

Jane e Tarzan
Jane e Tarzan

Weissmuller interpretou o personagem em 12 filmes, e a derradeira personificação do herói de Burroughs deu-se em Tarzan e as Sereias ( Tarzan and the Mermaids) em 1948. Durante os entendimentos a respeito de novos filmes, Johnny pressionou o estúdio para receber uma participação nos lucros e os produtores  preferiram não renovar o contrato do ator, declarando que ele estava sem forma física para o papel.

O último filme de Tarzan com o antigo campeão olímpico de natação no papel.
O último filme de Tarzan com o antigo campeão olímpico de natação no papel.

Depois de Tarzan, ele interpretou com sucesso a personagem Jim das Selvas na série do mesmo nome, entre 1948 e 1955. Foram dezesseis filmes ao todo, com duração média de setenta minutos cada. Em 1955, a série transferiu-se para a TV, tendo sido feitos vinte e seis episódios de meia hora cada. Já envelhecido e obeso, Weissmuller tentava dar vida a uma personagem atlética e aventureira, e esse final melancólico marcou sua despedida das câmeras.

Jim das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Alex Raymond, o talentoso desenhista de Flash Gordon
Jim das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Alex Raymond, o talentoso desenhista de Flash Gordon

No final dos anos 1950, Weissmuller mudou-se para Chicago, onde fundou uma empresa de piscinas. Seguiram-se outros empreendimentos, a maioria envolvendo Tarzan ou a natação de uma forma ou de outra, mas sem grandes resultados. Aposentou-se em 1965 e, no ano seguinte, juntou-se aos ex-Tarzans Jock Mahoney e James Pierce para a campanha publicitária de lançamento da série de TV Tarzan, estrelada por Ron Ely.

Em 1967 sua imagem foi imortalizada na capa do LP Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

Ali está ele, atrás de Ringo e Paul.
Ali está ele, ao fundo, entre Ringo e Paul.

Morreu vítima de um edema pulmonar em Acapulco, no México, em 1984, onde vivia com a sexta esposa.