O dez mandamentos do chimarrão

 Gosto muito de chimarrão, embora não seja gaúcho. Gosto tanto que costumava ir a uma churrascaria mais pelo prazer de curtir a erva depois do almoço, que me era oferecida pelos donos, do que pelo churrasco propriamente dito. O texto a seguir me foi enviado por uma amiga gaúcha e achei tão bom que decidi publicá-lo.

A tradição do chimarrão é antiga e remete à história da colonização espanhola. Soldados espanhóis, que aportaram em Cuba e foram ao México ‘capturar’ os conhecimentos das civilizações Maia e Azteca, em 1536 chegaram à foz do Rio Paraguay. Impressionados com a fertilidade da terra às margens do rio, fundaram a primeira cidade da América Latina: Assunción del Paraguay.
Acostumados a grandes ‘borracheras’ – porres memoráveis que muitas vezes duravam a noite toda – os desbravadores, nômades por natureza, sofriam com a ressaca. Aos poucos, foram tomando o estranho chá de ervas utilizado pelos índios Guarany e notavam que no dia seguinte ficavam melhores. Realmente, o mate amargo é um bom ativante do fígado, auxiliando a curar o mal-estar causado pela bebida.
O porongo e a bomba do chimarrão eram retirados de floresta de taquaras, às margens do rio Paraguay. No Brasil, a erva é socada; na Argentina e no Uruguai, triturada. Nos países do Prata, ela é mais forte e amarga, sendo recomendada para quem sofre de problemas no fígado.

Um aparato fundamental para o chimarrão é a cuia, vasilha feita do fruto da cuieira ou do porongo, que pode ser simples ou mesmo ricamente lavrada e ornada em ouro, prata e outros metais, com a largura de uma boa caneca e a altura de um copo fundo.

O outro talher indispensável é a bomba , um canudo de cerca de seis a nove milímetros de diâmetro, de cerca de 25 centímetros de comprimento, em cuja extremidade inferior há uma pequena peneira do tamanho de uma moeda e, na extremidade superior, um bocal.

Uma roda de chimarrão é um momento de descontração, fazendo parte de um ritual indispensável para unir gerações. O mate pode ser tomado de três maneiras: solito (isoladamente), parceria (uma companheira ou companheiro) e em roda (em grupo). Apesar de simples e informal, a roda de chimarrão tem suas regras.

Verdadeiros mandamentos, que devem ser respeitados por todos, e com muito bom humor:

NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE

O gaúcho aprende desde piazito por que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se pôr na água ervas exóticas, cana, frutas, cocaína, feldspato, dólar etc, mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais não hesites: pede uma Coca-Cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.

NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO

Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando do chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não no canudo).

NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS

Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies. Se, porém, te julgas perfeitamente igual às demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.

NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE

Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco de cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte.

NÃO TE ENVERGONHES DO “RONCO” NO FIM DO MATE

Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba “roncar”, não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado.

NÃO MEXAS NA BOMBA

A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.

NÃO ALTERES A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO

Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve mas, depois de entrar, espera sempre tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do Estado.

NÃO “DURMAS” COM A CUIA NA MÃO (ou “CUIA NÃO É MICROFONE”)

Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando, recordando… E, às vezes, te surpreende até imaginando que a cuia não é cuia mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudêncio… Agora, tomar chimarrão numa roda é mui diferente. Aí o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ri, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quanto quiseres, mas não esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá esperando.

NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O 1º MATE

Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro, saibas que grosso é tu. O pior mate é o primeiro e quem o toma está te prestando um favor.

NÃO DIGAS QUE CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA

Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der para esquecer, faze o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho, que ela… etc, etc.

 

A história por trás da capa de “Rubber Soul”, dos Beatles

Considerado por inúmeros críticos como o primeiro disco da fase mais sofisticada dos Beatles –  e, para mim, o mais importante, pelo que representou na minha formação – “Rubber Soul” faz parte da lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.

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A foto da capa do álbum, que na época (1965) fugiu de todos os padrões então vigentes, foi fruto de um acidente.  Paul McCartney conta no Anthology que, após a  sessão de fotos no jardim da casa de John Lennon, o fotógrafo Robert Freeman usava uma cartolina para projetar as imagens fotografadas, deixando-as no tamanho da capa do disco (que nem tinha título ainda). Em determinado momento, a cartolina escorregou e uma das imagens apareceu distorcida, levando os Beatles à loucura com o efeito. Imediatamente eles escolheram aquela imagem e pediram que fosse reproduzido o mesmo efeito distorcido.

A foto original.

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A foto acima, já recortada e pronta para ser distorcida.

Nesse momento também tiveram a ideia do título do disco: “Rubber Soul” (Alma de Borracha), um trocadilho com “rubber sole” (sola de borracha), além de uma referência à Soul Music. O logotipo com o título do disco foi produzido pelo artista Charles Front.

Charles Front era um designer gráfico de Londres que foi procurado por Robert Freeman, que lhe pediu que projetasse as letras para a capa do próximo álbum dos Beatles. Ele levou a foto escolhida, falou da distorção que eles queriam e Front sentiu que o título “Rubber Soul” lhe passava a imagem de algo viscoso, como látex, que vinha sendo puxado para baixo pela força da gravidade – espelhando a distorção da foto.

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Front apresentou seu projeto a Brian Epstein, as letras desenhadas em guache marrom e montadas sobre um esboço da capa, que prontamente o aprovou junto com os quatro membros do grupo.

‘Rubber Soul’ foi lançado em 3 de dezembro de 1965, coincidindo com a primeira data do que viria ser a turnê final do grupo pelo Reino Unido. Musicalmente e liricamente, o álbum foi a gravação mais ambiciosa do grupo, anunciando uma nova fase na carreira dos Beatles e uma antevisão do que viria a seguir. O álbum foi considerado o mais brilhante e inovador até então e menos de uma semana após seu lançamento, o disco já estava no topo das paradas, posição em que permaneceu por 12 semanas. 
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Linha de montagem do disco na fábrica.

Podemos considerar este disco como o primeiro passo para o psicodelismo e o experimentalismo produzidos depois em “Revolver”, chegando ao ápice em “Sgt. Pepper’s” e, por consequência, alterando a história da música do século XX.
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As pedras rolantes do Vale da Morte… E não são os Rolling Stones!

Em meio ao misterioso silêncio e calor abrasador do Vale da Morte, na Califórnia, pedras rolantes movem-se sozinhas.

As rochas deslizantes de Racetrack Playa são um dos fenômenos mais intrigantes que ocorrem no Vale da Morte, especialmente no lago seco chamado Racetrack Playa (algo como Planície ou praia dos Rastros). O fenômeno consiste de pedras de dimensões variáveis, algumas bastante grandes, com centenas de quilos, que são encontradas com um rastro atrás de si marcado no solo, sem qualquer sinal associado à intervenção humana ou animal. A causa deste movimento ainda é controversa, embora várias teorias tentem explicá-lo. Ninguém jamais conseguiu filmá-las ou vê-las em movimento.

Registros informais populares e estudos científicos sobre este fenômeno se multiplicaram, mas não se sabe quem primeiro o observou. O primeiro registro escrito conhecido é de McAllister and Agnew,  sugerindo que a causa do movimento das rochas eram os ventos.

DEATH VALLEY NATIONAL PARK, INYO COUNTY, CALIFORNIA, U.S.A. RACETRAK PLAYA VIEW LOOKING NORTH TOWARDS THE GRANDSTAND FROM APPROXIMATE POSITION N 36º 40.0', W 117º 33.5'

DEATH VALLEY NATIONAL PARK, INYO COUNTY, CALIFORNIA.

Muitas das pedras pesam mais de 400 quilos e movem-se através de direções as mais diferentes.

Sempre existe uma teoria nova procurando explicar a causa. Há os que concordam com a ideia original, dizendo que é a força dos ventos! Outros afirmam que são forças magnéticas.

Muitos cientistas foram até o deserto em busca de explicações. Através de suas experiências, concluíram que seriam necessários ventos de mais de 370 quilômetros por hora para mover uma pedra de 400 quilos e ventos como esses nunca foram vistos no planeta!

Mistério…