O nome do pato

Eu queria ter contado esta história há tempos, e só não o fiz antes porque me faltavam alguns dados históricos — que consegui agora graças a uma mãozinha de meu prezado tio Fábio, um colecionador de preciosidades. O assunto é sério — aquela eterna disputa, tão comum em multinacionais, entre os brasileiros com mania de mudar tudo e os globalizadores em geral (ou seja, qualquer executivo instalado acima da linha do Equador), que acreditam que um entendimento é sempre possível, desde que seja em inglês.

Onde está a verdade? Naquela mistura de bom senso e criatividade, duas coisas que vivem se atropelando quando o assunto é “o Brasil contra o mundo ou vice-versa”. Eu vivi uma situação dessas há dez anos, quando estávamos implantando um novo processo no Brasil e trombei de frente com um Boeing lotado de americanos e mexicanos. Eles se bandearam para cá só para ter a certeza de que nenhuma alteração seria feita, por mínima que fosse, e eu estava convencido de que, sem o jeitinho tupiniquim, nada daquilo iria funcionar. Após muitas e muitas horas de árduas e infrutíferas discussões, finalmente consegui encontrar um exemplo que eles entenderam: Walt Disney.


A história que eu contei para eles foi a seguinte: em 1950, quando os personagens de Disney chegaram ao Brasil, havia uma importante decisão a tomar — como eles se chamariam por aqui? Quase ninguém sabia falar inglês direito no país naquela época, especialmente as crianças, que eram o público-alvo das publicações. Num tempo em que nomes de artistas como John Wayne e Jerry Lewis eram pronunciados jon vâine e jérri lévis, seria prudente manter os nomes originais de personagens como Gyro Gearloose e Scrooge McDuck?

Outros países haviam tido essa mesma dificuldade antes do Brasil, e nem sempre as soluções haviam agradado às duas partes. Por isso, era preciso tomar cuidado para evitar o que ocorrera com personagens de outras editoras — como na Argentina, onde pruridos idiomáticos haviam feito com que o marinheiro Popeye fosse rebatizado de “Spaghetti” e Batman se tornasse “El Murciélago”. Podiam até ser nomes sugestivos, mas, como ponderavam os executivos da matriz — e muitos continuam ponderando com todo furor –, não adianta nada ganhar em apelo regional se, com isso, perde-se em algo muito mais importante: a força mundial de uma marca.

Victor Civita, fundador da Editora Abril, com as provas de uma das primeiras edições da revista "O Pato Donald".

Victor Civita, fundador da Editora Abril, com as provas de uma das primeiras edições da revista “O Pato Donald”.

O primeiro time de tradutores e redatores da então recém-criada Editora Abril adotou o que hoje seria chamado de “estratégia global regionalizada”. O passo inicial dos brasileiros foi garantir a benevolência da turma da Disney, e isso foi conseguido com a promessa de manter o nome original dos dois principais personagens. Assim, Mickey ficaria sendo Mickey e Donald ficaria sendo Donald (parece óbvio, mas, na Itália, Mickey já era Topolino e Donald era Paperino — e na Suécia Mickey havia virado Musse Pigg!).

Capa da "O Pato Donald" número 1, lançada em 1950.

Capa da “O Pato Donald” número 1, lançada em 1950.

E aí veio a aplicação prática das três regrinhas elementares da boa globalização:

1. Não mudar o que não precisa ser mudado
Pluto seria Pluto, porque já era um nome bom, pronunciável e sonoro.


2. Mudar o que obviamente precisa ser mudado
Gyro Gearloose se tornaria o Professor Pardal. Uncle Scrooge McDuck viraria Tio Patinhas e The Beagle Boys seriam os Irmãos Metralha. Mais do que caracterizar personagens, nos anos seguintes esses três nomes se tornariam sinônimos populares de gente que inventa o que não é preciso (Professor Pardal), de pão-duro (Tio Patinhas) e de gangues das mais variadas espécies (Irmãos Metralha).


Nacionalizar nomes é algo bem mais complexo do que aparenta ser. Gladstone Gander, o nosso “Gastão”, é Narciso Bello na Espanha, Panfilo Ganso no México e Gontrand Bonheur na França. Ou seja, “Gastão”, mais que uma tradução ou uma adaptação, é uma aula de simplicidade.

O mesmo ocorre com o Tio Patinhas, que na França se chama Oncle Balthazar Picsou, na Alemanha, Onkel Dagobert Duck, na Suécia, Farbror Joakim von Anka, e na Itália, Zio Paperon De Paperoni.

3. Mudar parcialmente o que pode ser sutilmente melhorado
Aí começam as sutilezas. Mickey Mouse não precisaria do “Mouse” no Brasil, onde “rato” é meio pejorativo e “camundongo” é muito longo, e por isso ficou só Mickey. Mas Donald Duck ficava melhor com o “Pato” antes do nome. E sua eterna namorada, Daisy Duck — Pata Margarida, em tradução literal –, soava melhor sem a “pata” e ficou só Margarida. Nada mais que a aplicação do bom senso.


Nas empresas, não é raro que os pioneiros que contribuíram com grandes ideias no passado sejam esquecidos depois de algum tempo. Felizmente, a história do desembarque bem-sucedido dos personagens da Disney no Brasil ficou documentada. Jerônimo Monteiro, o primeiro tradutor e redator da Editora Abril, batizou o Tio Patinhas e os sobrinhos de Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho — no original eles eram Huey, Dewey e Louie (e a filha pré-adolescente de Jerônimo Monteiro, Terezinha, foi quem sugeriu o nome “Irmãos Metralha”).

Depois de Jerônimo, viriam Alberto Maduar, criador dos nomes do Professor Pardal, do Lampadinha, do Gastão e da Maga Patalójika (que era Magica De Spell em inglês), e Álvaro de Moya — desde sempre, a pessoa que mais entende de história em quadrinhos no Brasil.

Lampadinha

Lampadinha

Maga Patalójika

Maga Patalójika

A tradição de acertar nomes de personagens teve seu último grande momento na década de 70, quando chegou ao Brasil o primeiro livro de Calvin & Hobbes, e o nome do tigre foi abrasileirado para “Haroldo”. É só olhar para ver que ele tem mesmo cara de Haroldo, e não de Hobbes. Mas personagens mais recentes — Beavis & Butthead, os Simpsons, a turma sádica de South Park ou Dilbert — mantiveram os nomes originais. Seria interessante saber como aquela gente talentosa, de achados antológicos como “Recruta Zero” e “Brucutu”, encontraria uma definição bem brasileira — e bem marota — para “Butthead”… coisa que jamais saberemos porque, ultimamente, a globalização virou rua de mão única. E isso só leplime a cliatividade, como ponderaria Hortelino Trocaletra. Digo, Elmer Fudd.

 

 

Max Gehringer é autor do livro Máximas e Mínimas da Comédia Corporativa

Correção – há uma informação errada no texto, no último parágrafo, observada pelo jornalista e expert em quadrinhos Marcelo Alencar. As tiras de Calvin & Hobbes começaram a ser publicadas em 1985, e não na década de 70.

 

 

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Zoológicos Humanos

Era muito comum haver exposições de “povos exóticos” na Europa depois que as grandes navegações atingiram regiões desconhecidas no planeta. Por exemplo, uma das primeiras exposições ocorreu quando os exploradores levaram os índios tupinambás à França, em 1550, para desfilar diante do rei Henrique II em Rouen.

Pessoas com deformações físicas e mentais também serviam de atração para as cortes europeias na época.

No início do século XIX, a exibição de “selvagens” deixou de ser reservada às elites, com o surgimento de “shows étnicos”, que ganharam força com o desenvolvimento da antropologia e a conquista colonial. Londres, que apresentou uma exposição de índios brasileiros Botocudos em 1817, tornou-se a “capital dos espetáculos étnicos”, seguida pela França, Alemanha e Estados Unidos.

A exibição em Londres, em 1810, e em Paris, em 1815, da sul-africana Saartje Baartman, conhecida como “Vênus Hotentote” (nome pelo qual sua tribo era conhecida à época), que tinha nádegas proeminentes, marcou uma reviravolta nesse tipo de apresentação.

Indústria de espetáculos

Esses “shows” se profissionalizaram com o interesse cada vez maior do público, tornando-se uma indústria de espetáculos de massa, com turnês internacionais. Em Paris, um “vilarejo” africano foi montado próximo à Torre Eiffel em 1895, com apresentações sensacionalistas de mulheres quase nuas e homens tidos como canibais.

Esses espetáculos de “diversão” serviam também como instrumento de propaganda, para legitimar a colonização dos povos considerados inferiores e primitivos. O apogeu dessas exibições ocorreu entre 1890 e os anos 1930.

Depois disso, os “shows étnicos” deixaram de existir por razões diversas: falta de interesse do público, surgimento do cinema e desejo das potências de excluir o “selvagem” da propaganda de colonização. A última apresentação desse tipo foi realizada em Bruxelas, em 1958. Um “vilarejo congolês” teve de ser fechado devido às críticas na época.

Recentemente, foi organizada uma exposição no museu do Quai Branly, em Paris, Exibições – A Invenção do Selvagem, relembrando que esses “espetáculos”, que tinham o objetivo de entreter os espectadores, influenciaram o desenvolvimento de ideias racistas que perduram até hoje.

Lilian Thuram

Lilian Thuram

“A descoberta dos zoológicos humanos me permitiu entender melhor por que certos pensamentos racistas ainda existem na nossa sociedade”, informou o ex-jogador da seleção francesa de futebol Lilian Thuram, que foi um dos curadores da mostra.

Thuram, campeão da Copa do Mundo de Futebol de 1998 pela França, criou uma fundação que luta contra o racismo. Ele narrava os textos ouvidos no guia de áudio da exposição. “É difícil acreditar, mas o bisavô de Christian Karembeu (também ex-jogador da seleção francesa) foi exibido em uma jaula como canibal em 1931, em Paris”, disse Thuram.

A exposição foi fruto das pesquisas realizadas para o livro Zoológicos Humanos, do historiador francês Pascal Blanchard e também curador da mostra.

Medição de crânios

A exposição reunia cerca de 600 obras, entre fotos e filmes de arquivo, além de pôsteres de “espetáculos” e objetos usados por cientistas no século 19, como instrumentos para medir os crânios.

Nesse período, desenvolveram-se noções sobre a raça e o conceito de hierarquia racial, com teses de que os africanos seriam o elo que faltava entre o macaco e os homens brancos ocidentais, ou o “homem normal”, como consideravam os cientistas.

Cartão postal com “um pequeno grupo de peles vermelhas”, exibidos em 1911

Cartão postal com “um pequeno grupo de crianças nativo-americanas”, exibido em 1911

 O apresentador de shows “exóticos Guillermo Antonio Farini posa com pigmeus no Royal Aquarium de Londres. 1884.

O apresentador de shows “exóticos Guillermo Antonio Farini posa com pigmeus no Royal Aquarium de Londres. 1884.

Exibição da Caravana Egípcia no Jardim da Aclimação em Paris, em 1891. Uma era de shows gigantescos, onde o estranho, o disforme, o bizarro estavam no centro das atrações, atraindo um público cada vez maior na Europa e nos Estados Unidos.

Vila congolesa na cidade do Porto, em Portugal, em 1934. Essa triste era da história só foi encerrada em 1958, na Exposição Universal de Bruxelas.

Cartaz de 1931.

Menininha africana sendo alimentada na "Vila Africana" em Bruxelas, Bélgica , em 1958

Menininha africana sendo alimentada como um animal exótico na “Vila Africana” em Bruxelas, Bélgica , em 1958

Segundo os organizadores da mostra, mais de 1 bilhão de pessoas assistiram aos espetáculos exóticos realizados entre 1800 e 1958…

 

 

 

 

Fonte:

BBC

 

 

Biquíni, a “bomba atômica” que revolucionou a moda praia, completa 70 anos

Em 1º de julho de 1946, os americanos realizavam o primeiro de uma série de testes nucleares em um atol no Pacífico Sul. Quatro dias depois, um francês, Louis Réard, revelava, em Paris, um maiô “explosivo”. Tão explosivo que foi batizado com o nome da pequena ilha onde os testes atômicos foram realizados: Bikini, ou biquíni, em português.

“O biquíni: uma bomba anatômica” foi o slogan criado para a roupa de banho em duas peças. O modelo era vendido em um pacote do tamanho de uma grande caixa de fósforos. Réard, engenheiro automotivo cuja família possuía uma loja de lingerie, escolheu a piscina Molitor, local de Paris muito popular nos anos 30, para apresentar sua criação ao público, no dia 5 de julho de 1946.

Mas, enquanto hoje em dia o biquíni tem adeptas em todo o mundo, nenhuma modelo profissional quis usá-lo na época. A apresentação foi feita, então, pela dançarina de 19 anos Micheline Bernardini (na foto acima), que fazia shows no Cassino de Paris. Ela entrou para a história, uma vez que a criação francesa ocupou manchetes dos jornais de todo o mundo e causou um grande escândalo.

Sob pressão da Igreja Católica, os governos italiano, espanhol e belga proibiram a venda da ousada peça. Na França, curiosamente, foi permitida nas praias do Mediterrâneo, mas proibida nas do Atlântico. Vai entender…

O biquíni de Brigitte Bardot

No pós-guerra, apesar de o biquíni já existir há algum tempo, a calcinha de cintura alta foi a favorita das mulheres, como mostram as imagens de pin-ups ou fotos de atrizes norte-americanas, com Marilyn Monroe na liderança.

Após o lançamento em 1946, o biquíni entrou em baixa até 1953, quando outra bomba estourou, de novo na França, e desta vez durante o Festival de Cannes: Brigitte Bardot. A atriz francesa causou furor ao posar para os fotógrafos com um biquíni branco com flores na praia do hotel Carlton.

Nos anos 1980 e 1990, foi a vez dos maiôs e biquínis metalizados e fluorescentes. E surgiram os modelos asa delta e fio dental. Diz a lenda que, em certo momento, os biquínis artesanais de crochê foram moda mas, como eles pesavam na água depois de molhados, as brasileiras criaram o hábito de enrolá-los nas laterais –  e isso teria dado origem ao asa delta.
E tudo começou com uma bomba atômica!

Rolls-Royce do futuro projeta ‘tapete vermelho’ para os passageiros

A Rolls-Royce conseguiu chamar a atenção de entusiastas do setor automotivo e de tecnologia ao apresentar o seu primeiro carro autônomo… e que, pra variar, abusa do luxo e do conforto para se destacar entre os demais modelos.

Apelidado de “Vision Next 100”, o automóvel ainda é um conceito e não tem data para ser comercializado. A intenção, segundo a empresa, foi desenvolver um carro que representa a visão da montadora para o futuro da indústria de veículos de luxo. No lugar dos bancos traseiros, por exemplo, há um enorme sofá, semelhante ao interior de uma limousine.

Não há divisão de passageiros da frente e traseiros, muito menos volante e instrumentos, que se tornarão “supérfluos”, segundo a Rolls-Royce. Apenas uma tela transparente servirá para a comunicação dos passageiros com o carro.

Além de trafegar de forma autônoma pelas ruas, o veículo contaria com uma inteligência artificial chamada Eleanor – uma espécie de assistente virtual capaz de “guiar e descobrir o mundo com você”, conforme comunicado da empresa. Para entrar e sair, o teto se levanta e uma projeção de luz vermelha simula um “tapete vermelho” para fazer o passageiro se sentir sempre em um evento glamouroso. Caso o clima não esteja favorável, dois guarda-chuvas estão embutidos nas portas.

Segundo a fabricante, os veículos de alto luxo do futuro serão totalmente configuráveis e feitos ao gosto do cliente, desde o desenho até o tamanho. O modelo apresentado seria apenas uma das possibilidades. No entanto, o consumidor não poderá escolher o motor, que será sempre elétrico.

Achei legal o compartimento das bagagens.

No vídeo abaixo, mais detalhes do carro-conceito:

Olha, depois de tudo isso, fiquei pensando em duas coisas: a primeira é que o carro só poderá andar em linha reta, certo? Como ele vai fazer as curvas, se as rodas estão encerradas daquele jeito? Só se aquele recorte redondo na “calota” seja o que permite trocar os pneus – isso seria feito pela Eleanor? – e fazer curvas…

E a segunda coisa é que, se estiver chovendo, o interior do carro vai ficar totalmente estragado quando a capota se abrir para deixar entrar (ou sair) os passageiros.

Sem contar que achei o bicho feio demais… A frente dele parece a cara do Pernalonga!

 

 

Fonte:

Auto esporte

Esporte maluco foi um precursor do Mad Max

Em um ano, nos Estados Unidos, o saldo foi de: 1,5 mil rodas quebradas, mais de 500 pneus estourados, 66 eixos partidos, dez motores rachados e seis carros completamente inutilizados. Mad Max? Não, era o esporte conhecido como autopolo, que causou muita destruição nos veículos e lesões graves aos competidores e ficou muito famoso no início do século passado.

O autopolo consistia basicamente numa versão motorizada do polo, com carros no lugar de cavalos. Enquanto o motorista pilotava o veículo, o passageiro carregava uma marreta cuja cabeça pesava 1,6 kg e golpeava a bola do mesmo tamanho da usada no basquete. O objetivo era fazer gols, mas as cenas lembravam mais o filme Mad Max do que qualquer outra coisa!

A modalidade fez sucesso nos Estados Unidos entre 1912 e o fim dos anos 1920. A primeira demonstração aconteceu em 1902, quando Joshua Crane Jr. acumulou as duas funções: pilotar o carro e bater na bola, olha que doido! Mas foi em 1912, quando um revendedor de veículos decidiu promover um novo modelo, que o esporte foi oficialmente criado.

Anúncio de um revendedor de “Mobiles” que, por ser mais leve que os outros, seria o ideal para o esporte. Somente dez anos depois desse anúncio ser publicado, o esporte tornou-se oficial.

A primeira partida oficial contou com quatro carros, divididos em dois times: Red Devils (Diabos Vermelhos) e Gray Ghosts (Fantasmas Cinzas). Os nomes fortes têm uma explicação: as partidas tinham como resultado, além dos gols, inúmeras lesões e fortes batidas.

Não à toa, a presença de um médico nas arenas ou feiras era obrigatória durante os duelos. Os pilotos usavam cinto de segurança e se machucavam menos, mas os rebatedores não escapavam de quedas e choques. Até algumas mortes foram registradas, embora o mais comum fossem ossos quebrados e cortes profundos.

Veja como o público lotava as arenas!

O público norte-americano aprovou a modalidade. Naquele primeiro jogo oficial, mais de cinco mil pessoas compareceram ao campo de alfafa que virou arena. No entanto, o esporte não durou nem duas décadas. E o motivo foi o alto custo: os competidores não quiseram mais bancar tantos consertos e substituições de carros destruídos – claro, a figura do patrocinador ainda não era presente no campo esportivo. Mas emoção não faltou enquanto o autopolo existiu. As fotos da época provam isso!

 

 

 

Os dez lugares mais contaminados dentro de casa

Toalhas úmidas, escovas de dente sem escorrer, brinquedos espalhados pelo chão…esses são alguns dos “ambientes perfeitos” para fungos e bactérias se multiplicarem dentro de casa.

Segundo um estudo feito pela Fundação de Pesquisa para Saúde e Segurança Social (FESS), em parceria com a Universidade de Barcelona para a empresa de produtos de limpeza Sanytol, os nossos hábitos de limpeza podem transformar uma casa em um lugar bastante propício para a transmissão de doenças.

A pesquisa atestou que o banheiro é o local mais cheio de germes de uma residência. No entanto, ele também é o cômodo que se limpa com mais frequência e, sendo assim, muitas vezes acaba não sendo tão “perigoso” nesse aspecto quanto outros locais que ficam “esquecidos”, apenas acumulando sujeira – e, consequentemente, bactérias e outros tipos de micro-organismos. Por isso, o Departamento de Microbiologia da Universidade que liderou a pesquisa chamou a atenção para aquelas que chamou de “zonas esquecidas”.

A seguir, o ranking dessas zonas que podem colocar em risco a saúde dos moradores da casa.

1- Banheiro

Levando em consideração a função dos banheiros, não é muito surpreendente saber que eles estão no topo da lista. O estudo inclui uma pesquisa com mil famílias espanholas e, de acordo com os resultados, somente 56% desse grupo faz uma limpeza diária nos banheiros. E apenas 32% os desinfeta. Limpar o banheiro não é a mesma coisa que desinfetá-lo. Ter uma superfície limpa não é o mesmo que ter uma superfície sem contaminação.

2- Esponjas e panos de cozinha

Segundo a pesquisa, a cozinha é outro local cheio de germes dentro de casa. Eles se concentram principalmente nas esponjas e nos panos. De acordo com o estudo, eles não costumam ser lavados diariamente e, muitas vezes, ficam úmidos ao longo do dia, o que colabora para a proliferação dos germes.

Esses germes e bactérias podem ficar até duas semanas em uma esponja úmida.

3- Pia

A pia da cozinha concentra 100 mil vezes mais germes do que o banheiro. Segundo o estudo, 14% delas abrigava mais de um milhão de bactérias por metro quadrado.

E muitas vezes, esses micro-organismos se acumulam em pilhas de pratos com restos de comida.

4 – Torneiras, banheiras, máquinas de lavar e geladeiras

Assim como acontece com a pia, a umidade e o material orgânico acumulado nessas áreas criam um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. Na borracha da máquina de lavar e da geladeira, por exemplo, não é estranho encontrar mofo ou bolor. Ela tem dobras muito difíceis de limpar e, sendo assim, acaba acumulando esses micro-organismos.

5- Escovas de dentes e seus copos

A boca abriga centenas de micro-organismos, que podem ser transferidos à escova de dente durante o uso. Bactérias como estafilococos, coliformes, pseudomonas, levedura, bactéria intestinal e até germes fecais podem ficar alojados ali, uma vez que as escovas ficam no banheiro e, geralmente, perto do vaso sanitário.

A pesquisa da universidade espanhola garante que 80% das escovas de dente examinadas abrigam milhões de micro-organismos que podem vir a ser prejudiciais à saúde.

6- Chão

É comum deixarmos cair um pedaço de comida no chão. Muita gente pega o pedaço de volta, dá aquela assopradinha e acha que, assim, já eliminou todas as bactérias que estavam ali. Mas isso não é suficiente.

O chão de uma casa é um dos lugares com maior concentração de micro-organismos, segundo a pesquisa. Muitos deles são trazidos da rua com nossos sapatos. Além disso, os especialistas em microbiologia advertem que as bactérias precisam somente de dez segundos para “colonizar” um pedaço de comida que cai no chão.

7- Tábuas para cortar

O estudo mostra que até 20% das infecções alimentares ocorrem dentro de casa. Os micro-organismos que frequentemente provocam esse tipo de problema são a salmonela, a escherichia coli e o campylobacter. Todos eles podem se acumular na borracha que veda a geladeira ou em panos úmidos. Mas também é comum encontrá-los nas tábuas de cortar, que são ambientes propícios para abrigar germes.

Para evitar isso, é preciso desinfetá-las com frequência, e escolher bem sua tábua de corte. A tábua mais indicada é a de polietileno, que tem mais resistência do que as de madeira às ranhuras que se abrem nas superfícies devido ao uso sucessivo das tábuas. É nelas que se acumulam as bactérias, mesmo após a lavagem da tábua e, na hora do novo uso, poderiam infectar outros alimentos.

Os especialistas recomendaram a troca periódica da tábua, além da higienização, como a melhor maneira de prevenir a contaminação.

8- Dispositivos tecnológicos

O teclado de um computador ou a tela de um celular podem chegar a ter 30 vezes mais micro-organismos do que um banheiro limpo!

É que essas telas de celulares, os telefones em geral, controles remotos e outros dispositivos tecnológicos estão em constante contato com nossas mãos. Nós mexemos em muitas coisas e não desinfetamos nossas mãos a todo o momento. Por isso, os teclados podem acumular até 450 tipos de germes diferentes, afirma a pesquisa.

9- Maçanetas

Elas são utilizadas uma vez ou outra ao longo do dia, mas geralmente a gente se esquece delas na hora da limpeza. Além de acumularem germes, todos os especialistas consideram que elas desempenham um papel importante na transmissão de vírus como o da gripe e outros, que provocam doenças respiratórias.

10- Brinquedos

Não é raro encontrá-los espalhados pelo chão numa casa que tem crianças. Eles são arrastados pelo tapete e as crianças costumam colocá-los na boca. A pesquisa mostrou que 17% dos entrevistados nunca desinfetam os brinquedos, o que facilita a proliferação dos germes.

Por tudo isso, pessoal, vamos prestar atenção nessas “zonas esquecidas” na próxima vez. E, para facilitar as coisas, o desenho abaixo resume tudo o que foi dito. Boa limpeza!

 

 

Fonte:

BBC

Manual do bom bebedor de cerveja Pilsen

Sabia que beber menos é beber com mais qualidade?

Pois é. Por isso, e ainda mais quando se trata de cerveja, quanto mais você souber sobre a bebida que se põe no copo, melhor.

A pilsen é a cerveja favorita dos brasileiros (e no mundo todo) e responde por 98% das cervejas consumidas por aqui. Dourada, leve e refrescante, com baixo teor de álcool, é a cara do verão, do churrasco, das festas e dos botecos.

Ela caiu nas graças de todos desde que foi criada em sua cidade homônima, em 1842, na região da Boêmia, onde fica hoje a República Checa. Considerando que a cerveja existe há 6.000 anos, essa fama veio meio tarde, mas foi um divisor de águas. A pilsen fez com que o consumo global de cervejas fosse parar nas nuvens, e hoje ela detém 60% do mercado total.

São tantas opções que é preciso prestar atenção naquilo que se escolhe pra beber. Mas, antes de sugerir algumas marcas, vamos entender uma coisa.

O que é “pilsen”?

Existem basicamente 3 tipos de cerveja. As Lagers, que são cervejas que usam levedura (fermento) de baixa fermentação (as leveduras ficam no fundo do fermentador e necessitam uma temperatura de mais ou menos 7-12°C para fermentar), as Ales, que são cervejas que usam levedura de alta fermentação (as leveduras ficam em cima nos tanques de fermentação e necessitam de mais ou menos 15-24°C). O outro tipo seria Lambic, que usa fermentação espontânea para criar álcool e tem vários leveduras, e não apenas uma só, como no caso das Ales e Lagers.  
Antigamente, produziam-se apenas as cervejas Ales, e quase sempre escuras. Apenas em 1835 foi descoberto um novo tipo de fermento, o lager, que se desenvolve no fundo dos tanques de fermentação. Aí, poucos anos depois, em 1842, criou-se em Pilsen a cerveja lager mais clara, que passou a ser chamada de “pilsen” ou “Pilsener”. 
Conta a história que o mestre cervejeiro alemão Josef Groll foi convidado a trabalhar numa cervejaria recém-inaugurada em Pilsen, no ano de 1838.
Em 1842, ao fabricar uma cerveja de baixa fermentação, obteve como resultado uma bebida extremamente límpida e cristalina para os padrões da época. A cor dourada chamava muito a atenção, e aliada aos sabores e aromas notáveis de malte e lúpulo, a nova cerveja se tornou popular muito rapidamente. Seu aspecto belíssimo, que remetia a ouro líquido, pôde ser apreciado plenamente nos copos de cristal transparente difundidos na mesma época na região, os famosos cristais da Boêmia. Essa conjunção de fatores contribuiu para o sucesso imediato do novo tipo de cerveja, que foi então batizado com o nome da cidade. 

O que bebemos por aqui

A cerveja pilsen é uma cerveja bem dourada, com notáveis aromas de lúpulo e um sabor bem mais acentuado de malte do que as nossas cervejarias nos vendem aqui como sendo pilsen.  O que bebemos, na maioria das vezes, é na verdade um outro estilo, bem parecido, onde se assemelham mais ou menos a cor, a fermentação, os ingredientes básicos, mas a quantidade deles é bem menor e com isso temos o estilo Standard American Lager.

Eis um gráfico que explica a diferença entre uma cerveja do estilo pilsen e uma cerveja popular de grande cervejaria, vendida como pilsen (não adianta insistir, não vou contar qual é a marca, rsrsrs):
Esse “adjunto” ali significa milho, arroz, açúcar etc. Quando se adicionam esses “adjuntos”,  é possível ter uma estabilização de alguns fatores, mas o sabor acaba sendo bem mais fraco, fica tudo mais ácido, e é preciso adicionar de grandes quantidades de estabilizantes, conservantes, etc para manter a cerveja. Sem contar, é claro, a quantidade de lúpulo significativamente menor. Quando se lê no rótulo a lista de ingredientes (água, malte, lúpulo, levedura, cereais não maltados…), esses cereais são milho e arroz!
Nossas cervejas até que não são ruins de todo, e as grandes cervejarias têm um papel importante. Sem elas, não teríamos acesso a um mundo de alternativas a um preço acessível.

Manual do Bebedor

  1. Diferentemente de alguns vinhos, as cervejas não melhoram com o tempo. Fique atento ao prazo de validade. Para as cervejas artesanais, que têm durabilidade menor, isso é ainda mais importante.
  2. A cerveja é sensível à luz e ao calor. Armazene suas garrafas em lugar fresco e escuro, e agite o mínimo possível.
  3. Cerveja boa não precisa ser estupidamente gelada. A temperatura adequada, dependendo do estilo, varia entre quatro e sete graus. Há tipos que inclusive não precisam ser resfriados. Caso contrário, anestesiará suas papilas gustativas e não dará pra sentir todas as propriedades da bebida, além de mascarar defeitos.
  4. chope é cerveja não pasteurizada, sem conservantes. Tem que ser tomado na hora para não perder suas propriedades.
  5. Cerveja choca é cerveja que congelou e descongelou. Com o congelamento, ela perde aroma, sabor e propriedades. A água se separa dos outros ingredientes e a recomposição não acontece.
  6. Cerveja puro malte é aquela que tem 100% de malte de cevada como fonte de açúcares. Já a cerveja comum é aquela que tem uma proporção de malte de cevada maior ou igual a 50%. A proporção e a escolha desses ingredientes variam entre fabricantes e interferem no sabor e na cor. Uma cerveja puro malte é mais valorizada. Já as que têm adição de milho e arroz são consideradas menos puras e com gosto diferente. Para saber se a cerveja tem adição de outros cereais, basta ler o rótulo. Geralmente estará escrito que a bebida tem “cereais não maltados” na receita.

Confira os tipos de cerveja Pilsen, segundo a BJCP (Beer Judge Certification Program):

Bohemian Pilsener (Pilsen Tcheca): é o estilo original das cervejas feitas como em 1842.

Exemplos: Eisenbahn 5, Pilsner Urquell, Czechvar (Budweiser Budvar), 1795 Original Czech Lager, Staropramen.

Pilsner-Urquell, encontrada aqui na garrafa de 300 ml por cerca de R$ 15,00

Pilsner-Urquell, encontrada aqui na garrafa de 300 ml por cerca de R$ 15,00

German Pilsner (Pils): irmã da Bohemian Pilsener, produzida na região da Boêmia. A produção é adaptada às condições das cervejarias alemãs.

Exemplos: Dado Bier Original, Warsteiner Premium Verum, König Pilsener, Wernesgrüner Pils. etc.

Premium American Lager: boa parte das cervejarias produz suas próprias marcas Premium para atender a um mercado mais exigente quanto a aroma e corpo. Em geral, utilizam ingredientes selecionados, receitas especiais e aplicam estratégias de marketing para diferenciar esses produtos. A garrafa verde é uma delas.

Exemplos: Heineken, Beck’s, Bavaria Premium, Eisenbahn Pilsen, Colorado Cauim, Cidade Imperial Cerveja Clara, Damm A.K. etc.

Um cerveja pilsen com adição de mandioca. Essa é a melhor definição para esta sensacional Premium American Lager feita de puro malte holandês, lúpulos da República Tcheca, água do aquífero Guarany e o toque brasileiro da mandioca - See more at: http://www.thebeerplanet.com.br/cerveja-brasileira-light-lager-colorado-cauim-600ml/p#sthash.2e82t3od.dpuf

A Colorado Cauim é uma cerveja pilsen com adição de mandioca. Essa é a melhor definição para esta sensacional Premium American Lager feita de puro malte holandês, lúpulos da República Tcheca, água do aquífero Guarany e o toque brasileiro da mandioca. A garrafa de 600 ml é encontrada pelo preço médio de R$ 15,00.

Standard American Lager: de todos os estilos de cerveja, este é o mais popular. São as cervejas de prateleira e representa a maior parte das vendas no mundo. Geralmente levam os já citados cereais não maltados.

Exemplos: Budweiser, Antarctica Pilsen, Antarctica Pilsen Extra Cristal, Antarctica Original, Skol Pilsen, Bohemia Pilsen, Polar Export, Cintra, Nova Schin, Glacial, Devassa Loura, Damm Estrella, Patrícia etc.

Pilsens que valem a prova

Experimente estas, além das duas citadas logo acima. A  Pilsen Urquell original, considerada a primeira do mundo. De origem tcheca, é fabricada pela SABMiller na cidade de Plzen (Pilsen), província da Boêmia. E da brasileira Colorado Cauim.

Wals Pilsen: Pilsen de inspiração tcheca fabricada no Brasil pela cervejaria Wäls, em Minas Gerais. Tem mais presença de lúpulo e malte. Preço médio: R$18,00.

Bamberg Camila Camila: brasileira de Votorantim (SP), essa é uma Bohemian Pilsener com amargor fino e fácil de beber. O nome é uma homenagem à música da banda Nenhum de Nós. A garrafa de 600 ml sai em média por R$ 20,00.

Paulistânia:  linha própria de cervejas puro malte Lager Premium produzidas pela importadora Bier Wein desde 2009 no interior de São Paulo. Disponível nas versões Clara (Pale Lager), Escura (Dunkel Lager) e Vermelha (Strong Red Lager). Preço médio: R$ 14,00.

 

 

Fontes:

semmedida.com

cervejanaguela.blogspot.com.br