7 habilidades que todo mundo devia ter

Existem certas habilidades que só ajudam a melhorar a nossa qualidade de vida. Seja vivendo numa grande metrópole ou numa cidade pequena, ou morando sozinho – ou mesmo com uma família numerosa. São habilidades que deixam a pessoa mais independente, mais capacitada a enfrentar situações inesperadas e que contribuem para lhe dar mais segurança. Confesso que não domino todas, mas estou a caminho disso…

1. Pregar um botão: ainda não domino essa complicada técnica, da última vez costurei o botão da camisa junto com as costas dela… Mas, eu chego lá! Depois de anos de estudo, concluí que a primeira coisa a se fazer é montar um kit básico,  contendo agulha, tesoura, linhas de cores variadas, fita métrica e mais alguma coisa que ainda não sei o que é, mas que vou colocar lá, porque achei o kit muito mixuruca. Descobri também que o segredo é usar linha dupla na agulha e dar o nó na ponta. Deve-se dar várias voltas pelos furinhos do botão, mantendo a linha sempre esticada. Depois de pregar, basta fazer dois nós do lado de dentro da roupa, para que o botão não solte mais. Isso eu já sei, só não consegui ainda fazer os nós…

2. Passar camisa: essa é complicada, além de muito chato de fazer – pra mim, é um verdadeiro esporte radical! Esquenta o ferro, correndo o risco de se queimar com ele, depois estica a roupa e não pode se distrair senão queima o tecido, maior adrenalina! Sem contar a descoberta que eu fiz: não dá pra passar roupa e ficar mandando mensagens pro Facebook ao mesmo tempo… Disseram que o segredo é começar pelas partes menores, passar primeiro a gola, os punhos, as mangas e, por último, as costas e a frente da camisa. E que ter um bom ferro e uma boa mesa facilitam muito… Será que passar no chão, como eu faço, é que complica as coisas?

3 Trocar pneu: ah, ah, ah! Nisso sou mestre (veja a foto abaixo, eu e meus camaradas trocando o pneu do carro em movimento…). Muitas seguradoras já oferecem esse serviço extra. Porém, se você estiver com muita pressa, é melhor saber se virar. O mais importante é checar se o seu carro está equipado com as ferramentas necessárias: triângulo, chave de roda e macaco. E, claro, o estepe, e que esteja perfeito. Pra não passar o que sofreu um amigo: só na hora do aperto ele viu que o estepe também estava furado!

4. Fazer um drink: outra habilidade em que sou campeão. E não me limito a caipirinha, não, sei fazer desde Manhattan até um dry martini matador. Na verdade, eu tinha até um livro que me servia de bíblia, com 100 drinques famosos. Comprei também todas as bebidas, licores, coqueteleira, colher, copos especiais… Acho o máximo misturar isso com aquilo, uma verdadeira alquimia, e minha única frustração é não ter ainda conseguido voluntários pra me ajudar a misturar um drinque como na foto abaixo…

5. Trocar fralda: essa é terrível, eu sei, mas há ocasiões em que não tem jeito e você tem que literalmente colocar a mão na… Er… massa. Meu genro passou por isso faz poucas semanas e não conseguiu realizar o feito, depois de passar mal e se ver obrigado a chamar o Hugo.  A solução dele foi trancar a porta do quarto contaminado – não me lembro se com a bebê dentro… –  e aguardar até que a mãe chegasse. Mas não é tão difícil assim: depois de colocar uma máscara contra gases, vestir luvas e se armar de coragem, a primeira coisa que terá de fazer, após retirar a fralda suja, é limpar a pele do bebê com algodão embebido em água morna, ou usando um lencinho umedecido, para remover os resíduos de urina e fezes. A seguir, basta secar a pele da criança com uma fralda de pano, passar uma camada fina da pomada que previne assaduras e fechar a fralda descartável. Eu sei, eu sei, parece simples (e é mesmo!), mas tenho uma dica extra: se a coisa estiver muito feia, tome um drinque (ou mais de um!) antes dessa seção de tortura – mas não exagere, pra não correr o risco de a mãe chegar e ver o bebê com a fralda descartável presa na cabeça.

6. Dar nó em gravata: é uma verdadeira ciência, e depois de anos de tentativa, desisti. Minha solução foi comprar uma gravata, pedir à vendedora da loja que desse o nó pra mim e, desde então, guardo a gravata com o nó pronto. Quando preciso, enfio a gravata por cima da cabeça e saio todo pimpão, com as pessoas admirando aquele nó clássico que elas pensam que eu que fiz! Mas há uma saída para quem é mais habilidoso que eu, e mais paciente também: depois que descobri que existem inúmeros tipos de nó de gravata, fiquei sabendo que há na internet diversos passo a passo com fotos e desenhos, além de tutoriais em vídeo, que resolvem o problema de quem não tem intimidade com o assunto. No meu caso, ainda vem servindo a minha gravata com nó pronto…

Devia é existir um curso, com provas regulares, TCC, diploma e pós-graduação. Eu me matricularia.

7. Cozinhar: outra habilidade que ainda me falta. Meu último arroz estava incomível e serviu como argamassa na obra do vizinho. Meu ovo frito grudou de tal forma na frigideira que não saiu nem com formão, e a frigideira foi pro lixo com aquela espécie de durepoxi que não saía. E o miojo ficou tão cozido que não havia garfo que segurasse, e comer com a mão, como Conan, o Bárbaro, não foi opção. Nem mesmo a pipoca de microondas deu certo: esqueci no forno de microondas da casa de uma amiga e a fumaça do queimado era tanta que os vizinhos chamaram os bombeiros, pensando que fosse incêndio.  Já me aventurei várias vezes na cozinha, seguindo conselhos de gente que se preocupa com o bem-estar dos ingredientes que manipulo: “tente fazer algo de que goste muito; leia livros de receitas; assista programas de culinária; não tenha medo de errar”. Sei que esses conselhos são válidos e ainda não me dei por vencido, porque a última lição que aprendi foi que só precisamos de dois ingredientes básicos: coragem e fome (e um ingrediente extra, no meu caso: aprender como se acende o forno). Me aguardem!

O primeiro projeto de Metrô de São Paulo

Há poucos dias, publiquei um post sobre como era a cidade de São Paulo antes do monstrengo, digo, Minhocão (aqui), e que hoje é alvo de especulações sobre seu fim. Ou será demolido ou transformado em um parque linear. Seja qual for seu destino, será mais uma mudança na paisagem desta metrópole, que no passado tinha como lema “São Paulo não pode parar” e hoje está literalmente congestionada.

Uma das soluções para desafogar a cidade seria a ampliação da rede do Metrô, atualmente saturado, e que foi inaugurado em 1974. O incrível é que o primeiro projeto do nosso metropolitano é de  1926!

Confira a ótima matéria preparada por Douglas Nascimento que reproduzo abaixo. Douglas é jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga, e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

O Tramway da Cantareira:

O serviço a vapor do Trem da Cantareira era consideravelmente deficitário. Para tentar reverter esta situação, o Governo do Estado de São Paulo passou a estudar alternativas de melhorar o sistema, tornando-o atraente aos passageiros – e lucrativo. Outra problema crônico eram as reclamações constantes dos moradores da região atendida pelo ramal, que sofriam com a demora da composição, que só passava de duas em duas horas, enquanto os bairros atendidos pelos bondes tinham transporte a cada 15 minutos. No recorte do jornal Correio Paulistano, de 16 de março de 1926, o apelo pela mudança no sistema.

Correio Paulistano

Neste mesmo ano, após intensos estudos do governo, sairia o ousado e moderno projeto de eletrificação do Tramway da Cantareira.  Veja como ele seria:

A ideia do projeto consistia em substituir totalmente o vapor desde o início do serviço até seu final, em Guarulhos, eletrificando o serviço por completo. Além disso, tinha a ideia de que uma vez eletrificado, o serviço iria se conectar com os demais serviços de bonde da capital, tornando o lento transporte da zona norte paulistana mais rápido e eficiente.

A ilustração abaixo mostra um trecho que seria atendido por pelo menos duas linhas diferentes de bonde, além da linha férrea da São Paulo Railway. A linha mais ao alto seria a do Tramway da Cantareira.

O projeto previa também novas estações pelo percurso, já que boa parte da linha seria suspensa, muito parecida com o que acabou saindo do papel décadas mais tarde com a linha norte-sul do Metrô. A imagem abaixo mostra o estudo de uma estação no Parque D.Pedro II, elevando-se sobre o Rio Tamanduateí. Note que, embora em posição diferente da usada na Estação Pedro II atual, o conceito de parada era muito parecido.

Uma das ideias do Governo do Estado era também de estender o ramal de Guarulhos até a cidade de Santa Isabel, o que teria sido algo bastante arrojado para a época. Entretanto, isso nunca aconteceu, nem mesmo na linha a vapor que ia até o centro de Guarulhos e depois até a base aérea de Cumbica. Havia também o interesse do governo de passar a administração do Tramway da Cantareira para a Light, e só não ficou claro quem ia arcar com os custos dessa obra vultosa, se o governo ou a empresa estrangeira.

O croqui abaixo mostra o quão semelhante o projeto de 1926 era com o sistema atual do Metrô. Impossível olhar para a ilustração e não lembrar da nossa Linha 1 – Azul:

O projeto infelizmente nunca saiu do papel e o ramal da Cantareira continuou sendo um serviço lento, desatualizado e deficiente até ser desativado na década de 60. Sobre os motivos pelos quais a eletrificação do Tramway da Cantareira nunca virou realidade há muitas explicações, indo desde que não era interessante para a Light ou que não existia verba suficiente para tocar o ousado projeto.

A única verdade é que se esse incrível projeto tivesse realmente sido concretizado, a cidade de São Paulo teria iniciado o Metrô muitas décadas antes e hoje, provavelmente, teríamos muitos mais quilômetros e quilômetros de transporte coletivo eficiente e seríamos uma cidade muito menos dependente do carro. Mas isso, como muitas grandes ideias, ficou apenas no papel.

Abaixo, mais ilustrações do projeto: 

Divulgação

O entorno de lugares famosos

Uma vez, um amigo tirou uma foto das pirâmides do Egito e, ao fundo, se viam casas e prédios. Perguntei a ele se as pirâmides ficavam tão perto da cidade assim e ele me respondeu: “Não, a cidade é que avançou para as pirâmides”.

Parte das fotos abaixo mostra isso, que algumas construções históricas estão ameaçadas pelo avanço da “civilização”. O prejuízo não é apenas visual (quando foram concebidas, o entorno era outro); elas correm o risco de depredações, também. Mas continuam sendo patrimônios da humanidade: naturais, históricos, arquitetônicos, científicos, religiosos, artísticos, todos fazem parte da história e cultura do ser humano. Que ensinemos nossos filhos, desde pequenos, a respeitá-los e preservá-los.

Outras fotos mostram o edifício ou o local histórico em seu contexto real, sem a busca pelo melhor ângulo. Acho interessante, especialmente porque cada foto mostra exatamente a sua perspectiva e como a imponência dessa construção se destaca no todo. E outras, ainda, localizam o objeto ou o patrimônio da humanidade em sua perspectiva real.

Estas fotografias mostram como o enquadramento, o ângulo e a iluminação são importantes. O Portão de Brandenburgo e o Monte Rushmore são majestosos quando fotografados de um ângulo determinado, mas quando os mostramos em seu entorno, parecem tão normais…

O mais importante é que as fotos não reduzem a grandiosidade dos monumentos. Por exemplo, as fotos da Acrópole ou do Arco do Triunfo apenas servem para sublinhar como esses marcos são de fato impressionantes.

Pirâmides de Gizé

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foto: Edward Ewert

foto: Raimond Spekking

 Stonehenge

foto: Amanda White

foto: e-architect.co.uk

Portão de Brandenburgo

foto: Paul Gamble

foto: imgur.com

 Sagrada Família

foto: Rainer Walter Schmied

foto: Aldas Kirvaitis

 Niagara Falls

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foto: imgur.com

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foto: imgur.com

  Acrópole

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foto: imgur.com

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foto: imgur.com

Monte Rushmore

foto: Lanis Rossi

foto imgur.com

 Santorini

foto: paowmagazine.com

foto: Csilla Zelko

 Mona Lisa

foto: Pascal Le Segretain

foto: traveljapanblog.com

Central Park, Nova York

foto: James

foto: Sergey Semenov

 Arco do Triunfo

foto: Kajo Photography

foto: imgur.com

A Pequena Sereia, Copenhagen

foto: wallpaperswiki.com

foto: cooldaddypop.com
 Viu como a mudança de perspectiva altera nossa visão das coisas? E isso se aplica tanto na fotografia quanto em qualquer coisa na vida.

 

O pior museu de cera do mundo

Acho que todo mundo já ouviu falar do Museu de Cera de Madame Tussaud.

 Ele possui a maior coleção de figuras de celebridades do mundo. A sede está em Londres, mas também existem filiais em Nova Iorque, Washington, Las Vegas, Orlando,  Los Angeles, Tóquio e muitas outras cidades.

O verdadeiro Ryan Reynolds está à esquerda…

Marie Tussaud nasceu em Estrasburgo, França, e  sua mãe trabalhou como governanta para o Dr. Philippe Curtius, um médico com talento em modelação da cera, que ensinou à menina essa arte. Ela começou sua carreira fazendo em cera máscaras de vítimas famosas da Revolução Francesa. Então, se mudou para a Inglaterra em 1802, aceitando uma oferta de um mágico para exibir suas criações no espetáculo dele.

Por conta das guerras napoleônicas, ela não pôde voltar à França e continuou viajando pela Grã-Bretanha exibindo sua coleção, até que se estabeleceu na Baker Street em Londres (isso mesmo, a rua onde teria vivido Sherlock Holmes!) e lá abriu seu museu. Para incrementar a coleção, ela adicionou figuras de Lord Nelson e de outras celebridades da época.

O sucesso das figuras de cera de Madame Tussaud sempre se deveu à extrema fidelidade aos modelos reais, assombrosamente parecidos com as pessoas de carne e osso.

Mas há um Tussaud que rompeu com a família e abriu seu próprio museu: Louis Tussaud’s House of Wax, que hoje fica em Norfolk, região litorânea no leste da Inglaterra.

Bisneto da fundadora, ele brigou com o irmão – diretor artístico do Museu de Cera famoso – talvez porque seus trabalhos de modelagem não chegassem a alcançar os critérios estabelecidos pela casa famosa.

Furioso, passou a exibir seus trabalhos em seu museu, transformando-o no mundialmente conhecido “Pior Museu de Cera” da história. E seus seguidores continuam mantendo a… Digamos… Tradição em criar os piores bonecos de cera de todos os tempos. Alguns exemplos:

É ele, sim, o Arnold.

O… Glup!… Michael Jackson.

Supostamente, o Mr. Bean.

Victoria Beckham de verdade.

Essa é a Victoria Beckham do museu de cera, juro!

Todo mundo sabe quem é esse, não? O Charles…

E todo mundo sabe quem são esses, não é mesmo?

Pra encerrar a exibição, a semelhança é incrível…

Sem querer zoar demais, mas já fazendo isso… Compare com os bonecos de cera dos 007 que foram exibidos no Madame Tussaud.

Da esquerda para a direita, Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan.

O atual James Bond, Daniel Craig.

O irmão de Louis Tussaud teve razão em demiti-lo, certo?

 

As alucinantes esculturas de papel

O chinês Li Hongbo, que vive e trabalha em Beijing, na China, desafiou os conceitos tradicionais da escultura e passou a criar estruturas de papel flexíveis. Aquilo que costuma ser brincadeira de criança, quando você recorta o papel e cria figuras, virou arte, e ele continua buscando seus limites – que, aparentemente, ainda não foram alcançados.

Em janeiro do ano passado, ele inaugurou uma nova exposição em Nova York com esculturas que desafiam a percepção de realidade. Você pensa que são bustos de mármore e, de repente, eles se abrem e esticam. Confira.

Li HongBo Klein Sun AM 41

Li HongBo Klein Sun AM 36

Li HongBo Klein Sun AM 36

É incrível! O vídeo abaixo parece ter sido produzido com efeitos especiais.

E o vídeo a seguir foi feito por uma pessoa que entrou numa galeria de arte em Miami, e o rapaz estava curioso porque um monte de gente se reunia em volta de um busto com um aspecto comum. De repente…

Como era São Paulo sem o Minhocão

O Minhocão, uma via elevada que corta São Paulo – como se vê na foto acima – ,  voltou à pauta depois que foi divulgado que, pelo novo Plano Diretor da cidade, ele está com os dias contados. Ainda não se conhece seu destino, se ele vai virar um parque linear ou se será demolido.

Mas achei interessante conhecer como era a cidade sem ele, ou como ficou durante sua construção, segundo a reportagem de Rose Saconi para o jornal “O Estado de S. Paulo”:

Avenida São João antes da construção do elevado. Antonio Aguillar/Estadão

Nos anos 1930 e 1940 a av. São João, no centro da cidade, era a “Quinta Avenida” do paulistano e um dos redutos da boemia da cidade. Além de grande número de cinemas, o local contava com boas casas residenciais e lojas comerciais requintadas. A então valorizada região central da cidade, de agitada vida cultural, viria a perder o glamour com a construção do Minhocão.

Os melhores cinemas da cidade ficavam na Avenida São João e Ipiranga, no centro.

A rua Amaral Gurgel, antes do elevado.

Praça Marechal Deodoro, em 1956.

A mesma praça em 1987, com o Minhocão rugindo sobre ela…

Vista noturna da Av. São João nos anos 1970, antes das obras do Minhocão.

Alguns dos bairros ao redor do Minhocão, como Santa Cecília e Higienópolis, foram escolhidos pelos barões do café para a construção de mansões e palacetes no início do século 20. Casarões, já com garagens, eram ocupados por pessoas de classe média alta. Nas ruas, cavalheiros de terno e mulheres bem vestidas. Mas no fim da década de 1950, com a avenida Paulista já recebendo os primeiros edifícios e conjuntos comerciais, a região começou a dar os primeiros sinais de deterioração. A construção do Minhocão acentuou a degradação da região e provocou drástica desvalorização imobiliária. Antes mesmo da inauguração, as placas de “vende-se” já cobriam as fachadas dos prédios da São João.

A construção do elevado.

Obra do Minhocão na av. São João.

O projeto do elevado São João teve origem na administração do prefeito Faria Lima (1965/1969). Foi apresentado a ele pelo arquiteto Luiz Carlos Gomes Cardim Sangirardi, mas foi recusado. O projeto foi retomado pelo prefeito biônico Paulo Maluf. Foi construído a toque de caixa, em apenas 11 meses. Maluf tinha pressa, seu mandato era de apenas dois anos, como o de todos os prefeitos indicados durante a ditadura militar. Em menos de um ano a população viu surgir uma obra monumental que passava entre os prédios e recebera o nome de Elevado Costa e Silva, em homenagem ao segundo presidente da ditadura militar. A via elevada, que prometia uma ligação rápida entre as zonas leste e oeste, foi entregue aos paulistanos no dia 25 de janeiro de 1971 como um “presente” do prefeito. Curiosamente, naquele dia um carro quebrado provocou o primeiro grande congestionamento do Minhocão, coisa que vem acontecendo até hoje.
Hoje se vê que os benefícios dessa obra, feita sem planejamento cuidadoso e que destruiu uma área urbana, foram rapidamente engolidos pelo chamado “progresso”. Com poluição ambiental em cima e degradação social embaixo, o Minhocão é uma cicatriz na cidade.

Técnico do IPT monitorando o nível de ruído no que restou da Avenida São João, em 1989.

Congestionamento no Elevado, em 1990.

Os baixos do Minhocão eram ocupados por moradores de rua e usuários de droga até agosto de 2015, quando a prefeitura inaugurou uma ciclovia na área e os transferiu para os centros de acolhida municipais.

 Vamos torcer para que a decisão sobre esse desastre urbano que é o Minhocão seja tomada logo e que sua revitalização seja implantada ainda neste século…

Fotos do passado

Duvido que as pessoas que tiraram estas fotos fizessem ideia da importância que elas teriam, e que deixariam as pessoas tão maravilhadas no futuro. O mais interessante nelas, talvez, seja a constatação de que a vida era tão diferente – e ao mesmo tempo tão parecida – como a de hoje.

  • Dizem que este foi o primeiro “selfie” da história (em 1839), o moço é Robert Cornelius, nos Estados Unidos.

  • Em 1900, um engraçadinho tirou a foto dessa mulher prestes a dar um espirro!

  • Boliche é um esporte bem antigo, e antes não havia o sistema automático que deixa os pinos em pé. Era tudo feito na mão, e um erro podia custar um dedo amassado a esses meninos “arrumadores de pinos de boliche” em 1914.

  • Em 1922, os concursos de beleza eram comuns. Pela foto abaixo, de duas ganhadoras de um deles, a gente pode constatar que o conceito de beleza se modificou um pouco ao longo dos anos.

  • A preocupação com a falta de concentração, por conta das distrações que nos cercam, não é uma novidade dos dias de hoje. Um americano, lá atrás, em 1925,  inventou o “Isolador”. Esse capacete bizarro supostamente deixaria seu usuário surdo, limitando seu campo de visão a uma minúscula brecha e um balão de oxigênio acoplado ao capacete impediria que a pessoa morresse asfixiada.

Não sei se o inventor, Hugo Gernsback, conseguiu vender algum de seus “Isoladores”. O que eu sei é que ele, além de inventor, era também editor e autor. Desde 1908 ele vinha publicando revistas diversas até que, um ano depois do “Isolador”, lançou aquela que viria a ser a primeira revista do mundo exclusivamente dedicada à ficção científica, Amazing Stories. Foi nessa revista que se inventou o termo “cientificção” antes de se decidir pelo definitivo “ficção científica”. Na Amazing Stories, Hugo deu a primeira oportunidade a autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

  • Foto incrível, de Hitler ensaiando seus discursos na frente de um espelho, em 1925.

  • Moto de uma roda, de 1930, e que podia alcançar até 140 km/h. Até hoje tem gente criando motos iguais a essa.

Vimos isso no filme “Homens de Preto 3″…

Mas, recentemente, numa universidade de Michigan, foi apresentada uma “monobike” que funcionava pra valer:

  • “Família que passeia e trabalha unida fica mais unida”. Esse deve ter sido o mote a inspirar a criação de uma bicicleta para a família, em 1939. Ela servia para quatro pessoas e a mamãe podia aproveitar o passeio e costurar algumas roupas, já que a bicicleta vinha com uma máquina de costura acoplada:
  • Como eu disse mais acima, os concursos de beleza eram muito populares no mundo todo. Em 1950, nos Estados Unidos, eles elegeram até a “Miss Bomba Atômica”…

Em resumo, mesmo que as coisas fossem diferentes então, a gente percebe que, lá no fundo, o espírito humano nunca muda. Nossa perseverança, capacidade de invenção e curiosidade permanecem desafiando o tempo.

 

Fonte:

news.distractify.com

O Trem dos Órfãos

O trem dos orfãos

Foi lançado um livro que minha parceira e amiga Clene Salles (https://www.facebook.com/Clene.Salles?fref=ts) me ajudou a traduzir e que traz uma história incrível, e o mais impressionante, baseada em fatos reais.

“O Trem dos Órfãos” conta a história de Vivian Daly, uma senhora de 91 anos, que decide se livrar de seus pertences antigos e acaba recebendo a ajuda de Molly, uma adolescente órfã e rebelde, que está disposta a prestar serviços para não acabar no reformatório. Revivendo cada momento marcante de sua história, Vivian conta para Molly sobre sua família irlandesa pobre, que foi de navio para Nova York em busca de uma nova vida e acabaram todos mortos em um incêndio. Sendo a única sobrevivente, ela foi levada para o Meio-Oeste americano por um trem com outras centenas de crianças que teriam seu destino decidido pela sorte. Ou seriam adotadas por boas famílias ou teriam uma existência de sofrimento e trabalho pesado.

Esse roteiro já seria suficientemente rico para dar um belo livro se fosse apenas ficção, mas a autora se inspirou no “verdadeiro” trem dos órfãos para criar uma obra dramática e inspiradora.

Você já imaginou um trem cheio de crianças órfãs saindo de Nova York e se dirigindo para os confins do país, para ver se seriam adotadas pelos fazendeiros que ou estavam idosos demais para cuidar de suas terras, ou queriam mão-de-obra barata – e a adoção dessas crianças serviria para isso?

Pois é, eu achava que isso era uma história inventada, mas de fato aconteceu…Entre 1854 e 1929, quando o último Trem dos Órfãos viajou para o Oeste, mais de 250.000 crianças órfãs foram levadas das grandes cidades para viver nas comunidades rurais no interior do país.

Os trens que levavam crianças abandonadas dos grandes centros, como Nova York ou Boston, para as regiões menos povoadas dos Estados Unidos é um acontecimento pouco comentado, mas teve um profundo impacto na cultura americana. Apesar de muitas crianças terem sofrido maus tratos e serem obrigadas a trabalhos forçados, outras encontraram novos lares e novas vidas. Dois desses órfãos chegaram a ser governadores; um serviu como parlamentar no Congresso dos Estados Unidos; e outro chegou a ser juiz na Suprema Corte de Justiça.

Mas, de onde surgiram esses trens, e esses órfãos todos?

Em meados de 1850, um onda de imigrantes chegou à Nova York no tempo em que a cidade era a maior dos Estados Unidos, vindos da Europa em busca de uma vida melhor. Essas famílias chegavam geralmente com filhos pequenos e iam morar no Lower Manhattan (onde hoje se situam a Little Italy e a Chinatown), amontoando-se nos cortiços como o da fotos abaixo.

Esses cômodos abrigavam (“abrigar” é modo de dizer) às vezes 15 pessoas, sem ventilação adequada, sem banheiros e, no inverno, sem aquecimento adequado… Os pais se deparavam com a falta de emprego e com a pobreza. As doenças eram muito comuns e, quando o pai morria, as esposas tinham poucas opções de sustento dos filhos (quando também não morriam). Elas iriam trabalhar como costureiras em regime de semi-escravidão, ou se prostituíam, e o resultado era que os filhos acabavam na ruas, abandonados ou órfãos.

Um jornal de Nova York, em 1875, alertou que haviam mais de 10.000 crianças vivendo nas ruas. Sujas, descalças, sem luvas ou agasalhos no inverno, roubavam, mendigavam, vendiam jornais e não sabiam nem ler ou escrever.

Foi nessa época que o pastor Charles Loring Brace decidiu criar um programa para ajudar essas crianças. Sabendo que o Oeste do país era pouco povoado e acreditando que muitas famílias poderiam querer adotar crianças para ajudar em casa ou nas fazendas, começou a acomodar centenas de órfãos num trem que viajaria para essa região, anunciando, nos lugarejos por onde passasse, que qualquer pessoa poderia adotar uma daquelas crianças durante a sua passagem.

Enquanto as viagens não eram organizadas, as crianças eram recolhidas das ruas e instaladas em orfanatos.

Nos orfanatos, eram alimentadas e vestidas, e tinham uma cama onde dormir. Quando o trem estava para partir, as crianças recebiam uma nova muda de roupa, tomavam banho e eram alimentadas, para que quando chegassem nas estações de trem das cidades – onde se organizava uma “exposição” das crianças às famílias interessadas – elas estivessem apresentáveis.

Se as crianças não fossem escolhidas naquela parada, voltavam ao trem em fila – por tamanho, os maiores por último – e a viagem continuava, até que não restasse mais nenhuma criança para ser adotada. Caso restasse, essa criança voltaria ao orfanato, para aguardar uma nova oportunidade de viajar.

O que mais amedrontava os pequenos passageiros é que eles não sabiam para onde o trem se dirigia, e nem qual o destino que os aguardava. Corriam entre eles histórias de outras crianças que tinham sido adotadas simplesmente para trabalhar no campo de sol a sol, sendo obrigadas a dormir no estábulo com os cavalos e comer batatas – e mais nada.

Essas histórias eram verdadeiras, infelizmente. Apesar das boas intenções do pastor Brace, de salvar as crianças abandonadas, o projeto também acabou trazendo marcas profundas para muitas daquelas pessoas: além de serem levadas para trabalhar em regime escravo ou como empregadas das famílias, outras acabaram devolvidas ou colocadas na rua por falta de recursos dos que as acolheram.

Um estudo da National Orphan Train Complex (Kansas) revela que um em cada 25 americanos descende do Trem dos Órfãos.

Mas não há estimativas sobre o quanto essa iniciativa – apesar de ter conseguido bons lares para muitos meninos e meninas abandonados em Boston ou Nova York- contribuiu para o aumento de crianças de rua em estados como Kansas, Iowa ou Nebraska, três dos que estavam entre os mais visitados pelos trens…

PS- Tenho que fazer um agradecimento especial à Mayara Facchini (https://www.facebook.com/mayarafacchini?fref=ts), que foi a editora que me convidou a traduzir o livro que conta essa história. 

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A Atlântida entre a Grã-Bretanha e a Europa

Quanto mais a gente lê e estuda, mais aprendemos que… Nada sabemos! 

Por exemplo, eu nunca pensei que houvesse uma civilização avançada na América do Sul, antes dos Incas. Pois estudos recentes comprovaram que existiu uma civilização portentosa já no ano 300 a.C., os Moches, coincidindo com a era clássica dos Maias, e a descoberta da múmia de uma possível sacerdotisa moche, a Senhora do Cao (veja mais aqui) reforçou as hipóteses de que essa antiga civilização pode ter dado origem aos Incas.

Outra ideia errada que eu tinha era a de que a Atlântida,  citada pela primeira vez pelo filósofo grego Platão, teria sido o único continente a desaparecer.

 A Atlântida

Para quem não sabe, Platão descreve uma viagem ao Egito do legislador ateniense Sólon, que teria ouvido de sacerdotes de Sais a tradição sobre a Atlântida. A Atlântida de Platão seria uma ilha vastíssima, perto das colunas de Hércules (estreito de Gibraltar), e fora habitada pelos atlantes, descendentes de Atlas, filho de Poseidon (deus do mar). Os atlantes tinham empreendido a conquista do mundo mediterrâneo, mas Atenas os repelira. Finalmente, a degeneração de seus costumes provocara a ira dos deuses, e um maremoto tragara a Atlântida em um dia e uma noite. 

Pois um estudo recente sugere que uma “Atlântida” no Mar do Norte teria sido tragada por um tsunami de 5 metros há oito mil anos. Essa massa de terra, conhecida como Doggerland, unia as atuais ilhas britânicas com a Europa e desapareceu sob as ondas, causadas por um deslizamento de terra de grandes proporções ocorrido debaixo d’água na costa da Noruega.

Doggerland

O que se acredita é que era possível aos caçadores andarem desde o que hoje é o norte da Alemanha até o leste da Inglaterra. Há cerca de 10 mil anos, a região ainda tinha uma das mais ricas áreas para caça, pesca e caça de aves selvagens na Europa. Uma grande bacia de água fresca ocupava o centro de Doggerland, alimentada pelo rio Tâmisa pelo oeste, e pelo rio Reno no leste. Suas lagoas, pântanos e áreas alagadas eram um refúgio da vida selvagem.

Entretanto, segundo os pesquisadores do Imperial College em Londres, que realizaram esses estudos, 2 mil anos depois o mar começou a invadir as terras e  Doggerland se tornou uma ilha pantanosa de baixa elevação e que correspondia à uma área do tamanho do País de Gales. Os caçadores voltavam de suas viagens para encontrar seus acampamentos alagados, e terra seca se tornava cada vez mais escassa.

Com o passar do tempo, toda a área de Doggerland passou a ser inundada e ficava cada mais difícil para as pessoas viverem naquela região.

Restos encontrados num cemitério da região e hoje no Toulouse Museum, na França.

A foto acima, de duas mulheres que foram mortas e enterradas juntas, é um testemunho da violência que passou a se espalhar no antigo paraíso. É provável que o encolhimento das terras habitáveis, por conta da constante elevação das águas do mar, tenha levado as populações das tribos a violentos conflitos por disputa de espaço. 

Na época do tsunami, os estudiosos calculam que Doggerland ficava a apenas cinco metros acima do nível do mar e que o território estava tão alagado que seria pouco provável que alguém ainda estivesse vivendo por lá. Seja como for, o impacto das ondas teria sido significante sobre as populações que viviam na região costeira e dependiam substancialmente de recursos marinhos, como peixes e moluscos.

Perto da aldeia galesa de Goldcliff, os restos de um carvalho pré-histórico ficam visíveis quando a maré baixa. Acredita-se que as florestas do norte da atual Europa teriam morrido gradualmente à medida que a água salgada penetrava nos lençóis freáticos, matando as raízes. Os seres humanos, ao contrário das árvores, puderam fugir para locais mais elevados.

Migração, territorialidade, conflito: maneiras estressantes de se adaptar a novas circunstâncias. Mas, segundo os estudiosos, chegou uma hora em que o mar exauriu a capacidade de sobrevivência dos habitantes de Doggerland. Depois de séculos em que o mar ia subindo aos poucos, veio o deslizamento no fundo do oceano, nas costas da Noruega, provocando o tsunami que inundou toda Doggerland, acompanhado de ventos gelados.

Será que o tsunami foi – sem trocadilho – a gota d’água ou será que Doggerland já tinha desaparecido sob o mar antes disso? Os cientistas ainda não sabem dizer com certeza. Mas eles sabem que a elevação do nível do mar desacelerou depois disso. Então, novos povos do sul chegaram ao litoral das  ilhas Britânicas, coberto por densas florestas. Eles foram até lá de navio, levando ovelhas, gado e cereais.

Hoje, os descendentes desses primeiros agricultores olham novamente para um futuro em que, desta vez por conta do aquecimento do planeta,  terão provavelmente que lutar contra o mar mais uma vez, cujo nível se eleva gradualmente, ano a ano…