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O primeiro telefone sem fio da história

Meu amigo Benny de Lima, de Londres, enviou-me um artigo muito curioso escrito por  Matt Novak para o SMITHSONIAN.COM e que transcrevo aqui, resumidamente. (quem quiser ler na íntegra, em inglês, basta clicar aqui.)

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Conheça a história do inventor da Filadélfia e entusiasta do rádio que previu o irritante hábito de falar ao telefone enquanto se está no carro.

O termo “telefone sem fio” no início de 1920 não significava, necessariamente, um dispositivo que pudesse transmitir e receber mensagens. Na verdade, a maioria dos aparelhos de rádio naquela época era simplesmente um transmissor ou um receptor. No entanto, alguns inventores estavam se divertindo com essa nova tecnologia e criando transceptores – dispositivos que poderiam transmitir e receber mensagens de rádio. Um artigo publicado num jornal de Ohio, em março de 1920, contava a história de um homem, na Filadélfia, chamado W.W. Macfarlane que estava experimentando seu próprio “telefone sem fio”. Sentado no banco de trás de seu carro enquanto o motorista dirigia, Macfarlane deixou de boca aberta um repórter de uma revista técnica enquanto conversava animadamente com a esposa, sentada em casa a 500 metros de onde estavam.

O repórter da revista perguntou ao inventor se aquele aparelho teria algum uso prático no futuro. A resposta trazia uma indagação: como aquele invento poderia ter influenciado no resultado da I Grande Guerra Mundial, que terminara apenas há dois anos?

“Imagine se isto estivesse pronto para nós na guerra. Todo um regimento equipado com os receptores de telefone, apenas com seus rifles como antenas, poderia avançar dois quilômetros e cada soldado estaria instantaneamente em contato com o comandante. Os mensageiros não seriam mais necessários. Não haveriam mais coisas como ‘um batalhão perdido'”…

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Abaixo, uma foto que encontrei na revista Popular Science de julho de 1920, mostrando o inventor e seu telefone sem fio…

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Na verdade, o invento do sr. Macfarlane não pode ser considerado a rigor o primeiro “telefone sem fio” da história. Alexander Graham Bell já vinha fazendo seus experimentos desde 1880, o problema é que essa ideia fora abandonada porque ninguém conseguira pensar em uma utilidade prática para isso. Embora alguns ainda insistissem… O vídeo abaixo – de 1922 -, encontrado por acidente em 2010 nos arquivos da empresa britânica Pathé Films, mostra duas mulheres em Nova York carregando um dispositivo robusto e conectando-o a um hidrante.

Só mesmo na década de 1980 é que descobrimos como usar um telefone sem fio – e não apenas como um walkie-talkie…

 

 

Curiosidades, Family, Novidades

O MÉDICO QUE ODIAVA SUPER-HERÓIS

Era 1954, e os Estados Unidos viviam sob o signo do medo. A guerra fria estava no auge. Por causa da paranoia anticomunista, Charles Chaplin não podia entrar no país e Albert Einstein era investigado pelo FBI. O clima de temor e suspeita era propício a qualquer iniciativa “moralizadora” dos costumes.

A Guerra da Coreia (1950-1953) foi o primeiro conflito moderno a colocar em lados opostos os americanos e os chineses e soviéticos.
A Guerra da Coreia (1950-1953) foi o primeiro conflito a colocar em lados opostos os americanos e os chineses e soviéticos.
Alguns anos depois, os mesmos contendores se enfrentaram na mesma região, com o início da guerra do Vietnã.
Alguns anos depois, os mesmos contendores se enfrentaram na mesma região, com o início da guerra do Vietnã.
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Nos Estados Unidos, por quase uma década, desde o fim dos anos 1940 até meados dos anos 1950, o país viveu um período de intensa patrulha anticomunista, perseguição política e desrespeito aos direitos civis. Foi uma época em que o medo do comunismo e da sua influência em instituições americanas tornou-se exacerbado. Um comitê do Senado, formado pelo senador Joseph McCarthy (de pé na foto), acusou milhares de americanos de serem comunistas ou simpatizantes, tornando-os objeto de investigações agressivas. Muitos perderam seus empregos, tiveram a carreira destruída e alguns foram até mesmo presos e levados ao suicídio. Pessoas da mídia, do cinema, do governo e do exército foram acusadas de espionagem a soldo da URSS.

Naquele ano, o renomado psiquiatra Fredric Wertham publicou seu livro A Sedução dos Inocentes, que descrevia em detalhes os “efeitos nefastos” dos gibis sobre as crianças. A saber: fomentavam a delinquência juvenil, a discórdia entre irmãos, o mau hábito da garotada de não comer legumes e verduras e, se isso não bastasse, de estimular o homossexualismo. O livro incentivou o Congresso a vasculhar a indústria das HQs e a colocar Batman e Super-Homem no banco de réus.

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Credenciais não faltavam ao doutor para convencer a opinião pública da época. Era o psiquiatra-chefe do maior hospital psiquiátrico de Nova York, o Bellevue. Na década de 1920, recém-formado, correspondera-se com ninguém menos que Sigmund Freud, pai da psicanálise.

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 A reputação de Wertham era ilibada, mas algo aparentemente não ia bem com a psique do doutor. Assim como em muitas tramas de gibi, o genial estudioso foi ficando aos poucos obcecado por aquele objeto de repulsa e desejo. Suas pesquisas passaram a associar a leitura de quadrinhos com a violência. O psiquiatra lançou-se então numa violenta campanha, condenando os pobres gibis em dezenas de artigos e entrevistas.

Foi Wertham quem plantou a semente da história da homossexualidade de Batman e Robin. Tudo porque, numa história, Bruce Wayne e Dick Grayson trocavam as roupas civis pelos uniformes de herói, separados apenas por um biombo. Por causa dessas insinuações, a DC Comics teria criado a figura paternal do mordomo Alfred, a fim de frear a fama de gay do homem-morcego. 

O fato é que, com a publicação de A Sedução dos Inocentes, revistinhas foram queimadas em público no estado de Nova York. Um comissário de polícia de Detroit, Harry S. Toy, declarou que os gibis estavam infestados de ensinamentos comunistas. Os distribuidores começaram a devolver os exemplares que recebiam para vender. E a confusão serviu de estopim para que o Congresso instituísse uma subcomissão de investigação dos quadrinhos, nos mesmos moldes daquela criada para investigar as atividades comunistas no país.

As editoras, temendo uma regulamentação do governo, criaram o Comics Code, que nada mais era do que um código de autocensura. Entre 1954 e o início da década de 1970, o código exerceu seu poder de forma implacável na indústria dos quadrinhos. Só em 1971 as editoras passaram a questioná-lo: a Marvel, numa história do Homem-Aranha, mostrou Harry Osborn, amigo de Peter Parker, numa viagem de LSD.

Wertham tentou escrever uma sequência de seu famoso livro, desta vez tratando dos efeitos da TV nas crianças, mas, para sua frustração, nenhum editora se interessou em publicá-lo.

O doutor sempre negou que suas críticas aos quadrinhos tivessem favorecido a censura e dizia que, em princípio, nunca teve nada contra eles, apenas contra as mensagens implícitas em seu conteúdo. Tanto que, no começo dos anos 1970, focou suas pesquisas nos aspectos benignos da cultura dos fanzines. Em seu último livro, publicado em 1974 e chamado The World of Fanzines, ele concluiu que “os fanzines são um exercício saudável e construtivo para motivar a criatividade”.

Essa obra, porém, não serviu para redimi-lo perante os fãs e os editores de quadrinhos, e ele morreu desacreditado por eles em 1981. O ex-menino prodígio da psiquiatria seria para sempre lembrado como o doutor que odiava os quadrinhos.

 

 

(Fontes: Superinteressante, internet, Wikipedia)