Paris vs. Nova York

Vahram Muratyan é um artista gráfico armênio criado na França cujo trabalho se divide entre criações para clientes e trabalhos pessoais. No outono de 2010, durante uma longa estadia em Nova York, Vahram lançou seu primeiro blog, Paris vs New York, um registro das duas cidades. Um site visto mais de 4 milhões de vezes, e que finalmente se transformou no livro “Paris vs Nova York”, publicado pela Penguin.

É um trabalho belíssimo, que mostra a “guerra visual” vivida por um amante de Paris morando na cidade americana. Não há nenhuma análise profunda falando de uma cidade ou de outra, apenas ilustrações comparando as duas em diversos temas, como estado de espírito, roupas, cenários, trilha sonora e foi publicado no Brasil no começo deste ano. Para quem conhece, não conhece, gostaria de conhecer as duas metrópoles, é uma viagem de extremo bom gosto e muito divertida, por conta de muitas comparações. Quem teve a sorte de visitar as duas, vai adorar.

E quem gosta de design, ilustrações e criatividade vai se esbaldar. Veja alguns exemplos – poucos, para não estragar o prazer do livro.

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Os tuítes que arruinaram a vida de seus autores

Não importava quantas vezes ela se justificasse: ao se converter em “trending topic” número um do Twitter, não havia nada que Justine Sacco pudesse fazer.

Em dezembro de 2013, a relações públicas de 30 anos esperava no aeroporto de Heathrow (Londres) por um voo à Cidade do Cabo, na África do Sul. Pouco antes de embarcar, compartilhou um tuíte com seus 170 seguidores: “Estou indo para a África. Espero não pegar HIV. Brincadeira. Sou branca”.

Nunca imaginou as consequências da mensagem infeliz, que mais tarde ela explicaria ser uma brincadeira ironizando a “bolha” em que vivem os americanos com relação à realidade de países em desenvolvimento.

Considerado ofensivo e preconceituoso por muitos, o tuíte de Sacco foi compartilhado milhares de vezes durante as horas em que ela estava dentro do avião – e usuários das redes sociais a xingavam e pediam que ela fosse demitida da empresa onde trabalhava, algo que acabou acontecendo. E Sacco só soube de tudo isso quando seu voo pousou.

Até o milionário Donald Trump tuitou pedindo a demissão dela; outro usuário comentou: “É impressionante ver como alguém se autodestrói sem sequer saber”.

A IAC, empresa onde Sacco trabalhava, anunciou a demissão dela publicamente, também via Twitter: “Esse é um assunto muito sério para nós. Já não temos mais relação com a funcionária em questão”.

A história de Sacco é uma das contadas pelo escritor galês Jon Ronson no seu livro So You’ve Been Publicly Shamed (Então você foi envergonhado publicamente, em tradução livre), com depoimentos de pessoas que tiveram suas reputações destruídas na internet.

“Quando conheci Sacco, ela estava confusa, irritada. Depois do que aconteceu, ela não dormia; acordava no meio da noite sem saber quem era, sentia que sua vida não tinha propósito”, diz Ronson em entrevista à BBC. “Até então, ela tinha uma carreira bem-sucedida, que a fazia feliz. Mas tiraram essa satisfação dela. E as pessoas ficaram felizes com isso.”

Misoginia

Ronson comenta que Sacco foi alvo de todo tipo de comentários, “mas muitíssimos deles eram misóginos. (Insultos) acontecem com frequência quando se trata de uma mulher”.

Adria Richards viveu algo parecido. Em março de 2013, ela estava na plateia de uma palestra de programadores na Califórnia quando escutou um comentário sussurrado na fila de trás.

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O comentário era uma piada de teor sexual que fazia um jogo de palavras com termos comumente usados no mundo da informática. Indignada com a piada, Richards tirou uma foto de seu autor, Hank, e a compartilhou a seus mais de 9 mil seguidores no Twitter, criticando o comentário que ele tinha feito.

Ambos acabaram sendo demitidos. Mas, no Twitter, quem levou a pior foi Richards.

“Ela foi submetida a uma terrível campanha de assédio pela internet. Começaram a bombardeá-la com ameaças de estupro e morte; houve até quem publicasse o endereço dela ao lado de uma foto de uma mulher decapitada com a boca coberta por uma fita adesiva”, conta Ronson.

Foto infeliz

No caso de Lindsey Stone, 32, foi uma foto que provocou a destruição de sua reputação online. Ela estava com uma colega de trabalho no Cemitério Nacional de Arlington, na Virgínia (EUA), e decidiu tirar uma foto no Túmulo do Soldado Desconhecido, justo ao lado de uma placa que pedia “silêncio e respeito”.

As duas acharam que seria engraçado aparecer na foto fingindo gritar e mostrando o dedo do meio. Era uma brincadeira das duas: costumavam tirar fotos ao lado de placas, desobedecendo as instruções destas; por exemplo, fumando ao lado de um aviso de proibido fumar.

A ira das redes sociais emergiu um mês depois, quando alguém se deparou com a foto na internet. Críticos acabaram criando uma página – que ganhou popularidade – no Facebook chamada “Demitam Lindsey Stone”.

No dia seguinte, havia câmeras de TV na frente da sua casa. Ela também foi demitida. No ano seguinte ao incidente, ela mal saiu de casa, afetada pela depressão e pela insônia. Disse a Ronson que não queria ver ninguém, nem ser vista.

Tudo por causa de uma foto no Twitter.

“São pessoas que foram totalmente destruídas por pessoas boas como nós”, conta Ronson à rádio BBC. “Nas mídias sociais, gostamos de nos ver como defensores dos mais indefesos, travando lutas honrosas, mas a verdade é que temos um poder imenso e não percebemos isso. Fazemos com os outros o que temos medo de fazerem conosco.”

Ilha abandonada no Japão atrai turistas

A paisagem lembra uma cidade que acaba de sair de uma guerra ou um cenário de filme de terror: prédios cinzentos com janelas quebradas, vielas tomadas por entulhos e escadarias que levam para escuros corredores, onde o silêncio é absoluto.

Os antigos moradores se foram e, hoje, o local é uma ilha fantasma turística situada no sul do Japão, a cerca de 15 quilômetros da cidade de Nagasaki.

O aspecto desolado desse pedaço de terra, porém, não tem nada a ver com a bomba atômica que os Estados Unidos jogaram nas redondezas em 1945.

Em 1890, durante a industrialização do Japão, a Mitsubishi comprou a ilha de Hashima e começou o projeto de extração de carvão em minas submarítimas. No local foi construído o primeiro edifício de concreto de largas proporções do Japão, um bloco de apartamentos concluído em 1916 para acomodar a cada vez mais crescente massa de trabalhadores.

A população da ilha alcançou seu ápice em 1959, com 5.259 habitantes, uma densidade populacional de 835 pessoas por hectare em toda a extensão. Com a substituição do carvão por petróleo durante a década de 1960, as minas de extração do mineral começaram a ser fechadas por todo o país, e as de Hashima não foram exceção. A Mitsubishi anunciou oficialmente o encerramento de suas atividades na ilha em 1974, e o local foi totalmente evacuado, passando a ser conhecido como “Ilha Fantasma”.

Com o tempo, a ilha começou a ser chamada de Gunkanjima (a Ilha do Navio de Guerra): vista de longe, marcada pelos edifícios que foram construídos em seu solo e cercada pelo oceano Pacífico, o local realmente lembra uma embarcação bélica.

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Nos anos 2000, com suas construções deterioradas e abandonadas por três décadas, Gunkanjima começou a ser visitada por turistas que passeavam pelos lindos cenários litorâneos dessa região. Seu aspecto fantasmagórico é um interessante contraponto às paisagens ensolaradas da área.

Os turistas, porém, que quase sempre estão acompanhados por guias nas incursões à ilha, não podem andar livremente pelo local. Os tours costumam ter caminhos demarcados, passando apenas por lugares considerados seguros para os visitantes, visto que muitas das edificações da área estão com risco de desabamento.

No percurso, é possível ver os grandes prédios residenciais da ilha, um antigo hospital e resquícios da antiga mina de carvão. Diz a história que, na época da Segunda Guerra Mundial, chineses e coreanos foram submetidos a brutais trabalhos forçados no local pelo governo japonês.

Não foi à toa que Gunkanjima foi escolhida com cenário para o quartel-general do vilão Raoul Silva (interpretado por Javier Bardem) no filme “007 – Operação Skyfall”, lançado em 2012.

E muita gente achou que eram construções cenográficas…

 

 

 

 

 

 

Fotos pouco conhecidas

Meu amigo Ruy Schneider enviou-me outro dia um punhado de fotos antigas e muito interessantes, e que resolvi compartilhar aqui. Vale a pena dedicar alguns minutos para ver – ou rever – um pouco de nosso passado gravado nessas imagens.

Um operário descansando na hora do almoço. Estamos em 1931, e ele ajudava na construção daquele que seria o prédio mais alto do mundo, o Empire State em Nova York. Observe a altura em que ele estava…

Aqui, estamos em São Paulo, na Av. São João em 1938. No cine Metro, estava passando “De Braços Abertos”, com Mickey Rooney e Spencer Tracy, que ganhou o Oscar de melhor ator por seu desempenho. O cine Metro era tido como um dos cinemas mais chiques de São Paulo. Os funcionários trabalhavam uniformizados de branco e havia um porteiro que recebia os espectadores que desciam do carro. Durante muito tempo, só era permitida a entrada de homens de terno e gravata. Atualmente, o prédio do antigo cinema abriga uma igreja evangélica…

1909. A hora do rush em Chicago era bem bagunçada…

Vista da antiga pérgula do Copacabana Palace Hotel em 1930. A praia já ficava cheia naquela época.

Um dos primeiros carros elétricos construídos nos Estados Unidos em 1905. Na foto, ele está carregando sua bateria, operação que levava algumas horas. Naquela época, os carros elétricos eram muito mais populares que os movidos a gasolina, considerados barulhentos, sujos e de difícil operação. E chegavam a alcançar impressionantes 30 km/h… Um desses carrinhos, ainda operante e com baterias modernas, foi vendido recentemente em um leilão por cerca de R$ 500 mil reais!

Voltemos ao Rio de Janeiro, agora bem lá atrás, por volta de 1885. D. Pedro II inaugurou a linha férrea que começa no Cosme Velho e vai até o cume do Corcovado, no mesmo local de hoje em dia, e daí subia-se até a plataforma de observação, no local da atual estátua. Para proteger os visitantes do sol inclemente, foi construído um pavilhão de ferro cuja função e formato circular fez com que recebesse o apelido apropriado de “Chapéu de Sol”. Foi contemporâneo de nossos bisavós, até que, em 1931, fosse finalmente inaugurado o monumento do Cristo Redentor.

1912, docas de Southampton. O Titanic está prestes a zarpar para sua primeira – e última – viagem aos Estados Unidos…

William Harley e Arthur Davidson, os fundadores das motocicletas Harley Davidson, em 1914, mostrando suas primeiras criações.

1937: Os irmãos Dick e Mac McDonald abrem uma barraca de cachorro-quente chamada Airdome em Arcadia, Califórnia. Depois, em 1940, eles mudam sua barraca para San Bernardino, também na Califórnia, onde abrem um restaurante McDonald´s na Rota 66, em 15 de maio. O primeiro hambúrguer McDonald´s custou US$0,15 e como era comum na época, contrataram 20 garçons que, em cima de patins, entregavam o pedido do cliente no carro. Isso se tornou popular e muito lucrativo.

E, encerrando essa viagem ao passado, veja o tamanho do primeiro disco rígido de 5 Mb da IBM, sendo carregado em um avião, em 1956. E tem gente que reclama do pendrive de 4 Gb…

Tempurá – Origem e Receita

Tempurá [天ぷら] é um prato muito popular no Japão e a receita foi trazida por jesuítas portugueses em meados do século XVI. Segundo a tradição católica, não se deve comer carne vermelha durante a Quaresma e o tempurá de legumes e frutos do mar passou a ser uma alternativa de alimentação para os missionários. Os portugueses acabaram sendo expulsos pelos japoneses, que não queriam ser catequizados e ficaram somente com a sua herança gastronômica: o tempurá.

A origem do nome “Tempura” ainda é bem controversa. Uns dizem que se originou de “Tempora”, uma palavra em latim que se traduz como “um período de tempo” e que provavelmente fazia referência aos 40 dias da Quaresma. Outros dizem que Tempura surgiu a partir da palavra portuguesa“Tempero”.

De qualquer maneira, esse prato agradou ao paladar japonês e, apesar da receita ter vindo do Ocidente, tornou-se um dos pratos mais clássicos da culinária japonesa, tanto que até possui um kanji* específico para denominá-lo: 天麩羅. Quer dizer então que o tempurá é um prato japonês? Sim, pois assim como o gyozaque tem origem chinesa, as versões japonesas são muito diferentes dos pratos originais.

Os japoneses adaptaram a receita, deixando a massa mais fina, usando um óleo mais leve e acrescentando mais vegetais, até chegar ao que conhecemos hoje em dia. O tempurá se popularizou quando passou a ser vendido em barracas de rua e hoje existem restaurantes especializados nesse prato.

Que pode ser feito com uma grande variedade de legumes, como repolho, berinjela, abóbora, cenoura, cebola, vagem, brócolis,  ou com peixes e camarão. O segredo está na massa, que deve ser bem fluida, e no molho agridoce, que dá sabor especial e um toque puramente japonês.

Confira abaixo uma receita super fácil!

Receita de Tempurá de legumes e camarão

Ingredientes

  • 1 cebola
  • 1 cenoura
  • 1 pimentão verde
  • 4 vagens
  • 1/4 de abóbora japonesa
  • 1 batata-doce
  • 4 ervilhas-tortas
  • 1/2  berinjela
  • 1/4 de pé de couve-flor
  • 1/4 maço de brócolis
  • 4 camarões pistola

Massa

  • 4 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 ovo
  • 1 litro de água gelada
  • 1 saquinho de sazón (amarelo ou laranja) – opcional

Molho

  • 2 xícaras (chá) de caldo de peixe
  • 1/2 xícara (chá) de shoyu
  • 1 xícara (café) de saquê mirim
  • 1/4 xícara (chá) de nabo ralado(s)

Modo de Preparo

Como fazer

  1. Corte a cebola em rodelas e depois corte-as ao meio, espetando um palito para os anéis não se separarem.
  2. Corte a cenoura em fatias finas.
  3. Corte o pimentão em fatias finas.
  4. Corte a vagem ao meio sem separá-la totalmente, deixando 1 cm na base.
  5. Corte a abóbora japonesa em fatias finas.
  6. Corte a batata doce em fatias finas.
  7. Tire as pontas da ervilha torta e o fiapo fibroso que fica na lateral.
  8. Corte a berinjela em fatias finas.
  9. Corte a couve-flor em talos pequenos.
  10. Corte o brócolis em talos pequenos.
  11. Limpe e tire a casca do camarão e faça três cortes horizontais na barriga, para que ele fique reto na hora de fritar.

Massa

  1. Bata o ovo levemente.
  2. Misture a água gelada com o ovo.
  3. Acrescente a farinha toda de uma vez e misture, não se preocupando em dissolver totalmente a farinha. Pode deixar alguns grumos. Eles dão crocância durante a fritura.
  4. Acrescente o camarão e os legumes e frite-os em óleo quente (180º C) por 1 a 3 minutos, colocando com uma colher pequenos bolinhos, até que fiquem ligeiramente dourados.
  5. Retire do óleo e deixe-os escorrer em uma grade (melhor que no papel absorvente, que vai deixar o tempurá encharcado). Você pode improvisar um escorredor de frituras com seu escorredor de louças.

Molho

  1. Misture o caldo de peixe, o shoyu e o sake mirim e aqueça-os em uma panela.
  2. Antes de servir com o tempurá, acrescente o nabo ralado.
Dicas:
– Para se fazer um bom tempurá, é importante que a água esteja bem gelada e a farinha não se dissolva totalmente, ficando empelotada.
– A massa do tempurá é a última coisa que deve ser feita.
– Se você não for usá-la completamente, faça apenas meia receita, pois ela não pode ser guardada.
– Para saber se o óleo está na temperatura exata, jogue um pouco de massa. Se ela subir à superfície rapidamente, o óleo está no ponto.
– Certifique-se de que os legumes e os camarões estejam bem secos.
– Para o molho, você poderá usar caldo de peixe em tabletes ou em pó.
– Se você quiser um tempurá mais dourado, use mais um ovo.
– Os ingredientes são apenas uma sugestão, você poderá usar qualquer tipo de legumes ou frutos do mar.

 

 

 

 

*Os kanji (漢字) são caracteres da língua japonesa adquiridos a partir de caracteres chineses, da época da Dinastia Han, que se utilizam para escrever em japonês junto com os caracteres katakana e hiragana. No mundo ocidental, kanji também é sinônimo de ideograma.

 

 

Fonte:

Silvia Kawanami, Japão em Foco

Os Meus 10 Melhores Filmes sobre Viagens no Tempo

Numa conversa com amigos sobre cinema e ficção, surgiu o tema inevitável da viagem no tempo, um dos meus favoritos. Esse tema já foi explorado em todas as mídias da cultura pop, seja em livros, quadrinhos e, claro, cinema.

A viagem no tempo se refere ao conceito de mover-se para trás e para frente através de pontos diferentes no tempo, em um modo análogo à mobilidade pelo espaço. Algumas interpretações de viagem no tempo sugerem a possibilidade de viajar através de realidades paralelas. A possibilidade real de uma viagem dessas ainda é nula, pelo fato de não termos conseguido a tecnologia que a tornasse viável.

Qualquer ferramenta que permita viagens no tempo teria que resolver os problemas relacionados com causalidade , e na ausência de provas de que as viagens do tempo são possíveis, é mais simples supor que não são.  Stephen Hawking sugeriu certa vez que a ausência de turistas vindos do futuro é um excelente argumento contra a existência de viagens no tempo. A Teoria da Relatividade de Einstein diz que, se fosse possível viajar mais rápido do que a luz, então a viagem no tempo seria possível.

Mas um de meus autores favoritos , H. G. Wells (foto abaixo), resolveu esse problema em 1895, quando escreveu seu livro “A Máquina do Tempo”. Nele, o personagem principal desenvolve, com base em conceitos matemáticos, uma máquina capaz de se mover pela Quarta Dimensão, neste caso considerada como a dimensão do tempo. Com ela, viaja até ao ano de 802.701 onde encontra os Elóis, pacíficos e dóceis remanescentes dos humanos, aparentemente vivendo num mundo paradisíaco, sem qualquer tipo de preocupações, até perceber que eles servem de alimento para uma outra raça, os Morlocks, que vivem no subterrâneo e que, apesar de outrora terem sido dominados pelos Elóis, tornaram-se predadores destes.

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Essa obra gerou versões para o cinema e inspirou muitas outras. Como adoro cinema e esse tema, decidi fazer minha listinha dos Top 10 sobre Viagens no Tempo.

10. A Máquina do Tempo (1960)

Com Rod Taylor, versão bastante fiel do livro de Wells. Teve uma versão em 2012 que, apesar dos efeitos especiais serem melhores, como filme é beeem inferior.

9. Meia-Noite em Paris (2011)

Um dos melhores de Woody Allen, conta a história de um roteirista bem sucedido de Hollywood que considera suas obras um verdadeiro lixo. Seu sonho é largar tudo e se tornar um escritor. Visitando Paris com a noiva e o rascunho de uma romance pra lá de saudosista, tudo é pretexto para lembrar do passado e dos que fizeram arte ao respirar a Cidade Luz. Um dia, andando pelas ruelas parisienses sob o efeito de algumas doses de vinho, ele acaba viajando no tempo e vai parar na década de 20, onde descobre sua verdade.

8.Em Algum Lugar do Passado (1980)

Belo filme, bela trilha, dois belos atores, Christopher Reeve e Jane Seymour. Um jovem teatrólogo conhece na noite de estreia da sua primeira peça uma senhora idosa que lhe dá um antigo relógio de bolso enquanto, em tom de súplica, lhe diz: “volte para mim”. Ela se retira sem dizer mais nada. Obcecado por ela, o rapaz vai pesquisar e descobre que uma atriz que fez uma peça no mesmo teatro no começo do século era a mulher que lhe deu o relógio. Para desvendar o quebra-cabeças, ele tem que voltar a algum lugar do passado. Revi não faz muito tempo, e continua muito bom.

7. Feitiço do Tempo (1993)

Roteiro de Harold Ramis (um dos Caça-Fantasmas), esse filme divertido e original mostra que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”… Rsrsr. O repórter interpretado por Bill Murray vai a uma pequena cidade para fazer uma matéria especial sobre o inverno. Querendo ir embora o mais rapidamente possível, ele inexplicavelmente fica preso no tempo, sendo condenado a repetir sempre os eventos daquele dia.

6. Os 12 Macacos (1995)

Bruce Willys ao lado de Brad Pitt (que dá um show). No futuro, a humanidade está sendo devastada por um vírus e um prisioneiro (Bruce) é enviado ao passado para reunir informações sobre esse vírus e como combatê-lo. Sensacional em todos os aspectos.

5. Efeito Borboleta (2004)

O único longa que assisti com o Ashton Kutcher (não assisti “Jobs”). Ele é um estudante de psicologia que sofreu diversos traumas de infância e descobre ter o poder de viajar no tempo para “consertar” o passado. Só que, graças ao roteiro brilhante, ele cria situações catastróficas. Imperdível.

4. Déjà Vu (2006)

Pra variar, Denzel Washington está muito bem nesse filme onde interpreta um agente da polícia que volta no tempo para salvar uma mulher de ser assassinada – e se apaixona por ela no processo. O filme é tenso, muito bom, e tem momentos realmente de arrancar o braço da poltrona.

3. O Planeta dos Macacos (1968)

Claro que a versão de 1968 (primeira foto) é um clássico, mas gostei do remake (segunda foto) de 2001, de Tim Burton, com show de Tim Roth (na foto acima, estrangulando Mark Wahlberg). Se alguém ainda não assistiu, o filme narra as desventuras de um astronauta americano que viaja por séculos em estado de hibernação. Ao acordar, ele e seus companheiros se vêem em um planeta dominado por macacos, no qual os humanos são tratados como escravos e nem mesmo têm o dom da fala. Outro filme imperdível.

2.O Exterminador do Futuro (1984)

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James Cameron (Titanic, Avatar...) revolucionou o gênero por duas vezes, primeiro dando o melhor papel da vida de Arnold no primeiro “Exterminador” (ele não tinha falas, ah ah ah ah!) e depois com a sequência, onde além de apresentar efeitos visuais inovadores para a época, imortalizou uma das frases mais famosas do cinema, dita pelo mesmo Schwarza: “I’ll be back!”.  O ex-fisiculturista e ex-governador da Califórnia faz um androide que volta no tempo para eliminar aquela que seria a mãe do futuro líder da resistência dos homens contra as máquinas. Os dois filmes são espetaculares, e a partir daí  Schwarzenegger tornou-se…  Schwarzenegger.

1. De Volta para o Futuro (1985)

Os três filmes são obras-primas. Michael J. Fox como Marty McFly, o DeLorean turbinado, o professor aloprado, a piada de Marty na cama com a futura mãe o chamando de Calvin Klein, o skate voador, essas e outras memoráveis sequências fazem parte da história do cinema. No filme original, um adolescente volta acidentalmente ao passado no carro-do-tempo inventado pelo prof. Emmet Brown e precisa garantir que seus pais se conheçam para salvar sua própria existência.

Estes são meus top 10, e estou pensando aqui que faltaram tantos filmes que eu deveria ter feito um top-20…

O Pontiac alérgico a sorvete de baunilha…

Mais uma lenda urbana, descoberta a partir de um e-mail que recebi…

Decepcionante! Mais uma bela e interessante história, objeto de aulas e seminários, vai pro brejo. Dá até pena jogá-la no rol das lendas, mas esse é seu o lugar.

A GM – General Motors, fabricante do Pontiac, nunca desmentiu nem confirmou a história certamente baseada na premissa de que “boato a favor não se desmente”. O fato é que jamais houve confirmação da ocorrência dos fatos narrados. Não existem provas nem indícios de que eles tenham efetivamente acontecido.

Onde, quando e quem?

Como em todas as lendas, os dados são imprecisos. A mensagem faz referência ao ano de 1999, mas a história circula há muito mais tempo, tempo indeterminado e teria surgido na década de 70 nos Estados Unidos.

Quanto a ondequem, existem poucas pistas: apenas a marca do carro e o tipo de sorvete. O fato teria ocorrido em cidade incerta e não sabida dos Estados Unidos e os personagens envolvidos – o dono do carro e o engenheiro – também não são identificados. Esqueceram até de dizer o nome da sorveteria.

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O que chama atenção é o curioso hábito dessa família cujo chefe é um senhor bem-sucedido na vida e dono de vários carros: comer sorvete depois do jantar. A esse chefe de família cabia a tarefa de comprar, todas as noites, uma certa quantidade de sorvete. E ele escolhia sempre o mesmo carro para ir comprar sorvete: o Pontiac. Pelo menos é o que diz a história.

A mensagem não diz onde mora ou morava o proprietário do Pontiac, mas o engenheiro da General Motors esteve à disposição dele durante, pelo menos, duas semanas apenas para acompanhar a sua ida noturna à sorveteria. Depois de duas semanas de anotações, estudos e análises, o diligente engenheiro fez a grande descoberta: como o tempo de compra era muito mais reduzido no caso da baunilha em comparação com o tempo dos outros sabores, o motor não chegava a esfriar. 

Interessante, não?!

Só pra misturar o raciocínio: o motor não chegava a esfriar? Em quanto tempo um motor de carro esfria? Meia hora? Uma hora? Quinze minutos? Faça um teste com o seu carro e verifique em quanto tempo o motor esfria (a menos que ele seja um Pontiac :))

Considere, também, como hipótese de trabalho, variadas localidades e climas: Miami durante o verão, Chicago ou Seattle durante o inverno.

E por falar em tempo de esfriamento de motor: não seria o caso de o bem-sucedido proprietário do Pontiac ter enviado a carta ao dono da sorveteria que tanto demorava para atender o pedido a ponto de o motor do carro esfriar?

Veja o e-mail original:

O Sorvete de Baunilha e a GM.

Olhem como qualquer reclamação de um cliente pode levar a uma descoberta totalmente inesperada do seu produto. Parece coisa de louco, mas não é. Esta é a moral de uma história que está circulando de boca em boca entre os principais especialistas norte-americanos em atendimento ao cliente.

A história ou “causo”, como está sendo batizada aqui no Brasil, começa quando o gerente da divisão de carros da Pontiac, da GM dos EUA, recebeu uma curiosa carta de reclamação de um cliente. Eis o que ele escreveu:

“Esta é a segunda vez que mando uma carta para vocês, e não os culpo por não me responder. Eu posso parecer louco, mas o fato é que nós temos uma tradição em nossa família, que é a de comer sorvete depois do jantar. Repetimos este hábito todas as noites, variando apenas o tipo do sorvete, e eu sou o encarregado de ir comprá-lo.

Recentemente comprei um novo Pontiac e desde então minhas idas à sorveteria se transformaram num problema. Sempre que eu compro sorvete de baunilha, quando volto da loja para casa, o carro não funciona. Se compro qualquer outro tipo de sorvete, o carro funciona normalmente.

Os senhores devem achar que eu estou realmente louco, mas não importa o quão tola possa parecer minha reclamação. O fato é que estou muito irritado com meu Pontiac modelo 99.”

A carta gerou tantas piadas do pessoal da GM que o presidente da empresa acabou recebendo uma cópia da reclamação. Ele resolveu levar a sério e mandou um engenheiro conversar com o autor da carta. O funcionário e o reclamante, um senhor bem-sucedido na vida e dono de vários carros, foram juntos à sorveteria no fatídico Pontiac.

O engenheiro sugeriu sabor baunilha para testar a reclamação e o carro efetivamente não funcionou. O funcionário da GM voltou nos dias seguintes, à mesma hora, e fez o mesmo trajeto, e só variou o sabor do sorvete. Mais uma vez, o carro só não pegava na volta, quando o sabor escolhido era baunilha.

O problema acabou virando uma obsessão para o engenheiro, que passou a fazer experiências diárias, anotando todos os detalhes possíveis, e depois de duas semanas chegou à primeira grande descoberta.

Quando escolhia baunilha, o comprador gastava menos tempo, porque este tipo de sorvete estava bem na frente. Examinando o carro, o engenheiro fez nova descoberta: como o tempo de compra era muito mais reduzido no caso da baunilha em comparação com o tempo dos outros sabores, o motor não chegava a esfriar. Com isso os vapores de combustível não se dissipavam, impedindo que a nova partida fosse instantânea.

A partir deste episódio, a Pontiac mudou o sistema de alimentação de combustível e introduziu a alteração em todos os modelos a partir da linha 99. Mais que isso, o autor da reclamação ganhou um carro novo, além da reforma do que não pegava com sorvete de baunilha.

A GM distribuiu também um memorando interno, exigindo que seus funcionários levem a sério até as reclamações mais estapafúrdias, “porque pode ser que uma grande inovação esteja por atrás de um sorvete de baunilha” diz a carta da GM.

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