7 habilidades que todo mundo devia ter

Existem certas habilidades que só ajudam a melhorar a nossa qualidade de vida. Seja vivendo numa grande metrópole ou numa cidade pequena, ou morando sozinho – ou mesmo com uma família numerosa. São habilidades que deixam a pessoa mais independente, mais capacitada a enfrentar situações inesperadas e que contribuem para lhe dar mais segurança. Confesso que não domino todas, mas estou a caminho disso…

1. Pregar um botão: ainda não domino essa complicada técnica, da última vez costurei o botão da camisa junto com as costas dela… Mas, eu chego lá! Depois de anos de estudo, concluí que a primeira coisa a se fazer é montar um kit básico,  contendo agulha, tesoura, linhas de cores variadas, fita métrica e mais alguma coisa que ainda não sei o que é, mas que vou colocar lá, porque achei o kit muito mixuruca. Descobri também que o segredo é usar linha dupla na agulha e dar o nó na ponta. Deve-se dar várias voltas pelos furinhos do botão, mantendo a linha sempre esticada. Depois de pregar, basta fazer dois nós do lado de dentro da roupa, para que o botão não solte mais. Isso eu já sei, só não consegui ainda fazer os nós…

2. Passar camisa: essa é complicada, além de muito chato de fazer – pra mim, é um verdadeiro esporte radical! Esquenta o ferro, correndo o risco de se queimar com ele, depois estica a roupa e não pode se distrair senão queima o tecido, maior adrenalina! Sem contar a descoberta que eu fiz: não dá pra passar roupa e ficar mandando mensagens pro Facebook ao mesmo tempo… Disseram que o segredo é começar pelas partes menores, passar primeiro a gola, os punhos, as mangas e, por último, as costas e a frente da camisa. E que ter um bom ferro e uma boa mesa facilitam muito… Será que passar no chão, como eu faço, é que complica as coisas?

3 Trocar pneu: ah, ah, ah! Nisso sou mestre (veja a foto abaixo, eu e meus camaradas trocando o pneu do carro em movimento…). Muitas seguradoras já oferecem esse serviço extra. Porém, se você estiver com muita pressa, é melhor saber se virar. O mais importante é checar se o seu carro está equipado com as ferramentas necessárias: triângulo, chave de roda e macaco. E, claro, o estepe, e que esteja perfeito. Pra não passar o que sofreu um amigo: só na hora do aperto ele viu que o estepe também estava furado!

4. Fazer um drink: outra habilidade em que sou campeão. E não me limito a caipirinha, não, sei fazer desde Manhattan até um dry martini matador. Na verdade, eu tinha até um livro que me servia de bíblia, com 100 drinques famosos. Comprei também todas as bebidas, licores, coqueteleira, colher, copos especiais… Acho o máximo misturar isso com aquilo, uma verdadeira alquimia, e minha única frustração é não ter ainda conseguido voluntários pra me ajudar a misturar um drinque como na foto abaixo…

5. Trocar fralda: essa é terrível, eu sei, mas há ocasiões em que não tem jeito e você tem que literalmente colocar a mão na… Er… massa. Meu genro passou por isso faz poucas semanas e não conseguiu realizar o feito, depois de passar mal e se ver obrigado a chamar o Hugo.  A solução dele foi trancar a porta do quarto contaminado – não me lembro se com a bebê dentro… –  e aguardar até que a mãe chegasse. Mas não é tão difícil assim: depois de colocar uma máscara contra gases, vestir luvas e se armar de coragem, a primeira coisa que terá de fazer, após retirar a fralda suja, é limpar a pele do bebê com algodão embebido em água morna, ou usando um lencinho umedecido, para remover os resíduos de urina e fezes. A seguir, basta secar a pele da criança com uma fralda de pano, passar uma camada fina da pomada que previne assaduras e fechar a fralda descartável. Eu sei, eu sei, parece simples (e é mesmo!), mas tenho uma dica extra: se a coisa estiver muito feia, tome um drinque (ou mais de um!) antes dessa seção de tortura – mas não exagere, pra não correr o risco de a mãe chegar e ver o bebê com a fralda descartável presa na cabeça.

6. Dar nó em gravata: é uma verdadeira ciência, e depois de anos de tentativa, desisti. Minha solução foi comprar uma gravata, pedir à vendedora da loja que desse o nó pra mim e, desde então, guardo a gravata com o nó pronto. Quando preciso, enfio a gravata por cima da cabeça e saio todo pimpão, com as pessoas admirando aquele nó clássico que elas pensam que eu que fiz! Mas há uma saída para quem é mais habilidoso que eu, e mais paciente também: depois que descobri que existem inúmeros tipos de nó de gravata, fiquei sabendo que há na internet diversos passo a passo com fotos e desenhos, além de tutoriais em vídeo, que resolvem o problema de quem não tem intimidade com o assunto. No meu caso, ainda vem servindo a minha gravata com nó pronto…

Devia é existir um curso, com provas regulares, TCC, diploma e pós-graduação. Eu me matricularia.

7. Cozinhar: outra habilidade que ainda me falta. Meu último arroz estava incomível e serviu como argamassa na obra do vizinho. Meu ovo frito grudou de tal forma na frigideira que não saiu nem com formão, e a frigideira foi pro lixo com aquela espécie de durepoxi que não saía. E o miojo ficou tão cozido que não havia garfo que segurasse, e comer com a mão, como Conan, o Bárbaro, não foi opção. Nem mesmo a pipoca de microondas deu certo: esqueci no forno de microondas da casa de uma amiga e a fumaça do queimado era tanta que os vizinhos chamaram os bombeiros, pensando que fosse incêndio.  Já me aventurei várias vezes na cozinha, seguindo conselhos de gente que se preocupa com o bem-estar dos ingredientes que manipulo: “tente fazer algo de que goste muito; leia livros de receitas; assista programas de culinária; não tenha medo de errar”. Sei que esses conselhos são válidos e ainda não me dei por vencido, porque a última lição que aprendi foi que só precisamos de dois ingredientes básicos: coragem e fome (e um ingrediente extra, no meu caso: aprender como se acende o forno). Me aguardem!

O primeiro projeto de Metrô de São Paulo

Há poucos dias, publiquei um post sobre como era a cidade de São Paulo antes do monstrengo, digo, Minhocão (aqui), e que hoje é alvo de especulações sobre seu fim. Ou será demolido ou transformado em um parque linear. Seja qual for seu destino, será mais uma mudança na paisagem desta metrópole, que no passado tinha como lema “São Paulo não pode parar” e hoje está literalmente congestionada.

Uma das soluções para desafogar a cidade seria a ampliação da rede do Metrô, atualmente saturado, e que foi inaugurado em 1974. O incrível é que o primeiro projeto do nosso metropolitano é de  1926!

Confira a ótima matéria preparada por Douglas Nascimento que reproduzo abaixo. Douglas é jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga, e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

O Tramway da Cantareira:

O serviço a vapor do Trem da Cantareira era consideravelmente deficitário. Para tentar reverter esta situação, o Governo do Estado de São Paulo passou a estudar alternativas de melhorar o sistema, tornando-o atraente aos passageiros – e lucrativo. Outra problema crônico eram as reclamações constantes dos moradores da região atendida pelo ramal, que sofriam com a demora da composição, que só passava de duas em duas horas, enquanto os bairros atendidos pelos bondes tinham transporte a cada 15 minutos. No recorte do jornal Correio Paulistano, de 16 de março de 1926, o apelo pela mudança no sistema.

Correio Paulistano

Neste mesmo ano, após intensos estudos do governo, sairia o ousado e moderno projeto de eletrificação do Tramway da Cantareira.  Veja como ele seria:

A ideia do projeto consistia em substituir totalmente o vapor desde o início do serviço até seu final, em Guarulhos, eletrificando o serviço por completo. Além disso, tinha a ideia de que uma vez eletrificado, o serviço iria se conectar com os demais serviços de bonde da capital, tornando o lento transporte da zona norte paulistana mais rápido e eficiente.

A ilustração abaixo mostra um trecho que seria atendido por pelo menos duas linhas diferentes de bonde, além da linha férrea da São Paulo Railway. A linha mais ao alto seria a do Tramway da Cantareira.

O projeto previa também novas estações pelo percurso, já que boa parte da linha seria suspensa, muito parecida com o que acabou saindo do papel décadas mais tarde com a linha norte-sul do Metrô. A imagem abaixo mostra o estudo de uma estação no Parque D.Pedro II, elevando-se sobre o Rio Tamanduateí. Note que, embora em posição diferente da usada na Estação Pedro II atual, o conceito de parada era muito parecido.

Uma das ideias do Governo do Estado era também de estender o ramal de Guarulhos até a cidade de Santa Isabel, o que teria sido algo bastante arrojado para a época. Entretanto, isso nunca aconteceu, nem mesmo na linha a vapor que ia até o centro de Guarulhos e depois até a base aérea de Cumbica. Havia também o interesse do governo de passar a administração do Tramway da Cantareira para a Light, e só não ficou claro quem ia arcar com os custos dessa obra vultosa, se o governo ou a empresa estrangeira.

O croqui abaixo mostra o quão semelhante o projeto de 1926 era com o sistema atual do Metrô. Impossível olhar para a ilustração e não lembrar da nossa Linha 1 – Azul:

O projeto infelizmente nunca saiu do papel e o ramal da Cantareira continuou sendo um serviço lento, desatualizado e deficiente até ser desativado na década de 60. Sobre os motivos pelos quais a eletrificação do Tramway da Cantareira nunca virou realidade há muitas explicações, indo desde que não era interessante para a Light ou que não existia verba suficiente para tocar o ousado projeto.

A única verdade é que se esse incrível projeto tivesse realmente sido concretizado, a cidade de São Paulo teria iniciado o Metrô muitas décadas antes e hoje, provavelmente, teríamos muitos mais quilômetros e quilômetros de transporte coletivo eficiente e seríamos uma cidade muito menos dependente do carro. Mas isso, como muitas grandes ideias, ficou apenas no papel.

Abaixo, mais ilustrações do projeto: 

Divulgação

O entorno de lugares famosos

Uma vez, um amigo tirou uma foto das pirâmides do Egito e, ao fundo, se viam casas e prédios. Perguntei a ele se as pirâmides ficavam tão perto da cidade assim e ele me respondeu: “Não, a cidade é que avançou para as pirâmides”.

Parte das fotos abaixo mostra isso, que algumas construções históricas estão ameaçadas pelo avanço da “civilização”. O prejuízo não é apenas visual (quando foram concebidas, o entorno era outro); elas correm o risco de depredações, também. Mas continuam sendo patrimônios da humanidade: naturais, históricos, arquitetônicos, científicos, religiosos, artísticos, todos fazem parte da história e cultura do ser humano. Que ensinemos nossos filhos, desde pequenos, a respeitá-los e preservá-los.

Outras fotos mostram o edifício ou o local histórico em seu contexto real, sem a busca pelo melhor ângulo. Acho interessante, especialmente porque cada foto mostra exatamente a sua perspectiva e como a imponência dessa construção se destaca no todo. E outras, ainda, localizam o objeto ou o patrimônio da humanidade em sua perspectiva real.

Estas fotografias mostram como o enquadramento, o ângulo e a iluminação são importantes. O Portão de Brandenburgo e o Monte Rushmore são majestosos quando fotografados de um ângulo determinado, mas quando os mostramos em seu entorno, parecem tão normais…

O mais importante é que as fotos não reduzem a grandiosidade dos monumentos. Por exemplo, as fotos da Acrópole ou do Arco do Triunfo apenas servem para sublinhar como esses marcos são de fato impressionantes.

Pirâmides de Gizé

zoomed-out-landscapes-1-1

foto: Edward Ewert

foto: Raimond Spekking

 Stonehenge

foto: Amanda White

foto: e-architect.co.uk

Portão de Brandenburgo

foto: Paul Gamble

foto: imgur.com

 Sagrada Família

foto: Rainer Walter Schmied

foto: Aldas Kirvaitis

 Niagara Falls

zoomed-out-landscapes-17-1

foto: imgur.com

zoomed-out-landscapes-17-2

foto: imgur.com

  Acrópole

zoomed-out-landscapes-16-1

foto: imgur.com

zoomed-out-landscapes-16-2

foto: imgur.com

Monte Rushmore

foto: Lanis Rossi

foto imgur.com

 Santorini

foto: paowmagazine.com

foto: Csilla Zelko

 Mona Lisa

foto: Pascal Le Segretain

foto: traveljapanblog.com

Central Park, Nova York

foto: James

foto: Sergey Semenov

 Arco do Triunfo

foto: Kajo Photography

foto: imgur.com

A Pequena Sereia, Copenhagen

foto: wallpaperswiki.com

foto: cooldaddypop.com
 Viu como a mudança de perspectiva altera nossa visão das coisas? E isso se aplica tanto na fotografia quanto em qualquer coisa na vida.

 

O pior museu de cera do mundo

Acho que todo mundo já ouviu falar do Museu de Cera de Madame Tussaud.

 Ele possui a maior coleção de figuras de celebridades do mundo. A sede está em Londres, mas também existem filiais em Nova Iorque, Washington, Las Vegas, Orlando,  Los Angeles, Tóquio e muitas outras cidades.

O verdadeiro Ryan Reynolds está à esquerda…

Marie Tussaud nasceu em Estrasburgo, França, e  sua mãe trabalhou como governanta para o Dr. Philippe Curtius, um médico com talento em modelação da cera, que ensinou à menina essa arte. Ela começou sua carreira fazendo em cera máscaras de vítimas famosas da Revolução Francesa. Então, se mudou para a Inglaterra em 1802, aceitando uma oferta de um mágico para exibir suas criações no espetáculo dele.

Por conta das guerras napoleônicas, ela não pôde voltar à França e continuou viajando pela Grã-Bretanha exibindo sua coleção, até que se estabeleceu na Baker Street em Londres (isso mesmo, a rua onde teria vivido Sherlock Holmes!) e lá abriu seu museu. Para incrementar a coleção, ela adicionou figuras de Lord Nelson e de outras celebridades da época.

O sucesso das figuras de cera de Madame Tussaud sempre se deveu à extrema fidelidade aos modelos reais, assombrosamente parecidos com as pessoas de carne e osso.

Mas há um Tussaud que rompeu com a família e abriu seu próprio museu: Louis Tussaud’s House of Wax, que hoje fica em Norfolk, região litorânea no leste da Inglaterra.

Bisneto da fundadora, ele brigou com o irmão – diretor artístico do Museu de Cera famoso – talvez porque seus trabalhos de modelagem não chegassem a alcançar os critérios estabelecidos pela casa famosa.

Furioso, passou a exibir seus trabalhos em seu museu, transformando-o no mundialmente conhecido “Pior Museu de Cera” da história. E seus seguidores continuam mantendo a… Digamos… Tradição em criar os piores bonecos de cera de todos os tempos. Alguns exemplos:

É ele, sim, o Arnold.

O… Glup!… Michael Jackson.

Supostamente, o Mr. Bean.

Victoria Beckham de verdade.

Essa é a Victoria Beckham do museu de cera, juro!

Todo mundo sabe quem é esse, não? O Charles…

E todo mundo sabe quem são esses, não é mesmo?

Pra encerrar a exibição, a semelhança é incrível…

Sem querer zoar demais, mas já fazendo isso… Compare com os bonecos de cera dos 007 que foram exibidos no Madame Tussaud.

Da esquerda para a direita, Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan.

O atual James Bond, Daniel Craig.

O irmão de Louis Tussaud teve razão em demiti-lo, certo?

 

As alucinantes esculturas de papel

O chinês Li Hongbo, que vive e trabalha em Beijing, na China, desafiou os conceitos tradicionais da escultura e passou a criar estruturas de papel flexíveis. Aquilo que costuma ser brincadeira de criança, quando você recorta o papel e cria figuras, virou arte, e ele continua buscando seus limites – que, aparentemente, ainda não foram alcançados.

Em janeiro do ano passado, ele inaugurou uma nova exposição em Nova York com esculturas que desafiam a percepção de realidade. Você pensa que são bustos de mármore e, de repente, eles se abrem e esticam. Confira.

Li HongBo Klein Sun AM 41

Li HongBo Klein Sun AM 36

Li HongBo Klein Sun AM 36

É incrível! O vídeo abaixo parece ter sido produzido com efeitos especiais.

E o vídeo a seguir foi feito por uma pessoa que entrou numa galeria de arte em Miami, e o rapaz estava curioso porque um monte de gente se reunia em volta de um busto com um aspecto comum. De repente…

Como era São Paulo sem o Minhocão

O Minhocão, uma via elevada que corta São Paulo – como se vê na foto acima – ,  voltou à pauta depois que foi divulgado que, pelo novo Plano Diretor da cidade, ele está com os dias contados. Ainda não se conhece seu destino, se ele vai virar um parque linear ou se será demolido.

Mas achei interessante conhecer como era a cidade sem ele, ou como ficou durante sua construção, segundo a reportagem de Rose Saconi para o jornal “O Estado de S. Paulo”:

Avenida São João antes da construção do elevado. Antonio Aguillar/Estadão

Nos anos 1930 e 1940 a av. São João, no centro da cidade, era a “Quinta Avenida” do paulistano e um dos redutos da boemia da cidade. Além de grande número de cinemas, o local contava com boas casas residenciais e lojas comerciais requintadas. A então valorizada região central da cidade, de agitada vida cultural, viria a perder o glamour com a construção do Minhocão.

Os melhores cinemas da cidade ficavam na Avenida São João e Ipiranga, no centro.

A rua Amaral Gurgel, antes do elevado.

Praça Marechal Deodoro, em 1956.

A mesma praça em 1987, com o Minhocão rugindo sobre ela…

Vista noturna da Av. São João nos anos 1970, antes das obras do Minhocão.

Alguns dos bairros ao redor do Minhocão, como Santa Cecília e Higienópolis, foram escolhidos pelos barões do café para a construção de mansões e palacetes no início do século 20. Casarões, já com garagens, eram ocupados por pessoas de classe média alta. Nas ruas, cavalheiros de terno e mulheres bem vestidas. Mas no fim da década de 1950, com a avenida Paulista já recebendo os primeiros edifícios e conjuntos comerciais, a região começou a dar os primeiros sinais de deterioração. A construção do Minhocão acentuou a degradação da região e provocou drástica desvalorização imobiliária. Antes mesmo da inauguração, as placas de “vende-se” já cobriam as fachadas dos prédios da São João.

A construção do elevado.

Obra do Minhocão na av. São João.

O projeto do elevado São João teve origem na administração do prefeito Faria Lima (1965/1969). Foi apresentado a ele pelo arquiteto Luiz Carlos Gomes Cardim Sangirardi, mas foi recusado. O projeto foi retomado pelo prefeito biônico Paulo Maluf. Foi construído a toque de caixa, em apenas 11 meses. Maluf tinha pressa, seu mandato era de apenas dois anos, como o de todos os prefeitos indicados durante a ditadura militar. Em menos de um ano a população viu surgir uma obra monumental que passava entre os prédios e recebera o nome de Elevado Costa e Silva, em homenagem ao segundo presidente da ditadura militar. A via elevada, que prometia uma ligação rápida entre as zonas leste e oeste, foi entregue aos paulistanos no dia 25 de janeiro de 1971 como um “presente” do prefeito. Curiosamente, naquele dia um carro quebrado provocou o primeiro grande congestionamento do Minhocão, coisa que vem acontecendo até hoje.
Hoje se vê que os benefícios dessa obra, feita sem planejamento cuidadoso e que destruiu uma área urbana, foram rapidamente engolidos pelo chamado “progresso”. Com poluição ambiental em cima e degradação social embaixo, o Minhocão é uma cicatriz na cidade.

Técnico do IPT monitorando o nível de ruído no que restou da Avenida São João, em 1989.

Congestionamento no Elevado, em 1990.

Os baixos do Minhocão eram ocupados por moradores de rua e usuários de droga até agosto de 2015, quando a prefeitura inaugurou uma ciclovia na área e os transferiu para os centros de acolhida municipais.

 Vamos torcer para que a decisão sobre esse desastre urbano que é o Minhocão seja tomada logo e que sua revitalização seja implantada ainda neste século…

Fotos do passado

Duvido que as pessoas que tiraram estas fotos fizessem ideia da importância que elas teriam, e que deixariam as pessoas tão maravilhadas no futuro. O mais interessante nelas, talvez, seja a constatação de que a vida era tão diferente – e ao mesmo tempo tão parecida – como a de hoje.

  • Dizem que este foi o primeiro “selfie” da história (em 1839), o moço é Robert Cornelius, nos Estados Unidos.

  • Em 1900, um engraçadinho tirou a foto dessa mulher prestes a dar um espirro!

  • Boliche é um esporte bem antigo, e antes não havia o sistema automático que deixa os pinos em pé. Era tudo feito na mão, e um erro podia custar um dedo amassado a esses meninos “arrumadores de pinos de boliche” em 1914.

  • Em 1922, os concursos de beleza eram comuns. Pela foto abaixo, de duas ganhadoras de um deles, a gente pode constatar que o conceito de beleza se modificou um pouco ao longo dos anos.

  • A preocupação com a falta de concentração, por conta das distrações que nos cercam, não é uma novidade dos dias de hoje. Um americano, lá atrás, em 1925,  inventou o “Isolador”. Esse capacete bizarro supostamente deixaria seu usuário surdo, limitando seu campo de visão a uma minúscula brecha e um balão de oxigênio acoplado ao capacete impediria que a pessoa morresse asfixiada.

Não sei se o inventor, Hugo Gernsback, conseguiu vender algum de seus “Isoladores”. O que eu sei é que ele, além de inventor, era também editor e autor. Desde 1908 ele vinha publicando revistas diversas até que, um ano depois do “Isolador”, lançou aquela que viria a ser a primeira revista do mundo exclusivamente dedicada à ficção científica, Amazing Stories. Foi nessa revista que se inventou o termo “cientificção” antes de se decidir pelo definitivo “ficção científica”. Na Amazing Stories, Hugo deu a primeira oportunidade a autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

  • Foto incrível, de Hitler ensaiando seus discursos na frente de um espelho, em 1925.

  • Moto de uma roda, de 1930, e que podia alcançar até 140 km/h. Até hoje tem gente criando motos iguais a essa.

Vimos isso no filme “Homens de Preto 3″…

Mas, recentemente, numa universidade de Michigan, foi apresentada uma “monobike” que funcionava pra valer:

  • “Família que passeia e trabalha unida fica mais unida”. Esse deve ter sido o mote a inspirar a criação de uma bicicleta para a família, em 1939. Ela servia para quatro pessoas e a mamãe podia aproveitar o passeio e costurar algumas roupas, já que a bicicleta vinha com uma máquina de costura acoplada:
  • Como eu disse mais acima, os concursos de beleza eram muito populares no mundo todo. Em 1950, nos Estados Unidos, eles elegeram até a “Miss Bomba Atômica”…

Em resumo, mesmo que as coisas fossem diferentes então, a gente percebe que, lá no fundo, o espírito humano nunca muda. Nossa perseverança, capacidade de invenção e curiosidade permanecem desafiando o tempo.

 

Fonte:

news.distractify.com