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A verdade por trás de fotos famosas e cartazes icônicos

Roberto Martínez, do jornal mexicano “El Universal”,  numa reportagem publicada em 2011, explica fatos curiosos que deram origem a algumas das fotos e pôsteres mais famosos do mundo. Por trás de uma foto, ou de um pôster, sempre há uma história que merece ser contada. Alguns deles se tornaram ícones da cultura mundial e, nessa reportagem, o jornalista conta essas histórias. Algumas delas eu resumi neste post, e também acrescentei outras informações. (O link da matéria original segue no final).

Almoço nas alturas

Essa talvez seja uma das fotos mais famosas de todos os tempos. Sempre chama a atenção, porque a maioria das pessoas pensa que é uma montagem. Por mais incrível que possa parecer, não é! Ela foi feita no 69º andar do antigo Edifício RCA em Nova York – hoje Edifício GE – em 1932 e os trabalhadores do prédio em construção tinham feito uma pausa para almoçar… O fotógrafo doidão que foi até lá no alto para fazer essa foto chamava-se Charles Ebbets.

I Want You

Lorde Kitchener era o Ministro da Guerra da Grã-Bretanha na I Guerra Mundial, e esse cartaz apareceu pela primeira vez em 5 de setembro de 1914, na porta do “London Opinion”. Durante esse mês, o país teve o maior número de voluntários de toda a guerra. A Comissão Parlamentar de Recrutamento obteve mais tarde permissão para utilizar o desenho em formato de pôster. Em 1916, Lord Kitchener morreu quando o navio de guerra que o levava para negociações na Rússia foi afundado por uma mina alemã. O dado curioso é que o cartaz se converteu em inspiração para o legendário Tio Sam.

Esse cartaz foi produzido por James Montgomery Flagg  e foi usado principalmente na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. A ideia era mostrar que o país queria e precisava dos jovens no exército norte-americano e que esse chamado era uma honra para quem o atendesse. Para criar a aparência do Tio Sam, Flagg se baseou em seu próprio rosto. Outro dado curioso é o significado de U. S. no cartaz. O ilustrador pretendia que significasse United States (Estados Unidos), mas o significado de “Uncle Sam” (Tio Sam) veio de uma brincadeira dos soldados e pegou: havia um fornecedor do exército chamado Samuel Wilson e vinha a sigla U.S. gravada nas caixas de alimentos desse fornecedor. Os soldados associaram o US das caixas ao apelido que davam ao fornecedor – “Lá vem mais uma caixa de latas de conserva do Uncle Sam!”.  Não demorou para que essa brincadeira se estendesse ao cartaz e que Uncle Sam passasse a representar o próprio governo americano.
Albert Einstein

A famosa foto do cientista de língua para fora foi feita em 14 de março de 1951 pelo fotógrafo da UPI Arthur Sasse. Depois de um evento em Princeton em honra a Einstein, em comemoração ao seu aniversário de 72 anos, Sasse e outros fotógrafos tentaram convencer o cientista a sorrir para a câmera. Cansado por causa do evento, dizem que ele se recusou, reclamando que já haviam tirado fotos demais. Como as palavras não “acalmaram” os fotógrafos, a reação do cientista foi ainda mais forte. Ele pôs a língua para fora, como se estivesse dando uma banana aos precursores dos atuais paparazzos. A informação curiosa é que Einstein gostou tanto da foto que recortou a imagem de modo que mostrasse apenas seu rosto. Logo fez várias cópias e enviou a imagem em cartões postais aos seus amigos.

Keep Calm

Uma das imagens mais populares atualmente nas redes sociais é aquela do “Keep Calm”, aquela da coroa sobre fundo vermelho.

Ela é tão popular que sofreu inúmeras paródias e interpretações, que certamente você já deve ter visto. Como os exemplos abaixo:

  

Mas sempre tive curiosidade de saber a origem desse cartaz. Fui pesquisar e descobri que, na primavera de 1939, época em que a Inglaterra se juntou às tropas aliadas para enfrentar o exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial, o governo inglês decidiu imprimir pôsteres para acalmar a população imersa em territórios tomados pelo conflito. A ideia era imprimir três cartazes que seguissem o mesmo padrão de design: duas cores, uma frase impressa em fonte elegante e um desenho da coroa do rei George VI, à frente do país na época. Três versões foram criadas, seguindo um planejamento que previa sua distribuição rapidamente.

Na primeira, as letras elegantes, a coroa e a frase eram: “Sua coragem, sua alegria e sua determinação vão nos trazer a vitória”.

Na segunda versão, o mesmo layout e a mensagem: “A liberdade está em perigo. Defenda-a com toda a sua força”.

Os dois primeiros pôsteres foram distribuídos em setembro do mesmo ano e rapidamente invadiram paredes e janelas de lojas e vagões de trem. A terceira versão, a de fundo vermelho reproduzida mais acima e que foi difundida nas redes sociais, não foi distribuída, apesar de impressa. Essa versão seria utilizada apenas em uma situação de crise (por exemplo, caso o país fosse invadido) e quer dizer “Mantenha-se calmo e siga em frente” (Keep calm and carry on). Como ocorreu a Invasão da Normandia, o pôster perdeu seu sentido original e acabou ficando esquecido.

Só em 2006 a dona de um sebo na Inglaterra encontrou uma cópia dele em meio a livros antigos e decidiu colocá-lo num quadro, pendurando-a na parede. Fez tanto sucesso que a dona da livraria fez diversas cópias do pôster e começou a vendê-lo. E foi assim que a frase ganhou o mundo.

O apelo dela se deve ao conselho que reproduz e que nunca envelhece:  mantenha-se calmo e siga em frente.

 
 
 
Fontes:
Revista Bula
Super Abril
Imperial War Museum
Wikipedia
 
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Afinal, os franceses tomam banho?

Há pouco tempo, um passageiro francês de origem argelina foi expulso de uma aeronave pouco antes de ela decolar. A tripulação e os passageiros se queixaram, dizendo que ele estava cheirando mal, mesmo o homem alegando que tinha passado um perfume Dior no Duty Free.

Esse evento me fez recordar os mitos sobre a França e os franceses, como o da baguete levada debaixo do braço, ou a  “ojeriza” do francês em não tomar banho, ou de serem grosseiros e mal educados.  Talvez o mais recorrente deles seja mesmo o de não gostarem de tomar banho. E, numa época em que todos se preocupam com a escassez de água para consumo, o assunto “banho + economia de água” é mais do que oportuno…

Quando visitei Paris pela primeira vez, há muitos anos, estranhei a pergunta quando fui reservar o quarto do hotel: “Com ou sem banho no quarto?” – perguntou-me a pessoa da reserva. Claro que pedi com banho, porque a única vez em que fiquei num hotel com chuveiro coletivo foi numa cidade do interior do Estado, quando estava na faculdade… O preço do quarto em Paris era muito mais caro “com banho”, e quando cheguei, notei uma banheira enorme, parecia uma piscina… E fiquei imaginando quanta água seria necessária para enchê-la. E decidi só tomar banho de ducha, mesmo.

Na Alemanha, a mesma coisa. A diferença é que não havia banheira, e o chuveiro funcionava com uma espécie de “timer”. A água saía por apenas alguns minutos, e se você não tivesse terminado até então, já era… Na primeira vez, a água acabou quando eu estava com o cabelo cheio de xampu…

A água é um bem bastante escasso em toda a Europa, especialmente quando se compara à teórica abundância que temos desse recurso no Brasil. Teórica porque a água que sobra para a população é mínima, dado o volume que é desperdiçado em vazamentos e a água que é poluída pelas indústrias e esgotos.

Voltando, o continente europeu vivia, há não muitas décadas, uma situação em que a água encanada servia apenas aos primeiros andares dos prédios, onde moravam os mais ricos. Os que moravam nos andares mais altos, os menos abonados, tinham que descer vários lances de escadas para buscar água em fontes públicas ou pagar pelos serviços dos entregadores do líquido a domicilio. Imagine então o sufoco de quem vivia ali para cozinhar, para lavar as roupas… E para tomar banho!

Acredito ser por isso que o banho diário não fizesse parte dos hábitos dos franceses, mas a “culpa” não poderia ser lançada toda sobre a falta de água. Havia ainda a herança cultural desde os tempos medievais, quando se acreditava que o banho provocasse descamação da pele, eliminando a proteção natural contra doenças. (Claro que esse pensamento não era exclusivo dos franceses, era uma crença espalhada por toda a Europa e levada às Américas pelos conquistadores espanhóis, ingleses e portugueses. Quando D. João VI e a família imperial chegaram ao Brasil em 1808, toda a corte ficou escandalizada ao ver os escravos e os índios tomando banho de mar com frequência, e acharam que eles deviam ter doenças de pele…).

Os médicos medievais achavam que a água, sobretudo quente, debilitava os órgãos, deixando o corpo exposto a insalubridades e que, se penetrasse através dos poros, podia transmitir todo tipo de doenças. Daí veio a ideia de que uma camada de sujeira protegia contra as doenças e que, portanto, o asseio pessoal devia ser realizado “a seco”, só com uma toalha limpa para esfregar as partes expostas do corpo.  Além disso, a Igreja condenava o banho por considerá-lo um luxo desnecessário e pecaminoso. E, como se sabe, o Estado mais poderoso daqueles tempos era aquele governado pelo Papa, e se ele falasse, estava falado…

As coisas não melhoraram muito no campo da higiene com o passar dos séculos. No suntuoso Palácio de Versalhes, por exemplo, um decreto de 1715, baixado pouco antes da morte do rei Luís XIV, estipulava que as fezes seriam retiradas dos corredores uma vez por semana – então, a gente deduz que o recolhimento dos dejetos era ainda mais esparso antes. Versalhes não tinha banheiros, mas contava com um quarto de banho equipado com uma banheira de mármore encomendada pelo próprio Luís XIV, um objeto que serviria apenas à ostentação, caindo no mais absoluto desuso.

Outra crença curiosa do mesmo período diz respeito ao poder purificador da roupa: acreditava-se que o tecido “absorvia” a sujeira do corpo. Bastaria, portanto, trocar de camisa todos os dias para manter-se limpinho. Nosso velho amigo D. João VI, o fujão que estabeleceu sua corte no Rio de Janeiro para escapar dos avanços de Napoleão e que citei mais acima, mostrava-se descrente até da troca de camisas, que ele literalmente deixava apodrecer no corpo.  Mesmo coberto de feridas e contaminações na pele, e habituado a outras porquices, ele fugia da água como o Cascão.

Foi só no século XIX, com a propagação da água encanada e do esgoto e com o desenvolvimento de uma nova indústria da higiene – principalmente nos Estados Unidos –, que o banho foi reabilitado. O sabão, conhecido desde a Antiguidade, mas por muito tempo considerado um produto de luxo, foi industrializado e popularizado.

Hoje, a água chega nas residências, seja de ricos ou de pobres. Mas o francês, especialmente o mais tradicional e aquele que vive nas cidades do interior, não tem duchas em casa. Ele acha que banho é o que se toma na banheira e que chuveiro é uma invenção americana que não substitui o banho, portanto não há banho sem banheira. O banho de banheira é uma coisa muito especial, não diria que é um ritual, mas encher uma banheira e mergulhar o corpo nela demanda tempo, exige alto consumo de água e isso não pode ser feito todos os dias. O que eles fazem diariamente é a sua “toilette”, o que chamamos de “banho de gato”.

Claro que muitos tomam uma ducha, mas não é a regra entre os mais idosos. Mas todos os dias, religiosamente, o francês típico faz a sua toilette matinal. Enche a pia de água quente e com uma luvinha umedecida e ensaboada,  higieniza seu corpo de cima abaixo.

Essas luvas, em francês “gants de toilette”, são tão comuns e necessárias à higiene quanto o sabonete ou o papel higiênico.  Parece que receber um hóspede em casa sem lhe oferecer sua própria gant de toilette junto às toalhas de banho e de mão seria uma grosseria tão grande como lhe dar um par de lençóis sem fronha.

Me parece que há um outro agravante em tudo isso: além de ser um recurso finito (como estamos aprendendo a duras penas em São Paulo), a água na França também é muito calcária, principalmente em Paris. Ela de fato destrói a proteção natural da pele, o filme hidrolipídico – a camada que mantém a hidratação e protege a pele. (quer dizer, os médicos medievais até que não estavam tão errados assim…). Então, a pessoa pode ter alergias e outros problemas de pele por conta da descamação e ressecamento em excesso, causado pela água calcária. Mas isso tem “cura”: existem diversos produtos para a pele que “repõem” a hidratação e nutrem a pele ressecada até que ela se acostume.

Falando nesses cremes para o corpo e cabelo, fica aquela indagação sobre o que veio primeiro, o ovo ou a galinha…? Os franceses têm maravilhosos perfumes e produtos de higiene fantásticos (Avene, Uriage, Klorane, L’Occitane etc etc) por que o francês é porquinho e tudo isso é para disfarçar, ou eles consomem esses produtos de montão justamente porque se cuidam muito?

Não sei.

O que eu sei é que é difícil avaliar se a “porquice” é uma coisa cultural ou algo pessoal, mesmo.

Conheci alemães, russos e holandeses que me olhavam torto quando eu dizia que ia tomar “uma ducha” antes de dormir (deviam pensar: “Esse cara está desperdiçando água, será que ele tem sarna?”). Japoneses com quem eu teria reuniões me olhavam com desconfiança porque não tirava os sapatos antes de entrar na sala (para eles, o porco era eu, ao trazer sujeira de fora!). Minha filha mais nova, durante o intercâmbio que fez nos Estados Unidos, ficou horrorizada com os hábitos… Aliás, com a falta de hábitos de higiene da família com quem morou (tomar banho todos os dias, escovar os dentes após todas as refeições, tudo isso era raro de acontecer…).

Mas, por outro lado, e quantos brasileiros conheci que fugiam da água como se fosse o diabo da cruz?

PS – sobre a água calcária, ou a “água dura” de Paris, um comentário:  água dura é aquela que contém um alto nível de minerais, concretamente de sais de magnésio e cálcio. Esse tipo de água é encontrada em solos calcários.

Ela não causa problemas de saúde, além daqueles de descamação de peles mais sensíveis, e abastece inúmeras regiões na Europa: Londres, Paris, diversas zonas na Suíça e na Suécia, Portugal, Alemanha, Estados Unidos e mesmo no Brasil, por exemplo,  nas regiões de Sete Lagoas e Montes Claros, em Minas Gerais.

Vários estudos tentaram correlacionar a constituição físico-química da água potável de determinadas regiões com a incidência de pedras nos rins. Mas pesquisadores observaram até mesmo uma correlação negativa, ou seja, menor incidência de pedra nos rins com o consumo da água dura!

Enfim, os estudos ainda estão sendo sendo conduzidos e um deles atribui ao magnésio, presente na água, alguns efeitos benéficos para a saúde humana, incluindo menor incidência de doenças cardiovasculares e renais e aumento da quantidade de colágeno, “responsável pela constituição celular (…) e bom para manter a pele jovem e saudável”.

Em Paris, você pode beber água da torneira, e o calcário só vai deixá-la com um gosto estranho para nós, brasileiros. As normas europeias que controlam a potabilidade da água são as mais rigorosas do mundo. E a água de Paris passa nos 56 parâmetros de potabilidade definidos pelo código europeu de saúde pública.

E se você gosta da água Perrier, a segunda mais vendida no mundo depois da Evian, saiba que aquelas bolhinhas são resultado das fontes subterrâneas de onde ela é extraída, e que cortam áreas com enormes quantidades de restos vegetais, cujas moléculas ácidas atacam o carbonato, componente das rochas calcárias. Isso gera o puríssimo gás carbônico que compõe a receita dessa água deliciosa, que é… Uma prima da água dura!

Fontes:
13anosdepois.com
portedoree.blogspot.pt
viverplenamenteparis.blogspot.com.br
diclorina.com.br